PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES (PPGCR)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: ANDERSON FERNANDO RODRIGUES MENDES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ANDERSON FERNANDO RODRIGUES MENDES
DATA: 31/08/2026
HORA: 14:00
LOCAL: sala 315 CE
TÍTULO: O CALVINISMO COLONIAL ENTRE A CRUZ E O AÇÚCAR: uma crítica decolonial à ética protestante de Max Weber a partir da experiência colonial do Brasil Holandês (1630-1654)
PALAVRAS-CHAVES: Ética Protestante. Max Weber. Calvinismo Colonial. Brasil Holandês. Teoria Decolonial
PÁGINAS: 80
RESUMO: Este trabalho apresenta a proposta de pesquisa doutoral que desenvolvemos no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões, com o objetivo de analisar a colonização holandesa no Brasil (1630-1654) a partir de uma crítica decolonial ao paradigma weberiano. Para tanto, percorremos um itinerário historiográfico incomum nos estudos sobre a presença neerlandesa no Brasil: seus antecedentes — a independência dos Países Baixos, sua consolidação como império marítimo e a emergência do capitalismo racional — e seu imbricamento com a expansão do calvinismo. Defendemos que o calvinismo colonial operou uma seletividade teológica e racializada: enquanto a ética protestante serviu como fundamento para a racionalização da vida do europeu livre, o trabalho do africano escravizado foi sistematicamente excluído da esfera da “vocação” e da ascese intramundana. Essa exclusão, argumentamos, não é um desvio ou acidente, mas uma característica estrutural do projeto colonial calvinista — e revela os limites do conceito weberiano de "espírito do capitalismo". A pesquisa se organiza em quatro movimentos: (1) uma análise da tese weberiana sobre a ética protestante e o espírito do capitalismo; (2) uma reconstituição da gênese do ethos calvinista holandês, em sua articulação com a guerra de independência e a expansão comercial; (3) uma investigação da colônia racializada, onde a pregação calvinista e o açoite escravista coexistiram em tensão permanente; (4) uma síntese teórica que articula as contribuições de Gustavo Morello (religião vivida) e Walter Benjamin (crítica do progresso) a uma hermenêutica decolonial. Metodologicamente, a pesquisa mobiliza bibliografia diversa — historiográfica, teológica, sociológica —, mas opera um deslocamento epistemológico: não se trata de aplicar Weber ao caso colonial, mas de ler Weber a contrapelo, mostrando onde sua teoria se torna cega e onde a experiência colonial a contradiz. Com isso, esperamos contribuir tanto para os estudos sobre o Brasil Holandês quanto para o debate decolonial sobre a relação entre religião, capitalismo e colonialismo
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 1774137 - DILAINE SOARES SAMPAIO
Interno(a) - 1860344 - FERNANDA LEMOS
Interno(a) - 1814691 - MARIA LUCIA ABAURRE GNERRE
Externo(a) à Instituição - ROMULO LUIZ XAVIER DO NASCIMENTO
Externo(a) à Instituição - ZULEICA DANTAS PEREIRA CAMPOS