PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS (PPGCB)

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA (CCEN)

Telefone/Ramal
Não informado

Dissertações/Teses


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2024
Descrição
  • ÉRICA FERNANDA GONÇALVES GOMES DE SÁ
  • MAMÍFEROS EM AGROECOSSISTEMAS: ABORDAGENS PARA AVALIAÇÃO DA DIVERSIDADE E EXPOSIÇÃO A CONTAMINANTES
  • Orientador : PEDRO CORDEIRO ESTRELA DE ANDRADE PINTO
  • Data: 28/06/2024
  • Hora: 13:00
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  • A expansão e intensificação da agricultura ocasionam a redução da biodiversidade em decorrência da fragmentação e perda de habitat e a exposição a contaminantes. Os impactos são refletidos em todos os níveis da diversidade biológica, incluindo níveis de comunidade, população e individual. Nosso objetivo foi investigar esses impactos utilizando mamíferos como biomonitores. No Cap. I; o objetivo foi avaliar a exposição dos mamíferos no cenário agrícola brasileiro. Para tal, conduzimos uma revisão sistemática sobre a ocorrência de mamíferos em agroecossistemas e baseados na avaliação de risco ambiental de agrotóxicos para organismos não-alvo (ARA), avaliamos os traços funcionais dos mamíferos nos principais cultivos. Revisamos 200 estudos que reportam a ocorrência de 319 espécies, das quais 205 no cultivo (in crop). Trinta e cinco espécies ameaçadas de extinção ocorrem em cultivos, sugerindo potencial exposição a contaminantes. O espaço funcional de mamíferos mostra que são necessárias duas a três espécies modelo genéricas para avaliar corretamente a exposição. Baseado na probabilidade de ocorrência dos grupos funcionais nos tipos de agroecossistemas, espécies modelo genéricas podem ser utilizadas para sistemas de pastagem, plantações de árvores e cultivos anuais, com as características funcionais terrestre, crepuscular, de tamanho médio a grande e dieta de vertebrados. Nas culturas agroflorestais e perenes, são indicadas espécies modelo genéricas com as características funcionais arbóreos e dietas frugívora e nectarívora. No Cap. II e III, o objetivo foi avaliar o sistema arroz-Pantanal, usando pequenos mamíferos como estudo de caso. No Cap. II, através de um inventário completo da comunidade no arrozal e na reserva adjacente (12.774 armadilhas/noite), encontramos alta diferenciação (beta=0.95) quando estimada com abundância. A reserva apresentou maior diversidade taxonômica. Métricas de diversidade funcional e filogenética foram maiores no arrozal do que na reserva quando baseadas em incidência, enquanto o contrário foi observado quando baseado em abundância. A inclusão da abundância é essencial para avaliar com precisão o impacto de agroecossistemas no nível de comunidade. No cap. III, avaliamos a exposição dos pequenos mamíferos através da quantificação de metais em tecidos críticos e no solo em dois ambientes: arrozal e reserva legal. Encontramos cádmio no fígado e rim em elevadas concentrações nos animais de ambos os habitats. No geral, as concentrações mais elevadas de metais não essenciais, alumínio (605,86 ± 298,10 mg/kg) e chumbo (74,09 ± 57,71 mg/kg), foram observadas nos rins dos roedores da reserva legal. Para o solo, também observamos maiores concentrações dos metais não essenciais, alumínio (4.881,48 ± 1.034,69) e cádmio (0,33± 0,20) na reserva legal. Os resultados desta tese orientam o setor público regulatório e a academia na avaliação do risco ambiental de contaminantes para organismos não-alvo. Através da avaliação do sistema modelo arroz- Pantanal, fornecemos um protocolo inédito para acessar os impactos de agroecossistemas na comunidade de pequenos mamíferos, utilizando múltiplas métricas de diversidade e quantificação de contaminantes. Este protocolo pode ser replicado em outros sistemas agrícolas para ampliar o conhecimento sobre a ocorrência e saúde de mamíferos em agroecossistemas, direcionar futuras pesquisas de conservação e auxiliar na criação de legislações para o monitoramento de contaminantes no meio ambiente.
  • HYAGO KESLLEY DE LUCENA SOARES
  • Interações entre pessoas e mamíferos silvestres no mundo: usos, conflitos e conservação
  • Data: 28/06/2024
  • Hora: 08:30
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  • Os mamíferos são utilizados para diversas finalidades por grupos humanos de todo o planeta. Entretanto a escolha e o uso das espécies não são aleatórios, mas influenciada por características humanas além das demandas cada vez maiores do comércio de animais selvagens (partes, produtos e animais vivos) representam uma importante ameaça para muitas espécies. Neste sentido, o presente estudo compreende uma análise sobre os fatores que determinam a escolha e utilização de mamíferos selvagens em escala global. Os objetivos principais desse estudo foram testar como as características das espécies, relações evolutivas e fatores socioeconômicos atuam na seleção e utilização desses animais em três categorias de uso: comércio de animais selvagens, animais de estimação (pets) e alimento (carne de caça), bem como das espécies presente em conflitos com humanos. Outros objetivos foram identificar as regiões com maior riqueza de espécies consumidas e verificar se existe viés nos estudos investigando o consumo de mamíferos nas categorias citadas acima. Por meio de uma revisão sistemática, compilamos um compreensivo banco de dados e usamos métodos comparativos filogenéticos para testar se as características das espécies influenciam o consumo e conflitos de mamíferos com humanos. Além disso, testamos quais variáveis socioeconômicas e como elas influenciam o consumo desses animais. Pelo menos 458, 704, 1,486 e 709 espécies são usadas respectivamente no comércio de animais selvagens, como animais de estimação, alimento e presentes em conflitos com humanos. Entre as espécies registradas, pelos menos 162, 300, 391 e 148 são consideradas ameaçadas pelo comércio, uso como pets, consumo de carne de caça e conflitos com humanos. As características das espécies determinam seu uso em todas as categorias investigadas, no entanto existem variações entre as características em cada categoria. No geral, espécies com menores tamanhos do corpo e área de extensão geográfica são mais utilizadas como animais de estimação, como alimento (carne de caça) e em conflitos com humanos. Por outro lado, espécies com maiores tamanhos do corpo e extensão geográfica são mais comercializadas (tem mais partes corpóreas usadas e são comercializadas para mais usos). Os usos das espécies são agrupados na filogenia, nesse sentido espécies evolutivamente próximas estão envolvidas nas mesmas categorias investigadas. Os usos das espécies são globalmente disseminados, contudo os países em áreas tropicais apresentam maior riqueza de espécies usadas em cada uma das categorias investigadas. Pelo menos 136, 66, 133 e 126 países estiveram envolvidos no consumo de mamíferos para comércio, pets e carne de caça, bem como em conflitos com humanos, respectivamente. Países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento apresentam maior riqueza de espécies nas quatro categorias investigadas. No geral, nossos resultados ampliam substancialmente as informações sobre os fatores determinantes do consumo e conflitos de mamíferos selvagens por populações humanas e possibilitam uma melhor contextualização em escala global com vistas a elucidar políticas públicas que busquem atenuar os problemas relacionados ao consumo desses animais tanto para as populações das espécies exploradas, quanto para garantir o bem-estar das populações humanas.
  • BEATRIZ DYBAS DA NATIVIDADE
  • Revisão sistemática de morcegos do gênero Anoura Gray, 1838 (Chiroptera: Phyllostomidae) com ênfase nas formas com distribuição a leste dos Andes.
  • Data: 25/06/2024
  • Hora: 14:00
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  • Anoura Gray, 1838 é o gênero mais diverso de morcegos nectarívoros/polinívoros da subfamília Glossophaginae e tem uma ampla distribuição, ocorrendo desde o México até o norte da Argentina, com exceção ao Chile. Mais da metade da diversidade do gênero conforme atualmente reconhecida foi descrita a partir da década de 1980 e a maior diversidade do grupo tem sido associada aos Andes. Entretanto, dados e revisões dos Anoura distribuídos a leste dos Andes são escassos e muito pouco desse material vem sendo incluído em trabalhos de revisão do gênero. Nesse contexto, o objetivo dessa dissertação foi realizar uma revisão sistemática do gênero Anoura, com ênfase nas formas com distribuição a leste dos Andes, de forma a (1) descrever, analisar e testar variações morfológicas das espécies do gênero Anoura; (2) investigar a diversidade genética das espécies do gênero Anoura, testando relações filogenéticas, com base em marcadores mitocondriais; (3) estudar a composição de espécies do gênero Anoura utilizando dados morfológicos e moleculares e através de testes de delimitação de espécies, análises filogenéticas, análises morfométricas e morfologia comparada de caracteres discretos; e (4) revisar as ocorrências e identificações das espécies de Anoura de forma a elucidar os limites de suas distribuições geográficas. O capítulo 1 da dissertação aborda os objetivos específicos 1, 2 e 3, e os capítulos 2 e 3 abordam o objetivo específico 4. Para o capítulo 1, foram consultados 1015 exemplares de coleções científicas de toda a distribuição geográfica do gênero para as análises morfológicas de caracteres discretos e contínuos. Foram tambem utilizados dados de dois marcadores mitocondriais (239 indivíduos para Citocromo oxidade subunidade I e 67 indivíduos para citocromo B), submetidos a análises filogenéticas e testes de delimitação de espécies. Por meio das análises de caracteres morfológicos foi possível discriminar 14 morfotipos, 11 correspondentes a espécies ou subespécies atualmente reconhecidas e três não previamente reconhecidos, que podem ser divididos em três complexos de espécies: “complexo caudifer”, “complexo geoffroyi” e “complexo cultrata”. Os resultados filogenéticos apontam para a existência de 11 linhagens no gênero Anoura, sugerem a elevação de algumas subespécies a espécies, apontam para uma espécie ainda não descrita em A. luismanueli e alguns dados apontam para a existência de pelo menos duas linhagens em A. caudifer. São ainda descritos novos caracteres morfológicos para diagnose de todas as espécies do gênero com exceção a A. fistulata e apresentadas evidências morfológicas e moleculares que as espécies A. c. brevirostrum e A. g. lasiopyga deveriam ser tratadas como espécies plenas. O capítulo 2 reporta novos registros de A. caudifer na porção nordeste da América do Sul, com registros novos para Bahia e o primeiro registro para o Estado do Ceará, aumentando a distribuição da espécie em mais de 600 km. O último capítulo, trata de novos registros de distribuição de uma espécie pouco conhecida, Anoura cadenai, aqui documentada pela primeira vez para a Venezuela, que passa a ter 173 espécies conhecidas de morcegos.
  • MIKAELLE CRISTINA MEDEIROS CHAVES
  • A atividade dos transportadores ABC e o fenótipo de resistência a multixenobióticos (MXR) em larvas de Artemia franciscana
  • Orientador : LUIS FERNANDO MARQUES DOS SANTOS
  • Data: 29/04/2024
  • Hora: 09:00
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  • A Artemia franciscana foi introduzida no Brasil nas salinas de Macau (RN), disseminando-se nas demais salinas da região. O gênero Artemia é bastante utilizado como alimento vivo na aquicultura, e, apesar de sua resistência intrínseca tanto a fatores ambientais quanto a compostos tóxicos, o estágio larval vem sendo largamente empregado na toxicologia e, mais recentemente, na ecotoxicologia. A resistência a compostos tóxicos, em diversos grupos, tem sido associada à atividade dos transportadores ABC e o consequente fenótipo de resistência a multixenobióticos (MXR). No entanto, desconhecemos a descrição do fenótipo no gênero. O objetivo do projeto foi investigar a atividade dos transportadores ABC e o fenótipo MXR em larvas de A. franciscana. Para a caracterização da atividade dos transportadores ABC, foram utilizados substratos fluorescentes (calceína-AM e rodamina B) e bloqueadores da atividade das proteínas ABCB1 (PSC833) e ABCC1 (MK571). O fenótipo MXR foi investigado em ensaios de toxicidade aguda, utilizando-se substratos tóxicos dos transportadores ABC (colchicina, CuSO4, ivermectina e vimblastina), e um herbicida amplamente utilizado na região nordeste do brasil (diuron). Foram investigados, ainda, os efeitos de diferentes temperaturas (15°C, 25°C ou 35°C) na atividade dos transportadores ABC no náuplios e na sensibilidade das larvas ao sulfato de cobre e ao diuron. A partir dos ensaios com o substrato fluorescente calceína-AM, foi identificada a atividade do transportador ABCB1, caracterizada por uma maior distribuição da calceína, no corpo da larva, na presença do bloqueador PSC833. Os ensaios com a rodamina B, indicaram a presença da atividade do transportador ABCC1. O bloqueador PSC833 apresentou toxicidade nos ensaios de exposição aguda. Uma vez que o bloqueio da atividade dos transportadores ABCB1 per se mostrou-se tóxico, sugere-se que essas proteínas participem ativamente do desenvolvimento larval de A. franciscana. Nos testes de toxicidade aguda dos compostos observou-se que a colchinha foi tóxica na concentração de 5 μg/L; a ivermectina, nas concentrações de acima de 40 ng/mL; e a vimblastina a partir da concentração de 4 μM. No entanto, não foi observada alteração da quimiossensibilidade das larvas, aos compostos tóxicos, na presença dos bloqueadores dos transportadores ABCB1 e ABCC1. Esses dados sugerem a ausência de um fenótipo MXR clássico nos náuplios de A. franciscana. A temperatura não alterou o padrão de distribuição corporal da calceína. As larvas cultivadas à 15°C mostraram-se mais sensíveis ao diuron, enquanto o sulfato de cobre apresentou baixa toxicidade nos náuplios incubados na mesma temperatura. Esse resultado sugere as larvas que se desenvolvem em uma mesma temperatura podem apresentar diferentes sensibilidades de acordo com o xenobióticos ao qual é exposta. O presente trabalho contribui para o entendimento da biologia do grupo e para o desenvolvimento de novas abordagens ecotoxicológicas.
  • JADE MEDEIROS DE FRANÇA CARDOSO
  • MORFOLOGIA E IMPLICAÇÕES FILOGENÉTICAS DA MUSCULATURA INCLINADORA DORSAL PARA OS ELASMOBRÂNQUIOS (Chondrichthyes: Elasmobranchii)
  • Orientador : JOAO PAULO CAPRETZ BATISTA DA SILVA
  • Data: 26/04/2024
  • Hora: 09:00
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  • Os elasmobrânquios têm sido estudados em termos anatômicos por quase duzentos anos, no entanto, vários elementos de sua anatomia, como a musculatura da nadadeira dorsal, não foram completamente abordados e ainda carecem de descrições detalhadas. Neste contexto, o presente estudo investiga a variação anatômica dos músculos inclinatores dorsales em tubarões e raias, com o intuito de investigar a importância da variação anatômica deste complexo e sua evolução. Foi observado que os inclinatores dorsales possuem dois componentes distintos, sendo compostos por componentes profundus e superficialis. Além disso, características nunca descritas foram descobertas, como por exemplo a presença ou ausência dos inclinadores dorsales na margem livre da primeira nadadeira dorsal. Além disso, o presente estudo traz uma interpretação diferente para os incliatores dorsales em relação àquela trazida no contexto da hipótese dos Hynosqualea, reforçando a necessidade de uma reavaliação de caracteres morfológicos anteriores. Por último, os caracteres propostos aqui para os inclinatores dorsales são discutidos em relação a uma análise filogenética combinada para os elasmobrânquios.
  • MARCUS VINÍCIUS GONÇALVES ARAÚJO
  • ANATOMIA COMPARADA E SIGNIFICADO FILOGENÉTICO DO NEUROCRANIO DE REPRESENTANTES DA FAMÍLIA POTAMOTRYGONIDAE
  • Orientador : JOAO PAULO CAPRETZ BATISTA DA SILVA
  • Data: 12/04/2024
  • Hora: 09:00
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  • A família Potamotrygonidae faz parte da ictiofauna neotropical e possui a maior diversidade de elasmobrânquios de água doce do mundo. O neurocrânio em Potamotrygonidae é uma estrutura alongada e achatada dorsoventralmente que se articula anterolateralmente com a porção anterior do propterígio, posteriormente com o sinarcual e posterolateralmente com o arco hiomandibular. O neurocrânio de 28 espécies de Potamotrygonidae é aqui descrito comparativamente em um esforço para revelar novos caracteres filogeneticamente relevantes. Uma nova filogenia em nível de gênero, bem como uma análise combinada da família Potamotrygonidae é aqui proposta com base em 60 novos caracteres morfológicos além de marcadores de DNA mitocondrial e ribossômico. A subfamília Potamotrygoninae, cuja monofilia é bem sustentada por estudos anteriores, é também suportada por 10 novas sinapomorfias do neurocrânio. Além disso, também reforçamos a divisão da subfamília em duas linhagens: a primeira delas composta por Heliotrygon + Paratrygon, e a segunda composta pelas espécies de Potamotrygon e Plesiotrygon. Nossos resultados recuperam Plesiotrygon iwamae posicionado dentro do clado contendo espécies de Potamotrygon, indicando sua possível parafilia. O neurocrânio dos potamotrigonídeos e sua variação anatômica também é discutido no contexto de filogenias morfológicas e moleculares prévias de arraias neotropicais de água doce.
  • ANDRÉ BARBOSA REIS
  • DIVERSIDADE E COMPOSIÇÃO DE ESPÉCIES DE BESOUROS ESCARABAÍNEOS EM PAISAGENS AGRICOLAS DA CAATINGA
  • Orientador : BRAULIO ALMEIDA SANTOS
  • Data: 29/02/2024
  • Hora: 14:00
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  • Desenvolver paisagens agrícolas sustentáveis é uma prioridade global urgente devido à conversão contínua de vastas áreas de florestas tropicais em terras agrícolas. Essa transformação impacta negativamente a biodiversidade, pois modifica as características do solo, reduz e fragmenta o habitat das espécies e cria mosaicos de diferentes tipos de uso e cobertura da terra. Este estudo se concentra nos besouros escarabeíneos, importantes elementos para o funcionamento dos ecossistemas, mas pouco estudados em ambientes agrícolas. Investigamos 15 propriedades rurais no Cariri Paraibano, a região semiárida mais seca do Brasil, avaliando como a diversidade e a composição de espécies de besouros variam em resposta a mudanças no solo (físicas e químicas), no ecossistema local (cultivo vs. floresta) e na estrutura da paisagem (composição, configuração e tipo de matriz). As coletas aconteceram nos períodos chuvosos de 2022 e 2023. Em cada propriedade, instalamos 10 pitfalls em uma área decultivo e 10 pitfalls no remanescente florestal vizinho mais bem conservado, sendo metade com fezes humanas e metade com baço bovino apodrecido. Após 48h coletamos todos os animais que haviam em seu interior. Para descrever as características químicas e físicas do solo, realizamos análises químicas e físicas de 15 descritores do solo, tais como pH, potássio, concentração de argila e areia. Para descrever a estrutura da paisagem, construímos ortomosaicos de fotografias aéreas tiradas com um drone e os utilizamos para caracterizar o uso e a cobertura da terra, tais como solo exposto, cultivo, pastagem, áreas arbustivas em regeneração, caatinga arbórea e floresta de caatinga. A partir do centroide do cultivo amostrado, estimamos a porcentagem de ecossistemas conservados (i.e. caatinga arbórea + floresta de caatinga), o número de ecossistemas conservados e o nível de impacto humano na matriz em raios de 100 m, 300 m e 500 m. Coletamos um total de 3501 escarabeíneos de 13 gêneros e 33 espécies. Cerca de 36% das espécies (n = 12) foram exclusivas da floresta. As duas espécies mais dominantes (Dichotomius geminatus e Deltochilum verruciferum), que representaram 56,2% dos indivíduos amostrados, sendo D. geminatus ocorrendo em distintos ambientes do semiárido brasileiro e também na Floresta Atlântica nordestina. A concentração de areia afetou negativamente a diversidade de espécies. A comparação cultivo vs. floresta revelou que a composição de espécies do cultivo é um subconjunto da composição de espécies da floresta, mas os valores médios de diversidade são semelhantes entre os ambientes. Os descritores da composição, configuração e nível de impacto humano na matriz da paisagem não impactaram significativamente as métricas de diversidade e composição das comunidades. Em conjunto, os resultados sugerem que a conversão de floresta em campos agrícolas pode modificar a composição de espécies de besouros escarabeíneos e empobrecer suas comunidades caso leve ao aumento na concentração de areia no solo. Também sugere que modificações na estrutura da paisagem são menos relevantes e, se existirem, devem ocorrer em escalas espaciais menores que 100 m.
  • CATARINA SERRÃO CARLOS DA COSTA
  • Efeitos tóxicos e subletais de nanoplásticos na fertilização e no desenvolvimento embrionário e larval da bolacha-da-praia tropical Mellita quinquiesperforata (Leske, 1778) (Echinodermata: Echinoidea)
  • Data: 28/02/2024
  • Hora: 14:00
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  • A Mellita quinquiesperforata é um equinoide tropical abundante na costa brasileira. O desenvolvimento embrionário e larval de equinodermos são importantes ferramentas de estudo na ecotoxicologia para avaliação de risco de contaminantes antrópicos emergentes. Entre estes, destacam-se os nanoplásticos, cujo efeito em espécies marinhas ainda carece de maior entendimento. Ademais, é importante ampliar os estudos sobre o impacto destes contaminantes na reprodução de invertebrados marinhos tropicais, visando a conservação de suas populações e comunidade. O objetivo do presente trabalho foi investigar o efeito de nanoplásticos (NPs) de poliestireno funcionalizados com grupamentos amina (PS-NH2) e carboxila (PS-COOH) na fertilização e desenvolvimento embrionário e larval de M. quinquiesperforata. Gametas femininos e masculinos, embriões e larvas foram expostos, de forma independente, aos dois NPs (0,005; 0,05; 0,5 e 5 mg.L-1 ) e os seguintes endpoints foram avaliados: taxa de fertilização, alterações morfológicas no desenvolvimento, mortalidade, internalização celular dos NPs e ingestão dos NPs pelas larvas. Apenas os NPs PS-NH2 (5 mg.L-1 ) apresentaram efeito tóxico, bloqueando a fertilização (91,4% de bloqueio para exposição de óvulos; 100% para exposição de espermatozoides), causando, ainda, mortalidade de gástrulas e larvas (98,6% e 100% de mortalidade, respectivamente). Os NPs PS-COOH não causaram efeitos tóxicos sobre a fertilização e o desenvolvimento embrionário e larval, porém se acumularam no trato digestivo das larvas na maior concentração testada. Além disso, as nanopartículas carboxiladas foram internalizadas pelos óvulos recém-fertilizados e permaneceram presentes nas células embrionárias durante o desenvolvimento. O presente trabalho ressalta a toxicidade das NPs aminadas; alerta para possíveis comprometimentos no processo de metamorfose larval e biomagnificação das NPs ao longo da teia trófica; e auxilia no desenvolvimento de estratégias e políticas de proteção ambiental contra contaminantes emergentes em ecossistemas tropicais.
  • JÉSSICA MARIA ALEXANDRE SOARES
  • Taxocenose de morcegos (Mammalia: Chiroptera) no Parque Nacional Serra do Teixeira, Paraíba: Diversidade, riqueza e variação sazonal
  • Data: 27/02/2024
  • Hora: 14:00
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  • A Caatinga é um domínio morfoclimático heterogêneo com distintas fitofisionomias, e dentre elas se encontram os brejos de altitude, “ilhas” de florestas úmidas no semiárido. Os morcegos são animais bastante diversificados e de ampla distribuição geográfica, representando na Caatinga a maior parcela da riqueza de mamíferos. O objetivo da pesquisa foi caracterizar a estrutura da comunidade de morcegos do Pico do Jabre no Parque Nacional Serra do Teixeira, Paraíba, comparando as taxocenoses e os efeitos da variação sazonal nos hábitats de caatinga e brejo de altitude. No primeiro capítulo, testou-se a eficiência de captura de redes de neblina ultrafinas em detrimento de regulares. No seguinte, caracterizou-se a estrutura da comunidade de morcegos de um brejo de altitude e caatinga adjacente comparando as taxocenoses e efeitos da sazonalidade nos hábitats por meio do uso de redes de neblina e bioacústica. Foram feitas coletas mensais durante 12 meses, em 10 deles utilizou-se o método acústico e durante nove testou-se o uso de redes ultrafinas e regulares. Verificou-se a riqueza observada e estimada por Jackknife 1, composição, diversidade de Shannon-Wiener e de Simpson e como as comunidades respondiam a variação sazonal. Redes ultrafinas mostraram-se mais eficientes capturando 21 espécies e 316 indivíduos, já as regulares 10 espécies e 71 indivíduos. No capítulo II, utilizando redes de neblina, capturou-se 464 morcegos pertencentes a quatro famílias, 18 gêneros e 21 espécies. Na caatinga registrou-se 20 espécies e 173 indivíduos e no brejo 10 espécies e 291 indivíduos. A caatinga mostrou maior diversidade e maior equitabilidade que o brejo. A curva de acumulação de espécies sugeriu que amostramos 83.33 % das espécies do brejo e 72.41% da caatinga. As composições das comunidades foram distintas apresentando diferença significativa entre si. Na estação chuvosa a caatinga aumentou significativamente a abundância e o brejo não apresentou diferenças. Para o método acústico após 40 noites de amostragens totalizando 4.800 minutos de gravação, foram registradas 2.144 passagens de morcegos distribuídas em quatro famílias, 11 gêneros e 18 sonotipos, dos quais 10 foram identificados a nível de espécie. Todos os sonotipos listados estão presentes na área de caatinga que também possui o maior número de passagens (1.676). O brejo apresentou 468 passagens distribuídas em oito espécies. Os índices de diversidade de Shannon e Simpson apontam para caatinga com maior diversidade. A estimativa de riqueza indicou amostragem satisfatória na caatinga com 94.74 % das espécies amostradas, já para o brejo a curva sugere amostragem de 83.33% com tendência ascendente. A composição entre as comunidades apresentou diferença significativa e observou-se dissimilaridade geral de 69.41%. No levantamento acústico ambas as comunidades não apresentaram diferenças significativas para o número de passagens e riqueza de espécies entre as estações seca e chuvosa. Métodos alternativos combinados na amostragem de quirópteros produzem listas bastante distintas entre si e as duas comunidades são bastante distintas apesar de tão próximas geograficamente, reforçando o quanto os brejos possuem ecossistemas bastante particulares.
  • RENAN RODRIGUES FERREIRA
  • Térmitas Neotropicais: inventário para o Acre, novos registros no Nordeste Brasileiro e comparação genética de espécies
  • Data: 16/02/2024
  • Hora: 14:00
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  • Térmitas são insetos eussociais amplamente distribuídos em regiões tropicais e subtropicais ao redor do globo e compreendem um total de 2972 espécies, das quais 615 ocorrem na Região Neotropical. Desempenhando papéis essenciais como decompositores da necromassa vegetal e fontes de energia para diversos grupos. Esta dissertação, estruturada em três capítulos, visa proporcionar uma visão abrangente sobre os térmitas em várias áreas do Brasil. O primeiro capítulo concentra-se em uma lista de espécies de térmitas no estado do Acre, situado no sudoeste da Amazônia. Este levantamento registra a presença de 128 espécies, incluindo seis novos registros para o Brasil. Apesar do acréscimo significativo de informações, ressalta-se a necessidade de mais estudos abrangentes, visto que apenas quatro pontos foram amostrados no Acre, sublinhando a carência de dados em diversas regiões do estado. No segundo capítulo, destaca-se aidentificação de novos registros de ocorrência da espécie praga invasora Cryptotermes havilandi (Sjöstedt, 1900) nos estados da Paraíba, Pernambuco e Bahia. A determinação das espécies foi apoiada por características morfológicas e moleculares, incluindo análises dos genes COI e COII. Este capítulo marca o primeiro registro desta espécie ocorrendo em ecossistemas de brejo de altitude e caatinga do nordeste brasileiro. A falta de evidências em pesquisas anteriores sugere que pode ter se espalhado apenas recentemente, levantando preocupações de que possa competir com espécies nativas. O terceiro capítulo concentra-se na discussão da validade da distinção entre duas espécies de térmitas, Nasutitermes ephratae (Holmgren, 1910) e Nasutitermes coxipoensis (Holmgren, 1910). Apesar de possuírem ninhos com estruturas e sítios de nidificações diferentes, as suas semelhanças morfológicas dificultam a identificação, a menos que sejam coletados em seus ninhos. Utilizando análises dos genes mitocondriais COI, COII e 16S, bem como do nuclear ITS2, e a comparação com outras sequências disponíveis no Genbank, mostram que as sobreposições genéticas observadas indicam que essas duas espécies possam ser sinonímias. Contudo, ressalta-se que são necessários estudos filogeográficos mais aprofundados e uma revisão taxonômica morfológica para conclusões mais sólidas quanto a uma possível sinonimização. Concluindo, este estudo traz uma importante contribuição para o conhecimento dos térmitas em diferentes regiões do Brasil, destacando áreas com lacunas de pesquisa e fornecendo insights importantes sobre a distribuição das espécies estudadas.
2023
Descrição
  • JULIA MARTINI FALKENBERG
  • Era uma vez um rio intermitente: os impactos da transposição do Rio São Francisco contados pela perspectiva dos parasitos de peixes
  • Data: 14/12/2023
  • Hora: 13:30
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  • Os parasitos desempenham um papel crucial nos ecossistemas, e sua diversidade e abundância podem ser influenciadas por vários fatores intrínsecos (hospedeiro) e extrínsecos (ambientais). Recentemente, o rio Jaguaribe, maior rio intermitente do mundo, foi conectado artificialmente à bacia do rio São Francisco. Foram feitas quatro coletas de peixes em nove pontos no curso principal do Rio Jaguaribe, em períodos de cheia e seca, antes e após a chegada das águas do Rio São Francisco. Em cada ponto de coleta foram medidos parâmetros abióticos para relacionar com a riqueza e abundância de parasitos. A tese está estruturada em três capítulos, e o objetivo geral é fazer um inventário dos parasitos de peixes da bacia do rio Jaguaribe nos cenários pré- e pós-transposição e avaliar os impactos de curto prazo sobre a fauna parasitária, além de descrever o padrão topológico das redes de interações entre parasitos e hospedeiros e investigar como as interações mudam entre as estações em nove locais ao longo do curso principal do rio Jaguaribe. Dos 2.962 peixes analisados, cerca de 30% estavam parasitados e um total de 47 táxons foram encontrados. Isso representa 30 novos registros geográficos e 104 novas associações parasita-hospedeiro. Nossos resultados mostraram associações significativas entre riqueza e abundância de parasitos com características do hospedeiro e variáveis aquáticas. Também observamos efeitos sazonais, com a estação seca tendo níveis mais altos de parasitismo. Foram identificadas diferenças entre as sub-bacias, com o Baixo Jaguaribe apresentando a maior riqueza e abundância parasitária. Diferenças significativas foram observadas na prevalência total, abundância média e índice de diversidade; os maiores valores de prevalência total e abundância média foram observados no período pós-transposição, enquanto o índice de diversidade foi maior no período pré-transposição. A análise de redes revelou variações significativas na estrutura das redes parasito-hospedeiros, com aumento da compartimentalização na estação chuvosa e maior generalidade ao longo do gradiente longitudinal, especialmente no baixo Jaguaribe, evidenciando mudanças sazonais e espaciais nas redes e identificando espécies-chave com potenciais implicações na estabilidade e funcionamento do ecossistema. Este é o primeiro estudo avaliando parasitos de peixes antes e depois de um grande evento de transposição de água entre bacias e os resultados permitirão uma avaliação mais aprofundada das mudanças de médio e longo prazo na composição específica de peixes e parasitos das drenagens receptoras.
  • BRUNO STEFANIS SANTOS PEREIRA DE OLIVEIRA
  • Encalhes de tartarugas marinhas na costa brasileira
  • Orientador : BRAULIO ALMEIDA SANTOS
  • Data: 29/11/2023
  • Hora: 08:00
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  • Esta tese de doutorado teve como objetivo principal descrever o padrão espacial e temporal dos encalhes de tartarugas marinhas registrados no Brasil entre os anos de 2011 e 2019, bem como identificar seus potenciais preditores sociais e ambientais. Os dados dos encalhes foram coletados no âmbito dos Programas de Monitoramento de Praias (PMP) conduzidos ao longo da costa brasileira. Os PMPs foram executados de maneira sistemática e padronizada em cinco bacias sedimentares que se estendem do Ceará ao Rio de Janeiro, cobrindo 1274 quilômetros de praias monitoradas diariamente. A tese está composta por três capítulos. O primeiro capítulo identifica deficiências no modelo de gestão do conhecimento sobre encalhes da megafauna marinha atualmente adotado no Brasil e propõe ações concretas para melhorá-lo. O segundo capítulo descreve a distribuição espacial dos encalhes de tartarugas marinhas ao longo do litoral brasileiro e investiga sua relação com variáveis ambientais e econômicas. O terceiro capítulo avalia os efeitos da gestão pesqueira, especificamente do período de defeso da pesca do camarão, sobre os encalhes de tartarugas marinhas. Os resultados indicam que embora o modelo brasileiro de gestão do conhecimento de encalhes tenha pontos fortes, como legislação ambiental abrangente, milhares de cientistas e dezenas de instituições de pesquisa de prestígio, os dados dos encalhes não são traduzidos em conhecimento técnico-científico; o conhecimento técnico-científico não se transforma em instrumentos legais fortes; instrumentos legais deficientes levam a decisões e ações equivocadas que, por sua vez, resultam em estratégias de conservação e gestão pouco efetivas. Dez melhorias são propostas a partir de um modelo teórico de cadeia de valor do conhecimento (Knowledge Value Chain). Entre 2011 e 2019, foram registrados 58.085 encalhes, sendo 39796 de Chelonia mydas (79,5%), 6767 de Lepidochelys olivacea com 6767 (13,5%), 1899 de Caretta caretta (3,8%), 758 de Eretmochelys imbricata (1,5%), 110 de Dermochelys coriacea (0,2%) e 755 de espécies não-identificadas (1,5%). As zonas de maior incidência de encalhes variou com a espécie, ano, estação e bacia sedimentar analisada, demonstrando que o litoral brasileiro precisa de uma estratégia conjunta, bem articulada, para conservar a diversidade total do grupo. O efeito protetivo do defeso pesqueiro sobre C. mydas se manifestou não apenas durante, mas também depois do 1o período de defeso (1o de abril e 15 de maio), porém desapareceu no 2o período (1o de dezembro a 15 de janeiro). Já no caso de L. olivacea, a proteção ocorreu consistentemente durante e depois de ambos os períodos de defeso, inclusive se intensificou durante os últimos anos avaliados no 1o período (2017-2019). Isto reforça a utilidade da instrução normativa que estabelece o defeso (IN MMA No. 14/2004) enquanto instrumento protetivo de espécies não-alvo da pesca do camarão. Em síntese, esta tese revela que milhares de tartarugas marinhas encalham anualmente no litoral brasileiro, com grande variação espaço-temporal a depender da espécie; parte dos encalhes tem relação direta com práticas pesqueiras insustentáveis; porém há alternativas capazes de reverter a situação envolvendo o desenvolvimento de arranjos institucionais público-privados que façam a gestão correta do conhecimento sobre os encalhes.
  • ARIELSON DOS SANTOS PROTAZIO
  • Integrando ecofisiologia e mudanças climáticas na identificação de variação acústica e predição de risco de extinção de anuros no bioma Caatinga.
  • Orientador : DANIEL OLIVEIRA MESQUITA
  • Data: 22/11/2023
  • Hora: 14:00
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  • Anuros são vulneráveis ao aquecimento global. Variações na temperatura podem afetar o modo como esses animais se relacionam com o ambiente e alterar as características do canto de anúncio. Aqui nós investigamos como o micro e macroclima atual e do futuro afetam o comportamento acústico dos anuros da Caatinga. Foram produzidos três capítulos. No primeiro, nós investigamos como os machos de 25 espécies se relacionam com o ambiente térmico durante a atividade acústica. No segundo, nós analisamos os níveis de absorção atmosférica do canto de anúncio de 26 espécies. No terceiro, nós utilizamos modelos híbridos para investigar se as mudanças climáticas promovem uma retração da distribuição geográfica potencial de 25 espécies. Foram visitadas 13 localidades durante um período entre 2 e 30 dias (período chuvoso). De cada macho cantor identificado foram coletados dados da temperatura do corpo, temperatura do micro-habitat de canto, temperatura preferencial em gradiente térmico e acústico, além de dados dos locais de ocorrência de cada espécie na Caatinga. As diferentes espécies ocuparam diferentes espaços termoacústicos, mas dados acústicos e térmicos tiveram uma fraca relação. Foram identificadas espécies termorreguladoras, termoconformadoras e que evitam ambientes com alta qualidade térmica, contudo, não houve correlação entre a termorregulação e o canto. Estimativa de aumento das temperaturas para o futuro mostrou que o padrão de termorregulação da maioria das espécies será alterado. A média da absorção atual nas frequências dominante e máxima foi 0,0152 e 0,0199 dB/m, respectivamente. Em ambas as frequências houve diferenças na absorção atual e de 2070 e 2090. Em 24 espécies houve um aumento da absorção no futuro e apenas três não apresentaram diferenças entre a absorção atual e do futuro. A elevação, variação diurna média, precipitação anual e precipitação no trimestre mais quente foram as variáveis mais importantes para a distribuição. Em ambos os cenários climáticos, 64% das espécies apresentaram perda de área e 36% apresentaram ganho. Sete espécies com ocorrência associada a áreas de altitude foram as mais ameaçadas. A Chapada Diamantina, o Planalto da Borborema e a zona de ecótono com a Mata Atlântica foram importantes áreas de extinção, enquanto o noroeste, Raso da Catarina e extremo sul da Caatinga foram importantes áreas de colonização. Anuros da Caatinga apresentam uma complexa relação com o ambiente térmico, onde a hidrorregulação parece exercer um importante papel no comportamento termorregulatório. Diferente da noção de que os anuros da Caatinga são resistentes ao aumento das temperaturas, nossos dados mostraram que esses animais são sensíveis aos efeitos do aquecimento global, com as espécies de áreas de altitude sendo as mais ameaçadas.
  • SARA RIKELEY PAULINO MONTEIRO
  • Integrando Morfologia E Dna barcoding na determinação de espécies de térmitas do complexo Floresta Atlântica e Caatinga do estado da Paraíba, Nordeste do Brasil
  • Data: 06/10/2023
  • Hora: 14:00
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  • Os térmitas são insetos eussociais da ordem Blattodea que conseguem alterar os recursos e condições do habitat para outros grupos funcionais, sendo considerados engenheiros de ecossistema. Tradicionalmente, o reconhecimento de uma espécie de térmitas é realizada com base em caracteres morfológicos presentes nas diferentes castas, especialmente nos soldados. Variações geográficas intraespecíficas, ausência da casta de soldados (e.g. subfamília Apicotermitidae) e descrições antigas, com diagnoses sucintas, muitas vezes, representam obstáculos para as determinações em nível específico. Nesta situação, a utilização de informações adicionais, ligadas à biologia molecular, ecologia e comportamento, torna-se ferramentas integrativas poderosas no reconhecimento dos táxons. Visando ampliar as formas de identificação de espécies desse grupo, o presente estudo construiu um banco de dados com sequências do gene mitocondrial que codifica a subunidade II do citocromo oxidase (COII) para os térmitas que ocorrem no estado da Paraíba, Nordeste do Brasil. Foram amplificadas um total de 135 sequências de COII identificados em 28 gêneros, 48 espécies e três morfoespécies, com 15 táxons tendo suas primeiras sequências de COII sendo depositadas no GenBank. Utilizando métodos de delimitação a partir de distância (ASAP e ABGD) e árvore (GMYC, bPTP, mPTP e PTP) foi possível encontrar resultados que confirmam a eficiência dessa técnica em identificar e delimitar espécies, contudo, avaliando as variações intraespecíficas e interespecíficas foi encontrado a ocorrência de espécies com variação genética intraespecífica considerada alta (>2%) ou divergência interespecífica baixa (<2%). A análise de eficiência de identificação de espécimes através do nosso banco de dados apresentou uma alta taxa de identificação correta (94.56% a 99.22%). A construção desse banco de dados forneceu resultados que vão além de auxiliar a identificação, pois permite conhecer a diversidade genética de algumas espécies de térmitas que ocorrem na Paraíba, além de que possibilita usar novas técnicas moleculares para obter informações sobre a conservação do local.
  • ALDENIR FERREIRA DA SILVA NETA
  • ECOLOGIA EVOLUTIVA DO LAGARTO Brasiliscincus heathi (SQUAMATA: MABUYDAE): FILOGEOGRAFIA, AUTOCOLOGIA E PARASITISMO NA CAATINGA BRASILEIRA
  • Data: 28/09/2023
  • Hora: 08:00
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  • A mais rica ecozona do planeta, a região Neotropical, tem um longo histórico de criação e manutenção da biodiversidade, no entanto, os processos que moldaram a origem e padrões espaciais das linhagens ainda permanecem ocultos ou pouco compreendidos. Nesse sentido os estudos filogeográficos são fundamentais para a compreensão da evolução, mecanismos de especiação, extinção ou mudanças na distribuição dos organismos. A família Mabuyidae compreende gêneros de lagartos restritos à região Neotropical, incluindo o gênero Brasiliscincus, representado atualmente por três espécies restritas à América do Sul: Brasiliscincus agilis, B. caissara, B. heathi. Assim, utilizamos inferências filogeográficas para compreender a história evolutiva do complexo Brasiliscincus agilis, B. caissara, B. heathi na Caatinga e áreas adjacentes. Descrevemos dados de parasitismo e autoecologia, incluindo dieta, reprodução e dimorfismo sexual para o lagarto B. heathi ao longo de sua distribuição no domínio da Caatinga. Reunimos amostras de tecido cobrindo toda a distribuição de ambas as espécies totalizando 135 amostras, usamos marcadores genéticos mitocondriais para reconstrução genética através de analise Bayesiana, e histórico-demografica. Inferimos dados de aspecto da história natural da espécie B.heathi, e parasitismo para 293 indivíduos provenientes de 48 localidades da Caatinga. O BAPS recuperou duas populações de B. heathi a primeira composta por indivíduos distribuídos ao norte do rio São Francisco e a segunda ao sul do Rio e uma linhagem ainda desconhecida atribuída as regiões de altitude da Bahia. Utilizamos quatro métodos de delimitação de linhagens, com exceção do ASAP, os demais recuperaram 6 linhagens dentro do complexo. Identificamos 14 categorias de presas, com o índice de importância relativa variando de 0,15 a 25,62, Random Forest selecionou comprimento rostro-cloacal e distância entre os membros como as variáveis mais importantes para separar os sexos com base na forma do corpo. O gráfico mostra uma tendência na relação positiva entre o CRC das fêmeas e a quantidade de embriões. Encontramos 339 endoparasitas com prevalência geral de 57, 44%. Abundância média 2,39 ±0,31, amplitude (0-21) e intensidade média de infecção 4,79±0,48 (1-22). A riqueza de endoparasitas compreendeu seis táxons pertencentes a três filos. A riqueza de espécies foi maior nas áreas ao norte do rio (total=5 espécies). Oochoristica sp. e Parafaringodom hispidus foram as espécies mais prevalentes. Os modelos do GLM mostraram que o CRC foi a variável mais importante para a abundância de endoparasitas em toda a amostra e a abundância de Oochoristica sp foi influenciada pelo sexo e pelo grupo geográfico. Quatro espécies de endoparasitas representam novos registros para o hospedeiro.
  • WELTON DIONISIO DA SILVA
  • Distribuição e ecomorfologia de escorpiões fossoriais do Brasil
  • Orientador : MARCIO BERNARDINO DA SILVA
  • Data: 22/09/2023
  • Hora: 08:00
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  • Escorpiões conquistaram o ambiente terrestre há 400 milhões de anos e hoje habitam em praticamente todo o mundo. Esses aracnídeos solitários têm particularidades evolutivas valiosas para estudos, tais como: dinâmica populacional autorregulada por relações antagonistas entre si; período reprodutivo associado à sazonalidade; e uma variedade de ambientes que habitam e com os quais sua morfologia se relaciona. Apesar de conservarem uma morfologia relativamente similar aos registros fósseis, estudos recentes têm apontado para a modularidade variacional desses organismos, cujas estruturas morfológicas desempenham diferentes funções e promovem a divergência de nichos entre esses competidores. No nordeste brasileiro, os escorpiões Bothriurus asper Pocock, 1893, B. rochai Mello-Leitão, 1932 e Jaguajir rochae (Borelli, 1910) devem competir por recursos, especialmente em ambientes semiáridos. Além disso, esses congêneres são associados a hábitos fossoriais, uma particularidade que pode promover a não-sobreposição de nicho, do nível individual ao populacional, com o epigeico J. rochae. Portanto, o objetivo desse trabalho foi compreender a inter-relação entre ambiente, morfologia e comportamento, bem como sua associação com a distribuição desses animais. Os dados foram obtidos em coleções científicas, coletas ativas durante as estações seca e chuvosa em fragmentos de Caatinga, e ensaios experimentais. Em campo, foi observado que a complexidade ambiental e sazonalidade são positivamente relacionados com a densidade e agregação das espécies. Adicionalmente, em laboratório, foi observado que o nível de atividade desses animais não teve relação com a presença de pistas químicas, mas a espécie menor evitou locais com rastros químicos do heteroespecífico maior. Por outro lado, esse último foi atraído pelos sinais químicos de sua presa intraguilda. Ainda, os machos exibiram atração por traços químicos das fêmeas. Por último, o hábito fossorial ou epigeico foi preponderante nos modelos de distribuição e variação morfológica (tamanho e forma) desses animais, sugerindo diferentes pressões seletivas, mesmo em ambientes semelhantes.
  • LUCCA VILAR SORRENTINO
  • ICTIOFAUNA DA BACIA DO RIO JAGUARIBE NO CENÁRIO TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO, NORDESTE, BRASIL.
  • Data: 31/08/2023
  • Hora: 14:00
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  • O conhecimento sobre a ictiofauna da Caatinga ainda é limitado devido reduzido estudos de amplos levantamentos, especialmente na bacia do Rio Jaguaribe, o maior rio intermitente do mundo. Esse reduzido conhecimento é agravado pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), que pode alterar o regime do rio de intermitente para perene, afetando as espécies da bacia. Além disso, são esperadas alterações abióticas que podem influenciar a distribuição dessas espécies, somando-se à possível chegada de espécies não-nativas. Com isto este trabalho teve como principal objetivo fazer um levantamento robusto da ictiofauna do rio Jaguaribe com a intenção de comparar possíveis mudanças na ictiofauna devido ao projeto de transposição. Para realizar este estudo foram feitas coletas utilizando o método AQUARAP em diversos pontos de amostragem abrangendo todas as porções da bacia. Adicionalmente, foram efetuadas coletas regulares e padronizadas ao longo de dois ciclos hidrológicos, um pré e outro pós-transposição em nove locais distintos ao longo do curso do rio. Diferentes instrumentos de pesca, como arrasto manual, tarrafa, redes de espera e peneiras, foram empregados visando explorar variados micro-habitats. Para enriquecer o inventário da ictiofauna de água doce do Rio Jaguaribe, consultas a bancos de dados online de instituições nacionais e internacionais também foram realizadas. Foram coletados dados abióticos da água através de sonda multiparâmetros. Foram executados ANOVAs para comparara número de espécies e a abundância entre os períodos pré e pós-transposição, bem como entre diferentes estações e partes da bacia, estes testes também foram utilizados para investigar possíveis alterações nos dados abióticos. Além disso foram feitas e PERMANOVAs para verificar mudanças nas comunidades de peixes e nMDS foram realizadas para avaliar a composição das comunidades. Foram identificadas 70 espécies de peixes, pertencentes a 20 famílias e seis ordens. Essa quantidade corresponde a 75% das 91 espécies estimadas para a ecorregião MNCE, representando 15% do total de espécies nativas da Caatinga (totalizando 371 espécies). Characiformes apresentou uma maior riqueza, seguida por Siluriformes um padrão coerente com observações em outras bacias do Nordeste brasileiro. Observamos diferenças na abundância e na comunidade de peixes nas porções do rio sendo a baixa diferente da média e da alta e nas estações, mas nenhuma mudança significativa relacionada à transposição. Mudanças nos fatores abióticos também foram registradas, mas ainda não influenciaram a ictiofauna. A espécie, Piabina argentea, foi detectada pela primeira vez no Jaguaribe, possivelmente a partir dos canais da transposição. Embora não tenhamos detectado mudanças significativas na ictiofauna pós-transposição, o caráter recente do projeto sugere que tais mudanças ainda podem ocorrer. Portanto, é crucial continuar monitorando o rio, especialmente em relação à introdução de espécies não-nativas e à disseminação da Piabina argentea.
  • BRUNA CAROLLINE HONÓRIO LOPES
  • Avaliação do uso do Mecanismo de Resistência a Multixenobióticos (MXR) em Collembola (Arthropoda, Hexapoda) como biomarcador de solos contaminados
  • Data: 30/08/2023
  • Hora: 14:00
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  • Collembola são considerados modelos em pesquisas ecotoxicológicas, por meio do estudo do efeito de diversos contaminantes, inclusive metais pesados. O Mecanismo de Resistência a Multixenobióticos (MXR) é composto por proteínas transmembrana comumente chamadas de bombas de efluxo, que reconhecem e eliminam xenobióticos usando ATP. Este mecanismo é amplamente investigado em organismos aquáticos, entretanto, na fauna de solo esta investigação ainda é incipiente, e limitada a minhocas, equitrídeos e colêmbolos, todos conduzidos em condições de laboratório. Sabendo que a atividade MXR tem sido sugerida como um biomarcador de exposição e ferramenta de biomonitoramento do solo, testamos pela primeira vez as respostas multixenobióticas de um animal do solo exposto a solo contaminado em uma situação da vida real. O solo utilizado veio de um dos maiores desastres ambientais do Brasil que aconteceu na cidade de Brumadinho, no estado de Minas Gerais em 2019, onde, após o rompimento de uma barragem, contaminou o meio ambiente com cerca de 12 milhões de m3 de mineração desperdício. Assim, nosso estudo teve como objetivo utilizar o solo contaminado por este desastre para testar a aplicabilidade do mecanismo MXR como ferramenta de biomonitoramento de solos contaminados por metais pesados. Exploramos a resposta MXR da espécie modelo Collembola Folsomia candida e uma espécie nativa tropical, Cyphoderus sp., para avaliar sua sensibilidade à presença de metais pesados no solo com excelentes perspectivas.
  • NATHALIA FERNANDES CANASSA
  • Cobertura florestal e defaunação na Caatinga, o maior núcleo de floresta sazonalmente seca da América do Sul
  • Data: 28/08/2023
  • Hora: 14:00
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  • As flutuações climáticas do Pleistoceno contribuíram para a grande extinção da megafauna, porém a presença de seres humanos na época acelerou para contribuição dessa grande extinção. Muitos desses animais eram herbívoros e contribuíam para funções ecológicas dentre elas, as relações mutualísticas. Esses animais exerciam a função de dispersores de sementes, permitindo a permanência de espécies de plantas em diversas regiões e contribuindo para composição de formações vegetacionais. No Domínio Caatinga, atividades no antropoceno, como a caça e a pecuária, vêm ocasionando perda na diversidade de espécies de mamíferos de médio e grande porte (defaunação), como o caso da anta (Tapirus terrestre), atualmente extinta na região, além de perda da diversidade de plantas. A perda dessas diversidades afeta as interações ecológicas como dispersão de sementes e estocagem de carbono. Para entender como a antropização tem interferido na Caatinga, fizemos 1) reconstruímos modelos de distribuição de vegetação florestal e vegetação aberta no domínio pelo algoritmo MaxEnt, avaliando efeitos do tipo de solo e de variações climáticas do Quaternário, com base na distribuição de aves florestais e fósseis da megafauna. Encontramos que a região exibiu áreas de clima e solo capazes de suportar mais cobertura florestal do que atualmente existe, restando apenas 4,34% desse tipo vegetacional; 2) verificamos a predição da defaunação e o efeito de downsizing causado pela mesma utilizando o algoritmo MaxEnt e a distribuição espacial das espécies perdidas, bem como os fatores subjacentes que contribuem para o seu declínio através do algoritmo Random Forest. Encontramos uma drástica defaunação, com ~80% das espécies extintas localmente, suportando o efeito downsizing, sendo a caça o principal indicador para esse declínio; e por último 3) verificamos a relação entre plantas zoocóricas com remoção de carbono e biomassa acima do solo, a relação de riqueza de mamíferos frugívoros de médio e grande porte e a defaunação com remoção de carbono, gerados por modelos lineares generalizados. Encontramos relações positivas com dados de plantas zoocóricas e riqueza de mamíferos frugívoros. Resultados que vão contribuir para a conservação da biodiversidade do domínio considerando os efeitos das mudanças climáticas e das atividades humanas que impactam a região de forma não sustentável.
  • JAMILAH LUCENA SANTOS ALENCAR
  • Arranhando a Superfície: Uma Revisão Sistemática sobre Parasitos em Felinos Silvestres no Brasil
  • Data: 25/08/2023
  • Hora: 14:00
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  • Os felinos silvestres são importantes para manutenção dos ecossistemas, contribuindo diretamente para o controle das populações de animais, além de atuarem como bioacumuladores de parasitos e hospedeiros sentinelas para doenças emergentes em humanos e gado. Estima-se que grande parte das doenças infecciosas que afetam humanos tenham origem zoonótica e há evidências de que parasitos podem ter impactos significativos em populações silvestres. Nosso objetivo foi revisar o conhecimento atual sobre os parasitos circulantes nos felinos silvestres brasileiros. Para isso, compilamos uma lista das espécies de parasitos que têm importância para a saúde pública e conservação animal, tanto in situ quanto ex situ, registrados nesses animais. Realizamos uma revisão sistemática da literatura indexada nas bases Medline (Pubmed) e SciELO, em português e inglês, utilizando o método PRISMA. Além disso, construímos redes bipartidas de interações entre parasitos e hospedeiros no software R. Registramos 102 parasitos distribuídos em 11 espécies de felinos silvestres no Brasil, com base em 87 artigos. Destas, 19 espécies s ão zoonóticas. A curva de acumulação de estudos ainda está longe de atingir a saturação, indicando que ainda há muito se investigar. Há uma clara concentração de estudos na região Centro-Sul do Brasil, o que não necessariamente reflete a distribuição real dos parasitos no país. A riqueza de parasitos encontrados em cada espécie de hospedeiro variou significativamente entre 1 e 58 espécies, com uma maior diversidade observada em populações de vida livre, em consonância com o maior número de estudos realizados nessas populações. Ainda estamos começando a construir noções sobre a diversidade, distribuição e transmissão de parasitos circulando nos felinos silvestres brasileiros. É crucial reconhecer que esses animais têm o potencial de desempenhar papéis importantes em vários ciclos de transmissão de parasitos, destacando a importância de um monitoramento sistemático de saúde silvestre.
  • ALINE LOURENÇO VIEIRA DA SILVA
  • Interações entre espécies de plantas, membracídeos e formigas em área de Caatinga
  • Orientador : ANTONIO JOSE CREAO DUARTE
  • Data: 27/07/2023
  • Hora: 14:00
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  • Os seres vivos estabelecem entre si diversas interações positivas, como polinização e mutualismo, e interações negativas, como herbivoria e parasitismo, resultando em intricadas redes de interações ecológicas. Compreender a dinâmica e os padrões dessas redes de interações, tem sido objeto de investigação de diversos estudos, pois permitem um melhor entendimento das comunidades como um todo. Na base de muitas redes ecológicas estão as plantas e os insetos herbívoros, porém poucos estudos têm avaliado os padrões dessas redes de interações no bioma Caatinga. Os membracídeos são hemípteros sugadores de seiva e interagem com plantas pertencentes a mais de cem famílias botânicas que ocorrem nos mais diversos tipos de vegetação. Além disso, esses insetos estabelecem associações mutualistas com himenópteros, principalmente formigas, dos quais recebem proteção contra predadores e, em troca, fornecem um alimento açucarado resultado da sua dieta, o honeydew. Por estabelecerem interações antagonistas e mutualistas, os membracídeos aparecem como um bom modelo para estudos de interações ecológicas multitróficas. Os principais objetivos deste estudo foram: (I) descrever a arquitetura e os componentes da rede tritrófica formada por plantas hospedeiras, membracídeos e formigas mutualistas em uma área de Caatinga; e (II) avaliar a influência da fenologia das plantas hospedeiras sobre a rede tritrófica em área de Caatinga. Os dados das interações foram obtidos por meio de coletas ativas em transecções na RPPN Fazenda Almas (São José dos Cordeiros/PB) em 2020 e 2021. Várias métricas foram utilizadas para descrição da estrutura das redes de interações. A rede tritrófica foi formada por 28 espécies de plantas hospedeiras, 27 espécies de membracídeos, e 10 espécies de formigas. Os principais resultados obtidos revelaram que (I) a rede tritrófica apresentou topologia modular, especializada e pouco aninhada, onde espécies dos três níveis tróficos foram importantes para sua estrutura, como as plantas leguminosas Cenostigma nordestinum, Mimosa tenuiflora, e Mimosa ophthalmocentra, os membracídeos do gênero Enchenopa e a formiga Camponotus crassus; (II) a fenologia não alterou a topologia geral da rede tritrófica, porém modificou sua composição e os papéis topológicos das espécies, demonstrando que os membracídeos preferem plantas no estado reprodutivo. Esses resultados ressaltam a importância dos estudos de interações multitróficas na Caatinga e fornecem insights sobre a organização das redes ecológicas nesse ambiente específico. Portanto, esse estudo contribui para o avanço do conhecimento ecológico na Caatinga e pode servir como base para pesquisas futuras sobre a dinâmica das redes tritróficas nesse bioma.
  • ANA CAROLINA FLORES ALVES
  • EFEITOS DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS SOBRE A MIGRAÇÃO DE AVES NA AMÉRICA DO SUL
  • Orientador : HELDER FARIAS PEREIRA DE ARAUJO
  • Data: 29/05/2023
  • Hora: 14:00
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  • A migração é um fenômeno muito comum entre aves, que se caracteriza pelo movimento regular e sazonal de indivíduos a fim de encontrar condições adequadas para a reprodução e/ou sobrevivência. Uma das dificuldades em estudar as aves migratórias na América do Sul é entender os padrões de conectividade e migração das aves que se deslocam dentro do continente, bem como sua capacidade de se adaptar às crescentes mudanças climáticas. Estudos na Europa demonstram que espécies migratórias de longa distância tendem a aumentar as rotas migratórias, enquanto os de curta distância tendem a diminuir as rotas entre áreas de reprodução e descanso. Várias espécies migratórias na América do Sul se deslocam para a Caatinga no período chuvoso; sendo uma região semiárida, é uma das regiões consideradas mais vulneráveis às mudanças climáticas. Nesse sentido, buscamos investigar os efeitos das mudanças climáticas futuras sobre a distribuição das áreas de reprodução e não-reprodução de aves que se deslocam para a Caatinga. Selecionamos nove espécies da ordem Passeriformes que utilizam a Caatinga como uma de suas áreas na migração. Utilizamos dados de ocorrência e informações climáticas atuais e de projeções futuras a fim de avaliar possíveis alterações nos padrões de distribuição observadas atualmente em contraste com modelos futuros. Os resultados indicam variação das áreas de distribuição das espécies entre o presente e o futuro. Essas variações não são significativas quando comparadas as amplitudes de distribuição. Bem como, não há uma variação significativa das sobreposições das áreas de descanso, quando comparadas às áreas de reprodução. Porém, a distância percorrida por essas espécies não influenciou significativamente essas variações. Portanto, fatores climáticos regionais podem ser mais importantes para explicar mudanças migratórias que as distâncias percorridas pelas espécies na América do Sul.
  • NASIM BASHIRICHELKASARI
  • O PAPEL DE FATORES HISTÓRICOS E CONTEMPORÂNEOS NA DEFINIÇÃO DE PADRÕES ECOLÓGICOS DE SAPOS DA CAATINGA, BRASIL.
  • Orientador : DANIEL OLIVEIRA MESQUITA
  • Data: 18/05/2023
  • Hora: 13:00
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  • Neste estudo investigamos as características dietéticas de 2219 espécimes de rãs de 30 espécies. O SVL variou entre as espécies de 14,3 mm em Pseudopaludicola pocoto a 143,35 mm em Rhinella cerradensis. Trinta espécies de rãs estudadas de oito famílias consumiram 31 categorias de presas e de acordo com o índice de importância, a categoria mais importante para rãs da Caatinga foi Coleoptera, seguida por material vegetal e Isoptera. Por outro lado, as categorias menos importantes foram Mantodea, Worms, Odonata, Hymenoptera (Vespidae) e Diptera. No primeiro capítulo, com base no modelo ordinário de mínimos quadrados (OLS) e nos modelos filogenéticos de mínimos quadrados generalizados (PGLS), o comprimento e o volume das presas foram positiva e significativamente relacionados com o SVL e MW das rãs e as relações filogenéticas não afetaram o predador tamanho e presas' comprimento e volume (ambos λ= 0). No segundo capítulo, estimamos o sinal filogenético para cada categoria de presa encontrada nas espécies de anuros amostradas na Caatinga. A interpretação de λ e K mostrou que ambos ficaram próximos de 0 na maioria dos valores das simulações realizadas; assim, as características estão evoluindo independentemente da filogenia e indicam que espécies relacionadas se assemelham menos do que o esperado sob o modelo de movimento browniano de evolução de características. A análise do pPCA revelou que a ecologia é uma influência mais significativa em comparação com a história. O componente histórico foi influenciado principalmente positivamente pelas categorias de presas de Larvae e Coleoptera, enquanto foi afetado negativamente por Dermaptera, Orthoptera e Chilopoda. A componente ecológica foi influenciada positivamente por Rodentia e negativamente por Orthoptera e Chilopoda. No capítulo três, no modelo OLS completo, a amplitude do nicho dietética foi positivamente relacionada à temperatura média anual, temperatura máxima do mês mais quente, temperatura mínima do mês mais frio, sazonalidade da precipitação e negativamente associada à faixa anual de temperatura, precipitação anual, precipitação de trimestre mais seco, precipitação do trimestre mais úmido, diferença entre precipitação do trimestre mais seco emais úmido e elevação. A temperatura máxima do mês mais quente, a precipitação do trimestre mais seco e a diferença entre a precipitação do trimestre mais seco e o mais chuvoso não foram significativamente associadas com a amplitude do nicho dietética dos anuros. O modelo PGLS completo foi semelhante ao modelo OLS, exceto pela faixa anual de temperatura e precipitação anual, que mostrou a melhor associação negativa com a amplitude do nicho dietética do sapo, embora não está significativamente associado à amplitude do nicho dietética de rãs e mostrou que as relações filogenéticas não afetaram as variáveis climáticas e a amplitude do nicho dietética.
  • JULIA DA SILVA PEREIRA
  • Sistemática e Biogeografia de Elpidium Müller, 1880 (Crustacea, Ostracoda)
  • Data: 28/02/2023
  • Hora: 08:00
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  • Elpidium é um gênero de Ostracoda dulciaquícola restrito a ambientes de fitotelmata, particularmente a bromélias-tanque. Seguindo a distribuição geográfica destas bromélias, Elpidium ocorreria, possivelmente, em toda a extensão da região Neotropical, especialmente em áreas de floresta úmida. Essa ampla distribuição com habitat isolado – e a dependência do gênero a vetores de dispersão, especialmente anfíbios, para manutenção do fluxo gênico e colonização de novas bromélias – implicaria alto nível de diversidade e endemismo. Neste trabalho, nós descrevemos 13 novas espécies de Elpidium, aumentando a diversidade descrita para o gênero no Brasil de duas para 15 espécies. Destas 13 novas espécies, oito representam o primeiro registro do gênero para os estados nas quais foram coletadas e sete ocorrem em áreas de Mata Atlântica do nordeste, onde o bioma enfrenta intensa fragmentação e vulnerabilidade. Apresentamos ainda uma proposta de filogenia morfológica para o gênero, discutindo sua monofilia e relações internas e externas, com linhagens próximas, da subfamília Timiriaseviinae. Finalmente, propomos uma primeira hipótese biogeográfica baseada em eventos para Elpidium, correlacionando-a à história biogeográfica das florestas úmidas nas quais habitam, especialmente da Mata Atlântica.
  • AMANDA DANTAS FRANÇA
  • Células do sistema imune da bolacha-da-praia Mellita quinquiesperforata (Leske, 1778): aspectos morfológicos e sazonais
  • Data: 24/02/2023
  • Hora: 14:00
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  • As células do sistema imune dos organismos pertencentes ao filo Echinodermata, denominadas celomócitos, já foram amplamente investigadas em diversos representantes do grupo, tais como ouriços-do-mar e pepinos-do- mar. No caso da ordem Clypeasteroida, composta pelas bolachas-da-praia, os estudos sobre os celomócitos são escassos. A espécie de bolacha-da-praia Mellita quinquiesperforata possui ampla distribuição ao longo da costa do continente americano, com ocorrência documentada em diversos pontos do litoral brasileiro. O objetivo do presente trabalho foi caracterizar morfologicamente os celomócitos da espécie supracitada, e investigar dois parâmetros fisiológicos: a atividade fagocítica e atividade dos transportadores ABC; além de avaliar a influência de parâmetros corporais (sexo e peso) e parâmetros abióticos sazonais (precipitação, salinidade e temperatura) no perfil celular do sistema imune. Os espécimes foram coletados na praia Ponta-de- Campina (Cabedelo; Paraíba, Brasil). A caracterização morfológica e fisiológica dos celomócitos foi determinada por microscopia óptica comum, confocal e de fluorescência, além de citometria de fluxo. Para os ensaios de fagocitose foram utilizadas micropartículas de látex (beads). A atividade das proteínas ABC foi avaliada pelo ensaio de acúmulo intracelular do substrato fluorescente calceína-AM. Foram identificados seis subtipos celulares: fagócitos, grandes corpúsculos esféricos (GCEs), esferulócitos incolores, esferulócitos amarelos, esferulócitos vermelhos e células fusiformes. A concentração total média foi 1,19 x 107 ± 5,01 x 106 céls.mL-1. Não houve diferenças significativas entre as concentrações celulares totais ou diferenciais entre machos e fêmeas. O peso dos animais apresentou fraca correlação positiva com a concentração de fagócitos e GCE (r = 0,19). Os parâmetros sazonais apresentaram correlações negativas (r = -0,44; salinidade) e positivas (r = 0,67; temperatura) com o perfil de celularidade, sugerindo que os fatores abióticos podem exercer influência sobre as dinâmicas das subpopulações de celomócitos. Os fagócitos foram o único tipo celular capaz de internalizar as micropartículas. A capacidade fagocítica média foi de 20,44 ± 9,70 % dos celomócitos. A atividade dos transportadores ABC nos celomócitos de M. quinquiesperforata foi variada entre os subtipos celulares e proeminente para as proteínas homólogas à ABCC1. Em suma, as bolachas-da-praia M. quinquiesperforata apresentam maior diversidade celular do que seus parentes equinoides regulares (ouriços-do-mar) e a celularidade pode ser afetada por fatores abióticos. Tais achados contribuem para a compreensão das possíveis relações e diversificações ecológicas e evolutivas, a nível celular, associadas ao grupo e apontam para o potencial do uso do perfil imunológico da espécie em estudo no monitoramento ambiental.
  • LUANA CAROLINE COSTA SILVA
  • Políticas públicas voltadas para a conservação da fauna marinha brasileira
  • Data: 16/02/2023
  • Hora: 08:00
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  • A legislação ambiental foi criada para subsidiar políticas públicas capazes de conciliar a conservação da natureza com o desenvolvimento socioeconômico, mas sua efetividade tem sido pouco avaliada nos ecossistemas marinhos. A tese está estruturada em três capítulos, onde o primeiro capítulo, foi estimado o nível de segurança jurídica e de abrangência biológica da legislação por meio da busca de espécies marinhas nos instrumentos legais produzidos desde 1960. Foi encontrado 443 instrumentos oficiais, sendo 87% portarias, instruções normativas e decretos, considerados fracos do ponto de vista legal. Leis, resoluções e a Constituição Federal representaram apenas 12%. Somente 138 espécies foram listadas em 352 instrumentos, representando apenas 7% da diversidade de animais marinhos reconhecida pelo governo brasileiro. Invertebrados marinhos, embora muito diversos, foram os menos protegidos. Concluiu-se que a legislação é ampla, porém juridicamente fraca e biologicamente limitada. No segundo capítulo, foi investigado se uma das melhores políticas públicas conservacionistas – a criação de unidades de conservação (UC) – está funcionando como repositório de espécies ameaçadas. Relacionou-se o número de espécies ameaçadas das 68 UCs federais marinhas com seu tamanho, idade, categoria e descritores de gestão. Observou-se que UCs de proteção integral e com plano de manejo apresentaram um maior número de espécies ameaçadas, mas UCs mais recentes protegeram menos espécies ameaçadas que as antigas. O índice de efetividade, taxa anual de visitação e área da UC não afetaram significativamente seu número de espécies ameaçadas. No terceiro capítulo, três comunidades pesqueiras do Nordeste do Brasil foram selecionadas como um modelo de estudo para avaliar o potencial de pescadores artesanais como monitores locais da biodiversidade marinha. A pesquisa teve como foco o monitoramento embarcado da megafauna marinha ameaçada que vem à superfície para respirar, como quelônios, sirênios e cetáceos. Estudos mostram como os cientistas cidadãos podem levar a novos conhecimentos científicos e melhorias ambientais no campo da ciência cidadã marinha. Portanto, construir capacidades e incorporar abordagens de Ciência Cidadã no monitoramento geral dos sistemas e problemas marinhos é um dos caminhos para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade marinha.
  • MÁRCIA DE SOUSA COELHO
  • TAXOCENOSE DE ABELHAS EM ÁREA DE ACEROLEIRA (Malpighia emarginata DC, MALPIGHIACEAE) NO SUBMÉDIO DO VALE DO SÃO FRANCISCO
  • Orientador : CELSO FEITOSA MARTINS
  • Data: 14/02/2023
  • Hora: 08:30
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  • A taxocenose de abelhas tem o intuito de caracterizar a fauna de uma localidade, possibilitando por meio desse conhecimento organizar medidas de conservação, contribuindo com projetos de manejo das espécies. Assim, o presente estudo teve por objetivo gerar dados sobre: I) a taxocenose e sazonalidade de abelhas do gênero Centris, por meio de ninhos-armadilhas (capítulo 2); II) a abundância e riqueza de abelhas em cultivos comerciais irrigados de aceroleira, por meio do monitoramento com pantraps coloridos (capítulo 3); III) o efeito da proximidade de fragmentos vegetais de Caatinga de diferentes dimensões na abundância e na riqueza de espécies de abelhas, monitoradas com o uso de pantraps coloridos, em cultivos comerciais de aceroleira, no Polo Petrolina-PE/Juazeiro-BA, visando gerar informações que possam subsidiar a elaboração de plano de manejo dessas abelhas como prestadoras de serviços de polinização da aceroleira. As coletas foram desenvolvidas em cultivo comercial de aceroleira, no período de maio/2019 a maio/2020, em quatro áreas localizadas no Polo Petrolina-PE/Juazeiro-BA, utilizando ninhos-armadilha com cinco diâmetros diferentes (6, 8, 10, 12 e 14 mm) e cinco profundidades (6, 10, 14, 18 e 22 cm) e pantraps nas cores amarelo, azul e branco. Foram ofertados 888 ninhos-armadilha, dos quais 609 foram fundados pelas abelhas (68,6% do total), independente da profundidade, diâmetro, área ou cultivo. Os ninhos com 10 mm e 12 mm de diâmetro apresentaram os maiores percentuais de fundação. Em relação a espécie, número de ninhos fundado por Centris tarsata foi superior ao de Centris analis nas quatro áreas estudadas. Ao longo das observações, registrou-se a emergência de 487 indivíduos, sendo que deste total, 243 indivíduos eram machos (50%) e 241 fêmeas (49%). Com o uso de pantraps coloridos, foram capturados 1.449 espécimes de abelhas, pertencentes a 59 espécies, distribuídas em quatro subfamílias de Apidae, 18 tribos e 31 gêneros. Dentre os indivíduos capturados, 89,6% pertencem à subfamília Apinae, sendo que as demais subfamílias contribuíram com valores de 1,3% a 5,1%. Do total de espécimes amostrados, 66,5% foram capturados nos pantraps de coloração azul, seguido pelos de coloração branca (19,6%) e amarela (13,9%). Nos cultivos comerciais de aceroleira, Melitomella grisescens (Ducke, 1907) (n = 559) foi a espécie mais abundante, o que representa 38,6% do total de abelhas coletadas, seguida pelas abelhas Apis mellifera Linnaeus, 1758 (n=149) e Melitoma segmentaria (Fabricius, 1804) (n=147). As curvas médias de acumulação de espécies para as quatro áreas mostraram que todas não atingiram a assíntota, indicando que ainda existiria riqueza de espécies a ser coletada pelas armadilhas nas quatro áreas. Os resultados obtidos permitiram concluir que: I) o uso de ninhos-armadilha com 10 mm e 12 mm de diâmetro se mostrou como uma ferramenta viável para o manejo abelhas do gênero Centris na cultura da aceroleira, uma vez que sua ocupação foi registrada ao longo do ano, com percentuais considerados satisfatórios para incrementar os serviços ambientais prestados por essas abelhas; II) o uso de pantraps se mostrou ser eficiente para amostragem de abelhas da família Apidae, sendo uma importante ferramenta em locais onde o uso de outros tipos de amostragem seriam mais dispendiosas e pouco eficientes. Apesar da metodologia não ser efetiva para registrar a abundância de espécies da tribo Centridini, principal polinizador da cultura, a mesma serviu como complemento da amostragem da diversidade da taxocenose de abelhas das áreas; III) a cor das armadilhas influenciou na atração de abelhas, com preferências para os pantraps de cor azul; IV) Para a diversidade de abelhas verificou-se que a presença fragmentos de Caatinga e um riacho no entorno da área 26 pode ter influenciando positivamente a abundância de abelhas encontrada nesse local, reforçando a importância da manutenção desses fragmentos no entorno dos agroecossistemas.
  • YURI GOMES PONCE DE CARVALHO ROCHA
  • BIOGEOGRAFIA CLADÍSTICA DA ICTIOFAUNA DO NORDESTE BRASILEIRO
  • Data: 31/01/2023
  • Hora: 14:00
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  • A ictiofauna dulcícola que habita o Nordeste brasileiro é o resultado de vários processos históricos que levaram a uma fauna bem menos diversificada, quando comparada a outros sistemas hídricos neotropicais, e suas relações biogeográficas permanecem pouco conhecidas. O objetivo deste trabalho é produzir uma compilação geral sobre a ictiofauna do Nordeste e investigar padrões biogeográficos com base na biogeografia cladística. A compilação registrou nas drenagens do Nordeste brasileiro 625 espécies válidas, 501 delas endêmicas. Os dados obtidos permitem acessar um amplo panorama da diversidade e distribuição da ictiofauna nordestina, e possibilitam a identificação de padrões biogeográficos. O banco de dados foi analisado a partir das metodologias PAE e BPA, resultando em topologias que esclarecem relações biogeográficas desde a distribuição de peixes até a formação de hipóteses com suporte cladístico, e corroboram algumas premissas estabelecidas por estudos anteriores: afinidade da ictiofauna entre o Amazonas, drenagens do Maranhão e o Parnaíba. O rio São Francisco recuperado como mais próximo do sistema Paraná-Paraguai. resultados relativos às bacias costeiras da Mata Atlântica evidenciam diferentes relações e compartilhamento de fauna ligados a eventos biogeográficos que compreendem episódios de diversificação por vicariância e geodispersão independentes, relacionados às bacias do São Francisco, Paraná-Paraguai, Paraíba-do-Sul e Amazônia. Foram reconhecidos padrões de distribuição no Nordeste, que aqui são delimitados, nomeados e diagnosticados individualmente. Os achados do presente estudo esclarecem aspectos importantes da complexa história dos rios do Nordeste brasileiro e oferecem suporte para a interpretação das atuais distribuições dos peixes na região.
2022
Descrição
  • RAFAEL AGUIAR MARINHO
  • Diversidade e Interação de Insetos Galhadores na Caatinga
  • Data: 23/11/2022
  • Hora: 14:00
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  • As galhas são alterações do tecido vegetal de plantas hospedeiras desencadeadas principalmente por insetos. Neste contexto, esta tese de Doutorado conduziu um levantamento sobre a ocorrência de galhas em remanescentes de Caatinga e modelou hipóteses para explicar a riqueza de galhas em ambientes conservados e degradados. Assim, a tese se dividiu em dois capítulos principais. No primeiro capítulo realizei um levantamento e caracterização de galhas entomógenas em remanescentes de caatinga presentes na Depressão Sertaneja Setentrional. Foram selecionados dois sítios no estado da Paraíba, dois no Rio Grande do Norte e dois no Ceará. A amostragem das galhas e de suas plantas hospedeiras foi conduzida durante os períodos chuvosos, de fevereiro a junho de 2019, e de fevereiro a maio de 2021. Identificamos 41 morfotipos de galhas em 24 espécies de plantas, pertencentes a 12 famílias botânicas. A Família Fabaceae abrigou 29,2% (n= 12) do total de morfotipos de galhas encontrados. As folhas (61%) e os caules (25%) foram os órgãos mais atacados. A maioria dos morfotipos é glabra (75,6%), enquanto apenas 24,4% exibiram tricomas. As galhas, em sua maioria, foram induzidas por insetos da família Cecidomyiidae. A fauna associada compreendeu sucessores, cecidófagos, inquilinos e parasitoides. Os primeiros foram encontrados em quatro morfotipos de galhas, estando representados por aranhas e quatro ordens de insetos: Hemiptera, Coleoptera, Lepidoptera e Hymenoptera (Formicidae). Os inquilinos foram representados por Tanaostigmoides Ashmead, 1896 (Tanaostigmatidae). Já os parasitoides, encontrados em 18 morfotipos de galhas (43,9%), foram representados por seis famílias de Hymenoptera. Todos os registros de galhas são novas referências para a Depressão Sertaneja Setentrional nos estados estudados. No segundo capítulo, abordei modelos ecológicos que explicam a abundancia e riqueza de plantas bem como a abundancia e riqueza de insetos galhadores. Os modelos para riqueza de planta e galhadores foram construídos utilizando a distribuição de erro de Poisson, enquanto os modelos de abundância de plantas e galhadores utilizaram a distribuição binomial negativa. Para a seleção das áreas de amostragem, foi utilizado o HumanFootPrint (HFP) que é um índice que mede o impacto humano na superfície não antártica da Terra. Assim, selecionamos um total de seis áreas, onde três foram consideradas com baixa impacto (HFP < 5) e outras três com alto impacto humano (HFP > 19). Registramos um total de 66 espécies botânicas para as seis áreas amostradas. Descobrimos que nas áreas menos impactadas, a riqueza de plantas e galhas é maior do que nas áreas mais impactadas. O mesmo ocorreu com a composição de plantas e galhas que foram significativamente diferentes entre os ambientes. A composição de plantas hospedeiras direcionaram a composição dos insetos galhadores nos ambientes mais conservados.
  • GUSTAVO LIMA URBIETA
  • Moscas ectoparasitas (Diptera, Streblidae) de morcegos (Mammalia, Chiroptera) em cavernas do Nordeste do Brasil, com ênfase no bioma da Caatinga
  • Data: 29/09/2022
  • Hora: 08:30
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  • Cavidades subterrâneas oferecem aos morcegos abrigo, proteção e estabilidade de condições para reprodução e socialização. Dentre outros organismos associados aos morcegos, as moscas ectoparasitas também são favorecidas pelo ambiente das cavidades e estão intimamente associadas a esses mamíferos, embora aspectos biológicos sobre essa associação sejam pouco conhecidos. Em particular, há ausência de estudos comparativos sobre as associações de assembleias de morcegos cavernícolas e de suas moscas ectoparasitas em “cavernas quentes” (“hot caves” ou “cuevas calientes”, cavidades com populações grandes de morcegos e condições únicas de temperatura e umidade, dentre outras características) e “cavernas frias” (“cold caves”, cavidades com grandes populações de morcegos) incluindo possíveis efeitos da variação desses ambientes nessa relação parasitária. Portanto, o objetivo dessa tese foi caracterizar as interações entre morcegos e moscas ectoparasitas em cavernas e avaliar se essas variam em diferentes cavidades. Para tal, capturamos 700 morcegos (19 espécies) e coletamos 1,412 moscas ectoparasitas (29 espécies) ao longo de 16 cavernas na região Nordeste do Brasil. Os resultados e discussões do objetivo central estão distribuídos em três capítulos. No Capítulo I, investigamos informações publicadas sobre interação morcego-mosca em poleiros (i.e., cavernas, construções humanas) e avaliamos os padrões globais de coautoria para identificar tendências de novos estudos. No Capítulo II, testamos o efeito de variáveis microclimáticas e tipo de cavernas (i.e., hot e cold caves) no parasitismo de estreblídeos em morcegos. Por fim, no Capítulo III, descrevemos e comparamos a topologia, a especialização e força das espécies nas redes de interações morcegos-moscas em escala local (i.e., hot e cold caves) e regional (meta- network). Nossos achados evidenciam que a composição de morcegos e moscas ectoparasitas em ambientes cavernícolas são altamente específicas e apresentam estruturação ecológica dependente da caverna. Sobretudo, para hot caves, onde há fenômenos ecológicos específicos nas relações parasitárias. E, por isso, as cavernas necessitam de estratégias de conservação que considerem todos da comunidade, inclusive as moscas ectoparasitas.
  • NICOLAS EUGENIO DE VASCONCELOS SARAIVA
  • Taxonomia e sistemática dos gêneros Gaibulus Roewer, 1943, Iguarassua Roewer, 1943, Kaapora Pinto-da-Rocha, 1997 (Opiliones: Stygnidae) e espécies relacionadas, da Floresta Atlântica costeira do Nordeste.
  • Data: 31/08/2022
  • Hora: 09:00
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  • Stygnidae é a quarta maior família dentro de Gonyleptoidea, e é caracterizada por corpos retangulares, olhos separados em duas elevações e pedipalpos geralmente longos e finos. Exclusivamente neotropical, a maior parte da sua diversidade está no Brasil, sobretudo na Amazônia e Mata Atlântica. Três gêneros monotípicos, Gaibulus Roewer, 1943, Iguarassua Roewer, 1943 e Kaapora Pinto-da-Rocha, 1997, se distinguem dos demais da família por seu tamanho reduzido e ocorrência restrita à serrapilheira das matas. São predominantemente distribuídos para o estado de Pernambuco, no entanto, coletas realizadas no Nordeste sugerem uma maior riqueza e provável proximidade filogenética. Na revisão da família, apenas Gaibulus schubarti foi incluída em análises filogenéticas com o grupo, recebendo status de incertae sedis, enquanto Iguarassua schuabarti e Kaapora minutissimus não fizeram parte da análise por apresentar, respectivamente, série típica composta por fêmeas e por sua série típica não ter sido localizada na época da revisão. Portanto, o trabalho teve como objetivo registrar e descrever essas possíveis novas espécies; revisar o status taxonômico de K. minutissimus; propor uma nova hipótese filogenética que inclua as espécies descritas e não descritas para o grupo hipotetizado, usando caracteres morfológicos e moleculares (COI, 12S, 16S, 28S e H3); e, a partir disso, realizar análises de tempo de divergência para discutir os padrões de distribuição observados, considerando a relação histórica das áreas de endemismo da nossa região. Para tal, foram examinados espécimes provenientes de empréstimos e de coletas realizadas em regiões da Floresta Atlântica costeira ao Norte do Rio São Francisco. Treze novas espécies são descritas, distribuídas em Iguarassua, Gaibulus e dois novos gêneros. Além dessas, foram realizadas descrições de exemplares machos de I. schubarti e sinonimização de Kaapora com Iguarassua. A análise cladística com pesagem implícita dos caracteres resgatou uma topologia mais estável, na qual a hipótese inicial de monofilia para o grande grupo de espécies aqui descritas não foi resgatada, com Verrucastygnus hoeferscovitorum surgindo dentro dessa linhagem. Com esse resultado quatro gêneros foram reconhecidos: Gaibulus (oito espécies), Iguarassua (quatro espécies), Gen nov. 1 (uma espécie) e Gen nov. 2 (duas espécies). A análise molecular de máxima verossimilhança, realizada com os terminais que pudemos sequenciar, resgatou a monofilia do grupo com o respectivo ramo sustentado por um índice de bootstrap de 0,968. Apesar da diferença de representatividade entre as análises filogenéticas, os resultados encontrados indicam uma maior proximidade evolutiva entre essas espécies, que até então foram pouco consideradas ao longo dos estudos filogenéticos com a família. Além disso, as novas espécies descritas ratificam o padrão de diversidade da Área de Endemismo de Pernambuco.
  • BRENO FALCÃO DE CARVALHO
  • ECOLOGIA DA TAXOCENOSE DE LAGARTOS NA SERRA VERMELHA: DESVENDANDO PADRÕES DE DIVERSIDADE E USO DO RECURSO EM UMA ÁREA DE TRANSIÇÃO ENTRE OS BIOMAS CAATINGA E CERRADO NO NORDESTE DO BRASIL
  • Data: 31/08/2022
  • Hora: 08:00
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  • Uma comunidade é considerada estruturada quando as espécies que a compõem utilizam o recurso disponível de forma não aleatória. Diversos fatores podem estar relacionados a presença de estrutura, assim, desvendar os padrões que dão forma uma comunidade é do interesse de todos os ecólogos. Com apoio do projeto “Passado, presente e futuro da Caatinga: história, ecologia e conservação da herpetofauna frente às mudanças ambientais”, amostramos a herpetofauna da Serra Vermelha (Redenção do Gurguéia - Piauí), região localizada na transição entre os biomas Caatinga e Cerrado no Nordeste do Brasil. Utilizando a taxocenose de lagartos como modelo, investigamos os padrões de interação e ocorrência das espécies valendo-se de parâmetros espaciais, climáticos, tróficos e morfológicos, abordando a ecologia da taxocenose em dois capítulos. Primeiramente, investigamos o padrão de organização do uso de recurso pelos lagartos, e a influência histórica/recente nos padrões observados em um capítulo intitulado “Padrão de Uso de Recursos dos Lagartos na Serra Vermelha: Efeito Histórico/Recente na Estrutura da Taxocenose em uma Área De Transição Entre Biomas Caatinga e Cerrado no Nordeste Do Brasil”. No segundo capítulo, avaliamos a variação de riqueza e abundância das espécies considerando um gradiente ambiental aberto-florestado em um capítulo intitulado “Efeito da Variação do Micro-habitat na Ocorrência de Lagartos na Serra Vermelha, Área de transição entre biomas Caatinga e Cerrado no Nordeste do Brasil”.
  • FELIPE JARDELINO ELOI
  • Impactos Causados por Linha de Transmissão na Fauna Silvestre Nordestina
  • Orientador : HELDER FARIAS PEREIRA DE ARAUJO
  • Data: 30/08/2022
  • Hora: 14:00
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  • Linhas de Transmissão podem representar obstáculos para as aves e oferecer risco de colisão. Acidentes com essas estruturas podem ocorrer devido à influência de fatores biológicos, como envergadura, tamanho e comportamento gregário, ou de fatores ambientais como a presença de áreas alagadas e a presença de fragmentos florestais. O presente estudo tem como objetivo avaliar quais os fatores que podem potencializar o risco de colisão da avifauna com os cabos aéreos de LTs em operação no nordeste brasileiro, assim como testar a eficiência de sinalizadores anticolisão e o impacto desse tipo de empreendimento na fauna silvestre local. As métricas de paisagem foram testadas em escalas de influência de 250m e 500m a partir do centro dos trechos observados. Foi possível observar que a escala de 500m foi capaz de indicar com mais precisão os fatores ambientais que potencializam o risco de colisão, sendo o mais determinante a composição de corpos d’água, principalmente quando combinado com a presença de fragmentos florestais próximos. O comportamento gregário foi o fator biológico que apresentou mais influência sobre o risco de colisão. A eficiência dos sinalizadores foi testada em abordagem temporal, testando o efeito antes e depois da instalação dos aparelhos, e sincrônica, com trechos da LT sinalizados e trechos controle. Análises de GLM não foram capazes de identificar o efeito dos sinalizadores sobre os indicadores de colisão, indicando que outros modelos podem apresentar melhor resposta para a avifauna local. Também não foi possível detectar efeito do empreendimento quanto à composição da macrofauna de vertebrados terrestres, tendo fatores ambientais, como distância geográfica e precipitação, exercido maior influência nos parâmetros de biodiversidades avaliados.
  • FERNANDA VIRGINIA ALBUQUERQUE DA SILVA
  • Interação trófica entre grandes peixes pelágicos no arquipélago São Pedro e São Paulo utilizando analises de isótopos estáveis
  • Orientador : RICARDO DE SOUZA ROSA
  • Data: 30/08/2022
  • Hora: 10:00
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  • Os grandes pelágicos desempenham um papel importante no ecossistema marinho, ocupando os níveis tróficos mais altos das cadeias alimentares. Predadores de topo de cadeia alimentar são considerados espécies-chave na manutenção e estrutura de diversos ecossistemas, através de efeito regulatório das populações situadas em nichos inferiores. Os estudos de ecologia trófica são indispensáveis para a compreensão do papel exercido pelas diversas espécies no cossistema aquático, pois indicam como elas se relacionam na partilha de recursos, evidenciando indiretamente como funciona o fluxo de energia dentro da comunidade e permitindo, assim, compreender os efeitos da competição e predação sobre a estrutura das redes tróficas. Neste sentido as análises de isótopos estáveis tem se tornado uma alternativa eficiente no omplemento de informações tróficas, pois é um marcador biogeoquimico capaz de examinar as relações tróficas a longo prazo, de modo a refletir os nutrientes assimilados O arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP) é uma importante área de concentração de peixes pelágicos de importância ecológica e econômica, portanto faz-se necessária a realização de estudos sobre a biologia das espécies capturadas, com vistas não somente a assegurar a sua conservação, mas, sobretudo, para compreender os possíveis impactos da atividade pesqueira no ecossistema insular, aspecto em relação ao qual uma adequada compreensão das relações tróficas adquire particular relevância. A presente tese busca compreender a dinâmica trófica a partir da utilização de traçadores bioquímicos, isótopos estáveis, na população de dois grupos funcionais distintos e de interesse no ASPSP. No Capítulo 1 testamos a hipótese de que os peixes pelágicos de interesse econômico partilham dos recursos disponíveis em torno do ASPSP, a partir de estratégias de consumo diferentes fontes de presas. A partir das assinaturas de δ15N e δ13C, foi possível observar que as espécies utilizam distintas estratégias alimentares em virtude da vasta diversidade de organismos marinhos disponíveis no ambiente insular, no intuito de minimizar a competição e aumentar o ganho energético. Essas descobertas são de fundamental importância para o entendimento das complexas interações ocorrentes dentro de uma teia alimentar e apresenta resultados relevantes que podem ser empregados na gestão ecossistêmica da comunidade oceânica de predadores e da pesca. No Capítulo 2 foi testada a hipótese de que os tubarões mantem sua função ecológica, como predador de topo, no ASPSP. Por meio das análises de isótopos estáveis, uma ferramenta não letal, observamos que os tubarões apresentaram assinaturas isotópicas de δ15N altas, compatível com predadores de topo. E que apesar da alta sobreposição dos nichos isotópicos, sugerindo competição pelos recursos, os tubarões lombo-preto e de galápagos apresentaram uma segregação a partir de diferentes estratégias na utilização do espaço e no tempo. Com base nos nossos resultados enfatizamos a importância dos estudos de ecologia trófica dos grandes peixes pelágicos pois desempenham papel de predadores terciários e quaternários no ASPSP, sendo importantes na regulação e manutenção de níveis tróficos inferiores. Fornecendo subsídios para a gestão dos recursos nesse ecossistema insular tão singular. Enfatizamos também a importância de métodos de estudos não letais para a compreensão da biologia e ecologia dos peixes pelágicos, sobretudo de espécies que estão sujeitas a ameaça, como os tubarões.
  • LEANDRO ALVES DA SILVA
  • Revelando novas espécies e abordando padrões de diversificação de anfíbios na região Neotropical por meio de dados morfológicos, moleculares e acústicos
  • Data: 30/08/2022
  • Hora: 08:00
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  • A dificuldade de descrever apropriadamente a riqueza de espécies do globo (Linnean shortfall), bem como a imperfeita compreensão da distribuição das espécies no espaço (Wallacean shortfall), comprometem severamente o nosso entendimento sobre padrões de biodiversidade. Esse problema é especialmente evidente em áreas megadiversificadas, como o Neotrópico. Apesar de abrigar a mais rica anurofauna do mundo, essa região ainda apresenta muitas lacunas de conhecimento, tanto geográficas quanto taxonômicas. A presente tese se propõe a preencher algumas dessas lacunas, investigando a taxonomia e a história evolutiva de diferentes grupos de anuros com ocorrência no Neotrópico. Para tal, utilizamos evidências bioacústicas, moleculares e morfológicas. No Capítulo 1 apresentamos o maior barcoding do clado Scinax ruber (Hylidae) baseado em um fragmento do mtDNA 16S. Nosso dataset molecular consistiu em 561 sequências geradas pelo presente estudo e 870 provenientes do GenBank, onde ao menos 47 (~61%) espécies nominais atribuídas ao clado foram contempladas. Nossos resultados apontam níveis de subestimação do clado S. ruber de até 39%. Na maioria dos casos, essa diversidade escondida foi associada a complexos de espécies cujas espécies nominais eram consideradas amplamente distribuídas (e.g. complexos S. ruber, S. nasicus e S. fuscomarginatus). Algumas das linhagens geneticamente divergentes aqui recuperadas podem corresponder a espécies atualmente sinonimizadas (e.g. Hyla affinis, H. leucotaenia e Ololygon trilineata), enquanto outras são potencialmente novas para a ciência (e.g. S. aff. x-signatus e S. aff. tropicalia). Por outro lado, também observamos que algumas espécies atualmente válidas foram geneticamente indistinguíveis entre si de acordo com os métodos de delimitação aqui utilizados (e.g. S. funereus e S. iquitorum). A delimitação de espécies através de dados moleculares representa uma eficiente ferramenta para explorar a diversidade de grupos de organismos. Porém, diferentes linhas de evidência (e.g. moleculares e morfológicas) podem gerar interpretações conflitantes. Por esse motivo, é importante uma verificação caso-a-caso das linhagens genéticas recuperadas no presente estudo para garantir decisões taxonômicas mais adequadas. No Capítulo 2, investigamos a taxonomia e as relações filogenéticas do complexo de espécies Leptodactylus mystaceus (Leptodactylidae), onde descrevemos três espécies (uma para o Cerrado central e duas para a Mata Atlântica do sudeste) e diagnosticamos uma linhagem geneticamente divergente que permanece não descrita, amplamente distribuída na diagonal aberta. No Capítulo 3, descrevemos uma nova espécie de Pseudopaludicola (Leptodactylidae) do oeste do estado do Tocantins, proximamente relacionada e acusticamente similar à P. jazmynmcdonaldae e P. mystacalis. A nova espécie também produz canto de anúncio similar ao apresentado por P. atragula. Porém, dados acústicos e moleculares separam as quatro espécies mencionadas. No Capítulo 4 descrevemos uma nova espécie do gênero Allobates (Aromobatidae) do sul da Amazônia. A maioria das espécies aqui abordadas apresentam morfologias bastante conservadas, de modo que o emprego em conjunto de análises acústicas, moleculares e morfológicas foi fundamental para abordar os respectivos status taxonômicos das espécies. Os resultados obtidos pela presente tese ressaltam uma situação de severa subestimação no número de espécies de anfíbios do Neotrópico, algo especialmente preocupante quando se considera o atual cenário de acelerada destruição de hábitats naturais e desmantelamento de políticas públicas.
  • NAYLA FÁBIA FERREIRA DO NASCIMENTO
  • Dinâmica da Diversificação de Aves Endêmicas no Nordeste do Brasil
  • Orientador : HELDER FARIAS PEREIRA DE ARAUJO
  • Data: 29/08/2022
  • Hora: 14:00
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  • No nordeste do Brasil ocorre o maior núcleo de Florestas Estacionais Deciduais Secas da América do Sul, a Caatinga (CA), e a porção norte da Floresta Atlântica (NFA). Diante disso, surge a oportunidade de testar hipóteses relacionadas a diversificação de táxons endêmicos sob a premissa que uma “encruzilhada” de histórias e processos caracteriza a dinâmica de diversificação nessa região. Para isso, usamos informações filogenéticas, dados de distribuição geográfica, reconstrução de área ancestral e testes de divergência de nicho de quinze espécies de aves endêmicas de CA e NFA. A tese está estruturada em três capítulos da seguinte forma: 1) um sobre diversificação de endemismos de aves na CA, cujo os resultados sugerem que um longo tempo de diversificação em múltiplos clados suporta uma diversidade acumulada de endemismos na Caatinga; 2) um sobre o papel da divergência ecológica nessa diversificação, onde testa-se a influência da divergência de nicho na especiação dos endemismos; e 3) sobre diversificação de endemismos de aves no NFA, cujo os resultados suportam associações com linhagens irmãs na porção sul da FA e na Amazônia. Esses resultados demonstram que a diversidade de endemismos de aves na região nordeste do Brasil é resultado de uma dinâmica biogeográfica complexa oriunda de um longo tempo de diversificação.
  • RAFAEL MENEZES ROBERTO
  • Uso de habitat, estrutura de estoque e revisão bibliográfica do dentão (Lutjanus jocu) no Brasil: subsídios para o manejo pesqueiro e conservação
  • Data: 12/08/2022
  • Hora: 09:30
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  • Recursos pesqueiros no Brasil estão atingindo níveis alarmantes de sobre-exploração, resultantes da falta de manejo de pesca apoiado por estatística de desembarque. A presente tese busca entender importantes questões ecológicas do dentão (Lutjanus jocu) – aplicadas ao manejo da pesca – em diferentes escalas espaciais no Brasil, tais como local (Banco dos Abrolhos, sul da Bahia), regional (Nordeste) e de província (Província Brasileira). No Capítulo 1 testamos a hipótese que L. jocu possui padrões diferenciados de uso de habitat no Banco dos Abrolhos, inferidos a partir da composição química nos otólitos. Razões de Ba/Ca nos otólitos permitiram identificar dois adrões de uso de hábitats: residentes marinhos (indivíduos habitam sistemas marinhos durante toda vida) e migrantes marinhos (jovens habitam estuários e se deslocam aos sistemas marinhos com o tempo). No Capítulo 2 objetivamos identificar estoques pesqueiros de L. jocu ao longo de quatro estados (Maranhão, Ceará, Paraíba e sul da Bahia) que perfazem a maior extensão da costa nordestina do Brasil, usando a análise da forma de otólitos como marcador natural de estoques. Uma alta conectividade espacial entre estoques de L. jocu foi registrada ao largo da costa nordeste, com tendências de isolamento para o Maranhão e sul da Bahia. Já no Capítulo 3 compilamos dados de literatura sobre L. jocu ao longo da Província Brasileira a fim de identificar lacunas de conhecimento e assim direcionar estudos futuros. Evidenciamos um viés na disponibilidade de dados sobre a espécie, sendo abundantes no Nordeste e escassos ou mesmo ausentes nas outras regiões. Baseado nas informações compiladas, propusemos um manejo de pesca de baixo-custo para L. jocu com três principais iniciativas: i) mapeamento das áreas de pesca e de agregação reprodutiva através de pesquisa colaborativa; ii) regulamento de tamanhos de captura apoiado por certificação ambiental; e iii) monitoramento pesqueiro baseado em ciência cidadã. Nossas descobertas têm implicações profundas para o manejo de pesca e conservação de L. jocu, tais como expandir a proteção para os recifes costeiros do Banco dos Abrolhos (Cap.1); subsidiar um manejo baseado em estoque ao longo da região nordeste (Cap.2); e fornecer um modelo de baixo-custo para o manejo pesqueiro em toda a Província Brasileira (Cap.3).
  • MARCELO ARAGÃO DE BRITO FILHO
  • ECOLOGIA DE Micrablepharus (SQUAMATA, GYMNOPHTHALMIDAE): AUTOECOLOGIA DE Micrablepharus atticolus NO CERRADO E ECOLOGIA GEOGRÁFICA DE Micrablepharus maximiliani EM AMBIENTES DE CERRADO, CAATINGA E TABULEIROS DA FLORESTA ATLÂNTICA.
  • Orientador : DANIEL OLIVEIRA MESQUITA
  • Data: 30/06/2022
  • Hora: 08:30
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  • Lagartos são excelentes para realização de estudos ecológicos devido a sua captura relativamente fácil e considerável abundância. Estudos autoecológicos fornecem informações sobre a história de vida de uma espécie, o que permitem a compreensão de sua história evolutiva e também auxiliam na elaboração de ações para sua conservação. Diferentes populações de lagartos podem apresentar diferenças ecológicas diferentes. Essas variações indicam influências ambientais na ecologia. Por outro lado, a ausência de variação indica conservatismo genético da característica. Micrablepharus geralmente apresenta considerável abundância em suas áreas de ocorrência, sendo uma boa escolha para realização de estudos ecológicos. Micrablepharus maximiliani tem ampla faixa de ocorrência na região neotropical, sendo uma ótima espécie para estudos de variação geográfica da ecologia. Essa Dissertação está dividida em dois capítulos. O primeiro é um estudo de autoecologia de Micrablepharus atticolus, onde descrevemos a ecologia da espécie a partir de dados de morfometria, dieta e reprodução, e testamos as hipóteses de que (1) a espécie possui dimorfismo sexual no tamanho e forma do corpo; (2) os sexos apresentam dietas diferentes; e (3) fêmeas maiores produzem ovos maiores. O segundo é um estudo da variação geográfica da ecologia de M. maximiliani em ambientes de Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, e testamos as hipóteses de que (1) as populações apresentam diferenças no dimorfismo sexual; (2) na dieta; e (3) na reprodução. Encontramos dimorfismo sexual no tamanho do corpo em M. atticolus e M. maximiliani, com fêmeas maiores que machos, exceto em M. maximiliani no Cerrado. Encontramos dimorfismo sexual na forma do corpo, com CRC sendo a variável mais importante nas duas espécies, com fêmeas apresentando CRC maior, e cabeças e membros menores que machos. Em M. maximiliani, fêmeas da Caatinga foram maiores, e machos da Mata Atlântica, menores. Araneae, Blattodea e Orthoptera representam 80% das presas consumidas por M. atticolus. Observamos conservatismo na dieta de M. maximiliani, que consumiu principalmente Araneae, Orthoptera e Blattodea nos três ambientes, além de Hemiptera no Cerrado e Isopetra na Caatinga. A Caatinga apresentou maior diferença na dieta, com mais categorias de presas, maior largura e menor sobreposição de nicho entre os biomas, enquanto que Mata Atlântica e Cerrado apresentaram sobreposição de nicho de dieta quase total. Ambas as espécies possuem ninhada fixa (dois ovos) e podem produzir ao menos duas ninhadas por estação reproduva, e majoritariamente na estação seca, com M. maximiliani possuindo maior continuidade reprodutiva na Caatinga e Mata Atlântica, provavelmente devido ao menor período de chuvas no ano, na Caatinga, e menor efeito da sazonalidade na Mata Atlântica, e atividade reprodutiva restrita a um curto período no Cerrado, onde a sazonalidade das chuvas é bem delimitada e previsível. Encontramos correlação positiva entre tamanho do corpo e volume da ninhada em M. atticolus, mas não em M. maximiliani.
  • LEANDERSON DA SILVA SILVESTRE
  • Mellita quinquiesperforata (Leske, 1778): desenvolvimento embrionário e larval e o fenótipo de resistência a múltiplos xenobióticos (MXR)
  • Data: 30/05/2022
  • Hora: 15:00
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  • Os equinodermos têm contribuído para diversas áreas das ciências biológicas, e, mais recentemente, têm sido utilizados como organismos modelo no campo da ecotoxicologia. A Mellita quinquiesperforata é um ouriço-do-mar irregular com ampla distribuição geográfica na costa brasileira. Entretanto, desconhecemos trabalhos sobre o seu padrão de desenvolvimento embrionário, e como estes organismos lidam com estresses químicos. O primeiro capítulo da dissertação teve por objetivo caracterizar o desenvolvimento embrionário e larval durante as primeiras 72 horas após a fertilização (hpf). Os resultados mostraram um padrão estrutural de desenvolvimento semelhantes às outras espécies da classe Echinoidea, porém com um ritmo de progressão mais acelerado. O estágio de blástula foi atingido em 4 hpf e o processo de gastrulação foi iniciado 6 hpf, sendo concluído 12 hpf. O estágio larval teve início antes das 24 hpf, atingindo o estágio de 8 braços 72 hpf. O intervalo de desenvolvimento mais curto pode estar associado à adaptação e ocorrência da espécie em ambientes mais hostis, principalmente em praias com características refletivas. No segundo capítulo foi caracterizada a atividade dos transportadores ABC (tABC) em óvulos, embriões e larvas de M. quinquiesperforata, e o fenótipo de resistência a múltiplos xenobióticos (MXR). Para a investigação da atividade dos t-ABC foi utilizado o substrato fluorescente calceína-AM e os bloqueadores farmacológicos específicos de proteínas das subfamílias ABCB (PSC833) e ABCC (MK571). A caracterização do fenótipo MXR foi realizada com o uso de dois compostos embriotóxicos inibidores do ciclo celular e substratos de tABC (colchicina e etoposídeo) na presença ou ausência dos bloqueadores dos tABC. Foi observado um aumento do acúmulo intracelular de calceína na presença do bloqueador MK571 em todos os estágios analisados (3 a 4 vezes em comparação ao grupo controle). Entretanto, o bloqueio da atividade dos transportadores da subfamília ABCB foi menos efetivo no acúmulo da calceína, com aumentos de até 2 vezes em relação ao grupo controle. Esses resultados sugerem a prevalência da atividade dos transportadores ABCC em todos os estágios do desenvolvimento. O bloqueio da atividade dos transportadores ABCB e ABCC aumentou a sensibilidade dos embriões aos efeitos tóxicos da colchicina, com uma marcante retenção dos embriões no estágio de zigoto. O mesmo efeito não foi observado para a sensibilidade ao etoposídeo, o que pode estar correlacionado com a especificidade da interação entre os substratos tóxicos e os tABC da espécie em estudo. O presente trabalho contribui para o conhecimento acerca do desenvolvimento embrionário e larval da M. quinquiesperforata e, a partir da caracterização do fenótipo MXR, aponta a referida espécie como um potencial organismo modelo para estudos ecotoxicológicos em ambientes costeiros tropicais.
  • MARCOS SILVA DE LIMA
  • Estrutura da comunidade de micromoluscos terrestres no Parque Estadual Chandless, Sudoeste da Amazônia, Brasil.
  • Data: 30/05/2022
  • Hora: 10:00
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  • Estudos ecológicos sobre aspectos da estrutura das comunidades de micromoluscos terrestres em função de diferentes variáveis ambientais na Amazônia brasileira são inexistentes. Este trabalho teve como objetivo principal investigar a estrutura da comunidade de micromoluscos terrestres no Parque Estadual Chandless, localizado no sudoeste da Amazônia brasileira. Um total de 58 quadrantes sobrepostos de 25, 50 e 75 cm² foram instalados ao longo de seis parcelas. Toda a serapilheira de cada quadrante foi coletada tendo em vista a obtenção de micromoluscos associados. A luminosidade incidindo sobre o solo, altura e peso da serrapilheira e temperatura do solo e ambiente foram as principais variáveis ambientais empregadas nas análises. Uma análise de componentes principais com uma matriz de covariância foi empregada para determinar as variáveis ambientais mais relevantes. Na sequência, uma análise de correlação canônica (ACC) foi empregada para verificar a existência de correlações entre o conjunto de variáveis ambientais em função da riqueza e abundância de micromoluscos amostrados. Por fim, modelos lineares generalizados (MLGs) foram ajustados para avaliar a influência das variáveis preditoras na riqueza e abundância das variáveis de resposta de micromoluscos coletados. Coletamos 330 espécimes, istribuídas em 34 espécies. A ACC demonstrou uma associação entre a altura da serapilheira, temperatura e luminosidade com a riqueza e abundância das espécies coletadas, gerando 4 grupos de espécies que podem ser influenciados positivamente ou negativamente pelas variáveis. Os MLGs apontaram que apenas a abundância das espécies está sendo influenciada significativamente pelas variáveis ambientais. Nossos resultados apontam uma relação significativa entre as variáveis ambientais e a abundância das espécies.
  • JOÃO VICTOR LEMOS CAVALCANTE DE OLIVEIRA
  • SISTEMÁTICA DE PARONELLIDAE BÖRNER,1906 (COLLEMBOLA, ENTOMOBRYOMORPHA) COM ÊNFASE NA TAXONOMIA DE CYPHODERINAE BÖRNER,1906
  • Data: 17/05/2022
  • Hora: 14:00
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  • Cyphoderinae representa uma subfamília da família Paronellidae, que atualmente compreende 12 gêneros e cerca de 140 espécies. O presente estudo avaliou o monofiletismo de Cyphoderinae. Investigamos relações filogenéticas entre 45 espécies, com representantes das famílias Orchesellidae, Entomobryidae e Paronellidae. Tanto a análise de parcimônia tradicional (traditional search), quanto a de caracteres ordenados (The New Technology TNT search) foram usadas na reconstrução filogenética. As análises cladísticas foram baseadas em levantamento morfológico abrangente dos adultos. A análise filogenética resultou no reconhecimento do monofiletismo de Cyphoderinae e Lepidocyrtinae e no parafiletismo dasfamílias Entomobryidae e Paronellidae.
  • IGOR LOPES CORDEIRO
  • Diversidade de esponjas ao longo de um gradiente de profundidade do Atlântico Sudoeste
  • Orientador : BRAULIO ALMEIDA SANTOS
  • Data: 29/04/2022
  • Hora: 14:00
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  • Entender como a diversidade de espécies marinhas varia com a profundidade é um grande desafio na ecologia moderna, especialmente em áreas com profundidade maior que 30 metros. A hipótese do aumento das esponjas prediz que a abundância e a diversidade de esponjas aumentam em função da profundidade. Neste estudo, utilizamos vídeos subaquáticos para testar essa hipótese em 24 localidades entre 2 e 62 metros de profundidade. Além quantificar a abundância e descrever a composição das comunidades de esponjas, decompomos a diversidade taxonômica gama (γ) em seus componentes alfa (α) e beta (β). Também avaliamos se a diversidade beta é dada pela substituição de espécies (turnover) ou pelo aninhamento das comunidades locais (nestedness). Foram identificadas 2020 esponjas marinhas, pertencentes a 36 espécies e a 24 gêneros, sendo 4 dessas espécies novos registros para a Paraíba. Cerca de 50% das espécies que ocorreram em áreas rasas (< 30 m) ocorreram também em áreas profundas (>30 m). Corroborando com a hipótese, as regiões profundas abrigaram maior abundância em relação às rasas, porém, isso não refletiu em maior diversidade alfa de espécies raras (0Dα), típicas (1Dα) ou dominantes (2Dα). As áreas rasas apresentaram maior diversidade beta que as profundas, especialmente para espécies típicas (1Dβ) e dominantes (2Dβ). Entre 92,7% e 95,7% da diversidade foi dada por substituição de espécies dentro e entre as áreas rasas e profundas. Os resultados indicam que as áreas rasas e profundas se complementam biologicamente e devem ser manejadas e conservadas de forma integrada.
  • JOÃO PAULO NUNES DE ANDRADE PEREIRA
  • HISTÓRIA DE VIDA E COMPORTAMENTO DE DICHOTOMIUS GUARIBENSIS (COLEOPTERA: SCARABAEIDAE: SCARABAEINAE): UM REPRESENTANTE DA FLORESTA ATLÂNTICA PARAIBANA
  • Data: 26/04/2022
  • Hora: 14:30
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  • O estudo do comportamento de Dichotomius guaribensis fornece informações relevantes sobre seu papel e interações ecológicas onde ocorre, tendo como finalidade a aplicação desses conhecimentos na conservação da Floresta Atlântica. O presente trabalho objetivou conhecer aspectos do comportamento alimentar e reprodutivo de D. guaribensis. As coletas foram realizadas em quatro fragmentos de Floresta Atlântica da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Foram obtidos 30 casais de besouros, que foram criados individualmente em terrários feitos a partir de garrafas PET 5L no Laboratório de Ecologia e Conservação (LEAC), dentro de um desses fragmentos. Após cerca de 100h de observação do tipo ad libitum, foi produzido um etograma dos comportamentos de D. guaribensis. A partir desse etograma foi produzido uma tabela de checagem, utilizada na quantificação desses comportamentos, a fim de obter suas frequências relativas. O método de utilizado nesta quantificação foi o scan sampling, com modo de registro instantâneo. Para o dimensionamento dos túneis de D. guaribensis, uma solução de gesso e água foi disposta em túneis de terrários próprios para este experimento. O tempo de sobrevivência foi analisado por meio do estimador Kaplan-Meier (KM), com a comparação de curvas de sobrevivência de machos e fêmeas realizada por meio do teste log-rank. Para a determinação do período de atividade foi realizada uma Análise de Variância (ANOVA) e para avaliar a estrutura populacional da espécie foi realizado um teste qui-quadrado. D. guaribensis apresentou uma elevada longevidade, principalmente as fêmeas, que apresentaram diferença de sobrevivência significativa em relação aos machos. A espécie foi classificada como crepuscular-noturna, com um pico de atividade entre 17h00 e 19h00, com máxima atividade no crepúsculo, 17h30 – 18h30. Em média, os túneis de D. guaribensis apresentaram um diâmetro externo de 1,89cm ±0,57 e diâmetro interno de 1,21cm ±0,21. Os túneis presentaram medianas de comprimento e profundidade de 8cm (máxima de 19,1cm) e 7,35cm (máxima de 17,05cm), respectivamente, havendo registros de cinco túneis com ramificações. Os comportamentos mais frequentes da espécie foram “enterrado” e “guarda”, que ocorreram respectivamente em cerca de 84% e 10% das vezes em que esses besouros foram observados. Comportamentos como guarda, forrageamento, emissão de semioquímicos e alocação de recurso foram exercidos por machos em frequências mais elevadas em relação às fêmeas. Houve o primeiro registro de um possível comportamento de emissão de semioquímicos, realizado exclusivamente pelos machos de D. guaribensis. Não foram observados fragmentos ninho e nascimento de novos indivíduos, uma possível consequência de um ambiente em cativeiro, que não possui todos os recursos disponíveis no ambiente natural do besouro. O presente trabalho traz conhecimentos a respeito dos comportamentos alimentares e reprodutivos de Dichotomius guaribensis, possibilitando um melhor entendimento de alguns aspectos comportamentais inerentes da espécie.
  • GIBRAN ANDERSON OLIVEIRA DA SILVA
  • Efeitos das mudanças climáticas sobre padrões de diversidade de mamíferos não-voadores da Caatinga
  • Data: 30/03/2022
  • Hora: 08:00
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  • O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas prevê um aumento de até 4,8°C para 2100. As regiões afetadas podem se tornar gradualmente empobrecidas, homogeneizadas e conduzidas à desertificação. Nosso objetivo aqui é avaliar os efeitos das mudanças climáticas sobre o padrão de diversidade de mamíferos não-voadores da Caatinga através das variáveis operacionais de diversidade alfa e beta. Para isso nós compilamos e fizemos a curadoria de um banco de dados com 95 espécies e 20.497 ocorrências. Nós construímos Modelos de Nicho Ecológico (ENMs) com 19 variáveis bioclimáticas (WorldClim) transformadas via Análise de Componentes Principais (PCA) para remover a colinearidade entre os preditores. Nós modelamos a adequabilidade de habitat para 2060 e 2100 utilizando os Caminhos Socioeconômicos Compartilhados otimista (SSP 245) e pessimista (SSP 585), quatro Modelos de Circulação Generalizada e cinco algoritmos (BioClim, GAM, GLM, Maxent e Random Forest) na resolução espacial de 5 arc-minutos. Nós avaliamos a performance dos modelos através do índice de similaridade de Jaccard e geramos o modelo consenso através da média ponderada por meio de validação cruzada de 4-partes, usando 75% dos dados para treinamento e 25% para teste. Para binarização do modelo consenso utilizamos a média do limiar de binarização de cada algoritmo ponderada pela respectiva performance conforme o índice de Jaccard. Nós utilizamos os mapas binarizados para computar a diversidade beta espacial entre cada célula focal e quatro células vizinhas. Os índices de riqueza de espécies e a diversidade beta do futuro foram subtraídos pelos valores do modelo do tempo presente.
  • VITÓRIA MARIA MOREIRA DE LIMA
  • Ecologia trófica da ictiofauna do Rio Jaguaribe no cenário da transposição do Rio São Francisco, Nordeste, Brasil
  • Data: 08/03/2022
  • Hora: 10:00
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  • Neste estudo serão avaliadas dieta e estrutura trófica da ictiofauna da bacia do Rio Jaguaribe, um dos maiores rios temporários do mundo, em escala temporal e espacial. As coletas foram realizadas no momento anterior imediato à chegada das águas da transposição do Rio São Francisco, sendo assim, o ambiente aqui exposto já não existe mais na natureza da forma que o descrevemos. As amostragens foram realizadas em períodos de estiagem (out/2019) e chuvoso (mar/2020) no decorrer da bacia, nas porções alta, média e baixa, totalizando nove pontos de coleta. Os métodos de coleta foram padronizados em redes de arrasto e tarrafas para os peixes, e o ambiente aquático foi caracterizado através da obtenção de variáveis físicas, químicas e análises de nutrientes. Dentre as 40 espécies de peixes coletadas, 26 tiveram seus itens alimentares analisados através do método volumétrico, e foram agrupados em 10 recursos alimentares, que classificarão as guildas tróficas: Insetos, Collembola, Bivalvia, Gastropoda, Decapoda, Microcrustáceos, Peixes, Algas, Vegetal superior e Detrito. Para as análises de dieta, os volumes dos itens alimentares (mL) serão avaliados com Análise De Variância Permutacional (PERMANOVA), e a amplitude de nicho através de uma Análise de Dispersão Multivariada com Permutação (PERMDISP), ambas utilizando a distância de BrayCurtis como medida de similaridade. Para a estrutura trófica, serão determinadas a abundância e a riqueza das espécies por guilda trófica, e comparadas a nível temporal e espacial para avaliação da presença de um gradiente longitudinal. A visualização das diferenças encontradas se dará com Análise de Coordenadas Principais (PCoA)
  • WENDELL RODRIGUES
  • Amostragem de insetos (HEXAPODA: INSECTA) em fragmentos de Mata Atlântica utilizando pan traps
  • Orientador : CELSO FEITOSA MARTINS
  • Data: 28/02/2022
  • Hora: 09:00
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  • A fragmentação de habitat é uma das principais causas do declínio de populações naturais. Focando no grupo das abelhas (Anthophila) e nas ordens de insetos em geral, foram comparadas a abundância e ocorrência desses grupos em fragmentos de mata ainda remanescentes na área metropolitana de João Pessoa (PB), utilizando pan traps, um método comumente utilizado para amostragem de abelhas em áreas abertas. Armadilhas do tipo pan traps nas cores amarela, azul e branca, contendo uma solução de água e detergente foram utilizadas. O método permite a padronização da amostragem e neste estudo foi utilizado pela primeira vez no interior de fragmentos de mata na região metropolitana de João Pessoa. Foram amostrados oito fragmentos de Mata Atlântica escolhidos por apresentarem algum tipo de legislação protetora e por serem utilizados em outros estudos de fauna. As diferentes áreas foram amostradas em três repetições e em cada coleta 24 armadilhas (12 na borda e 12 no interior) foram instaladas no chão, totalizando 568 amostras. Como resultado, obteve-se 5379 insetos. A área do Jardim Botânico da Mata do Buraquinho teve o maior número de insetos coletados (841), enquanto o Parque Natural Municipal do Cuiá apresentou o menor número (465). Entretanto, comparando estatisticamente os insetos capturados em cada área nas três campanhas, não foi detectada diferença significativa entre os fragmentos. Entre 10 ordens coletadas, os táxons mais abundantes foram Diptera (predominando Cecidomyiidae, Phoridae e Scaridae) e Hymenoptera (predominando Formicidae). Diptera e Hymenoptera juntos compuseram 87,6% do total de insetos coletados. No total, foi coletado um número significativamente maior de insetos na borda dos fragmentos (3315) que no interior (2064). Também foi verificada diferença entre o número de insetos coletados em cada cor de armadilha, significativamente maior nas armadilhas amarelas. Analisando o número de indivíduos coletados nas três cores de armadilhas por ordem de inseto, foram encontradas diferenças significativas apenas nas ordens Coleoptera, Diptera e Hymenoptera, com predominância nas armadilhas amarelas. Com o propósito de comparar com as amostras coletadas no chão, foram utilizadas pan traps no dossel, a uma altura média de 20m, no Jardim Botânico da Mata do Buraquinho. Foram feitas nove repetições, cada uma com seis armadilhas, totalizando 50 amostras e 1553 espécimes obtidos. O número total de insetos coletados em função do esforço amostral foi significativamente maior nas armadilhas no dossel comparadas com aquelas no chão, principalmente nos Diptera e Hemiptera. Nos Hymenoptera ocorreu o inverso, sendo mais coletados no chão devido à predominância de Formicidae. Entretanto, os Anthophila foram aproximadamente 12 vezes mais abundantes no dossel. Foram coletadas 16 espécies de Anthophila nas armadilhas de chão e dossel. Entretanto, apenas três espécies ocorreram nos dois tipos de armadilhas, sete ocorreram exclusivamente nas armadilhas de chão e seis ocorreram exclusivamente nas armadilhas de dossel. Isso sugere uma diferença de composição para espécies de abelhas nesses diferentes estratos e evidencia a importância da investigação e coleta de espécimes que forrageiam o dossel. Os resultados obtidos sugerem a viabilidade de uso de pan traps em estudos futuros visando levantamentos rápidos, específicos e comparativos.
  • FRANCIANY GABRIELLA BRAGA PEREIRA
  • CAÇA NA AMAZÔNIA: UM ESTUDO DA DEPLEÇÃO ESPACIAL DAS ESPÉCIES ALVO E DA DINÂMICA DOS PONTOS E CONVERGÊNCIA ENTRE CAÇADOR E CAÇA
  • Data: 25/02/2022
  • Hora: 09:00
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  • A estimativa eficaz da abundância populacional da vida silvestre é um componente importante do monitoramento populacional e, em última análise, essencial para o desenvolvimento de ações de conservação. No capítulo 2 desta tese, comparamos dados de abundância para 91 espécies silvestres obtidos através de transectos lineares (9.221 km de trilhas) com dados obtidos a partir de 291 entrevistas estruturadas em 18 locais na Amazônia Central e Ocidental. Encontramos uma concordância significativa dos índices de abundância populacional para espécies diurnas e cinegéticas entre os dois métodos. Essa relação também foi positiva independente da sociabilidade da espécie, tamanho corporal e modo de locomoção; e do tipo florestal amostrado (florestas de terra firme e de várzea). No entanto, os transectos lineares não foram eficazes no levantamento de muitas espécies que ocorrem na área, com 40,2% e 39,8% de todas as espécies sendo raramente e nunca detectadas em pelo menos um dos locais de levantamento. Por outro lado, essas espécies foram amplamente relatadas por informantes locais como ocorrendo em abundâncias intermediárias a altas. No capítulo 3, analisamos o grau de consenso sobre a abundância de 95 espécies entre 333 pessoas com diferentes características sociais e de experiências com a vida selvagem em 20 locais demograficamente distintos na Amazônia Ocidental e Central. Encontramos um alto índice de consenso (>0,6) quanto à abundância populacional da espécie para todas as vilas e para 79,64% dos entrevistados. O consenso entre as pessoas das comunidade foi significativamente maior quanto menor o tamanho da população da comunidade. Considerando todas as 95 espécies, encontramos para 81 espécies (85,26%) um valor de consenso alto em todos os locais amostrados. Espécies com maiores valores de consenso sobre sua abundância são aquelas que de grupos de tamanhos maiores, mais abundantes e mais caçadas. Em algumas regiões da Amazônia, 25% das atividades de caça ocorrem nos barreiros (chamados localmente geralmente de chupador). Estes são locais com maior concentração de minerais naturais, onde os caçadores colocam suas redes para esperar os animais cinegéticos que irão consumir o solo do local. Todas as horas passadas nos barreiros esperando a espécie alvo permite que os caçadores observem também o comportamento de outras espécies visitantes do local e também sobre outros aspectos ecológicos dessas paisagens. Este comportamento de consumo do solo pelos animais ocorre com o objetivo de suplementação mineral, bem como de desintoxicação do seu corpo. No capítulo 4, usamos métodos através de entrevistas semi-estruturadas obtivemos informações sobre 30 espécies de vertebrados visitando 56 barreiros em duas regiões da Amazônia Central. Em termos de tipos de barreiros, encontramos o local chamado tradicionalmente como chupador como o tipo de barreiro mais comum, seguido pelo local tradicionalmente chamado de barreiro e pelo canamã. Apesar do consumo de solo e água nos barreiros serem os principais atrativos das espécies silvestres que visitam esses locais, as espécies identificadas nas entrevistas como usuárias dos barreiros também visitam, predação e outras relações ecológias, para banho e outros comportamentos. Em geral, a época de maior abundância de animais silvestres nos barreiros foi durante a estação de vazante, pois nesse período o nível da água dos igarapés diminui e assim o barreiro fica exposto. Por outro lado, durante o pulso de inundação, a maioria dos barreiros não foi visitada por nenhum indivíduo de nenhuma espécie, com exceção da anta, morcego e paca, pois neste período estes locais costumam estar cobertos pela água dos igarapés. Além dos barreiros naturais, a maior concentração de minerais nos solos amazônicos também tem sido gerada pela indústria de extração de petróleo, por meio da contaminação do solo pelas “águas produzidas”, principal subproduto dessa indústria e que inclui alta concentração de minerais. No entanto, solos poluídos por petróleo também contêm alta concentração de compostos petrogênicos tóxicos. No capítulo 5, através do conhecimento local foram identificados locais contaminados por petróleo na Amazônia peruana onde os animais silvestres consomem o solo. Investigamos e descrevemos a geofagia do solo e da água poluídos por petróleo por 26 espécies de mamíferos e aves através da análise de 8.623 vídeos gravados a partir de armadilhas fotográficas em três barreiros naturais e em dezesseis barreiros poluídos por petróleo localizados em uma concessão de bloco de petróleo peruano. Documentamos um total de 3.818 visitas independentes de 26 espécies, tendo 62,3% dessas visitas provas de ingestão de solo de 18 espécies diferentes. Considerando as visitas com ingestão de solo, Tapirus terrestris foi responsável por 69,58% das visitas, seguida de Mazama americana (13,75%). Não encontramos diferença significativa na frequência de visitas em barreiros naturais quando comparadas com barreiros contaminados com petróleo. Esses resultados fornecem dados relevantes para confirmar que o comportamento geofágico pela fauna não é um fenômeno incomum em barreiros contaminados, mas sim um comportamento generalizado em áreas de extração de petróleo na Amazônia. Este resultado é ainda mais preocupante pois esses compostos podem bioacumular nos tecidos dos animais e alguns podem até biomagnificar através da cadeia alimentar, incluindo no predadores de topo e também nas populações humanas locais.
  • THAÍS KANANDA DA SILVA SOUZA
  • EUNICIDAE BERTHOLD, 1827 (ANNELIDA, ERRANTIA) DA PLATAFORMA CONTINENTAL DO ESTADO DA PARAÍBA, COM ÊNFASE NO GÊNERO LEODICE LAMARCK, 1818
  • Data: 25/02/2022
  • Hora: 09:00
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  • Eunicidae é considerada uma das maiores e mais antigas famílias de Annelida, com 11 gêneros e 425 espécies descritas distribuídas no mundo, sendo registradas para o Brasil sete gêneros e 62 espécies. Em 2014 o gênero Leodice foi revalidado, abrangendo espécies de Eunice que apresentam apêndices prostômiais regularmente articulados, cerdas compostas falcígeras bidentadas ou tridentadas, ganchos subacículares bidentados ou tridentados, parapódios anteriores com acículas mais claras que as de parapódios medianos e posteriores, e presença de um ponto lateral preto presente em parapódios posteriores. Não sendo necessário ter todas as características para ser considerada Leodice, mas, precisando ter a maioria delas. O objetivo foi realizar um estudo taxonômico de Leodice coletados na Plataforma Continental da Paraíba pelo Projeto Algas Marinhas em 1981. As amostras foram coletadas em 93 estações ao longo da plataforma, de 10 a 35 metros de profundidade. Os 722 exemplares de Eunicidae estão depositados na Coleção de Invertebrados Paulo Young (UFPB). A identificação dos espécimes foi feita com base na literatura científica especializada contendo descrições/redescrições da morfologia do grupo (prostômio, aparato maxilar, parapódios, cerdas e apêndices sensoriais). Foram utilizados microscópios estereoscópicos para dissecção e montagem das lâminas e MEV para confirmação da espécie nova. Os indivíduos examinados pertencem a seis gêneros: Eunice, Leodice, Nicidion, Lysidice, Marphysa e Palola. Os três primeiros (289 lotes com 594 indivíduos) foram morfotipados e separados em um total de 29 morfótipos, por apresentarem caracteres semelhantes, sendo, Eunice tem seis morfótipos, Nicidion cinco, e Leodice 18. Obteve-se os seguintes resultados: sete espécies de Leodice foram identificadas, Leodice sp. nov. com 263 espécimes, Leodice calcaricola Bergamo, Carrerette, Zanol & Nogueira, 2018 com 13 espécimes, Leodice cf. marcusi (Zanol, Paiva & Attolini, 2000) com 52 espécimes, Leodice pellucida (Kinberg, 1865) 43 espécimes, Leodice rubra (Grube, 1856) 120 espécimes, Leodice unifrons Verrill, 1900 12 espécimes, Leodice sp. uma espécime. Foram feitas redescrições de Leodice cf. marcusi, Leodice pellucida, Leodice rubra, Leodice unifrons e Leodice calcarícola, além da descrição de uma espécie considerada nova para a ciência. Identificou-se o primeiro registro de Leodice pellucida para América do Sul, primeiro registro de Leodice cf. marcusi para o nordeste e primeiro registro de Leodice rubra e Leodice unifrons para Paraíba.
  • JOSÉ CARLOS PEREIRA DOS SANTOS
  • Repertório bioacústico diurno de Saccopteryx leptura (Mammalia, Chiroptera): a comunicação ultrassónica excluindo ouvidos indesejados
  • Data: 24/02/2022
  • Hora: 15:00
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  • Estudos de Bioacústica em morcegos cresceram bastante nos últimos anos, principalmente no que diz respeito aos pulsos a ecolocalização, forrageio e alimentação. Porém outra área que recebe menos atenção é a bioacústica dos Chamados Sociais desses animais. Trabalhos recentes com chamados sociais demonstram uma complexa e extensa gama de sons pouco conhecidos, relacionados a acasalamento, defesa de território ou alerta. Nós analisamos os pulsos de navegação e os chamados sociais de dois abrigos da espécie Saccopteryx leptura, durante o período diurno. Além dos chamados típicos de navegação e alimentação foram identificados 13 chamados sociais diferentes. Todos caracterizados em uma ficha de catalogação. Analisando a atividade dos chamados ao longo do tempo, identificando os horários das 5 horas, 16 horas e 17 horas, os períodos de maior atividade desses morcegos. Entre os distintos grupos estudados, observou-se diferenças na distribuição temporal dos chamados, além de ausências de alguns chamados entre os abrigos. Concluímos que Saccopteryx leptura possui um repertório diversificado durante o período diurno, com uma distribuição heterogênea entre horários e entre abrigos. O próximo passo será comparar esse repertório com estudos comportamentais, correlacionando cada interação social com cada chamado social.
  • ISADORA MAXIMIANO DE PONTES MORAES
  • TAXONOMIA E PANORAMA DE ARANHAS DO CLADO RTA DO NORDESTE BRASILEIRO
  • Orientador : MARCIO BERNARDINO DA SILVA
  • Data: 21/02/2022
  • Hora: 14:00
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  • Araneae é a segunda ordem mais diversa do mundo com aproximadamente 50.000 espécies descritas e está dividida em duas subordens: Mesothelae e Opisthothelae. A subordem Opisthothelae compreende duas infraordens, Mygalomorphae e Araneomorphae, que possuem 131 famílias. Em 2018, a infraordem Araneomorphae foi dividida em cinco clados. E atualmente a Coleção de Aracnídeos e Miriápodes da UFPB contém 22 das 41 famílias do clado RTA (Retrolateral Tibial Apophysis) que é uma projeção na tíbia do pedipalpo dos machos. Com isso, o presente trabalho tem por objetivo ampliar o conhecimento da araneofauna do Nordeste Brasileiro, abordando acerca da diversidade subestimada das aranhas da Coleção da UFPB e sobre a escassez do conhecimento taxonômico e da literatura. Atualmente a Coleção da UFPB possui 1.741 lotes, em sua maioria do Nordeste Brasileiro, dos quais 661 lotes fazem parte das aranhas do Clado RTA. Objetivou-se identificar essas aranhas buscando descobrir sobre a fauna do Nordeste, principalmente sobre os biomas da Mata Atlântica e Caatinga. E obteve os seguintes resultados preliminares: dos 661 lotes do Clado RTA, 661 (37,97%) foram identificados 153 (23.14%) lotes em nível genérico e 131 (19.81%) lotes foram identificados a nível específico, o que corresponde a 10 famílias. Dentre as espécies identificadas, estima-se que são novos para a ciência: Ctenidae gen. nov. 1 e Ctenidae gen. nov. 2. Bem como apresenta a descrição de quatro novas espécies para Isoctenus Bertkau, 1880, que é um ênero de aranhas de médio a grande porte, proposto com o intuito de incluir a espécie I. foliifer Bertkau, 1880, coletada no Rio de Janeiro. Atualmente contém 16 espécies válidas, e estão distribuídas principalmente nas regiões de Cerrado e Mata Atlântica do Brasil. Isoctenus sp. 1, Isoctenus sp. 2 e Isoctenus sp. 3 da Bahia, Brasil, Isoctenus sp. 4, do Maranhão, Brasil. Além de novos registros da distribuição de I. areia Polotow e Brescovit, 2009, inicialmente conhecida apenas para a cidade de Areia, Paraíba e, agora, para as cidades de Mamanguape, Paraíba e Igarassu, Pernambuco.
  • JAILMA FERREIRA DA SILVA
  • Taxonomia, distribuição e variações intraespecíficas de Ophiuroidea (Echinodermata) em ecossistemas recifais do Atlântico Sudoeste Tropical, Brasil.
  • Data: 21/02/2022
  • Hora: 14:00
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  • A classe Ophiuroidea, conhecida popularmente como serpente-do-mar, compõe o grupo mais recente, diverso e abundante do filo Echinodermata. A classe possui cerca de 2100 espécies descritas, das quais cerca de 153 ocorrem no Brasil. O presente estudo buscou conhecer a fauna de Ophiuroidea associada a diferentes tipos de substratos das formações recifais em águas rasas do litoral da Paraíba. Visando uma melhor organização dos conteúdos abordados, esta dissertação encontra-se subdividida em três capítulos: 1- Ophiuroidea (Echinodermata) dos ecossistemas recifais da Paraíba, Atlântico sudoeste Tropical, Brasil; 2- Padrões de distribuição espaço-temporal de Ophiuroidea (Echinodermata): influência do micro-habitat; 3- Variações intraespecíficas em espécies de Ophiuroidea (Echinodermata) da costa do Nordeste, Brasil. A amostragem foi realizada entre 2019 e 2021, com coletas comparativas entre o período seco e chuvoso, abrangendo sete pontos de coleta ao longo da costa do estado da Paraíba: a Praia da Barra de Mamanguape, a Praia Formosa (areia e recife), a Praia do Bessa, a Praia do Cabo Branco, a Praia de Carapibus e Tambaba. Um total de 428 espécimes foram coletados e classificados em 13 espécies, 2 ordens, 5 famílias e 7 gêneros. O estudo sistemático dos Ophiuroidea foi realizado a partir da análise da morfologia externa, no qual a variação de tamanho dos exemplares foi avaliada através da morfometria tradicional. As maiores variações intraespecíficas observadas foram entre indivíduos jovens e adultos, a morfometria mostrou que as maiores variações de tamanho ocorrem no comprimento dos braços e no diâmetro do disco. Foi testada a normalidade e homocedasticidade dos dados através do teste de Shapiro e Levene. Para avaliar se há diferença estatística da diversidade local foram feitos o teste de Kruskal-Wallis e o teste de Dunn para comparações múltiplas e controlar a taxa de erro experimental. Uma PERMANOVA foi realizada para comparar estatisticamente o efeito das variáveis ambientais nos períodos secos e chuvosos, e para relacionar a matriz ambiental com a biótica foi feita uma RDA. Para avaliar a diversidade observou-se os índices de diversidade. A espécie Amphipholis squamata apresentou ampla distribuição espacial, temporal e maior abundância (63.82%). A comunidade da Praia de Carapibus se destacou em termos de riqueza e abundância de espécies, seguida da Praia de Barra de Mamanguape e a Praia Formosa (Recife), pois configuram locais onde existe uma maior diversidade de micro-habitats disponíveis. A descrição da série de crescimento permitiu identificar características típicas de determinados estágios. Este levantamento faunístico com a identificação das espécies da classe Ophiuroidea para a costa Paraibana foi fundamental para a compreensão da estrutura, dinâmica e diversidade das comunidades de cada localidade amostrada de modo a auxiliar o manejo e conservação das espécies, bem como ampliar o entendimento sobre o Filo Echinodermata
  • INGRID MARIA DENOBILE DA ROCHA
  • Impacto do ruído antrópico na diversidade de aves
  • Data: 15/02/2022
  • Hora: 09:00
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  • A constante expansão humana cria condições acústicas sem precedentes, podendo prejudicar a comunicação acústica das espécies através da sobreposição de sinais, em um processo denominado mascaramento acústico. O mascaramento é especialmente prejudicial para as aves, pois dependem da comunicação acústica para realizar suas interações sociais, como por exemplo, cuidado parental, alerta e percepção de predadores, defesa de território e atração de parceiras. Desta forma, o ruído pode interferir com o sucesso reprodutivo e sobrevivência das espécies. Enquanto o ruído antrópico se torna onipresente, ele pode estar mudando a composição de espécies das comunidades naturais, filtrando aquelas que usam as mesmas frequências. Verificamos se as espécies potencialmente mais afetadas pelo ruído possuem características semelhantes, em termos de uso de frequência, massa corporal e tamanho de território. Avaliamos se o ruído de mineração influencia a composição das espécies de acordo com as características espectrais de seus cantos, bem como se afeta a diversidade taxonômica e filogenética das aves da Floresta Nacional de Carajás, Pará. Foi monitorado a diversidade de aves e o ruído em cinco áreas, de 2015 a 2019, sendo três sob a influência do ruído de mineração e duas sem ruído. Cada área possuí cinco transectos de monitoramento de avifauna e cada transecto possui cinco pontos de monitoramento de ruído. Nossos resultados indicam que as espécies potencialmente mais afetadas são aquelas grandes, que usam frequências graves e que requerem comunicação a longa distância, seja por motivos de tamanho de território ou dinâmica espacial de bando. As áreas permeadas pelo ruído são compostas de espécies que utilizam frequências mais agudas, o que pode indicar que o ruído está agindo como um filtro ambiental, selecionando as espécies de acordo com as características espectrais de seus cantos. O ruído teve um efeito negativo sobre a diversidade taxonômica e filogenética, mas positivo na diversidade filogenética média por espécie. A vegetação também influenciou a diversidade, influenciando especialmente a riqueza de espécies. Os resultados mostram que o ruído de mineração pode atuar como uma força seletiva influenciando a diversidade de aves. O ruído é uma fonte invisível de degradação do habitat que pode ter implicações na montagem de comunidades e funcionamento do ecossistema.
  • DANIELA CORREIA GRANGEIRO
  • SISTEMÁTICA DE PROSEKIINI LEISTIKOW, 2001 (ISOPODA: ONISCIDEA: “PHILOSCIIDAE”)
  • Data: 02/02/2022
  • Hora: 14:00
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  • A Ordem Isopoda Latreille, 1817 é uma das maiores ordens de crustáceos, sendo a maioria das 5.000 espécies habitantes de ambientes marinhos. Oniscidea é a maior subordem de Isopoda com 39 famílias, 559 gêneros e cerca de 4 mil espécies distribuídas no mundo, sendo 170 para o Brasil. Philosciidae é a segunda família com maior número de espécies. Dos 115 gêneros pertencentes à Philosciidae somente sete estão incluídos no táxon Prosekiini Leistikow, 2001: Andenoniscus Verhoeff, 1941, Xiphoniscus Vandel, 1968, Erophiloscia Vandel, 1972, Androdeloscia Leistikow, 1999, Prosekia Leistikow, 2000 e Metaprosekia Leistikow, 2000 compartilhando as sinapomorfias: antênula com estetascos medial reunidos em um tufo, direcionados mais ou menos mediodistalmente, não aderidos ao terceiro artículo e uma dobra transversal entre os tufos medial e distal. O maior deles, Androdeloscia, possui 29 espécies e tem um monofiletismo pouco suportado. O objetivo deste trabalho foi apresentar uma hipótese de relacionamento filogenético para Prosekiini, com base em dados morfológicos, bem como, testar o monofiletismo da tribo e dos gêneros, verificar o relacionamento filogenético entre gêneros e estabelecer táxons baseados na topologia final. Com o crescimento do grupo, a necessidade de posicionar Alboscia, e como faz 20 anos desde a última revisão filogenética, torna-se necessário uma nova avaliação da filogenia do grupo. Os espécimes das análises foram obtidos por empréstimos às coleções. A maioria dos caracteres foi retirada da literatura, e através das pranchas pictóricas, a fim de extrair os mais informativos. As matrizes foram construídas no Mesquite: Prosekiini com 36 caracteres, quatro multiestados e 32 binários, com 30 terminais; Androdeloscia com 27 caracteres, um multiestado e 31 binários, com 32 terminais. As análises foram executadas no TNT (busca tradicional, consenso estrito e de maioria e bootstrap) e Winclada (associado ao WinNONA para número de passos, L; Índice de Consistência, IC; Índice de Retenção, IR). Os resultados foram organizados em três capítulos: o 1º apresenta a filogenia de Prosekiini, o 2º a filogenia e taxonomia em Androdeloscia e o 3º a descrição de três espécies de Androdeloscia. Como resultado da busca tradicional no TNT: em Prosekiini obteve-se uma árvore com L (57), IC (68) e IR (90); seis clados foram considerados robustos pelos índices bootstrap: Prosekiini (99), Alboscia (99), Xiphoniscus (66), Andenoniscus (92), Erophiloscia (73) e Lobolateralina táxon novo (51); Alboscia e Leonardoscia passaram a compor a tribo e Metaprosekia não é monofilético; em Androdeloscia obteve-se 13 árvores e o consenso tem L (103), IC (27) e IR (58); o gênero não é bem suportado pelos índices bootstrap (2) e na taxonomia duas das 11 espécies registradas para Amazônia brasileira foram redescritas e foi elaborada uma chave para as mesmas (Cap. 2). O capítulo 3, já publicado, apresenta a descrição de Androdeloscia bicornuata, Androdeloscia paraleilae e Androdeloscia micropunctata.
  • REZA YADOLLAHVANDMIANDOAB
  • ESTUDOS MORFOLÓGICOS E FILGENÉTICOS DO GÊNERO POBRE CONHECIDO SPALEROSOPHIS JAN, 1865, (SERPENTES: COLUBRIDAE) NAS SUAS ZONAS DE DISTRIBUIÇÃO
  • Data: 02/02/2022
  • Hora: 13:00
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  • Spalerosophis Jan, 1865, é um gênero de cobra colubrida, que se distribui em regiões áridas e semi-áridas do noroeste da África ao norte da Índia. Até agora, e principalmente com base na morfologia tradicional, seis espécies de Spalerosophis são reconhecidas.Neste projeto, usamos três métodos diferentes, incluindo morfologia tradicional, análise morfométrica geométrica eanálises filogenéticas moleculares estudar as características morfológicas e filogenéticas do gênero Spalerosophis por dois objetivos: 1) Comparar a capacidade, poder e utilidade desses três métodos em estudos sistemáticos de cobras, 2) Estudar e conhecimento abrangente deste gênero e criar uma classificação correta e confiável para este gênero pela primeira vez. Primeiramente, fizemos uma revisão sobre as características morfológicas do gênero Spalerosophis com o máximo de exemplares que pudemos ter acesso e pudemos determinar as características morfológicas de diferentes espécies e populações do gênero Spalerosophis. Em seguida, a morfometria geométrica baseada em marcos foi aplicada, para identificar os caracteres morfológicos das três populações mais duvidosas do gênero Spalerosophis, incluindo Sd cliffordii, S. d. schirasianus e S. atriceps.A análise de variável canônica (CVA) mostrou diferenças significativas entre a forma da cabeça de todas as três populações e as separou em três espécies diferentes. Finalmente, usamos análises filogenéticas moleculares para este gênero usando três genes mitocondriais (12S rRNA, 16S rRNA e cyt b) para investigar as relações filogenéticas de espécies conhecidas e populações duvidosas de Spalerosophis. Como esperávamos, fomos capazes de determinar as relações evolutivas e o status sistemático das diferentes espécies deste gênero. Usamos calibrações de fósseis para datar divergências de cobras.Utilizando esses três métodos, fizemos uma comparação entre eles em estudos sistemáticos de cobras e também mostramos as características morfológicas, a posição sistemática e as relações evolutivas de espécies do gênero Spalerosophis. No entanto, estudos com mais amostras incluindo todas as sete espécies de todas as áreas de distribuição deste gênero podem fornecer um conhecimento melhor e mais completo deste gênero. Devido à ampla distribuição deste gênero, pode haver populações e espécies deste gênero que ainda não foram identificadas
  • JOÃO PAULO DE LIMA SILVA
  • DISTRIBUIÇÃO SAZONAL E INTERANUAL DE HIDRÓIDES (CNIDARIA, HYDROZOA) EPIFÍTICOS EM GRAMAS MARINHAS DO ATLÂNTICO SUDOESTE TROPICAL (~6°S)
  • Data: 31/01/2022
  • Hora: 14:00
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  • Hidróides são importantes componentes da epifauna séssil dos ecossistemas de gramas marinhas, onde participam do acoplamento bento-pelágico, além de servir como bioindicadores de impactos antropogênicos. Apesar disso, pouca atenção tem sido dada a estrutura e dinâmica sazonal e interanual dessas taxocenoses, especialmente em áreas tropicais. Neste sentido, a composição, ocorrência e abundância de hidróides em bancos do capim agulha Halodule wrightii de praia do nordeste do Brasil foram investigadas mensalmente entre março de 2016 a fevereiro de 2019. Dentre as 23.560 folhas coletadas e analisadas, 5.301 (22,5%) estavam epifitadas por hidróides, sendo identificadas sete espécies e contado um total de 164.620 pólipos. Durante o estudo, as médias mensais para densidade de pólipos e percentual de folhas epifitadas nos bancos variaram entre 0,7±0,6 e 3659 ± 2215 pólipos/100 cm2 e 0,1 ± 0,3 e 78,4 ± 7,9%, respectivamente. Diferenças sazonais e interanuais foram observadas para estes parâmetros, com maiores valores médios durante estação chuvosa (março-agosto) nos três anos, quando também foi observado um maior número de espécies e esforço reprodutivo. Orthopyxis sp. (possivelmente uma espécie não descrita) e Tridentata marginata foram as espécies dominantes nos bancos e principais responsáveis pelos padrões observados. Os resultados encontrados aqui corroboram com os poucos dados existentes sobre hidróides tropicais, sugerindo uma maior riqueza, abundância e esforço reprodutivo durante os meses chuvosos, quando há maior disponibilidade de alimento na costa. Por sua vez, o declínio das populações durante a estação seca (setembro-fevereiro) na área estudada está possivelmente relacionado a menor disponibilidade de alimento e aumento da frequência de algas, as quais podem competir diretamente por espaço com os hidróides. O presente trabalho forneceu informações importantes e previamente inexistentes sobre a dinâmica temporal de hidróides no Atlântico sudoeste tropical, além de chamar atenção pra uma possível espécie de Orthopyxis ainda não descrita para a ciência.
  • FÁBIO LUCAS DE OLIVEIRA BARROS
  • ESTUDO TAXONÔMICO DOS GÊNEROS TESCHELLINGIA E PSEUDOLELLA (NEMATODA) EM ESTUÁRIOS TROPICAIS NO BRASIL (7°S)
  • Data: 28/01/2022
  • Hora: 09:00
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  • Os nematoides são abundantes e diversificados em todos os ecossistemas da terra. O conhecimento sobre a diversidade de espécies desses organismos ainda é escasso. Tamanho diminuto, variações morfológicas, identificações das espécies majoritariamente baseadas em indivíduos machos e alta representatividade de indivíduos jovens no ambiente são dificuldades para o conhecimento mais amplo na taxononomia de Nematoda. O presente estudo teve como objetivo analisar a taxonomia dos gêneros Terschellingia e Pseudolella, abundantes em estuários tropicais, usando caracteres morfológicos e morfométricos. As amostras foram coletadas no ano de 2016 em dois estuários da Paraíba – NE, Brasil (7°S). Os nematoides foram submetidos à diafanização e confeccionadas lâminas permanentes e medidos os espécimes com curvímetro em microscópio óptico com tubo de desenho. Foram utilizadas análises de regressão lineares para avaliar as relações entre as variações das características morfométricas, entre estágios ontogenéticos juvenil, macho e fêmea com a variação do comprimento total do corpo. ANCOVA foi utilizada para testar diferenças entre os estágios ontogenéticos nas relações morfométricas. Um total de 194 espécimes dos gêneros Terchellingia e Pseudolella foram analisados, no qual 102 indivíduos são do gênero Terschellingia, todas identificadas como Terschellingia longicaudata e 92 do gênero Pseudolella, propostas aqui como duas espécies novas, sendo 86 indivíduos identificados como Pseudolella sp. nov. 1 e seis indivíduos como Pseudolella sp. nov. 2. Em Terschellingia longicaudata, as características diagnósticas são baseadas em dados morfológicos e morfométricos. Em Pseudolella, proporções são necessárias para um bom diagnóstico, diminuindo a variação morfométrica. Ambos os gêneros tiveram grande variação morfométrica. Essas variações, na maioria dos casos, foram relacionadas com a variação do comprimento total do corpo. No entanto, entre estágios ontogenéticos, características diagnósticas não diferem significativamente as variações. As análises morfométricas permitem avaliar a variação das principais características diagnósticas, tornando-se uma boa ferramenta para discutir as características de gêneros problemáticos do filo Nematoda. A ocorrência de características morfométricas, sem diferenças significativas na variação em estágio juvenil, fêmea e macho, aliados a dados morfológicos, permitem a identificação de espécies dos gêneros Terschellingia e Pseudolella, independente do estágio ontogenético.
  • JONAS DE ANDRADE SANTOS
  • Revisão do complexo Ophioscion punctatissimus Meek & Hildebrand, 1925 (Actinopterygii: Sciaenidae)
  • Data: 27/01/2022
  • Hora: 14:00
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  • Sciaenidae é uma das famílias de peixes com maior riqueza no ambiente marinho tropical. Suas espécies são conhecidas pela capacidade de produção de som e outras especializações morfológicas ligadas ao sistema sensorial, como os otólitos (i.e., estrutura inerte do ouvido interno) relativamente grandes e variações morfológicas na bexiga natatória. A subfamília Stelliferinae é composta por espécies de pequeno a médio porte, que ocupam principalmente áreas costeiras como estuários, praias e bancos camaroeiros associados a fundo areno-lamoso. Em Stelliferinae, a baixa disparidade fenotípica levou às incertezas taxonômicas, como nos limites dos gêneros e posição taxonômica de algumas espécies. Os gêneros Stellifer e Ophioscion são reconhecidos como não monofiléticos – aqui reconhecemos que Ophioscion Gill, 1863 é sinônimo júnior de Stellifer Oken, 1817. O gênero passa então a ser distinguido dos demais pela contagem de vértebras (10 + 15) e pelo par de lapillus aproximadamente do mesmo tamanho do sagitta (oval). O complexo Stellifer punctatissimus é um dos exemplos de incerteza dentro da subfamília. Parece ser formado por três espécies, hipótese não confirmada por dados moleculares, que sugerem apenas duas linhagens evolutivas nesse complexo. Assim, foi testada a hipótese morfológica de três espécies, através da morfometria linear e geométrica no formato do corpo, além de abordagens como índices de forma, Fourier e morfometria geométrica no formato e contorno dos otólitos. Foi encontrado um padrão de sobreposição no morfoespaço, com uma leve distinção entre S. punctatissimus e as demais espécies. As taxas de crescimento de algumas estruturas (e.g., diâmetro do olho, largura interorbital) mostraram padrões alométricos distintos entre as espécies. Esses padrões parecem indicar um diferente uso do hábitat entre os membros do complexo. O mesmo foi visto para o otólito, com diferentes padrões de crescimento em um dos índices de forma (i.e., retangularidade). A análise do contorno do otólito (Fourier, Wavelet) indicou que as espécies são grupos distintos (ANOVA, F= 4.75, p < 0.001) e bastante segregados, com mais de 94% de reclassificação desses grupos, utilizando a LDA. A morfometria geométrica (GMM) também recuperou distinções na forma do sulcus acusticus. A descrição morfológica dos otólitos mostrou leves distinções entre as espécies, as quais também podem ser comparadas com espécies irmãs presentes apenas no Oceano Pacífico, além de espécies em registros fósseis. Apesar da baixa acurácia dos índices de forma em análises de espécies crípticas, e do poder estatístico reduzido na GMM, com a junção de resultados, foi possível confirmar a hipótese morfológica de três espécies no complexo, e a alta similaridade como provavelmente o resultado de um processo de especiação ecológica recente. Isso enfatiza a necessidade de estudos taxonômicos que levem ao esclarecimento das diferenças entre espécies crípticas, uma vez que leves distinções morfológicas (no formato do corpo e otólito) podem ser um sinal de diferente uso de hábitat, o que, por sua vez, pode sugerir que essas espécies estejam sob um nível de ameaça particular.
  • MANUELLA FEITOSA LEAL
  • Moluscos límnicos do semiárido piauiense: conhecimentos atuais, estrutura e dinâmica das comunidades de dois rios intermitentes
  • Data: 21/01/2022
  • Hora: 09:00
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  • Os ecossistemas de água doce do semiárido reúnem uma diversidade de grupos biológicos pouco explorados, entre eles os moluscos, que compõem um grupo de grande importância por desempenhar vários papéis nas teias tróficas desses ambientes. Considerando a lacuna de informações sobre moluscos límnicos do Nordeste e do semiárido brasileiro, principalmente para o Piauí, o objetivo desse trabalho foi descrever a composição das comunidades de moluscos de dois rios do referido estado e compreender quais fatores contribuem para a determinação de suas estruturas e dinâmicas. Os moluscos foram coletados mensalmente entre outubro/2017 e setembro/2019, no Rio Itaim, Itainópolis, e Rio Guaribas, Picos, Piauí. Os dados da distribuição de moluscos límnicos no Nordeste e semiárido brasileiro foram acessados por meio de revisão sistemática e registros em coleção biológica. Análises de ordenação foram usadas para testar a influência das variáveis na estrutura e dinâmica das comunidades. Com os resultados obtidos foi possível construir uma lista de espécies atualizada com a distribuição dos moluscos límnicos registrados para o Nordeste e semiárido brasileiro, além de incluir cinco novos registros com as coletas realizadas nos rios amostrados, sendo uma de espécie exótica invasora de importância econômica e ecológica. Os dados para a composição da comunidade de moluscos apontam diferenças entre as estações (seca/chuvosa), rios e anos de amostragem com a influência, principalmente, do substrato e quantidade de plantas aquáticas. Os resultados reforçam a importância do monitoramento sistemático de rios do semiárido para o conhecimento da diversidade e distribuição espaço/temporal dos moluscos.
2021
Descrição
  • BRUNA MARINHO ALVES
  • Composição e distribuição espacial de foraminíferos bentônicos de dois estuários da Paraíba
  • Data: 20/12/2021
  • Hora: 09:00
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  • Estuários são ambientes de transição localizados na fronteira entre águas continentais e marinhas. Por estarem sob a influência desses dois tipos de água, esses ecótonos são caracterizados por fortes gradientes ambientais e alta variabilidade de parâmetros físico-químicos. Devido a sua proximidade do oceano, esses ambientes se tornam ideais para a prática de diversas atividades, o que aumenta a gama de estressores. Os foraminíferos são eucariontes unicelulares, que devido a uma série de características são considerados bons bioindicadores. A composição e a distribuição dos foraminíferos bentônicos de dois estuários da Paraíba foram analisadas no presente estudo. Também foram coletados os dados abióticos, como a salinidade, temperatura, pH, oxigênio dissolvido, sólidos dissolvidos e granulometria. Foram observadas 50 espécies no estuário do rio Mamanguape e 60 espécies no estuário do rio Paraíba, com dominância de espécies calcárias, seguida por espécies porcelanáceas e aglutinantes. Esse padrão provavelmente seja reflexo da pouca variação da salinidade e a constância do pH nos três setores de ambos os estuários. As espécies que mais contribuíram para a estruturação da comunidade do estuário do rio Mamanguape foram Ammonia parkinsoniana, Cribroelphidium excavatum, Ammonia tepida e Haynesina germanica, que são espécies típicas de ambientes estuarinos, suportando alterações de salinidade. No estuário do rio Paraíba as espécies que mais contribuíram foram A. tepida, A. parkinsoniana, A. gibbosa, E. repandus, C. excavatum e Q. lamarckiana, que além de espécies típicas de estuários, foram observadas espécies que são típicas de ambientes marinho. Ammonia tepida é uma espécie tolerante a estresse e poluição ambiental, e foi observada uma maior abundância dessa espécie no estuário do rio Paraíba, o que pode indicar que esse estuário é mais impactado que o estuário do rio Mamanguape, onde foi observado maior abundância de uma espécie típica de ambientes prístinos.
  • FRANCISCO JAVIER CHAIN VILLAR
  • EFEITOS DA ANTROPIZAÇÃO NO FENÓTIPO DE DIDELPHIS ALBIVENTRIS LUND, 1840 NA REGIÃO METROPOLITANA DE JOÃO PESSOA
  • Orientador : PEDRO CORDEIRO ESTRELA DE ANDRADE PINTO
  • Data: 30/11/2021
  • Hora: 14:00
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  • Em vários estudos, diversas diferenças foram mostradas no fenótipo das populações animais que vivem em ambientes urbanos em relação àquelas que vivem em áreas naturais fora das cidades. Essas diferenças foram observadas em características tão diferentes quanto morfológicas, fisiológicas ou comportamentais. Sendo assim, o objetivo principal deste estudo foi caracterizar os efeitos da urbanização, no nível morfológico, sobre populações de gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris). Na primeira parte da pesquisa, crânios de Didelphis albiventris de áreas urbanas e preservadas, imersos em matriz agrícola, ao redor e próximo à cidade de João Pessoa (Brasil) foram digitalizados e comparados usando técnicas morfométricas geométricas 3D para determinar possíveis diferenças na assimetria direcional e / ou flutuante entre as populações de ambos os tipos de áreas. Os resultados da análise morfométrica mostraram uma presença significativa de assimetria direcional, bem como a ausência de assimetria flutuante, em indivíduos urbanos/periurbanos em relação aos indivíduos de áreas preservadas. Esses resultados sugerem que existe um processo adaptativo nas populações estudadas, relacionado às áreas do crânio que concentram a assimetria. Por outro lado, não detectamos nenhum tipo de instabilidade de desenvolvimento significativamente maior em indivíduos urbanos, contrariando a ideia de que o ambiente urbano/periurbano pode gerar instabilidade de desenvolvimento detectável por meio de assimetria flutuante. Na segunda parte da pesquisa, conjuntos de dados morfométricos obtidos de várias centenas de indivíduos de Didelphis albiventris capturados em áreas urbanas e preservadas da cidade de João Pessoa (Paraíba, Brasil) foram catalogados e analisados. Um índice de condição corporal foi calculado para cada espécime e comparado entre os animais urbanos e rurais. Os resultados mostram índices de condição corporal significativamente menores em espécimes oriundos de áreas urbanas, em comparação com espécimes capturados em áreas preservadas do estado da Paraíba, de Pernambuco e do Rio Grande do Norte. Conclui-se que o processo de urbanização tem um efeito mensurável nos indivíduos de áreas urbanas.
  • EMMANUEL MESSIAS VILAR GONÇALVES DA SILVA
  • Eco-epidemiologia da raiva em morcegos urbanos da Paraíba e Pernambuco, Brasil
  • Orientador : PEDRO CORDEIRO ESTRELA DE ANDRADE PINTO
  • Data: 27/10/2021
  • Hora: 08:00
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  • A destruição dos abrigos naturais de morcegos pode acarretar o deslocamento dos animais para áreas urbanas, onde ocupam edificações como abrigos alternativos. Os efeitos da urbanização sobre as comunidades de morcegos não tem consequências somente na sua diversidade biológica, mas afetam também as interações ecológicas dos morcegos nos ecossistemas e com seus parasitos e patógenos como no caso do vírus da raiva. Consequentemente, pode alterar o ciclo de transmissão deste vírus. Apesar do crescente número de pesquisas realizadas em cidades, os aspectos ecológicos e taxonômicos são pouco sistematizados no Brasil, além de serem espacialmente agrupadas, principalmente nas regiões Sudeste e Sul do país. Nesse sentido, avaliar a estruturação das comunidades de morcegos e a detectabilidade de parasitos e patógenos em matrizes urbanas é essencial para o entendimento da influência da diversidade de espécies, e da estrutura da paisagem urbana (abrigos e recursos alimentares) sobre esta zoonose. Em vista disso, esse trabalho teve como objetivo geral: caracterizar a estrutura das comunidades de morcegos em João Pessoa e Recife, buscando características ecológicas que possam aumentar a efetividade da vigilância epidemiológica da raiva e avaliar a infecção por Lyssavirus na quiropterofauna urbana. Adotamos os setores censitários, censo demográfico brasileiro de 2010, como unidades amostrais. Utilizamos cinco variáveis ambientais coletadas para cada setor do banco de dados do IBGE, para testar existência de determinantes da estrutura da urbanização na diversidade, e detectabilidade do vírus da raiva nas comunidades de morcegos. Coletamos morcegos em 18 pontos de cada cidade. Coletamos amostras de cérebro e soro pra o diagnóstico rábico e inquérito sorológico respectivamente. Comparamos a diversidade das áreas urbanas com áreas silvestres dentro e fora das cidades e para isso, analisamos a dissimilaridade entre a área urbana, fragmentos florestais urbanos e fragmentos menos perturbados. A relação da diversidade de morcegos com as variáveis ambientais urbanas (de cada setor censitário) foi analisada por meio de análises de Modelos Aditivos Generalizados (GAMs). A relação da detectabilidade viral com as variáveis urbanas foram analisadas a partir de regressões logísticas. Capturamos 273 morcegos em João Pessoa (esforço de 243.200 hm2) distribuídos em 15 espécies, e 208 capturas em Recife (esforço de 217.350 hm2), resultando em 17 espécies. As análises de beta diversidade mostraram uma baixa dissimilaridade entre a composição de Recife e João Pessoa, bem como, quando analisada entre a área urbana e as áreas silvestres associadas a cada município. Não houve modelos significativos quanto a relação da diversidade de morcegos com as variáveis urbanísticas de João Pessoa. Em Recife apenas o modelo que relaciona positivamente a diversidade com a proporção de domicílio do tipo casa, foi significativo (p = 0,03), explicando 37,6% da variância. Quanto a detectabilidade viral e soroprevalência em João Pessoa, analisamos 206 amostras de cérebro por imunofluorescência e PCR (três foram positivas: Myotis lavali, Molossus molossus e Glossophaga soricina) e 99 amostras de soro (59,5% foram reagentes com ponto de corte ≥ 0,1 UI/ml). Em Recife, analisamos 128 amostras de cérebro (uma foi positiva: Desmodus rotundus) e 63 amostras de soro (76,1% foram reagentes). A relação entre detectabilidade viral e as variáveis urbanísticas não foram significativas para nenhum modelo analisado em ambas as cidades. Já para infecção não letal (sorologia), não houve modelos significativos para Recife, contudo, em João Pessoa o aumento da unidade dos valores de RPD, DTA, PI e PDA foi associado a diminuição da probabilidade de se detectar um morcego que tenha desenvolvido uma infecção não letal. Já o aumento da unidade de DTH está associada ao aumento das chances de se detectar um morcego com sinais de infecção não letal. Para garantir um retorno para o serviço público de saúde, formações continuadas sobre morcegos urbanos e raiva foram realizadas para cerca de 700 profissionais, majoritariamente em Recife. Elaboramos um material didático que foi utilizado durante as palestras. A partir das lacunas de conhecimentos detectadas nas formações o material foi aprimorado para formações futuras e para consulta dos profissionais, e segue como terceiro capítulo deste trabalho. Diante do exposto concluímos que: mesmo com baixa dissimilaridade entre áreas silvestres (fragmentos florestais urbanos) e a matriz urbana, ambos os ambientes mantêm comunidades separadas com algumas espécies permeando as duas matrizes; a urbanização age como um filtro ambiental na composição e diversidade de morcegos, bem como, tem um potencial de aumentar ou diminuir as chances de detectabilidade de morcegos infectados com o vírus da raiva ou que tenham sido expostos a infecções não letais; encontramos uma detectabilidade do vírus da raiva nas áreas estudas dentro do esperado e uma elevada soroprevalência nas duas cidades, acima de 50%
  • RUTH AMANDA ESTUPINAN TRISTANCHO
  • Análise integrativa da expressão gênica, canto de anúncio e disco oral das larvas, para o esclarecimento de Boana Gray, 1825– Hylidae
  • Data: 28/09/2021
  • Hora: 14:00
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  • O género Boana Gray, 1825 constitui um importante componente da fauna anura neotropical, que abrange ampla diversidade fenotípica. Mesmo com hipóteses filogenéticas recentes, baseadas em dados moleculares, ainda apresenta instabilidade na identidade de algumas de suas espécies. A identificação de genes que sejam congruentes na sua expressão com fenótipos específicos e que constituam fontes de dados para a construção da filogenia de Boana é fundamental. Este estudo avalia o potencial filogenético do gene nuclear β-fibint7 para o gênero, e compara o seu sinal com o dos genes CXCR4, RAG-1, RHO, SIAH1, TYR e 28S, frequentemente utilizados na filogenia de Boana. Numa abordagem integrativa, se incluem quatro genes mitocondriais e três nucleares, com 10 novas sequencias de 16S e Cyt b, para 90 espécies, e se avalia a robustez e a congruência desta hipótese com as propostas por outros autores. Com base na congruência achada entre as filogenias, foi feita a sua integração com arranjos obtidos dos cantos de anúncio (90 espécies), e das características do disco oral (segundo Gosner, 1960; estágios larvais 35-37) para 65 espécies, por ordenação multivariada. Dos marcadores testados, β-fibint7 apresentou a maior porcentagem de sítios informativos para a filogenia, seguido por Tyr e CXCR4; confirmando a robustez do primeiro para elucidar a filogenia de Boana. Da integração dos genes mitocôndrias e nucleares, obteve-se uma filogenia para o gênero, com um suporte de Jackknife de 64%, que junto com as baixas porcentagens obtidas para os grupos de espécies indicam pobre suporte. Já, os clados tendem a ter alto suporte (até 100%). Foi corroborada a validação de B. bandeirantes, B. beckeri e B. latistriata, do clado polytaenia, e o resultado foi concordante com a inclusão de B. secedens, B. wavrini e B. pombali em B. gr. semilineata e B. hobbsi em B. gr. benitezi. Através dos cantos de anúncio analisados, foram evidenciados, mesmo com congruência parcial, entre os arranjos de linhagens com os clados definidos através da nova filogenia. Algumas incongruências achadas podem estar relacionadas com uma alta taxa de diversificação para seleção sexual e/ou reconhecimento entre os táxons de um grupo. A convergência acústica entre táxons de diferentes grupos naturais, pode ser uma novidade, a ser esclarecida por comparação detalhada de sua acústica. Boana gr. pulchella que foi o mais diverso, com 37 espécies, evidenciou alta variabilidade nos parâmetros acústicos, ocasionada pelo clado basal polytaenia - B. beckeri, B. bandeirantes, B. polytaenia e B. latistriata que pode estar associado com um maior grau de novidades evolutivas na sua estrutura acústica quando comparado com outras linhagens do grupo. Também, numa abordagem social de comparação para o clado, seria útil avaliar a variação acústica populacional de B. palaestes com a de suas linhagens irmãs, do flanco oriental dos andes peruanos e bolivianos. A análise dos caracteres do disco oral das larvas de Boana evidenciou um conhecimento limitado para os 98 táxons reconhecidos, com 35 espécies sem descrição de suas larvas e com ausência de dados para os diferentes estágios de 18 espécies. A incongruência encontrada entre os arranjos formados com base nos caracteres do disco oral, com as filogenias propostas para Boana, e sua ampla variação dentro e entre os grupos taxonômicos, indica que mais que uma resposta ligada aos grupos naturais, pode se tratar de convergências em resposta às variações ambientais, na ampla distribuição geográfica do gênero. Assim, para esclarecer a identidade das larvas e avaliar seu uso potencial em inferências na filogenia de Boana, tornam-se necessários estudos futuros da morfologia ontogenética, metamórfica ao nível populacional e na variação geografia, mesmo para as espécies com larvas já descritas.
  • LEOMYR SÂNGELO ALVES DA SILVA
  • Comportamento de Forrageio e Dieta de Calidris pusilla Durante Diferentes Demandas Fisiológicas do Ciclo Migratório
  • Data: 31/08/2021
  • Hora: 14:00
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  • Todos os anos milhares de aves neárticas realização grandes migrações entre seus sítios de reprodução, ao norte do Trópico de Câncer, até áreas de invernada, em regiões tropicais e subtropicais. Calidris pusilla, uma dessas aves, frequenta principalmente a América do Sul durante sua invernada, utilizando na costa Nordeste do Brasil, regiões marítimas e estuarinas. Nesses locais elas precisam de energia necessária para atender a alta demanda fisiológica do seu ciclo migratório, como troca de plumagem e aumento de massa. Dessa forma, Calidris pusilla apresenta flexibilidade nos mecanismos de forrageios para se preparar contra mudanças de habitats, que podem causar imprevisibilidade de presas. Nesse estudo, testamos a hipótese que: as fases que compreendem o ciclo migratório de Calidris pusilla na América do Sul, apresentam variações fisiológicas em relação a sua demanda energética, que, consequentemente, influenciam as estratégias de forrageio. Esperamos que as estratégias de forrageio e dieta estejam associadas à demanda energética da ave (troca de plumagem, muda de penas de vôo e contorno), bem como com à disponibilidade de presas no ambiente. O estudo foi conduzido na Ilha da Restinga-PB, ilha fluvial situada no estuário Rio Paraíba, Nordeste do Brasil. A Ilha apresenta uma área de aproximadamente 580 ha, composta principalmente por vegetação de restinga, lagoas e áreas de mangue, a qual os indivíduos de Calidris pusilla utilizam para forragear e trocar as suas plumagens. Os resultados dessa pesquisa estão de acordo com a hipótese inicialmente proposta. Encontramos que as fases que compreendem o ciclo migratório de Calidris pusilla apresentam variações fisiológicas em relação a sua demanda energética, além disso, Calidris pusilla variou o investimento de forrageio para atender as suas demandas fisiológicas, assim como para se prevenir contra imprevisibilidade de presas
  • PAULO HENRIQUE IZIDRO DE BRITO
  • Macroparasitos de quelônios terrestres e dulcícolas da Região Neotropical, com ênfase em parasitos do Cágado-de-barbicha – Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812) (Testudines: Chelidae) no sertão da Paraíba, Brasil
  • Data: 31/08/2021
  • Hora: 14:00
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  • Os parasitos são considerados elementos essenciais nos ecossistemas aquáticos, participando do fluxo de energia e agindo como controladores de populações, contribuindo para a cadeia alimentar e atuando como engenheiros de ecossistemas. A fauna parasitária dos répteis é considerada escassa e, comparada com outros vertebrados, sua diversidade é considerada pobre, principalmente relacionados aos quelônios dulcícolas. A região neotropical está inserida na maior parte da América Latina, considerava rica em espécies de répteis e nela estão presentes oito famílias de quelônios terrestres e dulcícolas. P. geoffroanus é um cágado de médio porte com uma extensa distribuição na América do Sul e apresentam um alto potencial como hospedeiros intermediários para inúmeras parasitoses, devido a sua dieta que inclui uma grande diversidade de presas. Os objetivos do presente estudo foram: (1) relatar as espécies encontradas em Phrynops geoffroanus em rios poluídos no sertão da Paraíba, Brasil, listando todos os parasitos já relatados para a espécie na literatura; (2) providenciar um checklist das espécies de nematódeos dos quelônios terrestres e dulcícolas na Região Neotropical, relatando também as espécies que não estão inseridas na mesma da América Latina. A pesquisa foi realizada em rios antropizados nas cidades de Conceição e Patos, no sertão paraibano, Brasil. Foram estudadas duas populações de P. geoffroanus nos meses de novembro e dezembro de 2019 e dezembro de 2020, totalizando 17 espécimes capturados. Apesar de sua grande distribuição, P. geoffroanus apresenta estudos concentrados no Brasil, com total de 16 publicações relacionadas aos seus parasitos. É hospedeiro de uma grande variedade de espécies de diversos grupos, sendo Digenea o que apresentou mais gêneros e espécies registradas, acompanhado por Nematoda igualmente com o número de gêneros, mas inferior em espécies, seguidos de Hirudinea. Foi registrado duas ocorrências de endoparasitos para a espécie: família Camallanidae no intestino delgado e grosso (n=384), Camallanus sp. e família Gnathostomatidae no estômago, (n=48), Spiroxys contortus, com um total de 432 endoparasitos coletados, sendo o primeiro o que apresentou maior prevalência e abundância e o segundo uma nova ocorrência para espécie hospedeira. Também foi encontrado um ectoparasito da família Glossiphoniidae (Hirudinea) fixado na região dos membros posteriores do quelônio. O presente estudo registrou a ocorrência de 10 superfamílias, 17 famílias, 38 gêneros e 65 espécies de nematódeos em nove unidades biogeográficas, incluindo zonas de transição, na região Neotropical entre e em 12 localidades da América latina, no período de 1839 a 2021 em 86 publicações, sendo o Brasil com maior número de espécies, gêneros e publicações, seguido do Mexico e Peru e a biorregião Boreal Brazilian dominion com maior número de espécies. No total, 42 espécies e 18 gêneros de quelônios foram registrados sendo parasitados (destas 40 espécies e 17 gêneros na região neotropical) e Chelonoidis denticulatus, da família Testudinidae, foi o hospedeiro mais parasitado. As análises de agrupamento demostram que grande parte das espécies de nematódeos e seus hospedeiros possuem especificidade geográfica, estando presentes apenas em determinadas biorregiões na Região Neotropical e a maioria das espécies de nematódeos utilizam os intestinos e estômagos como sítio de infecção.
  • THIELE DA SILVA CARVALHO
  • Sobrevivência e potencial reprodutivo de bicudos previamente alimentados com fontes alimentares alternativas
  • Data: 31/08/2021
  • Hora: 14:00
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  • O bicudo é reconhecido como um dos insetos-pragas de maior destaque da cultura do algodão, responsável por grandes prejuízos na América do Sul, com destaque para o Brasil. Nas condições do Semiárido, onde não há a destruição dos restos culturais, torna-se possível a captura do bicudo durante todo o ano, em maior ou menor número, dependendo dos meses de coleta, devido a permanência ativa desses insetos no período de entressafra do algodoeiro, alimentando-se de fontes alimentares alternativas. O objetivo dessa pesquisa foi determinar a sobrevivência e o potencial reprodutivo de adultos do bicudo-do-algodoeiro, previamente alimentados com substratos alimentares alternativos. O primeiro experimento avaliou a sobrevivência dos adultos do bicudo alimentados com diferentes substratos alimentares em 90 dias de observação. O segundo experimento estimou a viabilidade dos ovos depositados em botões florais de algodoeiros após cada período de observação. A sobrevivência e o potencial reprodutivo dos bicudos foram determinados em delineamento experimental inteiramente casualizado arranjado em parcelas subdivididas 3x3, representado por adultos do bicudo alimentados com (1) fruto verde de banana (pedaço de 1 cm³ de pericarpo); (2) laranja (pedaço de 1 cm³ de endocarpo); (3) botões florais de BRS 286 e três períodos de avaliação (P1= 30 dias, P2= 60 dias, P3= 90 dias) e 160 repetições. O potencial reprodutivo dos bicudos alimentados com os diferentes substratos foi determinado por meio da observação de seis casais por tratamento e período de observação. Foram examinados em um período de dez dias, os botões florais oferecidos aos bicudos para contagem do número de orifícios de alimentação e oviposição e do número de larvas do bicudo. Os dados com distribuição normal foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. As curvas de sobrevivência dos bicudos alimentados com botões florais ou banana se mantiveram semelhante ao longo do tempo, apresentando trajetória de queda moderada, suave e acentuada, respectivamente, no período de 0-50 dias, 51-100 dias e de 101-129 dias. Por outro lado, a curva de sobrevivência dos bicudos alimentados com laranja, apresentou queda consistente e moderada até os 80 dias, decrescendo acentuadamente a partir deste período até a morte do último sobrevivente. Os maiores números de botões florais com orifícios de alimentação foram observados para os bicudos alimentados previamente com botões florais e os menores para aqueles alimentados previamente com banana. Os maiores números de botões florais com orifícios de oviposição foram observados para os bicudos alimentados previamente com botões florais e os menores para aqueles alimentados previamente com laranja, exceto aos 90 dias de idade dos bicudos. A maior viabilidade de ovos foi observada para fêmeas do bicudo com 30 e 60 dias de idade alimentadas previamente com botões florais e, as menores viabilidades, para as fêmeas com 30 e 60 dias de idade alimentadas previamente com laranja e, apenas, aos 60 dias de idade para aquelas alimentadas previamente com banana. Aos 90 dias de idade 100% dos ovos depositados pelas fêmeas foram inviáveis em todos os tratamentos.
  • ANTONIO LIMEIRA FELINTO DE ARAUJO
  • A influência de diferentes fatores estruturais do habitat nas assembleias de peixes em recifes costeiros do nordeste brasileiro
  • Orientador : RICARDO DE SOUZA ROSA
  • Data: 30/08/2021
  • Hora: 14:00
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  • Recifes costeiros estão ameaçados mundialmente pela constante perda de habitat, causando um declínio em suas populações, e consequentemente mudanças na estrutura das comunidades. Dentre diversos organismos afetados, os peixes respondem rapidamente a estes impactos. Assim, conhecer o papel ecológico das espécies nestes ecossistemas é um meio imprescindível para a sua manutenção; sobretudo tratando-se da relação dos peixes com a estrutura recifal. Buscando compreender estes aspectos, o presente estudo foi desenvolvido em três capítulos, norteado pelos seguintes questionamentos: (1) Quais são as características das assembleias de peixes entre recifes naturais com diferentes níveis de complexidade estrutural, e como os fatores ambientais influenciam a riqueza, abundância e grupos funcionais nestes habitats? (2) Como as assembleias de peixes estão distribuídas ao longo do gradiente recifal, e qual a relação entre as atividades das espécies e o uso do microhabitat em diferentes zonas recifais? (3) Qual o padrão da diversidade de peixes em recifes contínuos e isolados, e como os fatores ambientais estão relacionados com a riqueza e abundância de espécies nestes habitats? Os capítulos tiveram como títulos: (1) Como os fatores ambientais influenciam as assembleias de peixes em recifes com diferentes níveis de complexidade estrutural do habitat? (2) Variação no uso do microhabitat por peixes entre diferentes zonas em um recife costeiro do nordeste brasileiro e (3) Diversidade de peixes e uso do habitat entre recifes isolados (patches) e contínuos em ambientes costeiros do nordeste brasileiro. As coletas foram realizadas em recifes costeiros situados no nordeste do Brasil, entre os municípios de Cabedelo e João Pessoa, no Estado da Paraíba. As técnicas de censo visual subaquático e busca ativa foram realizadas por um único observador através de mergulhos livres, para o registro das espécies de peixes e avaliação das características ambientais, sendo empregados transectos aleatórios, assim como o método de mergulho cronometrado. Os resultados demonstraram que os peixes são influenciados por diversos fatores entre áreas com níveis de complexidade distintos, bem como entre diferentes zonas recifais, e entre recifes contínuos e isolados. Características associadas a cada tipo de habitat demonstraram uma forte relação com a estrutura das comunidades, moldando o padrão de distribuição espacial das espécies. Logo, compreende-se que ambientes heterogêneos são importantes para a manutenção das espécies, visto que a conectividade entre habitats, especialmente relacionada com atividades de forrageio, reprodução e proteção, é fundamental para a sobrevivência dos peixes recifais.
  • VICTÓRIA STEVENSON MARTINS NUNES
  • UMA ABORDAGEM TAXONÔMICA, ECOLÓGICA E ONTOGENÉTICA DE HOLOTHUROIDEA (ECHINODERMATA) DO ATLÂNTICO SUDOESTE TROPICAL, BRASIL.
  • Orientador : MARTIN LINDSEY CHRISTOFFERSEN
  • Data: 30/08/2021
  • Hora: 14:00
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  • A classe Holothuroidea, conhecida popularmente como holotúrias ou pepinos-do-mar, possui cerca de 1.690 espécies distribuídas em 7 ordens distintas. No Brasil há registros de 5 destas ordens compreendendo cerca de 50 espécies. O trabalho objetivou conhecer a fauna de Holothuroidea associada a diferentes tipos de substratos provenientes de águas rasas do Atlântico Sudoeste Tropical e foi subdividido em três capítulos: 1- Taxonomia e Morfometria de Holothuroidea (Echinodermata) dos ecossistemas recifais da Paraíba; 2- Influência Ambiental na Distribuição Espaço-Temporal de Holotúrias; 3- Variação Ontogenética da espécie Thyonidium Seguroensis (Deichmann, 1930). A coleta do material foi realizada entre 2019 e 2021, em 7 pontos amostrais ao longo da costa da Paraíba. Todo o material coletado foi acondicionado e tombado na Coleção de Invertebrados Paulo Young da UFPB. O estudo sistemático das holotúrias foi realizado a partir da análise da morfologia externa, interna e dos ossículos calcários. Os ossículos foram observados a partir de lâminas confeccionadas com fragmentos teciduais de diferentes regiões do corpo do animal. Tabelas com as médias e o desvio padrão foram acrescentadas para facilitar a visualização da variação dos ossículos. Para avaliar a diversidade observou-se os índices de diversidade. Foi testada a normalidade e homoscedasticidade dos dados através do teste de Shapiro e Levene. Para ver se há diferença estatística da diversidade e o local foi feito o teste de Kruskal-Wallis e a posteriori o teste de Dunn para comparações múltiplas e controlar a taxa de erro experimental. Uma PERMANOVA foi realizada para comparar estatisticamente o efeito das variáveis ambientais nos períodos secos e chuvosos, e para relacionar a matriz abiótica com a biótica foi feita uma RDA. As análises foram executadas no software R. Um total de 118 espécimes foram coletados e classificados em 11 espécies, pertencentes a 3 ordens, 6 famílias e 10 gêneros. As espécies encontradas representam cerca de 50% das espécies já registradas para a costa da Paraíba. Entre as espécies listadas Trachythyone crassipeda é uma nova ocorrência para a Paraíba. A morfometria dos ossículos mostrou uma variação de tamanho relativamente alta em um mesmo indivíduo, mas que difere pouco comparando-se com indivíduos da mesma espécie com comprimento semelhante. As maiores variações são observadas entre indivíduos jovens e adultos. A comunidade de Praia Formosa na área recifal foi a que apresentou maior riqueza absoluta com 7 espécies. Duas espécies foram mais representativas em relação a abundância, Stolus cognatus com 35.59% e Thyonidium seguroensis com 34.75%. Houve diferença significante entre a diversidade de holotúrias e os locais (p=0.01), porém não houve diferença estatística significante entre a diversidade de holotúrias e os períodos. Foi notado no desenvolvimento ontogenético de Thyonidium seguroensis, uma variação nos ossículos, onde em alguns estágios pode ocorrer sua a ausência. Nos espécimes analisados as torres da parede do corpo dorsal são maiores que as da parede do corpo ventral. Este trabalho é uma ferramenta útil para auxiliar futuros estudos sobre a Classe Holothuroidea, de modo a auxiliar o manejo e conservação das espécies, bem como ampliar o entendimento sobre o Filo Echinodermata.
  • WENDELL RODRIGUES
  • Conhecimento e comparação das comunidades de Insetos (HEXAPODA: INSECTA) em fragmentos de Mata Atlântica
  • Orientador : CELSO FEITOSA MARTINS
  • Data: 30/08/2021
  • Hora: 14:00
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  • A fragmentação de habitat é uma das principais causas do declínio de populações naturais de animais e é um processo que ocorre como consequência da urbanização. João Pessoa (PB) é uma cidade onde esse processo também ocorreu e mais recentemente na história vem se intensificando. Considerando os fragmentos de mata ainda remanescentes na área metropolitana da cidade, surge o questionamento se fragmentos de diferentes tamanhos seriam similares quanto à diversidade dos animais que podem ser encontrados neles. Focando no grupo dos insetos e estudando a nível de ordem e família, pode-se comparar a abundância e ocorrência de determinados grupos nesses remanescentes de mata. Foram amostrados oito fragmentos de mata que foram escolhidos como pontos de coleta por apresentarem algum tipo de legislação protetora, por serem os mesmos utilizados em outros estudos similares de fauna e por questões logísticas. Para tal levantamento e estudo, armadilhas do tipo pan traps padronizadas foram utilizadas. Tais armadilhas utilizam diferentes cores como atrativo para os insetos que ficam presos em uma solução de água e detergente. As diferentes áreas foram amostradas em três repetições e em cada uma delas 24 armadilhas foram instaladas, totalizando 568 amostras. Como resultado, obteve-se 5444 insetos. Os grupos mais abundantes foram Diptera (Cecidomyiidae, Phoridae e Scaridae) e Hymenoptera (Formicidae). As diferentes áreas apresentaram abundâncias similares entre 8 a 15% do total, com as áreas de maior tamanho também sendo as mais abundantes. Diferentes ordens foram também amostradas, embora somadas representem apenas 1/5 de todo o material coletado. Os resultados obtidos neste estudo podem direcionar pesquisas futuras que utilizem pan traps como forma adicional de coleta para grupos de insetos que foram bem amostrados ou para grupos que foram exclusivamente amostrados por cada uma das três cores. A segunda parte do estudo teve como objetivo desenvolver uma forma eficiente e barata de coletar insetos no dossel, preferencialmente os da família Apidae, pouco amostrados na primeira parte. A área escolhida foi o Refúgio de Vida Silvestre da Mata do Buraquinho. Armadilhas pan traps também foram utilizadas, sendo elevadas a uma altura média de 20m. Nove repetições de coleta foram feitas, cada uma com seis armadilhas, totalizando 50 amostras e 1553 espécimes obtidos. O método se mostrou eficiente, coletando principalmente Diptera e Hymenoptera. Formicidae foi um grupo praticamente ausente em comparação com as armadilhas da primeira parte, dispostas a altura do solo. Apidae foi melhor amostrado apresentando uma pequena abundância, mas grande riqueza. Um maior esforço amostral, considerando os resultados obtidos, pode ser feito utilizando armadilhas desse tipo para coletar insetos no dossel.
  • WILLIANILSON PESSOA DA SILVA
  • História natural de Bothrops erythromelas Amaral, 1923 (Serpentes: Viperidae: Crotalinae), espécie endêmica da Caatinga
  • Data: 30/08/2021
  • Hora: 14:00
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  • Estudos de história natural descrevem o modo de vida dos organismos, bem como seu papel e onde estão inseridos no ecossistema, sendo de grande importância para o manejo e a conservação das espécies. O Brasil é um país megadiverso e comporta a terceira maior diversidade de répteis do mundo, compreendendo 795 espécies. Desse total, 405 são representados por espécies de serpentes. Entre as serpentes brasileiras algumas são bem conhecidas por oferecerem riscos à saúde e por serem responsáveis por acidentes ofídicos no Brasil. A maioria delas pertencem ao gênero Bothrops. Este gênero abriga representantes em todos os biomas do país, entre eles está a Caatinga, que, atualmente, é o terceiro bioma mais degradado do Brasil. Apesar de negligenciado por muito tempo, principalmente em razão de se acreditar que tratava-se de um bioma sem identidade, hoje sabemos que a caatinga é bastante rica e diversa, compreendendo inclusive, espécies endêmicas como a Bothrops erythromelas e Boiruna sertaneja, por exemplo. B. erythromelas é a única jararaca endêmica da deste bioma, segundo a bibliografia conhecida. Porém, as informações sobre ela ainda são incipientes e existem lacunas quanto a sua real distribuição, hábitos, reprodução, alimentação e a presença de dimorfismo sexual. Essa espécie é considerada uma das menores do gênero, apresentando variações de tamanho e cor, entretanto, sua história evolutiva, ecologia e outros aspectos ainda são desconhecidos. Neste trabalho, por oportuno, pretendemos verificar aspectos da história natural desta espécie, utilizando, para tanto, espécimes depositados em coleções científicas representativas do nordeste do Brasil, bem como, dados de coletas adicionais de novos espécimes para verificação de outros aspectos que não poderão ser avaliados nos espécimes tombados. Após as analises retromencionadas, esperamos obter dados suficientes para contribuir com dados nos aspectos da dieta, escolha de hábitat, distribuição e verificar a presença evidente de dimorfismo sexual nesta espécie. Por tais motivos, propomos este trabalho utilizando a B. erythromelas como modelo para os estudo de história natural e conservação
  • JOEDMA GRACIENE DA SILVA
  • DELIMITAÇÃO E DIVERSIDADE GENÉTICA DE ESPÉCIES DE PHYSALAEMUS FITZINGER, 1826 (ANURA: LEPTODACTYLIDAE) ASSOCIADAS À CAATINGA, NORDESTE DO BRASIL
  • Data: 30/08/2021
  • Hora: 09:00
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  • O gênero Physalaemus Fitzinger, 1826 pertence à família Leptodactylidae e abriga atualmente 49 espécies, arranjadas em dois grandes clados: P. signifer e P. cuvieri. Este último clado compreende o grupo de espécies P. cuvieri, que abriga dez espécies: P. albifrons, P. albonotatus, P. centralis, P. cuqui, P. cuvieri, P. ephippifer, P. erikae, P. fischeri, P. kroyeri e P. atim. São espécies de pequeno a médio porte, medindo de 1,5 a 4 centímetros e possuem alto conservatismo morfológico, que dificulta a delimitação de espécies dentro do grupo. Dessa forma, são identificadas, principalmente, a partir de traços acústicos. Apresentam ampla distribuição na América do Sul, ocorrendo em todos os biomas da diagonal de formações abertas. Impulsionados pelo avanço das técnicas moleculares, estudos recentes vêm desvendando uma alta diversidade genética e a existência de linhagens crípticas não descritas no grupo de espécies P. cuvieri. No entanto, trabalhos sobre delimitação de espécies utilizando dados genéticos ainda são escassos para o gênero Physalaemus, principalemente para as espécies que ocorrem ao longo da Caatinga, no nordeste do Brasil, onde apenas poucas localidades foram amostradas. Mesmo assim, as poucas localidades amostradas até hoje são conhecidas por abrigar linhagens altamente estruturadas. Cinco espécies do grupo de espécies P. cuvieri são reconhecidas na região Nordeste do Brasil: P. albifrons, P. centralis, P. kroyeri, P. cuvieri e P. erikae (a única que não possui registro de distribuição na Caatinga). Além destas, P. cicada também é amplamente distribuída na Caatinga e por esse motivo será incluída no presente estudo, mesmo não compondo o grupo de espécies em questão. Nesse contexto, diante da alta diversidade genética previamente descrita para o grupo de espécies P. cuvieri, o reconhecimento de linhagens crípticas bem estruturadas regionalmente e a escassez de dados para a região Nordeste do Brasil, o presente estudo busca gerar dados genéticos para as espécies de Physalaemus que se encontram distribuídas na Caatinga, visando preencher lacunas de amostragem existentes na região e para isso nós 1) ampliamos a amostragem do nordeste brasileiro, com foco principal na Caatinga, adicionando localidades não amostradas em estudos anteriores, 2) analisamos as linhagens evolutivas do Nordeste do Brasil e 3) utilizamos métodos de delimitação de espécies baseados em sequências de DNA mitocondrial de um único lócus. Finalmente, esperamos que a delimitação específica das espécies sirva de auxílio para futuros trabalhos taxonômicos e possa subsidiar futuras propostas para estratégias de conservação da Caatinga.
  • JEANNESON SILVA DE SALES
  • DIVERSIDADE E BIOACÚSTICA DE MORCEGOS DA REGIÃO METROPOLITANA DE JOÃO PESSOA-PB: LIMITES ENTRE A SINANTROPIA E A DEPENDÊNCIA DE MANCHAS DA VEGETAÇÃO URBANA
  • Data: 27/08/2021
  • Hora: 14:00
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  • As pressões causadas pelo processo de urbanização resultam na degradação ou perda de habitats, podendo causar declínio populacional e até extinção de diversas espécies. Vários trabalhos apontam que o processo de urbanização é negativo para morcegos. No entanto, a plasticidade ecológica e capacidade dispersão destes animais permite que algumas espécies persistam em áreas urbanas. No Brasil as comunidades de morcegos nas áreas urbanas ainda têm recebido pouca atenção e a maioria dos trabalhos adotam apenas o uso de redes de-neblina. Os morcegos não-filostomideos são sub-representados em estudos que utilizam redes, por serem espécies que detectam e evitam facilmente essas redes, ou voam em estratos mais altos. Neste sentido, este trabalho se divide em duas partes, com o objetivo principal de caracterizar os padrões de riqueza e composição de espécies de morcegos na região metropolitana de João Pessoa-PB. No primeiro capítulo, analisamos a complementaridade entre os métodos de amostragem de bioacústica e redes de neblina em cinco remanescentes florestais de Mata Atlântica. No segundo, utilizando bioacústica, avaliamos o uso de microhabitats por morcegos insetívoros aéreos do município de João Pessoa, comparando as assembleias dos remanescentes florestais com as de áreas da matriz urbanizada. Para isto, foram utilizados os dados de redes de neblina, obtidos nos fragmentos, do estudo realizado por Nunes (2018). As gravações acústicas foram realizadas de forma distinta entre os fragmentos florestais e a matriz urbana. Nos fragmentos, os chamados de ecolocalização foram registrados durante 50 noites (10 em cada remanescente). Na matriz urbana, foram selecionados 13 bairros, caracterizados por áreas dominadas por edificações humanas e que não apresentassem manchas de vegetação significativas. Posteriormente, foram definidos três pontos amostrais, variando em três categorias: 1. Bosques ou parques, 2. Praças ou ruas arborizadas e, 3. Edificações humanas (sem nenhum tipo de vegetação aparente). Com isto, foram amostrados 39 pontos de amostragem, sendo 13 de cada categoria. Nos fragmentos florestais, combinando os resultados obtidos pelas metodologias de rede de neblina e bioacústica, foram documentados o total de 31 táxons, pertencentes a cinco famílias. O teste de permutação revelou que a composição das espécies de morcegos difere entre os métodos de captura (PERMANOVA: r²=0.4669; p=0.0004). Na matriz urbana, utilizando bioacústica, foram registradas 15 espécies de quatro famílias. A PERMANOVA revelou que a composição das espécies de morcegos difere entre os fragmentos florestais e o perímetro urbano (r²=0.1390; p=0.0004). O valor da beta-diversidade mostrou uma escala de aninhamento entre todas as categorias da matriz urbana, sendo a comunidade encontrada em microhabitats dominados por construções humanas um subconjunto da comunidade encontrada nos fragmentos florestais. O uso integrado de bioacústica e redes de neblina produziu uma imagem muito abrangente da real riqueza de espécies de morcegos dos fragmentos florestais. Nossos resultados enfatizam que as respostas dos morcegos as alterações antropogênicas ocorrem de maneira espécie-especifica. Apesar da urbanização causar um impacto negativo sobre a diversidade de morcegos, este efeito pode ser mitigado pela manutenção de áreas verdes dentro da matriz urbana, mesmo àquelas com pouca cobertura vegetal contribuem para a manutenção de morcegos em ambientes urbanizados.
  • LUCAS JOSÉ MACÊDO FREIRE
  • Estudo da Comunidade dos Flebotomíneos (DIPTERA, PSYCHODIDAE) em Parques Urbanos no Município de João Pessoa, Paraíba
  • Orientador : ANTONIO JOSE CREAO DUARTE
  • Data: 27/08/2021
  • Hora: 14:00
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  • Os flebotomíneos (Diptera:Psychodidae) são insetos de importância médica-veterinária devido a sua atuação como vetores dos protozoários do gênero Leishmania, agentes causadores das Leishmanioses, sendo consideradas graves problemas de saúde pública. Essencialmente, estas doenças eram características de áreas silvestres e rurais, no entanto os processos que resultaram na modificação ambiental destas áreas, como a urbanização, propiciaram uma mudança no perfil epidemiológicos destas doenças, passando a acometer novas áreas, incluindo centros urbanos. Os parques urbanos são fruto provenientes destes processos, apresentando uma importância epidemiológica por propiciarem a manutenção do ciclo das leishmanioses, devido a sua inserção em remanescentes de mata, além de atraírem um quantitativo elevado de visitantes. O município de João Pessoa é considerado endêmico para a leishmaniose visceral e carece de estudos sobre a ecologia de seus insetos veores, especialmente em áreas de parques urbanos. Com isso, o objetivo deste trabalho foi caracterizar a comunidade destes insetos nos parques urbanos de João Pessoa. As capturadas foram realizadas em duas estações de monitoramento, uma no Parque da Bica (EMB) e a outra no Parque do Cuiá (EMC) inseridos em remanescentes de Mata Atlântica no município de João Pessoa, Paraíba. Os flebotomíneos foram capturados através do uso de armadilhas luminosas do tipo CDC, durante os meses de setembro de 2020 a maio de 2021, com as armadilhas ficando expostas mensalmente durantes 4 dias consecutivos, totalizando um esforço amostral de 3790 horas de captura. Na EMC, as armadilhas foram dispostas em três diferentes ecótopos: em uma área florestal em estágio de regeneração avançada, em estágio inicial e em assentamentos humanos na borda do parque. A abundância relativa das espécies foi avaliada através do Índice de Abundância de Espécies, e os índices de diversidade das estações de monitoramento por meio dos números de Hills. No total, foram capturados 179 flebotomíneos, pertencentes aos gêneros Brumptomyia, Evandromyia, Lutzomyia, Psathyromyia, Psychodopygus e Sciopemyia, sendo distribuídas em nove espécies, com a espécie Psychodopygus amazonensis sendo registrada pela primeira vez no estado. A EMC apresentou maiores índices de diversidade em relação a EMB, com as espécies Evandromyia walkeri e Lutzomyia longipalpis, espécie vetora de Leishmanias, apresentando maior abundância relativa durante todo o estudo. Dentre as áreas em diferentes estágios de regeneração da EMC, aquela em estágio avançado apresentou a maior riqueza e abundância, com seis espécies e 87 indivíduos, respectivamente, enquanto que a área com assentamentos humanos apresentou apenas a espécie Lutzomyia longipalpis. Este estudo foi o pioneiro em retratar a comunidade dos fleobotmíneos em parques urbanos na Paraíba, registrando pela primeira vez a presença da espécie vetora da leishmaniose visceral americana, Lutzomyia longipalpis. Com isso, é necessário realizar um monitoramento destes insetos, estudos de detecção molecular do parasita, juntamente com o desenvolvimento de estratégias de controle para evitar a disseminação desta doença na população local
  • THIAGO ANDRÉ ALBUQUERQUE SILVA
  • Estrutura de comunidades e parâmetros populacionais de roedores e marsupiais em arrozal e pantanal adjacente: como a biodiversidade responde a perturbação?
  • Orientador : PEDRO CORDEIRO ESTRELA DE ANDRADE PINTO
  • Data: 27/08/2021
  • Hora: 09:00
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  • Agro ecossistemas são os maiores responsáveis pela perda de biodiversidade e poluição, ocupando 40% da superfície terrestre e assumindo 70% do consumo hídrico. Por sua vez, são também essenciais para a segurança alimentar mundial, como o plantio de arroz. Estudos realizados em um arrozal no MS sugerem um modelo sustentável onde alta biodiversidade do arrozal e reserva legal adjacente atrai uma atividade turística intensa voltada, entre outros, para carnívoros médios com a jaguatirica Leopardus pardalis. Estes têm como item alimentar principal pequenos roedores abundantes no arrozal. Em vista de avaliar a biodiversidade de roedores e marsupiais no nível de comunidade e populacional, buscamos responder: Qual a diversidade de pequenos mamíferos não voadores? Qual a diferenciação da comunidade entre pantanal e arrozal? Qual o tamanho populacional das espécies de pequenos mamíferos dominantes no arroz Holochilus chacarius e no pantanal, Gracilinanus agilis, respectivamente? Realizamos uma coleta de 83 dias no arrozal e na área de reserva legal da Fazenda San Francisco, Miranda, MS, com um esforço total de 9480 armadilhas/noite entre julho e dezembro de 2019. Utilizamos o método de captura-marcação-recaptura com desenho robusto de Pollock no início, meio e fim do ciclo do arroz. Calculamos os índices de diversidade alfa e beta entre as áreas e comparamos com betadiversidades de comunidades de pequenos mamíferos em outros agroecossistemas e áreas silvestres adjacentes. Utilizamos o software Mark para construir os modelos populacionais e estimar os parâmetros: sobrevivência, probabilidade de captura e recaptura, tamanho populacional, emigração e imigração. No total, registramos 510 capturas. A diversidade alfa, foi um pouco maior no Pantanal (H’=1.19) do que no arrozal (H’=1.05), ambos apresentaram a mesma riqueza (N=7). As oito parcelas do arrozal variaram em diversidade (H’= 0.56 - 1.16), provavelmente devido à estrutura vegetacional da borda da parcela e da distância delas para a reserva legal. A diferenciação da composição de espécies entre as duas áreas tem um valor mediano-baixo (B=0,26) com dados de presença e ausência, e elevado quando calculada com as abundâncias (B=0,93). O valor de B-diversidade com dados de presença e ausência é intermediário em relação a outros cultivos (n=21, min=0.09, max=0.66). A estimativa de parâmetros populacionais para H. chacarius teve um intervalo de confiança grande para o tamanho populacional e não foi possível estimar alguns parâmetros, provavelmente devido a fatores não estimados, como a taxa de predação (emigração). Registramos uma diminuição nos parâmetros de sobrevivência e recaptura de H. chacarius ao longo da safra (p=0.15 – p=012), condizente com essa hipótese. E para G. agilis obtivemos valores para o tamanho populacional no primeiro (N=102), segundo (N=57) e terceiro (N=51) evento amostral. Concluindo, embora não haja uma redução da diversidade alfa entre arrozal e o Pantanal, observamos a alta B-diversidade entre os dois ambientes determinada pela dominância alta de uma espécie. No entanto, a comparação com outros agroecossitemas é impedida pela falta de estudos populacionais que estimem a abundância entre áreas naturais e cultivos adjacentes. A densidade de H. chacarius é alta quando comparada a sua ocorrência natural rara. Por fim, apesar do agro ecossistema da fazenda San Francisco se apresentar como biodiverso para mamíferos de médio e grande porte e a riqueza ser a mesma entre arrozal e reserva legal adjacente para pequenos mamíferos existe uma perturbação importante indicado pelos altos níveis de betadiversidade e alta dominância de duas espécies.
  • IAMARA DA SILVA POLICARPO BRITO
  • Padrões de uso de animais medicinais por populações humanas: uma revisão mundial
  • Data: 30/07/2021
  • Hora: 14:00
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  • A utilização de animais para o tratamento de doenças é comum em diferentes sistemas médicos tradicionais. Uma grande diversidade de animais, tanto selvagens, quanto domésticos fazem parte de práticas medicinais de diversas comunidades tradicionais ao redor do mundo. Essa utilização de animais ou produtos elaborados de partes de seus corpos para o tratamento de doenças humanas é conhecida como zooterapia. Embora essas práticas zooterápicas seja comum e tenha importância em diversos aspectos, principalmente por envolver espécies que estão em listas de espécies raras ou ameaçadas de extinção, o tema ainda é pouco estudado dentro de um contexto geral. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo geral contextualizar o uso de animais em práticas medicinais e adicionalmente, o estudo também objetiva através de uma revisão sistemática e metanálise, levantar quais espécies faunísticas são utilizadas, buscando os padrões gerais da zooterapia ao redor do mundo e investigar essa forma de utilização da fauna de uma comunidade pesqueira no Nordeste do Brasil. Os métodos e resultados obtidos foram apresentados e discutidos em capítulos. Uma abordagem geral e contextualização do tema foi desenvolvida e apresentada no capítulo 1. O capítulo 2 foi realizado a partir de uma revisão global das publicações sobre o tema e com relação a análise dos dados, foram utilizadas duas estratégias diferentes, a abordagem integradora e a abordagem meta analítica. Um total de 112 artigos foram compilados, distribuídos em 20 países e 5 continentes. Com relação ao número de espécies medicinais, um total de 838 espécies distribuídas em 22 categorias taxonômicas são utilizadas na medicina tradicional dos 20 países onde foram realizadas as pesquisas em que mamíferos, aves e répteis se destacaram como sendo as categorias mais utilizadas medicinalmente. Os demais resultados e padrões de uso encontrados foram apresentados e discutidos no decorrer do capítulo. O capítulo 3 foi desenvolvido em uma comunidade pesqueira no Nordeste do Brasil, que através de coleta de dados com uso de questionários semiestruturados, entrevistas livres e conversas informais foi possível constatar o uso de 22 animais como recurso medicinal e foi possível notar que existe uma tendência do uso de animais medicinais que ocorrem nas proximidades da localidade amostrada, evidenciando que o ambiente influencia diretamente na escolha dos recursos zooterápicos e que o uso medicinal representa uma estratégia de otimizar o aproveitamento dos recursos. Os resultados da tese fornecem dados que sugerem a tendência e multiplicidade do uso terapêutico de animais e podem contribuir para estudos posteriores que visem a sustentabilidade do uso desses recursos, principalmente considerando as implicações ecológicas, farmacológicas e também para a saúde pública dos usuários desses remédios populares.
  • VIVIANA MÁRQUEZ VELÁSQUEZ
  • ESTRUTURA E DINÂMICA DE UMA REDE TRÓFICA MARINHA TROPICAL: UMA PONTE ENTRE A TEORIA DE REDES E ESTRATÉGIAS DE CONSERVAÇÃO
  • Data: 28/07/2021
  • Hora: 09:00
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  • Nesta tese, aplicamos a abordagem de redes ecológicas para fazer a ponte entre a teoria da ecologia de comunidades a e a conservação da biodiversidade marinha baseada em evidências. Seguimos três passos para isto. No primeiro capítulo, exploramos e discutimos como a abordagem de redes ecológicas é utilizada para compreender como está estruturada a biodiversidade marinha, e para prever a resposta das redes tróficas às estratégias de manejo e gestão, como a redução da pressão da pesca. Nesse capítulo apresentamos novas perspectivas teóricas e metodológicas que permitem fazer a ponte entre modelos de redes adaptativas, grandes bases de dados de interação de espécies, e experimentos em campo, a fim de construir uma interface que garanta fluxos de conhecimento multidirecionais entre modelos teóricos de rede, ecologia marinha experimental e políticas e práticas de conservação no Oceano Pacífico tropical. No segundo capítulo descrevemos a estrutura de uma rede trófica rica em espécies na costa do Pacífico colombiano, descrevendo os papéis topológicos de mais de 300 espécies junto com a pesca artesanal e industrial, e identificando alguns hubs de rede, hubs de módulos e entidades conectoras (pesca e espécies) que realizam mais de 1000 interações tróficas em toda a rede. Em geral, a estrutura da rede trófica é marcadamente modular e com um alto grau de conectividade moldado por hubs cujas interações diretas são muito diferentes, mas com interações indiretas sobrepostas que sugerem que podem afetar fortemente um ao outro. Discutimos a baixa similaridade das interações entre estes hubs em termos de partição de recursos, o qual seria o reflexo do fantasma da competição passada imposta por décadas de pesca intensiva. Em termos de priorização da conservação, nossas análises identificam duas espécies de tubarão-martelo (Sphyrna lewini e S. media) cuja centralidade na rede os torna qualitativamente comparáveis à pesca artesanal como hyper-hubs - um conceito que propomos aqui para definir hubs da rede altamente centrais que predam outros hubs da rede e que, portanto, podem exercer efeitos top-down muitos amplos na rede trófica. Simulações de extinção de espécies com papeis topológicos variados, incluindo hyper-hubs, e considerando os níveis tróficos, não mudaram a estrutura modular da rede trófica, mas mudaram a identidade das espécies por papel topológico, com várias espécies dos tubarões Sphyrna surgindo recorrentemente como hubs de rede, reforçando a noção de que uma alta prioridade de conservação deve ser dada a este táxon. Finalmente, no terceiro capítulo, desenvolvemos um primeiro modelo de rede adaptativa para investigar se nossas previsões a respeito dos efeitos da regulação da pesca e perda de espécies se mantêm sob a reconfiguração adaptativa das interações, ou seja, à medida que as espécies ajustam suas interações após as extinções e os feedbacks das interações-abundâncias e traços. Estes primeiros resultados mostraram que a reconfiguração de interações e a intensidade da pesca podem agravar as consequências da perda de espécies, possivelmente desencadeando cascatas de extinção que afetam a resiliência da rede trófica. Estes modelos de rede são baseados na síntese entre as teorias ecológicas e evolutivas e, portanto, podem melhorar em grande medida a nossa capacidade de compreender e prever os resultados de distúrbios antropogênicos nas comunidades dos ecossistemas marinhos costeiros.
  • ALINE PAIVA MORAIS DE MEDEIROS
  • Diversidade taxonômica, funcional e filogenética de peixes recifais da Paraíba
  • Data: 30/04/2021
  • Hora: 13:00
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  • O presente trabalho busca fazer uma revisão bibliográfica de como a diversidade vem sendo medida em estudos de peixes recifais, bem como quantificar em múltiplas escalas espaciais (alfa e beta), a diversidade taxonômica, funcional e filogenética de peixes recifais da Paraíba. O primeiro capítulo trata da revisão bibliográfica, realizada a partir de duas plataformas científicas: Scopus e Web of Science, na qual o principal objetivo é fazer um apanhado de como o conceito de diversidade tem sido usado em estudos de peixes recifais. 47% (n = 42) dos artigos analisados usaram apenas descritores de riqueza e abundância (i.e. riqueza de espécies, atributos funcionais) como medida de diversidade. Apenas 9 estudos mediram a diversidade beta, enquanto 81 estudos focaram na diversidade alfa. Os resultados encontrados apontam uma lacuna geográfica e teórica no estudo de diversidade de peixes recifais. Diferentes interpretações do conceito de diversidade foram observadas, o que impede uma comparação mais acurada entre os estudos. O segundo capítulo teve como principal objetivo testar a hipótese de refúgio dos recifes profundos para a região recifal da Paraíba. Para isso, a composição de espécies, diversidade de espécies e diversidade funcional foram usadas como variável resposta e duas categorias de profundidade (raso e profundo) foram usadas como variável preditora. A hipótese de refúgio foi refutada no âmbito da composição de espécies e em quase todos os níveis da diversidade de espécies. O terceiro capítulo busca comparar a diversidade de peixes entre recifes naturais e recifes artificiais da Paraíba utilizando os números de Hill nas dimensões gama, alfa e beta das diversidades taxonômica, funcional e filogenética. Os resultados obtidos destacam a importância de estudos que incorporem métricas de diversidade passíveis de comparação e que abordem diferentes componentes da diversidade.
  • BRUNO HALLUAN SOARES DE OLIVEIRA
  • Padrões ecológicos e evolutivos em lagartos da família Gymnophthalmidae
  • Data: 26/03/2021
  • Hora: 08:30
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  • A família Gymnophthalmidae é uma família de pequenos lagartos restritos a região neotropical, de habitats e hábitos diversos. Embora os estudos envolvendo a família venham crescendo nos últimos anos, estes concentram-se em estudos taxonômicos e propostas filogenéticas, tornando-se necessário ainda a compreensão de muitos aspectos ecológicos e evolutivos da família, bem como a elucidação de diversos fatores que podem interferir nesses aspectos. Dessa forma, este trabalho testou uma série de hipóteses comparativas filogenéticas de modo a avaliar os padrões ecológicos e evolutivos encontrados nessa família de lagartos. Para tal, coletamos dados biológicos e ecológicos de diversas espécies de gimnoftalmídeos através expedições de campo, conduzidas nos últimos anos, dados de espécimes depositados em coleções científicas e dados disponíveis na literatura. A partir desses dados, traçamos um panorama histórico das características ancestrais e verificamos quais características mais influenciam na diversificação da família. Nossos resultados mostraram que a subfamília Cercosaurinae é a principal responsável pelas altas taxas de diversificação do grupo, e essa diversificação está associada principalmente a ambientes de menor temperatura e precipitação. Além disso, nossos resultados também sugerem que a diversificação está relacionada a faixas estreitas de nicho, supondo que a especialização de nicho pode ser um dos fatores que também impulsionam a diversificação em Gymnophthalmidae. Os padrões tróficos adotados pela família possuem influência principalmente histórica, indicando uma conservação na dieta, especialmente quanto ao consumo de larvas, formigas e besouros. Contudo alguns tipos de presas, como baratas, cupins e larvas estão mais associadas aos fatores ambientais em que cada presa é frequentemente encontrada, indicando oportunismo das espécies. Também encontramos relação entre a amplitude de nicho trófico com a fossorialidade, indicando que as espécies fossoriais possuem menores amplitudes de nicho que as espécies nãofossoriais. As características de história de vida da família também possuem grande influência histórica, mostrando que muitas das características reprodutivas da família são conservadas filogeneticamente. Dessa forma, algumas estratégias reprodutivas são adotadas pelas espécies, de forma a aumentar o sucesso reprodutivo, como a produção de ninhadas com maiores massas em ambientes mais quentes e úmidos, como as florestas tropicais e a produção de muitas ninhadas em locais de baixa temperatura.
  • PAULO FERNANDO GUEDES PEREIRA MONTENEGRO
  • Biologia termal de Nasutitermes ephratae (Holmgren, 1910) em ecossistemas com diferentes condições climáticas
  • Orientador : ALEXANDRE VASCONCELLOS
  • Data: 26/02/2021
  • Hora: 09:00
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  • Térmitas são insetos sociais que apresentam importante papel como decompositores em ecossistemas tropicais. Assim como nos demais animais ectotérmicos, diversos processos fisiológicos estão sujeitos à influência da temperatura ambiente e, assim, a manutenção de temperatura constante no interior dos seus ninhos permite manter o desempenho ótimo de diversas atividades, a persistência da população, e a manutenção dos processos de ciclagem de nutrientes. As relações térmicas de térmitas da espécie Nasutitermes ephratae (Holmgren, 1910) foram investigadas em populações de dois ecossistemas de Floresta Atlântica com diferentes condições climáticas, localizados em Areia e João Pessoa no estado da Paraíba. Os resultados do estudo mostraram que há um ritmo circadiano de temperatura no interior das colônias, em todas as camadas que compõem o ninho. Essas camadas apresentaram uma diferença de temperatura para o ambiente, formando um gradiente térmico através da parede do ninho. Essas diferenças não são as mesmas entre ecossistemas e estações do ano, sendo maior em Areia durante o trimestre mais quente do ano (5,5°C). A amplitude térmica no interior das colônias diferiu entre as camadas, sendo menor na interna (1,5°C). O envelope de revestimento apresentou um importante papel como isolante térmico, sendo capaz de elevar a temperatura do interior da colônia em 2°C. A temperatura média no interior das colônias foi maior na estação quente em relação à estação fria em um mesmo ecossistema; entre eles, entretanto, diferiu apenas na estação fria, sendo 6,6°C maior em João Pessoa. Nos dois ecossistemas e estações do ano, os picos de temperatura em todas as camadas do ninho apresentaram um atraso em relação à temperatura ambiente, sendo maior (aproximadamente quatro horas) para a camada interna. Apenas a temperatura da camada interna mostrou-se correlacionada positivamente com o volume do ninho, sendo maior para as colônias em Areia. Nessa espécie de térmita, o calor metabólico apresentou importante papel no balaço térmico da colônia, sendo capaz de aumentar em 4,8°C a temperatura no interior dos ninhos. Em Areia, colônias expostos ao sol apresentaram temperatura maior em relação àquelas localizadas à sombra para todas as camadas, com maior diferença observada na camada interna (5,3°C). Em conjunto, esses resultados sugerem que a temperatura no interior de colônias de Nasutitermes ephratae não é mantida constante em escalas temporais diária e sazonal. Populações originárias de ambientes com diferentes condições climáticas apresentam diferentes condições de temperatura no interior das colônias, sugerindo não haver um valor de temperatura ótimo para a espécie.
2020
Descrição
  • MARILIA GABRIELA MAIA
  • Riqueza de espécies e guildas de aranhas (Araneae) em Manguezal, em áreas do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
  • Data: 30/12/2020
  • Hora: 09:00
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  • Inventários taxonômicos de aracnídeos no Brasil focam em biomas no Sudeste e Sul. Um único estudo anterior em Manguezal, avaliou a diversidade de aranhas da Península de Ajuruteua, (Pará). No presente estudo, realizado no Nordeste, fez-se o levantamento de aranhas em três áreas em três estados com amostragens em três zonas: região de manguezal na entre-marés, região de manguezal no supra-litoral e região de floresta próxima ao manguezal. São avaliadas a riqueza e a composição de guildas de aranhas, comparando-se as três zonas. Encontrou-se uma riqueza menor e maior parte de caçadoras de emboscada em áreas de entre-marés e maior diversidade de construtoras de teias irregulares em áreas mais afastadas. Assim, ocorre uma menor riqueza quanto mais para dentro da entre-maré, e as diferentes áreas tem uma composição similar, o que possibilita a criação de uma lista característica para o manguezal. . Este trabalho representa uma produção de conhecimento inédito sobre a diversidade de aranhas de manguezais, o que possibilita o desenvolvimento de estudos posteriores em áreas como biogeografia, ecologia ou taxonomia, ao tempo que contribui na tomada de decisões na área de conservação da diversidade biológica.
  • RUDÁ AMORIM LUCENA
  • Sistemática de Pycnogonida: Levantamento taxonômico das coleções brasileiras e análise filogenética
  • Data: 30/11/2020
  • Hora: 08:00
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  • A classe Pycnogonida é composta por chelicerados exclusivamente marinhos com mais de 1.300 espécies descritas. Contudo, poucos têm sido os trabalhos realizados com o grupo, principalmente em regiões tropicais. No Brasil o estudo de Pycnogonida se concentrou entre as décadas de 1940 e 1970, com 38 espécies novas descritas. Porém, não há mais registro desse material, que pode estar perdido ou depositado em coleções brasileiras, as quais possuem uma grande quantidade de informações em seus acervos. A fim de localizar o material-tipo das espécies foi feito, no capítulo 1, um mapeamento das coleções brasileiras que possuem Pycnogonida depositados, identificando seus acervos e redescrevendo os tipos que forem encontrados. Foram contatadas 27 instituições, das quais sete disponibilizaram material. No total, 1.800 espécimes foram analisados, e identificados em 49 espécies nominais e duas espécies novas, além de terem sido encontrados os tipos de Pycnogonum gibberum e Anoplodactylus arescus. Neótipos de Achelia sawayai, Tanystylum isabellae e Ascorhynchus corderoi foram designados, além de novos registros para o Brasil e Uruguai. Com os dados levantados foi possível mapear áreas sem representatividade em coleções nacionais, como a região Norte, e definir áreas prioritárias de coleta, demonstrando a importância das coleções biológicas como fonte de informações da biodiversidade e a necessidade de estudo desses acervos. Atualmente são aceitas 12 famílias e 81 gêneros de Pycnogonida, mas com relações incertas decido as incongruências obtidas tanto por trabalhos moleculares quanto morfológicos. Tais incongruências podem estar associadas à baixa representatividade dos grupos utilizados, apenas 30% dos gêneros foram analisados filogeneticamente, além do que, para boa parte das espécies foram coletadas apenas uma vez, não havendo informações sobre os tipos. Baseado nisso foi realizado, no capitulo 2, uma análise filogenética quali/quantitativa da classe Pycnogonida com base em dados morfológicos, testando a monofilia das famílias aceitas atualmente e o relacionamento filogenético entre os gêneros. Para a análise qualitativa foram levantadas informações sobre 1.179 espécies (86.27% das espécies atuais), distribuídas em 80 gêneros. Estas espécies foram analisadas na forma de pranchas pictóricas. Já para a análise quantitativa foi montada uma matriz com 145 terminais e 112 caracteres que foram levantados por meio da comparação mútua entre as espécies e os grupos externos. Com a análise quantitativa apenas três famílias se mantiveram monofiléticas. Alguns padrões de relacionamento foram mantidos em mais de uma análise, principalmente entre as famílias Nymphonidae e Callipallenidae, Pycnogonidae, Rhynchothoracidae e Austrodecidae, e Ammotheidae, Pallenopsidae, Phoxichilidiidae e Endeidae, sendo possível observar vários eventos independentes de redução e perda, gerando um elevado número de homoplasias no grupo. Os dados obtidos demonstram a importância da inclusão de diferentes linhagens de Pycnogonida, as quais fornecem informações importantes para o entendimento da evolução do grupo, especialmente dos gêneros incertos aqui inseridos pela primeira vez em uma análise filogenética. A análise das pranchas pictóricas é uma ferramenta viável para análises filogenéticas, possibilitando o acesso a toda informação já publicada, inclusive dos grupos raros, assim como de uma análise mais abrangente, mas que, assim como toda análise morfológica, necessita de tempo para correta codificação dos caracteres.
  • ERIKA FLAVIA CRISPIM DE SANTANA
  • Comunidades bentônicas recifais do Atlântico Sul Ocidental: estrutura, distribuição espacial e influência de variáveis ambientais
  • Data: 30/10/2020
  • Hora: 14:00
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  • Os recifes brasileiros são considerados únicos no mundo por possuírem elevada abundância de macroalgas e algas epilíticas e baixa riqueza de corais construtores de recifes. Fatores ambientais (e.g. temperatura da água do mar, disponibilidade de luz) e espaciais (e.g. profundidade e distância da costa) são importantes estruturadores de comunidades bentônicas recifais. Acredita-se que recifes rasos e mesofóticos sejam influenciados de maneira diferente por fatores abióticos, principalmente luz e temperatura, que limitam/modificam a ocorrência e abundância dos organismos nesses nos recifes. Alguns corais brasileiros preferem águas rasas com elevadas temperaturas e incidência direta de luminosidade, mas a maioria prefere recifes turvos ou profundos por serem menos iluminados. Diante disso, o presente estudo utilizou ferramentas de classificação para atingir os objetivos gerais seguintes: 1) identificar e delimitar comunidades bentônicas rasas (0-30 m) distintas em recifes costeiros e oceânicos, assim como identificar as principais variáveis ambientais que as delimitam, 2) determinar o ponto de quebra (i.e. transição) entre comunidades bentônicas rasas e fundas (30-60m), utilizando as ilhas oceânicas brasileiras como modelo e 3) entender a influência de fatores bióticos locais (i.e. interações de contato) e fatores ambientais nos padrões em larga escala de branqueamento basal (i.e. fora de anos com anomalia) dos três corais mais abundantes e importantes construtores de recifes no Brasil Siderastrea spp., Mussismilia hispida e Montastraea cavernosa. Foram obtidos dados sobre comunidades bentônicas e variáveis ambientais (sensoriamento remoto) para 18 localidades (14 costeiras e 4 oceânicas), tornando disponível a mais completa base de dados de abundância de organismos bentônicos recifais para o Brasil. Seis comunidades bentônicas distintas foram identificadas em recifes rasos costeiros e oceânicos, as quais são dominadas por algas epilíticas e macroalgas frondosas. A temperatura foi a principal variável ambiental responsável pela discriminação das comunidades rasas, formando dois grupos principais: i) um caracterizado por recifes em águas quentes, dominados por macroalgas, ii) outro caracterizado recifes em águas frias, dominados por algas epilíticas. Os resultados também indicaram a influência de fatores geográficos na distribuição de comunidades bentônicas rasas. A profundidade e temperatura tiveram influência significativa na distinção entre comunidades bentônicas recifais rasas emesofóticas das ilhas oceânicas, com cinco comunidades únicas tendo sido identificadas. O ponto de quebra entre as comunidades rasas e fundas foi aos 12,5 m, não tendo sido registrada mudanças significativas aos 30 m de profundidade como apontado em estudos anteriores. A maior incidência de branqueamento dos corais ocorreu em recifes oceânicos rasos e bem iluminados, confirmando a preferência da maioria dos corais avaliados por habitats costeiros sombreados e/ou profundos. Os resultados demonstram que a aplicação de ferramentas de classificação é útil em estudos sobre comunidades bentônicas em largas escalas espaciais e para o entendimento das variáveis ambientais que as discriminam. Além disso, fornecem dados importantes sobre a saúde de corais brasileiros em anos sem anomalias térmicas, o que representa um importante baseline para avaliações futuras dos impactos causados por eventos de branqueamento em massa no Atlântico Sul Ocidental.
  • AMANDA LOYSE FERREIRA DE AMORIM
  • EFEITOS DA COMPLEXIDADE ESTRUTURAL DA PAISAGEM SOBRE OS TÉRMITAS DE SOLO EM ECOSSISTEMAS INSERIDOS NA REGIÃO SEMIÁRIDA DO NORDESTE DO BRASIL
  • Orientador : ALEXANDRE VASCONCELLOS
  • Data: 30/07/2020
  • Hora: 09:00
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  • Embora sejam mais conhecidos pelo seu potencial como praga, os térmitas, também conhecidos como cupins, apresentam apenas cerca de 10% de suas espécies com esse potencial, sendo organismos que na verdade influenciam a estrutura física, composição química e a ciclagem de nutrientes nos solos de ecossistemas tropicais, além de serem sensíveis a alterações no meio em que vivem, representando bons indicadores ambientais. Dessa forma, este estudo identificou a termitofauna do solo associada a cultivos de feijão-caupi e sorgo sacarino e também na vegetação remanescente (VR) de Caatinga, avaliando a influência de fatores ambientais sobre a sua taxocenose, em áreas de Caatinga localizadas no estado da Paraíba e que apresentam diferença na complexidade estrutural de paisagem. As amostras foram coletadas entre os anos 2018 e 2019, seguindo o método proposto pelo Programa de Biologia e Fertilidade do Solo Tropical (TSBF), com modificações. Em cada tratamento (cultivos e VR de cada área), foram extraídos blocos de solo (20 × 20 × 30 cm), divididos em três camadas: A (0-10 cm), B (10-20 cm) e C (20-30 cm). Dez espécies de térmitas foram encontradas pertencentes à família Termitidae (nove espécies) e Rhinotermitidae (uma espécie). A área de alta complexidade apresentou a maior abundância de térmitas, inclusive de consumidores de solo (grupo que pode ser um indicador ambiental), tanto nos cultivos, quanto na VR. Considerando apenas os cultivos, essa área também apresentou a maior riqueza de espécies e ao considerar apenas a VR, ela compartilhou a mesma riqueza com a área de complexidade intermediária. Em relação à área de baixa complexidade, ocorreu uma baixa riqueza de espécies tanto nos cultivos, quanto na VR. A maioria das espécies encontradas nos cultivos da área de alta complexidade não tem o potencial como praga, pois atua nos processos de decomposição e ciclagem de nutrientes, o que pode contribuir para o aumento da produtividade do sistema agrícola. A riqueza de espécies, abundância e biomassa não diferiram significativamente entre os três estratos do solo, considerando todos os tipos de tratamento das áreas. Em relação apenas à VR das áreas, a capacidade de troca catiônica foi uma preditora significativa para a riqueza de espécies, o que pode refletir um impacto positivo dos térmitas nas propriedade químicas do solo. Dessa forma, nossos resultados ressaltam a importância que esses insetos podem exercer nos ecossistemas semiáridos, reforçam a importância da manutenção de áreas naturais circundantes ao cultivo e podem dar suporte a estudos na Caatinga que visem um desenvolvimento sustentável.
  • ISADORA COSTA HAMSI
  • ECOLOGIA DE ABRIGO DE MORCEGOS SINANTRÓPICOS NEOTROPICAIS
  • Data: 29/07/2020
  • Hora: 10:00
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  • A substituição de áreas naturais por paisagens antrópicas traz consigo a importância de entender melhor as necessidades de animais sinantrópicos. Os morcegos são o grupo de mamíferos com maior diversidade em áreas urbanas e muitas espécies se abrigam em construções humanas. Diferentes adaptações são necessárias para a vida sinantrópicas, entre elas adaptações comportamentais. Usando câmeras infravermelhas coletamos dados da ecologia de abrigo de quatro espécies de morcegos sinantrópicos neotropicais por um ano. Duas em poleiros expostos (Saccopteryx leptura e Rhynchonycteris naso) e duas em poleiros discretos (Carollia perspicillata e Peropteryx macrotis). Poleiros estavam localizados em na fazenda Pacatuba (Sapé) e na UFPB (João Pessoa), ambas no estado da Paraíba. Todas as espécies se empoleiravam em construções humanas próximas a áreas naturais preservadas. Comportamento foi monitorado com o método scan sample e um teste qui-quadrado feito para avaliar diferenças sazonais. As espécies em poleiros discretos foram mais ativas, tiveram interações sociais mais frequentes e adotaram poliginia de defesa de recursos. Enquanto as espécies em poleiros expostos foram menos ativas, as interações sociais foram raras ou inexistentes e adotaram sistemas alternativos de acasalamento. Este é o primeiro registro de S. leptura adotando poliandria. Todos os grupos foram mais ativos durante o período chuvoso que o seco. Concluímos que os morcegos estudados estavam adaptados aos poleiros artificiais, mas ainda dependem de áreas naturais para forrageio e poleiros alternativos, destacando a importância de ambientes naturais em paisagens antrópicas.
  • DIEGO ALVES TELES
  • Helmintofauna Associada a Lagartos (Squamata: Reptilia) e Efeitos dos Fatores Abióticos e Bióticos Sobre Helmintos de Lagartos na Caatinga Semiárida Neotropical
  • Orientador : DANIEL OLIVEIRA MESQUITA
  • Data: 26/06/2020
  • Hora: 14:00
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  • Consta na Tese
  • HERMÍNIO ALFREDO LEITE SILVA VILELA
  • SELEÇÃO DE HABITAT DE Myrmotherula snowi TEIXEIRA & GONZAGA, 1985 (AVES, THAMNOPHILIDAE), UMA ESPÉCIE CRITICAMENTE AMEAÇADA DE EXTINÇÃO
  • Data: 28/05/2020
  • Hora: 09:00
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  • Seleção de habitat é o processo de uso desproporcional do habitat que envolve a troca entre os benefícios e os custos para o indivíduo, onde alguns fatores podem influenciar nesse processo, como questões populacionais intrínsecas, variações ambientais, estrutura da vegetação e disponibilidade de alimento. Dessa maneira, compreender a relação indivíduo e habitat pode ser fundamental para salvar espécies ameaçadas. Nesse cenário, a choquinha-de-alagoas, Myrmotherula snowi uma ave criticamente ameaçada de extinção em nível global, com uma população restrita a Murici-AL e com menos de 40 indivíduos, foi objeto de estudo para testar a hipótese que a reduzida competição interespecífica seria suficiente para os habitats mais adequados serem selecionados, além disso, verificamos se há outra ave bioindicadora dos mesmos tipos de habitat da M. snowi. A coleta de dados ocorreu na Estação Ecológica de Murici, uma Floresta Ombrófila Densa, onde foram selecionados 28 sítios com oito características que possam estar relacionado com a ocupação de M. snowi. Durante os meses de outubro a março de 2018-19 e 2019-20, em cada sítio, verificamos a presença de M. snowi e avifauna local. Foram gerados 256 modelos de ocupação single-season com as oitos variáveis no programa Mark para verificar os melhores indicadores da ocupação de M. snowi. Para identificar se alguma espécie de ave pode ser bioindicadora dos sítios ocupados por M. snowi, foi feito o teste estatístico Indicator Value. No total, foram observados 17 indivíduos de M. snowi em nove sítios, as detecções foram predominantes nos meses de outubro a dezembro e o melhor modelo foi o que considerou a altura média das arvores, distância para riacho e declividade. Trogon muriciensis foi uma espécie indicadora dos mesmos habitats da M. snowi. Nossos dados suportam a ideia de que M. snowi ocupa habitats que apresentem ao menos três características importantes, sendo altura média das árvores ser um fator mais decisivo na seleção dos sítios. Destacamos que a maior chance de detecção da ave nos últimos meses do ano pode estar associada a defesa de território que coincide com o início do período seco. Provavelmente a não ocupação de sítios adequados está relacionado com a reduzida população e que fatores intrínsecos da população podem estar impedindo seu crescimento, por conta disso, consideramos urgente compreender essas causas que impedem a ocupação desses habitats adequados. Além disso, é preciso fazer buscas prioritárias da ave em outros locais entre os meses de outubro a dezembro, com especial atenção para regiões que apresentem um aspecto avançado de conservação da vegetação, assim como, para locais próximo a riachos e com baixa declividade, notando também na eventual presença de T. muriciensis na região. Dessa forma, os melhores sítios para eventual reprodução em cativeiro e soltura dos indivíduos. Essas informações podem trazer luz para subsidiar estratégias de conservação e manejo da M. snowi.
  • JOÃO ANTONIO DE ARAUJO FILHO
  • ESTRUTURA E DINÂMICA DE COMUNIDADES DE ENDOPARASITOS DE LAGARTOS EM ÁREAS DE CAATINGA EM REGIME PÓS-DISTÚRBIO
  • Data: 28/05/2020
  • Hora: 09:00
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  • O estudo das populações de parasitos e sua relação com seus hospedeiros e meio ambiente, vem ganhando espaço nos últimos anos. Espécies de parasitos podem ser usadas para entender mecanismos de coevolução, relação entre predador/presa, efeito das variações temporais e impacto das ações antrópicas sobre o ambiente. No presente trabalho, nós avaliamos o efeito da supressão da vegetação, e da variação temporal sobre a abundância, aquisição de espécies e nas relações ecológicas entre endoparasitos e seus hospedeiros lagartos. As coletas foram todas realizadas em áreas de Caatinga no Alto Sertão Sergipano, Nordeste do Brasil, sendo uma coleta realizada no período seco, e outra no período das chuvas. Foram coletados 2 141 espécimes de lagartos, pertencentes a 16 espécies, foram coletados 25 687 espécimes de endoparasitas pertencentes a 13 espécies. Nossos principais objetivos são: (i) entender a estrutura da comunidade de endoparasitos, (ii) avaliar o efeito da retirada da vegetação e da variação temporal sobre a comunidade de endoparasitos, e (iii) descrever o padrão nas redes de interação entre endoparasitos, hospedeiros e dieta. Nossos resultados apontam que, para ambientes de Caatinga, a fauna de endoparasitos associada a lagartos são: (i) compostas por espécies generalistas, com alto grau de agregação, onde a abundância média é regulada pela variância, (ii) alterações no ambiente refletem na abundância e aquisição de espécies endoparasitas, em hospedeiros lagartos, (iii) os endoparasitos, também como a dieta, apresentam padrão aninhado nas redes de interação. Nós apresentamos o primeiro trabalho com endoparasitos de lagartos, em relação ao efeito da supressão da vegetação moldando aspectos da comunidade e aquisição de espécies.
  • BRUNA DIAS PONTES RIBEIRO
  • USO E COMÉRCIO DE AVES SILVESTRES NO CERRADO PIAUIENSE, NORDESTE DO BRASIL
  • Data: 20/04/2020
  • Hora: 14:00
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  • O Brasil é detentor de uma megadiversidade faunística de aves. Especialmente na região Nordeste, a caça e a captura de aves silvestres são práticas muito populares. Como consequência, inúmeras espécies de aves são retiradas de seus habitats naturais para serem utilizadas como animais de estimação. Neste âmbito, o objetivo deste capítulo foi avaliar o cenário da captura e comércio de aves silvestres utilizadas para fins de estimação na região sul do estado do Piauí. A pesquisa foi desenvolvida nos municípios de Bom Jesus e Palmeira do Piauí. Os dados foram obtidos através de entrevistas pautadas por formulários semiestruturados e complementadas com conversas informais. Foram entrevistadas 77 pessoas, das quais 64 afirmaram criar/capturar aves silvestres para estimação e 45 relataram comercializar aves para este fim. Um total de 33 espécies de aves foram citadas pelos entrevistados, distribuídas em 2 ordens e 7 famílias. A família Thraupidae foi a mais representativa, seguida da Psittacidae. Encontramos uma associação significativa da riqueza de espécies exploradas com o local de moradia dos entrevistados e o uso de transportes motorizados. De acordo com os entrevistados, as espécies Paroaria dominicana e Gnorimopsar chopi são consideradas as aves preferidas pelos criadores. Segundo os entrevistados, a espécie Sporophila angolensis foi considerada a ave mais rara na região. O assaprão foi a técnica mais citada pelos entrevistados. O canto foi identificado como o principal fator que influencia na escolha e preço da ave. Geralmente, após as aves serem capturadas, preparadas e estarem “prontas” para a venda, estas são comercializadas e os valores variam de R$50,00 a R$800,00. A comercialização, na grande maioria das vezes, é realizada por caçadores ou atravessadores residentes na zona urbana. Dessa forma, nota-se a importância do desenvolvimento de trabalhos etnozoológicos com o objetivo de conhecer as realidades locais e assim facilitar a elaboração de estratégias de manejo sustentável da fauna silvestre.
  • ANTÔNIO PAULINO DE MELLO
  • EFEITO DAS VARIAÇÕES ESPAÇO-TEMPORAIS NO ARMAMENTO DEFENSIVO DE Constrictotermes cyphergaster (Silvestri, 1901) (BLATTODEA, ISOPTERA)
  • Orientador : ALEXANDRE VASCONCELLOS
  • Data: 27/03/2020
  • Hora: 14:00
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  • A composição do armamento químico dos soldados e o perfil de hidrocarbonetos cuticulares dos operários dos térmitas apresentam variações interespecíficas e intraespecíficas. Entretanto, os efeitos espaciais e temporais sobre as composições dessas substâncias são pouco conhecidos. Para verificar o efeito espacial na composição do armamento defensivo dos soldados (ADS) e nos hidrocarbonetos cuticulares dos operários (HCC) amostras de Constrictotermes cyphergaster foram coletadas em quatro localidades do Nordeste brasileiro. O efeito da variação temporal na composição do ADS foi analisado a partir de um monitoramento de colônias durante estações secas e chuvosas de dois anos consecutivos. Também foi verificado se ocorre compartilhamento de substâncias químicas entre o ADS e os compostos voláteis do suporte/recurso alimentar (CVSR): Poincianella pyramidalis. Para todos os casos foram preparados extratos com hexano, e o material obtido foi analisado por cromatografia gasosa acoplada ao espectro de massas. O ADS foi composto por 32 substâncias voláteis e os HCC por 16 compostos. Soldados e operários apresentaram quimiotipos característicos para cada ecorregião amostrada. Compostos monoterpenos apresentaram maiores percentuais na estação chuvosa (60,52%), enquanto que os sesquiterpenicos (39,33%) e demais benzenoides (9,04%) na estação de seca. Os soldados C. cyphergaster apresentaram um perfil químico característico para cada estação climática. Nas estações secas, os compostos mais expressivos foram o por α- pineno (29,43%) e γ-amorpheno (7,36%), enquanto que nas chuvosas, α-pineno (37,89%) e p- cymeno (5,27%). As diferenças nos perfis químicos seguiram o ciclo de alternância das estações climáticas. A CVSR apresentou 64 substâncias. Apesar das diferenças quali-quantitativas quanto comparados com a composição do ADS, constatou-se o compartilhamento de 27 compostos entre C. cyphergaster e P. pyramidalis (similaridade média de 84,40%). Estes resultados mostram o quanto os produtos químicos defensivos produzidos por C. cyphergaster são sensíveis a fatores externos, seja em função da espacialidade, nas variações ambientais macrorregionais, ou nas mudanças ambientais locais ocorridas em função do tempo. O compartilhamento das substâncias entre as espécies remete a possibilidade de que as variações químicas observadas nos cupins, esteja relacionado a possibilidade de que as substâncias defensivas de C. cyphergaster sejam provenientes de sequestro de substâncias ou de assimilação de compostos percursores, por meio da dieta.
  • MATHEUS DA NOBREGA ESTRELA
  • EVOLUÇÃO FILOGENÉTICA E DE TRAÇOS DO GÊNERO MICRURUS
  • Data: 28/02/2020
  • Hora: 09:30
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  • Este trabalho teve como objetivo entender melhor como ocorreu a evolução filogenética do gênero Micrurus dentro do continente americano, respondendo às perguntas como quando o gênero se originou, onde foi o centro de dispersão, e qual caminho as espécies percorreram até sua atual distribuição. Para isso, primeiramente construímos uma filogenia baseada no gene NADH sub-unidade 4, que revelou o surgimento do grupo ainda no Mioceno, antes do que sugerem outros trabalhos relacionados. As espécies de padrão de coloração tricolor mônade e tríade formaram dois grupos monofiléticos. Pelos tempos de divergência apresentados pela nossa filogenia, nós corroboramos a atual hipótese de que a população ancestral de Micrurus entrou na América do Sul através de um arco de ilhas que conectou a América do Norte com a do Sul durante o Mioceno, e que o gênero teve uma origem sul-americana. Sugerimos também que a criação da América Central com o fechamento do Istmo do Panamá, o levantamento da Cadeia Montanhosa dos Andes, o fechamento do Sistema Acre formando o Rio Amazonas e o surgimento do Planalto Central Brasileiro foram fatores chave para a evolução de Micrurus. Ainda, nossos dados apontam que o centro de dispersão do gênero foi ao norte da América do Sul, de onde uma população ancestral do grupo mônade migrou em direção ao sul, colonizando a costa leste do continente e a Floresta Amazônica – após o fechamento do Sistema Acre – e uma segunda população migrou em direção à América Central e do Norte – após o fechamento do Istmo do Panamá. Já o grupo tríade se dispersou em direção ao sul, colonizando desde áreas secas na Caatinga e Cerrado brasileiro até áreas úmidas na Amazônia. A divergência das espécies sul-americanas foi bastante influenciada pelo levantamento dos Andes, que foi provavelmente responsável por eventos de vicariância, separando espécies nos lados cis- e trans-Andes. Além disso, foi testada a hipótese de se a coloração dita aposemática das cobras-corais do gênero Micrurus está em coevolução com a toxicidade de seu veneno. Para isso foram construídas duas filogenias para cada umas das duas principais toxinas do veneno de Micrurus, PLA2 e 3FTx, para serem comparadas com a filogenia do NADH que nos mostra como ocorreu a história evolutiva do grupo. Ao analisar os grupos formados na filogenia do NADH foi sugerido que o padrão de coloração dessas serpentes é uma característica ligada a história filogenética do grupo, e não tanto a fatores ambientais. Da mesma forma, os grupos formados nas árvores das toxinas nos fizeram sugerir que a composição do veneno dessas serpentes também segue a história evolutiva do grupo, em vez de fatores ambientais. Com esses resultados, nós sugerimos que os genes responsáveis pela expressão da coloração das cobras-corais estão intimamente ligados aos genes codificadores das toxinas que compõem seu veneno e, assim, essas duas características podem realmente estar em coevolução, e que a coloração tem, de fato, uma função aposemática nessas serpentes.
  • ANNA KAROLINA MARTINS BORGES
  • Comércio on-line de peixes ornamentais no Brasil: aspectos etnozoológicos e implicações para a conservação
  • Data: 20/02/2020
  • Hora: 09:30
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  • O aquarismo é uma prática cuja popularidade tem crescido continuamente nas últimas décadas. Essa popularidade transformou o comércio de peixes ornamentais em um mercado multimilionário que envolve diversos países e centenas de espécies. O Brasil é considerado um país de grande importância nesse contexto, tanto no âmbito doméstico como internacional. Trabalhos recentes demonstram que a internet tem potencializado drasticamente o comércio de fauna, de forma legal ou não. Entretanto, ainda existe uma grande carência de informações sobre este tipo de comércio, o que dificulta o desenvolvimento de estratégias de gestão. Diante disso, através deste trabalho objetivamos analisar pela primeira vez o comércio on-line de peixes ornamentais no Brasil, monitorando anúncios em uma plataforma de rede social. Além disso, buscamos analisar o perfil dos aquaristas brasileiros através da aplicação de questionários on-line. Em um período de seis meses, registramos 1.121 anúncios de venda de peixes ornamentais, totalizando 5.005 indivíduos pertencentes a pelo menos 609 espécies, a maioria não nativa do Brasil. O comércio on-line é dominado por anúncios de peixes de água doce (64%). Do total de espécies anunciadas, 25% são de comercialização proibida, as quais são mais caras. Espécies não-nativas também apresentaram valores mais altos e o tamanho foi outro fator que influenciou positivamente no preço. Considerando os aquaristas que responderam aos questionários (n = 906), a maioria são homens (88%), que cursam ou cursaram nível superior (53%) e com renda acima de dois salários (78%). Foi verificado que a quantidade de peixes que cada aquarista possui aumenta de acordo com a renda e a experiência e que a soltura de peixes na natureza não está relacionada com a escolaridade, mas sim com a renda. Além disso, uma parcela considerável dos hobbystas (14%) já liberou peixes na natureza, contribuindo para o aumento do risco de introdução de espécies exóticas. Nossos resultados revelam a necessidade de esforços para aprimorar a regulamentação do comércio on-line de peixes ornamentais no Brasil, principalmente em estratégias que visem a fiscalização dessa atividade. Acreditamos que a orientação dos consumidores sobre os impactos negativos causados pelo comércio e pela soltura irresponsável de peixes pode contribuir para modificar atitudes que ameaçam a conservação das espécies exploradas
  • TAINÁ SHERLAKYANN ALVES PESSOA
  • DIVERSIDADE DE MAMÍFEROS DE MÉDIO E GRANDE PORTE EM PAISAGENS ANTROPIZADAS DA CAATINGA
  • Data: 20/02/2020
  • Hora: 08:30
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  • A exploração de áreas naturais tem se intensificado com o aumento da população humana, notadamente com o objetivo de satisfazer suas necessidades de produção de alimento, através da agricultura e pecuária. Este processo tem causado a introdução de espécies exóticas e alterações nas características da paisagem que, por sua vez, determinam mudanças na estrutura das comunidades de médios e grandes mamíferos. Visando o preenchimento de lacunas acerca das consequências da alteração da paisagem sobre a mastofauna da Caatinga, o objetivo deste estudo foi identificar o efeito da perturbação antrópica na diversidade das comunidades de médios e grandes mamíferos da Caatinga em duas regiões com distintos regimes de precipitação e graus de proteção: o Parque Nacional do Catimbau (PNC), PE, uma das maiores unidades de conservação da Caatinga no estado de Pernambuco, e o Cariri paraibano (CAR), a região mais seca do país, incluindo um núcleo de desertificação da Caatinga. A principal hipótese testada foi que a perda de habitat conduz ao empobrecimento e homogeneização das comunidades de médios e grandes mamíferos nativos, enquanto favorece as espécies exóticas. Foram realizadas técnicas de sensoriamento remoto para determinação da cobertura florestal em 18 paisagens no PNC e 4 paisagens no CAR e utilizadas armadilhas fotográficas para o registro de médios e grandes mamíferos durante 24h/dia ao longo de cinco meses em Pernambuco e nove meses na Paraíba. Com estas informações foram descritos os padrões de composição e dominância das espécies ao longo do gradiente de perturbação e estimadas as diversidades alfa, beta e gama das comunidades. Como esperado, no PNC a perda de habitat reduziu a diversidade alfa das espécies nativas e aumentou a diversidade das exóticas. No CAR isto também ocorreu, porém a redução da diversidade de nativas e aumento da diversidade de exóticas nas paisagens mais perturbadas se deu de forma não linear. Adicionalmente, a diversidade beta regional foi muito baixa em ambas as regiões, o que sugere que a Caatinga tem sofrido um processo de homogeneização biótica. A diversidade gama de nativas também foi extremamente baixa (8 espécies no PNC e 10 no CAR) dado o total de 183 espécies com registros para a Caatinga. Isto é ainda mais preocupante quando se observa que cerca 75% dos registros (XXX no PNC e 2808 no CAR) foram de espécies exóticas. Em realidade, há uma tendência geral de que as comunidades nas paisagens mais perturbadas convirjam taxonomicamente para apenas duas espécies: Capra hircus (cabras) e Cerdocyon thous (raposas), ainda que espécies raras como Mazama gouazoubira e Herpailurus yagouaroundi ainda possam persistir. De modo geral, os resultados indicam que ambas as regiões abrigam novas comunidades de mamíferos sob um padrão de dominância das espécies exóticas. Isto é preocupante, uma vez que as espécies exóticas são predominantemente herbívoras e podem ocasionar um considerável impacto biomassa vegetal, com efeitos cascata no funcionamento do ecossistema. Para reverter o quadro e evitar uma descaracterização ainda maior da mastofauna nativa, sugere-se implementar ações de restauração florestal, combater a caça e o comércio ilegal, reintroduzir espécies nativas eliminadas localmente e desenvolver um novo modelo de pecuária sustentável.
  • HENRIQUE BEZERRA DOS SANTOS
  • Variação populacional e estresse termo-salino na anêmona-do-mar Anthopleura Krebsi
  • Orientador : MIODELI NOGUEIRA JUNIOR
  • Data: 28/01/2020
  • Hora: 09:00
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  • NATHAN PAIVA BRITO
  • Transcriptoma de duas espécies neotropicais de Cyphoderus (Collembola: Paronellidae: Cyphoderinae)
  • Data: 27/01/2020
  • Hora: 10:30
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  • Considerados um dos organismos mais abundantes da fauna edáfica, os Colêmbolos atuam no processo de ciclagem dos nutrientes e por isso possuem uma grande afinidade com esse ambiente. Devido essa afinidade alterações nos ambientes de solo afetam rapidamente as populações de Collembola, alterando sua dinâmica populacional causada por stress fisiológico. Tais alterações ambientais podem ser observadas a níveis genéticos, e processos biológicos e evolutivos podem ser estudados através de abordagens que avaliam a expressão dos genes. O estudo da expressão genética possibilita simultaneamente o entendimento da estrutura dos transcritos, informações alélicas, assim como também algumas técnicas possibilitam verificar a abundância de transcritos e suas isoformas, além de proporcionar uma alta resolução da expressão. Neste trabalho, empregamos a tecnologia de RNA-seq para sequenciar através da plataforma Illumina e montar o conjunto de transcritos de duas espécies do gênero Cyphoderus de regiões diferentes utilizando o Software Trinity. C. similis apresentou o número de transcritos (46.269) equiparado com outras espécies de Collembola já estudadas. C. innominatus apresentou um número de transcritos elevado (60.002), apesar de ainda estar abaixo do número máximo de transcritos descritos para Collembola. O EvidentiaGene foi um programa chave para produzir transcriptomas de melhor qualidade nas análises. A estatística ExN90 (~3 kb em C. similis e ~2,5 kb em C. innominatus) foram mais representativas dos transcriptomas que as estatísticas de N50 geradas pelo Trinity (~ 2,1 kb em C. similis e ~ 1,5 kb em C. innominatus). A anotação funcional detectou 2.082 e 1.252 genes a mais para C. similis e C innominatus respectivamente, mostrando-se uma importante ferramenta. Foram identificados através do Pfam e da ontologia de genes, 2.753 e 10.850 identificadores respectivamente compartilhados em ambas as espécies além de 640 e 1.319 identificadores GO exclusívos e 95 e 106 identificadores Pfam exclusivos para C. similis e C. innominatus respectivamente. Este trabalho é a primeira descrição de dados parciais de sequenciamento de transcriptomas em espécies do gênero Cyphoderus, proporcionando um recurso de informações genéticas necessárias para o entendimento acera da biologia do gênero Cyphoderus e consequentemente sobre Collembola, proporcionando um viés na criação de perguntas e respostas sobre a origem e evolução de caractéristicas importantes desses animais.
2019
Descrição
  • DIEGO ALVES TELES
  • Helmintofauna Associada a Lagartos (Squamata: Reptilia) e Efeitos dos Fatores Abióticos e Bióticos Sobre Helmintos de Lagartos na Caatinga Semiárida Neotropical
  • Orientador : DANIEL OLIVEIRA MESQUITA
  • Data: 16/12/2019
  • Hora: 08:00
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  • SUÊNIA PRISCILA DE SOUSA CHAVES
  • Parasitos de peixes nos Brejos de Altitude da Paraíba
  • Orientador : ANA CAROLINA FIGUEIREDO LACERDA
  • Data: 29/11/2019
  • Hora: 15:00
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  • LAÍS GUMIER SCHIMITH
  • Estrutura da comunidade bêntica do Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha, Cabedelo (PB): avaliação dos efeitos do turismo na macrofauna local
  • Data: 31/10/2019
  • Hora: 14:00
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  • O ambiente marinho tem sofrido muitos impactos associados às mudanças nas condições ambientais e à crescente expansão do turismo. Os danos ligados às atividades recreativas são ainda mais intensos em destinos populares de lazer e férias, como o Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha (PEMAV). Este estudo visou caracterizar a macrofauna bêntica e identificar possíveis impactos após a temporada de maior visitação (verão). Seguindo o delineamento amostral BACI (before-after-control-impact), as amostragens foram realizadas em novembro de 2017 e março de 2018 (antes e depois da alta temporada de visitação). Amostras em triplicata foram coletadas nas zonas entremarés e sublitoral de Areia Dourada (AD, área de referência) e em quatro regiões de Areia Vermelha (AV, área de impacto) sujeitas a diferentes usos recreativos. Os resultados indicam que o PEMAV apresenta uma comunidade perturbada, com alta dominância de relativamente poucas espécies oportunistas capazes de lidar com o estresse na área. Gastropoda foi o táxon dominante da macrofauna (~98% do total coletado), apesar de a coleta de conchas com organismo ser inferior a 1%. Seus principais representantes foram Caecum ryssotitum e Eulithidium affine (~30% dos espécimes). Bivalvia, segundo grupo mais abundante, foi dominado por Warrana besnardi e Crassinella lunulata (~90% dos bivalves). Houve variação significativa (ANOVA, p<0,05) da densidade e dos parâmetros de diversidade avaliados entre regiões, períodos e zonas, exceto para o índice de Shannon com valores semelhantes entre as zonas. A estrutura da comunidade de gastrópodes e bivalves diferiu entre os fatores testados (PERMANOVA, p<0,05), com alta similaridade na composição de espécies de AD e das regiões de banco de areia e de catamarãs de AV. A ocorrência de mudanças significativas entre períodos foi relacionada, sobretudo, a diferenças na composição granulométrica (regiões de platô recifal e snorkeling) e a disponibilidade de recursos alimentares (AD). No geral, as principais diferenças entre as áreas de referência (AD) e de impacto (AV) não foram relacionadas à alta visitação, pois já eram encontradas no período “antes”. As variações espaço-temporais da comunidade foram controladas por processos associados às características do sedimento, condições ambientais estabelecidas durante o ciclo das marés e pressão antropogênica na área. Embora os mecanismos envolvidos na sobrevivência dos organismos precisem de esclarecimentos adicionais e mais detalhados, a baixa correspondência entre organismos vivos e mortos reforça a necessidade de adotar medidas mais eficazes para o manejo do PEMAV.
  • HIGOR LUIZ ARAÚJO DE MESQUITA
  • Evolução cariotípica de roedores Sigmodontinae da América do Sul
  • Orientador : PEDRO CORDEIRO ESTRELA DE ANDRADE PINTO
  • Data: 24/10/2019
  • Hora: 09:00
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  • RONIERE ANDRADE DE BRITO
  • VARIAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA TAXOCENOSE DE COLÊMBOLOS (HEXAPODA: COLLEMBOLA) EM AMBIENTES CAVERNÍCOLAS INTERLIGADOS PELO HABITAT SUBTERRÂNEO SUPERFICIAL (HSS), NO QUADRILÁTERO FERRÍFERO (ROCHA FERRUGINOSA), MG – BRASIL
  • Data: 22/10/2019
  • Hora: 14:00
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  • Cavernas são ambientes naturais subterrâneos formados por um ecossistema complexo, que pode abrigar espécies de animais adaptados às zonas mais profundas, caracterizada pela ausência total de luz, oligotrofia, temperatura com baixa oscilação circanual e umidade que tende a saturação. No Brasil, as alterações na legislação que versam sobre o assunto, que agora possibilita a supressão de cavernas, tem intensificado os estudos nas áreas do Quadrilátero Ferrífero (QF), em Minas Gerais, devido o valor econômico do minério de ferro aliado a alta concentração de cavernas. Os colêmbolos são mundialmente reconhecidos e utilizados para monitoramento dos impactos antrópicos sobre o ambiente. A taxocenose de Collembola pode ocupar toda a área de uma caverna, desde a lâmina d’água de pequenas poças até os canalículos que fazem a comunicação com o Habitat Subterrâneo Superficial (HSS), como é definida as fissuras e rachaduras na rocha, que permite a comunicação de espécies entre cavernas e os horizontes superiores do solo. Para compreender a variação espaço-temporal da taxocenose de Collembola no ambiente cavernícola e a comunicação com o HSS, foram realizadas coletas ativas em três áreas distribuídas entre a Serra da Moeda (Serrinha e Capitão do Mato) e a Serra do Gandarela (Apolo), nos anos de 2016 e 2017. As variáveis temperatura e umidade também foram analisadas e correlacionadas com os dados bióticos. Os resultados mostram que a riqueza é influenciada pela umidade, e não possui diferença significativa dentro ou fora da caverna. Enquanto que a abundância é influenciada pela temperatura e difere entre os ambientes hipógeo e epígeo. A taxocenose de Collembola varia de forma inversa entre os períodos secos – maior riqueza e menor abundância, e chuvosos – maior abundância e menor riqueza, com exceção da zona afótica que possui maior riqueza e abundância no período seco. O gênero mais comum registrado foi Pseudosinella, seguido por Cyphoderus. O HSS tem a umidade como variável estruturante da taxocenose de Collembola, e apresenta temperaturas com menor amplitude anual. Registrou abundância 10 vezes maior, e a metade da riqueza, quando comparado com a caverna. Há uma clara indicação que as cavernas do QF não possuem condições para formação de colêmbolos troglóbios, enquanto que o HSS tanto mantém populações quanto condições favoráveis a conduzir o processo evolutivo de espécies troglóbias. Portanto, são necessários ajustes nos mecanismos utilizados para tratar de Conservação e Monitoramento Ambiental nas áreas de mineração.
  • WILLIAN FABIANO DA SILVA
  • Revisão taxonômica e análise cladística do gênero Cyrtopholis Simon, 1892 (Araneae, Mygalomorphae, Theraphosidae).
  • Data: 30/09/2019
  • Hora: 14:00
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  • Cyrtopholis é um dos cinco gêneros de Theraphosinae que apresenta aparato estridulatório localizado nos trocânteres dos palpos e/ou coxas das pernas I, composto por um conjunto de cerdas rígidas que se atritam gerando ruído. Este é um importante caráter taxonômico utilizado para delimitação dos gêneros. Cyrtopholis possui um elenco relativamente numeroso, com 24 espécies descritas para a região do Caribe e um registro duvidoso para a América do Sul. O gênero nunca passou por uma revisão taxonômica ou por uma análise filogenética e as descrições originais são antigas, contendo apenas informações genéricas de Theraphosidae, gerando desconhecimento da real diversidade faunística e sua ocorrência. O presente trabalho teve como objetivo revisar a taxonomia e testar o monofiletismo de Cyrtopholis e a sua relação entre táxons que apresentam similaridade morfológica, como Longilyra Gabriel 2014, Cubanana Ortiz, 2008, Phormictopus Pocock, 1901, Acanthoscurria Ausserer 1871 e Umbyquyra Gargiulo, Brescovit & Lucas, 2018, através de uma análise cladística que incluiu pelo menos a espécie tipo de cada gênero, além de representantes da diversidade de Theraphosinae, como grupo externo. A matriz foi composta por 52 caracteres morfológicos (contínuos e discretos) e 52 táxons terminais. As árvores mais parcimoniosas foram encontradas através de buscas heurísticas com e sem pesagem implícita diferencial de caracteres usando o programa computacional TNT. As espécies de Cyrtopholis se mostraram em um agrupamento monofilético com a inclusão de Longilyra e é proposta a sinonímia entre esses gêneros. As espécies de Cyrtopholis são agrupadas por sinapomorfias não exclusivas: presença de aparelho estridulatório composto por cerdas do tipo claviforme nos trocanteres dos palpos e pernas I, flexão do metatarso I sobre o ramo retrolateral da apófise tibial, presença de nódulo retrolateral tibial dos palpos e cerdas urticantes do tipo I e III no dorso do abdômen. São descritas duas espécies novas de Cuba e quatro espécies novas da República Dominicana. É descrita a fêmea de Cyrtopholis agilis, da qual só se conhecia o macho para Santo Domingo, redescritas quatro espécies das oito descritas por Franganillo – as outras quatro foram consideradas species inquirenda ou nomem nudum por perda de holótipos. Além disso, foram diagnosticadas as cinco espécies tipos depositadas no Museu Britânico de História Natural, três do Museu de Zoologia Comparada de Havard, três do Museu de História Natural de Holguin, Cuba, duas do Senckenberg Museum, Frankfurt, Alemanha e uma do Museu Americano de História Natural, Estados Unido, totalizando pela primeira vez a revisão de todas as 24 espécies do gênero. Por fim, é proposto um novo gênero de Cuba, de acordo com a topologia da filogenia apresentada, que se mostrou próximo a Cyrtopholis.
  • FABRÍCIO RAUAN GARCIA FURNI
  • WHOLE MITOCHONDRIAL GENOME CHARACTERIZATION OF THE BRAZILIAN ANTILLEAN MANATEE (Trichechus manatus manatus): EVIDENCE FOR A NEW BIOLOGICAL UNIT
  • Data: 30/08/2019
  • Hora: 14:00
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  • Animais da big fauna enfrentam diversos problemas taxonômicos devido a fatores como a falta de materiais em coleções científicas ou até dificuldades em amostragens. Os grandes mamíferos estão inclusos, onde muitos grupos ainda possuem incertezas taxonômicas, como os peixes-boi das Índias Ocidentais. Estudos recentes trazem diferenças genéticas, morfológicas e cromossomais que indicam uma possível nova unidade biológica para a população brasileira de peixes-boi marinhos, como uma nova espécie. Porém, uma abordagem genômica é necessária para um melhor espectro das distâncias genéticas e estruturação das populações destes animais. Neste sentido, este estudo buscou sequenciar e caracterizar o primeiro genoma mitocondrial para o peixe-boi marinho do Brasil (Trichechus manatus manatus), com comparações intra e interespecíficas. Amostras de sangue foram coletadas de animais de vida livre e em cativeiro no Nordeste do Brasil. Extração de DNA, uma nova técnica de isolamento do genoma mitocondrial para Sirênios e Sequenciamento de Nova Geração (NGS) foram realizadas para obtenção de sequências para 24 amostras. Processos bioinformáticos foram utilizados para análises de controle de qualidade, montagem e comparações intra e interespecíficas. Ao todo foram 3.859.650 sequências cruas geradas, no qual 18 mitogenomas completos com uma cobertura média de 150x foram obtidos. O mitogenoma é composto por 13 genes codificadores de proteína, 18 tRNAS, 2 sRNAs e uma região controle, somando um tamanho total de 16882 pb. Análises de distância trazem uma divergência maior entre os peixes-boi marinho do Brasil e da Flórida, do que entre os animais Amazônicos e da Flórida. Levando em consideração correta identificação taxonômica das amostras, os resultados sugerem uma elevação do nível taxonômico da população de peixes-boi marinhos brasileira para uma nova espécie. Ainda, sugerem uma necessidade de revisão taxonômica, não só dentro de T. manatus, mas em todo o gênero Trichechus.
  • NATAN DIEGO ALVES DE FREITAS
  • O hospedeiro que habito. Uma revisão sistemática de agentes infecciosos de canídeos silvestres no Brasil
  • Data: 29/08/2019
  • Hora: 15:30
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  • Buscamos reunir o estado do conhecimento de Agentes Infecciosos (AI) nos canídeos silvestres de vida livre e cativeiro no Brasil por meio do levantamento dos AI reportados para cada espécie de hospedeiro, ilustrar a rede de susceptibilidade e a distribuição temporal e espacial dos estudos no Brasil e dentro de unidades de conservação (UC). Dentre as 2.102 publicações resultantes em nossa busca, 123 preencheram nosso critério de inclusão. Estudos em cativeiro contribuíram significativamente no conhecimento de AI detectados (p<0,05), demonstrando a importância dessas instituições. Os estudos foram conduzidos em 20 estados, com 44,9% concentrados na região sudeste. AI zoonóticos de importância para saúde pública e produção animal foram os mais estudados enquanto os de preocupação para conservação foram negligenciados. No entanto, os padrões de distribuição observado seguem um viés de amostragem e produtividade cientifica e parecem ser mais determinados por isso do que por padrões eco-epidemiológicos. Reunimos um total de 54 espécies de AI em 890 registros de combinações com hospedeiros, representando as cinco dentre as seis espécies de canídeos brasileiros: Cerdocyon thous , Chrysocyon brachyurus , Lycalopex gymnocercus , Lycalopex vetulus e Speothos venaticus . As cinco espécies de canídeos foram susceptíveis ao vírus da Raiva, vírus da cinomose canina, vírus da parvovirose, Neospora caninume Toxoplasma gondii . Vinte de 22 unidades de conservação (UC) estudadas reportaram AI dentro ou em sua zona de contato, com 89,7% (26/29) dos AI estudados detectados, demonstrando que UC não funcionam como fator limitante para AI. Esse estudo é a primeira compilação de ocorrência e distribuição de AI em canídeos silvestres no Brasil, incluindo os que circulam em UC. Nossos achados destacam ameaças e enfatizam a urgência de um sistema de vigilância que inclua a saúde silvestre.
  • ELLORI LAÍSE SILVA MOTA
  • Aspectos populacionais, habitat, preferência alimentar e exploração de Cassis tuberosa (Gastropoda: Cassidae): implicações para a conservação e manejo
  • Data: 28/08/2019
  • Hora: 14:00
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  • O gastrópode marinho Cassis tuberosa é uma espécie de grande porte que devido às características morfológicas da concha em todas as etapas de vida e ao alcance de até 30 cm de comprimento total da concha, é alvo de captura para suprir o comércio internacional de conchas. A espécie não está na lista da IUCN (International Union for Conservation of Nature and Natural Resources). Em avaliações locais como por exemplo no Caribe colombiano, a espécie foi listada no livro vermelho de espécies ameaçadas como vulnerável (VU), e no Brasil a espécie é classificada como quase ameaçada (NT). De maneira geral, os estudos sobre a espécie C. tuberosa são limitados a registros e informações pontuais sobre a biologia e ecologia do gastrópode. A espécie é citada basicamente como componente de comunidades bentônicas marinhas e como componente da fauna comercializada. Diante disto, o presente estudo se propôs a estudar aspectos populacionais, do habitat e da alimentação natural de Cassis tuberosa, e analisar a pesca e comércio deste gastrópode-alvo do comércio de conchas, além de fornecer recomendações para o manejo da espécie. O capítulo I configura o primeiro esforço para mapeamento e avaliação das populações da espécie em uma faixa litorânea do Nordeste brasileiro. As densidades populacionais do presente estudo figuram entre as maiores já registradas para a espécies ao longo de sua distribuição. Por outro lado, há déficit de indivíduos adultos na população, os quais são os principais alvos do comércio de conchas. A espécie apresenta maior seletividade de substratos não-consolidados, como areia, cascalho e argila, componentes essenciais para o hábito de enterrar-se, que representa o comportamento diurno predominante da espécie. O capítulo II analisou experimentalmente a preferência alimentar do gastrópode, e demonstrou que C. tuberosa preferiu a bolacha-da-praia Mellita quinquiesperforata, e de maneira geral, apresentou maior seletividade de tamanho pelas presas de maior comprimento. As perfurações foram feitas predominantemente na superfície oral e região peristomial. O predador C. tuberosa apresenta maior taxa de atividade entre as primeiras horas da noite, estando estritamente relacionada ao comportamento de forrageio. O capítulo III caracteriza a cadeia de captura e comércio de C. tuberosa, e aspectos do conhecimento ecológico tradicional de pescadores sobre a espécie. O gastrópode sofre pressão de captura associada a atividades de pesca relacionadas a outros recursos-alvo como peixes, lagostas e polvos. Ao longo da cadeia de comercialização da espécie, a utilização da concha para fins ornamentais é a mais difundida, e esta demanda é potencializada pela intensidade do turismo na região. Conhecimentos sobre técnicas de captura e tratamento da espécie são transmitidos de forma vertical na comunidade. O conhecimento ecológico local aponta declínio populacional ao longo do tempo e atribui tal declínio ao aumento da captura. O capítulo IV apresenta as primeiras recomendações de ações para manejo de C. tuberosa a partir da análise de dados existentes sobre a espécie. Recomenda-se portanto, a proibição total da captura de indivíduos sem distinção de tamanho da concha, considerando a prática de captura e comercialização de indivíduos da espécie como ilegal em todos os seus aspectos; o exercício de uma fiscalização eficaz dos desembarques pesqueiros resultantes principalmente da pesca de outros recursos como peixe, polvo e lagosta, a fim de coibir a prática de exploração indevida do gastrópode; e o desenvolvimento contínuo de pesquisas científicas, bem como mapeamento e monitoramento dos estoques populacionais ao longo de toda distribuição da espécie.
  • ADRIANO MEDEIROS DE SOUZA
  • O QUE OS OPILIÕES TÊM A CONTAR SOBRE A FLORESTA ATLÂNTICA? Filogeografia e Modelagem de Nicho revelando processos biogeográficos na Floresta Atlântica
  • Data: 28/08/2019
  • Hora: 09:00
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  • A Floresta Atlântica é um dos hotspots mundiais de biodiversidade e vários estudos vem tentando compreender os padrões biogeográficos conhecidos para esse Bioma. Ao que parece, houve uma grande influência das variações climáticas do Quaternário. Diversos organismos já foram utilizados, e dentre eles, os opiliões tem fornecido algumas pistas sobre a história da Floresta Atlântica. Assim, com o objetivo de investigar os processos biogeográficos elacionados com a diversificação da Floresta Atlântica nordestina, nós realizamos um estudo com as espécies Pseudopudrolia discrepans e Pseudopucrolia mutica (Gonyleptidae) além de Pickeliana pickeli (Stygnidae). Para tal, nós utilizamos tanto uma abordagem filogeográfica quanto também uma modelagem de distribuição potencial. As análises de inferência filogenética com o marcador mitocondrial apontam que Pseudopucrolia discrepans e Pseudopucrolia mutica representam um caso de espécie politípica, assim, a sinonímia entre ambas é sugerida aqui. Além disso, é possível verificar uma baixa estruturação entre as localidades analisadas. Já as análises de Pickeliana pickeli mostram uma estruturação entre as localidades investigadas. As análises de demografia histórica nos indica que os eventos ocorridos durante o Pleistoceno acarretou uma diminuição no tamanho efetivo de P. pickeli. Já em Pseudopucrolia foi verificado um aumento gradual no tamanho efetivo da população durante o Mioceno, seguindo por um diminuição recente do tamanho efetivo das populações. De maneira geral, tanto os resultado obtidos com P. pickeli, assim como os resultados de P. discrepans sugerem uma área de estabilidade que coincide com o núcleo de congruência da Área de Endemismo Pernambuco, tendo em vista a maior quantidade de haplótipos e maiores índices de diversidade nucleotídica nessa região. Tanto P. discrepans quanto P. pickeli constituem grupos com uma longa história de diversificação na Floresta Atlântica, iniciada durante o Paleógeno. A história de ambos os grupos reflete uma interação entre mudanças climáticas globais, associadas eventos geomorfológicos e com características intrínsecas de cada espécie
  • ROMILDA NARCIZA MENDONÇA DE QUEIROZ
  • Aspectos ecológicos e biologia reprodutiva de dois bivalves invasores em habitats costeiros no Nordeste brasileiro
  • Data: 27/08/2019
  • Hora: 14:30
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  • As bioinvasões tem causado grandes impactos econômicos e em ecossistemas, prejudicando espécies nativas e alterando as cadeias alimentares. Diante disto, é importante conhecer melhor a ecologia, biologia e fatores que favorecem estas espécies invasoras. Neste sentido, este estudo teve o objetivo de analisar os aspectos ecológicos e o ciclo reprodutivo dos bivalves invasores Mytilopsis sallei e Isognomon bicolor, além de avaliar fatores ambientais que podem estar favorecendo o estabelecimento e crescimento deles em ecossistemas costeiros no Nordeste do Brasil. O primeiro capítulo traz um estudo no qual foi avaliada a abundância e distribuição de M. sallei no estuário do Rio Paraíba, localizado na Paraíba. A amostragem foi realizada em seis estações amostrais ao longo do estuário, abrangendo um amplo espectro de salinidades, da montante a jusante do rio. Os resultados mostraram que M. sallei foi a espécie bentônica dominante neste estuário, embora não tenha distribuição ampla, ocorrendo apenas em uma estação, a mais distante da foz do rio e a mais poluída. Esta estação também foi a que apresentou as menores salinidades, que foi um fator abiótico que controu a distribuição de M. sallei no estuário. O principal microhabitat para M. sallei foram as raízes do tipo pneumatóforo de árvores de mangue e madeira em decomposição, que foram compartilhadas por outras espécies com comportamentos e perfis de tolerância semelhantes. No segundo capítulo é apresentado o estudo da biologia reprodutiva dos bivalves invasores Mytilopsis sallei e Isognomon bicolor. Para isso os bivalves foram coletados mensalmente de junho de 2016 a maio de 2017, sendo o M. sallei obtido no estuário do Rio Sanhauá e o I. bicolor na praia de Jacarapé, localizados também na Paraíba. Os bivalves coletados foram submetidos aos procedimentos de preparação de lâminas histológicas, para identificação dos estádios de desenvolvimento da gônada e análise de diversos parâmetros reprodutivos. Nas duas espécies predominaram indivíduos em desova e maduros praticamente nos 12 meses estudados. Mytilopsis sallei apresentou mais de 50% dos indivíduos em desova na maioria dos meses, havendo gametogênese principalmente no período de maior precipitação média. Isognomon bicolor teve indivíduos maduros (cerca de 40%) e em desova (mais de 40%) em todos os meses do ano, mas teve a maior concentração de indivíduos maduros nos meses de maior precipitação. Os resultados obtidos dos aspectos reprodutivos estudados confirmam o grande potencial invasor das duas espécies.
  • RAFAELA CRISTINA DE SOUZA DUARTE
  • Comunidade de Macroinvertebrados associados a diferentes espécies de macroalgas recifais e estuarinas no nordeste brasileiro
  • Data: 26/08/2019
  • Hora: 14:00
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  • As macroalgas são consideradas componentes essenciais nos ecossistemas nos quais estão inseridas, já que suportam uma gama de organismos associados. Tanto a complexidade do habitat, quanto a sazonalidade também pode influenciar na abundância de macroinvertebrados participantes do fital. Estudos baseados em índices de riqueza e diversidade funcionais buscam compreender os papeis ecológicos desenvolvidos pelas espécies e sua interação com o meio no qual estão inseridas. Nesse contexto, o presente estudo tem por objetivo verificar a influência da complexidade das macroalgas sobre as comunidades de invertebrados associados a elas em um ambiente recifal e outro estuarino hipersalino. Assim como, entender as variações sazonais dessas comunidades e como elas estão funcionalmente estruturadas, verificando para isso, se há diferença na diversidade e na riqueza funcional da comunidade de moluscos. A pesquisa foi desenvolvida no estuario hipersalino do Rio da Casqueira e nos Recifes da Praia do Seixas, Nordeste do Brasil. As seguintes perguntas nortearam esta pesquisa: i) Existe influência da complexidade do habitat oferecido pelas macroalgas na composição, abundância, riqueza e diversidade de macroinvertebrados e no tamanho dos moluscos? ii) A comunidade de macroinvertebrados associada às macroalgas no ambiente estuarino e o tamanho dos moluscos diferem no que diz a respeito às épocas de seca e chuva? e, iii) Há diferença na diversidade e riqueza funcionais da comunidade de moluscos em relação a complexidade das macroalgas? Observou-se que os grupos mais abundantes nesse tipo de micro-habitat são semelhantes nos ecossistemas estudados (recife e estuário), sendo eles: Amphipoda, Polychaeta, Echinodermata e Mollusca. Além disso, a malacofauna foi composta predominantemente por micromoluscos (0,20 a 4,50 mm de comprimento). Constatou-se também, que no ambiente estuarino houve uma maior variação na morfologia das macroalgas, e uma diferença na abundância da macrofauna nos dois períodos sazonais analisados.Por tanto, sugere-se que tanto a complexidade do habitat quanto a sazonalidade afetam a riqueza, diversidade e abundância das comunidades associadas. Assim, fica evidente a relevância dos microhabitats macroalgais e seus organismos associados na estruturação das cadeias tróficas dos ecossistemas marinhos e estuarinos.
  • ADONIAS APHOENA MARTINS TEIXEIRA
  • Liberação ecológica de lagartos e endoparasitos em áreas de floresta tropical atlântica, nordeste da região neotropical
  • Data: 20/08/2019
  • Hora: 14:00
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  • Comparamos taxocenoses de endoparasitas-lagartos entre áreas de Floresta Atlântica e enclaves florestais isolados naturalmente para testar a hipótese de Liberação Ecológica (H.L.E). Predição: em áreas isoladas (taxocenoses pobres) os parasitas devem apresentar uma menor especificidade de hospedeiro (ampla largura de nicho) somado a maior abundância em relação a áreas não isoladas (taxocenoses diversas). Para lagartos, H.L.E. prediz que suas dimensões de nicho (ex. dieta e morfologia) e abundância devem ser maiores em áreas isoladas do que em áreas não isoladas. A abundância de parasitas não diferiu entre áreas, mas mostrou uma relação positiva com a riqueza de parasitas. Por outro lado, a especificidade de hospedeiro foi positivamente relacionada com riqueza de parasitas. Parasitas estão parcialmente sob L.E., pois na presença de potenciais competidores aumentam sua abundância (por hospedeiro), devido a facilitação de infecção; entretanto, o uso de hospedeiros (amplitude) só expande na ausência de competidores. Por outro lado, não existem diferenças significativas com relação a abundância de lagartos e a largura de nicho (morfologia) entre áreas isoladas e não isoladas, entretanto a largura de nicho (dieta) foi significativamente maior em áreas não isoladas. Ainda, a baixa riqueza de lagartos em áreas isoladas (oportunidade ecológica) não alterou seus traços morfológicos e sua abundância, enfatizando a importância de fatores históricos na estrutura de taxocenoses. Contudo, a largura de nicho (dieta) foi maior em áreas não isoladas do que isoladas, indicando uma forte relevância dos fatores ecológicos / recentes na estruturação das taxocenoses não isoladas, podendo ser explicado pela ausência de competição entre as espécies de lagartos nessas localidades.
  • IDALIO DO AMARANTO COSTA
  • SEQUENCIAMENTO E ANÁLISE COMPARATIVA DO DNA DE Cyphoderus similis FOLSOM E Cyphoderus innominatus MILLS
  • Data: 31/07/2019
  • Hora: 15:00
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  • O gênero Cyphoderus Nicolet 1842 é o maior na subfamília Paronellidae, com distribuição mundial. No Brasil ocorrem nove espécies e dentre elas temos Cyphoderus similis Folsom 1927 e Cyphoderus innominatus Mills 1938. Atualmente apenas quatro espécies da Classe Collembola têm seu genoma completo publicado enquanto apenas 14 espécies apresentam seu genoma mitocondrial acessível. Estudos envolvendo o sequenciamento de DNA ampliam o conhecimento da biologia do grupo a nível molecular, tornando-se ponto inicial para estudos genéticos, evolutivos, filogenéticos e de conservação. Portanto esta dissertação tem como objetivo principal sequenciar e comparar o DNA nuclear e mitocondrial de C. similis e C. innominatus, e como objetivos específicos temos: a descrição estrutural e funcional dos genomas sequenciados; a comparação dos genomas sequenciados com os demais genomas publicados; realizar um teste filogenético molecular utilizando os genes sequenciados. A espécie C. similis foi coletada aleatoriamente a partir de solos de cavernas de minério de ferro em Minas Gerais, enquanto que a espécie C. innominatus foi coletada em áreas verdes da Universidade Estadual da Paraíba, João Pessoa. Posteriormente os espécimes foram mantidos em cultivos, separados por espécie. No Instituto Tecnológico Vale – Desenvolvimento Sustentável (ITV-DS/PA) foram realizadas as etapas de extração e sequenciamento do DNA. Utilizou-se o kit DNeasy Blood & Tissue para extração e as tecnologias de sequenciamento Illumina NextSeq e MiniSeq com as técnicas paired-end e mate-pair combinadas. Temos como resultados o sequenciamento dos DNA mitocondriais com um comprimento total de 14.988 bp com 36 genes para C. similis e 14.811 pb com 37 genes, para C. innominatus, ambas apresentando conteúdo gênico completo e semelhante a outros genomas mitocondriais de Collembola. A filogenia baseada em sequencias de DNA mitocondrial corrobora estudos anteriores, porém traz maior robustez para a filogenia molecular atual de Collembola. Os genomas nucleares contêm como comprimento total máximo 358 Mb com N50 de 3.3 Kb para C. similis e 370 Mb com N50 de 3.2 Kb para C. innominatus. A anotação gênica apresentou 278.865 genes putativos encontrados no genoma de C. innominatus com densidade de 3.8 genes para cada éxon encontrado. Os genomas nucleares apresentam-se ainda fragmentado e com baixo valor de N50 ao ser comparado com outros genomas disponíveis. Portanto, concluímos aqui os dois novos genomas mitocondriais completos, além dos primeiros Drafts Genomes nucleares para Cyphoderus similis e Cyphoderus innominatus, os primeiros genomas de Collembola para a região brasileira.
  • DANIEL BRUNO DE SA DANTAS
  • DIVERSIDADE DE BESOUROS ESCARABEÍNEOS COPRO-NECRÓFAGOS (COLEOPTERA: SCARABAEIDAE: SCARABAEINAE) E A DISPERSÃO SECUNDÁRIA DE SEMENTES POR Canthon (Peltecanthon) staigi (Pereira, 1953) EM UMA ÁREA DE FLORESTA ATLÂNTICA NO NORDESTE DO BRASIL
  • Data: 29/07/2019
  • Hora: 09:00
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  • Besouros escarabeíneos (Coleoptera: Scarabaeidae: Scarabaeinae) possuem mais de 6.200 espécies descritas, as quais são predominantemente coprófagas. Devido a suas atividades de alimentação e reprodução são sugeridos como bioindicadores e desempenham papéis ecológicos importantes. O presente estudo teve como objetivo estudar a diversidade de besouros escarabeíneos copro-necrófagos e avaliar a capacidade de dispersão secundária de sementes por Canthon staigi em uma área de Floresta Atlântica no Nordeste do Brasil. Foram formuladas as seguintes hipóteses: a riqueza e abundância desses besouros é maior na estação chuvosa; há diferença na composição de espécies entre as estações; Canthon staigi é um eficiente dispersor secundário de sementes pequenas. As seis coletas de besouros e sementes foram realizadas no Refúgio da Vida Silvestre Mata do Buraquinho, sendo três durante a estação seca e três na chuvosa, em 2018. Foram utilizados 40 pitfalls, iscados com fezes humanas e baço bovino apodrecido para besouros e dez coletores (1x1m) para chuva de sementes. Sementes e besouros foram triados e apenas os indivíduos da espécie C. staigi foram mantidos vivos para os testes em laboratório. Os dados de abundância e riqueza entre as estações foram comparados utilizando ANOVA um fator. Cinco testes de dispersão secundária de sementes foram realizados no Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação – LEAC-UFPB. Para isso, as sementes, previamente classificadas em quatro classes de tamanho, foram inseridas em porções de 15g de fezes bovinas frescas e dispostas em cada um dos dez terrários. Os terrários foram adaptados em bandejas plásticas (43 x 30 x 8cm) com terra, cada uma contendo cinco besouros. Foram feitos os registros de quantidades de bolas com ou sem sementes. Também foi feita a observação dos tipos de movimentos horizontal ou vertical. Dos 1.184 indivíduos coletados de nove espécies, foram registrados 756 (63,9%) das nove espécies para a estação chuvosa e 428 (36,2%) de seis espécies para a seca, sendo encontrada diferença significativa tanto na abundância quanto na riqueza entre as estações. Canthon staigi foi a espécie mais abundante em ambas as estações, sendo Canthon sp., Coprophanaeus ensifer e Coprophanaeus cyanescens registrados apenas na estação chuvosa, o que indica que houve diferença na composição das espécies nas estações. Em 107 bolas de fezes produzidas, foi registrado deslocamento de 42 bolas com sementes e dessas, foi registrado 91% da dispersão de sementes pequenas (< 6 mm). De acordo com tais resultados, pode-se concluir que a riqueza e abundância dos besouros escarabeíneos são maiores na estação chuvosa e que a composição dessas espécies é diferente entre as estações seca e chuvosa. Além disso, conclui-se também que Canthon staigi é um dispersor de sementes pequenas e médias pode atuar diretamente nos processos de sucessão ecológica, dessa forma contribuindo para estudos de conservação da biodiversidade, em especial em ecossistemas tropicais.
  • HIGOR LUIZ ARAÚJO DE MESQUITA
  • Evolução cariotípica de roedores Sigmodontinae da Ameria do Sul
  • Orientador : PEDRO CORDEIRO ESTRELA DE ANDRADE PINTO
  • Data: 23/07/2019
  • Hora: 14:00
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  • ANDERSON DA SILVA COUTINHO
  • Parasitos Metazoários de Oligoplites palometa (Cuvier, 1832)(Perciformes: Carangidae) no litoral de Cabedelo, Paraíba, Brasil
  • Orientador : ANA CAROLINA FIGUEIREDO LACERDA
  • Data: 28/06/2019
  • Hora: 14:00
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  • MAYARA GUIMARÃES BELTRÃO
  • Mamíferos terrestres não voadores em remanescentes de Mata Atlântica da Paraíba: ilhados num mar de cana-de-açúcar?
  • Data: 27/06/2019
  • Hora: 09:00
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  • A mudança no uso do solo é uma das principais problemáticas tanto na gestão da paisagem quanto na biologia da conservação. Essas modificações geralmente resultam em fragmentação e perda de habitat, que exercem uma cascata de efeitos nas paisagens, com alterações na estrutura física e funcional que influenciam no estabelecimento e manutenção de populações e comunidades. A porção nordeste da Mata Atlântica (MA), conhecida como o Centro de Endemismo de Pernambuco (CEPE), é um hotspot de biodiversidade da Mata Atlântica e a segunda maior produtora de cana-de-açúcar no mundo. Sabe-que que essa matriz traz impactos negativos para a fauna de mamíferos, mas pouco se conhece sobre seus efeitos no CEPE. O objetivo da tese foi fornecer um diagnóstico tanto a nível de população quanto de comunidades dos mamíferos terrestres nos fragmentos e verificar a permeabilidade das espécies na cana-de-açúcar e seu efeito sobre a conectividade da paisagem. Especificamente, estimamos a riqueza e abundância, verificamos parâmetros populacionais, testamos variáveis da paisagem e espécie-específicas como determinantes da riqueza. Finalmente, mapeamos os fragmentos prioritários para conservação. Registramos uma riqueza de 16 espécies para pequenos mamíferos e a mesma riqueza para mamíferos de médio porte, sendo Didelphis albiventris e Dasyprocta iackii as espécies mais representativas para pequenos e médios, respectivamente. Para pequenos mamíferos a riqueza registrada foi igual ou superior a encontrada na MA do sudeste que tem menor nível de fragmentação, o que nos leva a duas hipóteses: a riqueza do CEPE para este grupo era ainda maior e/ou que estamos sofrendo um débito de extinção. Essa última é apoiada pela baixa abundância das espécies, cinco delas com apenas um registro no fragmento, bem como pela tendência ao declínio populacional como demonstrado pelos parâmetros populacionais disruptivos de Marmosa murina. Para os mamíferos de médio porte, observamos também uma baixa abundância em todos os fragmentos e o desaparecimento de 30-40% das espécies esperadas de mamíferos de médio porte na região, com perdas de até 75% por fragmento. Esses resultados confirmam as recentes estimativas de defaunação da Mata Atlântica, destacando o Nordeste com as maiores taxas do bioma. As covariáveis guildas tróficas, abundância de cães domésticos e peso corporal foram importantes preditores no padrão de riqueza de espécies de mamíferos de médio porte. A matriz de cana-de-açúcar foi permeável apenas para quatro espécies de pequenos mamíferos e três de mamíferos de médio porte, sendo determinante na diminuição da conectividade funcional da paisagem. A conectividade funcional não exerceu qualquer efeito sobre o padrão de riqueza e abundância dos pequenos mamíferos, provavelmente porque esses estão “ilhados” nos fragmentos como consequência da baixa permeabilidade da matriz. Além da perda de espécies, registramos perda de funcionalidade, evidenciada pela covariável guilda trófica como um dos determinantes que mais pesou no modelo, além da ausência completa de guildas especializadas, como carnívoros e herbívoros, em alguns fragmentos, resultando em uma floresta funcionalmente “meio vazia” com severas consequências biológicas pela perda dos serviços ecossistêmicos prestados pelas espécies ausentes. Nesse cenário, recomendamos o aumento da conectividade funcional através de stepstones especialmente nas unidades composicionais dos fragmentos que mapeamos como prioritários.
  • VICTOR MONTENEGRO MARCELINO
  • Evolução dos genes Hox anteriores e a diversidade dos arquétipos metazoários
  • Orientador : SAVIO TORRES DE FARIAS
  • Data: 07/06/2019
  • Hora: 14:00
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  • Filogenias de Metazoa baseadas em genes envolvidos com a especificação de planos corporais fornecem uma poderosa alternativa àquelas baseadas em características morfológicas e/ou marcadores moleculares clássicos. Eles fornecem pistas não apenas sobre a história evolutiva dos animais, mas também sobre as mudanças associadas em sua arquitetura molecular. Aqui, usamos sequências publicamente disponíveis de conjuntos de genes Hox envolvidos com padrões de região anterior (Hox1-Hox4), para reconstruir a história evolutiva de metazoários. Mostramos que a informação contida nesses genes reflete a evolução e a diversificação da maioria dos arquétipos de animais. Além disso, nossos achados revelam que a evolução dos genes Hox (e clusters) como uma família multigênica é consistente com um modelo de birth-and-death restrito pelo desenvolvimento, onde há um trade-off entre uma modificação de genes relativamente rápido e seus papéis centrais de desenvolvimento . Nossas descobertas fornecem tanto uma ampla filogenia de metazoários quanto um modelo evolutivo fortemente apoiado para explicar as mudanças dos genes Hox - uma família multigênica que é fundamental para o desenvolvimento animal e que provavelmente influenciou a diversificação de arquétipos de animais.
  • FELIPE DE MEDEIROS MAGALHAES
  • Filogeografia e limite específico do complexo Leptodactylus latrans de espécies (Amphibia, Anura, Leptodactylidae) na América do Sul
  • Data: 31/05/2019
  • Hora: 13:00
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  • O grupo Leptodactylus latrans de espécies (Anura: Leptodactylidae) compreende táxons morfologicamente crípticos com ampla distribuição na América do Sul (da Venezuela até o norte da Argentina, leste dos Andes), ocorrendo em todos os biomas brasileiros e ao longo de um gradiente altitudinal variando desde 0 à ~1500m de altitude. A delimitação das espécies desse grupo é historicamente problemática devido, principalmente, a ampla distribuição geográfica e a existência de possíveis sintopias entre espécies sem caracteres morfológicos diagnósticos discretos (por exemplo, L. latrans/chaquensis/macrosternum). Ainda, a falta de dados moleculares e acústicos também dificulta uma melhor compreensão acerca dos limites específicos e da diversidade existente neste grupo. Com isso, o objetivo da presente tese é: 1 – delimitar de forma integrativa (utilizando múltiplas fontes de evidência) o limite específico das espécies do complexo Leptodactylus latrans; 2 – investigar cenários de diversificação para o grupo. Para tanto, montei um extenso banco de dados incluindo informações genéticas (717 espécimes sequenciados e seis marcadores moleculares, sendo dois mitocondriais e quatro nucleares), morfométricas (com 811 indivíduos mensurados) e acústicas (gravações para todas as espécies) abrangendo toda a potencial distribuição geográfica do grupo. Dentre os principais resultados, proponho a ampla distribuição de L. macrosternum na América do Sul, suportada pela ausência de estruturação filogeográfica (linhagem geneticamente coesa). Em contrapartida, dados moleculares, acústicos e morfológicos corroboram a existência de quatro linhagens com alta divergência genética e padrão geográfico coerente (incluindo a linhagem nominal L. latrans). Portanto, restrinjo a ocorrência de L. latrans para a Mata Atlântica costeira do Brasil (norte de São Paulo à Bahia), proponho a revalidação de uma espécie e descrevo duas novas espécies para o grupo. Por fim, reforço a importância da abordagem integrativa para resolução taxonômica de táxons morfologicamente crípticos e amplamente distribuídos, demonstrando que o conhecimento acerca dos padrões de diversidade de espécies na região neotropical ainda é depreciado.
  • RICARDO MARQUES DA SILVA
  • Filogeografia, limites específicos e história evolutiva de duas espécies de anuros no domínio da Caatinga
  • Data: 29/05/2019
  • Hora: 13:00
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  • Desvendar os padrões e processos de diversificação da biota Neotropical tem sido o desafio de biogeógrafos há décadas. Com a ascensão de métodos moleculares, a filogeografia é um poderoso método que alia dados genéticos e a biogeografia dos organismos. Dentre a herpetofauna, a dependência aquática e baixa capacidade dispersiva são requisitos atríbuídos como justificativa para anfíbios não possuírem ampla distribuição. Neste contexto, espécies biologicamente distintas, mas com distribuição similar podem responder diferentemente aos mesmos processos histórico-demográficos e barreiras ambientais. Assim, utilizamos inferências filogeográficas para comparar a história evolutiva de Corythomantis greeningi e Rhinella jimi na Caatinga e áreas adjacentes. Reunimos amostras de tecido cobrindo toda a distribuição de ambas as espécies e utilizamos abordagem multilocus, sequenciando genes mitocondriais e nucleares (cinco para C. greeningi e quatro para R. jimi). Utilizamos reconstruções genéticas, histórico-demográficas e modelagem de nicho ecológica para ambas as espécies. Obtivemos 98 sequências para C. greeningi e 135 para R. jimi. A reconstrução Bayesiana de árvore mitocondrial recuperou estruturação somente para C. greeningi, associada a Cadeia de Montanhas do Espinhaço. O assinalamento populacional recuperou três populações para C. greeningi com compartilhamento de haplótipos entre duas delas, enquanto que R. jimi recuperou somente uma população amplamente distribuída. Testamos as populações de C. greeningi através de métodos coalescentes de delimitação (BPP) e verificamos que a população associada ao Espinhaço é uma nova espécie de Corythomantis. A mesma análise atestou a validade taxonômica de R. jimi, mas reconstruções haplotípicas mostraram compartilhamento de haplótipos entre R. jimi e duas espécies filogeneticamente próximas: R. marina e R. diptycha. Testamos seis cenários de diversificação com computação Bayesiana aproximada para Corythomantis e o melhor modelo indica divergência da nova espécie no início do Plioceno, e expansão populacional e fluxo gênico entre as populações de C. greeningi. Inferências histórico-demográficas mostraram alterações populacionais também em R. jimi durante o Pleistoceno. Por fim, descrevemos uma nova espécie de Corythomantis restrita à Cadeia do Espinhaço. A nova espécie difere substancialmente de C. greeningi geneticamente, morfologicamente e acusticamente.
  • BRUNO DE FREITAS XAVIER
  • Flutuações climáticas do Quartenário e a distribuição de Pipridae: Influência na diversificação do gênero Machaeropterus
  • Orientador : HELDER FARIAS PEREIRA DE ARAUJO
  • Data: 28/05/2019
  • Hora: 13:00
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  • ANTONIO CARLOS SILVA SILVINO
  • Taxonomia, Sistemática filogenética e Inferências Biogeográficas da Família Zalmoxidae ( Opiliones:Laniatores) no Brasil
  • Orientador : MARCIO BERNARDINO DA SILVA
  • Data: 30/04/2019
  • Hora: 14:00
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  • CLAUDILEIDE PEREIRA DOS SANTOS
  • Uso alimentar de animais silvestres por estudantes de terras indígenas da Paraíba
  • Data: 30/04/2019
  • Hora: 13:30
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  • Animais cinegéticos e recursos pesqueiros compõem a dieta de diversas comunidades, muitas vezes representando a única fonte protéica disponível. Conhecer os fatores relacionados a este consumo torna-se importante na formulação de práticas de sustentabilidade e no manejo ambiental. O presente estudo teve como objetivo de registrar e analisar os fatores relacionados ao consumo de carne silvestre pelos estudantes viventes em terras da etnia Potiguara, no litoral norte da Paraíba. Para isto, foram aplicados questionários à 843 alunos em escolas distribuídas pelas terras indígenas da região. Hipotetizamos que o consumo e a preferência por carnes de animais domésticos é superior à carne de animais silvestres e que o consumo de animais cinegéticos e de recursos pesqueiros está relacionado ao tipo de ocupação dos pais e localização das aldeias. Para testamos tais hipóteses utilizamos as seguintes análises: teste qui-quadrado, teste de Mann- Whitney, modelos lineares generalizados e análises de ordenação. Nossos resultados mostraram que o consumo e a preferência por carne de animais domésticos são superiores ao de animais silvestres. Porém, a carne de animais silvestres é um recurso alimentar importante para os estudantes e para suas famílias sendo relacionado à ocupação dos pais dos estudantes e à localização das aldeias. Desta forma, os animais silvestres desempenham papel importante para este povo e possivelmente a presença de uma área de proteção ambiental é essencial para a manutenção da biodiversidade utilizada por este povo.
  • ANA MARCIA BARBOSA DA SILVA
  • Interação Cupim - Líquen em Ecossistema Semiárido do Nordeste brasileiro
  • Data: 28/03/2019
  • Hora: 09:00
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  • A madeira é o principal item da dieta da maioria dos térmitas, porém pode ocorrer a suplementação da assimilação de alguns nutrientes a partir da ingestão de outros recursos alimentares, a exemplo dos liquens, disponíveis no ecossistema. Esse estudo avaliou o efeito da composição nutricional e química dos liquens sob o consumo por C. cyphergaster, além de verificar o potencial de dispersão de simbiontes liquênicos por esses térmitas. Os estudos foram realizados na RPPN Fazenda Almas, estado da Paraiba, onde foi monitorado o forrageio de quinze colônias, durante quinze dias, identificando-se os liquens consumidos. Testes de preferência alimentar e estimativas de consumo de liquens foram conduzidos em laboratório. O teor de N, C, P e de compostos secundários foram medidos. Térmitas mantidos em bioensaios sob uma dieta exclusiva de liquens foram dissecados para análise do seu conteúdo alimentar, verificando-se através de testes de coloração a presença de estruturas liquênicas viáveis para dispersão. Quatorze espécies de liquens foram registradas na dieta de C. cyphergaster. O consumo médio total de líquen foi de 0,032 mg de líquen/g térmita (peso fresco)/dia, representando um consumo estimado de 105,12g de líquen/ha/ano. O consumo de liquens foi significativamente afetado pelo teor N e pelas razões C:N e C:P, sendo o N o elemento que melhor explicou o consumo pelos térmitas. A distribuição dos compostos secundários dos liquens difere significativamente entre as regiões que compõem o talo liquênico (lâmina do talo, margem do apotécio e disco do apotécio), afetando o consumo destas pelos térmitas. A lâmina dos talos foi a região que apresentou o maior teor de compostos, seguida pela margem do apotécio, regiões mais consumidas pelos térmitas, respectivamente. Não houve consumo dos discos dos apotécios. O consumo das camadas liquênicas (córtex superior, camada de algas e medula) pelos térmitas também foi seletivo. As camadas mais consumidas nos talos foram o córtex superior e a camada de algas, havendo rejeição da camada medular. No canal alimentar dos térmitas foram encontrados esporos quebrados e algas com potencial vitalidade para a reliquenização. Foi verificado um crescimento progressivo na mortalidade das algas ao longo do canal alimentar dos térmitas (papo, pança e reto). A morfologia dos fotobiontes também foi diferente entre células extraídas de talos in natura e algas presentes nas fezes dos térmitas. Os resultados indicam que o equilíbrio entre nutrientes e metabólitos secundários desempenham um papel fundamental nas preferências alimentares e taxas de consumo por C. cyphergaster. A dureza e rugosidade de estruturas do talo liquênico também podem modular as estratégias de consumo. A vitalidade dos fotobiontes dispersados pelos térmitas foi confirmada, demonstrando o potencial de dispersão dos liquens via fezes desses insetos. Estequiometria; Ecologia química; Dispersão; Nitrogênio; Valor nutricional
  • ISRAEL SOARES DA SILVA
  • Input de nutrientes via revoada de térmitas em um ecossistema semiárido do Nordeste brasileiro
  • Orientador : ALEXANDRE VASCONCELLOS
  • Data: 01/03/2019
  • Hora: 15:00
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  • AIARA PONCE DE LEON RIBEIRO CARDOSO
  • O Efeito da complexidade estrutural de naufrágios sobre a diversidade de peixes
  • Data: 28/02/2019
  • Hora: 14:00
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  • Um dos principais objetivos da ecologia é compreender como a heterogeneidade espacial determina padrões de diversidade e composição de espécies. Estudos têm demonstrado relação positiva entre heterogeneidade ambiental e diversidade, mas evidências em ecossistemas marinhos são controversas e escassas em termos de como essa relação é mediada pela heterogeneidade espacial e o período do dia. Na presente pesquisa utilizamos comunidades de peixes de quatro naufrágios do Atlântico Sudoeste para avaliar se as relações positivas entre heterogeneidade e diversidade (HDR) são válidas para esses organismos móveis e se as relações enfraquecem ao anoitecer, quando grande parte da comunidade de peixes busca refúgio, potencialmente favorecendo a diversidade em locais mais complexos. Amostramos peixes em três habitats com complexidade estrutural contrastante (alta, baixa e controle), ao longo do dia e da noite, e empregamos duas abordagens complementares de diversidade: a partição da diversidade gama em componentes alfa e beta independentes (abordagem de Jost) e a partição da diversidade beta em componentes de turnover e nestedness (abordagem de Baselga). Registramos 5005 peixes pertencentes a 76 espécies e 31 famílias. Como esperado, a diversidade alfa média de espécies raras (0D) duplicou do controle para áreas de alta complexidade e diminuiu pela metade do dia para a noite. A diversidade de espécies típicas (1D) foi duas vezes maior nas áreas de alta complexidade do que nas áreas controle, mas não diminuiu à noite. Complexidade e período do dia não demonstraram efeito significativo sobre a diversidade de espécies dominantes (2D). As relações entre complexidade e diversidade alfa não foram enfraquecidas durante a noite. A diversidade beta das três ordens de diversidade diferiu significativamente de 1 (recife totalmente homogêneo), indicando que a complexidade regula os padrões de diversidade beta. Este efeito foi consistente em ambos os períodos do dia, contrariando expectativas de menor influência da complexidade à noite. O componente turnover da diversidade beta foi consistentemente maior que o nestedness no dia e na noite (2,8 e 1,9 vezes, respectivamente). Nossos resultados corroboram a HDR positiva para a diversidade de espécies raras e típicas. As espécies dominantes também respondem à heterogeneidade substituindo-se pelo gradiente de complexidade, mas não se tornando mais numerosas em áreas de alta complexidade. Mudanças do período do dia não afetaram a força da HDR, revelando um papel ininterrupto da heterogeneidade ambiental sobre as comunidades de peixes. A preservação de habitats heterogêneos, como naufrágios estruturalmente complexos, é fundamental para a conservação da diversidade de peixes marinhos.
  • ANTHONY RUFINO BESSA
  • Protocolo de Criação e Aspectos Comportamentais de Canthon Staigi (Coleoptera: Scarabaeidae: Scarabaeinae)
  • Orientador : CELSO FEITOSA MARTINS
  • Data: 28/02/2019
  • Hora: 14:00
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  • Canthon staigi (Coleoptera: Scarabaeidae: Scarabaeinae) é um besouro coprófago, telecoprídeo de hábito diurno que, apesar de ser uma das espécies mais abundantes e comumente encontradas nos fragmentos de Floresta Atlântica, não existem informações sobre aspectos relacionados a seu desenvolvimento, ciclo de vida e comportamento. Esse estudo objetivou desenvolver um protocolo de criação para besouros telecoprídeos e estudar aspectos de vida de Canthon staigi em condições de laboratório. Os besouros utilizados no estudo foram coletados no Refúgio de Vida Silvestre Mata do Buraquinho, João Pessoa-PB. Para o desenvolvimento do protocolo foram uniformizados o ambiente de criação (recinto em um fragmento de Floresta Atlântica), terrários, solo e quantidade de água disponibilizada. Foram mantidas condições ambientais, monitoradas a cada hora por registradores automáticos de temperatura e umidade. Para cada tratamento foram utilizados 30 espécimes, os quais foram mantidos em terrários individuais. O parâmetro utilizado para avaliar os protocolos foi o efeito da disponibilidade de recurso em seu tempo de vida, variando a quantidade (5g; 10g; e 15g ,1 vez por semana) e frequência do recurso (5g: 1, 2 e 3 vezes por semana). O alimento ficou disponível por 24h. Foram avaliadas a taxa de sobrevivência (por semana), geração de prole, comportamento e as bolas construídas. Para análise do comportamento foi construído um etograma baseado no método Ad libitum e aplicado para observações utilizando o método scan sample (N=48; 24h). Das bolas construídas foram avaliados o peso e o diâmetro. O tempo máximo de vida foi de sete meses; a taxa de sobrevivência total de 88% e por tratamento – quantidade 5g=87%; 10g=93,3%; 15g=60%; frequência 1x=87%; 2x=90%; 3x=93,3%. Foram registradas três pupas, cinco larvas e quatro adultos emergidos. Foram observados dois tipos de bolas, alimentação e nidificação, estas últimas não diferiram em seu diâmetro e peso entre os tratamentos. A maioria das bolas de nidificação são esféricas diferindo em sua forma característica de pera citada para o gênero. Conclui-se que, é possível criar C. staigi em cativeiro com o protocolo utilizado, visto que foram observados comportamentos característicos de forrageamento e alimentação, bem como reprodução e nidificação, sendo o tratamento que apresenta o melhor custo benefício alimentando-os a cada sete dias, com 5g de esterco bovino.
  • EMANUELLY FÉLIX DE LUCENA
  • EFEITOS EM CURTO PRAZO DAS VARIÁVEIS CLIMÁTICAS SOBRE A REVOADA DE ALADOS DE TÉRMITAS CAPTURADOS POR ARMADILHAS NÃO ATRATIVAS
  • Data: 25/02/2019
  • Hora: 14:00
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  • Alados de térmitas são os principais responsáveis pela fundação de novas colônias e ampliação das áreas de distribuição das espécies. Suas revoadas são resultado de diversas respostas comportamentais complexas, influenciadas inclusive por padrões climáticos regionais. Com base nisso, objetivou-se relacionar a ocorrência destes eventos de revoada com variáveis ambientais em uma área de Caatinga, no Estado da Paraíba, Nordeste do Brasil. A amostragem de alados foi realizada por meio de 40 bandejas distribuídas em um transecto de 2.300 metros, durante 12 meses. Para evitar multicolinearidade entre as variáveis preditoras, uma PCA (Principal Componente Analysis) foi realizada com 12 variáveis meteorológicas, das quais cinco foram selecionadas. As análises foram feitas diariamente ao longo de 40 dias, por família e subfamília: Rhinotermitidae e Termitidae (Apicotermitinae, Nasutitermitinae e Termitinae), através do GLM (Generalized Linear Model). As revoadas aconteceram de dezembro/2017 a abril/2018. Pressão atmosférica, umidade do solo, temperatura e densidade do ar apresentaram efeitos significativos sobre as revoadas, variando de acordo com cada grupo. Rhinotermitidae revoou principalmente em resposta a diminuições na pressão atmosférica, enquanto a maioria dos Termitidae a menores temperaturas e valores intermediários de umidade do solo. Os voos de Apicotermitinae também apresentaram relação negativa com a densidade do ar. As revoadas aconteceram aparentemente como resultado da influência de um complexo de variáveis ambientais que, em sinergismo ou isoladamente, geraram condições mais propícias para a ocorrência dos voos.
  • BRUNA CAROLLINE HONÓRIO LOPES
  • Identificação do mecanismo de resistência a multixenobióticos (MXR) em Collembola (Arthropoda, Hexapoda)
  • Data: 22/02/2019
  • Hora: 14:00
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  • A classe Collembola compreende um grupo de pequenos artrópodes, podendo variar de 0,12 mm a 12 mm, considerados como hexápodes basais, entognatos e ápteros. São utilizados como indicadores de perturbação e de qualidade do solo e são eficientes indicadores da qualidade do ambiente, uma vez que respondem rapidamente às alterações ambientais. A espécie Folsomia candida é considerada a espécie padrão para testes ecotoxicológicos, porém, a investigação de espécies nativas pode representar uma abordagem interessante. O objetivo do presente trabalho foi identificar a atividade do Mecanismo de Resistência à Multixenobióticos (MXR) no intestino de 3 espécies nativas e amplamente distribuídas no país: Trogolaphysa sp., Cyphoderus similis e Cyphoderus innominatus. O mecanismo MXR, já identificado em diversos filos animais, se localiza em epitélios em contato com o meio externo e utiliza proteínas transportadoras para eliminação de contaminantes. Para encontrar a atividade do mecanismo, foram realizados ensaios in vitro do acúmulo do fluorescente rodamina-B na presença do cloridrato de verapamil, um conhecido inibidor da P-gp (glicoproteína P), e do MK571, um conhecido inibidor da MRP (multdrug related protein), ambas bombas de efluxo relacionadas ao mecanismo MXR. O ensaio do acúmulo de rodamina-B, também foi realizado na presença de um metal pesado, o cádmio, para investigar a interação desse metal com o mecanismo MXR. Nossos resultados indicam a atividade de bombas de efluxo no intestino das três espécies de Collembola (C. similis, C. innominatus e Trogolaphysa sp.), sendo estas bombas a base do Mecanismo de Resistência à Multixenobióticos (MXR). Encontramos ainda que, em C. similis e Trogolaphysa sp. a atividade do mecanismo aumenta em resposta à uma concentração muito baixa de um metal pesado amplamente encontrado em solos contaminados, o cádmio.
  • JUAN PABLO ZURANO
  • Tempo e Modo de Evolução em Cetartiodactyla
  • Orientador : DANIEL OLIVEIRA MESQUITA
  • Data: 22/02/2019
  • Hora: 14:00
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  • KARINA DOS SANTOS PACHECO
  • Estudo taxonômico da família Cardiidae Lamarck, 1809 ( mollusca, Bivalvia) na costa do Brasil
  • Orientador : MARTIN LINDSEY CHRISTOFFERSEN
  • Data: 22/02/2019
  • Hora: 14:00
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  • JESSE MIRANDA DE FIGUEIREDO FILHO
  • Revisão Taxonômica das espécies do gênero Centropomus Lacepéde, 1802 ( Perciformes, Centropomidae) no Atlântico Ocidental
  • Data: 21/02/2019
  • Hora: 09:00
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  • O gênero Centropomus Lacépède, 1802 contém 12 espécies, comumente chamadas de robalos. Estes peixes habitam águas tropicais e subtropicais, e podem ser encontrados em ambientes de oceano, estuário, fluvial, e mangues. As espécies do gênero estão distribuídas no Oceano Atlântico Ocidental e Pacífico Oriental. As seis espécies nominais de Centropomus registradas no Atlântico Ocidental são: Centropomus undecimalis (Bloch, 1792); C. poeyi Chávez, 1961; C. parallelus Poey, 1860; C. pectinatus Poey, 1860; C. ensiferus Poey, 1860. O objetivo do trabalho consistiu em revisar a taxonomia das espécies do gênero Centropomus distribuídas ao longo do Atlântico Ocidental, esclarecer a identidade das espécies do gênero, redefinir suas diagnoses, descrições, e distribuição geográfica. Foram analisados 336 espécimes, depositadas em oito Coleções Científicas. O estudo foi baseado em caracteres de morfologia externa com análises morfométricas lineares e geométricas. Foram utilizados 48 caracteres da morfologia externa, dos quais 13 são merísticos, 3 de disposição espacial e 32 são medidas lineares. A forma e tamanho do corpo foi analisada através de análises da morfometria geométrica bidimensional da vista lateral de 185 espécimes. Baseado em padrões de combinação de caracteres e medidas analisadas, foram reconhecidas seis espécies do gênero Centropomus distribuídas no Atlântico Ocidental: C. undecimalis, C. sp., C. parallelus, C. ensiferus, C. pectinatus e C. poeyi. O nome C. mexicanus é considerado sinônimo de C. parallelus, e C. sp., endêmica do Norte do Brasil, é reconhecida e descrita. São apresentados informações sobre material tipo, diagnose, descrição, distribuição, e comentários taxonômicos para cada táxon. Também é apresentada uma chave dicotômica para as espécies do gênero Centropomus do Atlântico Ocidental.
  • ANA LUISA ARAÚJO DE AMORIM
  • Distribuição espaço-temporal e ecologia trófica de Stellifer brasiliensis (Perciformes, Scianidae) na zona de arrebentação de duas praias adjacentes ao estuário do Rio Paraíba, PB, Brasil
  • Data: 20/02/2019
  • Hora: 14:00
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  • Este estudo avaliou a influência espacial e temporal (ciclo sazonal e lunar) na distribuição e dieta das fases ontogenéticas (juvenil, subadulto e adulto) de Stellifer brasiliensis nas praias de Costinha e Miramar, Nordeste do Brasil. Para isso foram realizados arrastos mensais de maio de 2014 a abril de 2015 na zona de arrebentação de ambas as praias. Essas praias foram escolhidas, pois possuem diferentes graus de influência da pluma estuarina. Em maio e junho de 2014 foram conduzidos arrastos semanais de acordo com as fases da lua na praia de Miramar. A distribuição e a dieta de S. brasiliensis variaram espacialmente. Temporalmente, a distribuição foi influenciada pelo ciclo sazonal com nenhuma influência do ciclo lunar, enquanto que a dieta teve influência das duas escalas de tempo testadas. A variação na distribuição de S. brasiliensis foi regida pela turbidez, os indivíduos preferem habitats menos turvos e, por isso, sua abundância foi significativamente maior em Miramar. No geral, a dieta de S. brasiliensis foi composta predominantemente por crustáceos, principalmente Gammaridea e Calanoida. Variações na guilda alimentar da espécie foram observadas à medida que houve mudança de fase ontogenética. Juvenis consumiram principalmente presas zooplanctônicas e os subadultos e adultos presas bentônicas. Uma possível sobreposição alimentar na ingestão de Calanoida e Gammaridea foi observada em ambas as análises temporais, principalmente entre juvenis e subadultos. As zonas de arrebentação das praias de Costinha e Miramar são importantes principalmente durante as fases iniciais do ciclo de vida de S. brasiliensis funcionando como áreas de alimentação e berçário para a espécie. A ocorrência de microplásticos nos estômagos das três fases ontogenéticas enfatiza a necessidade de uma gestão mais eficiente dessas praias que são utilizadas durante grande parte do ciclo de vida dessa e de várias outras espécies.
2018
Descrição
  • MATILDE VASCONCELOS ERNESTO
  • INFLUÊNCIA DE FATORES AMBIENTAIS E ESPACIAIS SOBRE AS TAXOCENOSES E NINHOS CONSPÍCUOS DE TÉRMITAS (BLATTODEA: ISOPTERA) EM UM GRADIENTE LONGITUDINAL
  • Data: 30/11/2018
  • Hora: 14:30
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  • Alterações na riqueza de espécies, abundância e composição das taxocenoses devido às alterações de variáveis ambientais e espaciais em diferentes habitats são comuns e inerentes aos táxons. Os térmitas são insetos eussociais considerados engenheiros do ecossistema e seus ninhos conspícuos são elementos marcantes da composição estrutural dos ecossistemas tropicais. Nosso estudo almejou relacionar as variáveis ambientais e espaciais à distribuição das taxocenoses e ninhos conspícuos de térmitas em áreas de Mata Atlântica e Caatinga ao longo de um gradiente longitudinal de 500 km. Foram investigadas oito áreas distribuídas na Paraíba, as quais tiveram dados espaciais (latitude, longitude e altitude) e ambientais (clima, composição física e química do solo e estrutura da vegetação) coletados. Para o inventário faunístico, foram amostradas 30 parcelas de 5x2m, totalizando 300m² por área. Os ninhos conspícuos foram analisados a partir de seis parcelas de 65x20m por área. Foram construídos modelos lineares de efeitos mistos e modelos lineares generalizados mistos. Setenta morfoespécies de térmitas foram registradas, pertencentes a 28 gêneros e três famílias. Doze espécies foram construtoras de ninhos conspícuos, sendo nove de ninhos arborícolas e três de epígeos. A estrutura da vegetação (cobertura de dossel e quantidade de serapilheira) foi um preditor importante para a distribuição das taxocenoses e ninhos conspícuos de térmitas. A vegetação atua diretamente na disponibilidade de recursos e estabilidade do ambiente. A precipitação e a temperatura máxima influenciaram algumas variáveis dependentes analisadas, como a riqueza de espécies total, riqueza de espécies de Syntermitinae e do grupo trófico III, bem como a densidade de ninhos conspícuos. Essas variáveis, juntamente com evapotranspiração, estão estreitamente relacionadas com a produtividade primária líquida (PPL), a qual pode influenciar diretamente a distribuição dos térmitas. Alguns componentes do solo (como pH, teor de Al+3 e Mg+2) foram preditores importantes para o grupo trófico III, Apicotermitinae e Syntermitinae. Outros componentes, como teor de N e P, foram preditores importantes para o volume e densidade de ninhos conspícuos, respectivamente. De forma geral, os térmitas consumidores de solo são muito mais vulneráveis às flutuações no microclima os quais estão inseridos. A longitude foi um importante preditor da riqueza de espécies de térmitas construtores e promoveu alguma influência também sobre a composição de espécies. Essa variável engloba vários outros fatores, e pode também pode se relacionar com a produtividade primária líquida. Duas espécies construtoras foram verificadas com ampla distribuição: Microcerotermes indistinctus e Nasutitermes corniger. Ninhos de M. indistinctus sofreram influência do teor de areia do solo e da longitude, enquanto ninhos de N. corniger não sofreram influência de nenhuma das variáveis testadas. Kalotermitidae, Rhinotermitidae e Termitinae também não apresentaram relações significativas com nenhuma das variáveis preditoras testadas, o que pode sugerir que são fatores históricos que determinaram a distribuição desses táxons e de ninhos de N. corniger ou há a influência de outra variável preditora não testada no presente estudo. Além disso, no presente estudo, foi realizado um levantamento das espécies de térmitas na Paraíba. Foram verificadas 54 espécies (com status taxonômico definido) para o estado. Os maiores números de espécies de térmitas já registrados para a Mata Atlântica e Caatinga em todo o Brasil, para uma única área, foram verificados em dois dos fragmentos estudados na Paraíba. Esses resultados destacam a relevância da termitofauna encontrada no estado da Paraíba em comparação com outras áreas no nordeste do Brasil.
  • DANIEL ORSI LARANJEIRAS
  • Diversidade, Ecomorfologia e Estrutura de Taxocenoses de Serpentes Neotropicais
  • Orientador : GUSTAVO HENRIQUE CALAZANS VIEIRA
  • Data: 28/09/2018
  • Hora: 14:00
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  • Nós investigamos a influência do ambiente nos padrões de diversidade e estrutura filogenética de taxocenoses de serpentes neotropicais. Para tanto, foram utilizados dados de presença de espécies em 41 taxocenoses distribuídas em quatro biomas brasileiros, sendo dois biomas de formação florestal e dois biomas de formação aberta. As taxocenoses foram comparadas quanto a riqueza, diversidade filogenética e estrutura filogenética, com o intuito de verificar se taxocenoses de ambientes similares apresentariam padrões semelhantes, e se biomas florestais, por serem mais estruturados verticalmente, exibiriam maior riqueza, diversidade filogenética e uma estrutura filogenética dispersa. A composição de espécies demonstrou estar mais relacionada com os biomas, do que com o tipo de formação, com as taxocenoses se agrupando de acordo com o bioma em que está inserida. Os biomas florestais apresentaram riqueza e diversidade filogenética maiores. Entre os biomas florestais, apesar de ambos apresentarem valores altos de riqueza, os padrões de diversidade e estrutura filogenética exibiram comportamento distintos. A Amazônia tende a apresentar uma diversidade filogenética maior que o esperado ao acaso, com padrão de estrutura filogenética dispersa, enquanto a Mata Atlântica tende a apresentar uma diversidade filogenética menor do que a esperada ao acaso, com padrão de estruturação filogenética mais agrupada. Já para os biomas abertos, houve uma grande diferença quanto aos valores de riqueza, com o Cerrado apresentando uma riqueza mais do que duas vezes maior que a Caatinga. Porém, para ambos os biomas, a grande maioria das taxocenoses apresentam padrões de diversidade e estrutura filogenética aleatória. Assim, se por um lado, a nível de bioma, os resultados corroboram com a hipótese de similaridade entre taxocenoses em ambientes semelhantes, por outro, a nível de formação, os resultados a contradizem, com os biomas florestais apresentando padrões opostos principalmente no que se refere a estrutura filogenética.
  • ALANE AYANA VIEIRA DE OLIVEIRA COUTO
  • Térmitas em fragmentos de Floresta Atlântica: estrutura das taxocenose, variabilidade genética e efeitos da matriz de cana-de-açúcar sobre o isolamento de populações
  • Data: 25/07/2018
  • Hora: 14:00
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  • Os termitas (Blattodea: Isoptera) sao abundante em florestas tropicais e elementos importantes dentro da dinamica dos processos ecologicos relacionados ao fluxo de energia e ciclagem de nutrientes. A Floresta Atlantica e uma das maiores florestas tropicais do planeta e abriga entre 1% e 8% da biodiversidade mundial. Apesar disso, tem sofrido extensivamente com a fragmentacao ambiental, que em grande parte se deve a expansao das fronteiras agricolas. Este trabalho teve como objetivo analisar o efeito da fragmentacao do habitat sobre a estrutura das taxocenoses e diversidade genetica de populacoes de termitas e a influencia da matriz de canade-acucar sobre o isolamento das populacoes em fragmentos de Floresta Atlantica no Nordeste do Brasil. A tese esta dividida em 4 capitulos. A saber: (1) Introducao geral; (2) Compartilhamento de termitas (Blattodea: Isoptera) entre matrizes de cana-de-acucar e fragmentos de Floresta Atlantica, NE, Brasil, cujo objetivo foi comparar as taxocenoses de termitas de fragmentos de Floresta Atlantica com a das matrizes de cana-de-acucar que os circundam. A riqueza de especies, abundancia relativa e composicao de especies foram significativamente diferentes entre as florestas e matrizes, com a presenca de especies exclusivas em cada ambiente. A maioria das especies encontradas na matriz nao provoca danos a cultura, pelo contrario, podem atuar nos processos de decomposicao e formacao dos solos, contribuindo para o aumento da produtividade; (3) Termitas em Fragmentos de Floresta Atlantica circundados por canaviais: influencia de atributos da paisagem, dos fragmentos e da vegetacao sobre a estrutura das taxocenoses, cujo objetivo foi investigar a influencia dos atributos da paisagem, dos fragmentos e da vegetacao sobre a estrutura das taxocenoses de termitas em fragmentos de Floresta Atlantica inseridos em uma matriz de cana-de-acucar no Nordeste do Brasil. A estrutura funcional das taxocenoses foi semelhante entre os fragmentos. Nem a riqueza e o numero de encontros de termitas foram explicados pelas variaveis da paisagem, dos fragmentos e nem da vegetacao, mas a composicao de especies foi positivamente correlacionada com o formato do fragmento. Conclui-se que e possivel criar um cenario em que os remanescentes florestais se mantenham funcionalmente conectados sendo capazes de sustentar uma alta diversidade mantendo servicos e funcoes ecossistemicas; (4) Efeito da fragmentacao ambiental sobre Embiratermes neotenicus (Termitidae: Syntermitinae) em uma paisagem de Floresta Atlantica no Nordeste do Brasil, cujo objetivo foi investigar se a fragmentacao pelo cultivo de cana-de-acucar afetou a diversidade genetica de populacoes de E. neotenicus em 14 fragmentos florestais. Nao houve relacao entre a variabilidade genetica e as caracteristicas dos fragmentos. Houve baixa estruturacao genetica ao nivel populacional, o que pode ser explicado pela grande longevidade das colonias, o que permite diversos eventos de dispersao e colonizacao de fragmentos, e que e facilitado pelo carater sazonal da matriz de cana-de-acucar.
  • ANA CLAUDIA FIRMINO ALVES
  • Dípteros caliptrados saprófagos da Mata Atlântica e Caatinga: efeitos de variáveis ambientais e espaciais e Checklist dos Sarcophagidae (Diptera: Calyptratae) da Paraíba
  • Data: 21/06/2018
  • Hora: 14:00
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  • Os Diptera constituem uma das maiores ordens de Insecta. Para o presente estudo foram escolhidas duas superfamílias dentre os Calyptratae, representadas pelas famílias Muscidae, Fanniidae, Calliphoridae e Sarcophagidae. Estes dípteros se destacam devido seu potencial de carrearem agentes etiológicos de diversas doenças dos animais e do homem, nas estimativas de IPM no âmbito da entomologia forense e na identificação do grau de interferência humana em ambientes naturais. O presente estudo teve como objetivo avaliar a influência das variáveis espaciais e ambientais sobre as taxocenose de Diptera, ao longo de todo o estado Paraíba, assim como, contribuir para o conhecimento dos Sarcophagidae do Nordeste brasileiro. Para tanto, foram realizadas coletas, no período chuvoso, em oito áreas, dentro dos domínios da Floresta Atlântica e Caatinga. Foram utilizadas armadilhas confeccionadas com garrafas pets iscadas com fezes humanas, banana, sardinha e vísceras bovinas. As armadilhas foram distribuídas em dez conjuntos de quatro armadilhas, espaçados 100 metros, em cada área. Para avaliar a importância relativa das escalas espaciais foi empregada a partição aditiva da diversidade e a similaridade das áreas avaliadas por meio dos índices de Jaccard e Morisita. Foram utilizadas três variáveis ambientais, juntamente com as coordenadas geográficas, para explicar a variação da composição de espécies, calculada por meio da Análise de Redundância Parcial. Foram coletadas 23.362 moscas, distribuídas em pelo menos 56 espécies, acrescentando 10 novos registros de ocorrência para Paraíba, dos quais, três também configuram novo registro para o Nordeste. A distribuição da taxocenose dos Diptera estudados recebe pouca influência de variáveis ambientais e, praticamente, nenhuma das variáveis espaciais. A variação de sua diversidade não aumentou conforme o tamanho da escala espacial, provavelmente, pela alta capacidade de dispersão inerente ao grupo. A fim de contribuir para um maior conhecimento dos Sarcophagidae do Nordeste foi feita, também, a revisão e tombamento dos espécimes pertencentes ao acervo da Coleção Entomológica do Departamento de Sistemática e Ecologia (DSEC) da Universidade Federal da Paraíba, resultando num checklist dos Sarcophagidae do estado. A coleção conta, atualmente, com 2.535 sarcofagídeos (1.680 fêmeas e 855 machos) de 31 espécies distribuídas em 14 gêneros, todos pertencentes à subfamília Sarcophaginae, provenientes de 15 municípios. Desta forma, este trabalho vem contribuir, também, para o melhor conhecimento dos sarcofágideos brasileiros e neotropicais.
  • AILA SOARES FERREIRA
  • Diversidade e distribuição de Collembola (Arthropoda, Hexapoda) no estado da Paraíba, Brasil: a influência dos fatores ambientais e especiais e a descrição do novos táxons
  • Data: 15/06/2018
  • Hora: 14:00
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  • Um dos principais objetivos das pesquisas em biodiversidade é compreender os padrões de distribuição das espécies, identificando as escalas em que os processos ecológicos ocorrem. O objetivo desse estudo foi caracterizar as taxocenose de Collembola em áreas de Caatinga e de Mata Atlântica na Paraíba, avaliando como as características espaciais e ambientais influenciam a riqueza de espécies, abundância de indivíduos e composição da fauna; e avaliar o desempenho e complementaridade de três métodos de coleta da fauna edáfica de Collembola; bem como, descrever possíveis espécies novas. O estudo foi desenvolvido em oito áreas no estado da Paraíba. As coletas foram realizadas no período chuvoso, em cada área foram selecionados 10 pontos distantes no mínimo 100m um do outro. A captura dos espécimes foi realizada com o auxílio do aspirador entomológico, armadilhas de queda (pitfall traps) e extrator de Winkler. Para a avaliação da estatística dos dados foi realizada a análise de Redundância Parcial (pRDA) com particionamento aditivo para determinar a influência relativa das variáveis ambientais e espaciais sobre a composição da taxocenose de Collembola. O escalonamento multidimensional não-métrico (NMDS) foi utilizado para descrever e interpretar os principais gradientes de influência sobre a composição das taxocenoses de Collembola. Para verificar a complementariedade das metodologias de coleta da fauna de Collembola foram realizados NMDS para áreas de floresta úmida e seca e uma análise de variância permutacional não paramétrica (PERMANOVA) entre os métodos. Foram coletados um total de 28.382 indivíduos de colêmbolos, distribuídos em 69 espécies, 37 gêneros e 13 famílias. As variáveis ambientais e espaciais explicaram 68% da variação da composição da fauna de Collembola, sendo 28% explicada pela componente ambiental, 12% pelo componente espacial e 28% pelo componente compartilhado. O NMDS mostrou dois grupos distintos, formado pelas áreas de floresta úmida e o outro de floresta seca, possivelmente revelando uma falta de conectividade entre esses ambientes. Sendo assim, as variáveis ambientais estruturadas espacialmente foram determinantes na composição da taxocenose de Collembola. A armadilha de pitfall foi a metodologia com melhor desempenho em todos os parâmetros analisados, sendo indicada como método de coleta para fauna de Collembola em áreas de floresta seca e úmida. Três novas espécies do gênero Denisiella foram descritas para o Brasil. Os tibiotarsus dos machos de Denisiella apresentaram diferentes formas na sua estrutura, revelando importantes caracteres taxonômicos.
  • THAIS KUBIK MARTINS
  • Estruturação das comunidades de pequenos mamíferos não voadores no bioma Caatinga: enfoque em metacomunidades, betadiversidade e filobetadiversidade
  • Orientador : PEDRO CORDEIRO ESTRELA DE ANDRADE PINTO
  • Data: 05/06/2018
  • Hora: 09:00
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  • JESSICA PRATA DE OLIVEIRA
  • Análise filogenética da Subfamília Colochirinae (Cucumariidae: Holothuroidea)
  • Data: 29/05/2018
  • Hora: 14:00
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  • As holotúrias apresentam uma morfologia diversa, são importantes ecologicamente e possuem alto valor econômico. Entretanto o entendimento sobre a sistemática do grupo permanece controversa. Este estudo objetivou caracterizar a morfologia das espécies de holotúrias pertencentes à subfamília Colochirinae (Cucumariidae, Dendrochirotida), com ênfase nas espécies registradas para o Atlântico Ocidental, definir os caracteres morfológicos a serem utilizados na análise filogenética, testar o monofilia de Colochirinae, e verificar o relacionamento filogenético entre seus gêneros. Os resultados são apresentados nos capítulos: Revisão das espécies da subfamília análise filogenética da subfamília Colochirinae (Cucumariidae: Holothuroidea) (1), Colochirinae do Atlântico Ocidental (2) e Estudo da forma, medida e crescimento de ossículos dérmicos em Holothuroidea (3). Foram realizadas análises filgenéticas usando dados morfológicos de 61 espécies pertencentes a Colochirinae. Os caracteres estudados e selecionados para análise filogenética morlológica foram separados como: ossículos calcários, morfologia externa e interna e anel calcário, totalizando 50 caracteres, 39 binários e 11 multiestados. A análise dos dados seguiu o método henniguiano clássico, o método cladista e análise molecular. As árovres geradas mostram que diversos gêneros de Cucumariidae não são monofiléticos (ex. Colochirus, Ocnus e Trachythyone), enfatizando a necessidade de revisões a nível de gênero para melhor compreender as espécies existentes. Foram analisadas espécies de Colochirinae do Atlântico Ocidental, das quais duas são sugeridas como espécies novas. Sugerimos também a transferência da espécie Ocnus braziliensis para o gênero Parathyone. A análise de espécimes de Parathyone suspecta em diferentes fases de crescimento mostra uma base para compreensão das mudanças frequentes da morfologia e ossículos calcários em Colochirinae (Cucumariidae) ao longo do crescimento do animal, enfatizando sua importância para a distinção das espécies desde jovens a adultas. As medidas de ossículos calcários de diferentes espécies de Colochirinae apontou que o tamanho semelhante dos ossículos de espécies distintas pode indicar um relacionamento próximo entre elas, e ser uma característica a nível de gênero. Este trabalho representa a primeira revisão para os Colochirinae do Atlântico Ocidental, além de ser a primeira análise filogenética da subfamília Colochirinae.
  • RAFAELA LIMA DE FARIAS
  • Segregação espacial de macroinvertebrados bentônicos em um rio intermitente do Semiárido Brasileiro
  • Data: 28/05/2018
  • Hora: 13:00
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  • Rios de regiões secas são vistos como mosaicos de paisagens espaço-temporais que proporcionam alta heterogeneidade ambiental e influenciam fortemente os padrões de estrutura e diversidade das comunidades nas variadas escalas espaciais (ex. segmento, trecho e micro-habitat). Nesse contexto, o presente estudo buscou avaliar os padrões de estruturação das assembleias de macroinvertebrados bentônicos e caracterizar as variáveis ambientais em diferentes escalas espaciais no gradiente longitudinal do rio. Este estudo foi realizado em um rio intermiente (bacia do rio Paraíba), região semiárida do Brasil. Esta área é considerada de extrema importância biológica e identificada como prioritária para a conservação da Caatinga. A amostragem dos pedritores ambientais e comunidades biológicas foi hierárquica incluindo os três segmentos de rio (Alto PB, Taperoá e Médio PB), três trechos por segmento e três sítios por trecho, totalizando 27 locais de amostragem (poças). Para a análise de partição da diversidade foi considerada ainda a escala de microhabitats (n=81). Sendo assim, a diversidade de macroinvertebrados foi avaliada em quatro escalas espaciais distintas: segmentos de rio (β4), trechos (β3), sítios (β2) e microhabitats (β1). Os resultados apresentados mostram que a estrutura do habitat em sistemas aquáticos do semiárido brasileiro é composta por ampla diversidade de elementos que variam espaço-temporalmente e que fatores ambientais em escalas local e de bacia são importantes para a estrutura do habitat marginal. Além disso, foi observada segregação espacial das assembleias de macroinvertebrados bentônicos dependente da escala, com as escalas espaciais maiores representando as fontes de variação. Foram identificados preditores ambientais em escala local e regional que podem explicar a composição das assembleias (ex. altitude, estrutura do habitat e composição do sedimento). As análises de particionamento da diversidade reforçaram a importância de escalas espaciais mais grosseiras (β4) e a baixa importância de escalas espaciais finas (β1 e β2) para a diversidade regional no rio. Este estudo descreveu os padrões espaciais de macroinvertebrados bentônicos no contexto de heterogeneidade ambiental em um rio do semiárido. Além disso, consiste na última representação do rio Paraíba antes das modificações provocadas pelo Projeto de Transposição do Rio São Francisco, que alterou a dinâmica hidrológica (de intermitente à perenizada), com o potencial de modificar os parâmetros ambientais observados (qualidade da água, largura, profundidade, composição do sedimento e estrutura do habitat). Os dados fornecidos podem embasar pesquisas futuras que visem avaliar os impactos da obra de Transposição e, consequentemente, subsidiar medidas de gestão e conservação da bacia do rio Paraíba.
  • HANNAH LARISSA DE FIGUEIREDO LOUREIRO NUNES
  • Quiropterofauna urbana: estrutura da comunidade e avaliação da infecção por tripanossomatídeos na região metropolitana de João Pessoa, estado da Paraíba, Brasil.
  • Orientador : PEDRO CORDEIRO ESTRELA DE ANDRADE PINTO
  • Data: 28/05/2018
  • Hora: 09:00
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  • MARIANNA BARBOSA DA SILVA
  • Uso dos habitats por peixes recifais ao longo do gradiente eufótico-mesofótico
  • Data: 25/05/2018
  • Hora: 14:00
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  • Os ecossistemas recifais mesofóticos (ERM) são comunidades que são encontradas a partir dos 30-40 metros do início da zona altifótica e podem atingir mais de 300 m de profundidade. Algas calcárias, corais-negros, octocorais, esponjas e alguns corais escleractíneos dominam e formam o habitat estrutural em ERM. Embora o conhecimento sobre ERM tenha aumentado significativamente nos últimos 30 anos, ainda existem grandes lacunas, e isso ocorre, em grande parte, devido às dificuldades logísticas e financeiras. Assim, muitos aspectos sobre os ERM ainda são muito pouco conhecidos, uma vez que a maioria das pesquisas encontra-se restrita à região do Caribe e Indo-Pacífico. Assim, o presente trabalho foi dividido em dois capítulos. O primeiro capítulo trata de um levantamento sobre a conhecimento atual sobre os recifes mesofóticos no Brasil. Entre os principais resultados estão: 1) foram registrados nos ERMs brasileiros 25 espécies de elasmobrânquios, 275 peixes ósseos e 476 espécies bentônicas sésseis (234 algas, 166 esponjas e 76 cnidários zoantídeos); 2) a maior parte dos organismos construtores de recifes são algas calcárias e a espécie de coral Montastrea cavernosa; 3) as assembleias bentônicas são geralmente dominadas por esponjas, corais negros e octocorais; 4) as assembleias de peixes são compostas principalmente de peixes planctívoros e piscívoros; e 5) a sobrepesca, exploração e poluição estão entre as principais ameaças aos ERMs brasileiros. Já o segundo capítulo avaliou a composição das comunidades de peixes recifais ao longo de um gradiente de profundidade na região da Paraíba e sua relação com a composição do bentos. Diferentes assembleias de peixes foram encontradas entre 20-40 m, 40-50 m e 50-80 m de profundidade. A abundância de herbívoros diminuiu com o aumento da profundidade, enquanto a abundância de planctófagos e piscívoros apresentou o padrão oposto. A profundidade, a distância da costa e a presença de substrato consolidado foram os principais preditores das assembleias de peixes. Recifes rasos (20-40 m) eram formados principalmente por bancos de areia e macroalga (Halimeda spp.) e a faixa entre 40-80 m por substrato consolidado recoberto por macroalga filamentosa, rodolitos e esponjas. Por fim, evidências de migração ontogenética foram verificada para Lutjanus alexandrei.
  • JULIO LUSTOSA ARAUJO
  • Estrutura populacional do tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) em recifes costeiros da Paraíba, através do uso de foto-identificação
  • Data: 30/04/2018
  • Hora: 14:00
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  • O tubarao lixa, Ginglymostoma cirratum, e uma especie costeira encontrada em ambientes tropicais e subtropicais do Oceano Atlantico, frequentemente proximo a recifes, tanto coralinos quanto rochosos. A especie e tida como uma das especies de tubarao mais abundantes em regioes costeiras no Brasil, com a regiao nordeste possivelmente abrigando as maiores populacoes de tubaroes lixa. Apesar disto, a pesca e declinios populacionais resultaram na sua avaliacao como ameacada de extincao (categoria Vulneravel) no Brasil. A falta de dados basicos sobre seus aspectos populacionais dificultam a elaboracao de boas acoes de manejo, reforcando a importancia de estudos direcionados a especie. Assim, o objetivo deste trabalho foi estimar o tamanho e estrutura da populacao de tubaroes lixa em ambientes recifais costeiros na Paraiba. Tres recifes naturais e tres artificiais foram selecionados com base no conhecimento previo da ocorrencia de tubaroes lixa nestes locais. Os pontos de coleta foram amostrados entre maio de 2016 e maio de 2017. Os dados obtidos incluiram o total de tubaroes presentes durante a amostragem, o total de animais fotografados, com estimativas de comprimento total e sexo, assim como temperatura da agua e visibilidade horizontal, ambas no fundo. Fotografias da primeira nadadeira dorsal foram tiradas e imagens consideradas de alta qualidade foram utilizadas no Interactive Identification System – Contour. Estimativas do tamanho populacional foram realizadas utilizando o estimador Jolly-Seber. Dezessete tubaroes foram identificados durante 37 saidas de campo, dos quais 76% foram classificados como juvenis. Ocorreram 36 eventos de captura de 13 individuos (76% do total de tubaroes capturados) dos quais 88% eram juvenis. O estimador resultou em um limite superior populacional de cerca de 50 individuos, com a populacao sendo composta majoritariamente de tubaroes juvenis, com uma razao sexual proxima de 1:1. Os resultados apontam para uma populacao pequena, no entanto, a alta proporcao de juvenis provavelmente destaca uma tendencia amostral devido a limitacao do numero de locais amostrados, e sua baixa variacao de profundidade ja que todos estavam entre 12 – 35m. A alta taxa de recaptura enfatiza a fidelidade de sitio da especie na area de estudo, a qual somada a populacao reduzida, aumenta o seu grau de ameaca localmente. Embora os resultados sejam mais relevantes para a classe juvenil, eles reiteram a necessidade de mais estudos populacionais nesta especie ameacada de extincao, no Brasil, assim como a necessidade de acoes de conservacao focados para o tubarao lixa e seus habitats, particularmente em regioes menos estudadas e protegidas, como a Paraiba.
  • LUCAS BARBOSA DE QUEIROGA CAVALCANTI
  • Padrões globais no nicho alimentar de lagartos
  • Orientador : DANIEL OLIVEIRA MESQUITA
  • Data: 26/03/2018
  • Hora: 14:00
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  • Entender como os fatores históricos e recentes podem moldar as características ecológicas das espécies é crucial para elucidarmos processos ecológicos e evolutivos. Utilizando um banco de dados global dos aspectos alimentares de 722 populações de 323 espécies de lagartos (dentre 32 famílias), testou-se a influência da filogenia nas preferências alimentares dos lagartos numa escala global, assim como sua relação com o clima, modo de forrageio, habitat, distribuição (tropical/temperada) e tamanho do corpo. A história evolutiva foi o fator determinante nas preferências alimentares dos lagartos, explicando 53,79% da variação total dos dados. Também foi encontrado sinal filogenético na ingestão de presas tanto numa perspectiva univariada como multivariada. Lagartos Iguania tendem a comer mais besouros e himenópteros que não Iguania. Sugere-se que os Iguania possuem adaptações que facilitam o desenvolvimento da herbivoria. Lagartos não Iguania geralmente são de dois grupos: (1) aqueles que se alimentam de cupins (especialmente as espécies de deserto) ou (2) aqueles que se alimentam de presas energéticas (como ortópteros, aranhas e baratas). Ainda, encontramos evidência de influência climática nas preferências alimentares, sento a fauna de artropodes de folhiço bem mais comuns na dieta dos lagartos que habitam climas mais quentes e úmidos. Artrópodes com resistência a ambientes frios foi mais ingeridos por largartos de climas mais frios. A ingestão de cupins (assim como carrapatos e louva-deus) foi associada a climas sazonais e quentes, como desertos e regiões áridas, sendo uma fonte de alimento em ambientes mais hostis. Herbivória foi associada a ambientes sazonais, provavelmente como fonte de alimento e água. O modo de forrageio não foi um bom preditor das preferências alimentares, e foi relacionado apenas com solpugidas e carrapatos, as quais não são tipos de presas primários. A especialização do habitat também parece predizer aspectos secundários da alimentação, especialmente em espécies arbóreas e semi-aquáticas. Lagartos tropicais tendem a ingerir uma quantidade mais variada de artrópodes, enquanto Squamata são mais comuns na dieta de lagartos de regiões temperadas (provavelmente pela presença de espécies de lagartos predadoras de tamanho de corpo maior). O tamanho do corpo foi positivamente correlacionado com maiores tamanhos de presa (mais eficientes energeticamente) e com herbivoria (fonte de comida alternativa e também digerem melhor as plantas). A hipótese prévia de que a dieta dos lagartos é basicamente predita pelos aspectos evolutivos foi corroborada, no entanto são sugeridas novas intepretações para estes padrões e ressalta-se a importância de outras características ecológicas como variáveis ambientais na modulação tanto de presas secundárias como primárias na dieta dos lagartos.
  • RENATA DRUMMOND MARINHO CRUZ
  • Comunidades de abelhas (Hymenoptera, Apidae) ao longo de um gradiente de urbanização
  • Orientador : CELSO FEITOSA MARTINS
  • Data: 28/02/2018
  • Hora: 14:00
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  • FRANCIANY GABRIELLA BRAGA PEREIRA
  • Efeitos de Guerras Civis sobre as Populações de Mamíferos e na Dinâmica de Caça
  • Data: 27/02/2018
  • Hora: 14:00
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  • As guerras civis geralmente coincidem com áreas de grande importância em termos de biodiversidade global e atormentam a realidade cotidiana de muitos países. Nesta pesquisa, através do conhecimento ecológico local avaliamos pela primeira vez as principais consequências de uma prolongada guerra civil sobre mamíferos de floresta e savana no Sudoeste da África, usando Angola como estudo de caso. O país é o lar de pelo menos 275 espécies de mamíferos, muitos deles historicamente caçados pelas comunidades locais antes, durante e depois da intermitente guerra civil angolana que perdurou por 27 anos (1975-2002). Também demos um maior enfoque nas principais áreas protegidas de Angola, Parque Nacional da Quiçama e Reserva de Caça da Quiçama. No Capítulo 1 ao comparar a abundância pós-guerra com a linha de base pré-guerra dos mamíferos da Quiçama, encontramos um declíneo populacional em 20 das 26 (77%) espécies de mamíferos consideradas neste estudo, com algumas espécies experimentando um declínio de até 80% na abundância da linha de base. Além disso, essa redução foi maior em paisagens de savana aberta do que em florestas, devido à maior acessibilidade e detecção de grandes presas e ao uso eficiente de projéteis de longo alcance em savanas. Mamíferos de grande porte eram os alvos preferidos e foram caçados em excesso, mas à medida que suas populações se esgotaram, a estrutura de tamanho das espécies de presas gradualmente mudou para espécies de corpo menor. Finalmente, apresentamos um diagrama de fluxo geral de como as guerras civis em países de baixa governança podem ter impactos positivos e negativos sobre as populações de vida selvagem nativa em diferentes escalas de espaço e tempo. No Capítulo 2, o nosso enfoque foi identificar as técnicas de caça utilizadas antes, durante e depois da guerra civil angolana na savana e na floresta. Coletamos informações sobre as técnicas utilizadas pelo caçador para abordar, perseguir e capturar espécies cinegéticas. Descobrimos que os rifles introduzidas durante a guerra civil angolana aumentaram o espectro de espécies capturadas desde espécies de pequeno a grande porte e induziram a uma erosão da abundância da população de mamíferos. Também encontramos um conjunto claro de técnicas de caça específicas para cada espécie, valorizando o custo-benefício de cada técnica. A frequência de uso de rifles também foi maior na savana do que na floresta. Também encontramos mudanças ao longo do tempo nas técnicas de aproximação e perseguição de presas. Finalmente discutimos que a substituição de técnicas de caça mais rudimentares por8 técnicas modernas (ex .: de lanças e redes a rifles) é possivelmente orientada para atender a cadeia do comércio de animais, com pessoas agindo de forma mais independente e racional de acordo com seus próprios interesses, abandonando as técnicas de caça comunitária e esgotando alguns recursos comuns. No Capítulo 3, nos concentramos mais nos motivadores da caça. Avaliamos a i) influência do tamanho do corpo das espécies de presas, nível trófico e sexo e classe de idade na seletividade de caçadores de mamíferos selvagens em Quiçama; ii) a principal motivação por trás da busca de mamíferos selvagens; iii) a freqüência de captura e a seletividade de cada espécie; e iv) o grau em que o comércio ilegal de animais selvagens tem sido mais lucrativo a curto prazo do que as atividades alternativas realizadas por caçadores locais. Nossos resultados mostram que espécies de corpo médio e grande, particularmente machos adultos em espécies dimórficas, quando disponíveis são mais seletivamente perseguidas por caçadores principalmente para maximizar sua demanda de carne de caça e obter maiores lucros com o comércio da carne. As principais motivações por trás da caça de mamíferos selvagens foram o consumo de carne selvagem de subsistência, retaliação contra a predação de animais domésticos, cultivos agrícolas e etc, o comércio de carne de caça e o comércio de outras partes do corpo dos animais. O comércio de carne de caça e outros subprodutos extraídos de vertebrados selvagens garantiu que os residentes locais pudessem obter lucros mais altos em comparação a quaisquer fontes alternativas de renda direta e indireta. No entanto, esses benefícios financeiros foram, na melhor das hipóteses, modestos, amplamente insustentáveis em termos de quedas de população de presas e gerando altos custos de longo prazo para a economia em escala local a regional, para o capital de recursos naturais renováveis e para a biodiversidade nativa.
  • VICTOR LUIZ NASCIMENTO DE ARAÚJO
  • Como características bioacústicas se relacionam com a estrutura filogenética e a diversidade funcional em taxocenoses de anuros do Nordeste do Brasil
  • Orientador : GUSTAVO HENRIQUE CALAZANS VIEIRA
  • Data: 26/02/2018
  • Hora: 08:30
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  • JULIANO MORAIS
  • Recifes profundos funcionam como refúgio? Um teste com corais do atlântico sul
  • Data: 23/02/2018
  • Hora: 09:00
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  • A hipótese dos refúgios em recifes profundos prevê que ecossistemas recifais profundos (>30 m de profundidade) podem atuar como refúgios para a biota dos recifes rasos e recuperá-la após distúrbios humanos. Ainda que a hipótese tenha sido postulada há quase duas décadas, faltam evidências empíricas que a suportem para diversos grupos biológicos, incluindo corais. Pouco se sabe também sobre como os corais respondem a diferentes tipos de distúrbios humanos, cuja magnitude e frequência variam consideravelmente. Neste trabalho, utilizei comunidades de corais ocorrentes na costa paraibana para testar a hipótese dos refúgios em recifes profundos. Como preâmbulo, revisei a literatura (110 estudos) para identificar lacunas teóricas e geográficas sobre as respostas dos corais à acidificação do oceano, mudança climática, sobrepesca, poluição e turismo desordenado. Classifiquei os estudos de acordo com o oceano, ecorregião, tipo de perturbação, nível de organização biológica, abordagem de estudo, método de coleta de dados, profundidade em que os dados foram coletados e tipo de resposta do coral. Descobri que os estudos estão concentrados no Indo- Pacifico (36.3%) e no Caribe (31.9%) e têm utilizado abordagem observacional (59,1%) com mergulho SCUBA (37,2%) para avaliar o impacto do aquecimento do oceano (55,4%) nas comunidades de corais (58,1%), especialmente em águas rasas (até 27 m). Estes resultados revelam a escassez de informações sobre respostas de corais à poluição, turismo, sobrepesca e acidificação, particularmente em ecossistemas recifais profundos e em ecorregiões fora do Indo-Pacífico e Caribe. Para o teste da hipótese do refúgio, utilizei uma abordagem no nível de comunidade capaz de particionar a diversidade em seus componentes alfa e beta ao longo de um gradiente de 3 a 61 m. Amostrei, através de mergulho SCUBA, 7 recifes rasos (<30 m) e 12 profundos (>30 m). Contrário às expectativas, os recifes rasos apresentaram maior diversidade gama que os profundos (13 vs. 7 espécies); maior proporção de espécies especialistas em profundidade (77% vs. 57%); diversidade alfa similar porém maior diversidade beta de espécies raras, típicas e comuns; e funções exclusivas não encontradas nas áreas profundas (e.g. corais moles). Esses resultados refutam a hipótese de que os recifes profundos funcionam como refúgios para corais. Entretanto, revelam que recifes rasos e profundos são complementares, sendo fundamental conservar todo o gradiente de profundidade para proteger integralmente a diversidade regional de corais.
  • LISSA DELLEFRATE FRANZINI
  • Autoecologia de Kentropyx calcarata em um remanescente de Floresta Atlântica no extremo oriental das Américas e análise da ecologia da espécie em duas florestas tropicais
  • Data: 23/02/2018
  • Hora: 09:00
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  • Kentropyx calcarata é um lagarto teídeo que habita ambientes florestais a leste dos Andes. Aspectos ecológicos da espécie são bem conhecidos para a Floresta Amazônica. No entanto, em áreas de Floresta Atlântica, as informações ainda são escassas. Nós investigamos uma população da espécie em um fragmento de Floresta Atlântica no nordeste do Brasil, testando hipóteses acerca de sua ecologia, especificamente dieta, período de atividade, uso de microhábitat, ecologia termal e reprodução. Os lagartos foram mais ativos nas horas mais quentes do dia e mais comumente encontrados no folhiço e troncos caídos. A temperatura do corpo dos animais foi sempre maior do que a do susbstrato e mais influenciada por esta do que pela temperatura do ar. Existe dimorfismo sexual para tamanho do corpo na população, com fêmeas maiores do que machos e também para forma do corpo, com fêmeas apresentando maiores comprimento e largura do corpo e comprimento da causa porém machos apresentando maiores larguras e altura da cabeça. A dieta foi composta principalmente por artrópodes e Orthoptera e Araneae foram as categorias mais frequentes. Não foi observada variação entre os sexos ou estações na composição da dieta, porém variações ontogenéticas relacionadas ao volume máximo de presas ingeridas foram verificadas. Machos e fêmeas reprodutivos foram encontrados ao longo de todo o ano na população. Os aspectos ecológicos da espécie na Floresta Atlântica foram comparados a dados proveniente da Floresta Amazônica, com o objetivo de testar a hipótese de que a autecologia da espécie é mais influenciada por fatores históricos do que por fatores ambientais. Em ambos os biomas os lagartos foram encontrados com maior frequência em locais de incidência direta de luz solar, no folhiço ou em troncos caídos, e apresentaram temperaturas corporais influenciadas pelas temperaturas do substrato. O tamanho do corpo é maior em lagartos da Floresta Amazônica. Detectamos dimorfismo sexual na população da Floresta Atlântica, onde fêmeas são maiores do que o de machos, porém não foi detectado dimorfismo sexual para tamanho em lagartos da Amazônia. Em todos os locais de estudo os indivíduos alimentaram-se majoritariamente de Araneae e Orthoptera e não houve diferença na composição da dieta entre os biomas ou sexos. Na população da Floresta Atlântica foram encontrados indivíduos reprodutivos em todos os meses do ano, indicando que neste ambiente pouco sazonal a espécie apresenta reprodução contínua, o que também foi verificado por outros pesquisadores para outras espécies do gênero e para outras populações de K. calcarata na Floresta Amazônica. A marcantes similaridades em aspectos da ecologia térmica, uso de microhábitat, dieta e reprodução entre os biomas sugerem que a autecologia de Kentropyx calcarata é fortemente influenciada por fatores históricos, embora a presença de variações morfológicas entre as populações sugira que essas características são mais plásticas do que os outros parâmetros ecológicos nesta espécie.
  • FELIPE CAMURUGI ALMEIDA GUIMARÃES
  • Biogeografia de anuros neotropicais: Filogeografia, padrões de distribuição e evolução de sinais acústicos
  • Data: 22/02/2018
  • Hora: 14:00
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  • A distribuição e diversificação das espécies podem ser influenciadas por uma gama de fatores históricos e ecológicos. Entender quais são esses mecanismos é peça chave para decifrarmos como a diversidade é distribuída em várias escalas, desde táxons, linhagens, fenótipos e genealogias. O objetivo principal da presente tese é verificar a importância de diferentes processos históricos e ecológicos na distribuição de anuros neotropicais, em diferentes escalas. No primeiro capítulo usei abordagens comparativas para investigar a influência da sobreposição de nicho climático na variabilidade dos sinais acústicos de um grupo de espécies proximamente relacionadas. Sendo assim, usei 15 espécies de anuros do grupo Boana albopunctata para testar as seguintes hipóteses: se espécies relacionadas são geograficamente sobrepostas, sinais acústicos importantes para reprodução e demarcação de territórios devem ser mais diferentes que o esperado por evolução neutra; alternativamente se os cantos possuem sinal filogenético elas devem divergir no nicho climático e distribuição geográfica evitando assim potencial hibridização ou competição interespecífica. Gerei uma árvore de espécie datada e construí modelos de nicho para boa parte das as espécies. Analisei 2088 cantos de anúncio de 212 indivíduos provenientes de 84 localidades. As espécies tenderam a apresentar baixa sobreposição de nicho, com divergência para a maioria dos pares de espécies. Os cantos de anúncio tiveram sinal filogenético. Os resultados sugerem que a maior parte da diversificação foi alopátrica com a conservação de sinais reprodutivos similares, suportando a segunda hipótese. No segundo capítulo, usei Boana raniceps para testar sob uma abordagem filogeográfica diferentes processos de diversificação na Diagonal de Formações Abertas da América do Sul (DFA). Utilizei múltiplos marcadores moleculares, métodos coalescentes, modelos de nicho ecológico, ferramentas de genética da paisagem e sinais acústicos para testar: 1) se existe apenas uma linhagem, amplamente distribuída e geneticamente coesa; 2) se o soerguimento do Planalto Central brasileiro ou características da paisagem da DFA tiveram influência na diversificação da espécie; 3) se mudanças climáticas no Quaternário influenciaram a história demográfica de B. raniceps; 4) se possíveis divergências genéticas foram seguidas por divergência em sinais acústicos. Identifiquei duas linhagens geograficamente estruturadas: uma do Chaco, sudoeste do Cerrado e savanas amazônicas; outra que compreende a Caatinga e a porção norte/leste do Cerrado. A divergência entre as populações data do Médio-Pleistoceno com alta migração entre as mesmas. Grandes áreas de potencial refúgio foram encontradas para ambas as linhagens. O nicho ambiental diferiu entre as linhagens, assim como os cantos de anúncio. Boana raniceps ocorre em áreas de baixa altitude e é possível que o soerguimento do Planalto Central, juntamente com um filtro climático, tenha funcionado historicamente como uma barreira semipermeável, reduzindo o fluxo gênico entre as duas populações. Esses resultados reforçam o complexo cenário de diversificação e de distribuição da biodiversidade na região mais biodiversa do mundo.
  • JOÃO VICTOR LEMOS CAVALCANTE DE OLIVEIRA
  • Sistemática e filogenia do gênero Cyphoderus (Collembola, Paronellidae, Cyphoderinae) neotropicais
  • Data: 22/02/2018
  • Hora: 14:00
  • Visualizar Dissertação/Tese   Mostrar Resumo
  • O gênero Cyphoderus, distribuído mundialmente, foi proposto por Nicolet para Entomobryomorpha sem olhos, de coloração branca ou amarelada, com o quarto segmento abdominal mais de 3 vezes o comprimento do terceiro, com escamas no corpo, dens liso com escamas piniformes, segmentos antenais sem subdivisões, unguis com 2 dentes basais bem desenvolvidos, unguiculum com um dente basal largo. Esse gênero possui problemas de classificação e, em muitos casos, de identificação devido à escassa descrição de caracteres diagnósticos entre as espécies. Diversos autores possuem dificuldades para classificá-los, tendo o gênero sido tratado como pertencente a diferentes famílias. Recentemente, a quetotaxia tem sido adicionada às descrições de novas espécies e mais raramente informações moleculares. Portanto, neste trabalho objetivamos revisar as espécies Neotropicais do gênero Cyphoderus, estabelecer hipóteses de homologia primária para a análise de parcimônia e propor uma hipótese de filogenia para o gênero Cyphoderus Neotropicais. A análise filogenética do gênero foi realizada com dados morfológicos para testar o monofiletismo e se os agrupamentos baseados na forma do mucro, propostos por Delamare-Deboutteville, compõem grupos de espécies naturais. Os resultados indicam que o gênero Cyphoderus é monofilético, mais proximamente relacionado a Paronellidae do que a Lepidocyrtinae ou Entomobryidae e que o agrupamento proposto por Delamare-Deboutteville, aparentemente, é artificial, auxiliando apenas para identificação de espécies.
  • STÉPHANIE MENEZES ROCHA
  • Efeitos da sucessão ecológica na estruturação de taxocenoses de lagartos em áreas de Caatinga
  • Data: 16/02/2018
  • Hora: 08:00
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  • O presente estudo encontra-se dividido em três capítulos. No primeiro deles, apresentamos uma lista de lagartos para a região do Alto Sertão de Sergipe, Brasil. Ao total, registramos 19 espécies de 10 famílias, sendo Ameivula ocellifera, Tropidurus hispidus e Tropidurus semitaeniatus as espécies mais abundantes. No segundo capítulo, investigamos os padrões de estruturação de uma taxocenose de lagartos do município de Canindé de São Francisco, Sergipe. Nele, inventariamos 13 espécies, pertencentes a sete famílias. Os lagartos se mostraram especialistas quanto ao uso do microhabitat e dieta, com exceção de T. hispidus e A. ocellifera. Ainda, verificamos que a taxocenose se encontra estruturada quanto ao uso dos recursos espaciais e tróficos, sendo os seus padrões influenciados tanto por fatores ecológicos, mais proeminentes, quanto históricos. Por fim, em relação ao eixo morfométrico, encontramos um efeito conjunto e equilibrado entre a ecologia e filogenia. No terceiro e último capítulo investigamos os efeitos da sucessão ecológica na estruturação de taxocenoses de lagartos em áreas de caatinga do Alto Sertão Sergipano. Ao total, registramos 8034 lagartos, pertencentes a 16 espécies e nove famílias. As suas abundâncias totais não variaram entre os estágios sucessionais analisados (inicial, intermediário e tardio). A riqueza e composição de espécies mostraram-se estatisticamente diferentes apenas entre o estágio inicial e tardio. Em relação ao nicho espacial, somente a taxocenose do estágio inicial não se mostrou estruturada, porém todas elas foram mais influenciadas por fatores ecológicos recentes. Quanto ao nicho alimentar, verificamos estruturação em todas as taxocenoses, com a formação de um gradiente crescente de organização com o avanço da sucessão e a influência tanto de fatores ecológicos quanto históricos, estes últimos porém, mais fracos que o primeiro. Por fim, detectamos estruturação filogenética apenas no estágio inicial e em relação ao índice MNTD. Como sua forma estandardizada (NTI) mostrou-se negativa, a estrutura verificada era provinda de interações ecológicas e não da ação da filogenia na sua formação.
2017
Descrição
  • JOAFRANCIO PEREIRA DE ARAUJO
  • Relações filogenéticas em Crinocheta (Crustacea, Oniscidea)
  • Data: 29/11/2017
  • Hora: 14:00
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  • Os isópodes terrestres (Crustacea, Oniscidea) formam o grupo mais bem-sucedido entre os crustáceos que colonizaram o meio terrestre. Atualmente há cerca de 3.700 espécies conhecidas. Somente três propostas, diretamente e indiretamente, buscaram compreender os padrões evolutivos dentro de Crinocheta (um grupo monofilético de Oniscidea com aproximadamente 2.750 espécies). Os resultados destas propostas mostraram-se pouco conclusivas, levando os autores a assumirem que as relações de parentesco apresentadas são fracamente suportadas. Pretendeu-se refinar e buscar novas evidências evolutivas para as relações filogenéticas em Crinocheta, avaliando as filogenias já propostas na literatura. Foi utilizada toda literatura taxonômica disponível referente aos táxons de Oniscidea e de assuntos afins, principalmente para Crincoheta. Foram montadas fichas pictóricas para análise comparativa das estruturas ilustradas. A partir deste processo foi possível enxergar algumas estruturas as quais se tentou colocar dentro de um contexto evolutivo junto com os táxons detentores destes caracteres. Incialmente concluiu-se que existem poucos grupos em Crinocheta que são unidades monofiléticas fortemente suportas. As famílias são na maioria grupos parafiléticos, tendo sido este um dos principais problemas por utilizarem este nível taxonômico como táxons terminais das análises filogenéticas já publicadas. Por isso, este trabalho é o início de uma pesquisa laboriosa que tem a pretensão de propor grupos monofiléticos consistentes para a linhagem dos Crinocheta. Não seguir os procedimentos normalmente utilizados para uma análise cladística deve-se ao fato de que as tentativas anteriores não alcançaram muito êxito nos seus resultados.
  • ANNA CAROLINA FIGUEIREDO DE ALBUQUERQUE
  • Diversidade de mamíferos de médio porte e ocorrência de cães domésticos como espécie invasora em Unidades de Conservação na Floresta Atlântica da Paraíba, Brasil.
  • Data: 31/10/2017
  • Hora: 15:00
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  • No Nordeste do Brasil, a porcao de Mata Atlantica ao norte do rio Sao Francisco, conhecida como Centro de Endemismo de Pernambuco (CEPE) por ser um hotspot de biodiversidade, e a regiao mais impactada e fragmentada do bioma. A fauna de mamiferos de medio porte e pouco conhecida nessa regiao, a despeito do seu papel ecologico como especies-chave na estruturacao das comunidades biologicas, especialmente na ausencia de grandes predadores. Com os processos de antropizacao e a expansao de areas urbanizadas proximas aos ambientes naturais, ocorre o aumento da populacao de mamiferos domesticos, caes e gatos, que acabam afetando diretamente os mamiferos silvestres por competicao, predacao ou transmissao de parasitos. Este trabalho objetivou analisar a estrutura das comunidades de mamiferos de medio porte por meio da composicao de especies, riqueza e diversidade, em tres Unidades de Conservacao de Mata Atlantica no estado da Paraiba. Ainda, avaliamos a presenca de caes domesticos como especie invasora, estimando sua abundancia, densidade, padrao de uso do espaco e periodo de atividade. O estudo foi realizado na Reserva Biologica (Rebio) Guaribas e duas Reservas Particulares do Patrimonio Natural (RPPN) Fazenda Pacatuba e Engenho Gargau. Para tanto, utilizamos armadilhas fotograficas espalhadas em grids com intervalo de 1km2. Obtivemos 642 registros de mamiferos silvestres pertencentes a 14 especies e 86 registros de caes e gatos domesticos. A ordem mais representativa foi a Carnivora, e as especies mais frequentes foram Dasyprocta iacki (n= 255; 35%), Didelphis albiventris (n= 184; 25%) e Dasypus novemcinctus (n=60; 8%). Destacamos a presenca de Leopardus pardalis, sendo estes os primeiros registros do animal na area de estudo. Destacamos ainda o registro de Cabassous tatouay, devido ao seu baixo numero de registros para a regiao, possuindo apenas dois especimes na Colecao de Mamiferos da Universidade Federal da Paraiba, Coendou prehensilis, por ser uma especie com habitos e habitat arboricola, bem como os primatas Alouatta belzebul e Sapajus flavius, que estao criticamente ameacados de extincao. A riqueza de mamiferos silvestres representou a metade do pool de especies regional, podendo isso estar relacionado a elevada fragmentacao e perda de habitat da area, como tambem pode estar ligada a praticas de caca que ocorrem na regiao, resultando em processo de defaunacao. A alta frequencia de Didelphis albiventris, pode ser um indicativo de areas perturbadas, bem como a ausencia de especies de carnivoros esperadas para regiao podem gerar um efeito cascata nas comunidades biologicas. Em relacao aos caes domesticos, foram estimadas a abundancia e a densidade na Rebio Guaribas SEMA II (n = 90; 3,2 caes/km²) e na RPPN Fazenda Pacatuba (n=29, 6,2 caes/km²), espectivamente. O horario de atividade dos caes nas UCs teve picos entre 1:00-3:00AM e 5:00-07:00AM, e o padrao de uso foi mais frequente nas bordas na RPPN Fazenda Pacatuba, e na Rebio Guaribas, tanto na borda como em suas estradas internas. Os registros de caes domesticos nas UCs sao relevantes para a criacao de estrategias visando impedir a presenca desses animais nas areas estudadas, tendo em vista que sao considerados como especie invasora que pode trazer efeitos negativos para a fauna local. Acoes envolvendo as comunidades do entorno das areas para o esclarecimento dos problemas de saude que a interacao entre caes e mamiferos silvestres podem causar, como tambem a realizacao de censos da populacao canina concomitantes com estudos epidemiologicos e campanhas de vacinacao e castracao nos caes das comunidades dos entornos das areas tambem devem ser realizadas.
  • REMBRANDT ROMANO ANDRADE DANTAS ROTHÉA
  • Diversidade e checklist de Membracidae (Hemiptera: Auchenorryncha) em áreas de Caatinga do Estado da Paraíba
  • Orientador : ANTONIO JOSE CREAO DUARTE
  • Data: 31/10/2017
  • Hora: 14:00
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  • YURI GOMES PONCE DE CARVALHO ROCHA
  • Avaliação do Complexo Spilopterus (Pleuronectiformes: Paralichthyidae: Citharichthys)
  • Orientador : RONALDO BASTOS FRANCINI FILHO
  • Data: 29/09/2017
  • Hora: 14:30
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  • Consta na dissertacao.
  • AMANDA COSME DA SILVA
  • Dinâmica do forrageio de Constrictotermes cyphergaster (Blattaria, Termitidae) em um ecossistema semiárido do Nordeste Brasileiro.
  • Data: 29/09/2017
  • Hora: 14:00
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  • O forrageamento sofre influencia do ambiente fisico e esta sujeito as variacoes na viabilidade dos recursos de acordo com a epoca do ano, o que afeta as estrategias adotadas pelos termitas para suprir suas necessidades nutricionais. Este estudo investigou a dinamica do forrageamento de Constrictotermes cyphergaster no tempo e no espaco em uma area de caatinga, com o objetivo de avaliar a relacao entre a qualidade e disponibilidade dos recursos com as rotas de forrageio, alem de aspectos energeticos da colonia para a producao de ninfas. O forrageio de oito colonias foi monitorado durante quinze dias consecutivos, com intervalo de tres meses entre cada amostragem, de janeiro/2016 a junho/2017, totalizando cinco coletas. As rotas tracadas e os itens alimentares explorados pelo termita foram demarcados na area de uso das colonias. Amostras de 100 soldados e 100 operarios foram coletadas para avaliar a biomassa e os teores de proteinas, lipidios, carboidratos e acucares totais. Amostras vegetais dos principais recursos explorados foram coletadas para analises de carbono e nitrogenio. Dezessete especies vegetais foram consumida por C. cyphergaster, dentre as quais Croton spp., Mimosa spp. e Poincianella pyramidalis se destacaram como as mais visitadas e abundantes. E provavel que o direcionamento das trilhas de forrageio seja realizado a partir da escolha de sitios de forrageio cuja selecao de recursos otimize o custo-beneficio da atividade, onde a disponibilidade do recurso dentro da area de uso parece ser mais atrativa para o termita. A area de uso das colonias variou significativamente entre os periodos, porem, a duracao e a intensidade do forrageio nao apresentou diferenca ao longo das amostragens. Operarios e soldados apresentaram maiores concentracoes proteicas e lipidicas nos periodos chuvosos, com consequente aumento da biomassa corporea nessa estacao, mas as concentracoes de carboidratos e acucares foram mais elevadas nos periodos de seca. Nao foi observada uma ligacao direta entre a nutricao das colonias e estrategias especificas de forrageamento para cada periodo climatico. Todavia, o aumento da biomassa corporea verificado nos periodos de chuva pode indicar que a qualidade do recurso e mais importante para o termita do que a quantidade de recurso consumida.
  • DALYNE MENEZES TELES
  • Taxonomia e levantamento da fauna da classe Diplopoda (Arthopoda, Myriapoda) do Nordeste ao Norte do Rio São Francisco, Brasil
  • Data: 29/09/2017
  • Hora: 14:00
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  • Os diplópodes pertencem ao sub-filo Myriapoda, constituído por: Chilopoda, Diplopoda, Pauropoda e Symphyla. Vulgarmente são conhecidos como piolhos-de-cobra, gongolôs, embuás ou milípedes, são artrópodes cilíndricos caracterizados por apresentar diplossegmentos com dois pares de pernas por segmento, que assumem posição enrodilhada quando ameaçados, e liberam quinonas e outros agentes alomônios para a sua defesa. Tendo em vista o pequeno número de estudos da fauna de diplópodes no Brasil, o presente estudo objetivou inventariar a fauna de Diplopoda ao norte do Rio São Francisco, abrangendo os estados da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará. Parte do material examinado encontrava-se depositado na Coleção de Aracnídeos e Miriápodes do Departamento de Sistemática e Ecologia da Universidade Federal da Paraíba (DSE/UFPB). Foram realizadas coletas adicionais, de caráter complementar, envolvendo busca ativa diurna e noturna e uso de extrator de Winkler, a fim de suprimir algumas lacunas na distribuição da amostragem. Foram analisados 1.018 espécimes, Spirostreptida foi a ordem mais abundante com 541 indivíduos. Destes, 370 são da família Spirostreptidae distinguidos em 12 gêneros e 15 espécies; e 171 são Pseudonannolenidae, representados apenas por uma única espécie. Polydesmida teve 248 indivíduos distribuídos em quatro famílias: Chelodesmidae foi a mais abundante com 207 indivíduos de 12 espécies em oito gêneros, dois desses são prováveis gêneros novos; Paradoxosomatidae com 37 espécimes de uma única espécie; Pyrgodesmidae, com três indivíduos; e Cyrtodesmidae, com apenas um espécime. Spirobolida perfez 185 espécimes pertencentes à família Rhinocricidae distinguidos em dois gêneros e quatro espécies, sendo uma provável nova espécie. Siphonophorida com 37 indivíduos, representada apenas por Siphonophoridae; Polyzoniida com seis indivíduos, representada pela família Siphonotidae; e Polyxenida que teve apenas um representante pertencente à família Polyxenidae Devido à complexidade na identificação das espécies motivada por uma taxonomia incerta a descrição de novas espécies é comprometida. Desse modo, a necessidade de trabalhos de revisão através de uma taxonomia integrativa se faz necessária. O presente estudo expôs a relevância do conhecimento da diversidade de Diplopoda na Região Nordeste, já que estimou, diagnosticou e identificou a diversidade desse grupo em áreas nunca antes amostradas servindo de base para estudos futuros.
  • HELIENE MOTA PEREIRA
  • Percepção de estudantes universitários sobre vertebrados silvestres e suas implicações para conservação
  • Data: 31/08/2017
  • Hora: 09:00
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  • A maneira como os seres humanos percebem e interagem com os animais é representada de diferentes modos, desde a antipatia corroborada pelo medo, aversão ou repugnância, bem como através da empatia evidenciada pelo sentimento de afeto, encantamento e interesse pelo animal, especialmente vertebrados silvestres. Neste sentido, o presente estudo investigou a percepção de estudantes universitários em relação à vertebrados silvestres e os possíveis fatores que permeiam tais pontos de vista. Os dados foram obtidos através de questionários online, deste modo foram entrevistados 700 estudantes de Ensino Superior de 9 estados Brasileiros, sendo 328 do sexo feminino e 372 do sexo masculino, com idade entre (18 e 65 anos). Os dados obtidos foram submetidos aos testes de KruskalWallis, Teste de Dunn, Wilcoxon, ANOVA, Correlação de Spearman e Análise fatorial. Verificou-se que a área de conhecimento e os aspectos religiosos influenciaram significativamente as percepções sobre os organismos em relação à conservação. O teste demonstrou diferença significativa para estes fatores p< 0,01. O resultado apontou Mamíferos como sendo o grupo de vertebrados que mais deve ser preservado, seguido de Répteis, Aves e por último Peixes. Houve diferença significativa entre homens e mulheres apenas em relação ao fator estético (Bonito: p = 0,02; Feio: p =0,01) e para pessoas que possuem religião os fatores preservação, estético e prejudicial deram significativos. Utilizamos uma Correlação de Spearman para testar a relação entre a idade e os fatores de percepção. Destes, apenas o fator de risco Perigoso (rho = - 0,008; p= 0,03) e inofensivo (rho = 0,1; p< 0,01) se correlacionaram significativamente. O coeficiente alfa de Cronbach para todo o instrumento foi de (α = 0,73). A divergência das percepções estabelecida através das preferências por certos animais e aversão por parte de outros resulta numa insuficiência nos esforços de conservação em relação à fauna silvestre. Deste modo, incorporar aos mais diversos públicos os conceitos de conservação, e não restringir a informação apenas a determinados grupos sociais, isto é, independentemente de área de escolaridade, aspectos religiosos, gênero ou faixa etária é fundamental, para tanto, deve-se induzir a popularização da ciência e conceber campanhas especificamente orientadas ao reconhecimento do papel ecológico das espécies.
  • SEBASTIÃO TILBERT ÂNGELO DA SILVA
  • Diversidade e estrutura da nematofauna em regiões estuarinas tropicais (~7ºS)
  • Data: 30/08/2017
  • Hora: 14:00
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  • A meiofauna é constituída por organismos microscópicos com tamanho geralmente variando entre 44 e 500 µm de comprimento. Os Nematoda são altamente diversificados e abundantes e muito importantes do ponto de vista ecológico e do monitoramento ambiental. O objetivo deste trabalho foi descrever a diversidade da nematofauna nos estuários do Rio Mamanguape (ERM) e Rio Paraíba (ERPB) (Cap. 1) e estudar sua distribuição espacial e sazonal no ERM (Cap. 2), bem como sua relação com variáveis ambientais. De um total de 72 amostras foram encontrados 79 gêneros, 60 para o ERM (uma das maiores diversidades já registradas em regiões estuarinas) e 53 para o ERPB, sendo Terschellingia, Daptonema, Sabatieria, Gomphionema, Pseudolella e Perepsilonema os mais abundantes. A diversidade observada foi alta, porém, os estimadores apontaram para uma riqueza ainda maior >60 e >90 gêneros no ERPB e ERM respectivamente. Apesar disso, a retirada de mais de 120 animais por réplica para o estudo taxonômico, possivelmente resultaria numa riqueza ainda maior, considerando a maior diversidade indicada pelos estimadores em consonância com a grande quantidade de gêneros raros. O estudo ecológico da meiofauna e nematofauna no ERM (cap 2) encontrou maiores abundâncias no período seco com dominância quase total dos nematódeos. Tanto a meiofauna quanto a nematofauna apresentaram fortes relações com matéria orgânica e granulometria. Os índices ecológicos indicaram maior grau de eutrofização no período chuvoso, particularmente na boca do estuário, margem norte. A estrutura populacional dos gêneros mais abundantes foi composta por estágios juvenis. Foi creditado a este trabalho uma contribuição significativa no âmbito da meiobentologia, fornecendo dados relevantes para o conhecimento da biodiversidade e ecologia da meiofauna e nematofauna, com implicações diretas no biomonitoramento ambiental e em pesquisas futuras.
  • RICARDO RODRIGUES DA SILVEIRA FILHO
  • “Filogeografia de Philodryas nattereri Steindachner, 1870 (Squamata, Colubridae)”
  • Data: 29/08/2017
  • Hora: 14:00
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  • Investigar a estruturacao espacial da serpente corre-campo Philodryas nattereri para acessar a influencia de barreiras geograficas no fluxo genico da especie e tambem a influencia das flutuacoes climaticas do Quaternario em sua demografia.
  • ALINE LOURENÇO VIEIRA DA SILVA
  • Estratificação vertical e checklist de Membracidae (Hemiptera: Auchenorrhyncha) em Floresta úmida na Paraíba
  • Data: 28/08/2017
  • Hora: 14:00
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  • A familia Membracidae reune hemipteros fitofagos da subordem Auchenorryncha, apresenta distribuicao mundial e atualmente possui mais de 3.500 especies descritas. Em geral os trabalhos de estratificacao vertical com insetos foram desenvolvidos em florestas pluviais, porem nada se sabe sobre os padroes de distribuicao vertical das especies de membracideos e dos mecanismos determinantes destas variacoes em florestas tropicais. O presente estudo teve o objetivo de verificar a existencia de distintas faunas de Membracidae habitando os diferentes estratos florestais (dossel, medio e inferior) na Mata Atlantica da Paraiba. Foram realizadas coletas entre junho/2015 e marco/2016 em quatro areas representativas do bioma no estado: RVS Mata do Buraquinho, RPPN Engenho Gargau, REBIO Guaribas e RPPN Fazenda Pacatuba. Para captura dos insetos foram utilizados cartoes adesivos amarelos, que foram suspensos no interior das matas distantes pelo menos 50 metros da borda e dispostos em tres niveis de altura: a 1,5m (inferior) distantes entre si por pelo menos 15m; e de 8 a 10m (medio) e acima de 15m (dossel) distantes entre si por pelo menos 30 metros. Em cada nivel de altura foram postos 30 cartoes, perfazendo 90 cartoes/area. Foram feitas curvas de acumulacao de especies utilizando os estimadores Chao 1 e Chao 2 e calculada a suficiencia amostral em cada area. A similaridade entre as areas foi avaliada quanto a abundancia e riqueza. No total foram coletados 1.205 membracideos pertencentes a 67 especies e 37 generos, distribuidos entre os diferentes estratos e fragmentos. O dossel foi o estrato mais rico em todas as areas amostradas e apresentou as maiores estimativas de riqueza, para ambos estimadores, Chao 1 e Chao 2 (85,03 ± 19,24; 95 ± 24,44). O teste ANOVA apontou diferenca significativa na riqueza apenas entre os estratos dossel e inferior (F=10,29; p=0,00473). Os resultados indicam que a taxocenose de membracideos da Mata Atlantica da Paraiba apresenta uma distribuicao vertical em dois estratos (Dossel e Inferior).
  • WALLISSON SYLAS LUNA DE OLIVEIRA
  • Criação e comércio de aves canoras entre moradores de uma região do semiárido paraibano: uma abordagem etnoornitológica e conservacionista
  • Data: 28/08/2017
  • Hora: 14:00
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  • As aves são reconhecidas em todo o mundo por seu uso como animais de estimação e constitui uma prática antiga e bastante difundida entre as populações humanas, porém, representa uma das principais razões para o declínio de várias espécies. O objetivo deste capítulo foi identificar as espécies e famílias de aves canoras utilizadas localmente e caracterizar a manutenção em cativeiro das espécies exploradas. A pesquisa foi desenvolvida em áreas urbanas e rurais do município de Lagoa Seca – PB. Foram entrevistados 62 criadores e/ou comerciantes de aves silvestres na região estudada. A obtenção dos dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas e conversas informais. Os dados foram analisados a partir de técnicas qualitativas e quantitativas. Foi calculado o valor de uso (VU) para cada espécie de ave citada. Um total de 34 espécies distribuídas em duas ordens e 11 famílias foram citadas pelos entrevistados, os quais afirmaram utilizá-las tanto como animais de estimação quanto para comercialização. A família Thraupidae foi a mais representativa neste estudo, seguida por Icteridae, juntas correspondem a 61,7% dos espécimes utilizados localmente. De acordo com os entrevistados as espécies mais difíceis de serem encontradas ultimamente na região são Spinus yarrellii, Sporophila angolensis e Icterus jamacaii, segundo eles, as principais causas para o desaparecimento dessas espécies são o desmatamento e a captura excessiva. As aves reportadas pelos entrevistados são adquiridas através da captura em áreas rurais ou através da comercialização local e regional. O número de espécies citadas pelos entrevistados não teve diferença significativa em relação a renda, grau de escolaridade e idade dos entrevistados (p>0,05). Presas em gaiolas, a manutenção dessas aves inclui alguns cuidados, tais como alimentação, remédios e em alguns casos, aves são treinadas para cantarem melhor ou aprender cantos de outras espécies. As espécies que tiveram os maiores valores de usos (VU) foram Sporophila albogularis (VU=0,83), Paroaria dominicana (0,82), e Sporophila nigricollis (0,79), indicando a importância das mesmas como animais silvestres de estimação. A diversidade de aves reportadas neste estudo está presente no cotidiano e desempenham forte valor cultural e econômico entre as pessoas envolvidas nestas atividades. Nesse sentido, estudos etnoornitológicos são de fundamental importância, pois podem fornecer informações básicas como forma de estabelecer planos e ações de conservação e manejo sustentável incluindo estratégias de educação ambiental como um elemento essencial para a conservação da avifauna local.
  • ANDRÉ RIBEIRO DE ARRUDA
  • Efeito de variáveis ambientais e alteração da vegetação na riqueza de endemismos e comunidades de aves na Caatinga
  • Orientador : HELDER FARIAS PEREIRA DE ARAUJO
  • Data: 24/08/2017
  • Hora: 08:30
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  • EDIGLEIDSON FIDELES VALADARES
  • Densidade de ninhos e bionomia de Trigona spinipes (Fabricius, 1793) (Hymenoptera: Apidae)
  • Data: 31/07/2017
  • Hora: 14:00
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  • Possuindo uma ampla distribuição nos trópicos e subtrópicos da região Neotropical, Trigona spinipes (Fabricius) é considerada uma espécie generalista e oportunista, dominante em muitas redes de polinização. A espécie apresenta colônias eussociais e perenes, construindo ninhos expostos em ramos de árvores. Para investigar os fatores que afetam a densidade e o padrão espacial de nidificação desta abelha sem ferrão, foram amostradas 120 parcelas de 100x100m em três áreas distintas (rural, urbana e Mata Atlântica). Para cada área foram estimados os percentuais de cobertura vegetal, água, superfícies impermeáveis e solo livre. Uma maior densidade de ninhos foi encontrada na área rural e urbana, com 0,6 ninhos/ha e 0,4 ninhos/ha, respectivamente. Na área de mata foi encontrada uma menor densidade, com 0,1 ninhos/ha na borda, e 0,03 ninhos/ha no interior. Desse modo, a maior densidade de ninhos ocorreu em áreas abertas. As variáveis que explicaram a densidade dos ninhos em cada área foram os valores da medida do DAP (diâmetro das árvores na altura do peito) e da porcentagem de cobertura herbáceo-arbustiva. Em relação ao padrão de dispersão, na área urbana os ninhos distribuíram-se de forma uniforme, enquanto que a distribuição para a área rural foi agregada. A direção das entradas dos ninhos apresentou uma concentração significativa para o sentido oposto da direção dos ventos predominantes no local. Os resultados indicam que: 1) T. spinipes enfrenta fortes restrições de nidificação em florestas; 2) além das características comportamentais da espécie, a distribuição dos ninhos pode estar relacionada ao padrão de distribuição vegetal existente nas áreas; e 3) a ação do vento é o fator principal na determinação na direção da entrada dos ninhos. Para determinar os aspectos da bionomia desta espécie, 15 ninhos foram coletados e avaliados, de forma a se conhecer aspectos de sua estrutura e fornecer informações adicionais relacionadas ao seu comportamento. Foram avaliados os seguintes padrões biométricos: estimativa da população total e da população de adultos, número e dimensões dos favos de cria, dimensões da célula de cria, número e dimensões das células reais, estimativa do número dos potes de alimento, dimensões e volume dos potes de mel, dimensões e peso dos potes de pólen, dimensões dos depósitos de cera, dimensões do escutelo e volume dos ninhos. Foi encontrada em média uma população total de 38.813 indivíduos, sendo 14.863 adultos; um número médio de 19,7 favos de cria e 16 de células reais; diâmetro e altura média dos potes de pólen de 1,03 cm e 1,23 cm, com o peso médio de 1,04 g; e diâmetro e altura média dos potes de mel de 0,98 cm e 1,21 cm, com um volume médio de 0,63 ml. Os resultados confirmam que a espécie apresenta um dos maiores valores de tamanho populacional entre os meliponíneos, destacando sua importância em ecossistemas de áreas abertas neotropicais.
  • BRUNO ARAÚJO MARTINS
  • A bioacústica na reintrodução do periquito-do-sertão (Eupsittula cactorum)
  • Data: 13/07/2017
  • Hora: 14:00
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  • As poucas espécies de psitacídeos que têm seus repertórios vocais descritos indicam que estes repertórios são extremamente complexos e modulam a socialização dos indivíduos. O periquito-do-sertão (Eupsittula cactorum) não é diferente, uma vez que é uma espécie extremamente social, dependente da comunicação acústica e o conhecimento básico acerca do seu repertório vocal é essencial para o conhecimento de sua biologia. Com base nisso, este trabalho objetivou descrever o repertório vocal do periquito-do-sertão. A pesquisa foi realizada entre setembro de 2015 a abril de 2016, em Quixadá (CE), onde as aves foram gravadas pela manhã (05-09h) e a tarde (15-18h). Foram descritas 9 vocalizações Sentinela; Contato de voo; Apelo alimentar; Canto de Voo; Alarme; Alarme 2; Alarme juvenil; Agonística; Congregação. A comunicação vocal da espécie é especialmente importante quando os indivíduos se encontram em bandos. Quando solitários ou aos pares são discretos ou silenciosos. A regressão multinomial demonstrou que as vocalizações são estruturalmente distintas, evitando assim redundâncias na comunicação da espécie. A complexidade do repertório é esperada em espécies cujas interações sociais sejam igualmente complexas, tal como parece ser o caso de Eupsittula cactorum.
  • VIVIANA MÁRQUEZ VELÁSQUEZ
  • Avaliação da importância ecológica da raia Potamotrygon magdalenae (Chondrichtyes: Potamotrygonidae) numa rede trófica dos Andes Colombianos
  • Data: 22/03/2017
  • Hora: 14:00
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  • Compreender o papel ecologico das especies no ecossistema depende amplamente do conhecimento de suas relacoes troficas. Conhecer tais relacoes e a posicao das especies em umarede e um passo crucial para entender a dinamica das comunidades e os impactos quecada especie tem sobre os demais compartimentos. Oconhecimento sobre adieta das especies de raias de agua doce de America do Sul tem aumentado consideravelmente ao longo dos ultimos anos, porem, e muito pouco o que se sabe sobre o papel ecologico das especies nos seus respectivos ecossistemas. Assim, oobjetivo deste trabalho foi avaliar a importanciaecologica da raia Potamotrygon magdalenae na estrutura da rede trofica de umecossistema de aguas continentais. Foram avaliados os habitos alimentares e a ecologia trofica da especie atraves da analise de conteudos estomacais e isotopos estaveis de carbono e nitrogenio a partir de amostras coletadas na bacia do medio rio Magdalena, Colombia; e sua importancia ecologica a partir de analises topologicas de redes trofica s. A especie foi considerada um predador especialista de nivel trofico intermediario, com preferencia pelos insetos.Nao foram observadas diferencas significativas de δ13 C e δ15 N na especie entre os periodos hidrologicos de cheia e de aguas baixas. O seu nicho isotopico foi intermediario. Em relacao a importancia ecologica, a especie desempenhou um papel intermediario na dispersao de efeitos indiretos atraves do sistema, devido aos seus valores intermediarios de centralidade e importancia topologica. Estes resultadosconstituem um ponto de partida para novos estudos ecologicos das especies de raias de agua doce da America do Sul, que visem avaliar seu papel nos ecossistemas, e complementam os estudos existentes dePotamotrygon magdalenae.
  • SARAH MANGIA BARROS
  • Sistemática e Biogeografia do complexo de espécies Proceratophrys cristiceps (Müler, 1983) (Anura, Odontophrynidae)
  • Data: 13/03/2017
  • Hora: 14:00
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  • A Caatinga é um bioma no nordeste do Brasil caracterizado por uma vegetação decídua, xerófita e espinhosa, com cactos, arbustos e pequenas árvores além de precipitação esporádica. Atualmente, este domínio abriga 56 espécies de anfíbios, porém, novas espécies típicas da Caatinga são continuamente descritas, incluindo espécies restritas aos Brejos de altitude, o que indica que a riqueza da região ainda está subestimada. O gênero Proceratophrys compreende 40 espécies divididas em grupos e complexos morfológicos sem corroboração filogenética. Com base em estudos recentes, definimos o complexo P. cristiceps constituído por seis espécies: P. cristiceps, P. minuta, P. redacta, P. schirchi, P. caramaschii e P. aridus. O presente estudo teve como objetivo avaliar a taxonomia, biogeografia e evolução das espécies relacionadas ao complexo P. cristiceps, combinando características morfológicas, morfométricas, acústicas e análises moleculares multilocus, com inferência bayesiana. Nossos resultados, baseados nessas análises integrativas, mostraram que P. aridus, P. caramaschii e P. cristiceps pertencem a uma mesma linhagem e não apresentam distinção morfológica e acústica. Dessa forma, nós sinonimizamos as duas primeiras espécies com P. cristiceps. Também encontramos uma população proveniente da Chapada do Araripe, previamente chamada de P. cristiceps, relacionada com a espécie amazônica P. concavitympanum, que aqui descrevemos como uma espécie nova para o gênero. Esta nova espécie se encaixa na categoria Ameaçada da IUCN, uma vez que ocorre em uma pequena área (ca. 3.100 km2) severamente impactada pelo desmatamento e canalização de riachos locais para agricultura. Nós também revisamos as populações de Proceratophrys que ocorrem em áreas de altitude na Chapada Diamantina e descrevemos duas novas espécies com base em caracteres da morfologia, morfometria e no relacionamento filogenético (usando um marcador nuclear e um mitocondrial). Verificamos que cada linhagem na Chapada Diamantina corresponde a diferentes ilhas de altitude, separadas por vales com temperaturas mais quentes, o que poderia ter agido como barreira entre estas populações, propiciando diversificação alopátrica entre elas. Portanto, nós consideramos cada linhagem como uma espécie distinta, exceto a população do município de Pindobaçu, que requer a análise de mais exemplares e a utilização de mais marcadores moleculares para definir com mais precisão seu status taxonômico. Por fim, nós conduzimos análises filogeográficas multiloci, para avaliar a diversidade genética, estruturação geográfica e demografia histórica de P. cristiceps. Nossos resultados mostraram P. cristiceps constituído por apenas uma população amplamente distribuída na Caatinga, com baixa diversidade genética para todos os genes avaliados (16S mtDNA, CRYb, POMC e rhodopsina nuDNAs). Nossas análises para avaliar a demografia histórica de P. cristiceps revelaram que a espécie sofreu uma recente expansão, coincidindo com as flutuações climáticas do Pleistoceno.
  • ARNALDO HONORATO VIEIRA FILHO
  • Estrutura de comunidades de aves em florestas seca e úmida no nordeste da América do Sul
  • Data: 24/02/2017
  • Hora: 08:30
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  • Nos últimos anos, diversos estudos têm buscado explicar os padrões de diversidade em resposta a um variado número de processos que envolvem a coexistência das espécies e a organização das comunidades. Para tanto, têm sido utilizadas ferramentas filogenéticas e funcionais, bem como redes de interações ecológicas. Dentro dessa perspectiva, neste estudo buscamos avaliar como as comunidades de aves são organizadas do ponto de vista ecológico e histórico (Primeiro capítulo) e das interações ecológicas entre os organismos (Segundo capítulo) em florestas de altitude do nordeste da América do Sul. Inicialmente, foram selecionadas 29 comunidades de aves localizadas tanto em ambientes com vegetação úmida como em ambientes sazonalmente secos. Com base nisso, foi verificada a estruturação filogenética e funcional destas comunidades em diferentes escalas a partir da utilização do índice de parentesco líquido (NRI) e o índice do táxon mais próximo (NTI). Ainda foi verificado quais traços funcionais poderiam influenciar na organização das comunidades, utilizando uma análise de coordenadas principais (PCoA) e análise filogenética de componentes principais (pPCA). Foi observado que as comunidades de aves associadas a floresta úmida são organizadas de forma distinta das comunidades de aves associadas a floresta seca tanto filogeneticamente como funcionalmente. Por fim, verificamos características estruturais das redes de interações ave-itens alimentares em uma área com floresta úmida e outra com floresta seca, ambas de altitude. Com base nas características estruturais das redes encontradas, observamos que ambas as redes foram modulares e não aninhadas, indicando uma similaridade estrutural nas duas florestas. Entretanto, as diferenças quanto à disponibilidade e periodicidade do recurso podem revelar particularidades em cada rede de interação aves-itens alimentares.
  • IZABELA SOUZA BRAGA
  • Diversidade e taxonomia de Nerioidea (Diptera, Schizophora) em áreas de Mata Atlântica e Caatinga do estado da Paraíba
  • Data: 23/02/2017
  • Hora: 14:00
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  • Nerioidea compreende quatro famílias com distribuição global, sendo três de ocorrência na região Neotropical: Micropezidae (700 espécies descritas, 105 para o Brasil), Neriidae (110 espécies descritas, 17 espécies para o Brasil) e Pseudopomyzidae (28 espécies descritas, três para o Brasil). Estas moscas assemelham-se por explorar matéria vegetal em decomposição, alimentando-se também de exsudatos e secreções vegetais. Tendo em vista a ausência de registros na Caatinga e Mata Atlântica paraibana, este estudo objetivou contribuir para o conhecimento da diversidade e taxonomia de Nerioidea nesses biomas, amostrando áreas com déficit de informações sobre Diptera, a fim de estabelecer uma coleção de referência, redescrever táxons mal conhecidos e confeccionar chaves de identificação para as espécies encontradas. As coletas foram realizadas na RVS Mata do Buraquinho, RPPN Engenho Gargaú, REBIO Guaribas, RPPN Fazenda Pacatuba, RPPN Fazenda Almas e Serra de Santa Catarina, sendo analisado também o material depositado na Coleção Entomológica do Departamento de Sistemática e Ecologia da Universidade Federal da Paraíba, e material obtido de outra instituição ou pesquisadores. Para obtenção dos espécimes, armadilhas modificadas Van Someren-Rydon com atrativos (fezes e frutas em decomposição), armadilha luminosa e coleta ativa foram utilizadas. Dos 1.114 indivíduos analisados, Micropezidae foi a família mais abundante, com 1.018 indivíduos e 19 espécies. Neriidae perfez 96 indivíduos e quatro espécies. Dos oito gêneros de Micropezidae reportados para o Nordeste, seis foram registrados para a Paraíba, em adição o gênero Micropeza, que até então não havia sido registrado para a região Nordeste. Todas as espécies de Neriidae encontradas são novos registros para a Paraíba. Pseudopomyzidae não foi coletada neste estudo. Chaves de identificação pictóricas, diagnoses das espécies paraibanas, bem como mapas de distribuição geográfica foram elaborados. Devido a complexidade na identificação das espécies de Micropezidae, sobretudo Micropeza e Taeniaptera, a descrição de possíveis espécies novas é comprometida. Desse modo, a necessidade de trabalhos de revisão através de uma taxonomia integrativa se faz necessária. O presente trabalho trouxe diversos registros inéditos, como um novo gênero para o Nordeste do Brasil e por amostrar áreas nunca antes focadas no estudo de Nerioidea, gerou importantes informações sobre a sua diversidade auxiliando em estudos futuros.
  • PEDRO LUCAS NEVES DOS SANTOS
  • Estrutura da ictiofauna da Reserva Biológica Guaribas e seu entorno (Paraíba, Brasil)
  • Data: 23/02/2017
  • Hora: 14:00
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  • Com uma diversidade estimada em mais de 8000 especies, a ictiofauna de agua doce da regiao Neotropical e a mais rica do mundo. Devido a falta de estudos, boa parte dessas especies ainda e desconhecida, e o avanco das modificacoes antropicas em ambientes como a Mata Atlantica, o bioma mais devastado do Brasil, ameaca o desaparecimento de algumas delas antes mesmo de seu conhecimento. O objetivo deste trabalho foi aumentar o conhecimento dessas especies em ambientes pouco estudados – riachos e pocas – dentro desse bioma, e observar sua relacao com a vegetacao riparia, ameacada por essas modificacoes. Essa relacao se provou verdadeira para ambos os ambientes, com a composicao das comunidades ictiologicas respondendo a modificacoes no meio fisico. Especies invasoras encontradas em ambientes mais protegidos nao conseguiram se estabelecer, enquanto se reproduziram bem em alguns pontos alterados. Apesar de a riqueza e diversidade encontradas estarem dentro do esperado, o estudo demonstra a importancia da conservacao nao apenas dos ambientes aquaticos, mas tambem da vegetacao adjacente. Em um local com varios conflitos relacionados aos recursos aquaticos, a conservacao desses ambientes torna-se de primaria importancia para o equilibrio entre a qualidade de vida da populacao e a preservacao da biodiversidade.
  • RICARDO AUGUSTO NINK
  • Ontogenia, Polietismo Fisiológico e Plasticidade de ninhos em Nasutitermes ephratae Holmgren (1910) (Termitidae: Nasutitermitinae)
  • Orientador : ALEXANDRE VASCONCELLOS
  • Data: 22/02/2017
  • Hora: 14:00
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  • Nasutitermes ephratae, um termita superior xilofago e arboricola da regiao Neotropical foi estudado sobre os seguintes aspectos i) via ontogenetica de desenvolvimento de castas; ii) estrutura da comunidade bacteriana intestinal associada a seis instares distintos da linhagem neutra; iii) policalismo e plasticidade de seus ninhos. Sete medidas morfometricas foram tomadas de varios instares distintos e analisados via PCA (Analise de Componentes Principais). O sistema de desenvolvimento de castasfoi similar aqueles previamente descritos para outras especies de Nasutitermes, com um primeiro instar larval sofrendo muda para a linhagem aptera ou a linhagem reprodutiva; a linhagem ninfal compreendeu cinco instares alem dos imagos alados; a linhagem neutra era bastante polimorfica, cotendo 5 instares operarios e pre-soldados e soldado monomorficos. A comunidade microbiana intestinal foi estudada via sequenciamento metagenomico em larga escala e diferencas consideraveis foram observadas entre os instares operarios jovens e velhos. Uma transicao de bacterias degradadoras de madeira (Spirochaetes, Fibrobacteres) para bacterias degradadoras de humus (Bacteriodetes, Firmicues, Proteobacteria) foi notada entre os operarios jovens e velhos, sugerindo a ocorrencia de polietismo por idade relativo ao processamento dos alimentos. A plasticidade de ninhos tambem foi documentada fortuitamente atraves da dissecacao e caracterizacao da arquitetura peculiar de um ninho policalico coletado na Mata Atlantica e um ninho tipo monticulo de N. ephratae coletado no Cerrado. A plasticidade de ninhos nesta especie de termita parece estar relacionada a qualidade e a disponibilidade de troncos-suporte adequados.
  • JOSÉ ANDERSON FEIJÓ DA SILVA
  • Sistemática do gênero Dasypus Linnaeus, 1758 (Cingulata)
  • Data: 21/02/2017
  • Hora: 14:00
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  • O genero Dasypuse o mais especioso da ordem Cingulata, incluindo aproximadamente 40% dos tatus viventes. Nove especies sao atualmente reconhecidas, embora amplas analises envolvendo todo o genero nunca foram realizadas. Dessa forma, nosso objetivo e revisar a taxonomia d o genero Dasypuse definir devidamente os taxons. Nos examinamos 2126 especimes de Dasypuspreservados em 39 colecoes cientificas, incluindo 17 especimes tipo. Quatro metodos complementares foram utilizados visando explorar dados qualitativos e quantitativos. A variacao morfometrica linear foi analisada baseada em medidas externas e de 886 cranios de especimes adultos. A forma do cranio foi acessada atraves de analises de morfometria geometrica bidimensional da vista dorsal, lateral e ventral de respectivamente 423, 211, 220 especimes adultos. Nossos resultados convergem no reconhecimento de oito especies viventes ( D. beniensis, D. kappleri, D. mazzai, D. novemcinctus, D. pastasae, D. pilosus, D. sabanicola e D. septemcinctus), e tres subespecies de D. septemcinctus (D. s. septemcinctus, D. s. hybridus, e uma nova subespecie de Cordoba descrita aqui). Fornecemos informacoes sobre o material tipo, diagnose, distribuicao e comentarios taxonomicos para cada taxon. Nos designamos um lectotipo e neotipo para D. novemcinctuse um neotipo para Loricatus hybridus. As relacoes filogeneticas dentro de Dasypus foram acessadas usando dois marcadores mitocondriais (Cytb e COI) e um marcador nuclear (vWF), usando analises de Verossimilhanca e Bayesiana. Apesar de nos nao resolvermos totalmente os relacionamentos filogeneticos entre todas as especies com um alto suporte, encontramos uma alta divergencia genetica dentro de D. novemcinctus com tres distintas linhagens, uma da America Central e do Norte, outra do Escudo da Guiana, e uma terceira do centro e leste da America do Sul. As evidencias moleculares suportam a nossa nova classificacao taxonomica do D. septemcinctus e reforcam a recente mudanca em relacao ao complexo D. kappleri. Futuros estudos utilizando genes de evolucao rapida podem resultar em uma filogenia com melhor resolucao e ajudar a esclarecer os relacionamentos filogeneticos dentro de genero. De maneira complementar, nos apresentamos a primeira analise de efeitos espaciais e ambientais na variacao fenotipica em Xenarthra, usando o tatu galinha como modelo. As variaveis espaciais explicaram 21% do tamanho e 15% da variacao na forma, enquanto que os fatores climaticos explicaram 7,8% do tamanho e 45,3% da variacao da forma. Os tatus de altas latitudes tendem a ter o tamanho medio devido ao melhor balanco energetico para sobreviver aos ambientes mais frios, enquanto que em florestas secas e savanas, os especimes tendem a ter tamanho medio devido a escassez de alimentos durante o prolongado periodo da estacao seca; a Amazonia abriga os maiores tatus.
  • VALBERTA ALVES CABRAL
  • Protocolo de coleta e diversidade de Membracidae (Hemiptera: Auchenorrhyncha) em áreas de Mata Atlântica da Paraíba
  • Data: 21/02/2017
  • Hora: 09:00
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  • A familia Membracidae compreende cerca de 3.200 especies descritas e tem distribuicao em todo mundo (com excecao do Artico e Antartico). Apesar de a maior diversidade ser encontrada no Neotropico, poucos estudos de cunho ecologico tem sido direcionados a este grupo no Brasil. O presente estudo objetivou o estabelecimento de um protocolo de amostragem, bem como, inventariar e analisar a similaridade da fauna de membracideos em areas da Mata Atlantica da Paraiba. O protocolo foi padronizado em 100 unidades amostrais e foram utilizados quatro metodos de coleta, sendo: coleta ativa (30 unidades), cartoes adesivos amarelos aplicados no sub-bosque (30 unidades) e no dossel (30 unidades) e armadilha luminosa (10 unidades). Foram realizadas coletas em quatro areas representativas de Mata Atlantica do estado: REBIO Guaribas (3.016ha), RPPN Engenho Gargau (1.058,6ha), RPPN Fazenda Pacatuba (266,53ha) e RVS Mata do Buraquinho (519,75ha). Para avaliar a eficiencia do protocolo, foi analisado o desempenho, atraves da rarefacao, e a complementaridade dos metodos por meio do indice Jaccard. Tambem foram feitas curvas de acumulacao de especies utilizando os estimadores Chao 1 e Chao 2 e calculada a suficiencia amostral em cada area. A similaridade entre as areas foi avaliada quanto a abundancia (ANOVA) e riqueza (ANOSIM). A riqueza da Mata Atlantica foi estimada atraves de Chao 1 e Chao2. No total foram coletados 2.612 individuos pertencentes a 85 especies. Os metodos apresentaram alta complementaridade com valores variando de 63% a 78%. A riqueza amostrada nas areas variou entre 34 e 58 especies, com media de 85,2% de suficiencia amostral. A RPPN Engenho Gargau e REBIO Guaribas diferiram (p= 0.034) com relacao a abundancia de individuos. Os resultados mostram que a taxocenose de membracideos entre as areas de estudo sao similares tanto na composicao quanto no padrao de distribuicao de abundancia.
  • CAIO GRACO ZEPPELINI
  • Comparação das comunidades de pequenos mamíferos em áreas peridomiciliares pestosas e áreas silvestres adjacentes no foco da Chapada da Borborema
  • Data: 20/02/2017
  • Hora: 14:00
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  • Peste e uma zoonose cujo sistema reservatorio e composto por comunidades de pequenos mamiferos em focos independentes no tempo e espaco. A comunidade de pequenos mamiferos tem papel importante na regulacao e mediacao das flutuacoes do ciclo de transmissao atraves de sua composicao e parametros populacionais das especies. A compreensao da estrutura e dinamica da comunidade de pequenos mamiferos de um foco de peste e uma ferramenta preditora para o risco de eventos epizooticos. A presente dissertacao analisou o foco de Peste da Chapada da Borborema por uma perspectiva de ecologia de zoonoses e comunidades, atraves de seu sistema reservatorio visando responder duas perguntas: ha particao da comunidade de pequenos mamiferos entre peridomicilio e remanescentes nativos? E, qual e o perfil pestoso dos ambientes peridomiciliar e selvatico. O primeiro capitulo demonstra que a Peste pode ser considerada uma entidade ecologica complexa, com diversos modelos para explicar sua dinamica, embora ainda incompletos, dado o vies amostral causado pela rotina de vigilancia. O segundo capitulo realiza uma analise de beta-diversidade no foco; atraves de coletas em campo em Alagoa Grande e Areia, municipios circunscritos ao foco, com esforco total de 3640 armadilhas/noite; resgate do registro historico das coletas de pequenos mamiferos na regiao atraves de fichas de atividade de vigilancia em zoonoses da Regional de Saude de Garanhuns em 1981, Livros do Tombo de duas colecoes e registros da literatura; obtendo30 localidades com registro de 29 especies. As coletas em campo e as coletas da Regional de Saude foram suficientes em amostrar a fauna do local, tendo a riqueza registrada condizente com a projecao do estimador Chao 1. As analises indicaram alta dissimilaridade composicional entre as localidades (beta-diversidade > 0.9), com dominancia do turnover, mas confirmaram a unidade da metacomunidade do Planalto da Borborema. Os achados do capitulo resgataram uma particao da comunidade de pequenos mamiferos entre o ambiente peridomiciliar e os remanescentes de vegetacao nativa, com uma beta-diversidade de 0.517. O foco nao e delimitavel a partir apenas do sistema reservatori.,Apresenta-se tambem a nocao do metafoco, como uma possibilidade teorica para explicar a atividade do foco. O terceiro capitulo faz um inquerito epidemiologico nos dois municipios circunscritos ao focono estado da Paraiba amostrados no capitulo anterior, capturando 45 individuos em campo, dos quais se obteve amostras para analises bacteriologicas e moleculares (27) e sorologia (7). Com todos os resultados negativos, temos a reafirmacao do periodo quiescente do ciclo de transmissao, mas alertando que a quiescencia nao descarta as medidas de vigilancia, dado que os focos podem reemergir, e o panorama epidemiologico mundial alerta para um periodo de transicao zoonotica.
  • THIAGO ELISEI DE OLIVEIRA
  • Vespas sociais (Hymenoptera, Vespidae, Polistinae) do estado da Paraíba: diversidade do grupo e estudo comportamental
  • Data: 20/02/2017
  • Hora: 14:00
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  • O estudo do comportamento animal é uma importante ferramenta para o entendimento de interações ecológicas. A identificação de padrões comportamentais serve como base de comparação em diferentes situações de clima e ambiente. Mudanças ambientais podem recorrer em alterações comportamentais. Os insetos são ótimos modelos para estudos de comportamento por terem ampla distribuição no globo o que resulta em interações com diversos tipos de ambientes, faunas e floras na busca por recursos. Nos insetos podemos destacar as vespas sociais, no Brasil representadas pela subfamília Polistinae, que vêm sendo utilizadas na indicação de qualidade ambiental. Além disso, o grupo tem sido analisado quanto à possibilidade de aplicação em programas de manejo integrado de pragas, isso porque são efetivos predadores de lagartas desfolhadoras. O objetivo do presente estudo foi registrar a diversidade de vespas sociais na Paraíba; avaliar a ação de variáveis ambientais sobre a dinâmica do grupo; comparar as comunidades de vespas em áreas de plantio consorciado a áreas de mata seca; e analisar o comportamento de Polistes canadensis através de transferências de colônias e análise do forrageio, ampliando os estudos de diversidade da Caatinga e apoiando programas que visem o uso de Polistinae em manejo de pragas agrícolas. A metodologia utilizada foi a metanálise de artigos que reportavam a presença de Polistinae na Paraíba a fim de se gerar um check-list para o estado, associada a coletas de espécies no Cariri Paraibano e no município de João Pessoa. Além disso, 30 colônias de P. canadensis foram transferidas para abrigos artificiais e os comportamentos exibidos foram analisados e comparados com colônias não manejadas. As coletas no Cariri resultaram em 10 espécies distribuídas em seis gêneros, sendo dois novos registros. A metanálise e as coletas em João Pessoa resultaram em onze espécies, com cinco novos registros, elevando de nove para 20 a diversidade de Polistinae para o estado. A comunidade de vespas sociais no plantio consorciado apresentou maior riqueza e abundância quando comparada a da Caatinga. Esse resultado reforça a importância da diversidade de cultivo na agricultura, como o que ocorre em consórcios de plantações, já que resulta em maior atração de animais para seu domínio. Na Caatinga, foi verificado que abundância e riqueza de vespas sociais são influenciadas pelas variáveis ambientais, sendo assim, mudanças ambientais podem acarretar em desaparecimento do grupo no bioma estudado. P. canadensis apresentou resultados que indicam a possibilidade de sua aplicação em manejos integrados de pragas sendo que 22 colônias se mantiveram no abrigo por mais de sete dias, atingindo um sucesso de 73%. Não houve diferença significativa nos padrões de comportamentos exibidos por indivíduos em colônias transferidas e não transferidas. A espécie estudada na presente pesquisa demonstrou ter a atividade de forrageamento influenciada pela variação da umidade do ar e por comportamentos agressivos apresentados tanto por rainhas como por operárias. A principal fonte de recurso proteico utilizado na alimentação dos imaturos foi oriunda da predação de lagartas. A análise do forrageio revelou a potencialidade do uso de P. canadensis em programas que visem a utilização de processos ecológicos no controle de pragas agrícolas. Palavras-chave: Manejo de pragas, Polistinae, Semiárido, Caatinga
  • FERNANDO HEBERSON MENEZES LIMA
  • Sistemática dos Porcos-espinhos do Complexo Coendou prehensilis (Linnaeus, 1758) (Rodentia: Erethizontidae)
  • Data: 17/02/2017
  • Hora: 15:00
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  • A familia Erethizontidae, roedores do novo mundo, era tradicionalmente dividida em seis generos: Chaetomys Gray, 1843, Erethizon F. Cuvier, 1823, Echinoprocta Gray, 1865, Sphiggurus F. Cuvier 1825 e Coendou Lacepede, 1799. Devido a problemas de definicao, delimitacao e propostas de arvores filogeneticas baseadas em dados moleculares, Echinoprocta e Sphiggurus foram sinonimizados a Coendou. Revisoes recentes do genero Coendou sugerem uma possivel divisao de C. prehensilis em dois grupos, um de mata atlantica e outro amplilocado na America do Sul. Em 2013, uma especie do complexo C. prehensilis foi descrita, Coendou baturitensis Feijo & Langguth, 2013, o que gerou mais questionamentos acerca de C. prehensilis ser apenas uma especie. Arvores filogeneticas foram inferidas baseadas em dados moleculares e morfologicos em particoes separadas e combinadas. Uma matriz de dados morfologicos foi gerada para determinar morfotipos e as localidades dos especimes examinados plotada em um mapa para testar morfotipos geograficos. Quatro moroftipos do complexo C. prehensilis foram obtidos. Os mofotipos foram agrupados em tres linhagens pelos dados moleculares e combinados. As analises sugerem que o complexo C. prehensilis e composto por tres especies: o morfotipo Coendou prehensilis, linhagem da Mata Atlantica, dois representam as duas subespecies de Coendou longicaudatus, C. l. longicaudatus e C. l. platycentrotus, a linhagem amplilocada, e um morfotipo representa Coendou baturitensis. Tres grupos subgenericos bem suportados foram encontrados. Eles possuem sinapomorfias diagnosticas unicas: grupo prehensilis, grupo insidiosus e grupo melanurus. Os grupos prehensilis e insidiosus possuem nomes genericos disponiveis, Coendou e Sphiggurus, respectivamente, enquanto o grupo melanurus nao. Em caso de acoes taxonomicas que tratem Sphigguruscomo genero, um novo nome deve ser proposto para o grupo melanurus.
  • GIOVANNA SOARES ROMEIRO RODRIGUES
  • ECOLOGIA ALIMENTAR DE PSITACÍDEOS NA DIAGONAL SECA BRASILEIRA E IMPLICAÇÕES NO PROCESSO DE SOLTURA
  • Data: 16/02/2017
  • Hora: 09:00
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  • Os biomas abertos brasileiros, que incluem o Cerrado e a Caatinga, são caracterizados pela marcante sazonalidade e baixos índices pluviométricos. A sobrevivência em tais condições depende de adaptações ecológicas, entretanto, são escassas informações sobre os recursos necessários para a manutenção das espécies de aves como psitacídeos, por exemplo. Os Psittaciformes são um dos grupos mais ameaçados dentre as aves, pela perda de habitat, pela predação ou competição com espécies introduzidas, caça e tráfico de animais silvestres. Além disso, falta consenso quanto à destinação dos animais apreendidos do tráfico pelos órgãos competentes, bem como, faltam dados sobre o sucesso de seu estabelecimento e/ou impactos associados, quando a opção mais viável é a soltura. Com a finalidade de avaliar comparativamente, em termos de alimentação, as estratégias adaptativas de psitacídeos na diagonal seca brasileira e se uma população originária do tráfico tende a se comportar de modo similar às populações naturais coletamos e compilamos dados de três populações naturais e uma solta de um psitacídeo da Caatinga (Eupsittula cactorum) e de seis populações naturais de uma espécie do Cerrado (Brotogeris chiriri). As populações naturais de ambas as espécies são predominantemente frugívoras e interagem predominantemente como predadores de sementes. Ambos apresentam variações na composição alimentar com até 50% de espécies exclusivas entre estações seca e chuvosa, incluem espécies exóticas e cultivadas em sua dieta e não realizam movimentos migratórios. A espécie da Caatinga, Eupsittula cactorum, explora uma riqueza maior de espécies e itens vegetais e animais, com mais interações planta-animal e estratos alimentares que a do Cerrado. A dieta de ambas é caracterizada por elevado turnover, parecendo refletir a composição da vegetação local. Em termos de nicho, ambas apresentam comportamento semelhante, com estreitamento na dimensão da dieta e ampliação na dimensão de estratos alimentares na estação seca. Nossos dados indicam que apesar de apresentar um nicho mais estreito a espécie E. cactorum explora qualitativa e quantitativamente mais recursos que Brotogeris chiriri, apresentando maior versatilidade comportamental. Quanto à população solta de E. cactorum, a maioria dos indivíduos sobrevive e se adapta, dispersando-se e apresentando diferenças na exploração de recursos em relação às populações naturais, com uma dieta menos rica, com predominância de espécies vegetais exóticas e/ou cultivadas e sem suplementação com itens de origem animal. As diferenças na composição implicam em baixíssima similaridade com a dieta das populações naturais e em diferentes interações planta-animal, com predominância de predação de partes não reprodutivas. Em termos de nicho, esta última apresenta maior homogeneidade na dieta, mas responde às variações sazonais de forma semelhante às populações naturais, com estreitamento do nicho na dimensão da dieta e ampliação na dimensão dos estratos alimentares durante a estação seca. Com base nestes resultados, sugerimos uma futura triagem rigorosa dos indivíduos a serem soltos e a aplicação de treinamento alimentar prévio utilizando plantas que compõem a flora local, pois podem aumentar o sucesso desses indivíduos em ambientes com variações sazonais drásticas como a Caatinga.
  • INGRID MARIA DENOBILE DA ROCHA
  • Evolução acústica em aves: alometria vocal, filtro ambiental e nicho acústico
  • Data: 14/02/2017
  • Hora: 10:00
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  • A forma com que diversas espécies estão inseridas no espaço acústico é resultado de um longo processo evolutivo. Existe uma relação alométrica negativa entre a massa corporal e as frequências acústicas, podendo esta relação ser otimizada em função da relação sinal-ruído, da intensidade do sinal ou por limites de eficiência de acordo com o tamanho corporal. Adicionalmente, a competição acústica pode gerar divergência no uso da frequência esperada pela alometria fazendo com que ocorra uma estruturação do espaço acústico. Já a eficiência da propagação pode direcionar as vocalizações das espécies menores para a porção grave do espectro. Para analisar a alometria vocal conduzimos regressões lineares do tipo II (Ranged Major Axis) com dados acústicos de psitacídeos neotropicais (Psittacidae - tribo Arini), pombos neotropicais (8 gêneros), dendrocolaptídeos (Dendrocolaptinae), tinamídeos (Tinamidae) eturdídeos (25 espécies). Para verificar a existência de padrões não aleatórios no uso do espaço acústico, utilizamos modelo nulo com o índice de sobreposição de Pianka. Para testar se as espécies menores utilizam frequências mais graves, utilizamos Wilcoxon Sign Rank. Estes foram testados com dados acústicos de uma assembleia de aves da Floresta Nacional de Carajás. Utilizamos a frequência dominante (FDOM), a frequência fundamental mínima (FFMIN) e a frequência fundamental máxima (FFMAX). A relação alométrica foi encontrada em psitacídeos, pombos, dendrocolaptídeos e nas frequências fundamentais de tinamídeos. Não foi encontrada estruturação no uso das frequências acústicas. A FDOM e a FFMIN diferiram significantemente do esperado pela alometria, porém ambas foram mais agudas que o esperado. A comunicação sonora tem sido moldada por um longo processo de seleção natural, através de forças evolutivas distintas, cada uma tendo um papel no sinal acústico.
  • WELLINGTON EMANUEL DOS SANTOS
  • Morfometria geométrica de Diptera (Insecta) neotropicais de importância forense
  • Data: 08/02/2017
  • Hora: 08:00
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  • A identificacao de insetos coletados em cadaveres, apesar de crucial para as investigacoes, pode ser dificil usando somente sua morfologia. Isso se deve a varios fatores, tais como: estado de conservacao do material coletado, grande diversidade e carencia de especialistas. Analises morfometricas de estruturas taxonomicamente relevantes, como asas de insetos, vem sendo utilizadas para investigar hipoteses taxonomicas e ecologicas em diversos grupos animais. Nesse sentido, partindo da hipotese de que sao suficientemente distintas para sua diferenciacao, asas de especies de diferentes populacoes de moscas de importancia forense foram analisadas morfometricamente. Primeiramente, uma compilacao de registros das principais especies de moscas encontradas em carcacas e cadaveres na regiao Neotropical, incluindo o estagio de desenvolvimento, substrato, ambiente e distribuicao geografica em que foram coletadas, e apresentada no capitulo 1. A lista compreende 247 especies, incluidas em oito familias. Sarcophagidae (119) foi a familia com maior diversidade de especies, seguida por Muscidae (5 4) e Calliphoridae (35). Adicionalmente, sao apresentados novos registros de especies em carcacas para a Caatinga. Em seguida, no capitulo 2, em fotos das asas de 416 individuos das tres principais especies de Sarcophagidae (Oxysarcodexia thornax, Peckia (S.) lambens e Ravinia belforti) foram digitalizados 14 marcos anatomicos e alinhados usando uma superimposicao generalizada de Procrustes (GPA). Os dados resultantes (tamanho do centroide e distancias de Procrustes) passaram por analises de classificacao (PCA), ordenacao (CVA), comparacao (DFA) e teste multivariado (ANOVA) para avaliar a discriminacao e a acuracia de identificacao das especies estudadas. Tanto a PCA como a CVA separaram claramente as tres especies , resultado confirmado pela ANOVA que mostrou variancia significativa entre as especies em funcao do tamanho do centroide (F = 369,35; P < 0,0001) e das distancias de Procrustes (F = 180,06; P < 0,0001), assim como pela DFA que alocou corretamente todos os individuos. Por fim, no capitulo 3, 1.478 individuos das tres especies mais frequentes de Calliphoridae (Chrysomya albiceps, Chrysomyamegacephala e Lucilia eximia) passaram pelas mesmas analises acima. A ANOVA mostrou variancia significativa entre as especies em funcao do tamanho do centroide (F = 372,72; P < 0,0001) e das distancias de Procrustes (F = 1699,05; P < 0,0001). Assim como a CVA e DFA, que reclassificou corretamente 99,40% dos individuos em media. A analise da forma das asas revelaram tambem dimorfismo sexual significante das especies, com acuracia de reclassificacao acima de 90% pela DFA. Por outro lado, nao foi observada variacao de forma significativa entre as populacoes das especies de ambientes distintos ou semelhantes.
2016
Descrição
  • DANIEL OLIVEIRA SANTANA
  • Autoecologia comparativa entre duas espécies de quelônios (Phrynops geoffroanus e Mesoclemmys tuberculata) em áreas de Caatinga e Mata Atlântica no Nordeste do Brasil
  • Data: 23/12/2016
  • Hora: 09:00
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  • O presente estudo teve como objetivos principais avaliar de que maneira as populações de Phrynops geoffroanus e Mesoclemmys tuberculata de áreas de Caatinga e Mata Atlântica do Nordeste utilizam os recursos espaciais, temporais e tróficos disponíveis no ambiente, bem como a influência das condições ambientais como diferentes regimes pluviais e disponibilidade de recurso alimentar, na dieta, reprodução, parasitismo, estrutura populacional das espécies. No primeiro capítulo foi testada a hipótese de que fatores intraespecíficos são mais determinantes que diferenças dos ambientes na determinação de parâmetros autoecológicos de P. geoffroanus e M. tuberculata. Mais especificamente, avaliamos a proporção entre os sexos, a presença de dimorfismo sexual, e descrevemos os aspectos morfométricos e reprodutivos. Os resultados mostraram que machos reprodutivos das duas espécies foram registrados durante todo o período do estudo (seca e chuva), enquanto que a presença de ovos e ovócitos foi registrada exclusivamente em fêmeas coletadas durante o período chuvoso. De modo geral os parâmetros autoecológicos avaliados não foram diferentes em P. geoffroanus e M. tuberculata, apresentando padrões semelhantes tanto na Caatinga, quanto da Mata Atlântica, provavelmente essa ausência de variação está relacionada com o período de existência dos biomas, sendo a Caatinga temporalmente mais recente, quando comparado à Mata Atlântica. Assim, possivelmente o tempo decorrido pode não ter sido suficiente para induzir diferenças entre as populações desses biomas com condições sazonais diferentes. No segundo capítulo foi realizada uma comparação das dietas de P. geoffroanus e M. tuberculata nos diferentes estágios de vida (adultos e juvenis), sexo, estação e bioma de ocorrência, afim de determinar se as diferenças no uso dos recursos podem ter ligações com características do habitat. Analisamos frequência de ocorrência, abundância, volume, índice de importância relativa e larguras de nicho para cada espécie de quelônio. Além disso, avaliamos se existe uma maior sobreposição de nicho trófica na Caatinga por ela apresentar um regime pluvial estocástico, recurso alimentar mais irregular, quando comparada com padrão previsível da Mata Atlântica. Nossos resultados indicaram que as presas mais importantes na dieta de P. geoffroanus foram Material Animal (víceras e escamas de peixes), Baetidae e Caridae. O alto consumo de material animal como principal item alimentar de P. geoffroanus, indicou uma forte associação com o comportamento antrópico na região do nosso estudo. Já M. tuberculata apresentou Ampularidae, Material Vegetal e Belastomatidae como os itens mais importantes consumidos, apresentando inclusive adaptações para o consumo de moluscos. Nós não encontramos diferenças significativas nas larguras de nicho entre machos e fêmeas adultas de ambas espécies, no entanto, as dietas diferiram significativamente na ontogenia (adultos e juvenis) possivelmente relacionado à diferenças no tamanho dos indivíduos e a utilização de microhábitat específicos.
  • NEWTON MOTA GURGEL FILHO
  • ESTUDO DAS COMUNIDADES DE PEQUENOS MAMÍFEROS TERRESTRES DA MATA ATLÂNTICA: DIVERSIDADE BETA E FUNCIONAL
  • Data: 26/08/2016
  • Hora: 08:00
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  • A Mata Atlântica brasileira é um dos mais diversos e ameaçados biomas, sendo considerada como um hotspot de biodiversidade mundial. Abriga cerca de 40% da diversidade de mamíferos do Brasil, dos quais destacam-se os pequenos mamíferos, pertencentes aos taxa Rodentia e Didelphimorphia. Estes grupos são alvos frequentes de estudos sobre os padrões de diversidade alfa e fatores que determinam sua distribuição geográfica. Abordagens complementares sobre diversidade β (beta) ou funcionais são escassas. Assim, a pesquisa teve como objetivo estudar os padrões de diversidade β e Funcional das comunidades de pequenos mamíferos da Mata Atlântica brasileira com base em bancos de dados de distribuição de espécies, e investigar sua correlação com variáveis climáticas e espaciais. Foram obtidos altos valores de turnover entre as comunidades de pequenos mamíferos da Mata Atlântica, com uma contribuição significativa de nestedness apenas para Marsupiais. Existem indícios para considerar a Mata Atlântica dividida em duas regiões distintas, uma norte e outra sul. Estes padrões de diversidade estão relacionados a fatores climáticos e espaciais. A Diversidade Funcional apresenta grande variação, com Roedores e Marsupiais se complementando funcionalmente. As comunidades de roedores são estruturadas pela similaridade limitante e as de marsupiais estão sob filtragem ambiental na porção norte da Mata Atlântica. Adicionalmente, constatou-se que Roedores e Marsupiais devem ser analisados separadamente para evitar o obscurecimento de padrões intrínsecos de cada grupo filogenético.
  • CAROLINA NUNES LIBERAL
  • BESOUROS ESCARABEÍNEOS (COLEOPTERA: SCARABAEIDAE:SCARABAEINAE) EM DIFERENTES ECOSSISTEMAS DA PARAÍBA: ESTRUTURA DA TAXOCENOSE, DIVERSIDADE FUNCIONAL E PADRÕES DE DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL
  • Data: 31/05/2016
  • Hora: 14:00
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  • Besouros escarabeineos (Coleoptera: Scarabaeidae: Scarabaeinae) compreendem aproximadamente 6000 especies descritas e apresentam grande diversidade na faixa tropical. No Nordeste brasileiro haviam sido registradas ate o momento 113 especies de besouros escarabeineos, a maior parte delas em areas de Floresta Atlantica e Caatinga. Esse estudo teve como objetivo principal entender os padroes de distribuicao espacial das especies de besouros escarabeineos, em diferentes escalas, e como se estruturam suas comunidades, em distintos ecossistemas, da Paraiba. Bem como, contribuir para o conhecimento dessa taxocenose no Nordeste brasileiro. Para isso foram realizadas coletas, no periodo chuvoso, em sete areas, dentro dos Dominios da Floresta Atlantica e Caatinga. Foram utilizados pitfalls iscados com fezes humanas e baco bovino distribuidos em dez conjuntos, espacados 100 m, de um par de cada isca, em cada area. Para avaliar a importancia relativa das escalas espaciais foi empregada a particao aditiva da diversidade e a similaridade das areas avaliadas por meio dos indices de Jaccard e Morisita. Das 16 variaveis ambientais mensuradas, seis foram utilizadas, juntamente com as coordenadas geograficas, para explicar a variacao da composicao de especies, calculada por meio da Analise de Redundancia Parcial. A diversidade funcional foi medida a partir de tres tracos relacionados com comportamento e morfologia. No total foram coletados 4.546 individuos pertencentes a 43 especies, acrescentando dois novos registros de ocorrencia para o Nordeste (Canthidium aff. depressum e Eutrichilum sp.). Os resultados encontrados mostraram que a taxocenose de besouros escarabeineos no estado da Paraiba e fortemente influenciada por variaveis ambientais, com alta redundancia funcional, e a magnitude da variacao de sua diversidade aumenta conforme o tamanho da escala espacial. Sua composicao e dominada por especies de besouros pequenos, sendo em areas de Floresta Umida a maioria paracopridea e generalista e em Florestas Secas telecoprideas, necrofagas e generalistas.
  • JOSÉ ARAÚJO SOUTO NETO
  • Doenças associadas ao cavalo-marinho Hippocampus reidi Ginsburg, 1933 (TELEOSTEI: SYNGNATHIDAE) em sistema de cultivo experimental
  • Data: 31/05/2016
  • Hora: 14:00
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  • Consta na dissertacao
  • ANA CAROLINA BRITO VIEIRA
  • A dinâmica do zooplâncton em um reservatório profundo do semiárido brasileiro: influência da alimentação, do clima e da sazonalidade
  • Data: 31/05/2016
  • Hora: 08:30
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  • A dinâmica do zooplâncton em um reservatório profundo do semiárido brasileiro: influência do clima, da qualidade da água e da comunidade fitoplanctônica. As regiões semiáridas no mundo são caracterizado por poucas chuvas, altas temperaturas o ano todo, seguidos por longos períodos de estiagem, tornando-os muitas vezes temporários; isto afeta diretamente a qualidade das águas e, consequentemente a diversidade e abundância dos organismos ali presentes. A maoria dos sistemas aquáticos no semiárido, especialmente no Brasil, são rasos e por isso os estudos planctônicos foram conduzidos nesses locais. Diantedisso, este trabalho teve por objetivo analisar a dinâmica do zooplâncton num açude profundo no semiárido nordestino, e observar a influência das variáveis ambientais, da comunidade fitoplanctônica e da sazonalidade do clima sobre ela. Este estudo foi conduzido em quatro partes: o primeiro foi sobre a relação entre fitoplanctônica e zooplanctônica ao longo de dois ciclos hidrológicas. Observou-se o predomínio das cianobactérias sobre todos os demais grupos fitoplanctônicos, o que refletiu na baixa diversidade zooplanctônica do açude; os rotíferos foram as espécies mais diversas e mais abundantes durante as chuvas; os copépodos foram registrados durante toda as coletas, em especiais os estágios juvenis; cladóceros apresentaram densidades baixíssimas, e só apareceram quando a condições do ambiente se tornaram menos eutrofizadas. O capítulo 2 tratou das diferenças espaciais na distribuição da comunidade zooplanctônica e a influência dos períodos chuvosos e seco sobre a distribuição desta comunidade; observou-se que a densidade de ambos os grupos planctônicos foram maiores na entrada, especialmente de cianobactérias e de rotíferos; os microcrustáceos foram especialmente mais abundantes na época seca; no capítulo 3 analisou-se a distribuição vertical da comunidade zooplanctônica e a influência da sazonalidade sobreesta; o que se observou é que enquanto os rotíferos tiveram um distribuição mais homogênea, os microcrustáceos apresentaram uma distribuição típica de migração vertical, especialmente na época seca; por fim, o capítulo 4 apresentou a simulação artificial do acúmulo de nutrientes provocada pela diminuição da do volume hídrico, no caso de uma seca prolongada; para isso foram instalados no açude um bioensaio em mesocosmo, com taques, onde um tratamento foi enriquecido com nutrientes, nitrogênio e fósforo e outro serviu como controle. Como resultado inesperado, ocorreu a formação de um biofilme de perifiton no tratamento enriquecido comnutrientes, que teve o poder de diminuir as densidades de cianobactérias, ao ponto de trazer transparência total da água no fim do experimento; isso sugere um esgotamento de recursos nutritivos nas águas do açude, devido ao tempo de residência da água. As comunidades fitoplanctônicas e zooplanctônicas responderam a essa diferença. Os calanóides e cladóceros só apareceram no fim do estudo, nos tratamentos enriquecidos, enquanto que os ciclopóides baixaram suas densidades. Com o estudo podemos concluir que à diferença dos ambientes mais rasos, o os açudes mais profundos apresentam um tempo maior de residência da água, que se reflete na baixa diversidade zooplanctônica, especialmente dos microcrustáceos e na ocorrência de bloomsde cianobactérias; enquanto que os lagos rasos mostram um sucessão ecológica concomitante a evolução do ciclo hidrológico, refletindo uma maior diversidade zooplanctônica, osreservatórios mais profundos exibem uma estabilidade maior e para que essa sucessão ocorra é necessário maiores regimes pluviométrico.
  • GABRIELA ROCHA DEFAVARI
  • Genética da Conservação de cavalos-marinhos (Hippocampus spp.) no Brasil
  • Orientador : IERECE MARIA DE LUCENA ROSA
  • Data: 30/03/2016
  • Hora: 14:00
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  • Consta na tese
  • LUIZ PAULO ARAÚJO DA SILVA
  • Revisão sistemática e modelagem de distribuição de Pickeliana Mello-Leitão, 1932 (Opiliones: Laniatores: Stygnidae): implicações para a biogeografia histórica da Mata Atlântica.
  • Orientador : MARCIO BERNARDINO DA SILVA
  • Data: 24/03/2016
  • Hora: 09:00
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  • consta na tese
  • RUDÁ AMORIM LUCENA
  • Taxonomia de Pycnogonida (Arthropoda: Chelicerata) da região costeira do Nordeste do Brasil
  • Data: 29/02/2016
  • Hora: 14:00
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  • O litoral brasileiro possui mais de 7.500 km de linha de costa, sendo destas 3.400 no litoral da região Nordeste. Esta região, que vai do Estado do Maranhão ao sul da Bahia, abriga as únicas formações recifais do Atlântico Sul. A classe Pycnogonida é composta por Arthropoda exclusivamente marinhos, com mais de 1.300 espécies descritas. Seu estudo no Brasil começou no final do século XIX, por meio de dragagens realizadas ao longo da costa, tendo se intensificado a partir da década de 40 em função dos esforços de Ernst Marcus. Porém, historicamente, foi focado no litoral sul e sudeste, com poucos estudos para a região Nordeste. Este trabalho teve o objetivo de elevar o conhecimento da diversidade de Pycnogonida para o Brasil, centrado na costa marítima da região Nordeste, fornecendo descrições das espécies encontradas e caracterizando as possíveis novas espécies. Para isso foram realizadas coletas em 17 praias, distribuídas equidistantes 120 km uma das outras, nos Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas e Bahia. Também foram analisados espécimes presentes nas coleções da Universidade Federal da Paraíba, do Museu de Oceanografia/UFPE e da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Os Estados da Paraíba e Pernambuco não foram amostrados devido à grande quantidade de material disponível para essas áreas, e o de Sergipe devido à dificuldade de coleta. Em cada praia foram coletadas algas na região de entremarés. Algumas destas algas foram lavadas em campo e outras levadas para o laboratório onde foram triadas. As identificações foram realizadas com o auxílio de lupa e microscópio estereoscópico, baseadas em chaves taxonômicas e trabalhos com diagnoses e descrições dos táxons. Quando necessário era feita a dissecção de estruturas, como pernas, ovígeros e palpos, para serem observados ao microscópio. Foram analisados um total de 719 espécimes, classificados em oito famílias, 13 gêneros e 51 espécies. Das espécies encontradas 14 são novos registros para o Nordeste, cinco para o Brasil, duas novos registros para o Atlântico, uma para o Atlântico Sul e 11 espécies novas para a Ciência. Assim, foi elevado o número de espécies registradas para o Brasil, de 64 para 83, e para a região Nordeste, de 21 para 54. Conclui-se que o estado de conhecimento da fauna de picnogonídeos para o Brasil ainda é escasso, havendo necessidade de incentivo para estudos taxonômicos de grupos negligenciados, como é o caso de Pycnogonida.
  • BRUNA MONIELLY CARVALHO DE ARAUJO
  • RÉPTEIS COMO ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO NO BRASIL: ASPECTOS ETNOZOOLÓGICOS E CONSERVACIONISTAS
  • Data: 29/02/2016
  • Hora: 09:00
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  • No Brasil, apesar de várias restrições legais, a criação e comércio de répteis para animais de estimação vêm se intensificado nos últimos anos. Tais atividades têm implicações variadas, incluindo aspectos ecológicos, econômicos e de saúde pública, os quais foram investigados no presente estudo, que representa a primeira análise acerca do uso e comércio de répteis como animais de estimação no Brasil. Para isso, foram obtidas informações através de questionários semiestruturados aplicados a 719 criadores, contatados a partir de grupos de criadores de repteis na rede social facebook. Foi registrado um total de 69 espécies de répteis comercializados como pets no Brasil, das quais 39 são serpentes, 17 lagartos, 12 quelônios e uma espécie de jacaré. Das espécies registradas 46 são nativas do Brasil e 23 são exóticas, incluindo espécies ameaçadas de extinção. As espécies com maior número de espécimes foram Pantherophis guttatus (n=271), Chelonoidis carbonarius (n=168), Boa constrictor (n=119), Trachemys dorbigni (n=65) e Iguana iguana (n=61). Os criadores se distribuem por pelo menos 24 estados, apresentando uma maior concentração registrada na região Sudeste e no Distrito Federal. Os animais geralmente são adquiridos pelos seus criadores através da compra, com valores variados, sendo elevado para algumas espécies, o que torna a atividade mais comum entre pessoas de renda elevada. Os preços são influenciados por fatores como beleza, padrão de cores dos animais, porte, sexo e até ainda pela raridade do animal. Evidenciou que ainda que os criadores são predominantemente do sexo masculino e escolaridade elevada. A criação de répteis de estimação levanta preocupações conservacionistas, provocando impacto direto sobre as populações exploradas e sendo uma potencial via de introdução de espécies invasoras, incluindo espécies exóticas que já foram registradas em localidades do Brasil em ambiente natural. Evidencia-se claramente, a necessidade de uma discussão mais aprofundada sobre o assunto, que envolva os diferentes atores envolvidos, desde criadores, comerciantes e autoridades ambientais, visando buscar soluções para toda a problemática que envolve o assunto.
  • JÉSSICA EMÍLIA SÉRGIO DE AQUINO GOLZIO
  • Diversidade de parasitos de peixes e sua relação com características dos hospedeiros e do ambiente nos estuários do Rio Mamanguape e Paraíba do Norte, Paraíba, Brasil
  • Data: 26/02/2016
  • Hora: 15:00
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  • Parasitos são importantes componentes das comunidades e constituem grande parte da diversidade biológica encontrada em diversos ecossistemas, podendo fornecer valiosas informações acerca de seus hospedeiros e o ambiente onde vivem. Entretanto, apesar de sua importância, a biodiversidade parasitária ainda é pouco conhecida em algumas regiões do Brasil, principalmente no que tange os parasitos de peixes na região Nordeste, sendo a maioria dos estudos concentrados na região Sudeste e Norte. O presente estudo teve como objetivo geral fazer o levantamento de fauna parasitária de peixes dos estuários do rio Paraíba do Norte e do rio Mamanguape, os dois principais estuários do Estado da Paraíba, Nordeste do Brasil. Foram realizadas duas coletas de peixes em cada estuário, em novembro de 2013 e em julho de 2014, utilizando arrastos manuais. Após a identificação e necropsia dos peixes, seus parasitos foram coletados, armazenados e identificados com a maior resolução taxonômica possível. Para cada espécie de parasito, foram calculados os valores de prevalência, intensidade média e abundância média. Dentre os 794 peixes examinados, pertencentes a quatro espécies, 145 estavam parasitados por pelo menos uma espécie de parasito. No total, foram registradas 21 espécies de parasitos, dentre eles digenéticos, copépoda, isopodas, nematodas e monogenéticos, sendo o copépode Acusicola brasiliensis a espécie mais abundante. Considerando que a fauna parasitológica dos peixes destes estuários aind a não havia sido estudada, todos as ocorrências são novos registros de localidades para as espécies de parasitos. Além disso, novos registros de hospedeiros são feitos para espécies de parasitos já registradas em outras regiões.
  • RACHEL ANNE ALENCAR MARTINS
  • Interações entre abelhas e flores de Senna (Leguminosae; Caesalpinioideae)
  • Data: 25/02/2016
  • Hora: 14:00
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  • Dentre as relações existentes entre plantas e insetos, certamente a polinização é uma das mais importantes. Trata-se de uma interação indispensável para a manutenção das atividades dentro de uma comunidade ou ecossistema. Dentre todas as espécies de plantas que são polinizadas por insetos, temos cerca de 20.000 espécies que possuem flores com anteras poricidas, polinizadas por vibração. Esta é uma estratégia de plantas que promovem a transferência dos gametas por meio de um polinizador (abelhas fêmeas) para vibrar as flores de modo a extrair pólen. Abelhas utilizam suas vibrações para coletar pólen de diversos tipos de plantas com diferentes morfologias, por exemplo: Cistus, Papaver, Pedicularis e Solanum. Inclusas nas flores tipo Solanum temos as flores de pólen do gênero Senna que possuem anteras poricidas, heteranteria, enantiostilia e ausência de nectários florais, características que parecem estar intimamente relacionadas à polinização por vibração. E o sucesso reprodutivo de plantas e de seus polinizadores está intimamente ligado a essas características que fazem com que a polinização seja uma relação mutualística permeada por demandas conflitantes. As interações entre plantas e polinizadores não são mediadas pela fartura e a relação mutualística que garante o sucesso da reprodução, mas pela escassez e a concorrência pelos recursos limitados. Neste trabalho pudemos identificar os visitantes florais e polinizadores de três espécies de plantas do gênero Senna, bem como entender melhor as relações de deposição de pólen no corpo dos polinizadores e os sistemas reprodutivos dessas plantas. Também analisamos a polinização por vibração por meio de suas características bioacústicas, de forma que nossos resultados demostraram uma grande plasticidade no comportamento de coleta de pólen por vibração das abelhas polinizadoras das espécies de planta do gênero Senna estudadas.
  • JEAN MIGUEL ALVES DOS SANTOS
  • Visitantes Florais e Polinização de Tecoma stans (Bignoniaceae): efeito da pilhagem de néctar na eficácia reprodutiva
  • Data: 24/02/2016
  • Hora: 14:00
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  • As abelhas são as principais polinizadoras de espécies vegetais do sistema agrícola e da maioria dos ambientes terrestres, interagindo com plantas nativas e exóticas. As plantas exóticas geralmente são encontradas em áreas urbanas como Tecoma stans, espécie nativa da região sul dos Estados Unidos e norte da América Central, introduzida no Brasil para ornamentação. Por apresentar flores com corolas tubulares longas, é comum a realização de aberturas/orifícios por certas espécies de abelhas que possibilitam o acesso aos recursos florais de T. stans. Todavia, como não entram na flor, essas abelhas realizam visitas ilegítimas, pois não contatam as estruturas reprodutivas das flores, e realizam a pilhagem dos recursos florais sem efetuar a polinização das mesmas. Alguns estudos foram publicados sobre a interação das abelhas com essa planta, principalmente, na região sul e sudeste do Brasil. Entretanto, não foram realizados estudos sobre o comportamento de pilhagem nessa espécie. Estudos demonstram que a pilhagem de pólen e néctar pode favorecer, ser neutra ou diminuir o sucesso reprodutivo de outras espécies vegetais. O objetivo desta pesquisa foi estudar a apifauna visitante de Tecoma stans em duas áreas com características diferentes, enfatizando o comportamento de pilhagem e suas consequências. O estudo fo i realizado no Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa - PB, e no Sítio Olho D'água, Alhandra – PB, durante outubro de 2014 e novembro de 2015. Todos os testes de polinização manual resultaram na formação de frutos enquanto a polini zação espontânea não gerou frutos, confirmando que Tecoma stans possui o sistema reprodutivo autocompatível, porém necessitade agentes polinizadores para a transferência dos grãos de pólen. Após a antese, as flores duram dois dias e oferecem pólen para seus visitantes, com média de 4.064,9±543,9grãos/antera; e néctar, com produção média de 14,4±7,3µl/dia, com concentração média de açúcar de 21,3±3,8% e 0,47±0,3mg de acúcar/µl. Foram registradas 24 espécies de abelhas visitantes florais na UFPB e 21 espécies no Sítio Olho D’água. As abelhas iniciaram o forrageio por volta das 5:00h até às 17:30h. As visitas e os visitantes foram mais constantes na UFPB que no Sítio Olho D’água que apresentou maior variação durante os dias. O número de visitas e o número de visitantes foram significativamente maiores na UFPB. Ocorreu um pico de visitantes às 8:00h (média de 9,3±8,3 visitantes/planta/dia) na UFPB. Enquanto no Sítio Olho D’água ocorreu um pico médio de visitantes às 8:00h e outro às 12:00h (média de 5,6±2,4 visitantes/plantas/dia e 4,9±2,7 visitantes/planta/dia, respectivamente). As abelhas mais abundantes foram Trigona spinipes, T. fuscipennis, Partamona littoralis, Plebeiaflavocincta e Xylocopa spp. na UFPB e Melipona scutellaris e Augochlora spp. no Sítio Olho D'água. Eulaema nigrita, E. atleticana, Centris analis, C. fuscata, C. tarsata, C. aenea, Euglossa carolina, Melipona scutellaris e Melitoma segmentaria foram consideradas polinizadoras efetivas; e Apis mellifera, Augochlora sp., Ceratina chloris, C. maculifrons, Nannotrigona punctata, Partamona littoralis, Plebeia flavocincta, Trigona spinipes e T. fuscipennis foram classificadas como polinizadoras ocasionais. As espécies de Xylocopa, Pseudaugochlora e Trigona spinipes foram pilhadoras primárias de néctar. Trigona spinipes e Trigona fuscipennis foram pilhadoras primárias de pólen. Em experimentos nos quais as flores receberam uma barreira para evitar a pilhagem de néctar, o sucesso reprodutivo da polinização livre em flores com e sem barreira foram baixos e semelhantes nas duas áreas, sugerindo que a pilhagem de néctar não influenciou na produção de frutos, refutando a hipótese proposta. Porém, em testes posteriores o Sucesso Reprodutivo e a Eficácia Reprodutiva nas flores sem barreira foi maior, sugerindo que a pilhagem de néctar favorece a polinização. Essa diferença nos resultados pode estar relacionada a diferentes períodos de realização dos testes, assim como a diferenças na abundância e composição de polinizadores em cada área. Os resultados mostraram que a pilhagem de néctar pode afetar a produção de frutos, porém são necessários experimentos mais conclusivos.
  • ANNE ISABELLEY GONDIM DE FARIAS
  • SISTEMÁTICA DA FAMÍLIA HEMIEURYALIDAE VERRILL, 1899 (ECHINODERMATA, OPHIUROIDEA, OPHIURIDA)
  • Data: 23/02/2016
  • Hora: 14:00
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  • No presente estudo nós realizamos a primeira revisão taxonômica da família Hemieuryalidae. Para isto foram revisadas a série tipo de todas as espécies que compõe a família, assim como também material ad icional das mesmas. Os espécimes estudados encontram-se depositadas em 11 importantes coleções científicas. Com base em nossos resultados nós sinonimizamos os gêneros Ophioplus e Hemieuryale, designamos um neótipo para Hemieuryale tuberculosa, propomos a transferência dos gêneros Ophioleila e Ophioholcus para Amphiuridae. Assim como também, fornecemos novas diagnoses para a família Hemieuryalidae, seus gêneros e suas espécies, bem como chaves taxonômicas para os gêneros da família e para as es pécies de Hemieuryale e Sigsbeia. Por fim, ilustramos caracteres nunca antes representados para os taxa que compõe Hemieuryalidae. Com a presente revisão taxonômica a família passa a ser constituída por três gêneros e oito espécies.
  • LAYLA SANTOS REIS CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE
  • Perda de diversidade taxonômica, funcional e filogenética de pequenos mamíferos não voadores em paisagens urbanizadas da Mata Atlântica
  • Data: 23/02/2016
  • Hora: 14:00
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  • A urbanização é uma das principais atividades que gera fragmentação e perda de habitat tendo como uma das suas maiores consequencias a perda de biodiversidade. O alto grau de destruição das florestas tem tornado a criação de áreas protegidas uma saída para ações de conservação e compreender como a biodiversidade responde a essas modificações é um dos principais desafios da ecologia. Diversos estudos têm buscado respostas diante dessas modificações e os pequenos mamíferos podem ser importantes ferramentas para essas pesquisas ecológicas. A maioria tem focado em áreas rurais e utilizado métricas tradicionais de diversidade que não consideram a variação funcional e as relações evolutivas das espécies. Este estudo avaliou, através de abordagens filogenéticas e funcionais, como as modificações das paisagens decorrentes do processo de urbanização alteram a diversidade de pequenos mamíferos em uma paisagem urbanizada. Esperando encontrar uma redução na diversidade funcional e filogenética em fragmentos mais urbanizados e menores. Foram realizadas duas expedições para cada uma das 9 áreas protegidas de Mata Atlântica amostradas utilizando 20 armadilhas Sherman e 20 pitfalls em cada. Foram capturados 96 individuos pertencentes a 11 espécies que serviram de base para a construção de um banco de dados a partir de características funcionais, bem como para a construção de uma super árvore que fundamentaram as análises de diversidade funcional e filogenética, respectivamente. Os resultados demonstraram que a urbanização gera perda de diversidade funcional e filogenética nas comunidades de pequenos mamíferos. Essa perda se torna evidente apenas em pequenas escalas e está relacionada, principalmente, aos aspectos morfológicos e fisiológicos, bem como a perda de clados inferiores (espécies, gêneros). As causas dessa perda podem estar relacionadas à intolerância a matriz, escassez de recursos, espécies invasoras, além de forças externas à paisagem, como a caça e o comércio ilegal. Além disso, houve relação entre tamanho da área protegida e o número de espécies. Não houve relação entre a composição de espécies de áreas com tamanhos semelhantes e proximidade geográfica. Agregamos novas informações sobre como as comunidades de pequenos mamíferos não voadores respondem ao processo de urbanização. São necessários estudos futuros para identificar quais mecanismos subjacentes levam a essa perda de diversidade funcional e filogenética em paisagens urbanizadas. Além disso, ressaltamos o papel de pequenos remanescentes para a conservação em escala regional.
  • NAYLA FÁBIA FERREIRA DO NASCIMENTO
  • DNA E PALEODISTRIBUIÇÃO POTENCIAL DE Chiroxiphia pareola MOSTRAM DIVERSIFICAÇÃO E CONEXÕES HISTÓRICAS EM FLORESTAS DA AMÉRICA DO SUL
  • Data: 23/02/2016
  • Hora: 09:00
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  • Hipóteses de rios como barreiras biogeográficas e refúgios florestais pleistocênicos são apontadas como mecanismos para explicar a rica diversidade em florestas no Neotrópico. Espécies disjuntas entre as florestas Amazônica e Atlântica são bons modelos para testar tais hipóteses, pois são evidências de possibilidade de conexões entre essas florestas na América do Sul. Desse modo, usamos análises moleculares e de paelodistribuição potencial da espécie de ave que possui distribuição disjunta, Chiroxiphia pareola, para testar as hipóteses citadas acima, com o objetivo de verificar possíveis processos de diversificação e/ou expansão de suas populações. Seis genes foram analisados, sendo dois mitocondriais e quatro nucleares. As amostras corresponderam a localidades ao longo da distribuição da espécie. Foram utilizados 179 pontos de ocorrência e 19 variáveis climáticas para modelar sua distribuição no Presente, Holoceno, Último Máximo Glacial (LGM, 21 kya) e o último Interglacial (LIG, 120 kya). Nossos resultados suportaram o reconhecimento de quatro linhagens evolutivamente independentes da espécie politípica Chiroxiphia pareola, as quais sugerimos que sejam espécies plenas: C. regina, C. napensis C. pareola e nova espécie, esse último nome recomendado no presente estudo. Suportamos a proposta da dinâmica dos rios como mecanismos eficazes de diversificação na Amazônia, durante o Plio-Pleistoceno, e não corroboramos efeitos das últimas máximas flutuações climáticas do Quaternário. Embora nossos resultados suportem a estabilidade de refúgios florestais pleistocênicos na Floresta Atlântica nordestina, não suportamos o papel de rios como mecanismo de diversificação nessa região, durante o Pleistoceno Superior. Sugerimos ainda uma rota de conexão entre as florestas Amazônica e Atlântica por volta do Pleistoceno Médio na região entre o rio São Francisco e a Chapada Diamantina, no nordeste brasileiro.
  • ANTONIO LIMEIRA FELINTO DE ARAUJO
  • Caracterização do habitat e aspectos ecológicos de Anisotremus moricandi (Perciformes, Haemulidae) em dois ambientes recifais costeiros do litoral da Paraíba, Brasil
  • Data: 22/02/2016
  • Hora: 09:00
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  • A espécie Anisotremus moricandi está distribuída da costa do Panamá até o Sudeste do Brasil e ocorre em ambientes recifais próximos à costa, sofrendo alguns impactos antrópicos provenientes de atividades recreativas, pesca e poluição. Atualmente, de acordo com a IUCN (2015), essa espécie é listada na categoria “pouco preocupante” (LC), porém, apesar desse posicionamento, o que se sabe acerca da biologia, ecologia e pesca de A. moricandi ainda é incipiente, o que gera forte preocupação em relação ao estado de conservação dessa espécie. O presente estudo teve como objetivo caracterizar as populações e o habitat de A. moricandi nos recifes costeiros do Cabo Branco e Seixas, que estão situados em João Pessoa, Paraíba. A coleta de dados foi realizada durante o período de verão de 2014 e 2015, onde a abundância e o habitat dessa espécie foram avaliados por meio de mergulhos diurnos livres utilizando-se transectos lineares. Foram realizados 60 censos (30/local), totalizando 227 registros para A. moricandi, havendo um maior número de indivíduos juvenis, principalmente nos recifes do Cabo Branco. O microhabitat mais utilizado por A. moricandi foi “fenda recifal”, onde os indivíduos foram vistos na maioria dos censos em repouso nessas estruturas. A espécie ocorreu predominantemente em áreas com rochas. A abundância de A. moricandi foi positivamente relacionada com a quantidade de fendas recifais, onde os peixes juvenis foram vistos principalmente em repouso, uma vez que essas estruturas fornecem uma maior proteção aos indivíduos. Em comparação a outros estudos, observa-se que nos recifes do Cabo Branco e Seixas houve um maior registro dessa espécie, assim pode-se inferir que esses ambientes possuem recursos primordiais para a sobrevivência de A. moricandi. No entanto, faz-se necessário a preservação dessas áreas visando à manutenção dessa espécie, uma vez que A. moricandi foi registrada em recifes próximos à costa, sendo bastante vulneráveis às ações antrópicas.
  • ALINE PAIVA MORAIS DE MEDEIROS
  • Padrões de distribuição e organização trófica de assembleia de peixes no estuário do Rio Mamanguape, Brasil
  • Data: 12/02/2016
  • Hora: 14:00
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  • O presente trabalho objetivou caracterizar a ictiofauna ao longo de um gradiente estuarino-recifal na APA Barra do Rio Mamanguape, Paraíba, Brasil, utilizando os seguintes parâmetros: distribuição espacial, uso do habitat, dieta e formação de grupos tróficos. O trabalho foi dividido em dois capítulos, onde o primeiro trata da distribuição espaço-temporal, uso do habitat e mudanças ontogenéticas no uso do estuário; o segundo, descreve a dieta das espécies e registra a formação de grupos tróficos, bem como a dieta das espécies abundantes de acordo com o local e estação em que foram coletadas e pelas classes de tamanho. Foram utilizados arrastos, tarrafas e agulheiras a fim de coletar os peixes e a dieta foi determinada a partir da análise dos conteúdos gástricos. As coletas foram realizadas ao longo de 17 pontos, divididos em quatro regiões a partir do gradiente de salinidade: Recifes, Baixo Estuário, Estuário Médio e Alto Estuário. As espécies mais abundantes foram Atherinela brasiliensis e Sphoeroides testudineus. A maior média de tamanho dos indivíduos foi registrada para a zona recifal, a qual apresentou uma maior contribuição de herbívoros em relação às regiões do estuário. Espécies como Caranx latus, Oligoplites palometa e Mugil curema apresentaram diferenças na preferência do habitat ao conforme ontogenia. A maior parte das espécies registradas no presente estudo foi considerada de origem marinha, podendo depender direta ou indiretamente do estuário. Em relação aos grupos tróficos, o grupo com maior número de representantes foram os Piscívoros, seguidos pelos que se alimentaram de Brachyura. A distribuição dos grupos tróficos também apresentou entre as regiões amostradas e também sazonalmente.
  • IAMARA DA SILVA POLICARPO BRITO
  • Atividade Antimicrobiana de Constrictotermes cyphergaster(Isoptera) e de suas respectivas plantas suporte
  • Data: 12/02/2016
  • Hora: 09:00
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  • A utilização de animais para o tratamento de doenças é comum em diferentes sistemas médicos tradicionais. Entre eles, os cupins (Isoptera) estão entre as espécies mais utilizadas na medicina popular. Muitas dessas espécies se alimentam de vegetais e os usam como suporte, incluindo plantas utilizadas na medicina popular. Esse cenário nos oferece oportunidade de investigação no campo de bioprospecção, uma vez que potenciais atividades microbiológicas desses animais podem estar associadas a suas relações com as plantas. Nessa perspectiva, o presente estudo objetiva investigar o potencial microbiológico da espécie de cupim Constrictotermes cyphergaster e plantas suporte. Foram coletados cinco ninhos de C. cyphergaster em três plantas-suporte de espécies diferentes. Para cada ninho foram retiradas amostras dos cupins, da parede interna do ninho e da casca do caule da planta-suporte, totalizando 60 amostras. Vinte gramas de cada amostra foram submetidas a extração através do processo de maceração a frio, utilizando o etanol como solvente extrator durante cinco dias a temperatura ambiente. Posteriormente, após a filtração, os extratos foram concentrados em evaporador rotatório a 40ºC até completa evaporação do solvente. Os ensaios microbiológicos com esses extratos foram realizados utilizando o método de microdiluição seriada e em triplicata. A partir disso, foram mensurados concentração inibitória mínima (CIM) de cada microrganismo para cada extrato analisado. Os resultados encontrados indicaram que os extratos etanólicos do cupim C. cyphergaster não mostraram uma atividade relevante contra as linhagens de Staphylococcus aureus e Escherichia coli, apresentando uma CIM >1000 μg mL-1. Do mesmo modo foi demonstrado pelos extratos apenas dos ninhos e do cupim junto com o ninho que apresentaram a mesma CIM. Diferentemente dos extratos da casca de Spondias tuberosa (Umbuzeiro), Poincianella pyramidalis (Catingueira) e Amburana cearensis (Cumaru) que demonstraram uma atividade significativa frente as linhagens de S. aureus com uma CIM<1000 μg mL-1 . Em relação aos ensaios sobre atividade moduladora dos extratos testados no presente estudo foi demonstrada a potencialização da maioria dos antibióticos frente as linhagens bacterianas testadas, quando combinados com os referidos extratos tanto para S. aureus quanto para E. coli. Tais resultados indicam que os extratos testados no presente estudo podem vir a ser compostos de origem animal e vegetal com potencial para modificar a atividade de antibióticos, podendo auxiliar a terapia antimicrobiana.
2015
Descrição
  • NIVALDO AURELIANO LEO NETO
  • Dinâmica da caça e conflitos socioambientais no Sertão da Serra Negra- PE
  • Data: 07/12/2015
  • Hora: 14:00
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  • Este estudo abordou a dinâmica que está atrelada à atividade de caça, ao percebê-la como uma forma de experienciar e construir os nichos. Para tal, participaram deste trabalho os povos indígenas Kambiwá e Pipipã, localizados no sertão do Estado de Pernambuco, entrevistando-se 19 índios (7 do povo Kambiwá e 12 do povo Pipipã), que citaram 58 animais, sendo 25 mamíferos, 29 aves e 4 répteis. Se atualmente, por vários fatores, a caça torna-se menos frequente, nem por isto alguns indígenas deixam de realizá-la pois esta, segundo as percepções, seria uma tradição. Por ser dinâmica, a tradição da caça encontra processos de resignificação em um ambiente no qual o desmatamento por parte de nãoíndios, muitas vezes autorizada por órgãos federais, modifica e impõe alterações. A perda do território, do ambiente do povo Pipipã e Kambiwá, faz com que a luta dos indígenas pela manutenção deste se confronte, inclusive, com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO). Os povos indígenas em questão possuem limites de seu território (ancestral e reivindicado), além de extensas narrativas sobre os antepassados, associadas à Serra Negra. Esta, por sua vez, constitui-se em uma Unidade de Conservação, regida por dispositivos específicos e gerida pelo ICMBIO. Procurando compreender tais conflitos e os discursos proferidos pelas partes, foram entrevistados quatro funcionários da referida autarquia, além dos indígenas. Diante disto, compreende-se a historicidade dos ambientes e os processos de co-evolução dos organismos, atuando incisivamente na construção dos nichos. Em tais movimentos, as ações de diversos sujeitos se emaranham, nos alertando para a necessidade de abordagens integrativas e colaborativas, minimizando conflitos que são gerados por percepções postas como antagônicas, rotuladas como oposição de interesses enquanto guardam semelhanças.
  • TIAGO AUGUSTO LIMA CARDOSO
  • Variações temporais e espaciais em comunidades de aves aquáticas no semiárido brasileiro
  • Data: 04/12/2015
  • Hora: 13:00
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  • A Caatinga é uma das regiões naturais brasileiras onde é mais escasso o conhecimento sobre a sua biodiversidade, com destaque para a avifauna. Além disso, é também um dos domínios mais ameaçados e alterados pela ação antrópica. A caça é, sem dúvida, a segu nda grande ameaça que aflige diretamente a biodiversidade da Caatinga. No nordeste brasileiro, a caça de aves silvestres é uma prática bastante comum, envolvendo diversas categorias de uso e técnicas de caça, e tem sido apontado como um fator cultural importante para populações humanas, mas por outro lado, esta prática possui evidentes implicações ecológicas para biodiversidade. Neste contexto, esta tese foi desenvolvida com o objetivo de analisar o conhecimento sobre o uso de aves por populações humanas nas áreas do entorno da Serra de Santa Catarina avaliando quais as espécies que sofrem maior pressão de uso. Além disso, investigar o uso de habitat e a densidade das espécies consideradas ameaçadas de extinção que ocorrem na área estudada. E por último, avaliar o atual estado de conservação das duas espécies ameaçada s de extinção que ocorrem na Serra de Santa Catarina (Xiphocolaptes falcirostris e Penelope jacucaca), com base nos critérios de avaliação do estado de conservação das espécies desenvolvidos pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), e para isto levando-se em consideração os dados de densidade, uso de habitat, análise da distribuição potencial das espécies e dados sobre perda de habitat. Entre os anos 2013 e 2015, obteve-se dados etno-ornitológicos em localidades rurais situadas no entorno imediato da Serra de Santa Catarina – PB através de entrevistas semiestruturadas realizadas com 33 pessoas. Os dados foram analisados calculando -se o valor de uso geral (VUg), atual (VUa), potencial (VUp) e simbólico (VUs) e o índice de prioridade de conservação (IPC) para cada espécie de ave citada. Também foram coletados dados sobre a história natural, uso de habitat e a densidade populacional das espécies P. jacucaca e X.falcirostris a partir de observações diretas, armadilhas fotográficas digitais e vestígios da presença da espécie. Também foi realizada a análise de Modelagem de Distribuição Potencial de Espécies (MDE) com a finalidade de reavaliar o estado de conservação dessas duas espécies. Foram citadas 65 espécies de aves silvestres pertencentes 27 famílias e quatro categorias de uso (alimentar, estimação, medicinal e simbólica). A maioria das espécies capturadas para uso alimentar apresentou maior prioridade de conservação, incluindo a espécie ameaçada de extinção (P. jacucaca). Os dados referentes à alimentação da espécie P. jacucaca indicam uma dieta preferencialmente frugívora, embora tenham sido encontrados alguns registros de consumo de folhas e flores. Registrou-se um total de 24 espécies de plantas pertencentes a 17 famílias relacionadas à dieta de P. jacucaca. Em relação à densidade local desta espécie foi estimada em 13,1 indivíduos/km 2e a análise do uso de habitat indicou uma forte associação com a vegetação de floresta estacional decidual (p = 0,00378) e uma associação negativa com a savana-estépica arborizada (z = -1,6917, p = 0,00003). O MDE indicou uma área de distribuição de potencial de 675.823,27 km2 e os cálculos sobre a cobertura e perdas florestais apontaram um total de 81.307,07 km 2 de habitat disponível no ano 2013, desta forma recomendamos a permanência da espécie P. jacucaca na categoria “Vulnerável”. Já os resultados ara a espécie X. falcirostris evidenciaram uma densidade local estimada em 7,1 indivíduos/km2; a análise do uso de habitat indicou uma forte associação com a vegetação de floresta estacional decidual (p = 0,019363) e uma associação negativa com a savana-estépica arborizada (z = -3,689, p = 0,0,000269); e o MDE indicou uma área de distribuição de 745.051,38 km2 e os cálculos sobre a cobertura e perdas florestais apontaram um total de 46.911,78 km2 de hábitat disponível no ano 2013. Portanto, a partir destes resultados também recomendamos que a espécie X. falcirostriscontinue classificada como “Vulnerável”. As informações obtidas poderão servir como subsídios a futuros projetos de sustentabilidade ambiental que enfoquem o elemento humano envolvido, como também, a ações de conservação para espécies de aves que sofrem maior pressão de uso nesta região. T ambém recomendamos que a Serra de Santa Catarina torne-se uma unidade de conservação integral a fim de aumentar as restrições sobre atividades humanas impactantes e preservar habitats importantes para as espécies X. falcirostris e P. jacucaca.
  • DANDARA MONALISA MARIZ DA SILVA QUIRINO BEZERRA
  • Uso do Habitat e Densidade de Aves Ameaçadas em Extinção e sob Pressão Cinegética em uma área de caatinga prioritária para conservação
  • Data: 27/11/2015
  • Hora: 08:00
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  • A Caatinga é uma das regiões naturais brasileiras onde é mais escasso o conhecimento sobre a sua biodiversidade, com destaque para a avifauna. Além disso, é também um dos domínios mais ameaçados e alterados pela ação antrópica. A caça é, sem dúvida, a segu nda grande ameaça que aflige diretamente a biodiversidade da Caatinga. No nordeste brasileiro, a caça de aves silvestres é uma prática bastante comum, envolvendo diversas categorias de uso e técnicas de caça, e tem sido apontado como um fator cultural importante para populações humanas, mas por outro lado, esta prática possui evidentes implicações ecológicas para biodiversidade. Neste contexto, esta tese foi desenvolvida com o objetivo de analisar o conhecimento sobre o uso de aves por populações humanas nas áreas do entorno da Serra de Santa Catarina avaliando quais as espécies que sofrem maior pressão de uso. Além disso, investigar o uso de habitat e a densidade das espécies consideradas ameaçadas de extinção que ocorrem na área estudada. E por último, avaliar o atual estado de conservação das duas espécies ameaçada s de extinção que ocorrem na Serra de Santa Catarina (Xiphocolaptes falcirostris e Penelope jacucaca), com base nos critérios de avaliação do estado de conservação das espécies desenvolvidos pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), e para isto levando-se em consideração os dados de densidade, uso de habitat, análise da distribuição potencial das espécies e dados sobre perda de habitat. Entre os anos 2013 e 2015, obteve-se dados etno-ornitológicos em localidades rurais situadas no entorno imediato da Serra de Santa Catarina – PB através de entrevistas semiestruturadas realizadas com 33 pessoas. Os dados foram analisados calculando -se o valor de uso geral (VUg), atual (VUa), potencial (VUp) e simbólico (VUs) e o índice de prioridade de conservação (IPC) para cada espécie de ave citada. Também foram coletados dados sobre a história natural, uso de habitat e a densidade populacional das espécies P. jacucaca e X. falcirostris a partir de observações diretas, armadilhas fotográficas digitais e vestígios da presença da espécie. Também foi realizada a análise de Modelagem de Distribuição Potencial de Espécies (MDE) com a finalidade de reavaliar o estado de conservação dessas duas espécies. Foram citadas 65 espécies de aves silvestres pertencentes 27 famílias e quatro categorias de uso (alimentar, estimação, medicinal e simbólica). A maioria das espécies capturadas para uso alimentar apresentou maior prioridade de conservação, incluindo a espécie ameaçada de extinção (P. jacucaca). Os dados referentes à alimentação da espécie P. jacucaca indicam uma dieta preferencialmente frugívora, embora tenham sido encontrados alguns registros de consumo de folhas e flores. Registrou-se um total de 24 espécies de plantas pertencentes a 17 famílias relacionadas à dieta de P. jacucaca. Em relação à densidade local desta espécie foi estimada em 13,1 indivíduos/km 2 e a análise do uso de habitat indicou uma forte associação com a vegetação de floresta estacional decidual (p = 0,00378) e uma associação negativa com a savana-estépica arborizada (z = -1,6917, p = 0,00003). O MDE indicou uma área de distribuição de potencial de 675.823,27 km 2 e os cálculos sobre a cobertura e perdas florestais apontaram um total de 81.307,07 km 2 de habitat disponível no ano 2013, desta forma recomendamos a permanência da espécie P. jacucaca na categoria “Vulnerável”. Já os resultados para a espécie X. falcirostris evidenciaram uma densidade local estimada em 7,1 indivíduos/km 2 ; a análise do uso de habitat indicou uma forte associação com a vegetação de floresta estacional decidual (p = 0,019363) e uma associação negativa com a savana-estépica arborizada (z = -3,689, p = 0, 0,000269); e o MDE indicou uma área de distribuição de 745.051,38 km 2 e os cálculos sobre a cobertura e perdas florestais apontaram um total de 46.911,78 km 2 de hábitat disponível no ano 2013. Portanto, a partir destes resultados também recomendamos que a espécie X. falcirostris continue classificada como “Vulnerável”. As informações obtidas poderão servir como subsídios a futuros projetos de sustentabilidade ambiental que enfoquem o elemento humano envolvido, como também, a ações de conservação para espécies de aves que sofrem maior pressão de uso nesta região. T ambém recomendamos que a Serra de Santa Catarina torne-se uma unidade de conservação integral a fim de aumentar as restrições sobre atividades humanas impactantes e preservar habitats importantes para as espécies X. falcirostris e P. jacucaca
  • GUILHERME SOUZA DE LIMA
  • Caracterização da diversidade genética de Tropidurus hispidus (Squamata: Tropiduridae) na Caatinga
  • Orientador : DANIEL OLIVEIRA MESQUITA
  • Data: 27/10/2015
  • Hora: 08:00
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  • consta na tese
  • JOSÉ RENATO CHAGAS BARBOSA
  • Padrão de castas e ocorrência de um fungo ectoparasita em Rhinotermitidae (Insecta: Isoptera)
  • Data: 16/10/2015
  • Hora: 14:00
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  • A família Rhinotermitidae possui um padrão de castas diverso, com espécies apresentando padrão semelhante ao encontrado nas famílias Kalotermitidae e Termitidae. Essa grande variação pode ocorrer por esse grupo ser polifilético. As espécies Heterotermes longiceps e Rhinotermes marginalis se encontram em subfamílias diferentes dentro de Rhinotermitidae. Portanto, será que os padrões dessas espécies corroboram o encontrado até aqui para as suas subfamílias? Para entender isso, os padrões de diferenciação de castas das espécies H. longiceps e R. marginalis foram investigados. Seis colônias de H. longiceps e quatro de R. marginalis foram coletadas,fixadas em FAA por 24 h e depois transferidas para álcool 80%. Os cupins foram separados por castas e ínstares e mensurados. As 11 variáveis morfométricas foram submetidas a uma análise dos componentes principais (PCA) para inspecionar os dados na tentativa de agrupar os ínstares em nuvens de indivíduos. A diferenciação do sexo das castas ápteras foi feita através do uso do corante carmin em espécimes dissecados. A PCA realizada para H. longiceps agrupou dois ínstares de larvas, dois ínstares de operários, pré-soldado, soldado menor, soldado maior, quatro ínstares de ninfas e alado. A análise do sexo dos indivíduos de H. longiceps mostrou dimorfismo sexual apenas nos soldados. Já o PCA realizado para R. marginalis agrupou cinco ínstares de larvas, dois ínstares de pré-soldado, dois ínstares de soldados, dois ínstares de operários, ergatóide e três ínstares de ninfas. Todos os indivíduos apteros eram fêmeas. As duas espécies analisadas apresentaram apenas operários verdadeiros. O padrão de castas de H. lonciceps é semelhante ao já descrito para Heterotermitinae e Coptotermitinae. Já a espécie R. marginalis apresentou um padrão já conhecido para Rhinotermitinae, que é um grupo monofolético. Não foram encontradas gônadas desenvolvidas nos indivíduos com morfologia de ergatóides.
  • EUDECIO CARVALHO NECO
  • Interações sociais em um grupo de macaco-prego-galego (Sapajus flavius, Schreber, 1774) sob competição induzida por alimento, em área de Floresta Atlântica na Paraíba
  • Data: 29/09/2015
  • Hora: 14:00
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  • Sapajus flavius (Schreber, 1774), espécie de primata neotropical redescoberto em 2006 na Floresta Atlântica nordestina, encontra-se Em Perigo de extinção. Pouco se sabe sobre o comportamento social desta espécie, em particular, a respeito de suas interações sociais agonísticas e afiliativas e sobre a função da barbela, presente em machos adultos. De janeiro de 2014 a janeiro de 2015, um grupo de cerca de 70 indivíduos que habita um fragmento de Floresta Atlântica no Estado da Paraíba, foi observado pelo método “todas as ocorrências” durante um experimento de competição induzida por alimento (milho e cana-de-açúcar). Um total de 76h 46min de observações e 43h 49min de experimento foram obtidos. Quinze comportamentos foram identificados somando 651 registros, distribuídos em três categorias comportamentais: Afiliativos, Agonísticos e Outros. O milho foi o alimento preferido por machos adultos, que demonstraram ter acesso prioritário ao alimento e exibiram maior frequência de comportamentos agonísticos direcionados aos juvenis. As fêmeas receberam e emitiram em maior frequência os comportamentos afiliativos. O comportamento de catação foi frequente entre indivíduos que permaneceram próximos, principalmente entre as díades macho-fêmea. Já o comportamento de esfregar a barbela foi observado em machos adultos utilizando diferentes substratos: tronco de árvore, caixa de experimento, alimentos, cupinzeiros e outros indivíduos, indicando que a barbela pode ser uma estrutura associada ao comportamento de marcação em S. flavius, por machos adultos. Os resultados sugerem que as reduzidas taxas de agonismo por contato físico substituídas por comportamentos agonísticos ritualizados podem favorecer o convívio em grupos com maior densidade.
  • GITÁ JUAN SOTERORUDÁ BRITO
  • Panorama de exportações de peixes ornamentais marinhos brasileiros de 2006 a 2013
  • Data: 23/09/2015
  • Hora: 14:00
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  • A pesca com fins ornamentais movimenta um mercado global e multimilionario; concomitantemente, acarreta impactos ecologicos sobre especies e ambientes, ligados a extracao excessiva e/ou praticas inadequadas de captura. Neste trabalho, foram analisados dados de exportacoes de peixes ornamentais marinhos junto aos registros oficiais gerados pelo governo brasileiro (SISBACEN – Sistema de Informacoes do Banco Central) de 2006 a 2013, como se segue: a quantidade anual e numero de individuos de cada especie, principais estados exportadores e seus paises de destino. Adicionalmente, analisou-se o papel da publicacao de instrucoes normativas na modificacao do quadro e da quantidade das especies comercializadas. No periodo analisado, 38 paises importaram 24.213 peixes de 138 especies, provenientes de sete estados brasileiros, sendo tres do Nordeste (BA, CE e PE), tres do Sudeste (ES, RJ e SP) e um do Norte (PA). O Ceara foi o maior exportador, apresentando 30 paises como alvo comercial. Holacanthus ciliaris foi a especie mais exportada no periodo coberto neste estudo, seguida de Pomacanthus paru e P. arcuatus. Tomando como base as listas publicadas nas instrucoes normativas, pequenas alteracoes foram feitas em relacao ao quadro de especies permitidas para o comercio e ha padronizacao nas quantidades anuais permitidas para cada taxon, sendo as mesmas pautadas em valores de individuos/ano/empresa.
  • KASSIANO DOS SANTOS SOUSA
  • Estudo comportamental de estresse em Hippocampus reidi Ginsburg, 1933 (Teleostei Syngnathidae)
  • Data: 23/09/2015
  • Hora: 08:30
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  • A utilização do peróxido de hidrogênio (H2O2) como forma de prevenção e controle de mortalidades associadas com infecções fúngicas, bacterianas, e de infestações parasitárias em diferentes espécies e ciclos de vida dos peixes é comum na aquicultura. Sabe-se que o H2O2 afeta a atividade de transcrição celular da base-redox, o controle a respostas inflamatórias e as respostas imunológicas, estando diretamente relacionados ao estresse. A grande vantagem do H 2O2é o impacto ambiental mínimo relacionado com a ausência de resíduos tóxicos; nesse sentido, estudos direcionados ao desenvolvimento de protocolos que se utilizem de produtos de baixo risco ambientalpara o tratamento de patologias se fazem necessários. Adicionalmente, estudos que visam ampliar os conhecimentos etológicos como um método não-invasivo de avaliação do bem-estar animal são de grande importância na avaliação do estresse. Neste trabalho, foi realizado um estudo com Hippocampus reidi, visando ampliar o conhecimento a respeito do seu comportamento em condições normais e de estresse, bem como avaliar o impacto e implicações do uso de H 2O2no manejo/cultivo de cavalos-marinhos e possível forma de remediação/mitigação desses efeitos. Foi utilizado um total de 43 espécimes de H. reidi, provenientes da população estoque para cultivo experimental do LAPEC (Laboratório de Peixes – Ecologia e Conservação), Universidade Federal da Paraíba, Brasil. Observou-se que a presença de animais parece ser um fator decisivo na degradação do H2O2, por acréscimo de matéria orgânica e bactérias ao sistema, como também pela própria absorção por parte dos animais. Foi constatado ainda que o H2O2 tem o potencial para ser usado em tratamento por imersão (banho) em H. reidi, tendo em vista que concentrações abaixo de 545 µM mostraram-se seguras em um período de 60 min de exposição para a espécie. Por outro lado, o peróxido de hidrogênio é tóxico em concentrações igual/superior a 599 µM e teve profundo impacto sobre o peso, comportamento e frequência respiratória em H. reidi. Foi testado também se Mnporfirina MnTE-2-PyP5+(MnP) é um potencial antioxidante catalítico para manutenção e cultivo de H. reidi, minimizando os impactos causados por tratamentos de altas concentrações de H2O2. Os resultados iniciais obtidos mostraram que o MnP foi benéfico a H. reidi, uma vez que minimizou os impactos causados por tratamentos de altas concentrações de H2O2a longo prazo, apresentando assim um amplo potencial a ser estudado nessa área.
  • SHAKA NOBREGA MARINHO FURTADO
  • Comunicação química e acústica no reconhecimento de parceiro em cavalo-marinho Hippocampus reidi Ginsburg, 1933
  • Data: 16/09/2015
  • Hora: 09:00
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  • A produção de sons é utilizada por diversos grupos animais para transmitir informações acerca de um emissor. Não obstante, peixes desenvolveram a maior diversidade de mecanismos de produção sonora e a utilização desse sinal acústico já foi reportada para várias espécies dentro do contexto de escolha de parceiro. O objetivo deste trabalho foi verificar se fêmeas de cavalo-marinho Hippocampus reidi apresentam fonotaxia positiva ao som do clique de macho intraespecífico. Para isto, realizamos experimentos de playback, nos quais foram fornecidos às fêmeas dois tipos de som: um controle e um estímulo. Registrou-se um total de 9000 segundos de experimento, e para as análises, foram considerados os 7200s em que as fêmeas estiveram em atividade. As fêmeas testadas não demonstraram fonotaxia positiva ao clique de corte. Também não foi observado nenhum efeito do playback na fêmea durante o tempo que ela ficou na zona do som estímulo (Kruskal-Wallis = 4.1272, p >0.05), indicando que o sinal acústico (clique de corte) não foi o suficiente para obter preferência da fêmea. Assim, destaca-se a necessidade de examinar as outras modalidades de comunicação, a fim de verificar se Hippocampus reidi utiliza-se de um sistema de sinalização multimodal de seleção sexual
  • NICOLAS EUGENIO DE VASCONCELOS SARAIVA
  • Sistemática e biogeografia dos opiliões Gonyleptidae da Mata Atlântica Nordestina ao Norte do Rio São Francisco e Brejos Nordestinos
  • Data: 31/08/2015
  • Hora: 08:30
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  • Os opiliões representam a terceira maior ordem dos aracnídeos e o Brasil é o país que apresenta o maior número de espécies, por volta de 950, graças à sua extensão continental e às florestas úmidas. A Mata Atlântica concentra a maior parte das espécies conhecidas, em parte devido ao maior esforço de coleta empregado neste bioma. Por causa dessa quantidade de espécies, um grande esforço deve ser alocado para organizar esse excesso de informação. Aliado a isso, a taxonomia de muitos grupos de opiliões ainda é baseada no sistema roeweriano de classificação, uma metodologia de seleção de caracteres desenvolvida pelo pesquisador Roewer que se baseia em categorias taxonômicas limitadas, que acabou por gerar grande confusão e agrupamentos monotípicos. A subfamília Pachylinae, inserida na família Gonyleptidae, representa bem esses problemas taxonômicos. Ela é a maior subfamília dentro dos Gonyleptidae, com cerca de 396 espécies. A subfamília Gonyleptinae também passa pelos mesmos problemas, apresenta 142 espécies. No nordeste brasileiro, ao norte do Rio São Francisco, a subfamília ocorre de forma relictual, descontínua, em contraste com o resto da Mata Atlântica, onde ela ocorre de forma contínua. Boa parte dessas espécies são de gêneros monotípicos que precisam de uma revisão quanto a sua integridade. O trabalho tem como objetivo revisar a sistemática das subfamílias Pachylinae e Gonyleptinae da Mata Atlântica do nordeste ao norte do Rio São Francisco, descrever novas espécies, revisar a integridade de gêneros ditos por ocorrer no Ceará, gerar árvores filogenéticas procurando as relações de parentesco entre as espécies, e testar hipóteses biogeográficas. Como resultado foram encontradas cinco novas espécies: duas pertencentes ao gênero Gyndoides, sem ocorrência para o Nordeste até o momento, uma espécie possivelmente de um novo gênero, uma de Parapachyloides e uma de Eusarcus. Os gêneros Paradiscocyrtus e Discocyrtulus foram sinonimizados com Discocyrtus, e a ocorrência desses dois gêneros no nordeste do Brasil são muito provavelmente frutos de erros de identificação do material recebido por pesquisadores da Alemanha. Três análises filogenéticas foram feitas, uma para as espécies do gênero Eusarcus, uma para evidenciar os relacionamento entre as espécies de Parapachyloides e Cearinus com outros representantes da subfamília Gonyleptinae e outra com os representantes da subfamília Pachylinae supracitados. Uma análise biogeográfica de eventos foi feita com Eusarcus que mostra a história biogeográfica da espécie nova em relação as suas espécies mais próximas. É feita uma discussão sobre as implicações para o entendimento da biogeografia do nordeste brasileiro das mudanças sistemáticas apresentadas aqui.
  • ARTHUR RAMALHO MAGALHÃES
  • Pequenos mamíferos em remanescentes florestais da Grande João Pessoa: como comunidades e populações respondem à urbanização?
  • Data: 27/08/2015
  • Hora: 08:30
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  • A urbanização é o aumento da densidade dos assentamentos humanos associados a intensificação do uso da terra e tem um efeito profundo e duradouro sobre o ambiente,na vida silvestre. A expansão urbana tende a ocupar e dar usos antrópicos aos remanescentes florestais criando um espaço com relações ecossistêmicas alteradas e restruturadas dentro de uma paisagem praticamente nova. Nesse contexto, as comunidades de organismos passam por diferentes modificações. A mata atlântica sofre grande influência da urbanização e possui uma grande diversidade de pequenos mamíferos não voadores. Visto isso, a cidade de João Pessoa e o estuário do Rio Paraíba passam por uma intensificação nos seus índices de crescimento urbano, porém em comparação com outras capitais manteve uma porcentagem alta de remanescentes florestais (30,67 %) caracterizando um bom modelo para se estudar as influências da urbanização sob esses remanescentes e como seus organismos respondem a essa influição. A sinurbanização (que é o ajuste que comunidades e populações sofrem associadas às condições específicas do ambiente urbano) afeta comunidades através da exclusão de espécies nativas e inclusão de espécies exóticas, por exemplo. Enquanto populações sofrem alterações de diferentes naturezas: tempo de vida, razão sexual, peso e tamanho de adultos e comportamento podem modificar em ambiente urbano.
  • FRANCIS LUIZ SANTOS CALDAS
  • Taxocenoses de anuros em ambientes com diferentes regimes de sazonalidade da região Nordeste do Brasil.
  • Data: 26/08/2015
  • Hora: 08:00
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  • Investigar a sinergia entre fatores históricos e ecológicos tornou-se comum no entendimento da organização das taxocenoses. Nesse estudo procuramos compreender quais desses fatores exercem maior influência sobre os nichos espacial e trófico de anuros de Caatinga e Mata Atlântica, assim como cada ambiente pode influenciar aestrutura filogenética de suas taxocenoses. Realizamos coletas de 15 dias contínuos nas estações seca e chuvosa utilizando “busca ativa” e armadilhas do tipo “pitfall-trap”. Coletamos dados de uso do microhábitat e dieta dos espécimes. A dieta das taxocenoses de Caatinga esteve mais estruturada do que as de Mata Atlântica. Fatores ecológicos agiram mais sobre o nicho trófico do que sobre o espacial, todavia, apresentaram menos efeito que os fatores históricos, indicando ação de adaptações tróficas passadas. O avanço do período seco geralmente provoca maior estruturação na dieta das taxocenoses. Provavelmente as restrições hídricas da Caatinga influenciam mais os artrópodes (presas) levando a uma maior segregação de nichos. As diferenças entre Caatinga e Mata Atlântica demonstram ação de fatores locais, mais atuantes no primeiro bioma. Não observamos padronização de recursos espaciais na maioria das taxocenoses,independente do ambiente e para todas encontramos fortes sinais de conservantismo denicho. O efeito filogenético detectado para o nicho espacial reforça a clara separação entre linhagens arborícolas e terrestres/semiaquáticas que surgiu no Cretáceo. Por fim, apesar dos distintos padrões de estrutura, não foi detectada complementaridade entre os nichos. Nenhuma das taxocenoses esteve filogeneticamente estruturada e mesmo a existência de um possível “filtro ecológico” na Caatinga não foi capaz de definir um maior “agrupamento filogenético” neste ambiente.
  • NAYARA DE ALCÂNTARA CARDOSO
  • A influência da vegetação na ocorrência de Cacajao calvus calvus (Primates, Pitheciidae) e Cacajao calvus rubiundus nas áreas limites da distribuição geográfica na Reserva Mamirauá, AM
  • Data: 21/08/2015
  • Hora: 09:00
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  • Consta na tese.
  • TALITA CAMPOS OLIVEIRA
  • Morfometria e metabólitos sanguíneos como medidas de condição corporal para Carollia perspicillata (Chiroptera, Phyllostomidae) em uma área de Mata Atlântica no Nordeste do Brasil
  • Data: 30/07/2015
  • Hora: 14:00
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  • Índices de Condição Corporal (ICC) são utilizados para estimar as reservas energéticas de organismos em relação a uma medida linear da estrutura corporal. Esses ICCs, no entanto, nem sempre são validados, o que pode acarretar no uso errôneo de um índice para determinada população. No presente trabalho, validamos seis ICCs retirando a influência da medida linear utilizada através de correlações não-paramétricas. Outro método de validação foi a utilização de metabólitos sanguíneos (glicose e cetona) para verificar se o estado fisiológico corroborava a condição observada. O trabalho foi realizado na Reserva Biológica Guaribas, localizada em Mamanguape – PB, Brasil. A espécie-alvo do trabalho foi o quiróptero Carollia perspicillata (Chiroptera, Phyllostomidae). O índice de melhor desempenho de acordo com a retirada da influência da medida linear foi Razão Simples, enquanto a glicose apontou Massa Observada como ICC de melhor performance. A cetona não obteve correlações significativas com nenhum dos ICCs utilizados, portanto não é um metabólito adequado para validação de ICCs. Os dois ICCs de melhor desempenho de acordo com cada método de validação foram testados com parâmetros como sazonalidade, período de atividade, sexo, idade, presença de ectoparasitos e volume de material fecal coletado. Os índices de Razão Simples e Massa Observada variaram significativamente com o horário de atividade e presença de material fecal. C. perspicillata apresentou uma condição corporal estável ao longo do ano e entre as estações seca e chuvosa, não sofrendo variações significativas entre os sexos nem de acordo com a presença de ectoparasitos.
  • LUANE MARIA MELO AZEREDO
  • Técnicas não-destrutivas para avaliar a condição corporal de Neopelma pallescens em uma área de Mata Atlântica no Nordeste do Brasil
  • Data: 29/07/2015
  • Hora: 14:00
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  • Condição corporal é um termo usado para indicar uma medida da reserva de energia do animal. Tal medida pode expressar a reserva de gordura, saúde e bem-estar, assim como o status de alimentação de um indivíduo. O acúmulo de reservas de energia para as aves é importante para as épocas de reprodução e de migração. Devido a possíveis correlações com fatores ecológicos, a condição corporal dos animais tornou-se de grande interesse para pesquisadores, conservacionistas que passaram a usar métodos alternativos, em vez de sacrifício dos animais. Entre as diversas maneiras de medir a condição corporal de um indivíduo, estão os índices de condição corporal morfométricos e fisiológicos (CCI). Este estudo teve como objetivo avaliar a condição do corpo do passeriforme neotropical Neopelma pallescens através de técnicas não destrutivas, a fim de correlacionar os dados de condição corporal com o período reprodutivo, infestação parasitária, a sazonalidade ambiental e o período de atividade diário. Os índices fisiológicos apresentaram resultados significativos quanto ao período de atividade, o período de incubação e a infestação parasitária, enquanto o índice morfométrico mostrou correlação significativa apenas com o estado de incubação da ave. A falta de variação sazonal de ambos os índices é possivelmente devido à falta de um período de escassez de alimentos na região tropical demonstrando que a ave não tem o seu estado nutricional alterados, nem precisa acumular gordura em seu corpo, como uma prevenção à abstinência de alimentos Os dados mostraram que os índices fisiológicos são aparentemente mais sensíveis na detecção de alterações na condição corporal do que os índices morfométricos, pois a fisiologia mostrou ser capaz de expressar informações sobre o estado da ave que não podem ser observadas através de morfometria.
  • RAFAELA CANDIDO DE FRANCA
  • Determinação do status de conservação das serpentes da Floresta Atlântica da Paraíba
  • Data: 28/07/2015
  • Hora: 14:00
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  • Devido ao elevado nível de perturbações nos ecossistemas naturais e a progressiva perda de hábitats provenientes da ocupação antrópica, a conservação da biodiversidade representa um dos maiores desafios atuais. Para a conservação das espécies torna-se de extrema importância tanto o conhecimento detalhado sobre sua história natural e sua biologia, quanto informações sobre a sua distribuição geográfica e seu potencial de ocorrência. Nesse estudo, avaliamos a vulnerabilidade à extinção de 53 espécies de serpentes que ocorrem na Floresta Atlântica da Paraíba, produzindo índices de vulnerabilidade a partir de 10 fatores que podem influenciar a sobrevivência das populações de serpentes (comprimento total do corpo, tamanho da ninhada, amplitude da dieta, amplitude do habitat, distribuição e raridade na área de estudo, adaptabilidade a ambientes alterados, cor da espécie, e atropelamento). Um índice de vulnerabilidade foi obtido pela média dos fatores de ameaça para todas as espécies, e os resultados indicam que apenas 11% da fauna de serpentes dessa região está livre de qualquer ameaça. A espécie aquática Helicops angulatus foi a serpente que apresentou o menor risco, enquanto Siphlophis compressus, Xenopholis undulatus e Lachesis muta apresentaram o maior risco a extinção. Além disso, utilizamos uma técnica de modelagem geoestatística (Krigagem) para analisar a distribuição potencial das espécies de serpentes mais vulneráveis a extinção, e verificar se a distribuição de unidades de conservação nesta região é suficiente para proteger e conservar essas espécies. Observamos que alguns pontos representativos de espécies vulneráveis e ameaçadas ficaram dentro de Áreas Protegidas, no entanto algumas dessas áreas são pequenas para uma proteção eficaz. Além disso, outros pontos destas espécies não foram contemplados por nenhuma dessas áreas.Esse trabalho apresenta o primeiro panorama sobre o status de conservação das espéces de serpentes na porção setentrional da Floresta Atlântica, e contribui para uma melhor avaliação de um planejamento de conservação desse grupo, na região.
  • LUCAS DE LIMA SEIXAS SANTANA
  • Distribuição de três espécies de Amazilia (Aves: Trochilidae) no nordeste oriental do Brasil
  • Data: 28/07/2015
  • Hora: 08:30
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  • Estudos biogeográficos buscam compreender os padrões de distribuição dos grupos biológicos, levando em consideração fatores históricos e ecológicos. No nordeste oriental do Brasil, poucos são os estudos realizados nesse âmbito. Nessa região ocorrem três espécies de beija-flores, A. leucogaster, A. versicolor e A. fimbriata, que, por possuírem proximidade filogenética -pertencerem ao mesmo gênero -, e serem simpatricas, podem ser potenciais competidoras e não co-ocorrerem. Mas, caso co-ocorram, podem ser sintópicas, devido à divergência em alguma dimensão de nicho. No intuito de compreender que fatores históricos e ecológicos moldam a distribuição dessas espécies, revisamos as ocorrências das três espécies, analisamos distribuição potencial com base em aspectos do nicho e revisamos as filogenias do grupo. Para tal, utilizamos QGis 2.9, R 3.0.1 (Maxent), variáveis bioclimáticas do WorldClim, Statistic 7.0 (ANOVA one way) e as filogenias recentemente publicadas. Registramos 232 pontos de ocorrência, (94%) dos pontos estão associados a áreas florestais, e apenas 15 (6%) ocorreram em ambientes abertos. A co-ocorrência entre A. leucogaster e A. fimbriata pode ser facilmente explicada tanto pela distância filogenética como pela divergência de nicho, visto que foram as espécies com dados mais distintos, quando observados esses fatores. Não existe simpatria de A. leucogaster e A. versicolor. As performances dos modelos e teste o ANOVA indicam que A. fimbriata e A. versicolor mostram-se mais similares no nicho fundamental, enquanto o nicho de A. leucogaster é influenciado de forma diferenciada pelas variáveis. A. leucogaster, a mais recente dentre as três, tem a história da linhagem ligada a ambientes do Quaternário, relacionadas às florestas costeiras. A. versicolor possuem história baseada na expansão de matas úmidas do Mioceno Superior e Plioceno. Já A. fimbriata possui uma história que vai desde o Mioceno Superior até o Pleistoceno Médio, também relacionada à expansão das florestas. Tanto por Amazilia não ser um grupo monofilético quanto por A. fimbriata apresentar dados ecológicos e históricos que representam uma divergência evolutiva, sugerimos uma representação taxonômica distinta, a nível de gênero, para essa espécie.
  • ALZAIR DA COSTA SILVA
  • Diferenciação de Castas em Inquilinitermes fur (Isoptera, Termitidae)
  • Data: 27/07/2015
  • Hora: 14:00
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  • A família Termitidae é uma das mais diversificadas e abundantes entre os térmitas e seu padrão de desenvolvimento de castas apresenta um ponto de decisão irreversível a partir da primeira muda originando duas linhagens, uma ninfal e outra áptera. Nesse estudo, o padrão de desenvolvimento de castas de Inquilinitermes fur, uma espécie de Termitidae que é inquilina obrigatória dos ninhos arborícolas de Constrictotermes cyphergaster, foi investigado. Doze ninhos foram coletados durante um período de um ano, com coletas realizadas a cada 60 dias, no período de Outubro de 2011 a Agosto de 2012 em uma área de Caatinga situada na Fazenda Moreira, município de São João do Cariri, Paraíba. Para as análises dos dados morfométricos foram utilizadas 11 variáveis das larvas, operários, pré-soldados, soldados, ninfas e alados. A análise de componentes principais (PCA) e a ANOVA foram utilizadas para determinar os ínstares dentro de cada linhagem. Os dados mostraram que a espécie apresenta um padrão de castas aproximadocom a família Termitidae, apresentando uma linhagem ninfal, porém não foram encontrados os cinco ínstares ninfais, e outra linhagem áptera, apresentado apenas um ínstar para soldado, pré-soldado e operário. As determinações de sexo foram feitas em operários, soldados. Assim como a maioria dos estudos feitos com Termitinae, foram encontrados indivíduos machos e fêmeas na casta operária precedida por dois ínstares larvais. Para soldados também foram encontrados machos e fêmeas, assim como as duas espécies de Amitermes estudados, onde não foi encontrado dimorfismo sexual tanto em soldados quanto em operários. Esse trabalho pioneiro no estudo do padrão de desenvolvimento de castas de I. fur mostrou que esta espécie, mesmo sendo inquilina obrigatória de C. cyphergaster e possuir um hábito de vida diferente, mantém o mesmo padrão “bifurcado” de diferenciação de castas.
  • LUANA MOREIRA RESENDE
  • Composição e etnotaxonomia da comunidade de peixes do Estuário do Rio Camaratuba, litoral Norte, Paraíba, Brasil
  • Orientador : RICARDO DE SOUZA ROSA
  • Data: 27/04/2015
  • Hora: 14:00
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  • Consta na dissertação.
  • EVERTON PRATES LORENZO
  • A diversidade de opiliões da área de endemismo Pernambuco: seriam os padrões ecológicos condizentes com a proposta histórica?
  • Data: 09/04/2015
  • Hora: 14:00
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  • A distribuição dos animais na superfície do planeta não é randômica, mas seguem diferentes padrões de acordo com a região do globo e das espécies objeto de estudo. A ciência que estuda esses padrões é a biogeografia e é tipicamente separada nas vertentes ecológica e histórica. Apesar dessa separação, esses dois ramos podem ser estudados de forma complementar, buscando uma maior integração entre eles. O objetivo do presente trabalho é estudar a diversidade da fauna de opiliões da Mata Atlântica através de uma abordagem ecológica, mas com inferências históricas sobre os padrões existentes. Esse trabalho visou também preencher a lacuna no conhecimento da fauna de opiliões na região da Área de Endemismo Pernambuco (AEP), estudando as diversidades alfa e beta para a região e extrapolando para a Mata Atlântica. Para tal, foram realizadas coletas em seis localidades ao longo da AEP, com 36 horas de amostragem em transectos de 30x10m e 36 amostras de 50x50cm de peneirado manual de folhiço com extração da fauna por Winkler. Além disso foram utilizados dados de outras três localidades da Paraíba. Foram também levantados dados de ocorrência de outras 22 localidades do Nordeste, totalizando 31 locais. Foram calculados os valores de diversidade alfa para comparar a fauna de opiliões do Nordeste com o Sudeste. Para a análise interna do padrão da AEP, foram realizadas as análises de PCoA e cluster com os índices de Jaccard (presença) e Morisita (abundância), sucedidos por uma ANOSIM das respostas obtidas. Para comparação entre a AEP e as regiões adjacentes, foram realizadas as análises de PCoA e cluster com o índice de Jaccard, sucedidos por uma ANOSIM dos resultado destas análises, além de uma análise de Elementos Estruturais de Metacomunidades (EMS) observar padrões de estruturação, e uma Análise Canônica de Correspondência (CCA) para averiguar as principais variáveis ambientais que estabelecem o padrão. Foi ainda calculada uma matriz par-a-par das localidades pela distância de Jaccard, que foi plotada em mapa, agrupando as localidades por similaridade. Da diversidade alfa para a Mata Atlântica, foi perceptível uma maior riqueza de fauna para a região sudeste em relação ao Nordeste e outras localidades do neotrópico, o que provavelmente é resultado da complexidade geográfica da região sudeste, que propriciou uma maior quantidade de especiações. Para as relações internas da AEP, os testes identificaram uma maior relação entre as áreas de encosta do Planalto da Borborema, o que seria condizente com a Hipótese dos Refúgios do Pleistoceno, onde a fauna se conservaria nas regiões mais elevadas. As áreas da região litorânea apresentam uma menor riqueza que as de encosta, e essa riqueza se reduz no sentido norte, sendo esse padrão condizente com a Hipótese da Região Máxima de Endemismo e o Núcleo de Congruência das Áreas de Endemismo, se localizando na mesma região do refúgio ancestral. Para a relação da AEP com as regiões adjacentes, houve agrupamento das localidades em 3 áreas distintas, sendo a ANOSIM significante para a hipótese gerada do cluster e com os resultados do EMS, dividindo o Nordeste nas reas da Bahia, dos Brejos Cearenses e da AEP. Esse padrão é condizente com os trabalhos de áreas de endemismo já produzidos para opiliões. A CCA revelou a sazonalidade da pluviosidade como principal variável determinante do padrão, e a qual seguiu o padrão das áreas apresentado. De modo geral, as repostas ecológicas foram condizentes com os padrão históricos já encontrados, o que corrobora a ideia de complementariedade das duas disciplinas.
  • JEFTER BARBOSA RODRIGUES
  • Influência de fatores ambientais no padrão de atividade e distribuição de uma taxocenose de serpentes na Floresta Atlântica da Paraíba
  • Data: 07/04/2015
  • Hora: 14:00
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  • Nós estudamos a seleção de microhábitat e a atividade diária de uma taxocenose de serpentes na Reserva Particular do Patrimônio Natural Gargaú, localizada em uma área de Floresta Atlântica, no estado da Paraíba. Quantificamos informações sobre o habitat por meio de parcelas em transectos e relacionamos com a ocorrência das serpentes, também analisamos os períodos do dia em que as serpentes estavam mais ativas, a relação entre a atividade das serpentes e variáveis de condições do tempo, e a influência das fases da lua sobre a atividade das mesmas. As serpentes foram encontradas por terceiros, procuras limitadas por tempo, encontros ocasionais e armadilhas de interceptação e queda. Através de modelos do tipo BRT (Boosted Regression Trees) foi encontrado que as serpentes preferem principalmente áreas ripárias com baixa densidade de árvores e arbustos, muita cobertura vegetal rasteira e troncos caídos com grande diâmetro. A nebulosidade, temperatura e a umidade influenciaram na atividade diária das serpentes enquanto que a velocidade do vento, a ocorrência de chuva e as fases da lua não apresentaram relação. A estrutura florestal bem como a zona climática em que a mesma está inserida foram umas das principais explicações para os resultados encontrados.
  • ALYSSON GUEDES COUTINHO
  • Aves ameaçadas da Mata Atlântica submontana do Nordeste do Brasil: ocorrência, distribuição e seleção de microhabitat
  • Data: 27/03/2015
  • Hora: 14:00
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  • A Mata Atlântica brasileira é a segunda maior floresta pluvial tropical do continente americano e um dos biomas com a maior taxa de endemismos do planeta, sendo também um dos 34 hotspots de biodiversidade do mundo. Boa parte dos Endemismos da Mata Atlântica nordestina está restrita a uma área bem delimitada ao norte do Rio São Francisco, a qual é um dos setores de Mata Atlântica mais ameaçados, principalmente pela fragmentação florestal, sendo considerada uma área prioritária para conservação. Só na porção nordestina da Mata Atlântica, mais precisamente acima do rio São Francisco, são 35 espécies de aves endêmicas, sendo 32 destas, com alto grau de ameaça de extinção. Neste contexto, o presente estudo visou descrever a distribuição e a ocorrência de doze espécies de aves raras e ameaçadas de uma área de Mata Atlântica submontana do nordeste brasileiro, e analisar se há preferência de micro-habitat destas espécies, baseando-se em dados físicos de habitat e dados botânicos. Como resultado, foram obtidos 54 registros de 10 espécies das 12 propostas inicialmente, e do total de registros, foram realiza dos 39 pontos de coleta de dados referentes às variáveis físicas e dados fitossociológicos. Os resultados mostraram que as variáveis selecionadas não foram capazes de responder se a questão do micro-habitat é o fator decisivo para a ocorrência das espécies de aves alvo do estudo, e nem a causa que levaria essas espécies a selecionar tais micro-habitat, o que nos leva a crer que a ocorrência das mesmas, ou a seleção dos territórios, talvez estejam mais relacionadas a efeitos na escala da paisagem, do que efeitos em microescala.
  • WILLIAN FABIANO DA SILVA
  • Revisão taxonômica e análise filogenética do gênero Tmesiphantes Simon, 1892 (Mygalomorphae, Theraphosidae)
  • Data: 27/03/2015
  • Hora: 14:00
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  • Aranhas caranguejeiras do gênero Tmesiphantes (Theraphosinae) foram originalmente descritas por Simon em 1892, monotipicamente baseadas em um casal de T. nubilus. Atualmente, o gênero apresenta oito espécies válidas ocorrentes na Bahia (T. nubilus, T. caymmii, T. amadoi, T. bethaniae e T. hypogeus), Minas Gerais (T. riopretano e T. perp) e Pará (T. aridai). O presente trabalho teve como objetivo revisar taxonomicamente as espécies de Tmesiphantes e realizar uma análise filogenética, testando sua monofilia através de caracteres morfológicos. Os exemplares analisados foram disponibilizados por empréstimos das seguintes instituições/coleções (siglas e localidade): CAD (Minas Gerais), MACN (Buenos Aires, Argentina), Butantan (São Paulo), MNRJ (Rio de Janeiro), MPEG (Pará), MZSP (São Paulo), UFMG (Minas Gerais) e UFPB (Paraíba). Todos os tipos dos gêneros Tmesiphantes (exceto T. caymmii e T. nubilus), Magulla (exceto Magulla obesa) e Melloleitaoina foram examinados, já que os dois últimos são considerados mais relacionados a Tmesiphantes. Seis novas espécies são descritas baseadas na morfologia do bulbo copulador, apófise tibial e formato da espermateca, ampliando a distribuição do gênero para os estados de Alagoas, Goiás, Mato Grosso, Piauí, Paraíba e Pernambuco, ocorrentes na Caatinga, Mata Atlântica e Amazônia brasileira. A análise filogenética contou com 31 táxons terminais e 36 caracteres. Utilizou-se pesagem implícita com K variável, resultando em dois cladogramas igualmente parcimoniosos. O consenso semiestrito também é apresentado para demonstrar as relações não excludentes encontradas, já que o cladograma do consenso estrito apresenta baixa resolução e grande perda de informação filogenética. O gênero Tmesiphantes formou um grupo monofilético junto com os gêneros Magulla e Melloleitaoina em todos os cladogramas resultantes, sugerindo assim a sinonímia entre os três gêneros. Um mapa com a ocorrência das espécies válidas e novas é apresentado. Além disso, uma nova diagnose é proposta para aranhas do gênero Tmesiphantes, agora contendo 22 espécies e ocorrendo nos maiores biomas brasileiros e na Argentina. São agora reconhecidas por apresentarem lábio e maxilas com poucas cúspides, fêmur III mais engrossado que os demais, esterno arredondado com sigilas posteriores alongadas distantes da margem e presença de cerdas urticantes do tipo III e IV no dorso do abdômen.
  • EMMANUEL MESSIAS VILAR GONÇALVES DA SILVA
  • Heterogeneidade das comunidades de morcegos da Mata Atlântica brasileira
  • Data: 27/03/2015
  • Hora: 09:00
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  • A Mata Atlântica abriga cerda de 1-8% de toda a flora e fauna do mundo. Em particular os morcegos deste bioma representam cerca de 64% do total de espécie de quirópteros do Brasil.Dados sobre a composição e abundância de espécies de comunidades de morcegos nunca foram sintetizados e analisados, assim como dados a cerca da distribuição espacial e estruturação dascomunidades de morcegos neste bioma, sobretudo quanto a sua dissimilaridade sob uma perspectivade metacomunidade que pode ser amplamente definida como um conjunto de comunidadesecológicas em locais diferentes (potencialmente, mas não necessariamente ligados por dispersão),enquanto que uma comunidade é um grupo de espécies em um determinado local. Em vista distobusquei avaliar o padrão espacial de coletas realizadas neste bioma e a estruturação dascomunidades de morcegos ao longo da Mata Atlântica brasileira, quanto a sua beta diversidade.Para tanto reuni um banco de dados de 57 artigos somando 342 localidades através de revisão daliteratura. Realizei estatísticas voltadas a distribuição espacial de coletas, do esforço amostral(mediana: 19140h.m²) e para a análise de beta diversidade e metacomunidades. Os resultados apontam que existem coletas em toda a Mata Atlântica com focos de maior densidade no PR, sul do RJ, PB-PE, sul da BA. Lacunas de amostragem publicadas se encontram no ES, AL,SC e RS. As comunidades de morcegos ao longo da Mata Atlântica brasileira tem uma heterogeneidade alta (~0.9) explicada principalmente pelo componente de Turnover e com um baixo componente de aninhamento. Este resultado é valido para analises em 4 escalas espaciais: localidades, grades de 2,5º, 5º e entre as 4 regiões biogeográficas da Mata Atlântica. A estruturação das matrizes de ocorrência de espécies por unidade amostral (como definido acima) apresentam uma estruturação aleatória (não coerente), sem gradiente latitudinal. Oito inventários foram realizados nas quatro regiões biogeográficas da Mata Atlântica dentro do projeto Rede BioMA Inventários: Padrões de diversidade, biogeografia e endemismo de espécies de mamíferos, aves, anfíbios, drosófilas e parasitos na Mata Atlântica (CNPq/PPBIO) na estação chuvosa totalizando um esforço de 99.600 m²h. Foram coletados 935 morcegos, assim como amostras de tecidos para fins de extração de A.D.N. e de diagnósticos parasitológicos de tripanossomatideos (T. cruzi et Leishmania spp.), Hantaviruse Helmintos. A localidade com maior riqueza de foi a APA do Pratigi BA, seguido da Rebio Guaribas, PB; Serra dos Orãos, RJ e Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, SC. Registrei a primeira ocorrência do morcego Ametrida centurioGrey, 1847 para a Mata Atlântica, estendendo sua distribuição em mais de 1000 quilômetros. O espécime foi coletado utilizando redes de dossel a 9m na REBIO Guaribas.
  • TAIS BORGES COSTA
  • Estrutura das taxocenoses de lagartos nos biomas na Caatinga, Cerrado e Amazônia
  • Data: 26/02/2015
  • Hora: 13:00
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  • A tese está dividida em três capítulos. No primeiro capítulo apresentamos a lista de espécies de répteis e anfíbios da Estação Ecológica de Aiuaba, Ceará, Brasil. Registramos 36 espécies distribuídas em 19 famílias para a unidade de conservação (15 lagartos, uma anfisbena, 10 serpentes, um quelônio e 9 anfíbios). No segundo capítulo investigamos a existência de padrões de estruturação, averiguando a influência dos fatores ecológicos e históricos, na dieta e no uso de microhábitat de uma taxocenose de lagartos do biomaCaatinga, a Estação Ecológica Raso da Catarina, estado da Bahia. Verificamos que a taxocenose está estruturada na dieta e no uso de microhábitat e que não há efeitos históricos na dieta e no uso do microhábitat. Contudo, encontramos influência histórica e filogenética para uso do microhábitat e morfometria. Os resultados sugerem uma maior tendência à dispersão filogenética com atuação de fatores ecológicos, tais como a competição. No terceiro capítulo, foco principal da tese, nós caracterizamos e comparamos a estruturação das taxocenoses dos biomas Caatinga, Cerrado e Amazônia, no que se refere dieta e microhábitat, e testamos a hipótese de que as taxocenoses mais estruturadas serão aquelas dos ambientes mais extremos no que se refere às variáveis ambientais. Averiguamos que praticamente nenhum dos biomas apresentou efeito histórico para a dieta e microhábitat. Quanto mais alimento disponível, mais as espécies da Caatinga e Cerrado expandem seus nichos. Os índices de sobreposição alimentar e espacial médios não se alteraram de acordo com as variáveis ambientais. Os resultados implicam que, para a estrutura filogenética, há tendência a maior atuação dos fatores ecológicos, e.g. competição, nas taxocenoses da Caatinga do que nas taxocenoses da Amazônia e Cerrado.
  • AMANDA DO REGO BARROS MATOS
  • Taxonomia de Cirratulidade (Polychaeta, Annelida) da Costa Nordestina do Brasil
  • Data: 20/02/2015
  • Hora: 14:00
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  • Atualmente se tem conhecimento de mais de 10.000 espécies de poliquetas distribuídas em 87 famílias registradas em todo o mundo e cerca de 800 espécies em 57 famílias presentes na costa brasileira. No Nordeste, menos de 350 espécies foram registradas. A família Cirratulidae Ryckholt, 1851 é chamada vulgarmente de verme macarrão por possuir vários filamentos tentaculares e branquiais ao longo do corpo. São animais detritívoros e ocorrem em todo mundo. Este trabalho objetivou o levantamento e a taxonomia de poliquetas da família Cirratulidae presente no litoral nordestino do Brasil. A maioria do material estudado pertence à Coleção de Poliqueta do Laboratório de Invertebrados Paulo Young da Universidade Federal da Paraíba. Também foram analisadas outras coleções provenientesde coletas realizadas desde a década de 80 até 2014, ao longo do litoral nordestino, entre a zona entremarés e o infralitoral. São fornecidos chave de identificação, descrições e ilustrações para os táxons encontrados. Os exemplares foram morfologicamente analisados sob estereoscópio e microscópio ótico. Foram encontradas, identificadas e descritas 21espécies, sendo 7 espécies novas, distribuídas em 7 gêneros, com novas ocorrências para o Nordeste do Brasil. O gênero Timarete foi o mais representativo, com as espécies Timarete filigera (Delle Chiaje, 1828) e T. punctata (Grube, 1859) sendo as mais encontradas em todas as amostras.
  • CAIO BEZERRA DE MATTOS BRITO
  • Variação molecular, acústica e paleodistribuição potencial de Myiothlypis flaveola (Aves: Parulidae)
  • Data: 20/02/2015
  • Hora: 14:00
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  • Esta dissertação apresenta dados referentes a dois estudos realizados com Myiothlypis flaveola e, por este motivo, os separamos em dois capítulos: Variação molecular e acústica de Myiothlypis flaveola (Passeriformes, Parulidae) não é influenciada por estabilidade climática histórica em diferentes ambientes no nordeste brasileiro (Capítulo 1) e Paleodistribuição potencial e variação acústica de Myiothlypis flaveola (Aves, Parulidae) (Capítulo 2). O objetivo do primeiro capítulo foi testar as hipóteses de estruturação genética e vocal de populações de M. flaveola, entre habitats de Florestas Estacionais Deciduais (FEDs) e Floresta Atlântica (FA) no nordeste brasileiro utilizando um marcador molecular (cytb) e o canto espontâneo da espécie. Foram utilizadas as metodologias cabíveis para coleta de amostras, extração de DNA e posterior amplificação e sequenciamento. As gravações foram obtidas pessoalmente ou em museus e bancos de dados públicos. Os resultados obtidos sugerem que M. flaveolaé uma espécie relacionada a ambientes florestais associados a “Diagonal de formações abertas” da América do Sul e que possui uma baixa taxa de variabilid ade genética, como táxons de ambientes abertos e diferentes de táxons de floresta úmida. As variações moleculares e acústicas não apresentaram estruturação entre populaçõesamostradas no nordeste brasileiro. Já no segundo capítulo, buscou-se verificar a influência de fatores paleoclimáticos na distribuição de M. flaveola e associar esses resultados à variação vocal entre as populações das duas subespécies reconhecidas (M. f. flaveola e M. f. pallidirostris), utilizando o canto espontâneo da espécie. Através de nossas modelagens de nicho ecológico (ENM) obtivemos quatro modelos referentes aos quatro períodos que abordamos neste estudo (Presente, Holoceno, LGM e LIG). Não encontramos estruturação geográfica entre medidas das gravações de M. f. pallidirostris(populações ao norte da Amazônia) e M. f. flaveola (populações ao sul e sudeste da Amazônia). As populações de M. f. flaveola e M. f. pallidirostris não apresentaram diferenças significativas em seus cantos espontâneos, além das ENMs terem propostouma conexão recente (LGM e LIG) entre as duas populações, hoje isoladas. Mais pesquisas com amostragens genéticas são necessárias para complementar nossos dados.
  • RAONE BELTRAO MENDES
  • Plasticidade ecológica e comportamental em ambiente hostil - o manguezal como último refúgio de Cebus xanthosternos Wied-Neuwied 1820
  • Data: 30/01/2015
  • Hora: 14:00
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  • O macaco-prego-do-peito-amarelo, Cebus xanthosternos, é considerado criticamente ameaçado de extinção pela IUCN, principalmente pela perda de habitats e redução das populações. Suas habilidades comportamentais, típicas dos macacos-prego (lato sensu), os permite ocupar uma ampla variedade de habitats encontrados dentro de sua área de distribuição, inclusive o manguezal. Apesar de altamente produtivo, os manguezais são caracterizados por uma baixa diversidade de espécies arbóreas, em particular aquelas que produzem frutos comestíveis, componente primário da dieta dos macacos-prego. Manguezais também estão ameaçados em decorrência da expansão urbana e transformação do uso do solo. Apesar disso, C. xanthosternos é observado nos manguezais ao longo da região costeira de sua distribuição. Com base nisso, o presente trabalho tem por objetivos, então, (i) determinar os fatores que induzem C. xanthosternos a ocuparem os manguezais, (ii) identificar quais importantes características de sua ecologia que os habilita a sobreviver nesse tipo de ambiente, e (iii) entender a dinâmica populacional da espécie em manguezais, de modo a estabelecer medidas de conservação eficazes que favoreçam ambos a manutenção dos manguezais e a sobrevivência das populações residentes de C. xanthosternos. A presença de C. xanthosternos ao longo da região costeira da distribuição da espécie, foi confirmada através de entrevistas (abordagens nãodiretivas e bola de neve) a moradores das comunidades humanas próximas a áreas de manguezais. Para identificação das características ecológicas da espécie indispensáveis à sua sobrevivência, monitorou-se a população da espécie na Ilha do Cabeço, foz do Rio São Francisco, município de Brejo Grande, Sergipe (Brasil), através de armadilhas fotográficas (Acorn, LTL-5210A), para avaliação do uso de habitat e habilidades comportamentais. Amostras fecais também foram coletadas com o uso de armadilhas de liteira, para posteriores análises. Um grupo cativo de C. xanthosternos foi monitorado em um recinto em formato de ilha, no Zoológico de Salvador, em busca de dados complementares sobre o comportamento da espécie no contexto de um habitat com interface com a água. Para avaliar a dinâmica populacional e o estabelecimento de medidas de conservação, uma série de imagens de satélite foram analisadas para compreensão da morfodinâmica local do complexo de manguezais da foz do Rio São Francisco. Essas informações foram analisadas em associação às informações obtidas através da população local sobre a presença dos macacos-prego e eventuais movimentações de indivíduos entre as populações identificadas na região. Foram visitadas 61 localidades durante o levantamento, com a identificação de oito localidades com presença de C. xanthosternos em mangue. Em três casos, a presença da espécie é ocasional, relacionada principalmente ao acesso às áreas de apicum próximas aos manguezais, enquanto em cinco localidades as populações da espécie são residentes permanentes. A presença permanente da espécie nos manguezais está associada ao tamanho dos fragmentos de mangue e à perda de habitats florestados, via de regra em decorrência da expansão urbana e agrícola. As estratégias de uso do habitat sugerem sazonalidade, com diferenças entre taxas de visitação quanto à média de número de indivíduos e o tempo total, registradas em nas estações amostrais P02, P04, P05 e P06, entre as estações chuvosa e seca, embora sem diferenças significativas. A ecologia comportamental de C. xanthosternos relacionada à sua sobrevivência em manguezais inclui (a) uso de ferramentas como varetas e 'pesca manual' para itens na água (observações em cativeiro), (b) uso de protoferramentas no processamento de recursos específicos como caranguejos (Ucides cordatus, Goniopsis cruentata, Aratus pisonii), (c) exploração de culturas agrícolas (Coco, Cocos nucifera; feijão, Phaseolus sp.; aipim, Manihot sp.; milho, Zea mays; melancia, Citrullus sp.; e dendê, Elaeis guineensis) em plantações vizinhas, (d) consumo de peixes e camarões, quando nos covos. A configuração do manguezal na foz do Rio São Francisco modificou-se gradualmente, porém com constância, através do tempo, com consequente modificação dos canais e das porções de mangue, com progressiva junção e separação dessas diferentes porções. Tal cenário tem e teve efeito direto nos processos de migração - tanto no passado, quanto no presente - de indivíduos entre as três populações atuais de C. xanthosternos encontradas no complexo de manguezais da foz do Rio São Francisco. As medidas de conservação necessárias para a espécie nesse ecossistema incluem a regulação do uso do solo, para minimizar a perda de habitat, bem como o estabelecimento de eventuais pontos de migração entre os fragmentos, para garantir o fluxo gênico entre as populações isoladas. Programas de manejo também podem ser implantados, mesmo que em intervalos de tempo relativamente grandes, para garantir a renovação da variabilidade genética das populações isoladas e minimizar os efeitos dos processos estocásticos.
  • RENATA ROCHA DEDA CHAGAS
  • Ecologia, Comportamento e Associação Interespecífica de Callicebus coimbrai e Callithrix jacchus, no Refúgio da Vida Silvestre Mata do Junco, Sergipe, Brasil
  • Data: 29/01/2015
  • Hora: 14:00
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  • O mais importante parâmetro comportamental em qualquer espécie animal é o forrageio, e o tempo gasto nesta atividade influencia todos os outros aspectos do padrão comportamental das espécies. Neste estudo, dois grupos, um de Callicebus coimbrai e outro de Callithrix jacchus,foram monitorados durante três períodos de três meses (Jan-Mar e Jun-Ago, 2012, e Jan-Mar, 2013) em um fragmento de floresta Atlântica (522 ha), com o objetivo de determinar padrões ecológicos, comportamentais e possíveis interações interespecíficas em uma escala sazonal e longitudinal. O grupo de Callicebus dedicou a maior parte do seu tempo (46,4%) ao descanso, enquanto o grupo de Callithrix gastou mais tempo forrageando (37,2%). Callicebus comeu principalmente frutos (70,9%), enquanto Callithrix ingeriu exsudatos (41,9%) e frutos(41,0%) em proporções similares. O grupo de Callicebus ocupou uma área de vida de 8,6 ha, e foi observado mais frequentemente nos estratos médios a alto (6 – 14 m), enquanto que o grupo de Callithrix utilizou o estrato inferior (0 – 8m) de uma área de vida muito menor (3,7 ha). Quando o foco do monitoramento foi o grupo de Callicebus, este passou 14,8% de seu tempo de atividade diária em associação com Callithrix. Quando o grupo de Callithrix foi monitorado, este gastou 6,8% de seu tempo associado com Callicebus. Essas baixas frequências de associação indicam que a interação interespecífica é mais aleatória do que sistemática. Enquanto o grupo de Callithrix ocupou uma largura de nicho maior que Callicebus, tanto para item alimentar quanto para uso do espaço vertical, as diferenças não foram significantes. Sazonalmente, o grupo de Callicebus consumiu uma grande proporção de recursos alternativos (menos energéticos, por exemplo: folha) durante a estação seca. Entretanto, enquanto o grupo minimizou o gasto energético durante a estação seca de 2012, seguiu uma estratégia oposta (maximização de energia) durante o mesmo período em 2013. Em contraste, o grupo de Callithrix seguiu uma estratégia de maximização de energia, consumindo mais fruto durante a estação chuvosa e grandes quantidades de exsudato durante todo o ano. Apesar das baixas taxas de associação, ambos Callithrix e Callicebus reduziram a largura de nicho e encurtaram distâncias durante a estação chuvosa. No geral, os resultados desse estudo indicaram que C. coimbrai foi bem adaptado aos efeitos da perda e degradação do hábitat, pelo menos a curto e médio prazo, enquanto C. jacchus foi altamente tolerante a qualquer tipo de hábitat perturbado. Enquanto aleatória, as associações interespecíficas observadas indicaram que as duas espécies foram apazes de explorar os recursos disponíveis sem qualquer relação competitiva.
2014
Descrição
  • HUGO FERNANDES FERREIRA
  • A caça no Brasil: panorama histórico e atual
  • Data: 05/12/2014
  • Hora: 08:00
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  • No Brasil, atividades cinegéticas são amplamente realizadas em todo o território e desde períodos remotos, provocando drásticas consequências ambientais, embora nunca tenha havido uma análise abrangente que abordasse esse tema em nível nacional, sob uma óptica conservacionista. Em resumo, sabe-se que a caça brasileira é um problema, mas não se conhece ao certo o que é, qual sua história e qual o tamanho real desse problema no país. Desse modo, a pesquisa tem como objetivo principal analisar as atividades cinegéticas do Brasil e os contextos históricos, socioeconômicos e culturais associados a tais atividades, com foco principal na fauna envolvida em diferentes formas de uso humano, as técnicas de caça utilizadas e as implicações conservacionistas associadas a tais usos, em uma análise comparada entre os diferentes biomas brasileiros. A Tese foi dividida em dois volumes. O primeiro trata do aspecto histórico. No Capítulo I, foi realizado o levantamento de documentos oficiais, pinturas, relatos de expedições naturalistas, além de livros didáticos, artigos de periódicos, livros e capítulos de livros científicos envolvendo as atividades cinegéticas no Brasil. Foi possível analisar a evolução do uso das técnicas; as influências indígenas e europeias; dados sobre extinção regional de espécies; preferências de espécies para consumo alimentar, dentre diversos outros fatores. No Capítulo II, elencamos as mudanças da legislação e das percepções da mídia nacional envolvendo as atividades cinegéticas para estabelecer se há uma correlação entre tais fatores e quais as possíveis consequências dessas mudanças para a conservação da fauna silvestre. Demonstramos que essa correlação existe e que evoluiu de forma interdependente. O segundo volume trata do panorama atual e foi realizado através de 529 entrevistas em 25 localidades, pertencentes a 12 estados em todos os biomas do Brasil. O primeiro capítulo objetivou inventariar, descrever e categorizar essas técnicas em todos os biomas do país. Além disso, foram adaptadas novas análises sobre o Índice de Significância Cultural (ISC) dessas estratégias. Ao todo, 39 técnicas foram documentadas, descritas e categorizadas quanto à finalidade, autonomia, letalidade, seletividade de espécies e abundância de espécimes capturados. O Capítulo II se propôs a realizar um inventário sobre a fauna cinegética relacionada a fins alimentares de comunidades rurais em localidades situadas em todos os biomas do país, através de entrevistas e revisão bibliográfica. Foram documentadas 344 espécies, embora as estimativas apontem que esse número pode atingir mais que 525, sendo 46% aves, 42% mamíferos, 11% répteis e 1% anfíbios. O último capítulo teve como objetivo analisar qual a região historicamente mais impactada pela caça no Brasil, assumindo como hipótese a Região Nordeste. Os dados foram quantificados pelo cálculo do Valor de Frequência de Uso e analisados estatisticamente com os dados da biomassa de cada espécie citada em cada área. Os resultados apontam uma tendência nacional de maior valoração de uso para espécies de grande porte. Esse panorama é seguido na Amazônia, Pantanal, Cerrado e nos Pampas. Em contraste, as áreas de Mata Atlântica do Nordeste e principalmente a área de Caatinga apontam o inverso desse padrão, indicando extinção local e depleção de grandes animais. Isso pode ser explicado através do histórico de ocupação, aspectos econômicos, capacidade de suporte ecológico, dificuldade em alternativas de subsistência e padrões culturais específicos.
  • SAMUEL CARDOZO RIBEIRO
  • Estruturação das comunidades de lagartos em diferentes fisionomias da Chapada do Araripe, Nordeste do Brasil
  • Data: 28/11/2014
  • Hora: 14:00
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  • O presente estudo registrou na Chapada do Araripe e Caatinga circundante, um total de 31 espécies de anfíbios (nove novos registros) e 78 espécies de répteis (14 novos registros). Enfocando apenas nos lagartos, três diferentes ambientes foram estudados (Caatinga, Mataúmida e Cerrado), investigando-se a ecologia e estruturação das comunidades (uso não aleatório dos recursos) estabelecidas em cada ambiente. Os aspectos investigados foram, uso de microhábitat, dieta e morfologia. Cada ambiente apresentou sua própria riqueza e arranjo na composição de lagartos (Caatinga= 16, Mata-úmida= 12, Cerrado= 13). Utilizando modelos nulos, foram obtidos resultados que indicam que as três comunidades possuem estruturação, ou seja, os recursos (dieta e microhábitat) não são utilizados de maneira aleatória em cada ambiente. Tais resultados advém de diversos fatores, tal como competição e/ouefeitos históricos (filogenéticos), e para testar esse último, foi obtida a mais recente filogenia (árvore que representa o parentesco entre as espécies) molecular, e realizada uma análise de Mantel (filogenia versus sobreposição de nicho/morfologia). Apenas o ambiente de Cerrado apresentou estrutura influenciada pela filogenia. Uma análise de estrutura filogenética de comunidade foi também realizada para cada um dos três ambientes, e mais uma vez, apenas a comunidade do Cerrado apresentou resultado significativo. Tais dados demonstram que nesse ambiente, os lagartos estabelecidos foram selecionados de maneira não aleatória, a partir do conjunto de espécies da região, assim, os lagartos não sobrepõem no uso dos recursos por possuírem preferências ecológicas já determinadas historicamente. Em relação a morfologia, estudada apenas no ambiente de Cerrado, o conjunto de medidas analisadas não apresentou o mesmo grau de influência da filogenia, sugerindo que a seleção de espécies ocorreu primordialmente para traços ecológicos, e essa seleção excluiu espécies muito semelhantes morfologicamente. Os ambientes de Cerrado e Mata-úmida estão cercados pela matriz de Caatinga, e representam ambientes relictuais, o que aliado a outros fatores como filtragem ambiental, podem ter sido determinantes pelo menos no ambiente de Cerrado, para o estabelecimento de uma comunidade com alto grau de organização. A Mata-úmida precisa ser melhor investigada, enquanto a Caatinga apresentou fortes evidências de que fatores como competição, características físicas do ambiente, ou mesmo menor tempo de estabelecimento, são responsáveis pela estruturação dessa comunidade. Todos os ambientes possuem características únicas, e devem assim ser considerados em políticas públicas de conservação.
  • EMMANOELA NASCIMENTO FERREIRA
  • Ecologia e biologia de Callinectes exasperatus (Gerstaecker, 1856) (Decapoda, Portunidae) no estuário do Rio Mamanguape - Paraíba
  • Data: 27/11/2014
  • Hora: 08:00
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  • Esta pesquisa teve como objetivo estudar a estrutura populacional e a distribuição de Callinectes exasperatus (Gerstaecker, 1856) em diferentes micro-habitats de uma região tropical do Brasil. O período de estudo foi de agosto de 2012 a julho de 2013. Quatro transectos mensais foram realizados cobrindo três micro-habitats (calha do rio, margem do rio e mangue) e usando armadilhas e busca ativa. Os espécimes foram sexados, mensurados e identificados quanto à maturidade morfológica e estágios de muda. As seguintes variáveis abióticas foram verificadas: salinidade, temperatura e transparência da água, profundidade dos locais e pluviosidade. Um total de 505 indivíduos foi coletado. A razão sexual não diferiu significativamente de 1:1. Os machos apresentaram uma largura da carapaça significativamente maior em relação as fêmeas. Ocorreram três picos de recrutamento, entre os meses de outubro e novembro de 2012, em janeiro de 2013 e entre abril e maio de 2013. Os espécimes foram amostrados em todos os microhabitats durante as marés alta e baixa, mas com uma frequência significativamente maior no interior do mangue. O estágio de intermuda apresentou maior frequência em ambos os sexos e todos os indivíduos em processo de muda foram encontrados no micro-habitat mangue com exceção de dois espécimes. As variáveis abióticas mais representativas na distribuição da espécie foram as espaciais (micro-habitats, distâncias da foz e calha), juntamente com o período seco, a salinidade e a temperatura. Foi observada uma estratificação espacial entre os sexos com as fêmeas adultas se concentrando nas regiões mais próximas da margem do rio e os machos se concentrando nas áreas mais internas do mangue. As fêmeas parecem realizar dois tipos de migração relacionados à reprodução: do interior do mangue para a margem do rio e do interior do rio para áreas mais adjacentes a foz do rio. C. exasperatus mostrou características ecológicas que se diferenciam dos outros Callinectes devido a sua capacidade de ocupar permanentemente as áreas de entremarés, próximo às margens do rio e principalmente a região de floresta de mangue. O uso do mangue por C. exasperatus provavelmente garante uma maior disponibilidade de alimento e uma menor competição interespecífica.
  • ERICH DE FREITAS MARIANO
  • Relações biogeográficas entre a avifauna de florestas de altitude no Nordeste do Brasil
  • Data: 21/11/2014
  • Hora: 09:00
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  • A extensa área da região Nordeste do Brasil (1.540.827 km2) apresenta grandes variações no relevo, com altitudes inferiores aos 300 m na Depressão Sertaneja até áreas acima dos 1000m, como no Planalto da Borborema. Essa variedade altitudinal é refletida na complexidade climática e conseqüentemente na variabilidade de seus tipos vegetacionais. Algumas dessas formações são áreas florestais, que cobrem desde porções litorâneas até áreas altas incluídas no domínio florístico-vegetacional da Caatinga. Os ambientes florestais de altitude encontrados na área da Caatinga podem estar relacionadas aos domínios da Floresta Atlântica, nos chamados Brejos de Altitude (Andrade-Lima, 1982), ou ainda das Florestas Neotropicais Estacionais Secas (FNES). As FNES são ecossistemas essencialmente dominados por árvores, com copa contínua ou quase contínua e na superfície do solo as ervas são os elementos de menor quantidade, quando comparadas a vegetação de savanas (Monney et al.1995,Pennington et al.2006). Segundo Gentry (1995) e Graham & Dilcher (1995), essas florestas secas ocorrem onde a precipitação é menor que 1600 mm/ano, com um período de no mínimo 5-6 meses recebendo menos que 100 mm. Para isso pretende-se nesseprojeto: (a)verificar a composição da avifauna de florestas de altitude no nordeste brasileiro, através de amostragens de campo, visitas a 3 museus e recuperação de dados publicados; (b) comparar a composição da avifauna, utilizando um misto da Análise de Parcimônia e Endemismo (PAE) e da Análise Cladística de Distribuição e Endemismo (CADE), e (c) obter filogegrafia de Arremon taciturnus, espécies de ave Passeriforme associadaa tais ambientes florestados.
  • ISABELLA MAYARA MONTEIRO DE CARVALHO PEDROSA
  • Estrutura da taxocenose de lagartos (Squamata) no Parque Nacional do Catimbau e comparação da diversidade funcional entre áreas de Caatinga
  • Data: 27/10/2014
  • Hora: 14:00
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  • O trabalho foi divido em duas partes. A primeira foi realizada no Parque Nacional do Catimbau, no estado de Pernambuco, focando a taxocenose de lagartos do local. O objetivo do estudo foi, através de dados ecológicos, verificar a existência de estrutura nataxocenose, bem como averiguar a influência de fatores históricos e/ou ecológicos. Oinventário aconteceu nos meses de março e abril de 2013, por meio de 37 pontos de armadilhas de interceptação e queda, armadilhas de cola e procura por busca ativa. Com dados de microhábitat, dieta e morfometria foram realizadas análises de modelos nulos, CPO e Mantel. Ao todo coletamos 959 indivíduos, pertencentes a 21 espécies, e o esforço amostral foi satisfatório. A comunidade está estruturada tanto em relação ao microhábitat como dieta; fatores históricos não explicaram a dieta nem o microhábitat, mas foram significativos para a morfometria. Tanto a dieta quanto o microhábitat foram semelhantes ao já reportado em outros estudos. A segunda parte do estudo compilou informações ecológicas das taxocenoses de lagarto de seis Unidades de Conservação da Caatinga, que foram amostradas da mesma forma que o PN Catimbau, para fazer análises de diversidade funcional. Com dados de variáveis de dieta, microhábitat, massa e morfometria, foram feitas análises de “Functional Diverstiy”, “Functional Richness”, “Functional Evenness” e “Functional Divergence” para comparar as UCs e inferir sobre como as espécies se comportam nas taxocenoses em relação à ocupação de nicho, uniformidade e produtividade. O Parque Nacional do Catimbau foi a taxocenose mais funcionalmente diversa, porém a menor uniforme, enquanto a Estação Ecológica do Seridó obteve os menores valores de diversidade funcional. Todas as taxocenoses apresentaram alto valor de divergência, indicando que todas possuem alto grau de diferenciação de nicho para os lagartos, e possivelmente não existe competição.
  • CÁSSIO RACHID MEIRELES DE ALMEIDA SIMÕES
  • A estrutura da taxocenose e a partição do nicho acústico entre anfíbios anuros em uma área de Floresta Atlântica
  • Data: 24/10/2014
  • Hora: 09:00
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  • A maneira como as taxocenoses se estruturam pode ser considerada reflexo de eventos recentes (p.e., interações ecológicas ou disponibilidade de recursos), bem como dos fatores históricos (como eventos evolutivos). Essa partilha de recursos pode ser estudada por meio de morfometria, dieta, microhábitats ou mesmo dados acústicos das espécies. A presente dissertação aborda a temática de estrutura de taxocenose e a partição de nicho para anfíbios anuros por meio de: (1) caracteres morfométricos e ecológicos (dieta e microhábitat) e (2) caracteres bioacústicos. Para a primeira, foram coletados dados de 598 indivíduos, distribuídos entre 30 espécies. Os resultados das análises mostram que a taxocenose não se encontra estruturada em relação aos dados de microhábitat, porém existe uma maior competição entre espécies filogeneticamente próximas. Já para os dados de dieta, a taxocenose encontra-se estruturada, mostrando que as espécies evitam a competição. Além disso foi possível observar conservantismo filogenético para morfometria, para o nicho alimentar e o nicho de microhábitat. Esses dados mostram que as espécies coexistem pois particionam o nicho em, ao menos, alguma dimensão e que, ao menos em parte, a ocupação de determinados nichos está relacionada com a história evolutiva das espécies de anuros encontradas. Para a segunda abordagem, relacionada aos caracteres acústicos dos cantos de anúncio dos anuros, foram coletados dados individuais de 16 espécies. Os resultados das análises realizadas demonstram que a maioria das espécies apresentaram diferenças entre si, apresentando características minimamente distintas a fim de evitar a sobreposição. Esses resultados corroboram, para a maior parte das espécies, nossa hipótese que o nicho acústico encontra-se particionado, apoiando outros trabalhos que afirmam que o sinal acústico é espécie-específico e, portanto, apresentará características diferentes entre as espécies.
  • AFONSO HENRIQUE SANTOS MAIA LEAL GANTUS FRANCISCO
  • Revisão taxonômica e análise filogenética de Scopogonalia Young, 1977 com a descrição de uma espécie nova do grupo externo (Insecta: Hemiptera: Cicadellidae)
  • Data: 29/08/2014
  • Hora: 09:00
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  • O gênero Scopogonalia Young pertence à família Cicadellidae, subfamília Cicadellinae e tribo Cicadellini e contém 11 espécies, todas registradas na América do Sul: S. subolivacea (Stål) (espécie-tipo), S. interruptula (Osborn), S. echinura Young, S. golbachi Young, S. nargena Young, S. oglobini Young, S. paula Young, S. penicula Young, S. altmanni Cavichioli, S. plaumanniCavichioli e S. splendidaCavichioli. Neste trabalho, Scopogonaliae duas de duas espécies são redescritas, bem como são descritas seis espécies novas, sendo cinco a partir de espécimes do Brasil e uma da Argentina. Também é feita uma análise filogenética do gênero, para testar seu monofiletismo e elaborar uma hipótese de relacionamento filogenético entre elas. Como táxonsterminais da análise filogenética estão as espécies de Scopogonalia e mais seis espécies no grupo externo: Tretogonia cribrata Melichar, Cyclogonia caeligutata Mejdalani & Nessimian, Rotigonalia larissae Cavichioli, Rotigonalia olivacea Cavichioli, Plerogonalia rudicula (Jacobi), e uma espécie nova de RotigonaliaYoung que também é descrita. Uma chave taxonômica de Scopogonaliae outra de Rotigonalia foram elaboradas. Foram usados 59 caracteres morfológicos e de padrão de cor identificados com base em critérios topográficos, dentre os quais os multiestado foram codificados como não-ordenados e os autapomórficos não-informativos foram incluídos. A análise de parcimônia máxima foi conduzida no programa TNT, resultando em 8 árvores mais parcimoniosas, com comprimento = 137, índice de consistência (IC) = 0,47 (excluindo caracteres não-informativos) e índice de retenção (RI) = 0,72. Em todas, Scopogonalia é monofilético, porém com baixo suporte, tendo como sinapomorfias não-ambíguas a reversão do clípeo inflado para não-inflado, primeira condição presente em Rotigonalia e Plerogonalia, e a abertura da base das células anteapicais mediana e interna das asas anteriores. Uma análise com pesagem implicada chegou a três árvores, todas incluídas entre as originais, cujo consenso estrito mostra pouco conflito. Um dos clados suporta uma ligação pretérita entre a área núcleo do bioma Cerrado e enclaves de savana nos biomas Amazônia e Mata Atlântica. Outro sustenta uma relação propostaentre os blocos central e sul de áreas de endemismo da Mata Atlântica.
  • BRUNO HALLUAN SOARES DE OLIVEIRA
  • Autoecologia do lagarto Anotosaura vanzolinia (Squamata: Gymnophtalmidae) em área de Caatinga no Estado da Paraíba, Nordeste do Brasil
  • Data: 27/08/2014
  • Hora: 09:00
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  • Os lagartos constituem um dos grupos mais ricos e diversificados de répteis, com aproximadamente 3.800 espécies distribuídas por quase 400 gêneros. A riqueza do grupo e a extensão geográfica de sua área de distribuição nos Neotrópicos são bastante expressivas. No Brasil já foram registradas mais de 220 espécies de lagartos, apresentando assim uma das mais diversas faunas de lagartos do mundo, provavelmente resultado da diversidade de ecossistemas e dos eventos históricos de mudanças climáticas e geográficas durante o Pleistoceno na América do Sul. Anotosaura vanzolinia é um pequeno Gymnophthalmidae semifossório que vive nas áreas de Caatinga mésicas com folhiço abundante, nunca ocorrendo em áreas abertas ou nas caatingas mais rústicas. Atualmente, os dados que se tem dessa espécie, seria de um lagarto com distribuição relictual na Caatinga, onde vive apenas em ambientes especiais . O objetivo do presente estudo foi analisar aspectos da história natural do lagarto Gymnophthalmidae Anotosaura vanzolinia em uma área de Caatinga presente na Paraíba.
  • RAFAEL MENEZES ROBERTO
  • Dinâmica espaço-temporal da abundância, crescimento e saúde do coral endêmico do Brasil Mussismilia hispida (Scleractinia) no Banco de Abrolhos, BA
  • Data: 25/08/2014
  • Hora: 14:00
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  • Recifes de corais em todo mundo têm experimentado um progressivo declínio nas últimas décadas, resultante de distúrbios naturais e antrópicos. Aquecimento da água do mar, sedimentação, sobrepesca e enriquecimento de nutrientes são as principais ameaças aos ambientes recifais. Usando como modelo o coral construtor Mussismilia hispida (Verril 1902), no maior ecossistema recifal do Atlântico Sul (Banco dos Abrolhos), esta pesquisa teve como objetivo: descrever quantitativamente a dinâmica da abundância, crescimento e saúde do coral em 5 recifes [Recifes Itacolomis (ITA), Recifes de Timbebas (TIM), Recifes Costeiros Desprotegidos (RCD), Arquipélago dos Abrolhos (ARQ) e Parcel dos Abrolhos (PAB); n = 22 sítios] em três escalas de tempo (3, 4 e 6 anos). A hipótese central, baseada em trabalhos anteriores, é que M. hispida é resistente a sedimentação e tempreferência por zonas mais profundas, apresentando maior abundância, crescimento e saúde em recifes costeiros, com alta sedimentação e profundos (ambos com baixa intensidade luminosa). Foi utilizado o método foto-quadrado, através do qual foram obtidas imagens de colônias fixas do coral ao longo do tempo. Mussismilia hispida foi mais abundante na parede que no topo dos recifes (ITA, TIM, RCD), não tendo sido registrado variações interanuais. Os principais preditores relacionados positivamente com a abundância de M. hispida foram a cobertura de esponjas (25,6% da explicação total do modelo), cobertura do coral Montastrea cavernosa (21,8%) e profundidade (18,4%). O crescimento do coral foi maior em recifes próximos à costa (ITA, TIM, RCD), com as seguintes variáveis explanatórias exercendo influência negativa: abundância de M. hispida (17,6%), contato com cianobactérias (16,9%) e contato com corais heteroespecíficos(11,8%). Variações espaço-temporais foram registradas para a proporção de tecido branqueado e morto, com colônias do topo apresentando maiores valores (51,9% e 8,5%, respectivamente) do que colônias da parede (23,9% e 5,1%). A proporção de tecido branqueado diminuiu ao longo do tempo, com aumento concomitante de tecido morto. As variáveis mais explicativas do tecido branqueado foram profundidade (33,1% - relação negativa), tamanho da colônia (12,5% - negativa) e temperatura superficial da água do mar(9,6% - positiva), enquanto para tecido morto predominaram a profundidade (17,2% -negativa), contatos com acroalgas frondosas (15,5% - positiva) e temperatura superficial da água do mar (14,4% - negativa). Os resultados corroboram parcialmente com a hipótese original formulada, os quais fornecem subsídios para ações conservacionistas no Banco dos Abrolhos. Em adição, suporta-se que os efeitos deletérios causados pelas macroalgas nos corais, induzidos provavelmente pela sobrepesca de peixes herbívoros, sejam uma das grandes ameaças a manutenção dos recifes.
  • CRISTIANE DA SILVA MONTE
  • Dieta de aves em trechos de Mata Atlântica no Litoral Paraibano
  • Data: 04/08/2014
  • Hora: 14:00
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  • Atualmente ainda temos pouco conhecimento sobre a dieta de aves brasileiras. A identificação dos itens alimentares e suas proporções são informações básicas para o entendimento da história natural das espécies e das relações tróficas que se estabelecem, podendo ser utilizadas para a investigação dos padrões d e complexidade das comunidades. Para complementar o conhecimento sobre as exigências alimentares das aves, este trabalho traz a descrição dos itens encontrados em 339 amostras fecais de 50 espécies pertencentes a 19 famílias de aves de duas áreas do bioma Mata Atlântica no litoral paraibano: Reserva Biológica Guaribas e Reserva Particular do Patrimônio Natural Engenho Gargaú. Foram registrados 1526 itens alimentares, dos quais 784 pertencem às categorias vegetais Fruto ou Semente e 742 estão distribuídos entre as categorias animais Arachnida (quando não foi observada alguma sinapomorfia que possibilitasse um refinamento maior), Araneae, Scorpiones, Chilopoda, Diplopoda, Insecta, Isoptera, Hemiptera, Coleoptera, Hymenoptera-não-Formicidae, Formicidae, Lepidoptera, Diptera e Neuroptera. Em 185 amostras foram encontrados exclusivamente artrópodes; de forma geral, foi observada bastante diversificação nas dietas, com poucas espécies apresentando alto nível de especialização, além de baixa frugivoria estrita, mas importantes dispersores de sementes entre as espécies onívoras.
  • JÉSSICA YARA ARAÚJO GALDINO
  • Estrutura da comunidade de lagartos em uma área de Caatinga, Nordeste do Brasil
  • Data: 21/07/2014
  • Hora: 09:00
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  • Neste trabalho foram avaliadas a composição, diversidade de espécies e a utilização dos recursos alimento e espaço em uma taxocenose de lagartos da Estação Ecológica de Aiuaba (ESEC Aiuaba), no estado do Ceará e a influência da filogenia na determinação desses padrões. Para isso foi feita uma amostragem através da utilização de armadilhas de interceptação e queda, armadilhas de cola e coleta ativa durante 30 dias consecutivos entre os meses setembro e outubro. Foram registradas 15 espécies pertencentes a seis famílias. Vinte e três categorias de presas foram identificadas na taxocenose, sendo isoptera a categoria mais importante para a maioria das espécies. Phyllopezus pollicaris foi a espécie mais generalista no uso dos recursos alimentares, enquanto as menores larguras de nicho trófico foram registradas para Lygodactylus klugei, Gymnodactylus geckoides, Coleodactylus meridionalis e Cnemidophorus ocellifer. Com relação ao uso do microhabitat P. pollicaris, Tropidurus hispidus e Hemidactylus agrius foram as espécies mais generalistas. E Vanzosaura rubricauda, Micrablepharus maximiliani, Co. meridionalis, Mabuya Heathi, Tupinambis teguxin, Ameiva amieva e Cn. ocellifer as espécies mais especilistas, ocorrendo em serrapilheira. Lygodactylus klugei também foi especialista para uso do microhabitat, ocorrendo apenas em árvores. Os modelos nulos determinaram estrutura no uso do recurso alimentar e ausência de estrutura para utilização dos microhabitats disponíveis. A Ordenação Filogenética Canônica, entretanto, não mostrou relação entre o padrão encontrado na dieta das espécies e a filogenia, mas obteve resultados significativos com relação ao microhabitat usado, exibindo efeitos históricos na determinação do uso deste recurso.
  • LUIZ FELIPE CAVALCANTE AMUI
  • Padrões latitudinais explicam o mimetismo das serpentes corais?
  • Orientador : FREDERICO GUSTAVO RODRIGUES FRANCA
  • Data: 25/06/2014
  • Hora: 09:00
  • Mostrar Resumo
  • Consultar dissertação.
  • ERIKA FLAVIA CRISPIM DE SANTANA
  • Abundância e saúde do zoantídeo Palythoa caribaeorum e a influência da predação por peixes no Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP), Brasil.
  • Data: 29/05/2014
  • Hora: 14:00
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  • O zoantídeo Palythoa caribaeorum é abundante em ambientes recifais do Atlântico ocidental, particularmente em recifes rasos costeiros e oceânicos do Brasil. Esta espécie é uma competidora agressiva por espaço e apresenta uma das taxas mais elevadas de crescimento entre os Antozoários (4 mm.dia -1). Apesar do registro da predação de P. caribaeorum por diversas espécies de peixes recifais no Brasil, a influência da predação por peixes nos padrões de abundância deste zoantídeo permanece mal estudada. No Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP) tanto P. caribaeorum quanto seus peixes predadores, são relativamente abundantes. Neste estudo foi avaliada a influência relativa de diferentes fatores na abundância e saúde de P. caribaeorum e nos padrões de forrageio de suas espécies de peixes predadoras no ASPSP. Para tal, foram realizados mergulhos autônomos ao longo do gradiente de profundidade (0-30 m) durante quatro expedições. A abundância de P. caribaeorum e a área de tecido recoberta por “tumores” e a área afetada por mordidas de peixes foram estimadas através do método fotoquadrados. A densidade dos peixes predadores foi estimada através de censos visuais estacionários e o forrageio destes foi estudado através do método animal focal. Foram utilizados modelos de previsão (Boosted Regression Trees, BRT), além de testes paramétricos convencionais. A cobertura de P. caribaeorum foi alta em todos os estratos de profundidade e foi influenciada negativamente pela cobertura de macroalgas frondosas, algas epilíticas e calcárias, com pouca ou nenhuma influência de peixes predadores. Os peixes reconhecidos como predadores de P. caribaeorum (Aluterus scriptus, Cantherhines macrocerus, Chaetodon striatus, Holacanthus ciliaris e Pomacanthus paru) predaram principalmente algas epilíticas e macroalgas frondosas. Aluterus scriptus apresentou os maiores valores de taxa de mordida em P. caribaeorum. A profundidade foi uma das variáveis mais influentes nos padrões de forrageio de todas as espécies de peixes. O monitoramento de mordidas individuais demonstrou que apenas A. scriptus e C. macrocerus retiraram grande quantidade de tecido de P. caribaeorum, com C. macrocerus apresentando maiores mordidas. Palythoa caribaeorum foi capaz de regenerar seu tecido mordido em aproximadamente seis dias, mas a pressão de predação por peixes enfraqueceu suas colônias facilitando o crescimento de algas epilíticas sobre o tecido afetado com posterior formação de tumores. Desta forma, conclui-se que a predação não tem grande papel direto na limitação da abundância, mas pode afetar a saúde de P. caribaeorum no ASPSP.
  • BRUNO AUGUSTO TORRES PARAHYBA CAMPOS
  • História Biogeográfica de Cinco Gêneros de Pequenos Mamíferos (Rodentia: Echimyidae e Sigmodontinae) da "Diagonal de Áreas Abertas" Sul-americana, Através de Filogenias Moleculares
  • Data: 27/05/2014
  • Hora: 14:00
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  • A América do Sul tropical ao leste dos Andes apresenta duas grandes áreas de florestas úmidas, a Amazônia e a Mata Atlântica. Entre essas grandes formações está presente um grande cinturão de áreas de vegetação aberta e em mosaico, de clima predominantemente seco, marcado pela sazonalidadee disposta em uma diagonal Nordeste-Sudoeste chamadas de Diagonal de Formações Abertas Sul-Americana. Ela é composta por florestas sazonais que podem ser divididas em: Florestas Neotropicais Estacionais Secas, Savanas e o Chaco. O conhecimento da distribuição da mastofauna da Diagonal teve como alicerce expedições do Serviço Nacional da Peste, a expedição “Exu-Bodocó” e as expedições conduzidas por pesquisadores do “Carnegie Museumof Natural History”.Dos primeiros inventários concluiu-se que a mastofauna do Cerrado seria composta principalmente por espécies que são encontradas neste domínio apenas pela presença das matas de galeria. Recentemente, através de novos inventários e de trabalhos taxonômicos com critérios diferenciados esse panorama tem mudado mostrando que a Diagonal apresenta uma maior diversidade e maior número de espécies endêmicas em determinadas regiões de seu domínio, principalmente nas áreas abertas Foram escolhidos para este estudo o equimíideo Thrichomys e os sigmodontíneos Calomys, Rhipidomys, Cerradomys e Wiedomys. Dentre estes gêneros existem formas amplamente relacionadas às matas secas (Wiedomys, Calomys e Thrichomys) e outras predominam em matas úmidas (Rhipidomys e Cerradomys) refletindo, possivelmente, histórias evolutivas diferenciadas. O estudo de cada uma destas histórias ajudará a conhecer melhor os processos biogeográficos gerais dos mamíferos da Diagonal.A filogeografia é considerada uma ferramenta adequada para estudos biogeográficos, explicando, com boa precisão, os processos de diversificação e de relação filogenética entre as áreas de interesse. Estudos deste tipoem regiões que sofreram diversas expansões e retrações da sua vegetação ao longo do passado ajudarão a entender a História da porção intertropical da diagonal. Até o momento uma hipótese que se mostra frequente é a de que as espécies dos gêneros aqui em estudo terem colonizado a Diagonal em um sentido Sudoeste/Nordeste. A origem dos gêneros em regiões Andinas deve estar relacionada ao seu soerguimento no final do Mioceno, com posterior dispersão para as planícies do Leste adentrando a Diagonal e eventos climáticos no Plio/Pleistoceno teriam moldado a atual distribuição da diversidade. Até o momento há falta de informações sobre a Diagonal no Mioceno. As filogenias e histórias dos organismos escolhidos explicam melhor o período do Plio/Pleistoceno. Precisamos estudar detalhadamente o registro fóssil e eventos geológicos da região.
  • RUMENIGG BARBOZA DE VASCONCELOS
  • PARÂMETROS BIOLÓGICOS E MORFOLÓGICOS DE DUAS ESPÉCIES DE MORCEGOS DO GÊNERO Artibeus (CHIROPTERA: PHYLLOSTOMIDAE)
  • Data: 31/03/2014
  • Hora: 14:00
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  • O objetivo deste trabalho foi comparar as medidas corporais de duas espécies de morcegos frugívoros (Artibeus planirostris e Artibeus cinereus) que co-ocorrem na Reserva Biológica Guaribas, Estado da Paraíba, Brasil. Foi analisado um total de 118 indivíduos coletados em rede de neblina entre junho e outubro de 2013. Foram medidos a massa corporal, a envergadura, o comprimento dos ossos das asas e a tíbia de 65 A. planirostris e 53 A. cinereus. As duas espécies apresentaram dimorfismo sexual de tamanho, sendo as fêmeas significativamente maiores que os machos. Regressões (SMA) entre as variáveis morfométricas para as duas espécies na sua maior parte diferiram significativamente da isometria, indicando que houve diferença de forma, um resultado corroborado pela análise discriminante. As medidas de asa tenderam a crescer menos que o esperado em relação à massa corporal, o que pode indicar uma adaptação para reduzir o arrasto e permitir maiores velocidades de vôo nos indivíduos de maior tamanho. Além disso, foi encontrada uma correlação positiva entre a massa corporal e a Razão do Aspecto, o que sugere uma tendência para o estreitamento das asas em indivíduos de maior tamanho (outra adaptação que permite um vôo mais rápido). Ao contrário da asa, a tíbia nas duas espécies aumentou de tamanho mais do que o esperado com o aumento da massa corporal. Esse processo pode estar relacionado ao maior investimento na tíbia, a fim de sustentar o crescente ganho de peso nos morcegos de maior porte.
  • PAULA HONORIO PIRES FERREIRA
  • Peixes de Poças de Maré do Nordeste do Brasil: Estrutura da Comunidade, Sazonalidade e Conectividade Genética
  • Data: 28/03/2014
  • Hora: 14:00
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  • Foram determinadas a composição, estrutura e os padrões sazonais de distribuição dos peixes de poças de maré no nordeste do Brasil. Cem poças de maré foram pesquisadas de dezembro de 2010 a agosto de 2012. Um total de 3586 espécimes pertencentes a 52 espécies e 24 famílias foram capturados, com a dominância de espécies residentes, crípticas e predadoras de invertebrados móveis. As espécies mais abundantes foram Bathygobius soporator, B. geminatus e Stegastes fuscus, representando 14.95%, 13.11% e 10.54 % de todos os peixes capturados, respectivamente. Diferenças significativas em relação à composição da ictiofauna entre os locais de coleta não foram observadas. Na estação seca, 2031 espécimes de 49 espécies e 23 famílias foram amostradas e, na estação chuvosa, 1555 espécimes de 56 espécies e 22 famílias foram amostradas nas poças de maré. Destes, B. geminatus e B. soporator foram as espécies mais abundantes e frequentes em ambas as estações. Foram detectadas diferenças significativas na abundância total das espécies entre as estações seca e chuvosa. Evidências indiretas sugerem que a variação sazonal na abundância pode ser resultado do incremento de indivíduos recrutas de zonas entremarés e sublitoral circundantes. Fatores ambientais, tais como a profundidade, temperatura, salinidade, macroalgas, zoantídeos e granulados litoclásticos (areia e cascalho) afetaram a estrutura da comunidade dos peixes, resultando em variabilidade espacial nas poças de maré analisadas. Assim, as relações sazonais e padrões espaciais dos peixes de poças de maré estudados podem ser explicados de acordo com ciclos reprodutivos e as exigências de habitat das espécies, respectivamente.
  • THAIS RANIELLE SOUZA DE OLIVEIRA
  • Diversidade de artrópodes em inflorescências de Heliconia bihai (L.) L. (Heliconiaceae) em Pernambuco, Brasil
  • Data: 28/03/2014
  • Hora: 08:30
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  • A família Heliconiaceae possui um único gênero Heliconia (L.)L. e pertence à ordem Zingiberales. As inflorescências de Heliconia são caracterizadas por possuirem brácteas coloridas e as espécies que possuem brácteas eretas acumulam água no seu interior, formando um micro-habitat denominado de fitotelmata, que costuma apresentar uma fauna diversificada. Existem grandes áreas de produção comercial de Heliconia no Brasil, o que possibilita a ocorrência de muitos ambientes fitotelmatas fora de áreas de mata e favorece o desenvolvimento de difer entes grupos de artrópodes. O objetivo do presente estudo foi investigar a comunidade de artrópodes ocorrentes em brácteas de inflorescências de Heliconia bihai (L.)L. em área silvestre e em área cultivada de uma área de Mata Atlântica de Pernambuco, examinando como os fatores abióticos (pH, temperatura e volume) atuam sobre a comunidade de artrópodes e descrever como a fauna é afetada pela localização e características ambientais de cada área. Foram definidos os padrões gerais de distribuição da fauna, distribuição da fauna aquática em relação a sazonalidade e analisada a distribuição e categorização funcional da comunidade de coleópteros nas inflorescências. Foram coletadas 198 inflorescências de H. bihai na área cultivada, contendo 5.696 indivíduos distribuídos em 44 morfoespécies. Na área silvestre, foram coletadas 146 inflorescências, contendo 8.969 indivíduos, distribuídos em 51 morfoespécies . A ordem Diptera apresentou o maior número de morfoespécies e as famílias mais abundantes e frequentes ( Piophilidae e Psychodidae). A diversidade foi maior na área silvestre, no entanto a equidade não diferiu entre as áreas, e a análise de similaridade indicou que ocorre sobreposição de espécies entre as áreas. Das 35 morfoespécies aquáticas ou semiaquáticas, 18 ocorreram durante todo o ano de coleta. Dentre as famílias registradas, Psychodidae apresentou a maior riqueza de espécies (4), seguida por Syrphidae, Tipulidae e Sthaphylinidae. A temperatura dentro das brácteas foi o parâmetro responsável pela maior variaçã o nas amostras. Na avaliação da comunidade de Coleoptera, a família mais abundante e frequente nas duas áreas foi Hidrophylidae, representada por uma única espécie Pelosoma lafertei (MULSANT, 1840), apresentando, respectivamente, abundância relativa e frequência de ocorrência de 71,1% e 89,6%, na área silvestre, e 59,2% e 52,0%, na área cultivada. Sthaphylinidae foi a segunda família mais abundante e com maior frequência. Os detritívoros foram maioria dentro da comunidade de coleópteros amostrada (6), seguidos por herbívoros (3) e predadores (2). A abundância total de coleópteros na área silvestre foi de 1574 indivíduos e na área cultivada de 757 indivíduos. Foram registradas 12 morfoespécies na área silvestre e 8 morfoespécies na área cultivada. A temperatura e o pH foram os principais fatores atuando sobre a comunidade de coleópteros. A acidez presente no ambiente indica um ambiente rico em matéria orgânica, principal recurso alimentar dos ambientes fitotelmatas.
  • ANDRE SOUZA DOS SANTOS
  • Estudo taxonômico e análise filogenética da família Sabellariidae (Annelida: Polychaeta)
  • Orientador : MARTIN LINDSEY CHRISTOFFERSEN
  • Data: 26/03/2014
  • Hora: 14:30
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  • O presente estudo aborda a taxonomia de Sabellariidae (Annelida: Polychaeta) e propõe uma classificação filogenética para a família.
  • ANDRE SOUZA DOS SANTOS
  • Estudo taxonômico e análise filogenética da família Sabellariidae (Annelida: Polychaeta)
  • Orientador : MARTIN LINDSEY CHRISTOFFERSEN
  • Data: 26/03/2014
  • Hora: 14:30
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  • WEDSON DE MEDEIROS SILVA SOUTO
  • Atividades cinegéticas, usos locais e tradicionais da fauna por povos do semiárido paraibano (Bioma Caatinga)
  • Data: 28/02/2014
  • Hora: 14:00
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  • A caça é uma atividade amplamente disseminada ao longo dos trópicos. Entretanto, a maior das informações atualmente existentes sobre caça e usos de animais silvestres são originárias de áreas úmidas tropicais, notadamente a Amazônia, a bacia do Congo ou das florestas do Sudeste Asiático. Neste sentido, o presente estudo compreende informações abrangentes sobre a caça no semiárido do Nordeste brasileiro (bioma Caatinga), região com a maior biodiversidade existente entre as áreas semiáridas tropicais. Nossos objetivos foram registrar as espécies que são frequentemente caçadas para usos locais de alimento, medicinal ou pet; documentar as técnicas atualmente empregadas na captura fauna, assim como os períodos principais de ocorrência das atividades cinegéticas. Outros objetivos principais incluíram indicar as razões e motivadores atuais que levam a caça e captura de espécies pertencentes aos grupos de vertebrados terrestres. Nós analisamos dados colhidos em seis localidades do semiárido do Estado da Paraíba (municípios de Maturéia, Santa Luzia, São José do Sabugi, São Mamede, Várzea e na comunidade tradicional do Quilombo do Talhado), onde 257 caçadores forneceram informações sobre espécies cinegéticas exploradas para consumo da carne, utilizadas medicinalmente ou criadas como pets. As informações foram obtidas por meio de questionário semiestruturado, o qual englobava questões sobre espécies-alvo, técnicas e estratégias de caça, frequência de caça, razões ou motivadores para realização de atividades cinegéticas e informações sobre dinâmica de comércio – envolvimento de caçadores, formas de pagamento, preços dos animais e se os clientes são residentes ou não nas áreas pesquisadas. Observações participantes do tipo não-membro foram utilizadas para confirmar informações de entrevistas e fornecer dados etnográficos complementares. Nós registramos que 109 espécies são consumidas como alimento, 39 são caçadas por caçadores para fins medicinais e 73 são capturadas vivas para criação como pets silvestres. Um total de 31 técnicas ou estratégias de caça foram documentadas. Nossos dados indicam uma modificação no cenário da caça local, pautada atualmente por motivadores comerciais e esportivos, com lucros pouco empregados para despesas básicas e essenciais. Neste contexto, a maioria dos caçadores indicou envolvimento com o comércio de animais silvestres e sub-produtos destes. Estratégias de caça tem igualmente sido influenciadas pelo contexto comercial das práticas de cinegéticas, com incorporação e popularização de modernos recursos tecnológicos, especialmente motocicletas. Nossos resultados possibilitam uma ampliação substancial acerca da informações sobre a exploração da fauna da Caatinga e possibilitam uma melhor contextualização da realidade local para implementação de políticas mais eficientes para combater a caça ilegal e mitigar os impactos da exploração da fauna silvestre.
  • LUCAS BARBOSA DE QUEIROGA CAVALCANTI
  • A estrutura de taxocenose de lagartos em uma região de Caatinga no Piauí, Nordeste Brasileiro. A influência de fatores históricos e ecológicos
  • Data: 27/02/2014
  • Hora: 14:00
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  • Este trabalho buscou investigar o papel dos fatores históricos e recentes na estrutura de uma taxocenose de lagartos neotropicais da Serra da Capivara, uma região semiárida na Caatinga do nordeste brasileiro. Não foi encontrada relação entre as características estruturantes do microhabitat e a distribuição das espécies de lagartos. As análises de modelos nulos indicaram que a média das sobreposições de nicho alimentar entre os pares de espécies de lagartos foi diferente do esperado ao acaso, sugerindo uma estrutura na taxocenose no nicho alimentar. Sugere-se que a ausência de segregação espacial e associação das espécies ao microhabitat seja devido ao clima e a homogeneidade do habitat. O nicho alimentar e morfológico foram influenciados por fatores históricos, com a filogenia explicando a maior parte da variação dos dados. Uma parte significante desta variação é representada na divergência das linhagens basais (Gekkota/Scincomorpha/Iguania), mas também em famílias específicas como Gymnophthalmidae. Estas segregações influenciam o comportamento e os modos de forrageios destes caldos. Finalmente, estes resultados são bastante similares aos encontrados em outras taxocenoses de lagartos em Florestas Tropicais Sazonalmente Secas (STDFs) e savanas de Cerrado, o que pode ser um ponto de início de discussões sobre a relação destas formações vegetacionais com a Caatinga.
  • GEORGIANA MATIAS DA SILVA PIMENTEL
  • Beija-flores e recursos florais de Psittacanthus dichroos Mart. (Loranthaceae) em uma área de Mata Atlântica da Paraíba
  • Orientador : ALAN LOURES RIBEIRO
  • Data: 21/02/2014
  • Hora: 14:00
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  • Consultar dissertação.
  • SILVIO FELIPE BARBOSA DE LIMA
  • Morfologia comparada e relacionamento filogenético de Caecidae (Mollusca: Caenogastropoda: Rissooidea)
  • Data: 07/02/2014
  • Hora: 14:30
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  • A família Caecidae Gray, 1850 está representada por cerca de 200 espécies de gastrópodes marinhos, bentônicos, dióicos e micrófagos, distribuídos nos oceanos tropicais e temperados do planeta, habitando desde a zona intermareal a sublitoral, porém com marcada preferência por áreas rasas da plataforma continental, sendo raros no circalitoral. Frequentemente, conchas deste grupo são transportadas através de correntes da região costeira até áreas mais profundas da plataforma ou talude continental, constituindo-se em material alóctone. O presente estudo tem como principal objetivo formular uma hipótese de relacionamento filogenético para Caecidae (com ênfase em Caecinae) baseado no estudo de morfologia comparada.
  • CRISTIANO TRAPE TRINCA
  • Densidade populacional de felídeos e riqueza de mamíferos terrestres no sul da Amazônia
  • Data: 24/01/2014
  • Hora: 14:00
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  • Este estudo teve o objetivo de estimar as populações de onça-pintada (Panthera onca) e de jaguatirica (Leopardus pardalis) e a riqueza e a abundância dos mamíferos terrestres na Fazenda São Nicolau, no norte do estado de Mato Grosso, sul da Amazônia. Utilizei armadilhas-fotográficas para registrar as espécies. Amostrei 12 pontos em áreas de floresta durante quatro temporadas (2008 a 2011), totalizando 3603 dias/câmeras. Nas áreas alteradas amostrei 16 pontos em duas temporadas (2009 e 2010), em sistema de rodízio, totalizando 658 dias/câmeras. Estimei parâmetros populacionais dos felídeos apenas nas áreas de floresta. Analisei a comunidade de mamíferos nos dois ambientes. A densidade populacional das duas espécies de felídeos foi estimada analisando a população fechada e aberta dentro de ocasiões de captura de 10 dias, aproximadamente. Identifiquei os indivíduos comparando as diferenças nas malhas da pelagem. Utilizei o método convencional de captura e recaptura (CAPTURE) e o modelo espacialmente explícito (SECR) para as análises de população fechada. Para análises de população aberta, utilizei o modelo Jolly-Seber e o desenho robusto de Pollock. Identifiquei 10 onças, em 88 eventos fotográficos nas quatro temporadas. A razão sexual (M:F) foi de 1,5:1. As estimativas populacionais da onça-pintada foram realizadas somente para 2010 utilizando os modelos de população fechada. A densidade populacional com base no CAPTURE e na média da máxima distância percorrida (MMDM) foi estimada em 4,12 ind./km². O SECR estimou a densidade em 3,03 (±1,57) ind./km². No caso das jaguatiricas, identifiquei 24 indivíduos em 134 eventos fotográficos. A razão sexual foi de 1:1. Estimei a densidade populacional nas quatro temporadas utilizando os modelos de população fechada e aberta. Os resultados do SECR foram mais moderados, estimando 7,87 (±3,0), 14,17 (±6,5), 10,46 (±4,4) e 7,36 (±2,9) ind./km², entre 2008 e 2011, respectivamente. Entretanto o modelo Jolly-Seber foi o que obteve as maiores estimativas, sendo 19,54, 25,01, 16,03 e 19,74 ind./km², a cada temporada. Também estimei a sobrevivência e o crescimento populacional desta espécie. O modelo SECR estabilizou as estimativas de densidade mesmo com os valores de buffermais elevados, evitando superestimar a população. Estes resultados indicam que o modelo espacialmente explícito foi adequado para a compreensão da dinâmica populacional das duas espécies de felídeos. Entretanto, o desenho robusto retornou um maior número de parâmetros demográficos, complementando as análises populacionais. A densidade populacional média da jaguatirica para as quatro temporadas ao sul da Floresta Amazônica com base no SECR, foi estimada em 11,81 (±2,29) ind/100km2, em uma região com pelo menos 25% de área alterada. O número de espécies observadas de mamíferos entre as temporadas variou de 21 a 24 na área de floresta, e a riqueza foi estimada em 26 espécies. Na área alterada o número de espécies observadas nas duas temporadas foi de 13 e 15 e a riqueza foi estimada em 18 espécies, sendo que o total de espécies observadas foi 17. As espécies mais representativas foram o Tayassu pecari, na área de floresta e o Cerdocyon thous, na área alterada. A análise gráfica composta de 24 índices de diversidade beta indicou que a área de floresta teve maior homogeneidade na ocorrência das espécies do que na área alterada. Este estudo demonstra que quando há uma coleta de dados por mais que uma temporada, seja para investigar a população de uma espécie ou a estrutura de uma comunidade, os resultados não serão os mesmos, mesmo utilizando os mesmos procedimentos. Isso reforça a importância dos estudos da dinâmica das populações silvestres para compreender a oscilação na abundância e também na riqueza da comunidade.
2013
Descrição
  • PATRICIO ADRIANO DA ROCHA
  • Quiropterofauna cavernícola: composição, estrutura de comunidades, distribuição geográfica e aspectos ecológicos das populações
  • Data: 25/10/2013
  • Hora: 14:00
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  • O hábito de se abrigar, atrelado à disponibilidade de abrigos específicos, pode influenciar a distribuição local e global dos quirópteros, bem como os mais variados aspectos de sua biologia e ecologia. Nesse sentido, o presente trabalho visa, em linhas gerais, caracterizar em maior (Brasil) e menor (Sergipe) escala, que fatores influenciariam a habitação de cavernas por uma ou mais espécies de morcegos da região neotropical, identificando o quão associadas às cavernas essas espécies estariam, e nesse sentido quais delas devem ser consideradas como atributo cabal na valoração dessas cavidades para fins de conservação. Para as abordagens em macroescala (Brasil) foram compilados os resultados de inventários já realizados em cavernas do Brasil disponíveis na literatura, somados aos esforços de campo realizados no estado de Sergipe (presente trabalho) e Pará. Nas abordagens em microescala (Sergipe), foram inventariadas as 24 cavidades naturais registradas na Sociedade Brasileira de Espeleologia , onde foram analisados padrões de uso e preferências quanto à luminosidade e a temperatura do abrigo. O levantamento de 135 cavernas proporcionou o registro de 41 espécies pertencentes a 32 gêneros e seis famílias. A riqueza de espécies de morcegos variou de uma a 17 com média geral de 4,5 (± 3,27) espécies por caverna. Na análise por ecoregiões, 24 espécies utilizam cavernas na Mata Atlântica do Sudeste, 20 na Mata Atlântica/Caatinga do Nordeste, 31 no Cerrado e 21 na Amazônia. As diferenças na composição da quiropterofauna cavernícola em diferentes regiões do Brasil podem ser diretamente influenciadas por dois fatores principais: (i) espécies amplamente distribuídas e que utilizam cavernas, independentemente do bioma e (ii) espécies com distribuição e/ou uso restritos a algumas regiões ou que apresentam diferentes frequências de ocorrência. Nas análises feitas em Sergipe, o índice de associação geral foi de Vt=3,5; o que denota uma associação geral significativamente positiva entre as espécies de morcegos cavernícolas. No tocante ao microclima, podem-se dividir as cavernas de Sergipe em "frias" (<28ºC) e "quentes" (entre 30 e 40ºC), sendo feitos nesse estado os três primeiros registros do fenômeno das "cavernas quentes" no Brasil que aqui são promovidas pelos mormopideos Pteronotus gymnonotus e P. personatus. O registro em tempo integral da temperatura nessas cavernas mostrou claramente a influência dessas espécies sobre a manutenção das altas temperaturas das cavernas e bem como as alterações microclimáticas provocadas pela saída, retorno e deslocamento diário desses indivíduos entre as câmaras. A análise de aspectos das suas respectivas biologias reprodutivas, apontam para um refinado conjunto de interações interespecíficas harmônicas, as quais corroboram a hipótese de que ao menos essas duas espécies de mormopídeos seriam estritamente dependentes de cavernas para viabilizar o seu ciclo reprodutivo. Além disso, a estrutura populacional dessas espécies, com a formação de grandes concentrações em poucos pontos, atrelada à total falta de informações de como são genicamente estruturados, confere uma alta vulnerabilidade para essas espécies, que podem ter toda uma população dizimada com a simples obstrução da entrada da caverna. Esses resultados estabelecem uma nova perspectiva para estudo e conservação das cavernas brasileiras, onde se sugere que cavernas que possuem qualquer espécie do gênero Pteronotus sejam por si só categorizadas como de "máxima relevância", tendo assim garantida a sua proteção integral.
  • DIEGO JOSE SANTANA SILVA
  • Sistemática e biogeografia das rãs paradoxais (Anura, Hylidae, Pseudae)
  • Data: 07/10/2013
  • Hora: 09:00
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  • O clado Pseudae compreende anuros aquáticos e semi-aquáticos restritos à América do Sul. Eles têm diversas adaptações morfológicas ao hábito aquático. Os girinos gigantes de Pseudis, que se metamorfoseiam em adultos relativamente pequenos, são uma contradição para o padrão geral conhecido. A distribuição e as exigências de hábitat fazem dos Pseudae um grupo ideal para testar hipóteses biogeográficas na evolução e especiação da fauna semi-aquática da América do Sul. Essas hipóteses envolvem, por exemplo, avaliar se a características pedológicas, hidrológicas e sazonais de cada bacia hidrográfica refletem diferentes históricos evolutivos, se o isolamento das bacias causou especiação alopátrica da fauna aquática. Gallardo discorrendo sobre as espécies de “Pseudidae”, propôs a hipótese “uma bacia-uma espécie”. Ele propõe que em cada bacia hidrográfica exista uma diferente espécie desse grupo. Através dessa linha de raciocínio, nesta tese, buscamos por caracteres morfológicos, acústicos e moleculares, estudar o clado Pseudae, buscando por resoluções para a sistemática, a filogenia e a filogeografia do grupo. No primeiro capítulo, dividido em dois artigos, descrevemos e avaliamos todos os cantos e girinos das espécies do clado. O primeiro artigo, focando o gênero Lysapsus, nossos resultados suportam o monofiletismo do gênero baseado nos caracteres larvários e acústicos. Discutimos a taxonomia das espécies e consideramos duvidosa a validade de L. bolivianus, o qual deve ser considerado um sinônimo júnior de L. limellum, ou constitui uma espécies críptica baseada nos dados atualmente disponíveis. No segundo artigo, descrevemos as formas larvais e os cantos de anúncio das espécies de Pseudis. Encontramos suporte em diversas características que endossam o monofiletismo do grupo das espécies austrais (P. cardosoi e P. minuta). Não encontramos diferenças entre as populações (P. paradoxa), consideradas por alguns autores como espécies válidas, ou como subespécies. Assim, outras abordagens focadas em diferenças populacionais, baseadas em técnicas modernas de filogeografia e coalescência, poderiam auxiliar a compreender o real status taxonômico de espécies do grupo, além de simultaneamente testar processos históricos responsáveis pela diversificação atual. No capítulo dois, tivemos como objetivo reavaliar as relações filogenéticas do grupo. Para isso, utilizamos uma abordagem baseada em uma análise combinada de dados fenéticos (osteológicos, larvais e acústicos) e moleculares. Ranqueamos 112 caracteres osteológicos, quatro larvais e dois acústicos, mais quatro loci do mtDNA, e um loci nuclear. Avaliamos por meio de uma análise bayesiana particionada a filogenia de Pseudae, e encontramos suporte para três linhagens monofiléticas. Além da sistemática e filogenia avaliada neste estudo, conforme mencionado no primeiro capítulo, o status taxonômico das populações de Pseudis de diferentes bacias não puderam ser avaliadas pelos meios tradicionais da taxonomia. A validade ou não das diferentes espécies e subespécies relacionadas a estas bacias hidrográficas, precisam ser melhor avaliadas por métodos mais precisos, que foquem a diversidade críptica. Assim, decidimos utilizar uma inferência bayesiana de delimitação de espécies (BPP) para testar a hipótese de Gallardo. Elencamos a espécie Pseudis bolbodactyla para testar essa hipótese. Pseudis bolbodactyla é uma rã semi-aquática, distribuída em planícies alagáveis na sub-bacia do rio Paranã (bacia do rio Tocantins), na sub-bacia do rio Paranaíba (bacia do rio Paraná), e na bacia do rio São Francisco. Quando avaliados as três diferentes populações, os resultados da análise do BPP encontraram um alto suporte (pp=1.00) para a árvore guia. Assim, representando cada população uma espécie, confirmando a hipótese de “uma espécie-uma bacia” para P. bolbodactyla. Haja vista a corrida contra o relógio para se descrever e conhecer a biodiversidade, descrevemos as duas novas espécie. À luz da nova política do uso de uma taxonomia integrativa consideramos que o presente trabalho supre as necessidades exigidas do cenário atual, validando essas espécies.
  • JOSIAS HENRIQUE DE AMORIM XAVIER
  • Teia trófica e fluxo de energia no Estuário do Rio Mamanguape, Paraíba, Brasil
  • Data: 30/09/2013
  • Hora: 14:00
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  • O estuário do Rio Mamanguape é o segundo maior do Estado da Paraíba, Brasil. Está inserido na Área de Proteção Ambiental (APA) Barra do Rio Mamanguape e abrange 14.640 hectares de manguezais preservados, remanescentes de Mata Atlântica, diferentes biótopos estuarinos e formações recifais areníticas. Este ambiente natural está associado a comunidades humanas, incluindo comunidades indígenas, que sobrevivem dos seus recursos. No intuito de acessar informações sobre a dinâmica das principais populações de espécies do sistema e descrever a teia trófica e o estágio de desenvolvimento do estuário do Rio Mamanguape, um modelo trófico de equilíbrio de massas foi construído, utilizando 24 compartimentos, utilizando o software Ecopath with Ecosim (EwE). Alguns dados de entrada (biomassas de fitoplâncton, macroalgas, zoobentos, macrocrustáceos e grupos de peixes) foram coletados na área de estudo e pela análise do conteúdo estomacal (peixes), enquanto outros parâmetros foram obtidos em estudos prévios. Os resultados do modelo trófico de Mamanguape mostraram que o fluxo da teia alimentar é dominada pelos detritos, já que a detritivoria predominou em relação à herbivoria (razão D/H de 2,25). As estatísticas de fluxo do sistema – produção primária total/ respiração total, índice de ciclagem de Finn, e ascendência – foram 1,41, 29,3%, e 31,0%, respectivamente, indicando que o estuário do Rio Mamanguape é um sistema de alta produtividade, próximo à maturidade, de acordo com a teoria de ecossistemas de Odum. Quando as zonas estuarina e recifal foram analisadas em modelos independentes, as principais diferenças estiveram relacionadas à presença do mangue na zona estuarina, porém as estatísticas de fluxo apontaram basicamente para o mesmo estágio de maturidade e produtividade. Os manguezais parecem desempenhar papel importante como fornecedor de detritos para ambas as zonas, assim como a barreira de recifes areníticos desempenha papel na retenção de detritos obtidos da descarga do rio. Cenários foram criados simulando o aumento de 50% no esforço da pesca e retirada do mangue (Ecosim). Em todos eles, ocorreram efeitos de cascata trófica nos compartimentos, redução na diversidade (índice de Kempton) e desestruturação da teia. A análise das simulações deve ser feita com cautela, já que modelos EwE são limitados às interações tróficas, e não levam em conta aspectos como a estrutura do habitat ou impactos associados (e.g., fragmentação, degradação, poluição). Para manter o status da APA Barra do Rio Mamanguape de área prioritária para conservação e pesquisa, bem como preservar as propriedades de produtividade, maturidade e resiliência da área de estudo, tornam-se urgentes deliberações sobre a regulamentação dos conflitos de uso dos recursos naturais na região.

  • CECILE DE SOUZA GAMA
  • DIVERSIDADE E ECOLOGIA DAS RAIAS DE ÁGUA DOCE (CHONDRICHTHYES: POTAMOTRYGONIDAE) DA RESERVA BIOLÓGICA DO PARAZINHO, AP
  • Data: 13/09/2013
  • Hora: 14:00
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  • As raias de água doce da família Potamotrygonidae são restritas à América do Sul, onde ocorrem nos principais sistemas fluviais. É o único grupo de Elasmobrânquios exclusivo do meio dulcícola, possuindo especializações morfológicas e fisiológicas para a vida neste tipo de ambiente. Em algumas regiões esses animais costumam marcar forte presença no modo de vida das populações ribeirinhas, devido ao elevado potencial de acidentes que representam. O presente trabalho foi desenvolvido na Reserva Biológica do Parazinho, uma ilha do Arquipélago do Bailique, Macapá (AP), localizada na região da foz do rio Amazonas. Teve como objetivo estudar a composição de espécies de raias de água doce, determinando o contingente populacional da taxocenose e conhecendo características biológicas e ecológicas das espécies quanto à sua alimentação, reprodução, movimentação e morfologia. Além disso, buscou-se descrever os padrões de ocupação espacial da ilha pelas espécies. As amostragens aconteceram em regime bimestral de março de 2011 a janeiro de 2013. Para a captura foram utilizados espinhéis, tarrafas, zagaias e tapagem em diferentes momentos da amostragem. No primeiro ano, as raias capturadas eram marcadas com microchips e soltas, após terem sido registradas algumas de suas medidas corporais. Nas coletas subsequentes, as raias recapturadas eram novamente medidas e soltas. No segundo ano, as raias capturadas eram sacrificadas e dissecadas para análise de suas gônadas e aparelhos digestivos. Durante as amostragens eram tomados dados ambientais acerca da qualidade de água. Foram efetuadas 223 capturas, correspondendo a 208 espécimes diferentes de raias durante 82 dias de amostragem. Foram identificadas oito espécies: Paratrygon aiereba, Potamotrygon motoro, P orbignyi, P. scobina, P. constellata, P. cf. dumerilii, Potamotrygon sp. e Potamotrygon sp 1. A análise discriminante entre a proporção da largura do disco e dados morfométricos das espécies mais representativas (Potamotrygon cf, dumerilii, P. motoro, P. orbignyi, P. scobina e P. sp1) revelou diferenças dimensionais entre as espécies, embora na maioria dos casos não alcançassem níveis significativos. O estudo populacional revelou que a distribuição das raias por sexo foi homogênea e não houve preferência de ocupação das espécies ao longo da ilha. A análise da relação peso comprimento mostrou que machos e fêmeas apresentam alguma diferença no tipo de crescimento, porém, essas diferenças foram pequenas e não significativas (ao nível de 95% de probabilidade) (α=0,05). A análise de 70 estômagos confirmou hábitos alimentares predadores, tendo como principais recursos invertebrados, predominantemente crustáceos, moluscos, insetos e anelídeos, revelando também alguma diferença no consumos dos itens ao longo do ano e entre as espécies. Observou-se que raias são peixes especialistas com baixa largura de nicho, revelando algum grau de sobreposição espacial e de dieta de acordo com a disponibilidade do recurso alimentar no ambiente. Se reproduziram durante todo o ano, com as espécies alternando seus períodos reprodutivos. Foi encontrado sobreposição de períodos entre as espécies que pode indicar a possibilidade de hibridização. Verificou-se ainda que os indivíduos são conservadores quanto à sua área de uso.

  • JOAO PEDRO DE SOUZA ALVES
  • Ecology and Life-history of Coimbra-Filho’s Titi monkeys (Callicebus coimbrai) in the Brasilian Atlantic Forest
  • Data: 09/08/2013
  • Hora: 13:00
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  • (Ecologia e História de Vida do Guigó-de-Coimbra-Filho (Callicbeus coimbrai) na Floresta Atlântica do Nordeste). A perda e fragmentação dos hábitats são as principais ameaças as populações de primatas na região Neotropical, principalmente pelos efeitos gerados à disponibilidade de recursos alimentares e a redução da área. Neste estudo, duas áreas de Floresta Atlântica no nordeste Brasileiro, a Fazenda Trapsa (FT) um fragmento com 14 ha e o, Refúgio da Vida Silvestre Mata do Junco (MJ) floresta contínua com 522 ha, foram estudadas. A composição florística e parâmetros fitossociológica foram analisados e, um grupo de Callicebus coimbrai foi monitorado em cada área (FT: Julho, 2009-Fevereiro, 2013; MJ: Julho, 2011-Dezembro, 2012). A vegetação no FT parece estar em um estágio inicial de regeneração, com uma grande diversidade de árvores e densidade de lianas, enquanto MJ tem árvores mais altas, maior área basal, e menor densidade liana indicando um hábitat mais maduro. O monitoramento longitudinal no grupo FT indicou significativas modificações comportamentais e ecológicos relacionados com a variação inter-anual na distribuição de recursos. As comparações entre grupos identificou contrastes comportamentais, em particular no forrageio e a distribuição no tempo de descanso, o que indicou uma estratégia de minimização de tempo para o grupo FT. Contudo, no grupo MJ foram mais ativos durante os dias mais longos, compensando o tempo extra com altas taxas de descanso e redução no forrageio. As dietas eram predominantemente frugívoras, com variação marcada nos itens alimentares explorados. Apesar de habitar um fragmento menor, o grupo FT ocupava uma área de vida maior (10,8 ha) que o grupo MJ (9,1 ha), mas percorreu distâncias muito mais curtas a cada dia (964±120 m vs. 1073±300 m). Ambos os grupos tendem a seguir rotas relativamente circulares a cada dia, embora o grupo FT revisitou fontes de alimentação com mais frequência na estação seca, e MJ na estação chuvosa. Os traços da história de vida de cada grupo variou de acordo com as características de cada hábitat, com grandes diferenças no intervalo entre o nascimento e os períodos de desmame. No geral, os dados indicam que C. coimbrai está bem adaptado aos efeitos da fragmentação de hábitat, pelo menos à curto e médio prazo, porém mais dados serão necessários para planejar estratégias de gestão de hábitat para a conservação a longo prazo da espécies.
  • ANA CLAUDIA FIRMINO ALVES
  • Diptera (Insecta) associados a carcaças de suínos em área de Caatinga
  • Data: 31/07/2013
  • Hora: 14:00
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  • Os Diptera são considerados os insetos mais importantes em estudos forenses, pois são os primeiros colonizadores de carcaças em decomposição. Diante disso, objetivou-se estudar a dipterofauna associada à carcaças de suínos em uma área de Caatinga do Nordeste do Brasil. As coletas foram realizadas durante as estações seca e chuvosa na RPPN Fazenda Almas, em São José dos Cordeiros, PB. Como modelo animal foram utilizadas carcaças de suínos, duas em cada estação. As carcaças foram expostas em gaiolas de metal e os dípteros coletados passivamente até o final da decomposição através de armadilhas Shannon modificada. Foram coletados 69.421 dípteros pertencentes a pelo menos 17 famílias. Dentre elas, Calliphoridae (47,4%), Fanniidae (24,1%), Muscidae (13,5%) e Sarcophagidae (7,5%), foram as mais abundantes. Dentre os Calliphoridae, 32.909 espécimes foram capturados, representados por oito espécies: Chloroprocta idioidea (66,9%); Chrysomya albiceps (14,7%); Cochliomyia macellaria (13,2%); Lucilia eximia (4,3%); Chrysomya megacephala, Chrysomya putoria, Cochliomyia hominivorax e Hemilucilia segmentaria (0,8%). Fanniidae apresentou 16.744 espécimes, 16.223 fêmeas (não analisadas) e 521 machos representados por Fannia yenhedi (62,9%), Fannia heydenii (20,3%) e Fannia pusio (16,7%). Dentre os Muscidae, foram coletados 9.351 indivíduos, representados por 13 espécies. As mais abundantes foram Ophyra aenescens (55,6%), Atherigona orientalis (28,4%), Musca domestica (7,9%) e Brontaea aff debilis (3,9%). Sarcophagidae com 5.199 espécimes coletados, 3.980 fêmeas (não analisadas) e 1.219 machos, apresentou a maior riqueza de espécies (S=23) As mais abundantes foram Tricharea (Sarcophagula) occidua (49,1%), Sarcodexia lambens (24,3%), Oxysarcodexia thornax (6,6%) e Ravinia belforti (5,7%). O padrão de associação dos dípteros foi distinto entre as estações. Durante a estação seca, o inchamento teve atratividade para C. macellaria, Microcerella halli e Tytanogripa larvicida. Ophyra aenescens e A. orientalis estiveram associadas  a decomposição avançada. No estágio seco destacaram-se F. heydenii, F. yenhedi, O. thornax e C. idioidea. Durante a estação chuvosa, percebeu-se um grupo bem associado ao coliquativo, C. megacephala, C. albiceps, C. macellaria, M. domestica e O. aenescens, e outro a decomposição avançada, F. heydenii, F. yenhedi, B. aff debilis e R. belforti. A riqueza de espécies e a abundância da dipterofauna variaram de acordo com as estações climáticas. A maioria dos indivíduos foi coletada durante a estação chuvosa (85,2%), algumas espécies mostraram preferência ou foram coletadas somente em uma das estações, como S. lambens e R. belforti na estação chuvosa. As medidas de amplitude de nicho demonstraram a preferência de algumas espécies por determinados estágios de decomposição, assim como a generalidade de outras. As medidas de sobreposição de nicho apresentaram valores relativamente altos entre alguns pares de espécies e baixos entre outros podendo ser reflexo não somente de competição, mas também de coexistência das diferentes espécies com a partição do mesmo recurso. Estudos mais aprofundados devem ser feitos com as espécies mais prevalentes do presente trabalho, a fim de validar seu potencial para uso forense na região.

  • DANIEL DAL BO
  • Besouros (Coleoptera) associados à carcaças de Sus Scrofa Linnaeus em área de Restinga na Paraíba
  • Data: 30/07/2013
  • Hora: 08:30
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  • Os besouros associados a carcaças em decomposição, em ambiente de restinga, estão sendo estudados no presente estudo, visando contribuir com informações para a Entomologia Forense, no que diz respeito à estimativa do tempo de morte de um corpo e translocação de cadáver. Quatro carcaças de suínos foram utilizadas como isca para atração dos insetos, duas para cada estação climática em 2012. As carcaças foram mortas com um tiro na região craniana e colocadas em gaiolas para impedir a ação de animais carniceiros de grande porte. Para coleta dos besouros foram utilizadas armadilhas Shannon, pitfalls e coletas em bandeja. Foram coletados 3.763 besouros pertencentes a 19 famílias e 96 espécies. A família mais abundante foi Histeridae (N=1.406 espécimes), seguida por Staphylinidae (N=987) e Scarabaeidae (N=718). A família que apresentou maior riqueza foi Staphylinidae (S=23). As espécies com abundância maior que 1% do total amostrado foram: Euspilotus sp. 1 (N=930), Xerosaprinus diptychus (N=229), Euspilotus sp. 4 (N=155), Hypocaccus sp. (N=48) (Histeridae), Atheta sp. 1 (N=457), Homalotina sp. (N=269), Neohypnus sp. (N=81), Philonthus hepaticus (N=78) (Staphylinidae), Aidophus impressus (N=372), Dichotomius sp. gr. geminatus (N=215), Parataenius simulator (N=64), Ateuchus sp. (N=46) (Scarabaeidae), Dermestes maculatus (N=143) (Dermestidae), Necrobia rufipes (104) (Cleridae) e Omorgus suberosus (N=78) (Trogidae). Devido à diferença de abundância e riqueza foi observada influência da sazonalidade nos besouros, pois 80% destes foram coletados na estação chuvosa e a riqueza variou de 59 nesta estação para 26 na estiagem. A sucessão dos besouros variou de uma estação para outra, provavelmente devido à influência sazonal dos insetos. A maior abundância dos besouros foi observada no período noturno (54%), sendo as famílias que apresentaram abundância acima de 70% no período noturno foram Trogidae (78%), Tenebrionidae (74%) e Scarabaeidae (72%), e nenhuma apresentou tal valor para o período diurno. As espécies indicadas como potencial forense para a restinga foram Dermestes maculatus e Necrobia rufipes por se reproduzirem nas carcaças, e também Hypocaccus sp. e Bledius sp. por apresentarem registro estrito a ambientes semelhantes ao aqui estudado, sugerindo-se que essas espécies sirvam como indicadores de área.

  • RENATA DRUMMOND MARINHO CRUZ
  • Abelhas visitantes florais de Richardia grandiflora (Rubiaceae) ao longo de um gradiente urbano-rural
  • Data: 29/07/2013
  • Hora: 14:00
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  • A crescente urbanização tem sido um dos principais fatores causadores da perda e fragmentação de habitats, que afetam as comunidades de polinizadores e modificam as relações planta-polinizador. Embora tenha crescido o número de estudos focando na influência da paisagem sobre os polinizadores, no Brasil esse conhecimento ainda é incipiente. Neste estudo, as abelhas visitantes florais e o sucesso reprodutivo de Richardia grandiflora (Cham. & Schltdl.) Steud foram analisados ao longo de um gradiente urbano-rural, associando a possíveis alterações nas relações planta-polinizador. O estudo foi desenvolvido em seis áreas localizadas no estado da Paraíba, divididas em três diferentes categorias: urbanas, periurbanas e rurais. Para cada área foram estimados os percentuais de cobertura vegetal (arbórea e herbáceo-arbustiva), superfícies impermeáveis, solo livre e água, em duas escalas espaciais. As abelhas visitantes florais foram observadas mensalmente, de fevereiro de 2012 a janeiro de 2013, sendo registrada a composição de espécies, riqueza, frequência de ocorrência e número de visitas. Por fim, o sucesso reprodutivo foi estimado a partir de experimentos de polinização (livre e cruzada manual complementar) para obtenção da Eficácia Reprodutiva (ER) de R. grandiflora em cada área. Nos agrupamentos a partir da caracterização da paisagem e composição de espécies, as áreas urbanas se diferenciaram das demais, mas as áreas periurbanas e rurais não foram diferenciadas entre si. A pouca alteração na riqueza das abelhas eussociais e no número de visitas por meliponíneos, ao longo do gradiente urbano-rural, indicaram uma boa tolerância à urbanização. As abelhas não eussociais demonstraram ser mais sensíveis a esse processo, pois apresentaram uma maior riqueza e frequência nas áreas periurbanas e rurais. Além disso, a correlação positiva entre o número de visitas de abelhas não eussociais e a vegetação herbáceo-arbustiva, na escala espacial menor, sugere uma maior influência da paisagem local nessas espécies. A espécie introduzida Apis mellifera apresentou uma maior frequência nas áreas urbanas, que pode estar relacionada à menor disponibilidade de recursos, bem como à sua flexibilidade ecológica e poder competitivo. Finalmente, as áreas rurais apresentaram as maiores taxas de Eficácia Reprodutiva, enquanto as áreas urbanas, valores mais baixos. Nas áreas mais urbanizadas, possivelmente, A. mellifera não foi um polinizador tão eficiente quanto as espécies nativas, o que pode ser consequência da fragmentação das populações de Richardia grandiflora.

  • PAMELLA ALBINATI OLIVEIRA
  • História Natural de Bothrops leucurus Wagler, 1824 (Serpentes, Viperidae) da Mata Atlântica da Paraíba, Brasil
  • Data: 29/07/2013
  • Hora: 09:00
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  • A família Viperidae é composta de serpentes cuja dentição é denominada solenóglifa, altamente especializada para inoculação de peçonha. No Brasil existem 32 representantes dessa família, incluindo o gênero Bothrops, que é o que melhor a representa, o qual está subdividido em grupos que compartilham semelhanças ecológicas e morfológicas: B. alternatus, B. atrox, B. neuwiedi, B. jararaca, B. jararacussu e B. taeniatus. São serpentes vivíparas com período de acasalamento entre os meses de março e julho e, após a fertilização, que ocorre na primavera, ocorre o parto, entre janeiro e maio. Bothrops leucurus pertence ao grupo B. atrox e apresenta aspectos ecológicos semelhantes às serpentes com que compartilham um maior grau de parentesco (i.e. B. atrox e B. moojeni). Bothrops leucurus é uma serpente primariamente noturna, distribuída principalmente na Mata Atlântica nordestina. Os jovens são mais encontrados próximo a margens de rios e adultos sobre a serrapilheira, principalmente devido a disponibilidade de alimento nesses locais. O período de acasalamento ocorre no mês de março, possuindo, portanto, reprodução sazonal, com retenção de espermatozoides em uma torção localizada no útero posterior da fêmea, até que os óvulos estejam devidamente preparados para que ocorra a fertilização em meados de outubro, levando à parturição e ao período de recrutamento nos meses de fevereiro e março. Possui dieta generalista e ontogenia na dieta, sendo que jovens se alimentam preferencialmente de presas ectotérmicas e adultos de presas endotérmicas. O estudo de serpentes de interesse médico pode contribuir para a mitigação de acidentes ofídicos. Além disso, de uma perspectiva ecológica, compreender a ecologia de uma espécie contribui para a conservação da mesma e do ambiente que ela habita. Com isso, o presente trabalho visa contribuir com informações sobre a dieta, uso de micro-habitat e biologia reprodutiva de Bothrops leucurus provenientes principalmente do estado da Paraíba
  • HANNAH LARISSA DE FIGUEIREDO LOUREIRO NUNES
  • Estratificação Vertical da comunidade de morcegos (Mammalia, Chiroptera) em uma área de Mata Atlântica no Nordeste do Brasil
  • Data: 17/07/2013
  • Hora: 09:00
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  • A quiropterofauna Neotropical se destaca por apresentar uma alta diversidade trófica e morfológica, podendo abranger em torno de 50% da mastofauna associada às florestas. Entre os fatores que, possivelmente, permitem a existência de uma fauna tão complexa, destacam-se: a diversidade de estratégias alimentares, os padrões no horário de atividade, a variação sazonal na composição das comunidades de morcegos e a estratificação vertical. O presente estudo teve como objetivos analisar a estrutura vertical e a composição da comunidade de morcegos em uma área de Mata Atlântica. O estudo foi desenvolvido entre os meses de abril de 2012 e março de 2013, na Reserva Biológica Guaribas (Sema 3), município de Rio Tinto, Paraíba. Foram realizadas três noites de coletas mensais, com redes fixas dispostas no sub-bosque e dossel florestal (em torno de 15m de altura), abertas por 12 horas a cada noite. Adicionalmente, foram realizadas buscas por abrigos e, durante os últimos cinco meses de amostragem, foram utilizadas três redes de sub-bosque móveis, abertas por seis horas a cada noite. O esforço total foi de 92.092 h.m2. A partir de todas as metodologias utilizadas, foram capturados 1.760 indivíduos, pertencentes a quatro famílias e 23 espécies, dentre as quais destaca-se o primeiro registro de Molossops temminckii para o estado da Paraíba. A estimativa média da riqueza de espécies (Chao 1, Jack 1, Jack 2 e Bootstrap) foi de 25.3±1.3 espécies. Foi observada a existência de estratificação vertical, através da análise multivariada (Permanova), sendo oito espécies (Artibeus lituratus, Artibeus planirostris, Cynomops planirostris, Glossophaga soricina, Molossops temminckii, Phyllostomus discolor, Platyrrhinus lineatus e Sturnira lilium) significativamente mais abundantes no dossel do que no sub-bosque. Nenhuma espécie mostrou preferência significativa pelo sub-bosque. Além da diferença na composição de espécies, a abundância e a riqueza foram maiores no dossel. Uma análise de variância não demonstrou diferença significativa entre os horários de captura das espécies, exceto para Dermanura cinerea. Foram também encontradas correlações significativas e positivas entre a riqueza total de espécies e a abundância de Artibeus planirostris com a precipitação média mensal dos últimos cinco anos para a cidade de Rio Tinto.

  • RENATO RICHARD HILARIO
  • Determinantes ambientais da densidade de Callicebus coimbrai em fragmentos florestais no Nordeste Brasileiro
  • Data: 12/07/2013
  • Hora: 14:00
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  • A Terra não é homogênea, sendo que os ambientes podem variar bastante de local para local. Diferenças ambientais podem ocorrer em devido a fatores como clima, relevo, estrutura e composição do solo, histórico de atividades humanas, etc. Compreender como estes fatores interagem com a biodiversidade é um dos objetivos principais da ecologia. A presente tese aborda como as variáveis abióticas (clima e relevo) influenciam a estrutura, a heterogeneidade das matas e a abundância de alguns grupos de plantas (bromélias, bambus, cipós e palmeiras). Além disso, foi avaliado como a estrutura das matas se relaciona com a abundância desses grupos vegetais. O objetivo principal do trabalho, entretanto, foi avaliar como as variáveis ambientais (bióticas e abióticas) influenciam a densidade de guigós (Callicebus coimbrai) ao longo de toda a distribuição geográfica da espécie, que corresponde à Mata Atlântica entre os rios São Francisco e Paraguaçu, nos estados de Sergipe e Bahia. A partir disso, o presente trabalho gera um embasamento para um plano para a conservação de C. coimbrai, que atualmente está ameaçada de extinção. Durante o trabalho, 22 fragmentos florestais foram amostrados, 19 dos quais abrigam populações de guigós. Em cada fragmento foram estabelecidos diversos pontos amostrais dispostos em transectos de cinco pontos (a cada 50 m de distância) espalhados pelo fragmento. Nos pontos amostrais, mediu-se a altura das árvores, a altura do dossel, a abertura do dossel, a distância das árvores ao ponto central, a área basal das árvores, a visibilidade no sub-bosque, abundância de cipós, bromélias, bambus e palmeiras, e a inclinação máxima do relevo. Para cada fragmento, também considerou-se a temperatura máxima, a precipitação anual total e a sazonalidade na precipitação, obtidas através do WorldClim. A altitude média e o tamanho dos fragmentos também foram calculados. Para amostrar a densidade de guigós, uma gravação da vocalização de Callicebus personatus foi tocada em pontos amostrais espaçados 200 metros entre si. A partir disso, gerou-se um índice de densidade que reflete o número de respostas ao playback em cada ponto amostral em cada área. A amostragem da densidade foi replicada em cada fragmento em três dias diferentes no período da manhã, entre 15-30 minutos após o nascer do sol e as 10:00 h. A densidade do sagui, Callithrix jacchus, e a presença/ausência de macacos-prego (Cebus xanthosternos) também foram avaliadas em cada fragmento. A precipitação influenciou a estrutura das matas, determinando matas mais altas, com dossel mais fechado, sub-bosque mais aberto e árvores mais finas e próximas umas das outras, mostrando que a disponibilidade de água é um fator importante moldando estas caracterísitcas. Além disso, áreas mais planas apresentaram menor heterogeneidade e árvores mais finas e próximas umas das outras. Isso pode ser explicado pelo fato de que o próprio relevo é mais heterogêneo nas áreas com maior inclinação, e que as áreas mais planas devem ter sofrido maior degradação antrópica no passado. Os cipós ocorreram em maior abundância em áreas de menor precipitação o que está relacionado a uma vantagem competitiva que estas formas de vida têm em ambientes de maior restrição de água. As bromélias também foram mais abundantes em ambientes de menor precipitação, mas como não possuem raízes profundas como os cipós, necessitam também que haja uma menor sazonalidade na precipitação para atingirem maiores abundâncias. As palmeiras ocorreram em maior quantidade em áreas de mata madura, o que deve estar associado com a presença de espécies que demandam habitat mais preservado. Além disso, palmeiras atingiram maiores densidades em áreas quentes e com relevo acidentado, o que seria explicado por afinidades com altas temperaturas, por uma maior incidência de luz em encostas íngremes e a uma maior quantidade de vales úmidos. Nenhuma variável, biótica ou abiótica, se relacionou com a abundância de bambus. A relação da estrutura e da composição das matas com as variáveis climáticas aponta para um cenário em que as essas irão adquirir características de matas degradadas com o aumento da temperatura e a diminuição da precipitação prevista para ocorrer na região. O presente estudo detectou que as áreas de maior densidade de guigós se concentram no sul de Sergipe. Matas mais altas, com árvores mais próximas e sub-bosque mais denso favoreceram maiores densidades de guigós. Essas características representam matas mais maduras e condizem com maior disponibilidade de alimento para o guigó. Dessa forma, o presente estudo concorda com estudos anteriores que mostraram que os guigós preferem matas mais bem preservadas. Considerando a ausência de relação da densidade de guigós com a densidade de saguis e a presença de macacos-prego, podemos concluir que a competição entre estes primatas não é muito relevante para o guigó. A partir dos resultados do presente estudo podemos indicar que as melhores estratégias para conservar C. coimbrai são: (1) proteger o maior fragmento com a ocorrência da espécie (Serra de São Francisco) e (2) conectar fragmentos na região sul de Sergipe de forma a formar metapopulações de maior tamanho. Durante a amostragem, a presença de C. coimbrai não pôde ser confirmada em quatro áreas onde a espécie havia sido anteriormente registrada. Calculou-se que a probabilidade de ocorrência do guigó nessas áreas variou entre 0,000177 e 0,0604. Sendo assim, parece seguro afirmar que o guigó se extinguiu nessas localidades. Essas áreas apresentaram sub-bosque menos denso que as áreas onde o guigó esteve presente, o que levaria C. coimbrai a ocorrer em menor densidade. Isso, juntamente com o pequeno porte dos fragmentos e a degradação ambiental seriam as causas da extinção. Somente na Lontra, uma das matas onde o guigó não foi detectado, a explicação para a extinção se torna mais difícil, já que trata-se de uma mata grande e pouco impactada. O presente trabalho também levanta a suspeita de extinção em outras duas matas onde a busca pelo guigó não foi feita de forma sistemática, mas onde não houve respostas ao playback e os moradores locais apontaram a ausência do guigó nas matas. Além destas, outros três fragmentos onde o C. coimbrai havia sido previamente registrado foram completamente suprimidos. Somando-se essas matas, até um quinto da área de ocupação da espécie pode ter sido perdida em menos de uma década, o que é um cenário bastante preocupante para a conservação da espécie. Apesar disso, a categorização do nível de ameaça de C. coimbrai continua como "em perigo".
  • GUSTAVO ALVES DA COSTA TOLEDO
  • Variação Geográfica em Crânios de Golfinhos Nariz-de-Garrafa, Tursiops, Gervais, 1855, no Atlântico Ocidental
  • Data: 01/07/2013
  • Hora: 14:00
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  • Crânios de Golfinhos Nariz-de-Garrafa, gênero Tursiops, Gervais, 1855, foram analisados quanto à Variação Geográfica no Atlântico Ocidental. Os espécimes estudados auxiliaram em interpretações quanto à variação geográfica e ontogenia de Tursiops do Atlântico Ocidental, principalmente por acrescentar uma boa amostra de espécimes sabidamente oceânicos e uma excelente série de indivíduos em todas as classes de idade. Apesar da confirmação da grande plasticidade morfológica exibida pelo gênero, a priori, pode-se observar quarto “morfótipos” para a área estudada, dois no Atlântico Sul Ocidental (ASO) e dois no Atlântico Norte Ocidental (ANO). De maneira geral, os padrões de diferenciação morfológica aparentemente estão relacionados ao tipo de habitat, sendo mais influenciados por uma variação longitudinal (costeiro/oceânico) do que simplesmente uma variação latitudinal.

  • JANE ENISA RIBEIRO TORELLI DE SOUZA
  • ICTIOFAUNA E BIOACUMULAÇÃO DE METAIS PESADOS NA CADEIA TRÓFICA, RIO GRAMAME, BACIA DO RIO GRAMAME - PARAIBA
  • Data: 27/06/2013
  • Hora: 14:30
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  • O presente trabalho teve por objetivo, determinar a diversidade da ictiofauna e a bioacumulação de metais pesados na cadeia trófica do Rio Gramame, Bacia do Rio Gramame, Paraíba. Para isso foi realizada análise da ictiofauna presente, com coletas dos espécimes realizadas em 10 pontos ao longo do Rio Gramame, utilizando diversas artes de pesca, durante as estações de chuva e estiagem de 2010 a 2011. O material coletado foi transportado para o Laboratório de Ecologia Aquática (DSE/CCEN/UFPB), onde foram feitas as análises biométricas dos indivíduos (peso total e comprimento padrão), para determinar o tipo de crescimento e o fator de condição, objetivando a comparação desses parâmetros com a contaminação dos peixes. A dieta alimentar das espécies foi conhecida a partir de análises do conteúdo estomacal pelo método de freqüência de ocorrência, com finalidade de conhecer a teia alimentar, que serviu de base para o estudo da biomagnificação dos metais pesados na ictiofauna. Posteriormente, a diversidade ecológica foi determinada a partir dos índices de diversidade (Shannon-Wiener), Equitabilidade (Simpson), similaridade (Jaccard) e riqueza de espécies. As concentrações dos metais pesados (Pb, Zn, Cd, Cu) no tecido muscular das espécies foram quantificados por voltametria de onda quadrada (VOQ) em um potenciostato/galvanostato no Laboratório de Estudos Químicos Ambientais (DQ/CCEN/UFPB), e o mercúrio total (Hg) por espectrometria de absorção atômica com geração de vapor frio (CV AAS) no IPEN/USP/SP. A composição da ictiofauna a montante apresentou um número de taxa menor do que a jusante do reservatório (16 e 26 gêneros e 17 e 27 espécies, respectivamente), sendo as espécies mais abundantes, Cichla ocellaris (55,39%±28,96), Metynnis lippincottiannus (20,34%±13,4), Prochilodus brevis (16,63%±11,36) e Hoplias malabaricus (13,33%±7,57), em ambas as estações do ano. Os índices de diversidade apresentaram diferenças entre as estações de chuva e estiagem e as áreas a montante e a jusante do reservatório (H’=1,3075; H’=1,538), (H’=1,6497; H’=1,3553), como uma riqueza representada (17 e 26 e 18 e 22 espécies respectivamente) e uma distribuição heterogênea das espécies (J’=0,52269 e J’=0,38618 respectivamente), devido à dominância de C. ocellaris a montante e de M. lippincottianus a jusante do reservatório. A estrutura de crescimento da maioria das espécies analisadas foi representada por indivíduos jovens, revelando um crescimento do tipo alométrico negativo na população. A dieta alimentar das espécies apresentou-se pouco diferenciada, levando a uma maior incidência de hábitos alimentares generalistas ao longo do Rio Gramame. A análise de componentes principais (PCA) expressou uma tendência das áreas a montante e a jusante do reservatório diferir quanto à acumulação por metais pesados na cadeia trófica. A maior contaminação por mercúrio total foi registrada a montante, enquanto que, chumbo e zinco a jusante do reservatório. Concluí-se que, ao longo do Rio Gramame a ictiofauna apresentou uma maior dominância de espécies exóticas, levando a uma menor representação na diversidade das espécies nativas. A dieta alimentar das espécies revelou hábitos alimentares generalistas, com a categoria trófica onívora mais abundante. As maiores concentrações dos metais pesados foram registradas entre espécies de hábitos onívoros, indicando uma biomagnificação dos elementos tóxicos entre as espécies estudadas.

  • FELIPE JARDELINO ELOI
  • Parasitismo em Cnemidophorus ocellifer (Squamata: Teiidae) de quatro ecorregiões do Nordeste Brasileiro
  • Data: 30/04/2013
  • Hora: 14:00
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  • Parasita é um organismo que vive dentro (endoparasitas) ou na superfície (ectoparasitas) de outro organismo, o hospedeiro, se alimentando, apresentando certo grau de adaptação e causando algum dano ao mesmo. No Brasil um dos lagartos mais comumente encontradas é Cnemidophorus ocellifer, forrageador ativo, de ampla distribuição nacional exceto Amazônia, heliófilo e diurno, que habita principalmente áreas abertas. Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo caracterizar e testar hipóteses sobre os padrões de infestação por parasitas em populações de C. ocellifer de quatro ecorregiões do Nordeste Brasileiro, quanto à abundância, composição, diversidade e distribuição corporal, bem como sobre os efeitos da intensidade parasitária sobre a aptidão dos hospedeiros. Foram examinados 399 exemplares de C. ocellifer de quatro populações: Barra do Cunhaú/RN, Cabaceiras/PB, PARNA Sete Cidades/PI e REBIO Guaribas/PB. Eutrombicula alfreddugesi foi a única espécie de ectoparasita encontrada em todas as populações estudadas. A população de Sete Cidades/PI foi a mais parasitada, com 9.819 ácaros encontrados, e a população de Barra do Cunhaú/RN foi a menos parasitada, com apenas 445 ácaros e 66 indivíduos livres de ectoparasitas. Foram encontrados seis tipos de endoparasitas: Platelmintos Cestoda (n=49) e Nematelmintos Pharyngodon sp. (n=1.633), em estômagos e intestinos; Nematelmintos Piratuba sp. (n=6), Oswaldofilaria sp. (n=17) e Physaloptera sp. (n=1), em cavidades celomáticas (apenas em Sete Cidades); e o Pentastomídeo Raillietiella mottae (n=5) nos pulmões dos indivíduos de Barra do Cunhaú. Para ectoparasitas os machos são significativamente mais infestados que fêmeas e isso provavelmente está ligado à relação inversamente proporcional que existe entre as taxas de testosterona no sangue e a eficiência do sistema imune. Os sítios de infestação foram determinantes para a infestação por ectoparasitas em todas as populações estudadas, indicando principalmente as regiões pós-inguinais como os sítios significativamente mais infestado em todas as populações. Esses resultados não estão relacionados apenas a presença de dobras dérmicas nessas regiões, já que existem dobras em outras partes do corpo desses lagartos e elas não apresentaram, significativamente, altas infestações. A infestação também foi parcialmente influenciada pelo ambiente, mas pode ser que essa influência seja por fatores secundários e não necessariamente ambientais. A condição corporal, outro parâmetro de aptidão, também foi parcialmente influenciada pela infestação parasitária, mas não como esperado, onde indivíduos mais parasitados apresentaram melhor condição corporal, refutando a hipótese mencionada na introdução (indivíduos com maior intensidade parasitária teriam menor índice de condição corporal). Um apanhado geral de todos esses resultados sugere que a infestação por ectoparasitas pode estar associada a características de aptidão e seleção sexual, corroborando a Teoria da Desvantagem. Se não dessa forma, um parasita pode apresentar, com seu hospedeiro, uma relação neutra (comensalista) ou até mesmo positiva, mesmo que em baixo nível (mutualista). Os endoparasitas podem estar atuando de forma espúria, sem que os hospedeiros em nada se beneficiem com essa interação, mas podem ao menos apresentar um padrão de diversidade de espécies conhecido para outros táxons

  • RAYNNER RILKE DUARTE BARBOSA
  • Práticas cinegéticas e usos tradicionais da mastofauna por povos do semiárido nordestino
  • Data: 26/04/2013
  • Hora: 08:00
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  • No semiárido Nordestino atividades cinegéticas são praticadas desde épocas remotas e representa uma forma tradicional de manejo da vida silvestre. Diferentes espécies de mamíferos vêm sendo utilizados pelos moradores locais de várias formas revelando a importância socioeconômica e cultural da mastofauna local. Pesquisas sobre essa atividade são fundamentais para subsidiar planos de gestão da caça, e adoção de políticas públicas destinadas à conservação e preservação do patrimônio faunístico. Dessa forma, este trabalho objetivou obter informações junto a caçadores de dez municípios do semiárido Nordestino (predomínio do Bioma Caatinga) pertencentes aos Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão, acerca dos usos da mastofauna e as práticas cinegéticas, bem como avaliar o contexto sócio-econômico-cultural associado a tais usos e as implicações sobre conservação da biodiversidade local. As informações foram obtidas por meio de questionários semiestruturados complementados por entrevistas livres e conversas informais. Os dados quantitativos foram trabalhados por meio do cálculo do Valor de Uso (VU), Prioridades Locais de Conservação das espécies (PLC), a estimativa de espécies utilizadas por meio de curvas de coletor. A pesquisa foi realizada com um total de 413 entrevistados, cujas idades variaram de 18 e 88 anos sendo estes caçadores e ex-caçadores, no período de 2010 a 2012. Os resultados obtidos mostraram que o conhecimento local sobre as práticas cinegéticas e os usos dos mamíferos tem caráter me nemônico sendo passado transgeracionalmente. Um total de 38 espécies de mamíferos foi inventariado, pertencentes a 9 ordens e 19 famílias. Os recursos cinegéticos são utilizados localmente para as seguintes finalidades: comércio (31.sp) foi a principal, seguida por alimentação (29 .sp), zooterapia (21 .sp), adorno e criação (16 .sp), controle (14 .sp), etnoveterinaria e magico religioso (12 .sp). Foi testemunhado o comércio de animais vivos, mortos e subprodutos destes de forma intensa nas áreas visitadas, com fortes tendências a rotas de tráficos. Das espécies silvestres usadas na cozinha cinegética, a maioria dos entrevistados (n=304, 73,6%), destacou como sendo os preferenciais: dasipodídeos: tatu-peba (E. sexcinctus), tatuverdadeiro (D. novemcinctus); seguido pelos mirmecofagídeos: tamanduá-pequeno (T. tetradactyla); os roedores: preá (C. aperea) e mocó (K. rupestres). Os motivos que geram os conflitos e levam ao abate dos animais silvestres são: ataque a criações domésticas, risco de morte às pessoas, destruição das lavouras e risco de transmissão de doenças. Foi registrado o uso de 22 técnicas de caça para abate e captura dos animais, sendo que à caça com armas de fogo correspondeu ao maior número de adeptos (94%) e é empregada para 34 espécies de mamíferos; seguida pela caça com cães (88,8%) e a caça de espera (55%), citadas para captura e/ou abate de 31 e 19 espécies de mamíferos cinegéticos, respectivamente. Estações chuvosas e as fazes de lua cheia foram relatadas pela maioria (54%) como os melhores períodos para a caça dos mamíferos nas localidades. Destaca-se ainda um total 14 mamíferos, pertencentes a 6 ordens e 9 famílias citados em levantamento histórico-etnozoologico de espécies que são raras e/ou que não ocorrem mais nas áreas visitadas. Todos os caçadores entrevistados admitiram ter conhecimento da ilegalidade das atividades cinegéticas, o que não inibe sua prática. Constata -se a necessidade de se estabelecer uma maior interação entres caçadores locais, comunidade acadêmica e órgãos ambientais, a fim de traçar planos de manejo em consonância com os usuários dos recursos e baseados em pesquisas acerca da biologia das espécies exploradas.
  • DANIELA DE CARVALHO MELO
  • Comunidades de aves de sub-bosque de remanescentes florestais de Mata Atlântica do Nordeste do Brasil: composição, diversidade e habitat
  • Data: 23/04/2013
  • Hora: 14:00
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  • Análise ecológica da estrutura das comunidades de aves de sub-bosque de remanescentes florestais de Mata Atlântica da Paraíba. A América do Sul é a região que possui a maior diversidade de aves no mundo. No Brasil a Mata Atlântica é o segundo bioma mais diverso. A Mata Atlântica da Paraíba integra o Centro de Endemismo Pernambuco, uma região que abriga cerca de 2/3 de das espécies de aves presentes no bioma. O presente estudo investigou as comunidades de aves de sub-bosque de três remanescentes de Mata Atlântica da Paraíba através do método de captura com redes de neblina. Dez redes foram posicionadas no sub-bosque florestal em oito pontos distintos ao longo de cada remanescente, tendo sido realizadas 48 dias de amostragem ao todo, totalizando 2.895 horas-rede. Ao todo foram capturados 333 indivíduos de 44 espécies divididas em 19 famílias. A taxa de recaptura foi de 2%. As espécies com maior representatividade foram Arremon taciturnus (n = 40), Chiroxiphia pareola (n = 32) e Conopophaga melanops (n = 28), sendo esta última espécie endêmica e ameaçada da Mata Atlântica com status de “vulnerável”. As espécies ameaçadas totalizaram 16% dos registros e o mesmo valor foi encontrado para as espécies endêmicas. A riqueza de espécies entre os três remanescentes não diferiu (χ² =0,667; g.l = 2; p = 0,7165), e de acordo com as comunidades de aves encontradas, a diversidade foi considerada baixa, com predominância de espécies dominantes e generalistas. A composição das espécies foi pouco similar entre os remanescentes, sugerindo que o tamanho, a matriz e a disponibilidade de microhabitats distintos de cada um possam ter influenciado na presença das espécies. O remanescente Reserva Particular do Patrimônio Natural Engenho Gargaú foi o que apresentou o maior número de espécies endêmicas e ameaçadas, assim como insetívoros de sub-bosque, sugerindo assim que tal remanescente seja mais bem conservado.
  • JESSICA PRATA DE OLIVEIRA
  • Holothuroidea (Echinodermata) da região Nordeste do Brasil
  • Data: 19/04/2013
  • Hora: 14:00
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  • A classe Holothuroidea possui aproximadamente 1400 espécies viventes, das quais 50 foram registradas para a costa brasileira. Estudos sobre a classe no Brasil são relativamente escassos, principalmente para as regiões Norte e Nordeste. Diante da carência de informações sobre as espécies de holotúrias do litoral brasileiro o presente estudo objetivou identificar as espécies da classe Holothuroidea proveniente da região Nordeste do Brasil, a fim de inventariar e fornecer informações taxonômicas detalhadas bem como dados sobre sua distribuição na região. O principal acervo analisado foi o da Coleção de Invertebrados Paulo Young, do Departamento de Sistemática e Ecologia (DSE), da Universidade Federal da Paraíba (CIPY-DSE-UFPB). Além deste, Foi examinado material do Museu de Zoologia da Universidade Federal da Bahia (MZUFBA), Museu Nacional (MNRJ) e Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP). O estudo dos espécimes abrange a análise de caracteres morfológicos externos e internos, bem como do padrão dos ossículos calcários, estes últimos são fundamentais para a determinação a nível específico. Foram identificadas 32 espécies pertencentes a 3 ordens, 8 famílias, 18 gêneros e 8 subgêneros. Das espécies registradas Thyone crassidisca Miller & Pawson, 1981, Euthyonidiella trita (Sluiter, 1910), Protankyra ramiurna Heding, 1928 e Holothuria (Holothuria) dakarenisis representam novos registros para a costa brasileira. Os estados que apresentaram maior diversidade em relação à fauna de Holothuroidea foram respectivamente, Paraíba (n = 22 spp.), Bahia (n = 21 spp.), Alagoas (n = 14 spp.) e Pernambuco (n = 10). Com base nos acervos analisados, Maranhão e Sergipe foram os únicos estados em que nenhuma espécie da classe foi registrada. Nota-se que a fauna do infralitoral necessita de uma melhor amostragem. O estudo fornece a primeira lista comentada dos Holothuroidea do Nordeste. Fortalece ainda a importância das coleções científicas para estudos em sistemática e ampliação do conhecimento da biodiversidade.

  • JOSE ERIBERTO DE ASSIS
  • Análise filogenética dos Toriida: a linhagem dos Enterocoela
  • Data: 15/03/2013
  • Hora: 14:00
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  • As primeiras tentativas de classificação dos anelídeos foram representadas para um grupo peculiar de vermes que formavam as primeiras famílias de poliquetas, agrupadas dentro da Classe Vermes. O grupo foi dividido inicialmente em Annélides Errantes, Annélides tubuicoles ou Sédentaires, Annélides Terricoles (capitellídeos e minhocas) e Annélides souceuses (para sanguessugas). Essas classificações eram arbitrárias porque não refletiam ancestralidade comum. Com o surgimento da sistemática filogenética por Willi Hennig em 1950, os anelídeos como vários outros grupos de organismos, começaram a ser agrupados com base em ancestralidade comum. Mas, somente a partir da década de 90 surgiram os primeiros trabalhos de filogenia com morfológicos, cujo objetivo era estabelecer relação de parentescos, e confirmar a monofila do grupo. Nestas análises, Pogonophora foi reduzido a uma família de Polychaeta, os Siboglinidae. Entretanto, esta proposta não foi aceita por diversos pesquisadores, que questionaram a parafilia tanto de Annelida quanto de Polychaeta, porque os resultados eram incongruentes especialmente como os dados moleculares que surgiram anos depois. Outras propostas filogenéticas apresentavam os derivando dos poliquetas sedentário, em especial com os Owenia baseado nas divisões do corpo, no epitélio intra-epitelial e na larva. Assim, propuseram novo clado para, os Metameria, que agruparia anelídeos e Enterocoela. Por fim, a inclusão do Filo Pogonophora como uma família de Polychaeta, com base especialmente em dados moleculares, quebra a relação de paradigma evolutivo que este táxon compartilha com os Deuterostômios, como hipotetizado por muitos autores. Os primeiros resultados confirmam essa hipótese inicial.

  • LAIS SILVA RODRIGUES
  • Abundância e ecologia reprodutiva de Abudefduf saxatilis (Linnaeus, 1758) (Osteichthyes: Pomacentridae) no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, Brasil
  • Data: 15/03/2013
  • Hora: 09:00
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  • A família Pomacentridae inclui peixes marinhos, habitantes de substratos coralíneos ou rochosos, restritos às regiões rasas (BESSA et al., 2007). Esta família encontra-se mais diversificada no Pacífico Sul, com distribuição circuntropical. Seus representantes são popularmente conhecidos como donzelas e sargentinhos, e no Brasil ocorrem 14 espécies de quatro gêneros. Representantes da família Pomacentridae mostram grande fidelidade aos seus microhabitats, e podem viver em recifes por meses ou anos, uma característica ecológica que indica pouca ou nenhuma influência da migração na sua distribuição, sugerindo que a mesma é condicionada basicamente pela dispersão larval. Neste sentido, para os representantes de A. saxatilis da província biogeográfica brasileira, os eventos de dispersão são causados principalmente pela Corrente Equatorial Sul, vinda do Atlântico e que passa pelo ASPSP e Atol das Rocas e se divide na costa do Rio Grande do Norte, ramificando-se na Corrente Guiana ao norte e Corrente Brasil ao sul. O Abudefduf saxatilis é predominantemente planctívoro, mas há registros de canibalismo, onde os adultos se alimentam da própria prole, bem como registros de raros casos de canibalismo de proles e ovos de indivíduos não-aparentados, podendo, portanto, ser considerada onívoro.

  • ADRIANO MEDEIROS DE SOUZA
  • As áreas de endemismo dos opiliones (arachnida) da Mata Atlântica ao norte do Rio São Francisco
  • Data: 28/02/2013
  • Hora: 08:00
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  • Os opiliões têm sido recentemente usados como modelos em diversos
    enfoques em biogeografia: áreas de endemismo, biogeografia cladística, filogeografia,
    estudos de diversidade beta, entre outros. Pelo seu alto grau de endemismo,
    sobretudo em florestas tropicais, as distribuições das espécies de opiliões têm sido
    usadas para a delimitação de áreas de endemismo na Floresta Atlântica, um dos mais
    importantes hotspots para a conservação no mundo. No presente estudo, usamos a
    distribuição de 193 espécies de três famílias de opiliões, Cosmetidae, Gonyleptidae e
    Stygnidae, para a delimitação de áreas de endemismo no bioma. Isto representa
    aproximadamente o dobro da última análise publicada em número de espécies e
    registros - de 109 a 193 espécies, de 636 a 1300 registros. Foi usado o programa e
    algoritmo NDM, com grade de células quadradas de 0,25°, 0,5°, 1°, 1,5° e 2°, em
    conjunto com análise qualitativa sob os Critérios Combinados. Foram encontradas 12
    áreas de endemismo bastante semelhantes com os trabalhos anteriores. As
    atualizações na delimitação são: 1) definição mais robusta das áreas “Bahia” e
    “Pernambuco”, por causa do maior foco dado a região nordeste pelos autores no
    último período; 2) não corroboração da área de endemismo “Serra da Mantiqueira”,
    mesmo com uma maior quantidade de registros nesta região, podendo indicar uma
    área de transição entre áreas de endemismo e o Cerrado no interior; 3) uma possível
    área ao norte do Rio Doce no Espírito Santo, região não amostrada nos trabalhos
    anteriores. Estes resultados mostram que a hipótese de delimitação de áreas de
    endemismo da Mata Atlântica é bastante robusta, modificando pouco com o
    acréscimo de táxons e registros e uso de grades de diversos tamanhos no presente
    estudo. Por outro lado, regiões pouco conhecidas podem fornecer novas áreas e uma
    maior quantidade de dados permite um maior refinamento nas previamente
    delimitadas.

  • MARIA HELENA PEREIRA PEIXOTO
  • Spillover de abelhas, vespas e seus inimigos naturais em um gradiente urbano-rural
  • Data: 27/02/2013
  • Hora: 14:00
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  • O aumento da urbanização é conhecido por causar séria diminuição na riqueza de espécies silvestres. Assim, o declínio de populações de abelhas nativas está sendo amplamente documentado na Europa, principalmente devido à sua importância como polinizadores com significância ecológica e econômica. Apesar de uma significante pressão nas cidades, pode-se observar em área urbana um número considerável de espécies de abelhas e algumas regiões suburbanas tem o potencial de hospedar comunidades de abelhas relativamente diversas. O objetivo deste estudo foi estudar comunidades de abelhas e vespas nidificantes de ninhos-armadilha ao longo de um gradiente urbano-rural e dentro de agrossistemas, avaliando os efeitos destes hábitats na diversidade, abundância e interaçãoes das abelhas e vespas.

  • ALINE CRISTINA ALVES
  • Ecologia Reprodutiva do peixe donzela, Stegastes sanctipauli Lubbock & Edwards, 1981 (Osteichthyes: Pomacentridae) no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, Brasil
  • Data: 27/02/2013
  • Hora: 08:30
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  • Os padrões de movimentação, alimentação e reprodução de muitos organismos estão fortemente ligados ao regime das marés e, portanto, o ciclo lunar. Estudos relatam acentuada periodicidade lunar nos padrões de desova de muitos peixes, os quais apresentam picos de atividade reprodutiva na lua cheia, na lua nova ou em ambas. Isto ocorre devido à vantagem de restringir a atividade reprodutiva para períodos lunares que são favoráveis a sobrevivência da prole. Durante estes períodos a maior variação da maré dificulta a ação de predadores e diminui a competição intraespecífica por recurso alimentar. Contudo, tem-se mostrado difícil discriminar as forças seletivas responsáveis por moldar os padrões temporais de reprodução destes animais. Os peixes da família Pomacentridae (donzelas) apresentam estratégias reprodutivas que envolvem a desova demersal, seus ovos possuem propriedades aderentes e são depositados sobre o fundo recifal. Durante o período reprodutivo, as fêmeas, em geral, visitam o território dos machos, e liberam seus ovos nos ninhos. Com isso, várias fêmeas podem desovar em um mesmo ninho e o macho cuida dos ovos até o momento da eclosão. O presente trabalho visou evidenciar aspectos relacionados à ecologia reprodutiva de Stegastes sanctipauli no Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP). Especificamente, caracterizar o comportamento reprodutivo de S. sanctipauli, incluindo período (diário) e densidade de desovas adesivas, bem como o comportamento de cuidado com os ovos (i.e. limpeza de substrato e retirada de ovos não viáveis); Estimar taxas de predação durante a fase reprodutiva e determinar quais são os predadores em potencial;    Verificar a influência do ciclo lunar na densidade e sucesso das desovas.

  • RAFAEL DOS SANTOS DANTAS
  • Composição e estrutura trófica da ictiofauna de piscinas de maré da praia do Paiva, região metropolitana do Recife, PE
  • Data: 26/02/2013
  • Hora: 08:30
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  • A Praia do Paiva, pouco habitada e conservada, situa-se no município de Cabo de Santo Agostinho, região metropolitana da cidade de Recife, capital do Estado de Pernambuco, Brasil, e está inserida em uma região sob influência de grande interferência antrópica, seja oriunda do turismo, seja da infl uência do Porto de Suape. Este estudo investigou a composição e estrutura trófica da ictiofauna recifal em cinco piscinas de maré na praia do Paiva. Em um total de 75 censos visuais realizados através de transectos de faixa, acrescidos de busca intensivas realizada na área, foram registradas 66 espécies pertencentes a 34 famílias. As piscinas compartilharam 32,60% das espécies, que possuem, em sua maioria, distribuição conhecida ao longo do Atlântico Ocidental. Não foram observadas dife renças significativas entre a diversidade e riqueza registradas nas piscinas, essa diferença sendo observada apenas entre piscinas versus equitabilidade. As categorias tróficas resgistradas foram Predadores de Invertebrados Móveis, Herbívoros Territorialis tas, Onívoros, Herbívoros Não Territorialistas, Predadores de Invertebrados Sésseis, Zooplanctívoros, Carnívoros Generalistas e Piscívoros. Os resultados obtidos nesse estudo mostram que a cobertura do substrato não difere significativamente entre as áreas estudadas, provavelmente devido à proximidade entre as piscinas, que estão submetidas aos mesmos fatores ambientais. A área possui uma diversidade de peixes superior a muitos ambientes recifais na costa brasileira, ressaltando a sua importância. As espécies não demonstraram diferença clara no uso dos ambientes, possuindo distribuição associada a ambientes com valores intermediários das variáveis ambientais. A distribuição das categorias tróficas segue um padrão conhecido na literatura, tendo a categoria de Predadores de Invertebrados Móveis como mais abundante. Os usos das piscinas por turistas e pescadores artesanais foi registrado na área estudada, além dos impactos oriundos da construção civil na linha da costa, o que pode levar a uma diminuição da diversidade de peixes na área estudada. Os resultados obtidos neste estudo poderão subsidiar avaliações futuras da condição da ictiofauna associada aos ambientes de piscinas da praia do Paiva.
  • EMERSON DE AZEVEDO SILVA BEZERRA
  • ANÁLISE FILOGENÉTICA DOS GLOSSOSCOLECIDAE (ANNELIDA, EUCLITELLATA)
  • Data: 25/02/2013
  • Hora: 14:30
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  • Realizou-se um estudo das relações filogenéticas de Glossoscolecidae através do
    método hennigiano de tratamento de dados. Foram utilizados caracteres morfológicos
    obtidos em bibliografias e através da observação de animais depositados em
    coleções. Um total de 45 caracteres foram selecionados, e 61 táxons terminais.
    Multiplos grupos-externo foram selecionados (Alluroididae, Haplotaxidae, Hrabeiella
    periglandulata, Lumbriculidae, Moniligastridae, Monotesticulata e Syngenodrilidae). A
    análise filogenética foi realizada com o uso dos softwares Mesquite (versão 2.75) e
    TNT (versão 1.1). Os caracteres foram codificados em multiestados sempre que
    possível e ausências como apomorfias. Os dados foram tratados como não-ordenados
    e ordenados. No TNT, comparou-se os resultados de dois algoritmos (Traditional
    Search e New Technology Search). As árvores de consenso estrito com caracteres
    ordenados não sustentou a monofilia de Glossoscolecidae. Apenas com os caracteres
    não-ordenados, o táxon foi sustentando pela presença de esfíncter nos nefrídios. Em
    geral, não houve diferenças nos resultados entre o uso do software Mesquite e TNT e
    entre o uso do algoritmo Traditional Search e New Technology Search. Propomos o
    seguinte posicionamento de Glossoscolecidae entre os Euclitellata: Lumbricina:
    (Hormogastridae (Microchaetidae + Glossoscolecidae)) + Megascolecoidea +
    Lumbricidae + Kynotidae + (Sparganophilidae (Almidae + Criodrilidae)).

  • CRISTIANO DE SANTANA CARVALHO
  • Relações Biogeográficas entre Comunidades de Aves suportam diferentes histórias na Mata Atlântica
  • Data: 25/02/2013
  • Hora: 08:00
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  • A grande variação latitudinal e altitudinal existente na Mata Atlântica são fatores que influenciam as diferenças florísticas e faunísticas encontradas ao longo dos seus limites. Além dessas características, diferentes fatores históricos e ecológicos contribuíram para determinação dos atuais padrões de distribuição de sua biota. O objetivo deste trabalho é analisar as relações biogeográficas da avifauna dependente de floresta no domínio da Mata Atlântica. Os dados referentes à distribuição geográfica das espécies de aves foram coletados em literatura a partir de trabalhos de levantamentos de avifauna realizados nas regi ões Sul, Sudeste e Nordeste da Mata Atlântica e na Amazônia. Um total de 45 localidades foi utilizado, 36 na Mata Atlântica e nove na Amazônia. Foi realizada uma análise híbrida da Análise Parcimoniosa de Endemismo e da Análise Cladística de Distribuição e Endemismo, com a utilização de gêneros e espécies na matriz de dados. O resultado apontou a existência de dois principais grupos no cladograma de área obtido (grupos 1 e 2). O grupo 1 compreende localidades interioranas das regiões Sul e Sudeste, além de incluir também duas localidades na Bahia, Chapa Diamantina e Serra da Ouricana. O grupo 2 é formado por localidades da Mata Atlântica no nordeste brasileiro e na baixada leste dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, incluindo também as localidades amazônicas. Embora rios sejam as barreiras propostas para explicar a dicotomia basal na distribuição de táxons da Mata Atlântica, o padrão encontrado nos nossos resultados sugere uma hipótese alternativa de barreira altitudinal. O maior compartilhamento de táxons de aves florestais da Mata Atlântica do Nordeste e baixada do Sudeste com a Amazônia, comparado com a região Sul e montanhas do Sudeste da Mata Atlântica, sugere que processos distintos teriam atuado durante diferentes períodos na formação da avifauna desse domínio.
  • SAMUEL VIEIRA BRITO
  • Fatores ecológicos e históricos como determinantes da composição de espécies de endoparasitas em lagartos na Caatinga, Nordeste do Brasil
  • Data: 22/02/2013
  • Hora: 14:00
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  • Este estudo teve como objetivos principais avaliar a influência de fatores bióticos, abióticos e históricos sobre a composição de endoparasitas em lagartos no bioma Caatinga, Nordeste do Brasil. No primeiro e segundo capítulos foram avaliadas as influências das variações espaço-temporais sobre a abundância e riqueza de espécies de endoparasitas em lagartos de duas espécies da família Tropiduridae (Tropidurus hispidus e T. semitaeniatus) e uma espécie da família Teiidae (Ameivula ocellifera). Os resultados apontaram para influências espaciais sobre a abundância de endoparasitas para todas as espécies analisadas, demonstrando que os fatores bióticos e abióticos de cada localidade interferem diretamente na interação entre os parasitas e seus hospedeiros. A estação (seca e chuvosa) exerceu influência sobre a abundância de parasitas nos lagartos tropidurídeos devido às variações no comportamento desses lagartos entre estações. Para o A. ocellifera, a estação, quando testada de forma isolada, não exerceu influência sobre a quantidade de parasitas. Essa influência foi observada apenas na interação entre a estação e as áreas de amostragens. Para todas as três espécies estudadas, os machos foram mais parasitados do que as fêmeas, as diferenças na abundância de parasitas entre os sexos, podem ser resultado principalmente dos efeitos da testosterona, que é inversamente proporcional ao sistema imune em vertebrados. No terceiro capítulo, foi avaliada a arquitetura das redes de interações entre lagartos e seus endoparasitas, dieta e micro-habitat. Além disso, foram analisados o papel dos fatores históricos e ecológicos sobre a composição das espécies de parasitas e a existência de relação entre a riqueza de itens alimentares consumidos e a riqueza de espécies de parasitas. Todas as redes apresentaram estrutura compartimentada. Esta estrutura é a mais esperada em redes com interações antagonistas, como predador-presa e parasita-hospedeiro, que exigem um alto nível de afinidade entre as espécies envolvidas. A filogenia e as categorias de micro-habitat utilizadas pelos lagartos foram determinantes na composição dos seus endoparasitas. Espécies de parasitas podem colonizar hospedeiros próximos filogeneticamente devido a semelhanças anatômicas, fisiológicas ou comportamentais. Da mesma forma, os hospedeiros que dividem as mesmas categorias de micro-habitat facilitam a troca de espécies de parasitas. Os lagartos que consumiram uma maior riqueza de itens alimentares apresentaram uma maior riqueza de espécies de endoparasitas, provavelmente devido a um maior contato com hospedeiros intermediários e/ou maior deslocamento em busca de presas. No quarto capítulo foi avaliada a influência do parasitismo, estação do ano (chuvosa e seca), sexo e tática de forrageio dos lagartos sobre a massa dos corpos gordurosos. Além disso, analisou-se a influência do tamanho e massa corporal dos lagartos sobre a abundância de parasitas. A abundância de endoparasitas não interferiu no acúmulo de gordura nos lagartos, onde uma maior carga parasitária foi observada nos indivíduos com mais gordura. Aparentemente, este fato pode ser explicado pela presença de uma resistência diferenciada ou fatores relacionados às alterações hormonais nos lagartos. O comprimento rostro-cloacal e a massa dos indivíduos foram determinantes na abundância de endoparasitas para a maioria das espécies. Além disso, a estratégia de forrageio também exerceu influência na quantidade de parasitas, sendo os lagartos forrageadores ativos mais parasitados do que os senta e espera.

  • Alvino Pedrosa Ferreira
  • Aves do Dossel da Mata Atlântica da Paraíba, Brasil: Diagnose Metodológica, Riqueza e Conservação
  • Data: 22/02/2013
  • Hora: 08:30
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  • A avifauan do Dossel foi acessada em dois fragmentos de Mata Atlântica, na Paraíba: o fragmento da Reserva Biológica Guaribas e para o fragmento da Reserva Particular do Patrimônio Natural. O levantamento inicial foi realizado através da busca em sites da internet (portal de periódicos CAPES, entre outros) e de livros e materiais adquiridos com recursos próprios. Em 11 das 24 expedições foram capturados 86 indivíduos de 22 espécies diferentes . Do total de espécies observadas,  hiroxiphiapareola foi a espécie mais abundante, com 23% dos registros, seguida de Neopelmapalescens, com 11% dos registros. As espécies menos registradas foram Dysithamnusmentalis, Euphoniachlorotica, Euphoniaviolacea, Manacusmanacus, Pachyramphusmarginatus e Tolmomyiasflaviventris, com 1% dos registros.