CCHLA - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL (PPGPS)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Banca de DEFESA: TACIANE CAVALCANTI DO AMARAL
Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: TACIANE CAVALCANTI DO AMARAL
DATA: 19/03/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Google Meet
TÍTULO: DA CONEXÃO Á OPRESSÃO: OS IMPACTOS PSICOSSOCIAIS DO CIBERSEXISMO
PALAVRAS-CHAVES: Palavras-chave: Cibersexismo; online; opressão; mulheres.
PÁGINAS: 97
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
SUBÁREA: Psicologia Social
ESPECIALIDADE: Processos Grupais e de Comunicação
RESUMO: O sexismo online (cibersexismo) se refere a formas de ódio direcionado a mulheres nas redes sociais, disseminando um discurso de ódio que incentiva o comportamento agressivo e abusivo contra as mulheres. A partir disso, buscou-se compreender as raízes históricas, culturais e sociais do patriarcalismo e sua influência na perpetuação do sexismo, nos estereótipos de gênero e seus impactos no ambiente virtual. Para explicar esse fenômeno social, foram utilizadas a Teoria do Sexismo Ambivalente (Glick & Fiske, 1996) e o Modelo Geral da Agressão (Anderson & Bushman, 2002). A teoria do sexismo ambivalente defende que existem dois tipos de sexismo: o hostil e o benevolente e que ambos funcionam como ideologias complementares. O sexismo benevolente tem uma aparência positiva, considerando que as mulheres precisam ser protegidas. Já o sexismo hostil, se caracteriza por atos, atitudes, comportamentos e discursos hostis direcionados principalmente às mulheres que desafiam os papéis de gênero. Em relação ao Modelo Geral da Agressão, este é compreendido em três rotas (afetos, cognições e excitação comportamental) que levam a um processo de avaliação e tomada de decisão, emitindo uma resposta agressiva ou não agressiva. Tendo isso em vista, é possível compreender que nessa relação entre o físico e o virtual, o discurso misógino online está profundamente relacionado às questões sociais do contexto offline. De modo que o preconceito, os estereótipos, a discriminação estrutural e as desigualdades sociais de gênero servem como base de sustentação para a violência nas redes sociais. No Estudo 1, foi desenvolvida a Escala de Cibersexismo Hostil. O estudo foi dividido nas seguintes seções: Validade de Conteúdo e estrutura interna; b) Análise Fatorial Confirmatória Multigrupo. Inicialmente, foi realizado o Coeficiente de Validade de Conteúdo (CVC), que obteve os seguintes resultados: Pertinência: CVC= 0,95; Adequação da linguagem: CVC= 0,95; Clareza: 0,96. Depois disso, foi realizada a Análise Fatorial Exploratória, que obteve como resultados: testes de esfericidade de Bartlett (1.026,8, gl = 105, p < 0,001) e KMO (0,82) sugeriram interpretação da matriz de correlação dos itens. A análise paralela sugeriu que a escala possui 1 dimensão. Em relação a confiabilidade, o ômega de McDonald (ω = 0.85) foi indicativo de uma boa consistência de medida do traço latente do instrumento, o Alfa de Cronbach (α = 0.83) indicou uma boa confiabilidade interna do instrumento e os índices de ajuste do instrumento foram adequados (χ 2 = 996,67, gl = 105; p < 0,001; RMSEA = 0,063 (0,054 0,064); CFI = 0,948; TLI = 0,940). No Estudo 2 foi realizado um experimento, sendo observado que os homens pontuaram mais alto do que as mulheres na Escala de Cibersexismo Hostil (ECH) através de um teste t para amostras independentes. Além disso, foi realizada uma Análise Multivariada de Variância (MANOVA) com o objetivo de investigar em que medida os níveis de Hostilidade, Agressão Verbal, Agressão Física e Raiva variavam de acordo com o gênero e grupo, apresentando resultado estatisticamente significativo para a interação Gênero*Grupo (F(4, 196) = 4,516, p < 0,001; Partial η2 = 0,84). Ademais, foi realizada uma MANOVA com o objetivo de investigar em que medida os níveis de Psicopatia, Maquiavelismo e Narcisismo variam para homens e mulheres nos grupos controle e experimental. Os resultados foram estatisticamente significativos para a variável gênero (F(3, 197) = 7,159, p < 0,001; Partial η2 = 0,09). Não houve efeito principal para grupo (F(3, 197) = 0,891, p = 0,447; η2 = 0,013), nem para a interação gênero*grupo (F(3, 197) = 0,727, p = 0,537; η2 = 0,011). O Estudo 3 é um experimento que trata da exposição a postagens com ameaças de estupro. Com objetivo de investigar em que medida a exposição a postagens com ameaças de estupro impactaram na agressividade e na aceitação da violência contra a mulher. E, se a empatia terá papel mediador e o gênero papel moderador nessa relação. Obtendo como resultados que a interação entre agressividade e cibersexismo hostil é moderada pelo gênero (B = 0,310, p < 0.05), indicando que o efeito da agressividade sobre o cibersexismo hostil é 0.31 unidades mais forte em homens do que em mulheres. E que na interação entre agressividade e cibersexismo, o papel mediador da empatia afetiva não foi significativo (B = -0.017, p= 0,205). Porém, o cibersexismo hostil apresentou efeitos negativos e significativos para ambos os tipos de empatia. Diante disso, é possível afirmar que maiores níveis de cibersexismo hostil associaram-se a menores níveis de empatia cognitiva (β= -0,271; p < 0.001) e empatia afetiva (β= -0,305; p < 0.001). Diante do exposto, os resultados encontrados demonstram que os homens foram mais fortemente afetados, com maiores níveis de agressão verbal, violência geral do que as mulheres. Corroborando que as tendências de agressividade vivenciadas offline de homens contra mulheres se pronunciam também no ambiente digital.
Palavras-chave: Cibersexismo, online, opressão, mulheres
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 2014467 - CARLOS EDUARDO PIMENTEL
Interno(a) - 3303515 - JAQUELINE GOMES CAVALCANTI SA
Externo(a) à Instituição - ISOLDA DE ARAÚJO GÜNTHER