PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM JORNALISMO (PPJ)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de DEFESA: PEDRO HENRIQUE GOMES DA PAZ

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: PEDRO HENRIQUE GOMES DA PAZ
DATA: 26/09/2018
HORA: 14:00
LOCAL: SALA 103- CCTA
TÍTULO: “HOJE, SE ESPREMER O ESPELHO, SAI SANGUE”: ETNOGRAFIA DA PRODUÇÃO DE NOTÍCIAS DE FEMINICÍDIO PARA O TELEJORNAL JPB 1º EDIÇÃO (PB)
PALAVRAS-CHAVES: Palavras-chave: Jornalismo. Feminicídio. Telejornalismo. Produção de notícias. Etnografia
PÁGINAS: 191
GRANDE ÁREA: Ciências Sociais Aplicadas
ÁREA: Comunicação
RESUMO: Este trabalho tem o objetivo de apresentar uma etnografia da producao de noticias sobre o crime de feminicidio para o telejornal local e vespertino JPB 1º Edicao (PB), da TV Cabo Branco, afiliada da Rede Globo em Joao Pessoa. Para isso, foram realizados os procedimentos metodologicos de observacao participante do cotidiano dos profissionais, de segunda a sexta-feira, das 8 as 14 horas, e entrevistas em profundidade com seis jornalistas, nas duas primeiras semanas de junho de 2017. Alem disso, foi empreendida analise de conteudo de sete noticias de feminicidio veiculadas pelo telejornal, identificadas durante dois meses, de 24/04 a 20/06 do mesmo ano. Esta pesquisa inspira-se nas teorias do jornalismo, principalmente na de Newsmaking, que se articula dentro dos limites da cultura profissional dos jornalistas e da organizacao do trabalho e dos processos produtivos (Wolf, 2005, p. 188). Observa-se que uma redacao, predominantemente integrada por mulheres, nao e garantia de mais atencao a pautas feministas. De modo geral, os jornalistas desconhecem a existencia e a distincao do crime de feminicidio, previsto desde 2015, pela legislacao brasileira. Coloquialidade e desconhecimento publico do termo sao fundamentos para nao identificarem os relatos como feminicidio. As noticias de feminicidio sao pautadas a partir da audicao de programas radiofonicos policialescos e pela midiatizacao de ocorrencias por meio de assessorias de seguranca publica no aplicativo Whatsapp e de rondas telefonicas. As mortes selecionadas coincidem com o perfil dos crimes conforme o Mapa da Violencia 2015 – Homicidios de Mulheres no Brasil e a construcao das noticias apresentam problemas apontados pelo projeto “Monitoramento da cobertura jornalistica sobre feminicidio e violencia sexual contra mulheres”, do Instituto Patricia Galvao Midia e Direitos, iniciado em outubro de 2015, que analisou um total de 3.440 noticias publicadas em 71 veiculos de todas as regioes do pais. Os assassinatos selecionados sao por asfixia, arma branca (faca) ou arma de fogo. A principal fonte e a policia nao especializada e seu discurso, reproduzido pelos jornalistas, geralmente romantiza os relatos e culpabiliza as vitimas. O objetivo das materias e a identificacao e punicao dos suspeitos e quase nunca as historias sao contextualizadas, tampouco e disponibilizado servico de atendimento publico para mulheres vulneraveis. Os jornalistas nao sao politizados, estao pouco atentos aos movimentos sociais e tem dificuldades para se informar e dar continuidade a formacao academica, principalmente devido a precarizacao do trabalho. Nao ha, neste trabalho, a pretensao de universalizar os resultados, uma vez que os objetos de estudo sao jornalistas e noticias singulares, inseridos num contexto concreto.
MEMBROS DA BANCA:
Interno - 337177 - GLORIA DE LOURDES FREIRE RABAY
Externo ao Programa - 1984823 - MARGARETE ALMEIDA NEPOMUCENO
Presidente - 2160518 - PEDRO BENEVIDES