CCHLA - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL (PPGPS)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Notícias
Banca de DEFESA: GABRIELA BAYMA REMOS FERNANDES
Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: GABRIELA BAYMA REMOS FERNANDES
DATA: 25/03/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sala 1 do PPGPS
TÍTULO: POR ISSO AGORA, CATADORA, É DADA A HORA DA BRAVURA E DO FERVOR: Trajetórias de vida e de trabalho de mulheres catadoras de materiais recicláveis
PALAVRAS-CHAVES: Economia informal. Catadoras de materiais recicláveis. Trabalho feminino. Divisão sexual do trabalho. Psicologia Social do Trabalho.
PÁGINAS: 171
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO: A questão do trabalho informal no Brasil, aqui entendido como aquele não regulado pelo Estado, é uma realidade no país desde os primeiros contornos de um mercado de trabalho brasileiro. Amplamente composto por pessoas pretas e pardas em situação de vulnerabilidade socioeconômica no período pós-abolição da escravatura, ainda hoje preserva essas características. Uma das faces da informalidade é o trabalho de catação de materiais recicláveis, uma modalidade de trabalho que, sob estatísticas imprecisas, mas relatos concretos, acolhe uma parte significativa das mulheres trabalhadoras no país. Sob condições de trabalho desafiadoras, encontram na catação uma alternativa ao desemprego. Assim, esta pesquisa teve como objetivo analisar as trajetórias de vida e de trabalho de mulheres catadoras de materiais recicláveis. Para tal, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com nove mulheres catadoras, sendo seis cooperadas e três que catam somente nas ruas. Os registros no diário de campo e a observação participante decorrente dos meses de pesquisa de campo também contribuíram para o contar das histórias apresentadas. A análise das entrevistas foi realizada por meio da Análise Dialógica do Discurso, a partir do aporte teórico da Divisão Sexual do Trabalho e da postura crítica proposta pela Psicologia Social do Trabalho. Os resultados mostram que a trajetória no trabalho informal é, na maioria dos casos, a única trajetória já vivida. Mais do que isso, o trabalho inicia ainda nas primeiras fases da vida, seja ele remunerado ou não remunerado, resultando em abandono da vida escolar e da renúncia da infância. As trabalhadoras acumulam experiências de trabalho remunerado não registrado e que, somados ao trabalho doméstico e do cuidado atribuídos à elas a partir da divisão de papéis que se ancora nas relações sociais de sexo, resultam em trajetórias exaustivas e pouco reconhecidas por aqueles com quem compartilhavam o cotidiano. Entretanto, destacamos também a resistência de mulheres que, atravessadas por muito sofrimento, ainda mantêm a capacidade de se reinventar e se recusam a sucumbir. Valorizam a própria força que as sustentou até o momento presente. Reforçamos o longo caminho que ainda há para percorrer rumo à uma sociedade na qual a divisão de papéis entre homens e mulher não seja determinante para a posição subordinada da mulher nas relações de poder, assim como a necessidade de, enquanto Psicologia, não permitir que continuem invisibilizadas as modalidades de trabalho que existem no espectro da economia informal, assumindo o compromisso de andar lado a lado com os trabalhadores em direção à condições de vida e trabalho mais dignas.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 2042859 - THAIS AUGUSTA CUNHA DE OLIVEIRA MAXIMO
Interno(a) - 1519736 - TATIANA DE LUCENA TORRES
Externo(a) à Instituição - ALESSANDRA RENATA GEREMIAS
Externo(a) à Instituição - DÍMITRE SAMPAIO MOITA