CCHLA - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS, CIDADANIA E POLITICAS PÚBLICAS (PPGDH.)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Notícias
Banca de DEFESA: JEFFERSON LUIZ FONTES
Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JEFFERSON LUIZ FONTES
DATA: 16/06/2026
HORA: 14:00
LOCAL: meet.google.com/rbh-mxvh-wgv
TÍTULO: A PRISÃO COMO CONTINUIDADE COLONIAL: Análise da produção discursiva
do PPGDH/UFPB sobre racismo, necropolítica e encarceramento negro na Paraíba
PALAVRAS-CHAVES: Análise do discurso acadêmico; PPGDH/UFPB; Necropolítica;
Encarceramento negro; Sociogênese do racismo.
PÁGINAS: 95
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Sociologia
SUBÁREA: Outras Sociologias Específicas
RESUMO: A presente dissertação investiga como o racismo se materializa no sistema prisional brasileiro a
partir da produção discursiva acadêmica sobre o cárcere. Ao interrogar as narrativas produzidas
no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos, Cidadania e Políticas Públicas
da Universidade Federal da Paraíba (PPGDH/UFPB) entre 2014 e 2025, a pesquisa buscou
responder de que modo os discursos acadêmicos sobre prisão, violência institucional e direitos
humanos revelam a permanência histórica da sociogênese do racismo e da necropolítica no
contexto paraibano? A pesquisa articulou teoricamente a sociogênese do racismo desenvolvida
por Frantz Fanon (1952; 1961) com a teoria da necropolítica de Achille Mbembe (2003),
complementada pela genealogia da eugenia e da biopolítica racial no Brasil (Schwarcz, 2024) e
pela Criminologia da Diáspora Africana, Gilroy (2001); Gordon (2015); Mills (2023); Kilomba
(2019). Nesse marco, o encarceramento em massa, considerando que pessoas negras
correspondem a 68,7% da população prisional brasileira (FBSP, 2025), é interpretado como
continuidade histórica do projeto eugênico e da política de morte. O objetivo geral consistiu em
analisar como o racismo é articulado e problematizado nos discursos acadêmicos sobre o
encarceramento e a gestão da população negra. Os objetivos específicos desdobram-se em: (a)
identificar as formas de racialização presentes nas produções acadêmicas sobre cárcere e
segurança pública; (b) examinar como a necropolítica se manifesta nos discursos sobre punição,
seletividade penal e violência institucional; e (c) compreender como o sujeito negro é
representado, enquanto corpo perigoso, vulnerável, descartável ou em resistência, nos discursos
acadêmicos sobre políticas penais e direitos humanos. A pesquisa adota uma abordagem
qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, estruturada a partir da Análise do Discurso,
Foucault (2012). O corpus documental é composto por 21 dissertações defendidas no
PPGDH/UFPB entre 2014 e 2025, selecionadas mediante levantamento temático orientado pelos
descritores: "raça", "racismo", "negro(a)", "encarceramento", "prisão", "controle social",
"violência institucional" e "necropolítica". A análise buscou identificar regularidades discursivas,
tais como a fabricação do "corpo perigoso", a associação entre negritude e criminalidade, a
normalização da violência estatal e a gestão diferencial da vida e da morte. A Escrevivência,
Evaristo (2016), atravessou a construção analítica como horizonte ético-político e
epistemológico, inscrevendo a trajetória do pesquisador preto no centro do debate. A análise
documental e discursiva das produções do PPGDH/UFPB revelou que o sistema prisional
paraibano opera como continuidade contemporânea das tecnologias coloniais de controle racial.
Os discursos acadêmicos analisados evidenciam: (1) a seletividade penal como engrenagem
constitutiva do sistema de justiça, que fabrica o "corpo perigoso" a partir de marcadores raciais,
de gênero e territoriais; (2) a necropolítica manifestando-se na gestão cotidiana da morte, por
superlotação, negligência sanitária, violência institucional e tecnologias de monitoramento
eletrônico e bancos de perfis genéticos; (3) a prisão como espaço de disputa territorial, onde
corpos dissidentes são submetidos a violências específicas, mas também produzem redes de
cuidado e resistência; e (4) os limites do discurso da "ressocialização", confrontado por práticas
educativas e de leitura que insurgem como fissuras na lógica necropolítica, afirmando a palavra e
a escrita como instrumentos de descolonização da subjetividade. A dissertação conclui que o
cárcere não é uma instituição falha, mas um dispositivo eficiente de administração diferencial da
vida e da morte da população negra, atualizando, no presente, o projeto eugênico de controle
racial inaugurado no pós-abolição brasileiro.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 1779954 - LUZIANA RAMALHO RIBEIRO
Interno(a) - 1453013 - GUSTAVO BARBOSA DE MESQUITA BATISTA
Externo(a) à Instituição - DINALDO BARBOSA DA SILVA JUNIOR