PROGRAMA EM LETRAS EM REDE NACIONAL (PROFLETRAS)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de DEFESA: ANDREIA FERNANDES DO NASCIMENTO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ANDREIA FERNANDES DO NASCIMENTO
DATA: 26/08/2026
HORA: 09:30
LOCAL: Plataforma Google Meet
TÍTULO: ENTRE O CÁRCERE E A LIBERDADE: PRÁTICAS LEITORAS NO CONTEXTO DO SISTEMA PRISIONAL DA PARAÍBA
PALAVRAS-CHAVES: Educação crítica e emancipatória. Leitura. Repertório sociocultural. EJA (ciclo IV, 8o e 9o anos) para pessoas privadas de liberdade.
PÁGINAS: 173
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Lingüística
SUBÁREA: Lingüística Aplicada
RESUMO: O fomento à leitura e à ampliação do repertório sociocultural são fundamentais para o desenvolvimento crítico e emancipatório dos alunos, pois ampliam o acesso ao conhecimento e promovem a construção de uma consciência crítica sobre a sociedade. No contexto da Educação de Jovens e Adultos (EJA) para pessoas privadas de liberdade, o desenvolvimento de práticas leitoras favorece a antecipação da liberdade por meio da remição de pena, tanto pela leitura de obras literárias quanto pela aprovação no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade (ENCCEJA PPL), assim como no Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (ENEM PPL), ambos exigindo habilidades de leitura proficiente e crítica. Considerando a importância da leitura enquanto prática que se configura não apenas como instrumento de acesso ao conhecimento, mas como ferramenta de ressignificação de mundos, ampliação de horizontes e exercício de cidadania, mesmo em contextos de restrição da liberdade, a questão que norteou esta pesquisa foi: de que maneira a formação leitora, mediada por uma perspectiva crítica e emancipatória, pode contribuir para o desenvolvimento do repertório sociocultural e do pensamento crítico e reflexivo de jovens e adultos privados de liberdade? Diante disso, o objetivo geral constituiu em investigar em que medida práticas leitoras, mediadas por uma perspectiva discursiva, crítica e emancipatória, podem contribuir para o desenvolvimento do repertório sociocultural e do pensamento crítico e reflexivo de jovens e adultos privados de liberdade. A pesquisa, de natureza qualitativa, fundamentou-se na pesquisa-ação e foi realizada em uma escola estadual de ensino fundamental e médio situada em um presídio da Paraíba, com estudantes do Ciclo IV (8o e 9o anos) da EJA. Como instrumentos de geração de dados, utilizamos a observação participante, registrada em diário de campo, e oficinas pedagógicas. A abordagem teórica fundamentou-se na teoria crítica e emancipatória da educação, com base em Freire (2018), Giroux (1997) e Arroyo (2017), e adotamos a perspectiva da leitura como prática social e discursiva, embasada, respectivamente, nos estudos de Freire (2000) e nos de Pêcheux (1975) e Orlandi (2000), entre outros. A análise dos dados foi conduzida à luz da Análise do Discurso materialista. A investigação evidenciou três eixos analíticos que atravessam as experiências de leitura no cárcere: (1) a oralidade como espaço legítimo de crítica e a escrita como território de silenciamento, os participantes demonstraram capacidade crítica na oralidade, enquanto a escrita, frequentemente associada à avaliação e ao controle, inibiu a expressão autônoma; (2) a passagem da descrença absoluta ao reconhecimento da política como campo de direitos, as práticas leitoras mediadas possibilitaram o resgate da confiança nas instituições e a compreensão da política como espaço de conquista e garantia de direitos, superando visões fatalistas; (3) a escola no cárcere como território de disputa política, mas também de humanização e resistência, não apenas de remição, evidenciou-se que a educação na prisão transcende a lógica instrumental da remição de pena, configurando-se como espaço de (re)existência, afirmação da dignidade e construção de novos projetos de vida. Conclui-se que práticas leitoras ancoradas em uma perspectiva social e discursiva, ao promoverem o diálogo entre saberes escolares e experiências de vida, potencializam a formação crítica dos sujeitos, ainda que tensionadas por contradições próprias do contexto prisional. A pesquisa reafirma a urgência de políticas educacionais que reconheçam a leitura como prática de liberdade e a escola na prisão como território ético-político de humanização.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 3334167 - LAURENIA SOUTO SALES
Interno(a) - 1352273 - FERNANDA BARBOZA DE LIMA
Externo(a) à Instituição - MANASSÉS MORAIS XAVIER