CCHLA - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL (PPGPS)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
- Telefone/Ramal
-
Não informado
Notícias
Banca de DEFESA: FERNANDA CRISTINA DE OLIVEIRA RAMALHO DINIZ
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: FERNANDA CRISTINA DE OLIVEIRA RAMALHO DINIZ
DATA: 19/03/2026
HORA: 09:00
LOCAL: GoogleMeet
TÍTULO: FALSOS CULPADOS GERAM FALSOS INOCENTES: UMA ANÁLISE
INTERSECCIONAL DA CRENÇA NO MUNDO JUSTO, DO RACISMO E DO
SEXISMO NOS PROCESSOS DE DECISÃO SOBRE ERROS JUDICIAIS NO
BRASIL E NA ESPANHA
PALAVRAS-CHAVES: Crença no Mundo Justo, Racismo, Sexismo, Justiça, Tomada de Decisão.
PÁGINAS: 360
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
SUBÁREA: Psicologia Social
ESPECIALIDADE: Papéis e Estruturas Sociais; Indivíduo
RESUMO: A tese intitulada "Falsos Culpados Geram Falsos Inocentes: uma Análise Interseccional da
Crença no Mundo Justo, do Racismo e do Sexismo nos Processos de Decisão sobre Erros
Judiciais no Brasil e na Espanha" investiga os fatores psicossociais e ideológicos que
influenciam a percepção, a tomada de decisão e o julgamento de erros judiciais nos contextos
do Brasil e da Espanha. O objetivo central é analisar o papel da Crença no Mundo Justo (CMJ),
do racismo e do sexismo ambivalente na avaliação da reputação de uma mulher vítima de
violência sexual e de um homem preso injustamente sob essa acusação. A pesquisa parte do
pressuposto de que esses mecanismos psicossociológicos e ideológicos sustentam, legitimam e
justificam desigualdades e violências, influenciando percepções, atitudes e comportamentos
relacionados à justiça social, ao preconceito e à discriminação racial e de gênero. Busca-se
preencher uma lacuna na literatura ao examinar como a CMJ, o racismo e o sexismo
ambivalente operam nos níveis intergrupal e ideológico, especialmente em cenários de erro
judicial. A pergunta central investiga o grau de credibilidade atribuído a mulheres vítimas de
violência sexual e a homens presos injustamente por esse crime. A forma como se atribui (ou
nega) tal credibilidade a membros de diferentes grupos sociais pode ser compreendida como
uma manifestação das normas sociais vigentes, que orientam julgamentos sobre culpa e
inocência. Nesse sentido, analisar a atribuição de credibilidade permite ilustrar como essas
normas são aplicadas de modos diferentes para cada grupo, reproduzindo hierarquias sociais e
desigualdades estruturais. Para responder a essa questão, foram conduzidos diferentes estudos:
um artigo de revisão sistemática mapeando a literatura empírica sobre a relação entre CMJ,
preconceito e discriminação, com foco nos processos psicossociológicos do racismo e do
sexismo; dois artigos dedicados à adaptação transcultural e validação de escalas psicométricas
a Escala de Aceitação dos Mitos Modernos sobre Agressão Sexual (AMMSA) para amostra
brasileira e a Escala de Crença no Mundo Justo com Ditados Populares (BJWPS) para amostra
espanhola; dois estudos empíricos que exploraram os efeitos dessas variáveis em cada país,
permitindo comparações interculturais e análises de construção discursiva; e um capítulo de
discussão geral e considerações finais, sintetizando os achados e suas implicações para o
entendimento dos erros judiciais e os vieses de julgamento nesses contextos. A revisão
sistemática indicou que a CMJ está associada a diversas crenças, atitudes e comportamentos
em diferentes níveis de análise, sendo frequentemente observada em contextos de violência.
Além disso, contribui para a naturalização e a manutenção de uma ordem social marcada por
desigualdades e injustiças. Os resultados da escala AMMSA indicaram boa validade e
consistência na identificação de crenças permissivas sobre violência sexual, frequentemente
associadas ao sexismo ambivalente, principalmente no contexto brasileiro. A escala se mostrou
uma ferramenta útil para pesquisas e intervenções voltadas à redução da violência sexual. Já a
escala BJWPS, adaptada e validada para a amostra espanhola, demonstrou evidências robustas
de validade, confiabilidade e eficácia para pesquisas na área. Os estudos experimentais
destacaram que a CMJ, o sexismo e o racismo por meio da percepção de ameaça dos
estereótipos influenciam a credibilidade e a reputação da mulher vítima de violência sexual e
do homem preso injustamente. A maior adesão a essas crenças reduz a confiança na mulher
vítima de violência sexual e minimiza os danos à sua reputação, enquanto o impacto na
reputação do homem acusado varia conforme a identidade grupal e as relações intergrupais, e
a interação entre CMJ, sexismo e racismo. Esses achados reforçam o papel das crenças, normassociais e estereótipos na perpetuação de desigualdades e na percepção de injustiças, bem como ressalta a importância de considerar a interseccionalidade de raça, classe social e gênero na relação entre vítimas, agressores e julgadores, visando promover maior equidade no tratamento de casos de violência sexual. Além disso, reforçaram que, embora a CMJ possa oferecer benefícios cognitivos ao reduzir a ansiedade diante da imprevisibilidade cotidiana, suas
implicações sociais são preocupantes, pois justificam desigualdades, legitimam preconceitos e
perpetuam discriminações. Assim, a CMJ representa uma barreira significativa para a promoção
da justiça social e da equidade entre os grupos sociais.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 3212546 - ROMULO LUSTOSA PIMENTEIRA DE MELO
Interno(a) - 1520147 - JULIO RIQUE NETO
Externo(a) à Instituição - IARA MARIBONDO ALBUQUERQUE
Externo(a) à Instituição - JOSE LUIS ALVARO ESTRAMIANA
Externo(a) à Instituição - KHALIL DA COSTA SILVA