PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA (PPGS)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Notícias
Banca de DEFESA: PEDRO SANTIAGO COUTO
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: PEDRO SANTIAGO COUTO
DATA: 27/02/2026
HORA: 10:00
LOCAL: meet.google.com/wqk-bhng-psg
TÍTULO: A UBERIZAÇÃO SEM FRONTEIRAS: uma análise entre Brasil e México sobre as
implicações do capitalismo de plataforma nas relações de trabalho.
PALAVRAS-CHAVES: Uber, precarização, flexibilidade algorítmica, legislações
trabalhistas, Brasil, México.
PÁGINAS: 100
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Sociologia
RESUMO: Esta pesquisa investiga o capitalismo de plataforma na América Latina, tendo
como base a empresa transnacional Uber e as transformações nas relações de
trabalho promovidas pela referida empresa nos contextos do Brasil e do México.
O objetivo é analisar como o modelo de gestão algorítmica dessa empresa se
articula com as estruturas de informalidade e o discurso neoliberal, nos dois países, e
de que maneira isso impacta a vida dos trabalhadores envolvidos.
A pergunta central que orienta a investigação é: como as relações laborais
estabelecidas pela Uber nas cidades de João Pessoa (Brasil) e Aguascalientes
(México) revelam novas dimensões da informalidade e da precariedade do trabalho e
de que modo essas relações dialeticamente impactam a classe trabalhadora?
A perspectiva da abordagem é crítica de matriz dialética, ou seja, reconhece o
processo de precarização e de ausência de direitos que o modelo de trabalho
uberizado, atrelado ao ideário neoliberal, impõe aos trabalhadores, mas também
valoriza as percepções daqueles que identificam na flexibilidade algorítmica possíveis
vantagens em comparação aos trabalhos vivenciados anteriormente.
Metodologicamente, o estudo combina análise comparativa entre o Brasil e o
México com pesquisa empírica realizada nas cidades de João Pessoa e
Aguascalientes. O trabalho utiliza documentos produzidos pela empresa, analisa
legislações relacionadas ao trabalho plataformizado dos dois países, realiza
entrevistas e coleta dados junto aos trabalhadores da Uber nas duas cidades.
Os resultados evidenciam que o trabalho na Uber representa não uma ruptura,
mas uma continuidade e intensificação de processos históricos de precarização na
América Latina. A informalidade histórica e a nova informalidade advinda do
neoliberalismo são elementos constitutivos que facilitam a gestão algorítmica de
milhões de trabalhadores autônomos e informais. O discurso neoliberal do
empreendedorismo e da autonomia naturaliza a ausência de proteção social. Todavia,
a pesquisa também identifica possíveis vantagens para os trabalhadores, como a
possibilidade de conciliar tempo de trabalho com vida familiar, fim de relações
hierárquicas humilhantes e rendimentos superiores aos oferecidos pelo mercado
formal.
Por fim, a análise comparativa demonstra que experiências legislativas, como
a mexicana, confirmam a viabilidade de marcos regulatórios que garantam proteção
social sem inviabilizar o modelo de negócio. Isso comprova que a questão não é
técnica, mas política e econômica, bem como o interesse da Uber em manter seus
lucros à custa da superexploração historicamente constituída na região.
MEMBROS DA BANCA:
Externo(a) à Instituição - MARCIA DE PAULA LEITE
Externo(a) à Instituição - MARIA APARECIDA DA CRUZ BRIDI
Interno(a) - 1242669 - MARIANA SHINOHARA RONCATO
Interno(a) - 2276902 - MAURICIO ROMBALDI
Externo(a) à Instituição - OCTAVIO MARTIN MAZA DÍAZ CORTÉS
Presidente(a) - 1476411 - ROBERTO VERAS DE OLIVEIRA