CCHLA - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL (PPGPS)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Notícias
Banca de DEFESA: LIANA MIRELA SOUZA OLIVEIRA
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LIANA MIRELA SOUZA OLIVEIRA
DATA: 31/03/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Google Meet
TÍTULO: DROGAS E SEXO: UM ESTUDO SOBRE O CHEMSEX À LUZ DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS, VULNERABILIDADE E REDUÇÃO DE DANOS
PALAVRAS-CHAVES: chemsex; colocação; sexo aditivado; drogas e sexo; representações sociais; vulnerabilidade; redução de danos.
PÁGINAS: 322
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
SUBÁREA: Psicologia Social
RESUMO: Ao direcionar o olhar para determinados contextos contemporâneos, especialmente em espaços urbanos, observa-se a crescente visibilidade de um fenômeno associado ao uso sexualizado de substâncias psicoativas, denominado na literatura internacional como sexualized drug use (SDU) e, de forma mais coloquial, como chemsex (acrônimo das palavras em inglês chemical e sex; e em tradução livre para o português sexo químico). Embora a associação entre práticas sexuais e o consumo intencional de drogas tenha sido amplamente descrita em estudos internacionais, a produção científica brasileira se apresenta em menor proporção. No Brasil, além do termo chemsex, circulam termos locais como colocação e sexo aditivado, que evidenciam a ancoragem desse fenômeno em contextos socioculturais específicos e sua circulação no universo consensual. De modo geral, o chemsex refere-se ao uso deliberado de substâncias psicoativas imediatamente antes ou durante o ato sexual, podendo envolver múltiplas substâncias e significados. Ainda que alguns autores restrinjam o conceito ao consumo de drogas derivadas de anfetaminas, a literatura contemporânea reconhece o chemsex como um fenômeno sociopsicológico complexo, atravessado por práticas, emoções, normas, sentidos de prazer e experiências de vulnerabilidade. Esta tese teve como objetivo geral identificar e analisar as representações sociais do chemsex que circulam junto a população em geral brasileira, investigando como se articulam aos sentidos de prazer, risco e vulnerabilidade, visando a proposição de políticas públicas em saúde articulada ao referencial de redução de danos. O estudo fundamenta-se na Teoria das Representações Sociais (TRS), enquanto referencial capaz de compreender a elaboração simbólica do fenômeno no universo consensual e reificado, articulando-se aos conceitos de Vulnerabilidade, em suas dimensões social, programática e individual e à perspectiva da Redução de Danos (RD), orientada à promoção de saúde e à gestão de riscos. A tese foi estruturada em quatros estudos e na elaboração de uma cartilha didático-instrucional voltada ao público geral. O primeiro estudo articulou os principais achados científicos sobre chemsex às contribuições da TRS, da Vulnerabilidade e da RD, situando o fenômeno como objeto emergente de representação social. O segundo estudo, de caráter exploratório, análise documental de 25 prontuários clínicos de usuários(as) atendidos(as) em contexto de profilaxia pós-exposição (PEP), com idades entre 18 e 46 anos, adultos jovens, com predomínio de homens cisgêneros, autodeclarados homossexuais ou bissexuais e relato de uso de substâncias psicoativas em situações de exposição sexual. Os resultados evidenciaram o policonsumo como prática recorrente, com destaque para o uso de álcool, maconha e cocaína, além de elevada prevalência de relações sexuais desprotegidas, configurando um cenário de vulnerabilidade à infecção por HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis. O terceiro estudo investigou as representações sociais do chemsex entre 111 participantes da população geral brasileira, por meio da Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP) com quatro indutores: Drogas, Drogas e Sexo, Sexo Químico e Chemsex, analisada pelo software IRaMuTeQ. Os resultados revelaram um campo representacional estruturado por três eixos predominantes: o desconhecimento, o risco/perigo e a dependência. Uma clivagem reveladora foi identificada: enquanto 53,6% dos participantes nunca tinham ouvido falar de chemsex, 26,1% relataram uso de substâncias em contextos sexuais, e 30,8% dos usuários de PrEP identificaram o chemsex como motivação para a profilaxia. A presença de tadalafila e medicamentos no núcleo central do indutor Drogas, numa amostra majoritariamente cis-heterossexual ampliou as fronteiras do fenômeno para além das populações-chave historicamente descritas. Por fim, o quarto e último estudo consistiu na elaboração de uma cartilha didático-instrucional destinada ao público geral, como estratégia de promulgação do conhecimento produzido e de fortalecimento de ações em saúde coletiva, elaborada com linguagem acessível, abordagem interseccional e fundamentação científica, e validada por juízas especialistas. Ancorada nos princípios da redução de danos e na TRS, a cartilha operou como dispositivo mediador entre o saber científico e a experiência vivida, oferecendo uma linguagem que acolhe sem julgar e que reconhece prazer, vulnerabilidade e direito ao cuidado como dimensões simultâneas e legítimas. Os resultados apontam a urgência de estratégias de comunicação em saúde que reconheçam o prazer como motivação legítima, que nomeiem o fenômeno sem estigmatizar, que incorporem a redução de danos como eixo ético-político e que considerem as especificidades do contexto brasileiro especialmente as desigualdades regionais e o perfil diferenciado de substâncias. Esta tese buscou compreender como o chemsex, também nomeado localmente como colocação ou sexo aditivado tem sido representado socialmente no Brasil, investigando sua emergência como objeto representacional e sua articulação com sistemas simbólicos mais amplos relacionados a drogas e sexo. Ao produzir subsídios teóricos e práticos, o estudo contribui para o campo da Psicologia Social e da Saúde Coletiva, ampliando o debate sobre vulnerabilidades, redução de danos e os modos contemporâneos de significação do prazer e do risco. A tese conclui propondo um alargamento conceitual do chemsex para o contexto brasileiro, ressemantizando o termo europeu à luz das realidades locais, das substâncias disponíveis e das expressões populares já em circulação, contribuindo, assim, para a construção de respostas mais justas, mais efetivas e mais humanas diante de um fenômeno que, no Brasil, ainda está aprendendo a nomear.
MEMBROS DA BANCA:
Externo(a) à Instituição - ANTONIO LUIZ DA SILVA
Externo(a) à Instituição - EDNA MARIA QUERIDO DE OLIVEIRA CHAMON
Externo(a) à Instituição - LINNIKER MATHEUS SOARES DE MOURA
Interno(a) - 2483066 - PATRICIA NUNES DA FONSECA
Presidente(a) - 1285229 - SILVANA CARNEIRO MACIEL
Externo(a) à Instituição - SUENNY FONSECA DE OLIVEIRA