PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE EM ASSOCIAÇÃO A REDE PRODEMA (PRODEMA - DOUT)

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA (CCEN)

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Banca de DEFESA: YURI ROMMEL VIEIRA ARAÚJO

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: YURI ROMMEL VIEIRA ARAÚJO
DATA: 25/02/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sala Remota
TÍTULO: APROVEITAMENTO DE RESÍDUOS DA PODA PARA MITIGAÇÃO DE GASES DE EFEITO ESTUFA: UMA ABORDAGEM INTEGRADA DA AVALIAÇÃO DO CICLO DE VIDA
PALAVRAS-CHAVES: aterro sanitário; avaliação de ciclo de vida; pegada de carbono; poda urbana; emissão de GEE.
PÁGINAS: 156
GRANDE ÁREA: Multidisciplinar
ÁREA: Ciências Ambientais
RESUMO: O serviço de poda da arborização urbana é executado pelos municípios brasileiros e resulta na geração de resíduos de biomassa compostos por galhos, ramos, troncos e folhas. Esses materiais, na maioria das vezes, são descartados em aterros sanitários, lixões ou locais inapropriados, o que reduz a vida útil dos aterros e causa impactos e degradação ambiental quando destinados de forma inadequada. Trata-se de um resíduo gerado periodicamente e em volume significativo nas cidades, além de representar um custo elevado para os municípios. Por se tratar de um material constituído de biomassa, tratando-se de um resíduo com potencial de emissões neutras, uma vez que o carbono liberado durante sua utilização como fonte de energia é reabsorvido durante o crescimento das plantas, por meio do processo metabólico de fotossíntese. A depender do tipo de destinação do resíduo adotado pelo município, pode ocorrer emissão ou captura de gases de efeito estufa (GEE). Quando no processo de disposição, as emissões de carbono superam a quantidade de carbono estocado pela biomassa utilizada, ocorrem emissões positivas de CO2e, por outro lado, quando o descarte resulta em emissões inferiores ao estocado, há um efeito de captura de gases. Diante desse contexto, esta tese tem como objetivo geral avaliar a utilização dos resíduos provenientes da poda da arborização urbana como estratégia para a redução das emissões de GEE na atmosfera em ecossistemas antropogênicos, tendo como área de estudo os resíduos gerados nos municípios de João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Conde e Santa Rita, no estado da Paraíba. Os objetivos específicos são: (i) Quantificar a emissão de GEE por meio da metodologia da ACV para seis cenários de descarte dos resíduos de biomassa da poda da arborização para cinco municípios da região metropolitana de João Pessoa/PB/Brasil: João Pessoa, Cabedelo, Santa Rita, Bayeux e Conde; (ii) analisar a emissão de GEE associada ao serviço de transporte de resíduos de poda para cinco municípios da região metropolitana de João Pessoa/PB/Brasil, considerando a substituição do combustível, para diesel S-10 e biodiesel, e redução no trajeto devido ao reaproveitamento no próprio município, em comparação ao cenário atual; e; (iii) estimar a emissão futura de GEE e analisar o potencial de utilização dos resíduos da poda na mitigação de gases em áreas urbanas. A hipótese da pesquisa é que os resíduos de biomassa provenientes da poda da arborização urbana, quando submetidos a estratégias de gestão diferenciadas, em detrimento da disposição em aterros sanitários, podem atuar como agentes mitigadores de gases de efeito estufa (GEE), reduzindo as emissões líquidas associadas ao ciclo de vida desses resíduos e contribuindo positivamente para o balanço de carbono urbano e fortalecimento das ações municipais de mitigação climática. Para a quantificação das emissões de GEE, foi utilizada a metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), considerando seis cenários de descarte: Aterro sanitário sem coleta de metano, e com coleta de metano, incineração municipal, reutilização, geração de calor e geração de eletricidade. Para o segundo objetivo específico, foi aplicada a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) para o setor de transporte considerando os cenários de utilização do Diesel, S10 e Biodiesel, além da redução do percurso. Para o terceiro objetivo, foi realizado um prognóstico de emissão de geração de resíduos da poda para o período de 16 anos (2025- 2040), aplicando os modelos dos Planos Municipais de Gestão de Resíduos Sólidos e estimativa da emissão de GEE pelo método ACV, com posterior análise estatística com a realização do teste de ANOVA, seguida do teste de Tukey e teste t dos resultados para analisar se há significância na utilização do resíduo como agente mitigador. Os resultados do primeiro capítulo indicaram que ao longo de 10 anos, as cinco cidades analisadas coletaram 271.522,24 t de resíduos de poda urbana, com predominância de João Pessoa, responsável por 198.055,99 t (≈73%), enquanto Conde apresentou a menor contribuição (6.801,25 t). No cenário de referência, baseado no descarte simples em aterro sanitário, as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) totalizaram 1.048.049,91 tCO2e, sendo João Pessoa responsável por 768.509,53 tCO2e (73%). O transporte foi a principal fonte emissora, respondendo por 84,2% das emissões (881.606,77 tCO2e), enquanto a deposição no aterro contribuiu com 166.443,13 tCO2e (15,8%). As emissões médias per capita variaram entre os municípios, com destaque para Cabedelo (0,23 tCO2e/hab./ano) e João Pessoa (0,09 tCO2e/hab./ano). Quando normalizadas por tonelada coletada, as maiores emissões ocorreram em Cabedelo (4.140,16 tCO2e/t) e João Pessoa (3.880,26 tCO2e/t). A avaliação de cenários alternativos indicou potencial expressivo de mitigação: a coleta de metano em aterro reduziu as emissões globais em 1,5% (1.032.844,66 tCO2e), a incineração municipal em 15,5% (885.598,15 tCO2e), enquanto os cenários de reutilização e geração de eletricidade apresentaram as maiores reduções, de 17,9% (860.265,13 tCO2e) e 18,5% (853.911,50 tCO2e), respectivamente. O segundo capítulo indicou que para o cenário atual (2012–2021), o transporte dos resíduos de poda urbana foi responsável por 84,2% das emissões totais, totalizando 881.606,77 tCO2e nas cinco cidades analisadas. João Pessoa concentrou 73% dessas emissões (647.101,21 tCO2e), seguida por Cabedelo (128.888,21 tCO2e), refletindo maiores distâncias percorridas e maiores massas coletadas. A redução do percurso, com reaproveitamento local da biomassa, possibilitou uma diminuição de 24,6% nas emissões, reduzindo o total para 673.622,15 tCO2e, com destaque para reduções de 20,5% em João Pessoa e até 36,8% nos municípios de menor porte. O uso de diesel S-10 resultou em aumento das emissões de 3,8%, elevando o total para 914.944,84 tCO2e, devido à maior pegada de carbono no ciclo produtivo. Em contraste, a substituição pelo biodiesel reduziu as emissões em 29%, alcançando 622.310,66 tCO2e. A combinação de biodiesel com redução do percurso apresentou o melhor desempenho ambiental, com emissões de 475.753,85 tCO2e, correspondendo a uma redução de 46% em relação ao cenário atual com diesel convencional. Para o último capítulo, os resultados indicaram um crescimento populacional médio anual entre 0,3773% (Bayeux) e 3,3478% (Conde), com projeções de população em 2040 de 1.134.713 (João Pessoa), 196.307 (Santa Rita), 110.844 (Cabedelo), 88.547 (Bayeux) e 49.936 (Conde). Para o período de 16 anos, a biomassa total estimada foi de 392.464,19 t, concentrada em João Pessoa: 194.054,31 t (49,45%) e Cabedelo: 107.940,90 t (27,50%), seguidas por Conde: 31.357,40 t (7,99%), Santa Rita: 30.936,48 t (7,88%) e Bayeux: 28.175,10 t (7,18%). Mantida a prática atual de descarte em aterro (diesel no transporte), a emissão global projetada para 2025–2040 foi de 1.509,3 ktCO2e, sendo o transporte a parcela dominante (1.268,74 ktCO2e; 84%) e a disposição responsável por 16%. João Pessoa respondeu por 752,98 ktCO2e (≈50%) do total, e Bayeux teve a menor emissão (86,31 ktCO2e; 7%). A substituição do aterro simples por aterro com coleta de metano reduziu pouco as emissões totais, de 1.509,32 para 1.487,34 ktCO2e; −1,45%, enquanto a geração de eletricidade apresentou o melhor desempenho entre os cenários com diesel, reduzindo para 1.228,71 ktCO2e. Quando a análise desconsidera o transporte, a mudança de destinação torna-se ainda mais evidente: a disposição em aterro emitiu 240.580,55 tCO2e, ao passo que cenários de valorização apresentaram redução expressiva e até saldo negativo, como geração de eletricidade: −40.031,35 tCO2e; reutilização: −30.847,69 tCO2e; e geração de calor: −8.865,46 tCO2e. A diferença entre aterro e geração de eletricidade (sem transporte) foi de aproximadamente 280.611 tCO2e (redução/captura líquida). Para os cenários com diesel (com transporte), a ANOVA indicou diferença significativa (p = 5,81×10⁻¹¹; F = 15,47), e o teste de Tukey mostrou que aterro e aterro com metano não diferem, enquanto incineração, geração de calor, geração de eletricidade e reutilização formam grupo distinto com menores médias (reduções de 15,56% a 18,59%, sendo geração de eletricidade a maior). O teste t reforçou isso: apenas aterro × aterro com metano não foi significativo (t = 0,42; p = 0,67), enquanto todas as demais comparações foram significativas (p < 0,001). Sem transporte, a separação entre cenários foi ainda mais forte (ANOVA p = 4,46×10⁻⁸⁶; F = 1583,60), com Tukey indicando aterro como o maior emissor e geração de eletricidade como melhor alternativa.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 4201553 - BARTOLOMEU ISRAEL DE SOUZA
Interno(a) - 338351 - EDUARDO RODRIGUES VIANA DE LIMA
Externo(a) à Instituição - ALEXANDRE FONSECA D''ANDREA
Externo(a) à Instituição - DANIEL DE PAULA DINIZ
Externo(a) à Instituição - ELAINE APARECIDA DA SILVA