CCHLA - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LINGUÍSTICA E ENSINO (MPLE)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Banca de QUALIFICAÇÃO: LETICIA VASCONCELOS DA ROCHA
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LETICIA VASCONCELOS DA ROCHA
DATA: 28/08/2025
HORA: 15:00
LOCAL: Ambiente Virtual
TÍTULO: A invisibilidade das variedades linguísticas do português brasileiro nas avaliações de língua portuguesa no processo seletivo para os cursos técnicos integrados do Instituto Federal do Ceará (IFCE)
PALAVRAS-CHAVES: Sociolinguística. Variedades linguísticas. Processo seletivo.
PÁGINAS: 70
RESUMO: A dissertação tem como tema a invisibilidade da variação linguística nas provas de Língua Portuguesa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). O estudo parte da compreensão de que a linguagem constitui uma expressão da identidade social dos sujeitos, sendo a variação linguística um fenômeno natural e inerente de toda comunidade falante. No entanto, nas práticas avaliativas, prevalece o enfoque normativo, o que pode reforçar o preconceito linguístico e dificultar o êxito de estudantes nos diversos processos seletivos, inclusive do IFCE. O problema de pesquisa que orienta o trabalho é: de que forma as provas de Língua Portuguesa dos processos seletivos para cursos técnicos integrados do IFCE contemplam ou silenciam a diversidade linguística do português brasileiro? Como objetivo geral, pretende-se investigar a presença (ou ausência) da variação linguística nas referidas provas, e como objetivos específicos, procura-se: (a) identificar como as questões abordam (ou ignoram) a diversidade de usos da língua; (b) analisar a ênfase dada à norma-padrão como critério de avaliação; (c) verificar o alinhamento das provas com as diretrizes da BNCC, que orienta o respeito à diversidade linguística; e (d) propor um produto de intervenção que favoreça práticas avaliativas mais inclusivas. A justificativa da pesquisa se ancora em fatores sociais e educacionais. O IFCE é uma instituição pública federal de alta relevância no Brasil, responsável por oferecer educação gratuita e de qualidade a jovens, muitos destes oriundos de escolas públicas e pertencentes a camadas sociais menos favorecidas. É importante ressaltar que muito desses estudantes possuem repertórios linguísticos distintos da norma-padrão e, diante de avaliações que não reconhecem essa diversidade, podem ser injustamente prejudicados. Ao evidenciar tal invisibilidade, espera-se contribuir com uma educação mais inclusiva. A fundamentação teórica está apoiada nos estudos da Sociolinguística Educacional, sobretudo em Bagno (2003, 2005, 2020), Bortoni-Ricardo (2004, 2021), Faraco (2008, 2015), Travaglia (2003) e Vieira (2017), bem como nas orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que preconiza o reconhecimento e a valorização das diferentes variedades linguísticas como parte da formação cidadã. A metodologia adotada é qualitativa, descritiva e interpretativa, com análise documental e de conteúdo (Bardin, 2011). Foram coletadas provas de Língua Portuguesa aplicadas pelo IFCE nos processos seletivos de 2019.1 a 2025.1. As questões foram analisadas com base em quatro critérios: (1) presença ou ausência de variação linguística; (2) foco predominante da prova; (3) existência de espaço para leitura crítica da diversidade linguística; e (4) contribuições para reflexão sociolinguística no contexto das avaliações dos processos seletivos. A análise das provas revelou, de modo geral, a ausência sistemática de questões que abordem explicitamente a variação linguística. A linguagem utilizada nos textos e nas perguntas está fortemente ancorada na norma-padrão, e mesmo nos poucos casos em que textos apresentam traços de oralidade, regionalismo ou estilo não normativo, esses elementos não são abordados pelas questões. A centralidade da gramática normativa e da leitura objetiva evidencia uma perspectiva tradicional de ensino da língua, em descompasso com as diretrizes da BNCC. Mesmo nos casos em que aparecem termos informais ou autores populares, o tratamento pedagógico ainda se restringe à análise técnica, morfológica ou ortográfica, sem promoção de uma reflexão crítica sobre preconceito linguístico. Esses achados parciais reforçam a hipótese de que as avaliações do IFCE contribuem para a invisibilização da diversidade linguística, reforçando a hegemonia da norma culta como único modelo legítimo de expressão. Como desdobramento da pesquisa, será desenvolvido um caderno de atividades pedagógicas voltado para estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental, com vistas a prepará-los para o processo seletivo do IFCE. O material terá como foco: o reconhecimento da norma-padrão como exigência da prova; a valorização da variação linguística como parte da identidade sociocultural dos falantes; e a promoção da consciência crítica sobre o preconceito linguístico.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2349477 - FRANCISCO EDUARDO VIEIRA DA SILVA
Interno - 1778079 - JULIENE LOPES RIBEIRO PEDROSA
Externo à Instituição - RITA DE KÁSSIA KRAMER WANDERLEY