PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES (PPGCR)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Banca de QUALIFICAÇÃO: GISELLE GOMES DA SILVA PRAZERES SOUZA
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: GISELLE GOMES DA SILVA PRAZERES SOUZA
DATA: 29/04/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sal de reuniões do C.E
TÍTULO: A Experiência Religiosa da Marcha Das Margaridas a partir da Vivência
da Sindicalista Rural Margarida Maria Alves
PALAVRAS-CHAVES: Religião; Margarida Alves; Vivência; Decolonialidade.
PÁGINAS: 200
RESUMO: A sindicalista rural e católica leiga Margarida Maria Alves (1933-1983) é uma figura importante no
movimento de trabalhadores/as rurais mas permanece muito pouco estudada e conhecida nos círculos
acadêmicos contemporâneos. Esta pesquisa tem como proposta investigar acontecimentos da história, as
reverberações ou as não-escutas a partir do sujeito de enunciação, este inserido num corpo social. O
objetivo geral consiste em analisar a experiência religiosa da Marcha das Margaridas a partir da vivência
mística e política da sindicalista rural e mártir Margarida Maria Alves. Os objetivos específicos são: 1.
Apresentar a importância do pioneirismo das mulheres no contexto da religiosidade popular nordestina, a
partir de uma perspectiva religiosa Améfrica Landina; 2. Descrever a vivência pública, política da
sindicalista rural Margarida Alves evidenciando a sua formação católica romana;3. Relatar a vivência
privada de Margarida Alves e suas relações familiares, principalmente com o seu filho José de Arimatéia
e os caminhos da diversidade religiosa presentes no mesmo núcleo familiar;4. Identificar as linguagens
religiosas como recursos estratégicos a partir do processo histórico da construção de mobilização da
Marcha das Margaridas, a utilização do hibridismo cultural para fortalecer a identidade coletiva legitimada
nas demandas sociais e políticas da Marcha das Margaridas; 5. Analisar as perspectivas e os desafios da
experiência religiosa da Marcha das Margaridas, a partir da perspectiva decolonial pluriversa e afro
centrada. Esta tese defende que a vivência mística e política da sindicalista rural Margarida Maria Alves
influencia na experiência religiosa da Marcha das Margaridas. Esta tese desenvolve-se em três partes e sete
capítulos. A pesquisa defende que a vivência mística e política da sindicalista rural Margarida Maria Alves
influencia na experiência religiosa da Marcha das Margaridas possibilitando uma reflexão para a
constituição de uma sociedade que foca o sentido da vida buscando a equidade de gênero e espiritualidade,
tendo como mecanismo de intervenção nas esferas sociais uma religião libertária e a formação de
lideranças comunitárias e políticas na perspectiva de promover a autonomia dos indivíduos e estimular
sua participação nas questões que interferem diretamente a vida em sociedade. Este trabalho contribui
para refletirmos uma práxis libertária, embasada na opção preferencial pelas pessoas excluídas
socialmente, possibilita questionar as estruturas de poder construídas e naturalizadas historicamente no
Brasil. A metodologia será apresentada uma pesquisa qualitativa com a realização de análise documental
e pesquisa de campo com cadernos de campo e entrevistas semi-estruturadas. Na análise da coleta dos
dados e se tornaram fatos sociais, no sentido de Durkheim, que não serão ignorados nesse trabalho. Para
dialogar com a temática nos baseamos nos aportes teóricos, das quais se dá ênfase aos seguintes autores
e autoras: sobre vivência feminista e gênero, por Neiva Furlin (2023), Fernanda Lemos (2023), Ivone
Gebara (1997,2019,2022) e a Buchi Emecheta (2025). Trataremos o aspecto da perspectiva afrocentrada
decolonial, com os seguintes autores e autoras: Severine Kodjo-Grandvaux (2021), Regina Coeli
Negreiros (2019), Dilaine Sampaio (2025), Molefi Asante (2009), a Oyèrónké Oyewúmí (2021), Frantz
Fanon (2021) e Wanderson Flor do Nascimento (2010). A temática acerca do pluralismo religioso e
mística afro-brasileira tem embasamento nas reflexões de Gilbraz Aragão (2022, 2024) e Claudio Ribeiro
(2019, 2025). Para a construção da narrativa referente a religião e política na América Latina, buscamos
em Nicolás Panotto (2020), Marcos Francisco Martins (2008), Leonardo Boff (2025), Nego Bispo (2023),
Ailton Krenak (2020) e Bruce Albert e Davi Kopenawa (2023). Além destes, analisando os diferentes
autores que debatem os estudos decoloniais e o pensamento afrodiaspórico e a interseccionalidade na
Améfrica Landina, podemos citar os que mais influenciaram a tese, a saber: a Achille Mbembe (2021), a
Lélia Gonzalez (2020), Suely Carneiro(2005), Jurema Werneck (2023), bell hooks (2019, 2022).Do ponto
de vista dos resultados, concluímos que Margarida Alves foi uma sindicalista rural durante o regime
militar, que lutou e defendeu os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais fazendo a interface entre
a religião e a política. Ela estimulou, ainda, a participação dos sujeitos nas questões sociais, promovendo,
mesmo que, paulatinamente, uma mutação radical de comportamento, de pensamento, suscitando a
transformação da realidade, que ainda nos dias atuais reverbera na Marcha das Margaridas.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 1860344 - FERNANDA LEMOS
Externo(a) ao Programa - 1774137 - DILAINE SOARES SAMPAIO
Externo(a) ao Programa - 1353545 - KELLY THAYSY LOPES NASCIMENTO
Externo(a) à Instituição - GILBRAZ DE SOUZA ARAGÃO
Externo(a) à Instituição - IVONE GEBARA