PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA (PPGS)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: CLAUDIA NAIZA DA COSTA FERREIRA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: CLAUDIA NAIZA DA COSTA FERREIRA
DATA: 30/06/2026
HORA: 14:00
LOCAL: https://meet.google.com/hdf-oxxi-vpm
TÍTULO: "LIBERDADE É POUCO, O QUE DESEJO AINDA NÃO TEM NOME": Emoções, poder e resistência nas narrativas de adolescentes privadas de liberdade
PALAVRAS-CHAVES: Palavras-chave: Emoções; Socioeducação; Adolescentes; Resistência.
PÁGINAS: 100
RESUMO: Esta tese investiga a relação entre emoções e estratégias de resistência nas histórias de vida de adolescentes em privação de liberdade no Centro de Atendimento Socioeducativo Rita Gadelha, em João Pessoa, Paraíba. Parti da compreensão de que a socioeducação não se limita à aplicação de normas legais, mas se constituía como um cotidiano atravessado por relações de poder, desigualdades de gênero e processos de estigmatização, conforme discutem Michel Foucault e Erving Goffman. Nesse contexto, as emoções emergem como elementos centrais das vivências das adolescentes, revelando modos de sentir, interpretar e enfrentar a realidade institucional. Inscrita no campo da sociologia das emoções e na linha de pesquisa Teoria de Gênero e Estudos da Sexualidade, a investigação analisou como essas jovens nomeavam e elaboravam experiências marcadas por medo, vergonha, raiva, saudade e humilhação, compreendendo tais emoções como constitutivas de suas trajetórias e modos de agir. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, fundamentada no método de histórias de vida. As narrativas biográficas das adolescentes foram articuladas às observações do cotidiano institucional e às entrevistas realizadas com a equipe psicossocial, permitindo compreender as relações, tensões e dinâmicas presentes na unidade. O campo empírico foi desenvolvido entre setembro e dezembro de 2024, junto a três adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação, cujas trajetórias são atravessadas por marcadores sociais de raça, classe e gênero. Durante a inserção em campo, acompanhei interações, conflitos, silêncios, afetos e negociações presentes na rotina institucional, buscando compreender como essas experiências produziam diferentes maneiras de sentir e resistir no contexto da privação de liberdade. Os resultados, em processo de construção, podem indicar que as emoções ocupam lugar central na experiência socioeducativa, não apenas como respostas às dinâmicas institucionais, mas também como recursos mobilizados na construção de estratégias de resistência. Ao silenciar, confrontar regras, criar vínculos afetivos, negociar conflitos ou ressignificar suas trajetórias, as adolescentes produzem modos de existência que tensionam as lógicas de controle presentes na internação feminina.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 1565100 - MARCELA ZAMBONI LUCENA
Externo(a) ao Programa - 1024897 - MARIA DE FATIMA LEITE GOMES
Interno(a) - 1363922 - SIMONE MAGALHAES BRITO