PROGRAMA INTEGRADO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA (PIPGF)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Dissertações/Teses


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2019
Descrição
  • RUBENS SÓTERO DOS SANTOS
  • Os animais na epistemologia naturalista de David Hume: uma leitura darwiniana.
  • Orientador : MARCONI JOSE PIMENTEL PEQUENO
  • Data: 24/10/2019
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  • Os animais na epistemologia naturalista de David Hume: uma leitura darwiniana. Resumo: David Hume mostrou, nas seções Of the reason of animals, que os animais não-humanos, assim como os humanos, raciocinam causalmente. A partir disso, defenderemos a hipótese de que o argumento por analogia, o mais forte que Hume dispunha e que o levou a essa tese, não só foi bem fundamentado por ele, mas também que pode ser corroborado pela teoria da evolução de Charles Darwin, na medida em que esta defende uma ancestralidade comum das espécies, portanto, que há uma continuidade ou gradação entre os seres. Mostraremos, a partir dessa ancestralidade, que as semelhanças, essenciais à analogia, entre homens e animais que Hume observou, são suficientemente explicadas pela evolução.
  • MATHEUS WANDERLEY GONDIM
  • O Estruturalismo e o debate ontológico em Filosofia da Matemática
  • Data: 30/09/2019
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  • Esta tese de doutorado tem por objetivo defender um compromisso modal para a verdade e, estruturas matemáticas. Eta tarefa passa pela apresentação e rejeição do platonismo matemático em relação a Objetos, isto é, o compromisso ontológico com Objetos abstratos da matemática. A negativa do platonismo é fundada no argumento a favor do estruturalismo proposto por Paul Benacerraf em What Numbers Could Not Be. O estruturalismo é então apresentado como uma postura que não demanda compromisso ontológico para que um conceito de verdade objetiva seja aplicado significativamente à matemática, sendo suficiente um compromisso com enunciados demonstráveis em instâncias de uma estrutura. O trabalho é organizado em três capítulos: no primeiro, são discutidos os conceitos-chave para a discussão ontológica; no segundo, é apresentada a tese platonista, o argumento da indispensabilidade e o argumento de Benacerraf pelo estruturalismo; no terceiro, é discutida a natureza da escolha de axiomas em teorias matemáticas, bem como a dificuldade de conciliação entre ontologia e epistemologia para uma definição da verdade matemática, tal como defendida em Mathematical Truth, também de Benacerraf. O último capítulo é concluído com a defesa da tese deste trabalho.
  • ALAN DIONIZIO CARNEIRO
  • Pessoa, valor e emoção na filosofia de Max Scheler e suas repercussões sobre o mundo moral
  • Orientador : MARCONI JOSE PIMENTEL PEQUENO
  • Data: 27/09/2019
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  • Pessoa, emocao e valor sao categorias fundamentais do pensamento de Max Scheler. Trata-se dos fundamentos ontologicos a partir dos quais se estrutura a sua Etica. A nossa hipotese de trabalho parte do principio de que o mundo moral nao pode ser pensado desvinculado do nosso universo sensorial. De fato, a concepcao fenomenologica da etica scheleriana e capaz de superar o formalismo racionalista de matriz kantiana, possibilitando a fundamentacao de uma etica a partir da compreensao da expressao dos sentimentos da pessoa, sem se reduzir a uma etica da simpatia ou de indole utilitarista. Consideramos, ainda, que a filosofia de Scheler somente pode ser compreendida por meio de um circulo hermeneutico em torno da interligacao dos conceitos pessoa, valor e emocao. Com base nisso, discorremos inicialmente sobre o conceito de pessoa, examinando os seus fundamentos onto-antropologicos e seu papel na constituicao da natureza humana. Assim, e possivel definir o homem como alicerce do mundo e da historia, o qual e capaz de diferenciar-se e de elevar-se sobre todos os seres vivos e tambem sobre sua constituicao psicofisica (corpo-mente) em forma de espirito. Este, ademais, torna a pessoa um ser marcado pela liberdade e transcendencia. A pessoa aparece, entao, como um valor em si mesmo. A antropologia do ser pessoa nao pode estar dissociada da ontologia dos valores e de sua relacao com bens, fins e deveres. A partir da conexao entre a pessoa e o valor, podemos descrever o papel das emocoes no personalismo etico scheleriano. Emocoes sao modos de expressao do mundo dos valores e do modo-de-ser da pessoa, servindo a compreensao do outro e da constituicao moral da pessoa. A vida emocional jamais pode estar desvinculada das decisoes morais levadas a efeito pelo ser-pessoa. Enquanto os objetos do mundo sao apreendidos mediante o perceber sentimental, o outro apenas pode ser compreendido em sua individualidade e integralidade atraves de um ato de amor. O amor permite um autentico con-viver, isto significa que, a partir dele, nos tornamos capazes de reconhecer a dignidade do outro, compreender o seu modo de ser e a forma como ele julga o mundo e ordena os seu universo de bens. O amor e o ato gnosiologico que possibilita a participacao da pessoa no ser do outro. Eis por que o pensamento scheleriano sobre o mundo moral, nos permite erigir uma etica do e para o cuidar com base nas nocoes de pessoa, valor e emocao Palavras-Chave: Etica; pessoa; valor; emocao.
  • DIEGO GUIMARÃES
  • O gesto de anarquia a partir da obra de Giorgio Agamben
  • Orientador : ANDERSON DARC FERREIRA
  • Data: 13/09/2019
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  • Esta tese trata de investigar a obra de Giorgio Agamben (sobretudo a sua tetralogia Homo Sacer) a partir de uma aproximacao com o anarquismo. Em sentido geral, o anarquismo e um conjunto teorico e pratico que adota a anarquia (a ausencia de governo) como ponto de partida para as relacoes entre as pessoas. Atraves da aproximacao entre o filosofo italiano e o pensamento anarquico, nossa intencao ultima e desenvolver um conceito de gesto de anarquia, que sera ancorado, principalmente, no conceito de potencia destituinte desenvolvido por Agamben ao longo da tetralogia Homo Sacer (1995-2015) e que figura no ultimo volume desta serie como o que teria faltado ao pensamento anarquico definir: “tanto a tradicao anarquica quanto o pensamento do seculo XX tentaram definir esse potencia destituinte sem nunca verdadeiramente conseguir (AGAMBEN, 2014, p. 306-307). O principal objetivo e investigar o gesto anarquico (um gesticular que faca jus a anarquia) a partir de uma aproximacao entre Agamben e o anarquismo (sobretudo na forma do pos-anarquismo). Dedicaremos o primeiro capitulo a evidenciar, na obra de Agamben, a presenca e a relevancia da ideia de resistencia ao governo da vida, destacando tal problema com recurso a conceitos caros ao filosofo, como os conceitos de estado de excecao, vida nua e forma-de-vida, tal como eles aparecem vinculados a tetralogia Homo Sacer. Tendo destacado a caracteristica de resistencia ao governo da vida na obra de Agamben, caracteristica esta tambem presente nos anarquismos, dedicaremos o capitulo 2 aos conceitos de anarquia, anarquismo e pos-anarquismo, aprofundando a aproximacao entre eles e Agamben. O capitulo 3 tera como foco o conceito de potencia destituinte, com enfase a distincao entre destruicao e neutralizacao, contrapondo a destruicao, no sentido presente em Bakunin, com a destituicao presente em Agamben e importante ao pos-anarquismo, a qual se vincula um tipo de neutralizacao. Ja o capitulo 4 tratara do conceito de gesto desenvolvido por Agamben, para a partir dele pensarmos o conceito de gesto destituinte e, por fim, o conceito de gesto de anarquia.
  • ANDRE RICARDO DIAS SANTOS
  • ESTADO DE EXCEÇÃO E ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: VIOLÊNCIA E PODER NO PENSAMENTO DE WALTER BENJAMIN
  • Data: 24/07/2019
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  • Nosso trabalho de tese situa-se na critica ao Estado moderno, sobretudo na forma que este assume no contexto historico da primeira metade do seculo XX. Aqui, o Estado passa a atuar a partir da regra de excecao, o que significa dizer que atua sobre uma contradicao pautada pelo binomio inclusao-exclusao dos individuos pela via do Direito. Partimos deste debate encontrado na obra de Walter Benjamin para investigarmos as condicoes da democracia e da soberania na atualidade. Para tanto, investigamos a problematica na obra do filosofo alemao atraves da sua filosofia da historia, que funciona como o metodo para a averiguacao das condicoes historicas da luta de classes e para a propositura de um novo paradigma historico encontrado na compreensao da tradicao dos vencidos. A partir dai nos debrucamos sobre o conceito de estado de excecao, em busca de suas formas, a saber, o estado de excecao permanente e o "verdadeiro" estado de excecao. Neste percurso, buscamos compreender o conceito de poder soberano pela articulacao entre duas formas, o poder constituinte e o poder constituido para, em seguida, pensar a antitese do poder destituinte, conceito que conforma a instauracao da emergencia da excecao verdadeira. Estas questoes sao orientadas pela ideia da critica da violencia, conceito presente no pensamento de Benjamin em dois momentos: como violencia que funda a excecao e como outro tipo de violencia, que interrompe o seu circuito mitico na forma do Direito. Investigaremos a questao filosofica do estado de excecao para apontarmos, na obra do filosofo alemao, a compreensao de que o poder soberano e seu mecanismo representacional conformam uma violencia desde sua origem, consubstanciada pelo paradigma da soberania. Esta critica da representacao sustenta a problematica da realizacao democratica, que se expressa na hipotese de que o Estado de direito comporta o estado de excecao como necessidade de seu proprio funcionamento, o que nos habilita a defesa da violencia revolucionaria, aqui, na forma como Benjamin a define, enquanto violencia pura.
  • JANDUI EVANGELISTA DE OLIVEIRA
  • A RELAÇÃO ENTRE MÚSICA E FELICIDADE EM SANTO AGOSTINHO
  • Data: 18/03/2019
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  • O emprego da musica na busca da felicidade nao e privilegio de nossa epoca, na qual esta em moda as chamadas musicoterapias com vista ao bem-estar do homem frente ao mal-estar da complexa sociedade pos-moderna; ao contrario do que se possam supor essas duas tematicas estao presentes nas investigacoes filosoficas desde o nascimento da filosofia. Nesse sentido, em Atenas encontram-se as primeiras apologias da felicidade dissociada do mundo sensivel e inteiramente relacionada a boa vida da alma. Igualmente, enquanto componente curricular da educacao grega, a musica exercia um papel de importancia capital, pois suas conexoes com outros campos do saber ultrapassam em muito o sentido comum do que se costuma entender por musica, isto e, como um fenomeno audivel que pode ser percebido sensorialmente. Contudo, apesar de estarem presentes nas investigacoes filosoficas desde a origem da filosofia, a musica e a felicidade sempre foram tratadas isoladamente, independentes e praticamente, sem nenhuma vinculacao. Em vista disso, decorre o erro de se compreender a musica apenas como um produto destinado ao laser, o que implica na compreensao de uma felicidade desconectada da interioridade humana. Esse tipo de abordagem da musica e da felicidade como coisas desconexas se estendeu tambem pela Idade Media, com algumas variacoes, conforme discutiremos a seguir quando tratarmos do pensamento de Santo Agostinho. Para tanto, apresentaremos as principais raizes filosoficas do pensamento greco-romano que inspirou Agostinho e ao mesmo tempo, expor suas particularidades no tocante estas questoes. Assim, ao lermos aquilo que o Bispo de Hipona abordou no conjunto geral de sua obra sobre a musica e a felicidade, e digno notar que ele procurou evitar admitir aquilo que, para ele, foi um grande equivoco das investigacoes anteriores que seria o de defender que a verdadeira felicidade dependeria exclusivamente do esforco pessoal de cada um, a medida que para ser feliz bastava tao somente viver em conformidade com a razao. E por outro lado, evitou limitar o valor da musica somente a ciencia da boa modulacao e por isso procurou moderar o prazer sensivel em funcao dos prazeres espirituais. Com isso, a musica e elevada a categoria de uma fruicao transcendente e suprassensivel, ponto de encontro do humano com o divino, fonte da verdadeira felicidade. Portanto, nota-se a existencia da convergencia entre a musica e felicidade, uma vez que, se a verdadeira felicidade esta no alcance do Sumo Bem, que em ultima instancia e Deus, a verdadeira musica e aquela que favorece a ascensao ao Sumo Bem. Logo, a musica estabelece uma harmoniosa ponte entre a beleza sensivel e a Beleza Suprema e Criadora, fonte da autentica felicidade. Porem, a investigacao da influencia da musica sobre a felicidade nao e facil, pois, tem-se intensificado em nossos dias a oferta desmedida e uma procura desenfreada por felicidade, assim como, a producao e consumo da musica entendida apenas como um elemento voltado para as paixoes humanas. Por essa razao, defendemos que o habito de ouvir a boa musica contribui efetivamente para a conquista da felicidade. Sobretudo, porque a musica que habitualmente ouvimos tende a representar tracos importantes da nossa personalidade, ideias e principios morais. Com isso, esperamos desenvolver a sensibidade do nosso leitor a fim de criar nele o habito de ouvir musica com mais cuidado. Primeiramente, porque a musica nao e um simples aglomerado de sons; ela tem um ritmo e, ao mesmo tempo, e coesao e harmonia; possui uma estrutura e uma profundidade proprias que pode ser posta a servico da felicidade humana. Para tanto, faz-se-a necessario mostrar, de fato, o que e a felicidade e a musica para Santo Agostinho e depois trabalhar os aspectos que nos permite mostrar a relacao existente entre elas.
2018
Descrição
  • GLEIDIMAR ALVES DE OLIVEIRA
  • A tradição marxista e o problema da reificação: um exame crítico.
  • Data: 12/12/2018
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  • O presente Estudo investiga a reificacao das relacoes sociais - coisificacao - na tradicao marxista, com enfoque na atualidade desse fenomeno. Para atingir esse objetivo proposto, tres capitulos foram construidos: o primeiro capitulo aborda a permanencia (ou nao) da coisificacao na atualidade e as circunstancias em que ela aparece; o segundo capitulo teve como proposito pensar a vigencia do conceito reificacao a partir do dialogo com Georg Lukacs para quem a reificacao e interpretada como que enfatizando o vinculo com a racionalizacao weberiana em oposicao ao fundamento marxiano da reificacao que o reconhece no trabalho abstrato e na universalizacao da mercadoria; no terceiro capitulo, a enfase e a exposicao da alienacao, da reificacao e do fetichismo da mercadoria, a fim de validar a interacao entre essas tres categorias marxianas, no que diz respeito as condicoes de surgimento da reificacao social. Ao mesmo tempo, faz-se a verificacao da intersecao e particularidade das mesmas. Assim, a hipotese que anunciamos consiste em que a reificacaomarxiana e uma categoria distinta da alienacao e do fetichismo marxianos. Sua diferenca em relacao a alienacao e ao fetichismo se fundamenta por ser a reificacao um problema especifico das sociedades contemporaneas capitalistas da etapa do capitalismo industrial e financeiro, bem como por se referir diretamente a relacao coisas-pessoas; entretanto, a alienacao e uma categoria que, apesar de expressar uma condicao subjetiva dos individuos, tem como peculiaridade ser um fenomeno anterior as sociedades capitalistas, embora esteja presente nesta ultima, estando associada a divisao social do trabalho e surgindo na historia em sociedades pre-capitalistas. Em Marx, a alienacao e evidenciada principalmente nas primeiras obras (quando o filosofo estava influenciado pela teoria hegeliana da alienacao), a exemplo dos Manuscritos Economico-filosoficos de 1844 e da Ideologia Alema de 1846. Quanto ao fetichismo, ele se diferencia da reificacao sobretudo por se referir pontualmente a mercadoria e aos efeitos que ela provoca nos sujeitos, considerando que a mercadoria na forma universal constitui uma particularidade da economia capitalista moderna, semelhante a reificacao. Assim, a pesquisa busca responder a uma questao: se a reificacao das relacoes sociais, enquanto fenomeno especifico da sociedade capitalista, identifica-se com o fetichismo da mercadoria e com a alienacao.
  • MARTA MARIA ARAGAO MACIEL
  • Do romantismo revolucionário ao marxismo: política e cultura no pensamento de Ernst Bloch
  • Data: 04/12/2018
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  • Ao longo de quase um seculo de vida, o filosofo judeu-alemao Ernst Bloch conheceu experiencias ineditas da barbarie produzida no seculo XX, como o campo de concentracao e o stalinismo. No interior desse contexto, o problema da memoria historica surge como central em sua obra, na qual e notoria a recusa do estabelecimento de uma ruptura entre as categorias do tempo presente, passado e futuro. Assim, se a primeira obra do autor, O Espirito da utopia, estabelece como central em sua reflexao a interpretacao e atualizacao de uma tradicao cultural do passado por ele denominada heranca intacta, no livro seguinte do jovem pensador, a saber, Thomas Munzer: teologo da revolucao, o escritor recusa o determinismo anti-dialetico do marxismo dominante, a medida em que este, em geral, refletiu os fenomenos esteticos da cultura a partir de uma tacanha teoria do reflexo. Assim, em Heranca dessa epoca, um livro contra o fascismo elaborado na decada de 1930, o filosofo busca refletir uma epoca de crise, “uma epoca que se apodrece e, ao mesmo tempo, cria como uma mulher em gestacao”. Nesse trabalho, o escritor busca investigar se ha um uso diabolico, uma “heranca dialeticamente utilizavel” da burguesia em declinio. Ora, sua obra mais conhecida, O Principio esperanca, sendo, no dizer de Michael Lowy, “uma imensa e fascinante viagem pelo passado”, tematiza a heranca intacta – tradicao tambem chamada pelo autor como “utopica” – por meio do dialogo fundamental entre Sigmund Freud e Karl Marx. As entrelinhas do texto parecem estar sempre a repetir a pergunta: O que pode significar, para o contexto do nosso tempo, a interpretacao e atualizacao das utopias? O presente trabalho, intitulado Do romantismo revolucionario ao marxismo: estetica e politica no pensamento de Ernst Bloch, busca refletir a relacao entre cultura e politica na obra de Ernst Bloch produzida entre a revolucao alema e os anos de Weimar ate o periodo do exilio americano ocasionado pela ascensao do nazismo e a Segunda Guerra. No interior desse recorte, se vislumbra a nao ruptura entre os textos de juventude do filosofo ate sua insercao no marxismo. Alias, e justamente por meio da relacao entre estetica e politica que se quer refletir, no presente trabalho, a contribuicao dada por Bloch ao marxismo enquanto teoria critica do presente.
  • WÉCIO PINHEIRO ARAUJO
  • Ideologia e Capital: crítica da razão imanente à sociedade moderna.
  • Data: 03/12/2018
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  • Esta tese oferece um acesso critico ao problema da ideologia situado no seio da relacao entre realidade e consciencia na sociedade moderna. Elaboramos a questao a partir da ontologia hegeliana atualizada pela critica marxiana, isto e, como um totalidade formada a partir de mediacoes disparadas por meio da contradicao fundamental que desenhamos enquanto uma distensao formada por rupturas e continuidades entre: de um lado, o conteudo das relacoes sociais historicamente estabelecidas, isto e, a realidade concreta do capital enquanto razao social imanente a sociedade moderna, decifrado em formas sociais como o valor, a mercadoria, o capital financeiro, o capital ficticio, etc.; e de outro, a forma que adquire consciencia a maneira como essas relacoes sao vivenciadas pelos individuos nesta sociedade sob a mediacao da forma ideologia. Situamos as distensoes provocadas por essa contradicao determinante no campo global da interacao entre realidade e consciencia como uma contradicao sempre em processo. Contradicao entre conteudo e forma, que se desdobra em uma serie de determinacoes, formando assim uma totalidade constituida a partir de como esses fenomenos estabelecem mediacoes interagindo entre si na conformacao de uma complexa teia que nos acostumamos a definir como sociedade. Pensar assim requer que nao se conceba a realidade como uma coisa externa; mas, ao contrario, de maneira ontologica enquanto uma exteriorizacao e uma extensao do proprio ser humano compreendido como um ser social (gesellschaftliche Wesen). Teorizamos que o ser humano e um produtor nao apenas de valores de uso, mas de realidade, que se materializa por meio dos mesmos processos a partir dos e pelos quais e produzida, isto e: o trabalho e a linguagem como uma unidade em sua razao social imanente que se manifesta objetivamente na historia entre conteudo e forma. Em nossa analise, demostramos como Marx herda de Hegel a chave da questao: aquilo que produzimos como realidade deve ser compreendido em termos das suas condicoes de producao simultaneamente subjetivas e objetivas. Em nossa argumentacao, por meio do conceito de virtualidade real, descortina-se uma conexao profunda entre o problema da ideologia reelaborado a partir de um acesso ontologico-dialetico resgatado em Hegel, e o problema da forma do valor (Wertform) em Marx, desde a forma mercadoria (Warenform) ate a razao imanente ao capital ficticio (fiktives Kapital) neste seculo XXI. A ideologia se mostra como uma astuciosa forma social que adquire a ideia na maneira dos individuos vivenciarem a razao imanente ao real produzida enquanto conteudo das relacoes sociais historicamente estabelecidas sob a dominacao capitalista. Concluimos que a ideologia opera “harmonizando” as contradicoes a medida que produz uma “verdade” social que abrange sua propria falsidade. Essa complexidade e o que denominamos por virtualidade real: a ideologia nao falseia o real, mas constitui sorrateiramente a realidade em seu processo de producao como uma progressao imanente assentada no movimento profundo dessa sociedade na interacao entre realidade e consciencia, desde o processo de trabalho transpassado pela linguagem, ate como este e subsumido e se torna apenas um momento do desenvolvimento do capital. Por fim, apresentamos dois momentos de analise no sentido de produzir alguns diagnosticos acerca da realidade politica contemporanea: i) O primeiro analisa as mediacoes entre ideologia, capital e Estado na quadra historica brasileira iniciada com o Plano Real; ii) O segundo analisa o contexto hodierno entre ideologia e capital na era digital da automacao do trabalho e da robotizacao da subjetividade politica.
  • GIOVANNI JOSE DE SOUSA MEDEIROS
  • OS DIREITOS DE LIBERDADE E DE IGUALDADE: CONQUISTAS, OBSTÁCULOS E DESAFIOS DA DEMOCRACIA SEGUNDO NORBERTO BOBBIO
  • Data: 13/11/2018
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  • Este trabalho trata dos dois principios fundamentais da democracia: a liberdade e a igualdade. Nele, procura-se demonstrar que os regimes democraticos se caracterizam por garantir as liberdades civis e politicas e, da mesma forma, se oferecem como um instrumento essencial para a promocao da igualdade e a realizacao da justica social. Assim, os diversos tipos de expressao da liberdade (autonomia, liberdade democratica, positiva, negativa) revelam, da mesma forma, as diversas maneiras de os individuos exercerem o seu papel cidadao no contexto societario contemporaneo. Acerca da igualdade, demonstrou-se que somente nas democracias e possivel a luta pela efetivacao dos direitos socioeconomicos. Para tanto, a democracia exige o concurso do Estado de direito e da participacao ativa dos cidadaos, como forma de fazer valer os seus principios e de assegurar as regras do jogo. Ademais, estao destacadas as caracteristicas da democracia representativa, do elitismo que a caracteriza e porque esta tem sido a forma mais adequada de exercicio do poder politico, da luta por direitos sociais e de garantias das liberdades individuais Nao obstante o valor, a importancia e o progresso civilizacional representado pelos regimes democraticos, ha ainda muitos obstaculos, desafios e encruzilhadas que desafiam sua preservacao e avanco no mundo contemporaneo.
  • THIAGO GOMES DA SILVA NUNES
  • GENEALOGIA DA VONTADE DE PODER SOBRE A POSSIBILIDADE DE UM PROJETO DE REEDIFICAÇÃO DO OCIDENTE NA OBRA DE F. NIETZSCHE
  • Orientador : ROBSON COSTA CORDEIRO
  • Data: 18/10/2018
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  • Resumo:O nome de Nietzsche fora invocado por uma diversidade significativa de movimentos politicos e ideologicos ao longo de todo o seculo XX, um fenomeno que pode revelar mais que um simples jogo arbitrario de interpretacoes por parte de seus autores. Chamamos a atencao para uma possivel lacuna nem sempre observada pelos pesquisadores da area e que poderia contribuir muito com a resolucao de velhas querelas hermeneuticas em volta do legado nietzschiano. Para tanto, e de suma importancia arriscar uma analise conjunta de seu pensamento, seguindo um percurso de estudos que nos leve da epistemologia perspectivista a sua concepcao de mundo/vida/ser: a vontade de poder. A dissolucao epistemologica deixada pela filosofia critica no seculo XIX provavelmente levara Nietzsche a lutar contra o subjetivismo moderno, tendo em vista retomar a especulacao sobre a vida sob um vies distinto daquele evocado pelametafisicaclassica.Desta forma, retomaremos a sabedoria do corpo como chave de entendimento para o redescobrimento nietzschiano do mundo; um projeto similar aquilo que seria a fenomenologia deMaurice Merleau-Ponty (1908 – 1861), mas que na verdade revela como a obra de Nietzsche e e continuara fortemente enraizada no pensamento deArthur Schopenhauer (1788 -1860). Seja como for, neste ponto perceberemos que o projeto nietzschiano vai alem de um simples joguete filosofico qualquer, estando fortemente engajado a tentativa de enfrentamento dessa tradicao, talvez ainda com o intuito de reconfigurar o velho e moribundo Ocidente. A timida, mas efetiva caracterizacao do ser elaborada por Nietzsche – a ontologia da vontade de poder –acaba revelando que suas reflexoes estao munidas de uma inspiracao tipicamente pre-platonica: a tragedia antiga e a filosofia heraclitica. Sendo assim, Nietzsche tentara contrapor a afirmacao dionisiaca dos tragicos ao impulso da dialetica socratico-platonico,apresentando-nos por fim a doutrina do eterno retorno: por um lado a expressao temporal da vontade de poder, por outro um tipo de “imperativo categorico nietzschiano”. Depois da vontade de poder, o eterno retorno seria o segundo passo dado por Nietzsche na elaboracao de um diagrama com inspiracao pre-platonica, justamente onde a tradicao arcaica teria falhado ou estagnado.Seu projeto surgiriada tentativa de superacao da tradicao classica a partir do reconhecimento de um saber que lhe seria contraposto: a afirmacao de todas as faces da vida,isto e, o saber tragico-dionisiaco.
  • ANTONIO FÁBIO CABRAL DA SILVA
  • Do Antropocentrismo ao Biocentrismo: Uma Passagem Possível.
  • Data: 16/10/2018
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  • E cada vez mais claro que a humanidade precisa tratar com mais responsabilidade seu hospedeiro, o Planeta Terra. Visamos conhecer os desdobramentos acerca da nocao de natureza e a utilizacao dessa nocao pelas varias concepcoes filosoficas, bem como suas implicacoes com a gestao da vida no planeta. Porem, a tendencia em defender a Natureza pode ter seus perigos tecnicos, podemos correr o risco de ver surgir uma tecnocracia ecologica mundial proveniente do conflito homem-natureza. Analisaremos as principais correntes ou linhas de pensamento que tratam da relacao homem-natureza no ambito da tradicao dualista antropocentrica a partir da visao de Hans Jonas. Todavia, a passagem da humanidade inteira pelo crivo da selecao natural para a selecao artificial, via adaptacao aos suportes tecnicos leva cada vez mais os cientistas, filosofos, ecologistas, politicos e religiosos a se preocuparem com o devir global. Essa preocupacao nao deve se limitar apenas ao meio ambiente humano, mas, sobretudo se referir a dimensao global que envolve a vida de todos os seres no Planeta. A partir dessa visao integradora e biocentrica, a ecologia se constituiria como um novo paradigma da consciencia universal a partir de direitos proprios como mostra Michel Serres em seu livro O Contrato Natural. A tradicao dualista sempre defendeu uma etica antropocentrica em que a natureza e reconhecida tao-somente como mundo material e lugar dos recursos que podem ser infinitamente explorados; ou ainda como meio ambiente externo ao homem que nao se reconhece mais como ser natural, desvalorizando o suporte fundamental de sua propria condicao de ser-no-mundo. Eis porque convem falar num novo ethos contemporaneo, que preserve a ideia de homem pela responsabilidade com o futuro, uma “etica para o futuro” como aborda Hans Jonas em seu livro O Principio Responsabilidade. O ethos e uma caracteristica humana e e essa caracteristica que nos torna diferentes, livres e responsaveis. Sabemos hoje que a nocao de natureza e em si uma ideia culturalmente construida, e so ela permite superar os impasses da controversia tecnocientifica e, tambem, satisfazer as necessidades culturais e naturais. Nesse sentido, refletiremos sobre os desdobramentos da responsabilidade etica fundamentada como um principio, no sentimento de responsabilidade abordado no livro O principio vida de Hans Jonas, para a concepcao atual acerca da relacao homem-natureza. Nosso estudo consiste, portanto, em demonstrar a possibilidade do biocentrismo como superacao do antropocentrismo; os pressupostos que norteiam as vertentes do pensamento etico e ecologico, e as ideias que alimentam seus posicionamentos eticos, tecnicos, politicos e juridicos na atualidade.
  • ERICK VINICIUS SANTOS GOMES
  • ARETÉ E PAIDEIA: A FORMAÇÃO DO HOMEM POLÍTICO NO DIÁLOGO PRIMEIRO ALCIBÍADES DE PLATÃO
  • Data: 16/10/2018
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  • A pesquisa em andamento tem como foco estrutural o estudo da formacao do homem politico a partir da perspectiva platonica da arete (excelencia moral) e da paideia (educacao) grega. o dialogoPrimeiro Alcibiades foi escolhido como objeto da pesquisa por acreditarmos que falar de arete politica no Primeiro Alcibiades de Platao consiste exatamente em refletir sobre os fundamentos filosoficos da educacao politica ateniense e das diversas formas de saberes que constituem em certa medida a exitencia da polis, das suas estruturas sociais bem como a formacao do homem politico. Pensar uma filosofia da educacao a partir da ontologia platonica, e de certa forma buscar os principios de um projeto de paideia que tenha como suporte a disposicao dos elementos dapsyche (alma) e da episteme (ciencia) para ensinar a arte de governar e ser governado atraves do aperfeicoamento da alma e da busca do conhecimento de si mesmo, pois para Platao, se cada cidadao for educado para fazer o que lhe compete, ou seja, aquilo de que possui o conhecimento, colocando todas as suas excelencias em funcao do bem e da felicidade da polis reinara a concordia entre eles (homens politicos) e na cidade-estado, ou seja, reinara a propria justica, principio que para Platao deve nortear a acao dos homens que almejam o governo da cidade-estado. A partir desta perspectiva, a pesquisa caminha para nocao de que autoconhecimento (gnōthi seauton), a techne (arte) e episteme (ciencia) sao os componentes do projeto da paideia da alma que encontra-se no Alcibiades I – corresponde em certa medida a paideutica filosofica que Socrates almeja para a cidade-estado e para Alcibiades; e com vistas na finalidade de concretizacao desse projeto que Socrates indicara ao ephebo de vinte anos incompletos e a Atenas a recomendacao do Oraculo de Delphos - o gnōthi seauton (conhece-te a ti mesmo): diante da tentativa de demonstracao de amor (Eros) pela alma da cidade e de Alcibiades, Socrates de forma dialetica ( a dialetica surge representada pela utilizacao do elenchos como recurso pedagogico) empenha-se para tentar indicar o caminho da aletheia (verdade) a Alcibiades – neste aspecto, Socrates enquanto educador deseja indicar a Alcibiades o caminho dos fluxos (da mudanca) e daquilo que “e” - daquilo que e alma; ao tentar educar a alma da cidade-Estado e de Alcibiades para virtude, Socrates entende que nao se pode ensinar aquilo que estar em fluxo permanente, sendo o sabio e educador aquele que reconhece as verdadeiras e falsas imagens, o verdadeiro mestre, juntamente com o pupilo, na medida do possivel, sempre estara com o olhar voltado para o belo e imutavel, levando o educando atraves da alma a perceber a relacao que ha entre as coisas que “sao” e as coisas imutaveis – Alcibiades tera acesso as formas imutaveis, se o mesmo aprender a usar o terceiro olho, o olho da alma (psyche), pois e no olhar da alma que reside toda plenitude da paideia socratica.
  • BRENO DUTRA SERAFIM SOARES
  • PÓS-HUMANO E ALÉM-DO-HUMANO: UMA ABORDAGEM DO TRANSUMANISMO ATRAVÉS DO CONCEITO DE NIILISMO NO PENSAMENTO DE FRIEDRICH NIETZSCHE
  • Data: 24/09/2018
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  • Esta tese de doutorado tem como objetivo fundamental tecer uma critica sobre o trans-humanismo a partir do conceito de niilismo na obra de Friedrich W. Nietzsche. Para tanto, parte de uma polemica gerada por alguns pensadores que, a partir dos anos 90 do seculo XX, passaram a estabelecer uma relacao entre o pensador alemao e o movimento trans-humanista. Alguns teoricos desse movimento estabeleceram uma conexao de fundo entre o movimento trans-humanista e Nietzsche, partindo do principio de que este pensador proporcionaria com sua filosofia uma fundamentacao mais robusta para ideias fundamentais ao movimento. Nosso objetivo e, pois, determinar a validade de tais observacoes, se as mesmas foram estabelecidas de maneira acurada ou nao, atraves de uma critica dessa vinculacao de Nietzsche ao movimento trans-humanista a partir do conceito de niilismo, fundamental no pensamento do filosofo. Para realizar esse objetivo geral, partimos da elucidacao do conceito de niilismo na obra de Nietzsche, a partir da tematizacao do conceito em sua origem e arraigamento no contexto da cultura ocidental. Apos isso, realizamos o mesmo percurso com o pensamento trans-humanista, tentando estabelecer as caracteristicas fundamentais dessa corrente tao atual do pensamento ocidental, bem como determinando os meios pelos quais o trans-humanismo procura se fazer valer, espraiando-se no contexto do pensamento e da cultura ocidentais deste inicio de seculo. Ainda no segundo capitulo, buscamos estabelecer de que forma os pensadores trans-humanistas buscam realizar essa conexao entre o pensamento de Nietzsche e a doutrina por eles defendida. Num terceiro momento, buscamos defender nossa hipotese de que o trans-humanismo se identifica, de acordo com a otica nietzschiana, como uma especie de niilismo. Para tanto, tecemos consideracoes sobre o uso da ciencia pelo filosofo alemao. Primeiramente, para Nietzsche, a ciencia possui um papel positivo porque funciona como um mecanismo que permite livrar o ser humano do ideal de verdade como consolacao, tipico da metafisica e da religiao judaico-crista. Contudo, em um segundo momento, a ciencia se revela como herdeira do niilismo ocidental porque adota o ideal de conservacao e promocao da humanidade, seja esta “humanidade” organica ou pos-organica. Por ultimo, fazemos uso do conceito de alem-do-homem de Nietzsche para estabelecer um confronto com o pensamento trans-humanista, cujo objetivo e a criacao do pos-humano, conceito que os adeptos dessa doutrina equiparam ao alem-do-homem nietzschiano.
  • LUISMAR CARDOSO DE QUEIROZ
  • Título da tese: A ECONOMIA ONTO-TEOLÓGICA NO PENSAMENTO DO JOVEM HEIDEGGER
  • Data: 19/09/2018
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  • RESUMO: Em nossa pesquisa buscaremos tematizar, analisar e recolocar em fruicao, a partir do pensamento do jovem Heidegger, uma especifica mobilidade de pensamento que se move no ambito da circularidade autocompreensiva do ser-ai, e que, por isso mesmo, se realiza no interior da historicidade da vida fatica. Apresentaremos essa mobilidade de pensamento no conceito de economia onto-teologica: uma dinamica de pensamento que, como veremos, desenvolve-se no periodo inicial da filosofia de Heidegger, mas conserva sua intensidade e forca de determinacao em todas as sendas de pensamento que posteriormente se abrem para este filosofo. A economia onto-teologica se realiza na meditacao comutativa dos conteudos modais (indicios formais) que perpassam o fluxo vivo da facticidade religiosa do cristianismo; liberando, a partir de seu movimento, insights fenomenologicos que abrem acesso a dimensao originaria do tempo e do ser.
  • MARCIO JOSE SILVA LIMA
  • A INFLUÊNCIA DE JACOB BURCKHARDT E O CONCEITO DE FORÇA PLÁSTICA NO PENSAMENTO DE NIETZSCHE
  • Data: 14/09/2018
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  • RESUMO: O presente trabalho tem como finalidade analisar a influencia do historiador suico Jacob Burckhardt e, a partir de tal analise, compreender o conceito de Forca Plastica na filosofia de Nietzsche. Levantamos a hipotese de que tematicas presentes no pensamento de Burckhardt tais como, o ideal de grandeza, a historia como uma utilidade para a Vida, a influencia da arte no processo de criacao e as criticas ao historicismo e ao progresso da historia; acabaram por contribuir na construcao do pensamento historico de Nietzsche presente em sua Segunda Consideracao Intempestiva e, sobretudo, no conceito de forca plastica. Todavia, nao queremos dizer que a filosofia de Nietzsche seja uma copia esmaecida das ideias de Burckhardt. Pretendemos demonstrar que a leitura que o filosofo fez do historiador permitiu, por meio de uma apropriacao produtiva, o desenvolvimento de seu proprio pensamento. Para estear nossa hipotese nos apoiamos em textos dos pensadores supracitados e nos estudos dos comentadores sobre o assunto. Como o conceito de forca plastica e um tema pouco abordado pela filosofia, tambem foi necessario um exercicio proprio de interpretacao. Desse modo, foi possivel demonstrar como tal conceito esteve presente, ainda que tratado de forma diferente, na fase madura do pensamento nietzschiano. Sustentaremos a ideia de que a forca plastica permeia a filosofia de Nietzsche, desde sua juventude ate o periodo em que o filosofo trata da Vida enquanto Vontade de Poder e Eterno Retorno.
  • FERNANDES ANTONIO BRASILEIRO RODRIGUES
  • O NÃO ÉTICO DO CAPITAL A PARTIR DO PROJETO ÉTICO POLÍTICO-ECOLÓGICO DE LIBERTAÇÃO EM DUSSEL
  • Data: 11/09/2018
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  • A pesquisa em analise investiga a Filosofia da Libertacao em Dussel, sua genese e evolucao, assumindo a influencia fundamental e decisiva do filosofo Karl Marx a esse pensamento, de modo especial, a partir do conceito de exterioridade. Esta e entendida como sendo o ambito onde o outro se revela e se manifesta como ser livre. E a partir da exterioridade como sendo a categoria principal do pensamento marxiano e pressuposto teorico fundamental, que o discurso de Dussel torna-se viavel, em particular, na condicao de pensador que opta pela vitima, o que se constituiu como o distintivo em seu pensar filosofico. O trabalho tem como objetivo de estudo a preocupacao etica com a libertacao do homem a partir do nao etico do capital implicita na relacao social de producao, que em Dussel, perpassa o campo politico-ecologico em que a humanidade do homem e negada. Diante disso, aqui se assume a tese de que ha em Dussel uma vocacao natural pela vitima: o seu pensar e dirigido e construido, propositalmente, em favor da vitima. O esforco deste trabalho e o de mostrar que a opcao pela vitima sera o fio condutor de todo seu pensamento enquanto Filosofia da Libertacao, passando pela Etica, pela Politica e pela Ecologica, tomando a mediacao politica para chegar a Ecologica Material da Libertacao. Para isso, como estrategia de abordagem, as categorias exterioridade e libertacao sinalizam a analise filosofica a inclinacao necessaria com o tema investigado, atraves da leitura das principais obras de Dussel, em dialogo com a filosofia da praxis de Marx. Como desdobramento da hipotese levantada, intenciona-se mostrar como a opcao de Dussel tomada pela vitima exige da Filosofia da Libertacao uma pretensao critica de pensamento, sob quatro perspectivas: situar historicamente Dussel, a Historia da Filosofia em America e a Filosofia da Libertacao, no sentido de expressar o eco dos oprimidos desde sua origem; atraves de uma Etica da Libertacao, enquanto pretensao critica da modernidade; de uma Etica da Libertacao desde uma releitura marxista de Dussel, norteada pela categoria do trabalho vivo que indica a exploracao e dominacao do trabalhador, da vitima; e de uma Ecologica, exigindo uma Praxis Politica de Libertacao fundada numa reflexao Ecologica Material. Entao, o trabalho filosofico esta desafiado e provocado pela necessidade real de ir ao auxilio a vitima, exigencia do povo latino-americano em seu caminho de libertacao. Quanto aos resultados, ressaltam-se a compreensao da realidade e a critica ao sistema capitalista com enfase a reflexao filosofica teorico-pratica de Enrique Dussel, no campo ecologico, que entrecruza todos demais, etico, politico, economico, etc.; pelas suas contribuicoes no cenario contemporaneo tao conturbado, pela coragem em apontar rumo a outra sociedade que esteja para alem desta, moderna e capitalista que oprime e massacra o trabalhador.
  • RAMON BOLIVAR CAVALCANTI GERMANO
  • Ramon Bolívar Cavalcanti Germano O SOPRO DO ETERNO: Sobre Verdade, Vida e Amor em S. A. Kierkegaard
  • Data: 10/08/2018
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  • RESUMO Neste trabalho mostramos como a contribuicao autoral de Kierkegaard pode ser compreendida como um esforco sempre renovado de alusao ao eterno. Ao mesmo tempo tentamos aludir a este “objeto” insolito que, a rigor, nao e objeto algum. Veremos como a consideracao sobre o eterno so e possivel a partir da vivencia concreta do eterno no tempo. Quer dizer que nao buscamos um conceito abstrato, mas a expressao concreta do eterno na existencia finita do homem. Esta “concretude” significa aqui verdade, vida e amor. Tentamos percorrer cada termo desta “trindade” tendo em vista a explicitacao de sua unidade fundamental. O que os unifica e o eterno, de modo que verdade, vida e amor nao sao senao nomes do eterno. Inversamente, o que aqui se compreende por eterno so podera vir a luz mediante as ideias de verdade, vida e amor. O sopro do eterno e a fonte profunda de Vida que se diz tambem Verdade e Amor. Isso nos indica, em primeiro lugar, que a verdade, sob o ponto de vista de Kierkegaard, nao e uma determinacao conceitual, nem uma qualidade de proposicoes, nem a adequacao do conhecimento ao objeto, ou coisa similar, mas uma vida. A vida, por sua vez, nao e a harmonia biologica dos ser es, nem a exterioridade daquilo que aparece (mundo), mas o segredo invisivel e insondavel, a fonte de origem absolutamente gratuita donde provem todo ser vivente, isto e, o amor. Mas o amor nao e a relacao reciproca entre os seres, nem um sentimento nascido no interior das relacoes humanas, nem um vinculo temporal, mas o vinculo inefavel do eterno, o manadeiro de vida cuja essencia nao e a reciprocidade humana, mas a pura gratuidade daquilo que se doa – gracioso e dadivoso.
  • MARCIO VICTOR DE SENA DINIZ
  • Doutorando: Márcio Victor de Sena Diniz Título: O DEBATE TOLERACIONISTA A PARTIR DE MORE, LOCKE, MILL, MARCUSE E WALZER: HISTÓRIA, PROBLEMAS E NOVAS PERSPECTIVAS
  • Data: 16/07/2018
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  • Resumo O objetivo desta Tese e investigar o debate toleracionista, empreendendo um exame das tres questoes que consideramos mais relevantes na atualidade: o problema conceitual da polissemia da tolerancia e as multiplas acepcoes do termo; o problema metodologico da tipologia toleracionista e a relacao entre os diferentes tipos de tolerancia; e o problema pratico dos limites. Defenderemos, ao longo do trabalho, que, apesar de ter alcancado resultados bastante frutiferos no decorrer de seus cinco seculos de existencia, a discussao em torno da tolerancia historicamente apresentou dois graves equivocos que, a nosso ver, impediram um desenvolvimento mais promissor do debate: o equivoco da confusao conceitual e o equivoco da imprecisao terminologica. Por essa razao, apresentaremos uma proposta de “terapia linguistica” para aplica-la no conceito de tolerancia, visando elucidar os dois equivocos mencionados e, com isso, esbocar novas perspectivas para o desenvolvimento dos problemas acima listados. Dividido em sete capitulos, este trabalho comecara examinando seis obras pertencentes a tradicao toleracionista: a Utopia de Thomas More (Capitulo 1); a Carta acerca da Tolerancia de John Locke (Capitulo 2); Sobre a Liberdade e A Sujeicao das Mulheres, ambas de John Stuart Mill (Capitulo 3); Tolerancia Repressiva de Herbert Marcuse e Da Tolerancia de Michael Walzer (Capitulo 4). No Capitulo 5, examinaremos, a partir da polissemia da tolerancia, a necessidade de definir adequadamente cada acepcao do termo, apresentando a Tese das Acepcoes Adequadas e das Acepcoes Inadequadas (TA), a Tese das Definicoes Opostas (TDO) e a Tese da Irredutibilidade (TI) e discutindo as implicacoes logico-conceituais desse primeiro conjunto de teses para o debate toleracionista. No Capitulo 6, discutiremos, inicialmente, a Tese da Compatibilidade e da Incompatibilidade (TCI) entre os tipos de tolerancia, mostrando de que forma esta serviria como uma alternativa para elucidar o problema da tipologia, e, na sequencia, utilizaremos as ferramentas conceituais oriundas da TA e da TCI para examinar alguns documentos juridicos toleracionistas (a Declaracao de Principios da Tolerancia da UNESCO e as leis brasileiras 7.716/89 e 9.459/97). Finalmente, no Capitulo 7, que tem como tematica central a questao dos limites da tolerancia, aplicaremos a TA e a TCI nos textos de dois dos autores analisados inicialmente (Locke e Stuart Mill) e em um fenomeno toleracionista retirado da realidade social brasileira (o “caso Mein Kampf”), e procuraremos mostrar que uma possivel elucidacao do problema pratico dos limites esta condicionada pela elucidacao do problema conceitual da polissemia e do problema metodologico da tipologia.
  • MARCIO VICTOR DE SENA DINIZ
  • Doutorando: Márcio Victor de Sena Diniz Título: O DEBATE TOLERACIONISTA A PARTIR DE MORE, LOCKE, MILL, MARCUSE E WALZER: HISTÓRIA, PROBLEMAS E NOVAS PERSPECTIVAS
  • Data: 16/07/2018
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  • Resumo O objetivo desta Tese e investigar o debate toleracionista, empreendendo um exame das tres questoes que consideramos mais relevantes na atualidade: o problema conceitual da polissemia da tolerancia e as multiplas acepcoes do termo; o problema metodologico da tipologia toleracionista e a relacao entre os diferentes tipos de tolerancia; e o problema pratico dos limites. Defenderemos, ao longo do trabalho, que, apesar de ter alcancado resultados bastante frutiferos no decorrer de seus cinco seculos de existencia, a discussao em torno da tolerancia historicamente apresentou dois graves equivocos que, a nosso ver, impediram um desenvolvimento mais promissor do debate: o equivoco da confusao conceitual e o equivoco da imprecisao terminologica. Por essa razao, apresentaremos uma proposta de “terapia linguistica” para aplica-la no conceito de tolerancia, visando elucidar os dois equivocos mencionados e, com isso, esbocar novas perspectivas para o desenvolvimento dos problemas acima listados. Dividido em sete capitulos, este trabalho comecara examinando seis obras pertencentes a tradicao toleracionista: a Utopia de Thomas More (Capitulo 1); a Carta acerca da Tolerancia de John Locke (Capitulo 2); Sobre a Liberdade e A Sujeicao das Mulheres, ambas de John Stuart Mill (Capitulo 3); Tolerancia Repressiva de Herbert Marcuse e Da Tolerancia de Michael Walzer (Capitulo 4). No Capitulo 5, examinaremos, a partir da polissemia da tolerancia, a necessidade de definir adequadamente cada acepcao do termo, apresentando a Tese das Acepcoes Adequadas e das Acepcoes Inadequadas (TA), a Tese das Definicoes Opostas (TDO) e a Tese da Irredutibilidade (TI) e discutindo as implicacoes logico-conceituais desse primeiro conjunto de teses para o debate toleracionista. No Capitulo 6, discutiremos, inicialmente, a Tese da Compatibilidade e da Incompatibilidade (TCI) entre os tipos de tolerancia, mostrando de que forma esta serviria como uma alternativa para elucidar o problema da tipologia, e, na sequencia, utilizaremos as ferramentas conceituais oriundas da TA e da TCI para examinar alguns documentos juridicos toleracionistas (a Declaracao de Principios da Tolerancia da UNESCO e as leis brasileiras 7.716/89 e 9.459/97). Finalmente, no Capitulo 7, que tem como tematica central a questao dos limites da tolerancia, aplicaremos a TA e a TCI nos textos de dois dos autores analisados inicialmente (Locke e Stuart Mill) e em um fenomeno toleracionista retirado da realidade social brasileira (o “caso Mein Kampf”), e procuraremos mostrar que uma possivel elucidacao do problema pratico dos limites esta condicionada pela elucidacao do problema conceitual da polissemia e do problema metodologico da tipologia.
  • PAULO ROBERTO ANDRADE DE ALMEIDA
  • A ESFERA PÚBLICA POLÍTICA NO PENSAMENTO DE JÜRGEN HABERMAS: PROBLEMAS, LIMITES E PERSPECTIVAS
  • Data: 18/04/2018
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  • O objetivo desta Tese e apresentar a evolucao do conceito de esfera publica politica, no pensamento do filosofo alemao Jurgen Habermas. O autor acusara o declinio da esfera publica liberal burguesa, corrompida pelo Poder, ao concluir sua obra Strukturwandel der Offentlichkeit e persegue o tema ao longo de toda sua carreira academico-editorial. Logo, e oportuno indagar: como revitalizar (ou repolitizar) a esfera publica? Acreditamos que o passo decisivo para enfrentar tal aporia seja a substituicao da metafora de sitiamento pela metafora de eclusas, num novo modelo de circulacao do poder, o que seria tematizado em Faktizitat und Geltung. Nossa pesquisa bibliografica, de carater dedutivo, pretende demonstrar como o autor supera os condicionamentos historicos e sociologicos presentes na sua concepcao inicial de esfera publica e, valendo-se da filosofia da linguagem, da teoria dos sistemas de Luhmann e dialogando com varios intelectuais, inaugura uma nova apreensao de sociedade, como sistema e mundo da vida. O uso pragmatico da linguagem concorre para a formacao da vontade e da opiniao dos individuos, que intervem junto ao complexo parlamentar, determinando o direcionamento de suas decisoes. Isto e o que chama de democracia deliberativa, procedimento que e legitimado pelo Direito.
2017
Descrição
  • CARLOS ANTONIO DE SOUZA
  • O Universal e o Particular no Problema Epistemológico Cartesiano.
  • Data: 14/12/2017
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  • O presente trabalho, tendo em vista estabelecer uma relacao de condicionamento do aspecto metodologico para o teorico, no problema epistemologico cartesiano, propoe que o referido problema, que apresenta um desdobramento que se desencadeia do aspecto formal para o psicologico e o ontologico, assinalando uma projecao da epistemologia para a ontologia, embora de modo sistemicamente circular, tem como unidade estrutural a relacao entre o universal e o particular, constituida com base na precedencia e redutibilidade da parte do primeiro, relativamente ao ultimo.
  • MARIA EVELINE RAMALHO RIBEIRO
  • VIDA BREVE, ARTE LONGA: a humanitas grego-hipocrática e a humanização da medicina
  • Data: 07/12/2017
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  • O presente trabalho tem como tema Vida breve, arte longa: a humanitas grego- hipocratica e a humanizacao da medicina, cujo objetivo consiste em estabelecer um elo entre a concepcao humanista presentes na Grecia Classica e na arte medica hipocratica e sua relacao com o saber medico atual, por meio da humanizacao da medicina, ensejada na formacao dos profissionais e na sua atuacao profissional. Assim, partimos da hipotese de que, apesar da tecnicizacao e da ultraespecializacao que caracterizam a medicina moderna, e possivel perceber na formacao e na pratica medicas um despertar para a necessidade de humanizacao dos procedimentos medicos por intermedio da concepcao de homem em sua amplitude e complexidade biopsicossociais. Essa reflexao foi construida a partir de tres momentos. No primeiro, pretendemos indicar, a partir da leitura de Reale (2002) e de Snell (2001), como a narrativa mitica – descrita nos poemas homericos - o pensamento filosofico, em sua busca pelo entendimento racional do cosmos e da physis humana, e a arte medica, apresentada por Platao no Timeu (2011), se constituem como tres dimensoes fundamentais do espirito grego. No segundo momento, apresentamos a medicina grego-hipocratica e a sua concepcao de homem, ressaltando que o conhecimento da physis do corpo se constituiu como a essencia da medicina hipocratica que surgiu no seculo V a.C, na Grecia classica. Para fundamentar essa discussao, utilizamos duas fontes primarias: Cairus (2005) - cujo texto apresenta traducoes e comentarios do Corpus Hippocraticum - e Entralgo (1970). E, finalmente, investigamos o legado de Hipocrates para a medicina ocidental, mediante o despertar sobre a humanizacao da medicina e a concepcao do homem em sua amplitude e complexidade biopsicossociais, cujas fontes primarias sao as duas obras de Entralgo (1984) e (2010), alem da Resolucao nº 3 de 20 de junho de 2014, que estabelece as Diretrizes Curriculares do Curso de Graduacao em Medicina. Portanto, consideramos que a medicina hipocratica continua sendo o fundamento da concepcao etico- humanistica, fundada no principio da integralidade e da visao ampliada da saude como arte do bem viver.
  • JOSE ATILIO PIRES DA SILVEIRA
  • Título: "Inteligência Artificial; um perguntar pelo homem?
  • Data: 30/11/2017
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  • Resumo: A tese possui como tematica central o projeto de inteligencia artificial. A hipotese de trabalho pergunta se o objetivo ultimo da versao forte do projeto de IA nao corre o mesmo risco de vir a se encontrar na situacao em que se encontra a Alquimia, ao se propor alcancar um objetivo considerado, a principio, irrealizavel. A resposta a esta problematizacao se fara em dois passos. O primeiro da-se com o reconhecimento de que o debate sobre o objetivo de construcao de inteligencia artificial e fortemente influenciado e limitado pelo modo dicotomico de organizacao de ideias. O segundo pela superacao da influencia e limitacao dicotomicas que far-se-a por meio da analise da relacao entre os significados dos conceitos de Homem, Artificio e Inteligencia.
  • PAULO ROBERTO ANDRADE DE ALMEIDA
  • A ESFERA PÚBLICA POLÍTICA NO PENSAMENTO DE JÜRGEN HABERMAS 08 de novembro de 2017, 8:00 – 12:00
  • Data: 08/11/2017
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  • O objetivo desta Tese e apresentar a evolucao do conceito de esfera publica politica, no pensamento do filosofo alemao Jurgen Habermas. O autor acusara o declinio da esfera publica liberal burguesa, corrompida pelo Poder, ao concluir sua obra Strukturwandel der Offentlichkeit e persegue o tema ao longo de toda sua carreira academico-editorial. Logo, e oportuno indagar: como revitalizar (ou repolitizar) a esfera publica? Acreditamos que o passo decisivo para enfrentar tal aporia seja a substituicao da metafora de sitiamento pela metafora de eclusas, num novo modelo de circulacao do poder, o que seria tematizado em Faktizitat und Geltung. Nossa pesquisa bibliografica, de carater dedutivo, pretende demonstrar como o autor supera os condicionamentos historicos e sociologicos presentes na sua concepcao inicial de esfera publica e, valendo-se da filosofia da linguagem, da teoria dos sistemas de Luhmann e dialogando com varios intelectuais, inaugura uma nova apreensao de sociedade, como sistema e mundo da vida. O uso pragmatico da linguagem concorre para a formacao da vontade e da opiniao dos individuos, que intervem junto ao complexo parlamentar, determinando o direcionamento de suas decisoes. Isto e o que chama de democracia deliberativa, procedimento que e legitimado pelo Direito.
  • EUGENIA RIBEIRO TELES
  • Sobre a determinação das emoções na resolução dos dilemas morais.
  • Data: 31/10/2017
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  • O presente trabalho aborda de que maneira as emocoes podem ser determinantes na solucao dos dilemas morais genuinos. Sucintamente podemos dizer que os dilemas morais genuinos sao situacoes de conflitos nas quais o mesmo dever e requerido e negado por nao ser possivel realizar ambos, porque realizar a acao prescrita por um dos deveres conflitantes implica em nao realizar a outra. Esse tipo de deliberacao sugere fortemente um tipo de inconsistencia que nao pode ser explicada satisfatoriamente dentro de uma teoria do raciocinio moral tradicional (que defende que o raciocinio correto e o raciocinio logico dedutivo). No entanto, existem outras teorias do raciocinio moral que apresentam diferentes pontos de vista e que levam em consideracao outros elementos como fazendo parte do nosso processo deliberativo. Por exemplo, temos o modelo social intuicionista de Haidt (2000), que defende que as intuicoes morais sao a causa dos nossos julgamentos morais e que o raciocinio e uma etapa posterior, cuja finalidade e apenas de justificar os julgamentos formados pela intuicao. Temos ainda uma teoria defendida por Harman, Maison e Sinnot-Armstrong (2009), o Modelo do Equilibrio Reflexivo, que defende a ideia de que para formarmos nossos julgamentos morais nos usamos tanto o raciocinio como as nossas intuicoes. De acordo com esse modelo para chegarmos a um julgamento moral coerente, nos passamos por um processo no qual testamos nossas intuicoes contra o raciocinio e testamos o raciocinio contra nossas intuicoes (Liao, 2010). Desviando-se um pouco da vertente puramente logicista tradicionalista do raciocinio moral, encontramos a teoria psicologica do raciocinio moral proposta por Bucciarelli, Khemlani e Johnson-Laird (2008). Sem entrarmos em pormenores, podemos dizer que se trata de uma teoria sobre as proposicoes morais e preconiza que nao existe um criterio simples para escolher as proposicoes morais dentre a imensa gama de proposicoes deonticas; que os mecanismos que subjazem as emocoes e julgamentos morais sao independentes e operam em paralelo; que os julgamentos deonticos dependem de inferencias; e que as nossas crencas sobre o que e ou nao moral nao sao nem completas nem consistentes. A partir dessas diferentes perspectivas atraves das quais podemos pensar o raciocinio moral, buscaremos analisar ate que ponto essas teorias contemplam a questao dos dilemas morais. Sabemos que como agentes morais, em face de uma situacao conflitante, temos que decidir o que fazer e uma vez que a razao, como e tradicionalmente definida, nao consegue lidar com as contradicoes, sugerimos que sao as emocoes que atuam como elementos que possibilitam a decisao do que fazer, bem como sao elas o fator motivacional que instiga o agente a agir de acordo com sua deliberacao. Com esse objetivo, no primeiro capitulo, elucidamos alguns conceitos basicos que perpassam o raciocinio em geral e o raciocinio moral em especifico. No segundo, apresentamos quatro teorias diferentes sobre o raciocinio moral com a finalidade de no terceiro capitulo analisarmos os dilemas morais sob a perspectiva de cada uma dessas teorias. No quarto capitulo falaremos sobre as emocoes, mostraremos algumas teorias e os componentes que permeiam essa discussao. Finalmente no quinto capitulo defenderemos em que sentido as emocoes determinam as nossas deliberacoes em situacoes dilematicas. Assumindo que nossas emocoes sao percepcoes de valores (Tapollet, 2000) investigaremos de que maneira elas podem influenciar a formacao dos julgamentos morais, como elas ajudam na deliberacao em casos de dilemas e ate que ponto elas sao forcas motivadoras que nos conduzem a acao.
  • ANA RAFAELLA PEREIRA MELO
  • Interação entre razão e sensação no Teeteto: uma teoria da senso-percepção
  • Data: 31/05/2017
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  • Texto (em portugues) do resumo da tese): A argumentacao dessa pesquisa, no geral, centraliza em questionamentos pertinentes aos meios de conhecimento tais como a senso-percepcao e a construcao de uma opiniao. O objetivo primeiro da presente pesquisa se constroi em torno da possibilidade de ser a teoria da senso-percepcao desenvolvida na primeira parte da obra, uma construcao platonica, considerada aceita por ele. A outra questao que nos compete esclarecer e sobre a possibilidade de haver uma interacao entre a sensacao e o pensamento, atividade peculiar da alma, na medida em que essa primeira parte da obra, encerra-se com a insercao da ideia de psyque que analisa os dados da senso-percepcao para somente assim chegar a entidade, logo, a verdade. O homem, usufruindo de todas as suas capacidades cognitivas, a saber, dos sentidos ao cognoscente, se coloca num movimento reflexivo a partir do qual nao e possivel desentender-se de nenhuma de suas funcoes, havendo, portanto, ate que se chegue ao conhecimento, uma analise dos dados da senso-percepcao guiada pela alma. No primeiro capitulo dessa pesquisa, voltaremos nossa atencao para a chamada Doutrina Secreta, a partir da qual Platao desenvolvera as nocoes de movimentos enquanto geradores daquilo que e sensivel, culminando na formacao da qualidade e da sensacao. Essa analise nos fornecera fundamentos importantes para destacar a autenticidade platonica de tal doutrina, em comparacao com o conhecimento do pensamento de Heraclito, Protagoras e Parmenides, entendidas como personagens historicos, que desenvolveremos no capitulo segundo. No segundo capitulo apresentaremos de forma analitica o pensamento de Heraclito de acordo com os seus fragmentos ordenados pelos interpretes de maneira a dar coerencia ao seu conteudo, e com isso observaremos que ja existia ai uma nocao rudimentar de psyque e esta era considerada importante para a construcao do conhecimento. Entao, na medida do possivel tambem sera feito uma busca pelo pensamento do proprio Protagoras na tentativa da definicao de sua nocao de logos e aprendizagem. No terceiro capitulo, temos a intencao de mostrar quais sao as partes que compoem o processo cognitivo que estamos analisando no contexto da presente obra e quais suas respectivas caracteristicas. Ao final dessa separacao, tendo mostrado como cada uma se comporta e funciona em particular, tentaremos entender como elas agem em conjunto para aquilo que podemos entender enquanto conhecimento que as acatem. Dessa forma, assumiremos a posicao de Trabattoni no que concerne a teoria sobre o conhecimento de Platao, a partir da qual existem duas formas de conhecimento, uma que se configura indispensavelmente por atraves do pensamento discursivo e outra que e meramente contemplativa feita por meio de um olhar da alma.
  • TIAGO PENNA
  • A Poética de Aristóteles: conceito e racionalidade
  • Data: 30/05/2017
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  • RESUMO A Poetica (poietike), pode ser concebida como genero especifico de arte (tekhne), que se refere a (i) disposicao (dynamis) da alma relacionada com a producao (poiesis), e se estabelece como (ii) ciencia particular (episteme), constituida por methodos proprio e distintivo, inserida no genero das ciencias “produtivas” (epistemepoietike), conforme triparticao metodologica entre ciencias (epistemai): teoreticas, praticas e produtivas. De tal modo que a Poeticadevera ser considerada como genero especifico de discursividade (logos), dotado de racionalidade(dianoia) propriaeinerente a poesia (oulogos poetico);e, portanto, deveria ser considerada enquanto tal, ao lado da analitica, da dialetica, e da retorica. Data da qualificacao: 29/11/2016. Membros da Banca:Prof. Dr. Edmilson Alves de Azevedo (orientador); Prof. Dr. Francisco de Assis Vale Cavalcante Filho; Prof. Dr. Gilfranco Lucena dos Santos.
  • FRANCISCO ALMEIDA DE LUCENA
  • Merleau-Ponty e a experiência estética do mundo
  • Data: 30/05/2017
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  • A presente tese, intitulada – “Merleau-Ponty e a experiencia estetica do mundo” – teve como objetivo afirmar o fundamento estetico do pensamento de Maurice Merleau-Ponty. Para isso, foram consultadas varias obras do filosofo, com destaque para Fenomenologia da percepcao. Parte-se da experiencia sensivel, estruturada pela relacao entre o corpo proprio e o mundo, cujos desdobramentos atestam a imbricacao carnal entre eles. Tal relacao e marcada por uma fecundidade expressiva que pulsa em cada parte do tecido carnal e mobiliza o corpo na invencao dos modos de significacao, pelos quais o sentido da experiencia sensivel e comunicado culturalmente. Essa fecundidade expressiva denuncia um logos estetico, um saber, a principio mudo, que emerge na experiencia sensivel e se faz proferido na atividade do corpo proprio. Os modos de expressao, em especial a linguagem e a arte pictorica, sao prototipos desse exercicio dialetico pelo qual o sentido da experiencia estetica fecunda a atividade dos varios atores no mundo da vida.
  • MATHEUS MARIA BELTRAME
  • A teoria da emancipação em Karl Marx e Jürgen Habermas
  • Data: 25/05/2017
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  • Texto (em portugues) do resumo da tese): A tese A teoria da emancipacao em Karl Marx e Jurgen Habermas objetiva compreender o desenvolvimento historico conceitual da nocao de emancipacao. O surgimento deste conceito da-se no universo do direito romano e mantem-se com esta caracteristica ate o seculo XVIII, no movimento iluminista, quando recebera novas significacoes. O conceito de emancipacao esta presente no pensamento de Karl Marx e de Jurgen Habermas, a partir de categorias distintas, respectivamente, trabalho e interacao, mas dentro de uma mesma nocao de racionalidade iluminista. Nossa hipotese e que se estabelece uma relacao de distincao entre os pensamentos concorrentes destes autores, mas que possibilitara a compreensao da teoria da emancipacao de ambos, surgidas de influencias do Iluminismo. Para responder a este problema percorremos quatro etapas: primeiro, abordamos o estado da arte do conceito de emancipacao; segundo, investigamos a nocao de emancipacao humana em Marx; terceiro, analisamos a concepcao emancipatoria de Habermas e, quarto, abordamos uma critica a nocao habermasiana a partir da filosofia contemporanea.
  • ANA MONIQUE MOURA DE ARAÚJO
  • À dissonância da razão: uma interpretação do sublime e da música na estética de Kant
  • Data: 24/05/2017
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  • Em nosso trabalho, nos partimos do reconhecimento da apologia de Kant a moralizacao da cultura estetica e da arte, ou mesmo de uma proposta de doutrinacao etica da estetica. Nisto destacamos como a musica sofre um processo de valoracao que foge do carater estetico e habita muito mais o tema da etica kantiana, atraves de um estudo centrado na relacao entre o sublime e o musical. O modo como ele aborda a musica torna-a, entao, passivel de ser relacionada ao sentido da experiencia estetica do sublime terrificante (grassiliche Erhabene), que e contrario ao sublime moral (moralische Erhabene) e e uma categoria estetica abordada de maneira ambingua, tal como a musica, em alguns de seus escritos. Confluimos, portanto, a musica e o sublime, para avaliarmos uma possibilidade de experiencia estetica cuja doutrina nao se apresenta em sua projecao de pureza (Reinung), mas de nulidade ou impureza, a contragosto da finalidade do projeto lancado pelo proprio Kant. Isto nao vem rechacar o tema da moralidade na estetica, mas dar a possibilidade da reinvencao do sentido da moral na confluencia com o estetico, de maneira a ele ser concebido num carater menos doutrinario ou imperativo. Isto nao abandona os temas caros a etica de Kant, contudo, supera apenas o formalismo etico imposto para retornar ao campo estetico, imbuido, por sua vez, tambem do empirico. Neste caso, trataremos de uma abordagem em que o estetico se sobrepoe ao etico e mostraremos como tal empreitada seria inviavel sem a recorrencia ao tema do sublime e da musica em Kant.
  • MARIA VERA LUCIA PESSOA PORTO
  • Caminhos da liberdade em Foucault: das relações de poder ao cuidado de si no processo de subjetivação
  • Data: 24/05/2017
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  • Texto (em portugues) do resumo da tese): O presente trabalho de pesquisa, intitulado Caminhos da liberdade em Foucault: das relacoes de poder ao cuidado de si no processo de subjetivacao, compreende uma tese que apresenta tres caminhos possiveis rumo a liberdade: o caminho da historia, o caminho do individuo e o da vida filosofica. Em Foucault, esses caminhos se intercruzam, se interrelacionam e estao associados como momentos do processo de desenvolvimento da liberdade. A historicidade humana, enquanto uma agonistica nas relacoes de poder, compreende a historia efetiva que, para Foucault, se configura em meio ao exercicio do poder. Como ponto de partida de tal abordagem, nos detivemos na historia e sua relacao com o poder no ambito do seculo XIX em filosofos como Hegel e Marx e, no seculo XX, em Sartre. Tal perspectiva implicou em estabelecer as interrelacoes entre historia das problematicas e historia do pensamento, dialogando com algumas tematicas afeitas as investigacoes de Foucault, a saber: loucura, prisao e sexualidade que, por sua vez, remetem a questao do sujeito. Um aspecto diferencial dessa abordagem consiste em considerar que a liberdade emerge em meio a esses multiplos niveis, do desdobramento destes e da interrelacao entre os mesmos, algo diferente da concepcao conceitual da liberdade. Assim, em meio a essa perspectiva, no segundo caminho empreendemos uma percepcao sobre os processos de subjetivacao, sobre as condicoes, formas e modos do sujeito se constituir em meio as relacoes de poder e de forca. Nesse sentido, abordamos os saberes e processos de veridiccao e as tecnicas de governamentalidade uma vez que o caminho do processo de subjetivacao implica na busca de modos de constituicao em meio as praticas de si, das quais Foucault retoma nocoes e conceitos gregos classicos associados a esse tema, tais como: parastema, paraskeue e parresia, nocoes que possibilitam pensar a realidade como bem e liberdade de forma pratica, de forma constitutiva. Tal perspectiva adotada por Foucault, e retomada no nosso trabalho de investigacao, se apresenta como uma vereda para pensar o sujeito e a liberdade enquanto pratica a partir da necessidade de se instruir, de se exercitar e do falar franco como jogos proprios da existencia com suas estrategias, lutas e resistencias. No terceiro caminho, empreendemos a investigacao da vida filosofica enquanto uma vida criativa. Em consonancia com a retomada que Foucault faz da tradicao grega, nos detivemos na ontologia do presente como uma historia do pensamento, abordando o cuidado de si na perspectiva da epimeleia heauton e do gnothi seauton. Nesse sentido, abordamos alguns focos de experiencia que se apresentam como expressoes da vida filosofica como experiencia de liberdade, a saber: os percursos de Platao na experiencia politica em Siracusa; os devaneios de Rousseau nos caminhos da liberdade e do reconhecimento de si e os passos de Kant rumo a uma pragmatica de si. Tais percursos mostram-nos a liberdade como uma experiencia criativa, de modo que historia, individuo e vida sao, para Foucault, a propria experiencia filosofica na medida em que a liberdade e compreendida como a verdadeira vida (alethes bios). Nosso percurso acompanha o frances, principalmente, em seus ultimos cursos, aqueles que esclarecem acerca da expressao de uma vida filosofica. Essa vida e possivel e Foucault a vivenciou no percurso de sua existencia. A vida consiste e nao ter vergonha de si mesmo. E nesse processo que Foucault busca em seus ultimos momentos de vida, pois esses sao caminhos de liberdade.
  • ANTONIO PATATIVA DE SALES
  • LINGUAGEM, CONHECIMENTO E HERMENÊUTICA FILOSÓFICO-TEOLÓGICA EM SANTO AGOSTINHO
  • Data: 18/05/2017
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  • Trata-se de uma analise das questoes do conhecimento e da linguagem, apresentadas como intrinsecamente ligadas e em funcao da hermeneutica de Agostinho de Hipona. No De magistro, De doctrina christiana e De dialectica, particularmente, o Hiponense entende que a linguagem e o principal veiculo (convencional) de comunicacao humano. Assim, empenha-se em entender (e expor) os modos como usamos a linguagem para a transmissao de significados – os pensamentos e intencoes (cognitiones et voluntates) daquele que fala –, partindo das praticas e convencoes linguisticas, subordinando a semantica a pragmatica. Sua tarefa, portanto, e auferir valor a exposicao da doctrina christiana (hermeneutica sagrada), mais que fundamentar simplesmente e sistematicamente um metodo, um modelo de interpretacao (hermeneutica filosofica). Nessa intencao, o estudo da gramatica ou de sentencas significativas (teoria dos signos) torna-se util porque, alem de supor uma ordem onticoontologica (metalinguagem), supoe uma logica interna da/na palavra no/do discurso que, bem conduzido-arranjado, ascende do complexo ao simples, da figuracao a Forma inteligivel (ιδέα), do homem a Deus. Essas nocoes, porem, nao sao proprias do/no Hiponense, mas herdadas da Biblia e da tradicao filosofica (platonicos, aristotelicos, estoicos e neoplatonicos). A novidade, em Agostinho, e fazer da linguagem, enquanto questao propositiva, um instrumento auxiliar para o conhecimento, que deve ser usado em favor da fe, da doctrina christiana, vera religio, vera philosophia – e ele faz isso a partir de um “ponto de vista na primeira pessoa”, que culmina em uma hermeneutica proto-existencialista, a “primeira hermeneutica em estilo grandioso”, no dizer de Heidegger.
  • OTACILIO GOMES DA SILVA NETO
  • Cristianismo e política na concepção de Rousseau: o conflito entre o ser e o parecer no Antigo Regime
  • Data: 23/02/2017
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  • RESUMO SILVA NETO, Otacilio Gomes da. Cristianismo e politica na concepcao de Rousseau: o conflito entre o ser e o parecer no Antigo Regime. Tese de doutorado apresentada ao Programa Integrado de Doutorado em Filosofia da Universidade Federal da Paraiba, Universidade Federal de Pernambuco e Universidade Federal do Rio Grande do Norte, na area de concentracao Filosofia, na linha de pesquisa Etica e Filosofia Politica, como requisito para a obtencao do titulo de Doutor em Filosofia. Joao Pessoa, 2017. Este trabalho de tese tem por objetivo investigar os vinculos entre cristianismo e politica em Rousseau, vinculos estes que indicam movimentos de ruptura e de continuidade entre ambos. Defendemos a tese de que, em meio a esse dinamismo, ha um processo de reestruturacao do cristianismo sugerido por Rousseau, no qual o dominio politico se sobrepoe ao teologico. Para atingirmos esse objetivo, faremos, num primeiro momento, uma reflexao historica e critica do Antigo Regime e do cristianismo a partir dos clerigos Erasmo e Jean Meslier, com a meta de comprovar como a cultura crista foi absorvida pelos costumes da sociedade aristocratica. Num segundo momento, apresentaremos os conceitos de ser e parecer como possibilidade de interpretacao da obra de Rousseau em seu vies etico e politico. Justificaremos a nossa investigacao fazendo um percurso envolvendo as dimensoes historica, social e moral em Rousseau, guiado pelo conflito entre o ser e o parecer em conexao com o cristianismo. No plano historico, a nossa meta sera a de demonstrar como Rousseau compreende a historia a partir do aperfeicoamento da civilizacao paradoxalmente seguido pela corrupcao dos costumes. O cristianismo e parte dessa compreensao de Rousseau, na medida em que os cristaos abandonaram a vida pobre, simples e humilde dos seus primeiros tempos quando comecaram a cultivar as ciencias, letras, artes e a filosofia. A decadencia do cristianismo moderno e consequencia, em parte, dessa mudanca de atitude dos cristaos na historia. No plano social, demonstraremos como a saida do estado de natureza para o estado civil culminou com a “queda” do homem para o estado civil por meio da instituicao da propriedade e da desigualdade moral e politica nascente, ate a instauracao de uma nova ordem civil proposta por Rousseau no “Contrato Social”. A religiao como parte de discussao dessa obra deve fortalecer os lacos sociais entre os suditos, impedindo que a vontade de particulares sobrepuje a vontade geral por meio da “profissao de fe civil”, a qual todos os membros do Estado devem obedecer. Ao cristao, nesse contexto, cabe obedecer aos dogmas impostos pelo Estado via vontade geral, limitando sua crenca a propria consciencia. No plano moral, o nosso foco sera o de demonstrar como os vicios invadem e se proliferam na natureza humana e se ramificam na sociedade, formando homens para viverem na hipocrisia como parte integrante da sociedade de mascaras. Desse modo, o cristianismo moderno, catolico ou protestante, alem de dar suporte aos poderes politicos locais, era absorvido pela estrutura e costumes aparentes dos mesmos. Ao dar suporte a tais poderes, a maior parte das igrejas cristas encorajava a intolerancia e o fanatismo contra aqueles que nao professassem suas crencas. No caso do catolicismo oficial do Antigo Regime, alem dos abusos em materia de fanatismo e intolerancia, a hierarquia era praticamente uma ala da nobreza e, por isso, ficou sujeita a viver numa sociedade de mascaras e aparencias. Destarte, a reestruturacao do cristianismo em Rousseau insere-se numa critica historica porque ele denuncia os abusos da religiao vigente em contraste com o autentico cristianismo primitivo. Inclui-se tambem numa critica social, pois o cristao pode viver no Estado constituido pelo “Contrato Social” desde que siga sua crenca em sua consciencia e obedeca a “profissao de fe civil”. Apresenta um forte apelo moral porque a denuncia recai sobre o cristianismo, imerso na hipocrisia e nas mascaras da sociedade do Antigo Regime. PALAVRAS-CHAVE: Ser. Parecer. Cristianismo. Politica. Historia. Moral.
  • OTACILIO GOMES DA SILVA NETO
  • Cristianismo e política na concepção de Rousseau: o conflito entre o ser e o parecer no Antigo Regime
  • Data: 23/02/2017
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  • RESUMO SILVA NETO, Otacilio Gomes da. Cristianismo e politica na concepcao de Rousseau: o conflito entre o ser e o parecer no Antigo Regime. Tese de doutorado apresentada ao Programa Integrado de Doutorado em Filosofia da Universidade Federal da Paraiba, Universidade Federal de Pernambuco e Universidade Federal do Rio Grande do Norte, na area de concentracao Filosofia, na linha de pesquisa Etica e Filosofia Politica, como requisito para a obtencao do titulo de Doutor em Filosofia. Joao Pessoa, 2017. Este trabalho de tese tem por objetivo investigar os vinculos entre cristianismo e politica em Rousseau, vinculos estes que indicam movimentos de ruptura e de continuidade entre ambos. Defendemos a tese de que, em meio a esse dinamismo, ha um processo de reestruturacao do cristianismo sugerido por Rousseau, no qual o dominio politico se sobrepoe ao teologico. Para atingirmos esse objetivo, faremos, num primeiro momento, uma reflexao historica e critica do Antigo Regime e do cristianismo a partir dos clerigos Erasmo e Jean Meslier, com a meta de comprovar como a cultura crista foi absorvida pelos costumes da sociedade aristocratica. Num segundo momento, apresentaremos os conceitos de ser e parecer como possibilidade de interpretacao da obra de Rousseau em seu vies etico e politico. Justificaremos a nossa investigacao fazendo um percurso envolvendo as dimensoes historica, social e moral em Rousseau, guiado pelo conflito entre o ser e o parecer em conexao com o cristianismo. No plano historico, a nossa meta sera a de demonstrar como Rousseau compreende a historia a partir do aperfeicoamento da civilizacao paradoxalmente seguido pela corrupcao dos costumes. O cristianismo e parte dessa compreensao de Rousseau, na medida em que os cristaos abandonaram a vida pobre, simples e humilde dos seus primeiros tempos quando comecaram a cultivar as ciencias, letras, artes e a filosofia. A decadencia do cristianismo moderno e consequencia, em parte, dessa mudanca de atitude dos cristaos na historia. No plano social, demonstraremos como a saida do estado de natureza para o estado civil culminou com a “queda” do homem para o estado civil por meio da instituicao da propriedade e da desigualdade moral e politica nascente, ate a instauracao de uma nova ordem civil proposta por Rousseau no “Contrato Social”. A religiao como parte de discussao dessa obra deve fortalecer os lacos sociais entre os suditos, impedindo que a vontade de particulares sobrepuje a vontade geral por meio da “profissao de fe civil”, a qual todos os membros do Estado devem obedecer. Ao cristao, nesse contexto, cabe obedecer aos dogmas impostos pelo Estado via vontade geral, limitando sua crenca a propria consciencia. No plano moral, o nosso foco sera o de demonstrar como os vicios invadem e se proliferam na natureza humana e se ramificam na sociedade, formando homens para viverem na hipocrisia como parte integrante da sociedade de mascaras. Desse modo, o cristianismo moderno, catolico ou protestante, alem de dar suporte aos poderes politicos locais, era absorvido pela estrutura e costumes aparentes dos mesmos. Ao dar suporte a tais poderes, a maior parte das igrejas cristas encorajava a intolerancia e o fanatismo contra aqueles que nao professassem suas crencas. No caso do catolicismo oficial do Antigo Regime, alem dos abusos em materia de fanatismo e intolerancia, a hierarquia era praticamente uma ala da nobreza e, por isso, ficou sujeita a viver numa sociedade de mascaras e aparencias. Destarte, a reestruturacao do cristianismo em Rousseau insere-se numa critica historica porque ele denuncia os abusos da religiao vigente em contraste com o autentico cristianismo primitivo. Inclui-se tambem numa critica social, pois o cristao pode viver no Estado constituido pelo “Contrato Social” desde que siga sua crenca em sua consciencia e obedeca a “profissao de fe civil”. Apresenta um forte apelo moral porque a denuncia recai sobre o cristianismo, imerso na hipocrisia e nas mascaras da sociedade do Antigo Regime. PALAVRAS-CHAVE: Ser. Parecer. Cristianismo. Politica. Historia. Moral.
2016
Descrição
  • FERNANDA PEREIRA AUGUSTO DA SILVA
  • O PROBLEMA DO PENSAMENTO NO DE ANIMA DE ARISTÓTELES
  • Data: 30/03/2016
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  • A faculdade intelectiva/pensamento e tratada por Aristoteles no Livro Γ do seu Tratado De Anima. Para uma melhor compreensao da nocao e para a possibilidade da evidencia de problemas relativos a abordagem aristotelica do tema, a investigacao e voltada inicialmente para a formulacao de conceitos imprescindiveis para a proposta cognitiva de Aristoteles, como o estudo acerca dos tres modos de entender substancia (forma, materia e composto), a definicao de alma e de corpo natural organico. Tais nocoes sao, juntamente com as nocoes de ato e potencia, constitutivas da relacao entre corpo e alma, integrando o que se chama de hilemorfismo. Da-se inicio, entao, ao tratamento das faculdades da alma com o exame da faculdade nutritiva e com a sua relacao com o que e identificado como vida, pois essa faculdade e a que diferencia o animado do que e inanimado. A seguir, inicia o tratamento da faculdade sensoperceptiva que e uma faculdade discriminativa, concebida como primeiro grau de cognicao e que primeiro caracteriza o animal. A sensopercepcao em ato consiste em receber a forma sensivel do objeto externo sem a materia e, ao final desse processo, o percipiente torna-se em ato igual a forma do percebido. Ha, ainda acerca de tal faculdade, um estudo acerca do Capitulo V do De Anima, que apresenta argumentacoes relevantes para a compreensao do funcionamento da faculdade intelectiva/pensamento. Sera tratado o aspecto da faculdade sensoperceptiva relativo ao sentido proprio e ao sentido comum, bem como aquele que diz respeito a consciencia sensoperceptiva. Tambem sera apresentado um exame acerca da imaginacao, que e um movimento decorrente do ato da percepcao sensivel e e fundamental para a possibilidade do pensamento. Finalmente, havera o estudo sobre a faculdade sensoperceptiva. A abordagem dessa faculdade sera feita tomando a faculdade sensoperceptiva como paradigma, mediante a adocao do metodo contrastivo, para o entendimento do funcionamento e atribuicao de qualidades a tal faculdade, que tem por objeto o universal e apresenta dois aspectos: pensamento passivo e pensamento ativo, que sao, enfim, analisados.
  • ELIANA HENRIQUES MOREIRA
  • Entre o ôntico (Erlebnisschulung) e o ontológico (Bewahrung) – A questão da relação entre Arte e Formação humana em Martin Heidegger
  • Data: 26/02/2016
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  • Neste trabalho buscamos relacionar a questao da Arte com a questao da formacao humana desde a perspectiva ontologica aberta por Martin Heidegger. Partimos da critica heideggeriana ao modo de pensamento da Estetica promovido pela Metafisica Ocidental, que e o da “vivencia” (Erlebnis) modo em que a Arte e vista somente como o objeto mesmo das vivencias subjetivas, e a formacao em Arte acontece ai somente como Erlebnisschulung (uma Instrucao ou mesmo uma escolarizacao da vivencia), segundo a critica de Heidegger. Na contramao desta formacao Heidegger evidencia o modo de ser da Arte desde sua ontologia no que a Arte e um modo mesmo de constituicao de sentido de ser, neste ambito, a Arte e fundadora de um modo originario de sentido para homem e mundo e a Bewahrung (a salvaguarda) emerge como o horizonte de legitimidade e validade mesmo da Arte. A Bewahrung indica o pertencimento em comum daqueles que participam da verdade da obra. Desse modo para o pensador a Arte e ela mesmo o fundamento de uma cultura, de um modo de ser proprio de um povo, uma comunidade. E na retomada da discussao da Arte desde esses parametros ontologicos que tem-se a possibilidade da constituicao de um processo formativo que nao se funda em parametros esteticos e nem no ideal da Formacao como Bildung, ja que, segundo o pensador, este tambem decaiu na epoca atual, mas que funda-se na propria obra, na verdade que a obra em si mesma traz. Nesse pensamento recoloca-se o sentido mesmo do criar e da producao em arte em conexao com a questao mais fundamental da filosofia, a questao da verdade, ja que esta e, desde esse horizonte ontologico, “o aparecer do ser”, uma “des-ocultacao” e nao apenas e como aparece cada vez mais, somente a fonte de certeza frente ao dominio crescente e “(des)-controlado” de uma “natureza” cada vez mais “explorada”, “desafiada”. Tem-se assim uma relacao de derivacao, do ontico ou da Erlebnisschulung ao Ontologico (ou Bewahrung) na formacao humana para Martin Heidegger.
2015
Descrição
  • ELEONOURA ENOQUE DA SILVA
  • Fundamentos da Mecânica Quântica em Teoria das Categorias.
  • Data: 30/11/2015
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  • Os objetivos do nosso trabalho sao examinar e avaliar a construcao da “categoria de Hilbert”, visando a superacao de certos limites contidos nas linguagens da logica quantica e da teoria de quase conjuntos, no que concerne aos conceitos de identidade e indistinguibilidade das particulas elementares. Alem disso, abordamos alguns dos principios da mecanica quantica em teoria das categorias, para uma melhor clareza dos fenomenos quanticos e compreensao de suas aplicabilidades em novas tecnologias. Assim, a especificidade deste trabalho reside principalmente na tentativa de sintese de tres teorias (quase conjuntos, logica quantica e das categorias), investigando, segundo a abordagem irredutivel a cada uma destas, a linguagem da teoria quantica. A importancia de se estudar a teoria quantica por uma via categorial, e nao pela teoria de quase conjunto, e a possibilidade da construcao de uma categoria que ja incorpora na sua propria linguagem alguns dos principios basicos da mecanica quantica.
  • MARCELA BARBOSA LEITE
  • A HERMENÊUTICA HEIDEGGERIANA DA FACTICIDADE COMO RADICALIZAÇÃO DA HISTORICIDADE DA VIDA EM DILTHEY
  • Data: 28/09/2015
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  • Esta tese tem por objetivo examinar de que maneira a “historicidade da vida” de Wilhelm Dilthey influenciou o projeto filosofico do jovem Martin Heidegger. A nossa hipotese e de que Dilthey – figura de destaque nas reflexoes filosoficas e cientificas mais emergentes entre a segunda metade do seculo XIX e o inicio do seculo XX – contribuiu decisivamente para a elaboracao da “hermeneutica da facticidade” heideggeriana. Demonstraremos que Heidegger recebe de Dilthey intuicoes fundamentais para repensar a vinculacao teorica que mantinha com o neokantismo de Baden e com a fenomenologia de Husserl no inicio de sua vida academica. Heidegger desperta, com Dilthey, para o fenomeno da vida, do tempo e da historia como elementos importantes para recolocar a questao do “sentido”, ampliando, assim, o horizonte de compreensao da filosofia para alem de suas funcoes puramente intelectuais. Heidegger descobre que o “sentido” nao esta situado em um universo ideal, univoco, nem e dado por uma subjetividade transcendental, atemporal, mas, antes, e o originariamente vivido, a vida factica, singular e temporal. Sera preciosa para Heidegger a ideia diltheyana de que a vida e tematica filosofica por excelencia, mas ela nao pode ser apreendida por meio de postulados logicos ou axiologicos instituidos a priori. Em Dilthey, encontramos um carater pratico, pre-teorico, compreensivo atraves do qual pensa a “estrutura da vida”. Para ele, a vida e interpretada a partir de si mesma enquanto se vive e nada pode ser compreendido fora dela. Nossa tese defende que o conceito de “autossuficiencia” da vida descortinado na filosofia diltheyana, bem como os de “vivencia”, “expressao” e “compreensao” a ele relacionados, constituirao pressupostos metodologicos fundamentais da “hermeneutica da facticidade” de Heidegger. Palavras-chave: Historicidade da vida. Hermeneutica da facticidade. Autossuficiencia. Compreensao.
  • ELEONOURA ENOQUE DA SILVA
  • Fundamentos da Mecânica Quântica em Teoria das Categorias.
  • Data: 14/04/2015
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  • Os objetivos do nosso trabalho sao examinar e avaliar a construcao da “categoria de Hilbert”, visando a superacao de certos limites contidos nas linguagens da logica quantica e da teoria de quase conjuntos, no que concerne aos conceitos de identidade e indistinguibilidade das particulas elementares. Alem disso, abordamos alguns dos principios da mecanica quantica em teoria das categorias, para uma melhor clareza dos fenomenos quanticos e compreensao de suas aplicabilidades em novas tecnologias. Assim, a especificidade deste trabalho reside principalmente na tentativa de sintese de tres teorias (quase conjuntos, logica quantica e das categorias), investigando, segundo a abordagem irredutivel a cada uma destas, a linguagem da teoria quantica. A importancia de se estudar a teoria quantica por uma via categorial, e nao pela teoria de quase conjunto, e a possibilidade da construcao de uma categoria que ja incorpora na sua propria linguagem alguns dos principios basicos da mecanica quantica.
  • ALESSANDRA UCHOA SISNANDO
  • O conceito de estado ético e o problema do pensamento utópico
  • Data: 20/03/2015
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  • O conceito de estado etico e o problema do pensamento utopico
  • NEWTON DE OLIVEIRA LIMA
  • O CONCEITO DE ESTADO E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DE DIREITO EM KANT E KELSEN
  • Data: 25/02/2015
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  • Resumo: A teoria do Direito de Hans Kelsen partiu de Kant que atribuiu ao Direito a faculdade de coagir a liberdade segundo a lei no intuito de assegurar a liberdade de todos. Assim, Kelsen definiu o Direito como ordem coercitiva estatal “pura” e defendeu a unidade entre Direito e Estado. A proposta da tese é repensar a solução de legitimidade do Direito kelseniana e, ao criticá-la, retomar a reflexão kantiana no sentido de defender a liberdade política com uma função de cidadania: a contestação ao Estado mediante uma ‘liberdade crítica’ capaz de assumir a função de proposição de normas pelo indivíduo político perante o parlamento. Na proposta defendida, a liberdade política do sujeito teria de possuir poderes suficientes para criticar o Estado dentro dos limites constitucionais, mas mantendo a soberania estatal. Em Kant a fundamentação liberal na Política implica na ideia da liberdade política como fundante do Estado, este é o guardião do Direito como corpo normativo. Para Kant, a aplicação dos princípios jurídico-racionais dentro dos procedimentos legais é de fundamental importância para assegurar a função republicana do Estado, que é o cumprimento da Constituição e a unidade do Estado através da manutenção do contrato político original. Entendemos que em Kant legitimar o Estado é fundamentá-lo na liberdade inata expressa em sua função jurídico-prática como liberdade política, sendo que a forma eficaz dessa proteção implica interpretar os princípios jurídico-racionais dotando-os de uma função “crítica” na elaboração de uma proposta de cidadania contestatória ao Estado. Pensar em juízos políticos proferidos pelos cidadãos como possibilidade normativa direta ao Estado faz com que se mantenha o Estado nos limites do Direito enquanto expressão da liberdade política.
  • NEWTON DE OLIVEIRA LIMA
  • O CONCEITO DE ESTADO E A FUNDAMENTAÇÃO DO ESTADO DE DIREITO EM KANT E KELSEN
  • Data: 25/02/2015
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  • Resumo: A teoria do Direito de Hans Kelsen partiu de Kant que atribuiu ao Direito a faculdade de coagir a liberdade segundo a lei no intuito de assegurar a liberdade de todos. Assim, Kelsen definiu o Direito como ordem coercitiva estatal “pura” e defendeu a unidade entre Direito e Estado. A proposta da tese é repensar a solução de legitimidade do Direito kelseniana e, ao criticá-la, retomar a reflexão kantiana no sentido de defender a liberdade política com uma função de cidadania: a contestação ao Estado mediante uma ‘liberdade crítica’ capaz de assumir a função de proposição de normas pelo indivíduo político perante o parlamento. Na proposta defendida, a liberdade política do sujeito teria de possuir poderes suficientes para criticar o Estado dentro dos limites constitucionais, mas mantendo a soberania estatal. Em Kant a fundamentação liberal na Política implica na ideia da liberdade política como fundante do Estado, este é o guardião do Direito como corpo normativo. Para Kant, a aplicação dos princípios jurídico-racionais dentro dos procedimentos legais é de fundamental importância para assegurar a função republicana do Estado, que é o cumprimento da Constituição e a unidade do Estado através da manutenção do contrato político original. Entendemos que em Kant legitimar o Estado é fundamentá-lo na liberdade inata expressa em sua função jurídico-prática como liberdade política, sendo que a forma eficaz dessa proteção implica interpretar os princípios jurídico-racionais dotando-os de uma função “crítica” na elaboração de uma proposta de cidadania contestatória ao Estado. Pensar em juízos políticos proferidos pelos cidadãos como possibilidade normativa direta ao Estado faz com que se mantenha o Estado nos limites do Direito enquanto expressão da liberdade política.
  • MARCOS ERICO DE ARAUJO SILVA
  • A SUPERAÇÃO DA METAFÍSICA NA FILOSOFIA DE KIERKEGAARD (E DE HEIDEGGER): as tonalidades afetivas como arché da filosofia, pathos do filosofar
  • Data: 23/02/2015
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  • resumo
  • WILNE DE SOUZA FANTINI
  • “FOUCAULT ENTRA NA DANÇA: REFLEXÕES HISTÓRICO-FILOSOFICAS DAS RELAÇÕES DE PODER PRESENTES DESDE O BALÉ DE CORTE À DANÇA-TEATRO DE PINA BAUSCH”
  • Data: 11/02/2015
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  • Este trabalho tem como intuito descrever e analisar as relacoes de poder, segundo o filosofo frances Michel Foucault, e o vinculo dessas relacoes, no dominio da danca, na Historia do bale e na danca-teatro. Foram tecidas algumas apreciacoes acerca do funcionamento de dois tipos distintos de poder: o de soberania e o disciplinar. O poder de soberania se desenvolveu na epoca do Absolutismo Monarquico e, para Foucault, esse poder tinha como caracteristicas ser um poder de obediencia, por vincular soberano e sudito, e ser um poder que funciona atraves de rituais e de cerimonias (gestos, habitos, sinais de respeito, brasoes etc.) A efetivacao do poder de soberania, na area da danca, apareceu no bale de corte nascido na Franca do seculo XVI. Esse bale era uma combinacao de arte, de politica e de entretenimento. Alem do papel de passatempo para o monarca e sua comitiva, o bale de corte tambem tinha a funcao de ratificar o poder soberano. Ao dancar nos bales, o rei fazia lembrar seu poder de controle da cena social, economica e politica. Durante o reinado de Luis XIV, nasceu outro tipo de bale denominado de classico. Nesse periodo, surgiu a profissionalizacao dos bailarinos e a codificacao dos passos de bale por Beauchamps-Feuillet cujo legado chegou a atualidade. Apesar da importancia dessa notacao, ela foi insuficiente para registrar as nuancas fisionomicas dos bailarinos. Logo, mudancas se faziam necessarias. Entre os seculos XVII e XVIII, os dispositivos disciplinares se desenvolveram com maior intensidade e, portanto, o poder destacado nesse periodo, foi o disciplinar cujas caracteristicas sao, dentre outras: o controle da atividade, a composicao das forcas, a vigilancia hierarquica, a sancao normalizadora, o exame. Nessa epoca, surgiram outros tipos de bale como: o bale de acao de Jean-George Noverre, no seculo XVIII, que contestou a estetica dos bales de corte e trouxe uma reforma no dominio da danca; o bale romantico, no inicio do seculo XIX, ao trazer a leveza dos movimentos e dos gestos, o uso das sapatilhas de ponta, as saias tutus e o destaque da bailarina em relacao ao bailarino; o bale academico, entre o final do seculo XIX e inicio do XX, que incorporou elementos da ginastica do seculo XIX e uma maneira mais metrificada e calculada de trabalhar o corpo do bailarino; e a danca-teatro do Wuppertal Tanztheatre da coreografa alema Pina Bausch, na segunda metade do seculo XX, que inovou, principalmente, ao abordar o elemento da repeticao. Embora a repeticao, vista por Foucault, seja um atributo do poder disciplinar, e, seja usada, por exemplo, nos treinamentos, nos ensaios e nas encenacoes dos bales e da danca-teatro, ela, todavia, tambem pode ser interpretada de outro modo. Por isso, foi feito um recorte ainda mais minucioso, no campo do poder disciplinar, ao ser destacada e analisada a repeticao desenvolvida no trabalho de Pina Bausch que pode ser interpretada como um elemento subversivo. Foi percebido que, apesar das diferencas existentes entre esses tipos de bale e a danca-teatro, todos sao permeados pelas ralacoes de poder e de resistencia presentes desde o surgimento desses generos de danca ate os dias atuais.
2014
Descrição
  • MARIA GORETTE BEZERRA DE LUCENA
  • A ALMA MORTAL E SUAS AFECÇÕES: UMA LEITURA DO TIMEU DE PLATÃO
  • Data: 14/11/2014
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  • Nossa pesquisa examina a alma mortal e suas afecções (pathémata) no Timeu de Platão, com o propósito de demonstrar que o filósofo amplia a noção de “morte” (thánatos), nesse diálogo, para explicar o “vínculo” (syndouménes) e a associação ou koinonía entre a alma mortal e o corpo. Platão transpõe a noção de “morte” para o campo de sua filosofia, de modo que por um lado, o atributo “mortal” indica a composição do corpo do homem e de todos os seres ditos físicos, visíveis e tangíveis; e ampara o estado de dissolução e corrupção destes (Timeu 42e - 43a); e por outro lado, passa a indicar a intrínseca koinonía entre a forma de alma mortal e o corpo, ambos de naturezas distintas; o que nos fez inferir, que o atributo “mortal” (thnetón) não é usado por Platão para designar a “morte” do génos de alma mortal” (téns psychéns thnetòn génos, Timeu 69d-e); considerando sobretudo, que o filósofo não diz em nenhuma passagem do Timeu, que o eidos/génos de alma mortal é um ser elementar, portanto, de natureza “afim” ao corpo e demais seres da phýsis. Numa espécie de demiurgia divina e filosófica, Platão mescla aspectos anímicos e físicos e demonstra que a alma de eídos mortal está “encravada” no corpo (sôma) através da medula (myelós), ou seja, é na medula que estão “ancorados” (ankurôn) os laços de toda a alma humana. Dessa maneira, a alma mortal “sente” e “vivifica” todos os órgãos e partes corpóreas e acolhe afecções (pathémata), originadas de sua união com sôma. Essa reflexão propicia a Platão demonstrar como o corpo afeta a alma (psyché) e como surgem os afetos (páthos) e paixões (tà pathé) humanas; e esclarecer o verdadeiro sentido do atributo “mortal” (tòn thnetón) aplicado por ele à forma de alma mortal. Portanto, o atributo “mortal” não expressa a morte (thánatos) do eidos/génos de alma mortal do homem, é apenas um recurso da dialética platônica para conhecer as tendências anímicas de cada um de nós e explicar a complexa união psyché thánatos-sôma, com vistas à formação de cidadãos virtuosos e justos, a finalidade (télos) precípua de sua filosofia.
  • GALILEU GALILEI M. DE SOUZA
  • O PROBLEMA DA METAFÍSICA E A FILOSOFIA DA AÇÃO: Ensaio sobre a possibilidade da metafísica por meio da crítica à superstição
  • Data: 04/11/2014
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  • RESUMO: O objetivo desta tese é o de justificar o exercício de uma racionalidade metafísica como programa filosófico de conhecimento a partir da filosofia da ação de Maurice Blondel. Nesse intuito, procuraremos evidenciar a filosofia da ação como uma fenomenologia metafísica ou uma metafísica fenomenológica norteada por uma exigência crítica rigorosa, a da crítica à superstição, expressão de uma lógica mais originária, a da vida moral. Aproximar-nos-emos dessa interpretação à luz da L’Action (1893) e de dois escritos fundamentalmente a ela ligados, Principe élémentaire de une logique de la vie morale (1900) e Le point de départ de la recherche philosophique (1906). O problema que lhe é central, a que chamamos de o problema da possibilidade do exercício de uma racionalidade metafísica como programa filosófico de conhecimento ou, simplesmente, de o problema da metafísica, será aí trabalhado tendo em vista o enfrentamento de três desafios: 1) indicar como a questão que versa sobre a superação da metafísica ou sobre o sucesso das críticas à metafísica permanece racionalmente em aberto; 2) mostrar como a filosofia da ação se compromete com a tradição metafísica e 3) evidenciar como, no exercício de sua específica racionalidade e pela fidelidade à crítica à superstição, a metafísica pode ser reapresentada como legítimo programa de conhecimento. Esses desafios serão tratados em nosso texto por meio do desenvolvimento de três grandes partes, não perfeitamente com eles coincidentes. Na primeira delas, procuraremos introduzir a questão do sentido das críticas à metafísica, eventualmente alargadas como críticas à filosofia e ao próprio modo de pensar ou conhecer ocidental. Essa discussão inicial nos dará elementos suficientes para, na segunda parte de nossa tese, orientarmos a interpretação dos dois escritos blondelianos anteriormente referidos ligados à L’Action (1893) de modo a precisar o sentido de “conhecer” ou “pensar”, como sendo uma tarefa de elucidação da prospecção pela reflexão, e o sentido da lógica da stérēsis que o substancia. Munidos dessa nova compreensão do ato de conhecer ou de pensar, poderemos, então, superar os motivos que se insinuam, nas críticas à metafísica, contra a própria possibilidade da racionalidade metafísica, cujas raízes remontam a numerosas antinomias ligadas à interpretação de “conhecer” ou “pensar” como restritos a “representar” e à consequente e insolúvel aporia de se dever justificar a adequação entre “ser” e “pensar” para estabelecer a legitimidade racional de um programa de conhecimento. Finalmente, suficientemente esclarecidos a respeito do verdadeiro sentido de “conhecer” ou “pensar” e superada a condenação geral e indiferenciada da metafísica, na terceira parte de nossa pesquisa, acompanharemos a expansão da ação humana, seguindo o texto da L’Action (1893). Confirmando as aquisições das duas partes anteriores de nossa tese, procuraremos aí evidenciar como pelo exercício da crítica à superstição, expressão da lógica da vida moral, a ciência ou filosofia da ação será levada a reconhecer a confluência entre a questão que diz respeito ao sentido da vida humana (prática) e aquela que diz respeito ao sentido do Ser (metafísica), de modo a fundar uma fenomenologia metafísica ou uma metafísica fenomenológica. Essa será erigida sobre uma compreensão de racionalidade metafísica segundo a qual não se opõem ser e fenômeno e se sustenta um programa de conhecimento filosófico criticamente rigoroso, ou seja, voltado para a totalidade da experiência humana e, por isso mesmo, aberto para a hipótese do transcendente (conhecimento possessivo do ser), por meio de uma metafísica à segunda potência.
  • TELMIR DE SOUZA SOARES
  • O conceito de natureza em Rousseau
  • Data: 17/10/2014
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  • RESUMO O século XVIII apresenta-se, comumente, como o século do antropocentrismo, do desenvolvimento das ciências e da supremacia da razão sobre todas as formas de superstição. Entretanto, em meio a essas temáticas consideradas numa dimensão canônica, encontramos um ponto da inflexão comum a todas elas: a natureza. Considerada como um tema de somenos importância, compreendida sob a perspectiva do estado de natureza e, no mais das vezes, sob a égide de uma concepção ficcional e hipotética, a natureza permaneceu como algo indefinível ou, quando muito, associada a outros temas. Esta foi a perspectiva adotada, por exemplo, na Enciclopédia, obra máxima do saber no século XVIII, que tentava compendiar o conhecimento válido à época das Luzes. Nesse contexto, a perspectiva adotada por Jean-Jacques Rousseau, a saber, de tentar remontar a um estado anterior ao da civilização para tentar entender os desenvolvimentos pelos quais passou o ser humano até seu estágio atual, bem como o acentuado louvor propugnado pelo genebrino a essa aurora dos tempos, foi considerado como uma afronta à civilização, às ciências e ao próprio desenvolvimento humano. Adotada essa visão, Rousseau nos foi apresentado desde então como o criador da ideia do "bom selvagem", sendo ele mesmo pintado de forma caricata: misantropo, autodidata sem formação, falso educador, falso legislador, escritor contraditório enfim, um ser humano paradoxal, entre outros tantos adjetivos possíveis. Nosso objetivo consiste em mostrar que Rousseau é um homem de seu tempo e que o recurso que ele fez da natureza como constitutivo de sua teoria era algo comum à sua época. No século XVIII a natureza se apresenta como um tema forte e, além disso, como um ideal a ser buscado em contraposição à degeneração das sociedades europeias. Nascidos desde a antiguidade e nutridos pelo descobrimento do Novo Mundo os ideias de Paraíso perdido, Idade de Ouro ou mesmo de naturismo vão ser expressões de uma crítica à sociedade da qual o genebrino, muito embora nem sempre estando associado a essas manifestações constituiu-se, pela força de sua prédica, como a imagem mais estruturada dessa suposta recusa à civilização e às ciências. Entretanto, a partir da análise das obras de Rousseau, essa compreensão equivocada não se sustenta. Estudioso e divulgador de várias ciências por meio de cartas, dissertações e dicionários (de música, de química e de botânica), pensador que se nutre de várias fontes (assiste aulas e estuda compêndios de várias disciplinas, lê os autores mais influentes de sua época, corresponde-se com especialistas), correspondente e apologista de suas obras (cujas lettres alcançam mais de 30 volumes), encontramos em Rousseau uma das figuras máximas de seu tempo. A natureza, de tema marginal em sua obra, associada ao Discours sur l'inégalité, assume lugar na grande maioria delas: nos textos estéticos (balés, óperas e romances), passando pelas obras autobiográficas e pelos textos políticos. A natureza assume uma dimensão fundamental na constituição teórica do autor. Temas como o homem natural, a linguagem natural, a educação natural, a religião natural, o direito natural, os sentimentos naturais, bem como outros temas correlatos como, por exemplo, a proeminência da melodia sobre a harmonia, ou mesmo da supremacia do jardim inglês sobre o francês encontram sua razão de ser face a um conceito de natureza como o que encontramos na obra do genebrino.
  • RODRIGO COSTA FERREIRA
  • Interpretação deôntica e difusa das normas jurídicas
  • Data: 01/09/2014
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  • A logica deontica (ou logica das normas), nascida em meados dos anos 1950 com o pioneiro trabalho de von Wright, emprega tecnicas simbolicas e matematicas modernas na analise de discursos normativos fazendo uso de operadores deonticos de obrigacao, permissao, proibicao etc. Neste sentido, dada a complexidade deste tipo de discurso, ainda hoje, suscita-se uma serie de questoes, a saber: (i) Qual e o significado da expressao ``estar obrigado a''?; (ii) O que e obrigatorio, e o caso?; (iii) O que e o caso, e permitido?; (iv) Podemos considerar a logica deontica como uma mera reformulacao da logica modal, ou seja, e possivel converter todos os axiomas modais em axiomas deonticos correspondentes (igualmente validos)?; (v) A ``semantica de mundos possiveis'' proposta por Kripke nos permite interpretar de modo adequado as proposicoes deonticas?; (vi) A semantica algebrica de fechos desenvolvida por McKinsey, McKinsey e Tarski e, ainda, Jonsson e Tarski nos permite interpretar corretamente as proposicoes deonticas?; (vii) Observada a necessidade de se entender o operador de obrigacao em funcao da ideia de graus de verdade, nao seria mais acertado interpretarmos este operador deontico com estruturas semanticas da logica fuzzy (ou logica difusa)? Pretendemos ao longo desta tese apresentar respostas para cada uma destas questoes. Como estrategia inicial, mostramos que a nocao de obrigacao pode ser melhor compreendida em funcao da ideia de gradacao. Investigamos isto nos contextos da moral, da politica, da legalidade e da logica (Capitulo 01 e Capitulo 02, respectivamente). A logica fuzzy de Zadeh e capaz de formalizar expressoes vagas, como ``mais ou menos verdadeiro''. Este tipo de logica admite a verdade varios graus. Com base nisto, em seguida, propomos uma semantica fuzzy capaz de interpretar de modo mais adequado o operador deontico de obrigacao, que vincula de modo ``mais ou menos forte'' um agente a norma juridica obrigatoria (Capitulo 03). Esta interpretacao revela-se proficua na medida em que permite (i) validar os esquemas de axiomas do sistema deontico OS5, (ii) invalidar formulas nao intuitivas e (iii) eliminar os seguintes paradoxos deonticos: ``Paradoxo da obrigacao Derivada'', ``Paradoxo do Compromisso'' (Paradoxo de Prior), ``Paradoxo do Dever versus Dever-ser'' e ``Paradoxo do Homicida Menor de Idade'' (Capitulo 04).
  • ADRIANO MARQUES DA SILVA
  • Semântica I - Questões fundacionais
  • Data: 07/08/2014
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  • O problema a ser abordado nesta tese pode ser formulado nos seguintes termos: qual a relação entre a noção de competência linguística internalizada, tal como concebida pelo programa gerativista, e uma teoria semântica? Dito de outro modo, qual o formato e escopo de uma teoria semântica coerente com as assunções teóricas de base e com o modelo sintático assumido pelo programa gerativista? A abordagem denotacional defende a incorporação do formalismo sintático em uma teoria semântica extensional, na qual as derivações sintáticas são inputs para a interpretação semântica vero-condicional. Existiria um mapeamento entre as regras de formação dos constituintes sintáticos e as regras de composição de constituintes semânticos. Na abordagem intensional as derivações sintáticas restringem, mas não determinam, condições de verdade. Existiriam princípios gerativos responsáveis pela delimitação de procedimentos algorítmicos básicos, relevantes à formatação de certos fenômenos semânticos. Argumento que a primeira abordagem conduz-nos a um dilema: caso a estrutura semântica seja isomórfica a estrutura sintagmática, multiplicamos os termos da explicação, sem ganho explicativo. Caso não haja isomorfismo, ganhamos problemas ainda mais sérios, pois não conseguiríamos explicar o sucesso explicativo de certos princípios sintáticos (como a assimetria entre argumento externo e argumento interno, por exemplo). Assim, essa proposta não fornece o tipo adequado de idealização, não é capaz de ampliar a heurística positiva do programa gerativista. Sustento que a segunda proposta, por contraste, amplia a heurística positiva do programa, pois é capaz de explicar (e não simplesmente redescrever) importantes generalizações empíricas descobertas pelo programa gerativista ao longo dos anos. Argumento ainda que a formulação de uma semântica I requer, necessariamente, a revisão de pressupostos tradicional e tacitamente aceitos a respeito da natureza do estudo formal da semântica das línguas naturais. A semântica I trata da etiologia dos princípios computacionais subjacentes aos fenômenos de interface, e não da implementação dessas operações, do modo como sentenças podem ser usadas para fazer asserções verdadeiras ou falsas.
  • ALBERTO DIAS GADANHA
  • “Razão e revolução” de Hebert Marcuse, por uma dialética de alteração institucional".
  • Data: 17/07/2014
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  • “Razão e Revolução” de Herbert Marcuse, por uma Dialética de Alteração Institucional”, expõe a fundamentação filosófica de uma práxis revolucionária. A argumentação é desenvolvida a partir da reciprocidade entre dois critérios da dialética: a compreensão histórica dos objetivos libertários e sua efetivação institucional. A liberdade como categoria ontológica e o processo político de libertação humana constituem os elementos da dinâmica de reciprocidade na obra de 1941, “Razão e Revolução”. No prefácio “A note ondialectic” de 1960, a reciprocidade entre o processo de conscientização da liberdade e o processo de sua efetivação, constitui-se num discurso alternativo à capitulação ao estabelecido. Em 1966, reconhecemos a analogia dos critérios essenciais de uma perspectiva dialética com a compreensão de que a negação do capitalismo tardio exige dois tipos de estratégias, uma fundada na negação enquanto superação interna, e a outra fundada na negação como superação externa, a primeira expressa a partir das contradições internas dotodo-parte e a segunda, a superação externa permite compreender o clamor por justiça e pelo bem, elementos universais de uma totalidade maior do que o todo-parte capitalista.
  • FLAVIO DE OLIVEIRA SILVA
  • A decadência (Verfallen) como questão fundamental na problemática da superação da metafísica em Heidegger
  • Data: 23/05/2014
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  • Pretende-se apresentar o tema da decadência (Verfallen) como questão fundamental que vige na problemática da superação da metafísica em Heidegger. Argumenta-se que a problemática da metafísica reside fundamentalmente na questão da decadência (Verfallen) como constitutivo ontológico do pensamento. Em defesa desta tese, toma-se como ponto de partida as afirmações de Heidegger nas chamadas primeira e segunda fases de seu pensamento. Tem-se em vista que na primeira fase a decadência é nomeada como “constitutivo do Dasein” enquanto que na segunda o sentido de decadência (Verfallen) é estendido para caracterizar o “declínio histórico” como constitutivo da história do ser. Procura-se desenvolver este assunto no que se acompanha o posicionamento histórico-filosófico de Heidegger em relação a sua interpretação da metafísica. Esta é considerada aqui primeiramente em âmbito afirmativo por confirmar engajamento do filósofo com a metafísica tradicional. Busca-se constatar isso nos escritos que vão até o tratado Ser e Tempo. Tem-se em vista que na primeira fase Heidegger toma como tarefa restabelecer as reais condições de possibilidade de investigação para a metafísica, ao argumentar acerca dos problemas de método, mas sem ainda concebê-la como uma questão. É considerada num segundo momento em relação ao posicionamento incisivamente crítico de Heidegger à metafísica. Examina-se a virada (Kehre) que se opera no seu pensamento. Segue-se aí sua requisição da superação da metafísica (Überwindung der Metaphysik). Tem-se em conta que nesta fase a metafísica como tal é conduzida ao estado de questão, ao tempo em que o problema da decadência (Verfallen) é assumido como questão determinante do pensamento.

  • SOLANGE APARECIDA C. COSTA
  • Terra, mundo e verdade: Hölderlin, Heidegger e a obra de arte.
  • Data: 29/04/2014
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  • Este trabalho examina a relação de “mundo” e “terra” na obra A origem da obra de arte de Heidegger. Tem por objetivo sustentar a noção de verdade como questão originária do próprio pensamento. O texto trata do conteúdo da verdade como questão filosófica humana por excelência, contraposta à noção de adequação, e como o elemento que toda arte pode apresentar no seu desvelamento. Defende que é justamente e apenas uma leitura hermenêutica do ser da obra de arte que permite a conciliação de “mundo” e “terra” e o desenvolvimento da noção de verdade originária como jogo de encobrimento e não encobrimento em que o homem se encontra lançado. A investigação segue o fio condutor da ontologia da obra de arte enquanto encaminha o pensar para a busca do lugar e da importância da arte que se revela originariamente na poesia. A poesia é entendida como Dichtung: transpõe-se a questão do pensar para a linguagem e para a discussão a respeito da tarefa humana que se realiza na e pela linguagem. O trabalho investiga também a influência de Hölderlin no pensamento de Heidegger no que concerne à concepção poética da arte. O desenvolvimento do trabalho se concentra, principalmente, em três pontos: analisa o modo como a arte funda a verdade; entende a relação entre terra e mundo e discute a poesia e a linguagem como verdadeira habitação do homem. A abordagem assegura como resultado a concepção de que o homem está lançado no processo de desvelamento da verdade. Ao mesmo tempo, por sua própria condição e possibilidade doada pela linguagem como obra de arte, tem um acesso privilegiado ao ser.
  • IZABEL CRISTINA IZIDORO DE SOUZA BARBOSA
  • O PRINCÍPIO DO CONTEXTO DE GOTTLOB FREGE: O LABIRINTO DE SUA EXEGESE
  • Data: 14/04/2014
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  • RESUMO Esta pesquisa trata do “Projeto Logicista” do filosofo alemao Frege e do que veio a ser designado pela literatura secundaria de “principio do contexto”. O Projeto Logicista de Frege e a tese de que a Matematica, em particular a Aritmetica, e redutivel a Logica, isto e, os conceitos da Aritmetica podem ser redutiveis a conceitos logicos e os teoremas a axiomas logicos. O principio do contexto e um dos tres principios que Frege afirma serem basicos para o desenvolvimento e execucao de seu projeto. Algumas questoes devem de pronto surgir ao leitor que pela primeira vez defronta-se com este principio: o que uma tese matematica – a de que a Aritmetica e redutivel a Logica tem a ver com uma imposicao linguistica – a de que nunca se deve perguntar pelo significado de uma palavra isoladamente, fora de uma proposicao? A literatura secundaria parece nao chegar a nenhum acordo sobre as questoes em torno do principio do contexto. Assim, no desenvolvimento deste trabalho faremos uma revisao da literatura especializada sobre esse principio. A utilizacao do mito grego do heroi Teseu e do labirinto de Dedalo como metafora permite entender o conjunto das interpretacoes da literatura secundaria a respeito do principio do contexto como um labirinto exegetico, que desafia o leitor a adentra-lo e tentar a sua saida. Ao final da pesquisa serao tecidas consideracoes sobre a fortuna do principio do contexto no Projeto Logicista de Frege.
  • MARCOS ANTONIO PIMENTEL PEQUENO
  • ENTRE BIOCENTRISMO E ANTROPOCENTRISMO: UMA ECOLOGIA DEMOCRÁTICA PARA O ENFRENTAMENTO DA QUESTÃO AMBIENTAL. MARCOS ANTÔNIO PIMENTEL PEQUENO
  • Data: 27/03/2014
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  • RESUMO Esta pesquisa é o resultado de uma reflexão acerca da dimensão filosófica da questão ambiental e foi norteada pela tese central de que uma ecologia democrática é o caminho mais bem indicado para o enfrentamento da referida questão. O percurso deste trabalho iniciou-se com um estudo dos pressupostos teóricos do problema ecológico, o que nos remeteu a uma análise dos fundamentos da Modernidade expondo a sua face dualista e antropocêntrica regida pelas categorias razão e liberdade. Em seguida, a pesquisa foi direcionada ao debate ecológico atual que pode ser sintetizado em torno da polêmica existente entre biocentrismo e antropocentrismo. Por fim, foi efetuada uma reflexão acerca das várias dimensões do problema ecológico visando a demonstrar a validade de nossa tese central que reconhece a responsabilidade como categoria ética fundamental e a importância da educação, da sensibilização, do papel do Estado como gestor ambiental, e da tecnologia como instrumentos auxiliares de enfrentamento do supracitado problema. MARCOS ANTÔNIO PIMENTEL PEQUENO
  • ARIVALDO JOSE SEZYSHTA
  • CORPORALIDADE DESPIDA: DA EXTERIORIDADE MARXIANA À OPÇÃO PELA VÍTIMA EM ENRIQUE DUSSEL.
  • Data: 28/02/2014
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  • Este estudo tem por objeto apresentar a Filosofia Política Crítica da Libertação em Enrique Dussel, analisando sua gênese e evolução e mostrando a influência decisiva da filosofia da praxis de Karl Marx para esse pensamento, em especial a partir do conceito de exterioridade, entendida como sendo o âmbito onde o outro se revela, onde permanece livre em seu ser distinto. A exterioridade, precisamente, é tida aqui como a categoria principal do legado marxiano e pressuposto teórico fundamental, que viabiliza o discurso de Dussel, sobretudo na opção radical pela vítima, marca de seu pensamento filosófico. Mediante isso, aqui assume-se a tese de que há em Dussel uma parcialidade pela vítima: seu pensamento está construído, propositalmente, em favor da vítima. O esforço deste trabalho é o de mostrar que a opção pela vítima será o fio condutor de todo seu pensar enquanto Filosofia da Libertação, passando pela Ética e pela Política, chegando à propositura de uma Economia da Libertação. Para isso, como estratégia de abordagem, as categorias exterioridade e libertação balizam a análise filosófica para a aproximação necessária com o tema investigado, através da leitura das principais obras de Dussel, em diálogo com a filosofia da práxis de Marx. Como desdobramento da hipótese levantada, intenciona-se mostrar como a opção pela vítima cobra da Filosofia da Libertação uma pretensão crítica de pensamento, sob três perspectivas: através de uma Ética da Libertação, enquanto pretensão crítica de bondade; de uma Política da Libertação, guiada por uma pretensão política de justiça; e de uma Economia da Libertação, exigindo uma pretensão econômica de equidade. Assim, o labor filosófico é desafiado e provocado pela necessidade real de auxiliar a vítima, exigência do povo latino-americano em seu caminho de libertação. Em termos de resultado, para além da importância atual do pensamento marxiano para a compreensão da realidade e a crítica ao capitalismo, ressalta-se a relevância teórico-prática do pensamento dusseliano para a Filosofia Política como um todo, pelas suas contribuições no cenário contemporâneo, pela coragem em apontar em direção a outra sociedade, trans-moderna e trans-capitalista, já em curso nas práticas coletivas de Bem Viver.

  • ARIVALDO JOSE SEZYSHTA
  • CORPORALIDADE DESPIDA: DA EXTERIORIDADE MARXIANA À OPÇÃO PELA VÍTIMA EM ENRIQUE DUSSEL.
  • Data: 28/02/2014
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  • Este estudo tem por objeto apresentar a Filosofia Política Crítica da Libertação em Enrique Dussel, analisando sua gênese e evolução e mostrando a influência decisiva da filosofia da praxis de Karl Marx para esse pensamento, em especial a partir do conceito de exterioridade, entendida como sendo o âmbito onde o outro se revela, onde permanece livre em seu ser distinto. A exterioridade, precisamente, é tida aqui como a categoria principal do legado marxiano e pressuposto teórico fundamental, que viabiliza o discurso de Dussel, sobretudo na opção radical pela vítima, marca de seu pensamento filosófico. Mediante isso, aqui assume-se a tese de que há em Dussel uma parcialidade pela vítima: seu pensamento está construído, propositalmente, em favor da vítima. O esforço deste trabalho é o de mostrar que a opção pela vítima será o fio condutor de todo seu pensar enquanto Filosofia da Libertação, passando pela Ética e pela Política, chegando à propositura de uma Economia da Libertação. Para isso, como estratégia de abordagem, as categorias exterioridade e libertação balizam a análise filosófica para a aproximação necessária com o tema investigado, através da leitura das principais obras de Dussel, em diálogo com a filosofia da práxis de Marx. Como desdobramento da hipótese levantada, intenciona-se mostrar como a opção pela vítima cobra da Filosofia da Libertação uma pretensão crítica de pensamento, sob três perspectivas: através de uma Ética da Libertação, enquanto pretensão crítica de bondade; de uma Política da Libertação, guiada por uma pretensão política de justiça; e de uma Economia da Libertação, exigindo uma pretensão econômica de equidade. Assim, o labor filosófico é desafiado e provocado pela necessidade real de auxiliar a vítima, exigência do povo latino-americano em seu caminho de libertação. Em termos de resultado, para além da importância atual do pensamento marxiano para a compreensão da realidade e a crítica ao capitalismo, ressalta-se a relevância teórico-prática do pensamento dusseliano para a Filosofia Política como um todo, pelas suas contribuições no cenário contemporâneo, pela coragem em apontar em direção a outra sociedade, trans-moderna e trans-capitalista, já em curso nas práticas coletivas de Bem Viver.

2013
Descrição
  • CARLOS NUNES GUIMARAES
  • Maquiavel: Realismo Político e Ética Republicana
  • Data: 06/12/2013
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  • A presente tese sobre a relação entre ética republicana e realismo político em Maquiavel se desenvolve através de um enfoque histórico-conceitual, situando inicialmente Maquiavel no contexto do seu tempo e do humanismo cívico republicano. Apesar dessa continuidade com a tradição, O Príncipe representa uma novidade radical que Maquiavel introduz em relação aos manuais de Conselho aos Príncipes; tradição que um contemporâneo, como Erasmo de Roterdã, ainda mantém e cultiva na sua Educação de um Príncipe Cristão. Se Erasmo dá conselhos para que o príncipe se comporte como um bom cristão, Girolamo Savonarola, outro contemporâneo que Maquiavel conhece e analisa de perto com um misto de ceticismo e admiração, chamando-o de “profeta desarmado”- , procura demonstrar na prática que é possível “governar uma cidade com os pater noster e o terço em mãos” contrariamente à máxima “realista” de Cosimo de Medici retomada séculos depois por Max Weber. O confronto com Erasmo e Savonarola oferece a oportunidade para analisar a importância que Maquiavel atribui à religião para a política, através da crítica à religião cristã e ao elogio da antiga religião romana. Em seguida, é feita uma interpretação sobre o pensamento do autor na perspectiva do realismo político, que oferece uma nova análise dos conflitos, defendendo que estes choques de umori são os responsáveis pela liberdade e o equilíbrio do corpo político. E, finalmente, a tese aborda o tema central da relação entre ética e política em Maquiavel, apresentando várias e contrastantes leituras de importantes comentaristas sobre esta questão. A conclusão aponta que, para Maquiavel, a política não é meramente uma técnica fria, calculada, mas é portadora de um valor, e tem compromisso com um bem final, que deverá ser realizado mesmo que se utilize de meios que fogem das normas morais tradicionalmente aceitas. Por isso, Maquiavel procura uma política eficaz que consiga resultados para alcançar os fins republicanos do bem comum e das liberdades dos cidadãos: um realismo político a serviço de uma ética republicana.
  • CARLOS NUNES GUIMARAES
  • Maquiavel: Realismo Político e Ética Republicana
  • Data: 06/12/2013
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  • A presente tese sobre a relação entre ética republicana e realismo político em Maquiavel se desenvolve através de um enfoque histórico-conceitual, situando inicialmente Maquiavel no contexto do seu tempo e do humanismo cívico republicano. Apesar dessa continuidade com a tradição, O Príncipe representa uma novidade radical que Maquiavel introduz em relação aos manuais de Conselho aos Príncipes; tradição que um contemporâneo, como Erasmo de Roterdã, ainda mantém e cultiva na sua Educação de um Príncipe Cristão. Se Erasmo dá conselhos para que o príncipe se comporte como um bom cristão, Girolamo Savonarola, outro contemporâneo que Maquiavel conhece e analisa de perto com um misto de ceticismo e admiração, chamando-o de “profeta desarmado”- , procura demonstrar na prática que é possível “governar uma cidade com os pater noster e o terço em mãos” contrariamente à máxima “realista” de Cosimo de Medici retomada séculos depois por Max Weber. O confronto com Erasmo e Savonarola oferece a oportunidade para analisar a importância que Maquiavel atribui à religião para a política, através da crítica à religião cristã e ao elogio da antiga religião romana. Em seguida, é feita uma interpretação sobre o pensamento do autor na perspectiva do realismo político, que oferece uma nova análise dos conflitos, defendendo que estes choques de umori são os responsáveis pela liberdade e o equilíbrio do corpo político. E, finalmente, a tese aborda o tema central da relação entre ética e política em Maquiavel, apresentando várias e contrastantes leituras de importantes comentaristas sobre esta questão. A conclusão aponta que, para Maquiavel, a política não é meramente uma técnica fria, calculada, mas é portadora de um valor, e tem compromisso com um bem final, que deverá ser realizado mesmo que se utilize de meios que fogem das normas morais tradicionalmente aceitas. Por isso, Maquiavel procura uma política eficaz que consiga resultados para alcançar os fins republicanos do bem comum e das liberdades dos cidadãos: um realismo político a serviço de uma ética republicana.
  • Vilma Felipe Costa de Melo
  • O PODER EM MICHEL FOUCAULT E OS DISPOSITIVOS BIOPOLÍTICOS DE CONTROLE DO SUJEITO NA ATUALIDADE
  • Data: 12/11/2013
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  • A presente tese de doutorado destina-se a identificar a relação entre o saber a as novas tecnologias de poder de controle social à luz do pensamento de Michel Foucault. Para tanto se fez necessário apreender as dimensões da definição de poder para estudar a objetivação do sujeito. Utilizou-se de uma metodologia em que evidenciou a ideia de circularidade mediante a qual se percebe que o poder é exercido através de uma rede e que, em suas malhas, os indivíduos não só circulam, como estão em posição de exercer este poder e de sofrer a sua ação, ou seja, o poder transita entre os indivíduos. Apresentamos as conjunturas teóricas na qual Foucault formaliza suas ideias sobre o sujeito. Analisamos o uso das mais variadas tecnologias de poder, detectadas nas formas mais diversificadas do meio social, que compõe a base de equilíbrio da organização política dessas sociedades. Demonstramos a ideia de que para Foucault, o sujeito surgiu através de uma genealogia lenta, passando pela Filosofia e, depois, pelas Ciências Humanas. Identificamos a reflexão de Foucault sobre os modelos econômicos de poder, bem como apresentamos o papel do poder no âmbito das instituições religiosas, hospitalares, e militares, evidenciando o fato de que a desigualdade das relações de força fornece as condições de possibilidade do poder, mas, ao mesmo tempo, tais exercícios de poder geram desigualdades, e as reforçam por meio da opressão. Concluímos com as nossas ideias sobre os mecanismos de controle nos dias atuais, estruturando a abordagem em três tópicos: o da televigilância que irá demonstrar o poder das novas tecnologias de controle nas relações entre os sujeitos; os novos modelos de panoptismo; e, o poder das novas tecnologias de controle que atingem a privacidade, a liberdade e vida social dos indivíduos. Chegamos ao final desta tese destacando a importância do tema e a atualidade do pensamento foucaultiano sobre o controle social e seus desdobramentos em nossa sociedade. Palavras-chave: Foucault; Indivíduo; poder; globalização; controle
  • LUCIANO DA SILVA
  • PROGRESSO COMO EMANCIPAÇÃO DA HUMANIDADE NA FILOSOFIA DA HISTÓRIA DE KANT
  • Data: 06/11/2013
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  • O trabalho que segue refere-se a uma interpretação dos textos de Kant sobre a história, e a política como uma filosofia da emancipação da humanidade. Propõe, dessa forma, estabelecer um ponto de interseção entre a filosofia da história e a filosofia política de Kant. A tese a ser defendida é a de que o homem é parte da natureza, como outros tantos outros seres, mas suas escolhas são ações livres, porque são feitas a partir de um princípio não causado, de liberdade. Nesse sentido, a emancipação da humanidade é uma responsabilidade de cada homem, enquanto é um ser não somente da natureza, mas também de cultura. A hipótese de leitura é a seguinte: o rompimento com o estado de rudeza revela ao homem o sentido da sua vida, a saber, tornar-se livre. Este sentido é dado pela cultura, que se refere a um processo constante que distancia o homem cada vez mais do estado de rudeza. Este processo pode ser chamado de progresso moral da humanidade, entendendo-se por moralidade os avanços realizados pela espécie humana em todos os sentidos, de maneira que permitam o aprimoramento cada vez maior da sociabilidade humana. Para o desenvolvimento dessa hipótese, a pesquisa foi dividida em três partes: a) a primeira parte corresponde ao primeiro capítulo, no qual é desenvolvido o fundamento racional do agir humano a partir da solução kantiana ao problema da liberdade na Terceira Antinomia da razão pura e a fundamentação da moral através do imperativo categórico. Este fundamento é necessário, porque estabelece uma conformação entre as leis da natureza e o agir livre do homem. A partir dessa conformação, é possível pensar outras, tais como: o estado de natureza e o estado civil; a insociabilidade, que é fruto da constituição da natureza humana, com a sociabilidade, que é resultado da superação do estado de natureza; b) a segunda parte é formada pelos capítulos dois e três, na qual é apresentada a saída do homem do estado de rudeza, a entrada no mundo da moral, a construção e desenvolvimento da cultura e a possibilidade de alcançar uma sociedade civil cosmopolita que garanta ao homem a condição da cidadania universal; c) a terceira parte refere-se ao quarto e último capítulo, no qual é apresentada uma atualização do cosmopolitismo kantiano para os dias de hoje. Essa atualização se dá a partir de uma leitura dos cosmopolitismos de Habermas e Bobbio, os quais, ao apresentarem uma crítica à filosofia kantiana, acabam por fazer uma atualização desse pensamento. Através dessa estrutura, verificamos que a hipótese inicial é plausível e que através dela a tese se sustenta. Portanto, os textos de Kant que tratam da história e da política podem ser lidos como uma filosofia da emancipação humana a medida em que o homem se reconhece como um ser que faz parte da natureza, mas sua vida é resultado de suas escolhas. O progresso moral e político da humanidade é assim, para Kant, uma possibilidade real, porque tem um sentido de um imperativo categórico para toda a humanidade.

  • IDEUSA CELESTINO LOPES
  • A Cosmologia Bruniana como Pressuposto de uma "Reforma Moral
  • Data: 13/09/2013
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  • RESUMO Este estudo sobre “A cosmologia bruniana como pressuposto de uma reforma moral”, tem como objetivo analisar uma possível relação entre a discussão cosmológica e o tema da moral no pensamento de Giordano Bruno. Essa analise foi realizada a partir de quatro obras: Cena, De la causa, L’infinito e Spaccio. As três primeiras são fundamentais à abordagem cosmológica e a última trata de uma reforma dos valores. A estrutura do cosmo defendida por Bruno tem a seguinte estrutura: o universo é infinito e povoado de inumeráveis mundos. Essa posição no século XVI destoava da cosmologia geocêntrica, na qual o universo era considerado como sendo finito e delimitado pela esfera das estrelas fixas. E a Terra estava imóvel no centro dessa estrutura. Nas obras que tratam da cosmologia, Bruno elabora uma crítica a esse modelo, tendo como principal interlocutor Aristóteles. Copérnico, em seguida, é o referencial no qual Bruno se apoia para elaborar a sua cosmologia. Mas o tema sobre a nova estrutura do cosmo não está circunscrito apenas à esfera da filosofia da natureza. Ele é também permeado por uma dimensão teológica. Bruno acusa os partidários do universo finito de defenderem a existência de uma causa primeira infinita, Deus, que tem como efeito o finito, o universo. O filósofo nolano parte do pressuposto de que a natureza é um simulacro do divino e, dessa forma, deve ser também infinita. Ele iniciou as suas publicações abordando o tema cosmológico, mas esse não era uma temática que estava em crise, apesar dos indícios astronômicos como o surgimento de uma estrela denominada Nova em 1572 e o aparecimento de um cometa em 1577. Esses eventos não foram considerados pelos astrônomos da época como indícios que refutassem a tese cosmológica aristotélico-ptolomaica. Elas propiciaram uma leitura escatológica do fim dos tempos, tanto pelos religiosos como pelos intelectuais. Leitura ignorada por Bruno, que concebia nos fenômenos astronômicos o fim de uma era, não do mundo físico. A crise religiosa que permeava esse período tinha como principal foco a divisão dos cristãos em católicos e reformadores. Essa crise era mais evidente que a cosmológica. Mas Bruno iniciou as suas publicações abordando o tema da estrutura do cosmo. Consideramos que a sua opção pela temática cosmológica em detrimento da religiosa se assenta na ideia de que não era possível discutir a crise religiosa sem antes analisar a estrutura cósmica sobre a qual a sociedade se assentava. Na obra Spaccio Bruno trata de uma reforma moral celeste. O mundo divino é descrito como sendo atravessado pelas mudanças, pelas vicissitudes. Esse modelo só seria possível num mundo considerado como homogêneo, no qual não há distinção entre os seus elementos, entre mundo humano e divino. Palavras-chave: cosmologia; infinitude do universo; religiosidade; reforma moral.
  • WILLIARD SCORPION PESSOA FRAGOSO
  • SOBRE POSSÍVEIS FUNDAMENTOS DO “FENÔMENO DOS DIREITOS HUMANOS”
  • Data: 29/08/2013
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  • RESUMO O presente trabalho trata da questão do fundamento nos direitos humanos do ponto de vista filosófico. A abordagem é dividida em cinco partes: (i) uma reconstrução histórico-conceitual dos direitos humanos; (ii) uma caracterização geral sobre a fundamentação, (iii) uma apresentação dos fundamentos possíveis dos direitos humanos, (iv) as críticas e os paradoxos sobre a possibilidade de uma fundamentação dos direitos humanos e, por fim, (v) a abordagem dos direitos humanos no pensamento do filósofo argentino Eduardo Rabossi. Na primeira parte do trabalho, a compreensão histórico-conceitual da questão do fundamento é articulada na relação entre direito natural e direito positivo. Em seguida, é feita uma caracterização filosófica geral do fundamento e seus problemas, na tradição e na epistemologia contemporânea como “fundacionalismo”, nas suas vertentes forte, moderada e fraca. As segunda e terceira partes abordam, respectivamente, algumas tentativas-exemplos de fundamentação dos direitos humanos e problemas-paradoxos relativos à racionalidade e ao direito. Por último, é apresentada a compreensão do filósofo argentino Eduardo Rabossi como proposta de superação da questão do fundamento nos direitos humanos e como paradigma propositivo geral de pesquisa filosófica em direitos humanos. Neste sentido, os direitos humanos são interpretados como um “fenômeno”, quer dizer, como “acontecimento histórico” culminante que possui uma tradição histórico-cultural erigida. Assim, a questão do fundamento deve ser abordada segundo determinações internas ao fenômeno dos direitos humanos. O objetivo geral do trabalho é mostrar que, embora a fundamentação dos direitos humanos seja possível paradoxalmente, enquanto “fundamentações”, sempre aberta à ação-reflexão; ela não é necessária, nem desejável, do ponto de vista estritamente filosófico-racional, como fundamento forte (certeza absoluta). Não é necessária porque os direitos humanos, enquanto “fenômeno histórico vivo” dispensa esta necessidade, não é desejável porque carrega o risco de tornar-se um “fundamentalismo” dos direitos humanos.
  • SUZANO DE AQUINO GUIMARÃES
  • Afinidades seletivas ou A metafísica do reconhecimento: Abordagem ontolólogico-existencial da consciência -de-si na Fenomenologia do espírito de Hegel.
  • Data: 26/08/2013
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  • O debate filosófico hodierno sobre “alteridade” suscita investigações díspares. As “desconstruções” operadas pela chamada “pós-modernidade” não obtiveram nem pretendem um êxito definitivo. E a “crítica fraca” dos fundamentos metafísicos poderia ser resumida na seguinte metáfora: “primeiro nos deram asas para depois nos roubar o céu”. A crítica de G. W. F. Hegel (1770–1831) ao modelo solipsista de fundamentação da filosofia moderna da subjetividade entende a gênese das subjetividades como essencialmente gênese de suas sociabilidades, radicada numa liberdade solidária e reconhecida simultaneamente; identidade e diferença enquanto “unidade diferenciada”. Assim sendo, considerando a extensa produção intelectual do nosso filósofo, bem como a “estrutura” de inter-relação dialética de seu pensamento e de seus escritos, que nos remete sempre a perspectiva do todo, nossa pesquisa teve como objetivo geral a apreensão e exposição crítica, desde a possibilidade de uma abordagem ontológico-existencial do Eu hegeliano, dos conceitos de Consciência-de-Si e de Reconhecimento, em seus movimentos próprios constitutivos, desenvolvimento e vir-a-ser enquanto “Espírito”, postos na Dialética do Reconhecimento, tal como aparecem no corpo da Fenomenologia do Espírito (1807), notadamente no capítulo IV, de Hegel. Neste sentido, entendemos que uma investigação de interesse acadêmico sobre tais questões justifica-se e coincide com demandas da sociedade atual, contribuindo para o desenvolvimento de “leituras” mais compreensivas das inquietações do homem e da mulher contemporâneos e do complexo de relações sociais que implicam numa constante “decisão pelo reconhecimento” nos modos de efetividade do Si no mundo; na emergência da figura das “afinidades seletivas”.
  • STANLEY KREITER BEZERRA MEDEIROS
  • Um estudo lógico e epistemológico do fecho epistêmico
  • Data: 24/05/2013
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  • O "fecho epistêmico'' é o princípio que afirma que o conhecimento é fechado sob implicação. Se um agente S qualquer sabe que uma proposição P é o caso e, além disso, igualmente sabe que P implica logicamente outra proposição, Q, então o agente em questão também deve saber que Q é o caso. Assim, se S acredita em Q a partir da base segura fornecida pelas premissas, então ele também deve saber que Q é o caso. Este  é um estudo lógico-epistemológico de princípios de fecho epistêmico com base na noção de incognoscibilidade contingente. Constatando que o problema do fecho epistêmico está em aberto e que as tentativas mais comuns na epistemologia mainstream contemporânea parecem ignorar os resultados da epistemologia formal sobre a relação entre estes princípios e a propriedade de onisciência lógica, nosso objetivo principal é oferecer uma estratégia para uma análise epistemológica de princípios de fecho epistêmico que considere estes resultados; que leve em conta a pretensão de aplicabilidade de um determinado princípio de fecho, segundo a situação  e os agentes que se pretende modelar. Um exemplo dessa estratégia será dado ao se analisar princípios de fecho na perspectiva de agentes conjecturadores de proposições contingentemente incognoscíveis. Nossa hipótese é a de que, nesta aplicação, certos princípios de fecho não valem.

  • FRANCISCO DE ASSIS VALE CAVALCANTE FILHO
  • Os Problemas da Opinião Falsa e da Predicação no diálogo Sofista de Platão
  • Data: 05/04/2013
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  • RESUMO A tese da impossibilidade da falsidade decorre da interpretacao da negacao como contrariedade. Sendo o nao ser o contrario do ser e o falso o que nao e verdadeiro, entao, a falsidade e impossivel. Platao diagnostica este problema como derivado das leituras sofisticas do Poema de Parmenides. O argumento do eleata defende a interdicao da via que "nao e" como resultado da incognoscibilidade do nao ser. O ateniense recepciona de muitos modos, ao longo do corpus as consequencias das leituras sofisticas e denuncia no Sofista o cerne do equivoco que consiste em tomar a contrariedade como o unico sentido da negativa. Resultado disto, p. ex: a tese da infalibilidade da opiniao constatada no Teeteto. Pois, se e impossivel opinar sobre "o que nao e", todo juizo sera isento de falsidade. A ressalva feita a "Protagoras" e que a verdade da doxa esta para a aparencia e o modo como algo aparece para aquele a quem assim parece. A resposta as teses defendidas por Gorgias no tratado Da Natureza ou do Nao Ser, por sua vez, consuma-se no Sofista nas teses sobre o ser, o nao ser como genero do outro e a natureza predicativa do logos. Esta nova compreensao que afeta o sentido da negativa tornar viavel, para la das aporias, a relacao entre seres, que em acordo ou desacordo uns com os outros, encontra-se refletida nos enunciados verdadeiros ou falsos. Para o filosofo a verdade nao e uma propriedade das coisas, mas um predicado do discurso. Palavras Chave: ser, nao ser, verdade, falsidade, logos;
  • FRANCISCO DE ASSIS VALE CAVALCANTE FILHO
  • Os Problemas da Opinião Falsa e da Predicação no diálogo Sofista de Platão
  • Data: 05/04/2013
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  • RESUMO A tese da impossibilidade da falsidade decorre da interpretacao da negacao como contrariedade. Sendo o nao ser o contrario do ser e o falso o que nao e verdadeiro, entao, a falsidade e impossivel. Platao diagnostica este problema como derivado das leituras sofisticas do Poema de Parmenides. O argumento do eleata defende a interdicao da via que "nao e" como resultado da incognoscibilidade do nao ser. O ateniense recepciona de muitos modos, ao longo do corpus as consequencias das leituras sofisticas e denuncia no Sofista o cerne do equivoco que consiste em tomar a contrariedade como o unico sentido da negativa. Resultado disto, p. ex: a tese da infalibilidade da opiniao constatada no Teeteto. Pois, se e impossivel opinar sobre "o que nao e", todo juizo sera isento de falsidade. A ressalva feita a "Protagoras" e que a verdade da doxa esta para a aparencia e o modo como algo aparece para aquele a quem assim parece. A resposta as teses defendidas por Gorgias no tratado Da Natureza ou do Nao Ser, por sua vez, consuma-se no Sofista nas teses sobre o ser, o nao ser como genero do outro e a natureza predicativa do logos. Esta nova compreensao que afeta o sentido da negativa tornar viavel, para la das aporias, a relacao entre seres, que em acordo ou desacordo uns com os outros, encontra-se refletida nos enunciados verdadeiros ou falsos. Para o filosofo a verdade nao e uma propriedade das coisas, mas um predicado do discurso. Palavras Chave: ser, nao ser, verdade, falsidade, logos;
  • JOSÉ ROBERTO DA SILVA
  • HEIDEGGER E A ESSÊNCIA DA TÉCNICA MODERNA: REFLEXÕES SOBRE OS “RISCOS” E OS DESAFIOS DO PENSAR NO “MUNDO” TECNOLÓGICO
  • Data: 10/03/2013
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    RESUMO
    O objetivo da presente tese é investigar as inquietudes suscitadas pela técnica moderna,
    reivindicando examinar a problemática dos “riscos” que a mesma provoca junto ao ser
    humano em sua relação com o mundo. Para tal intento, utiliza-se como referência o
    pensamento de Martin Heidegger. Afirma-se que, diante da inquietude promovida pelo
    desenvolvimento tecnológico, há neste autor, assim como em outros que também discutem a
    questão, o reconhecimento do perigo da exacerbação técnica, entretanto, diferentemente dos
    demais autores, Heidegger desfaz a concepção deste perigo em atenção a outro mais
    “originário”. Trata-se do “perigo” de o homem partilhar da essência da técnica e não se dar
    conta desta participação, assim, neste não perceber, efetivar e prolongar, na “era tecnológica”,
    a omissão do seu ser. Diagnosticado este “perigo” demonstra-se que a “crítica” heideggeriana
    à técnica moderna, mesmo não propondo a demolição da mesma, aponta, para nossa
    existência atual, um modo alternativo de ser, paralelo ao modo imperativo da técnica: trata-se
    do modo de ser poético e da “postura” da “serenidade”.
     


2012
Descrição
  • DEODATO FERREIRA DA COSTA
  • ALTERIDADE E VIDA: PROJETO ÉTICO-POLÍTICO E QUESTÃO ECOLÓGICA EM ENRIQUE DUSSEL
  • Data: 10/12/2012
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  • Nosso trabalho considera a reflexão filosófica do pensamento arquitetônico de Enrique Dussel. Não o examina em toda sua inteireza, mas elege alguns aspectos que julgamos centrais na sua configuração. Prioriza como linhas mestras os dois aspectos presentes no título da pesquisa: o projeto ético-político e a questão ecológica. Linhas estas que entendemos serem norteadas e delimitadas a partir de um fio condutor que, a nosso ver, perpassa todo o pensamento arquitetônico de Dussel e que o denominamos de alteridade e vida, o qual também está presente no título. Explicitada esta configuração, desenvolvemos no primeiro, no segundo e no terceiro capítulos respectivamente a herança levinasiana, o projeto político de libertação e a exterioridade ética do trabalho vivo. O pensamento de Emmanuel Lévinas, segundo nossa interpretação, permitiu a Dussel fazer o grande salto de sua perspectiva crítica na consideração da realidade latino-americana: o outro, o pobre, a relação por excelência do face-a-face, situados desde a exterioridade categorial, assumem uma positividade nova e reclamam seu lugar na reflexão filosófica que surge na América Latina para o contexto mundial. Imbuido dessa perspectiva positiva, Dussel se dá conta de que é preciso explicitar o projeto de dominação ontológica que sustenta o sistema de produção capitalista, projeto e sistema estes aos quais, ainda hoje, estão submetidos continentes, povos e nações do chamado Terceiro Mundo ou do Sul pobre. A partir da explicitação desse horizonte ontológico de dominação e de sua compreensão histórica e finita, Dussel lança sua crítica libertadora fundada num projeto ético-político que instaure a partir dos excluídos, dos pobres, das vítimas, um novo diálogo e uma nova forma de conceber a vida em escala mundial, no respeito e na justiça à alteridade do outro na exterioridade de sua vida. De forma mais concreta e específica, Dussel a partir de sua leitura crítica de Marx realiza efetivamente a crítica ao sistema capitalista de produção. Explicita a dialética capital-trabalho e vê já presente em Marx a categoria da exterioridade a partir da qual se pode reconduzir e pôr no seu devido lugar a perspectiva ética implícita no pensamento desse autor. E ainda, destaca e evidencia o trabalho vivo como trabalho ainda não objetivado, exterioridade em relação ao capital; o trabalhador como aquele que verdadeiramente cria valor, cria riqueza. No quarto capítulo, desenvolvemos a questão ecológica, o alcance e os limites que essa questão apresenta em Dussel. Ela, entrevista na arquitetônica do pensamente de nosso autor, não se apresenta de forma isolada, desligada dos problemas concretos e das próprias formas de dominação e, por conseguinte, de libertação, referidas neste trabalho. Ao contrário, Dussel pensa a questão ecológica implicada nas relações prático-poiéticas das relações humanas, isto é, não somente como relação homem-natureza mas percebe que esta é mediada pela relação entre os homens no transcorrer histórico dos diversos modos de produção. Mantém-se, no entanto, o olhar para o modo de produção do sistema capitalista. A reflexão sobre a questão ecológica pontua um olhar antropológico que, por sua vez, aceita compreender a natureza como totalidade das coisas vivas ou como substantividade vivente, o que implica no aceite da natureza como co-autor, como co-sujeito da produção da vida. É sobre essa compreensão de Dussel que configuramos e delimitamos esse trabalho.
  • HUGO FILGUEIRAS DE ARAUJO
  • A Estetização da Alma pelo Corpo no Fédon de Platão.
  • Data: 03/12/2012
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  • RESUMO
    A presente tese propõe uma leitura do Fédon, de Platão, centrada no tema da relação corpo/alma, que perpassa todos os argumentos do diálogo. Platão anuncia em seus textos o cuidado pela alma, por considerá-la a fonte do saber e da virtude e até mesmo o próprio “eu” do homem. O cuidado e a valorização da alma são tão essenciais para Platão que, em algumas partes do Fédon o filósofo ao relacioná-la com o corpo o considera como um certo tipo de prisão e obstáculo por entender que a sabedoria buscada por aqueles que se dedicam à filosofia, está além da sensibilidade (aísthesis) e, enquanto ao corpo estiver unida, a alma não alcançará a verdade na sua plenitude. Sendo o corpo parte da instância sensível, o filósofo frente a ele se põe numa atitude de desconfiança no exercício da filosofia, contudo, há de convir que em outros momentos Platão considera que é por ele (o corpo) e nele que começa a busca pela verdade, configurada pela reminiscência, reconhecendo assim o seu papel. O presente trabalho realiza um estudo sobre a relação corpo/alma, considerando que é possível estabelecer uma leitura unificada dos diferentes modos como ela se apresenta a partir de uma dimensão estética: Platão discursa sobre os cuidados que se deve ter no trato com o corpo porque a alma a ele associada sofre influência da sensibilidade que, mesmo impondo obstáculos ao conhecimento, é o meio e instrumento, através dos sentidos, para que possa haver aprendizado sobre as coisas. No decorrer da tese, alguns problemas serão resolvidos, pois declarar que a alma, afim das Formas imutáveis, pode sofrer mudança parece ser estranho. O impasse é resolvido com o auxílio de outros diálogos: República, Timeu e Fedro, que entendem a alma como uma realidade de natureza mista, sendo um metaxú, um intermediário, entre o divisível e o indivisível, o Outro e o Mesmo, o mutável e o Imutável. Por fim, a tese incorrerá na afirmação de que Platão está propondo no Fédon um projeto que ensina os homens à prática do domínio de si.

  • JOSE FABIO DA SILVA ALBUQUERQUE
  • O STATUS DA CIÊNCIA MODERNA NA FILOSOFIA DE MARTIN HEIDEGGER: SUA RELAÇÃO COM OS CONCEITOS DE VORHANDENHEIT, WELTANSCHAUUNG E FILOSOFIA
  • Data: 21/09/2012
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  • O PRESENTE TESE INVESTIGA DA CIÊNCIA MODERNA................................

  • FRANCISCO ROMULO ALVES DINIZ
  • Entre a Moral e o Direito: Problema da legalidade dos Direitos Humanos no pensamento Jurgem Habermas.
  • Data: 17/08/2012
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  • A Tese central deste trabalho consiste na defesa da seguinte posição: os Direitos Humanos só podem ser fundamentados legitimamente se o direito manter uma relação complementar com a moral. Assim, ealizamos a presente pesquisa tendo como respoldo a Tearia do Discurso de Habermas. O texto foi organizado em quatro capitulos iniciando com a fundamentação do moral point of view de Habermas, passando pele reconstrução do direito nas obras centrais do nosso filosofo, para, em seguida, articula-lo com uma concepção de legitimidade, o que nos possibilitou, por fim, poder demonstrar que a legitimação dos Direitos Humanos passa necessariamente por umaconexão entre o campo da Moral e do Direito.

  • LUCAS DA SILVA CASTRO
  • Maquiavel a e a Corrupção: DOENÇA E REMEDIO
  • Data: 18/06/2012
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    O presente trabalho discute uma compreensão da idéia de ambigüidade presente nas mentalidades dos homens renascentistas nos começos da modernidade. Tal interpretação desenvolveu uma reflexão sobre o conceito de ambigüidade fazendo referência à maneira como os homens percebiam as relações indivíduo/comunidade durante tal período histórico. Uma referência fundamental de análise dessas relações desenvolvidas nesse estudo foi pensar a maneira como os homens compreendiam o destino numa lógica de autodeterminação que só iria se acentuar com o desenrolar da modernidade. Essa discussão procurou se construir a partir de uma atitude heurística entre a cultura clássica e a renascentista justificando o fato de que os renascentistas se colocavam como representantes de uma cultura que havia perecido. Com essa atitude foi possível pensar como os homens do Renascimento recepcionaram os valores da cultura clássica.

  • ROMILDO GOMES PINHEIRO
  • Crítica da Naturalização em Foucault e Arente .
  • Data: 18/04/2012
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    Resumo

    Michel Foucault e Hannah Arendt discutiram de forma central em suas filosofias práticas o problema da relação entre natureza e poder visando compreender as transformações da época moderna relativamente à tradição Ocidental e à racionalidade das formas de poder

     

    contemporâneos. Esta convergência na investigação da relação entre natureza e política à partir de uma crítica do poder cuja influência nós encontramos nas filosofias de G. Agamben e J. Derrida à través da relação entre soberania e vida natural, comporta, todavia, divergências sobre as quais nós discutimos ao longo deste trabalho. A hipótese que sustentamos procura demonstrar que as críticas da naturalização de Arendt e Foucault devem ser lidas como filosofias

     

     

     

    antinaturalistas que tentaram pensar a produção da vida natural sem recorrer à idéia de Natureza humana, pelo viés de uma crítica das formas de biologização social da existência dos homens, tanto na crítica dos totalitarismos contemporâneos, quanto na crítica da modernidade. À luz desta hipotése, nós procuramos ao longo deste trabalho demonstrar as ambivalências entre a catégoria do natural e do poder à partir de uma confrontação entre os dois autores. Se a discussão do poder por Arendt à partir de uma teoria da ação política que toma em consideração a liberdade dos sujeitos nos permitiu de considerar a ambivalência de uma teoria do biopoder preocupada em forjar um lugar satisfatório à idéia de resistência segundo uma teoria da ação estratégica, a articulação foucaultiana imanente entre técnicas de dominação e vida natural no capitalismo moderno, nos permitiu explorar as ambivalências de Arendt à partir de algumas dicotomias entre política e natureza, poder e dominação. Por meio desta confrontação entre Foucault e Arendt, nossa conclusão é que o fundamento da diferença da crítica do poder dos dois autores decorre que, em Arendt, trata-se de pensar a constituição de um sujeito antropológico à partir de uma teoria da ação política, separando a gênese do poder político das "necessidades naturais" pela constituição de um mundo comum (common world), ao tempo que Foucault investiga a intrincação entre técnicas de assujeitamento e o problema das populações visando compreender a questão da naturalização sem o recurso a um sujeito antropológico constituinte en tanto que pressuposto de uma crítica do poder.

     

  • ROMILDO GOMES PINHEIRO
  • Crítica da naturalização em Foucault e Arendt
  • Data: 18/04/2012
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  • Résumé
    Michel Foucault et Hannah Arendt ont prêté une attention centrale dans leurs philosophies pratiques au thème des rapports entre nature et pouvoir pour rendre compte à la fois des transformations de l’époque moderne vis-à-vis de la tradition et de la rationalité des formes de pouvoirs contemporains. Cette convergence dans l’approche de la relation entre nature et politique à partir d’une critique du pouvoir dont nous trouvons l’héritage dans les philosophies de G. Agamben et J. Derrida au travers de la relation entre souveraineté et vie naturelle, porte toutefois des divergences sur lesquelles nous avons voulu attirer l’attention au long de ce travail. L’hypothèse qu’il s’agit d’exposer essaie de démontrer que les critiques de la naturalisation d’Arendt et Foucault doivent être lues comme des philosophies antinaturalistes qui ont essayé de penser la production naturelle des vivants par le biais de la critique des formes de biologisation sociale de l’existence des hommes, sans le recours donc à l’idée de Nature humaine, tantôt dans leurs critiques des totalitarismes contemporains, tantôt dans leurs critiques de la modernité. Nous avons essayé au long de ce travail de montrer les ambivalences entre la catégorie du naturel et celle du pouvoir à partir d’une confrontation entre les deux auteurs. Si la discussion du pouvoir par Arendt à partir d’une théorie de l’action politique qui prend en compte la liberté des sujets nous a permis d’envisager l’ambivalence d’une théorie du biopouvoir préoccupée de concevoir une place satisfaisante à l’idée de résistance d’après une théorie de l’action stratégique, l’articulation foucaldienne immanente entre techniques d’assujettissement et vie naturelle lors de l’expansion du capitalisme moderne nous a permis d’exploiter les ambivalences d’Arendt à partir de quelques dichotomies tranchantes entre le politique et le naturel, entre politique et domination. Dans cet aller-retour entre Arendt et Foucault, nous sommes parvenus à la conclusion que la différence de la portée critique des deux auteurs tient au fait qu’alors que chez Arendt, il s’agit de penser la constitution d’un sujet anthropologique à partir d’une théorie de l’action politique, en détachant alors la politique des ‘nécessités naturelles’ par la constitution d’un monde commun (common world), il s’agit chez Foucault d’investiguer l’intrication entre les techniques d’assujettissement et le problème des populations pour comprendre le lien entre politique et vie naturelle sans le recours à un sujet anthropologique et constituant comme présupposé d’une critique du pouvoir.

  • ROMILDO GOMES PINHEIRO
  • Crítica da Naturalização em Foucault Arendt
  • Data: 18/04/2012
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  • Michel Foucault e Hannah Arendt discutiram de forma central em suas filosofias práticas o problema da relação entre natureza e poder visando compreender as transformações da época moderna relativamente à tradição Ocidental e à racionalidade das formas de poder contemporâneos. Esta convergência na investigação da relação entre natureza e política à partir de uma crítica do poder cuja influência nós encontramos nas filosofias de G. Agamben e J. Derrida à través da relação entre soberania e vida natural, comporta, todavia, divergências sobre as quais nós discutimos ao longo deste trabalho. A hipótese que sustentamos procura demonstrar que as críticas da naturalização de Arendt e Foucault devem ser lidas como filosofias antinaturalistas que tentaram pensar a produção da vida natural sem recorrer à idéia de Natureza humana, pelo viés de uma crítica das formas de biologização social da existência dos homens, tanto na crítica dos totalitarismos contemporâneos, quanto na crítica da modernidade. À luz desta hipotése, nós procuramos ao longo deste trabalho demonstrar as ambivalências entre a catégoria do natural e do poder à partir de uma confrontação entre os dois autores. Se a discussão do poder por Arendt à partir de uma teoria da ação política que toma em consideração a liberdade dos sujeitos nos permitiu de considerar a ambivalência de uma teoria do biopoder preocupada em forjar um lugar satisfatório à idéia de resistência segundo uma teoria da ação estratégica, a articulação foucaultiana imanente entre técnicas de dominação e vida natural no capitalismo moderno, nos permitiu explorar as ambivalências de Arendt à partir de algumas dicotomias entre política e natureza, poder e dominação. Por meio desta confrontação entre Foucault e Arendt, nossa conclusão é que o fundamento da diferença da crítica do poder dos dois autores decorre que, em Arendt, trata-se de pensar a constituição de um sujeito antropológico à partir de uma teoria da ação política, separando a gênese do poder político das “necessidades naturais” pela constituição de um mundo comum (common world), ao tempo que Foucault investiga a intrincação entre técnicas de assujeitamento e o problema das populações visando compreender a questão da naturalização sem o recurso a um sujeito antropológico constituinte en tanto que pressuposto de uma crítica do poder.

     

  • FRANCISCO VICTOR MACEDO PEREIRA
  • MICHEL FOUCAULT, LEITOR DE PASSOLINI:APROPOSTA DA ANTOLOGIA DO PRESENTE
  • Data: 30/03/2012
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  • A consolidação irrecusável de um regime de expansão-consumo-tolerância retifica toda manifestação simbólica do presente em uma vida comum. Os sintomas da hodierna civilização do consumo nos corpos das subjetividades resumem a composição da ordem das relações individuais e coletivas sob os signos do desenvolvimento econômico, das garantias jurídicas, da erotomania generalizada e das liberalidades banais; que se imantaram, sequazes, em todos os níveis de experiências e de culturas no presente (a ponto de determinarem as complexas estruturas de poder e de dominação sobre as quais as mesmas puderam se imprimir). Em nossa tentativa de análise e de desprendimento frente à novíssima (ir)realidade da tecnologia, da informação e do consumo no neocapitalismo da pós-história evocaremos aos últimos Foucault e Pasolini; os quais definem, respectivamente, uma ontologia do presente e uma ontologia dos comportamentos de vida. Ambos são pensadores que proporcionam possíveis novas leituras éticas para o tempo presente, especialmente por meio da arte e da estetização da existência. No bojo de nossa análise, tentamos defender que o último Foucault concebe o redirecionamento de sua História da sexualidade com base na reformulação de sua concepção acerca do poder; a sonhar – para isso – com a atuação de um novo tipo de intelectual específico e localizado no presente: que arrogue para si possíveis práticas de uma ética atitudinal e (r)existencial (envidadamente de modos não normativos). Nosso propósito se dá a pretexto da hipótese de que Foucault tem – senão como pressuposto, claramente como inspiração – às postulações desse novo intelectual ético e específico no presente a leitura da obra e da vida de Pier Paolo Pasolini. Disso se segue que não pretendemos, para este trabalho, enveredar a nenhum tipo de diferenciação entre os conceitos de estética, de estetismo ou de estetização; nem em Pasolini nem em Foucault – em razão de que não se trata de um trabalho nem de estética tampouco de filosofia da arte no âmbito dos dois autores. Não obstante a recorrência da teorização acerca da necessidade atitudinal e filosófica de uma estetização da existência, assim como da categorização a respeito da possibilidade de uma ética-estética para o presente, não corresponde à preocupação de nossa pesquisa versar sobre os temas precisos do cânone estético, tampouco contribuir com a discussão de aspectos propriamente relevantes ou conducentes a uma história da estética. Nosso trabalho apresenta-se muito mais no sentido de criticamente pensar a propósito de uma ética como atualização de possibilidades subjetivas: acerca da ação prática de uma filosofia possível do e no tempo presente. Um desforço a ser empreitado, sob esse aspecto, com supedâneo na consideração acerca do cometimento vital, da disposição corporal e da ação intelectual: que especificamente animam os dois autores a que pretendemos nos reportar. Trata-se, portanto, da discussão acerca de uma ética atitudinal para a filosofia do presente; na perspectiva daquilo que – currente calamo – se apresenta na vida e na obra de ambos. Uma empresa de vitalidade, e que originalmente ressalta nesse mesmo sentido a estilização artística de modos de vida filosoficamente enfrentados. Modos relacionados à corporalidade, à sensibilidade, à disposição trágico-agônica e à expressividade da existência como aspectos dessa ética possível: a delinear-se como uma ética da reinvenção de si no próprio tempo presente.

     

  • JOSE VICENTE MEDEIROS DA SILVA
  • ÉTICA MATERIAL DA VIDA E RESPONSABILIDADE PELO OUTRO EM ENRIQUE DUSSEL
  • Orientador : ANTONIO RUFINO VIEIRA
  • Data: 21/03/2012
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  • ENRIQUE DUSSEL PROPÕE UMA ÉTICA MATERIAL DE VIDA NEGADA ÁS VITIMAS DOS SISTEMAS DE OPRESSÃO

2011
Descrição
  • GILFRANCO LUCENA DOS SANTOS
  • TEMPO ÉTICO E TEMPO HISTÓRICO A reapropriação heideggeriana do kairo,j como Augenblick Gilfranco Lucena dos Santos Recife, 08 de novembro de 2011
  • Data: 06/12/2011
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  • INTRODUÇÃO
    Esta pesquisa visa retomar a perspectiva segundo a qual Heidegger interpreta o
    conceito de kairo,j da filosofia aristotélica como instante, além de tê-la interpretado no
    pensamento cristão paulino, e discutir o horizonte a partir do qual emerge essa
    interpretação, as implicações da mesma frente ao pensamento ético aristotélico no qual
    o conceito se insere, e sua repercussão para o pensamento filosófico histórico
    existencial.
    Sob a hipótese de que a nova apropriação do conceito de kairo,j como instante,
    desenvolvida por Heidegger, considerou fundamentalmente a função existencial do
    conceito de tempo, de caráter escatológico1-histórico, redimensionando o modo como
    este conceito foi tratado na Ética aristotélica, esta pesquisa visa questionar qual a
    função do conceito de kairo,j na ética aristotélica e como a nova apropriação desse
    conceito por Heidegger à luz da filosofia existencial lhe confere uma função históricoexistencial
    que pode fornecer o fundamento para uma Ética da Liberdade Histórica2?
    Apresentada de maneira mais simples, a questão é: como a função ética categorial e
    circunstancial do conceito de tempo como kairo,j adquire uma função ética históricoexistencial
    na filosofia de Heidegger?
    Certamente inspirado pela obra de Kierkegaard, Heidegger se dá conta de que o
    tempo como instante (Augenblick) era decisivo para compreender um dos modos
    específicos de relacionar-se com o tempo, a partir do qual se pode viver a temporalidade
    própria; este conceito tornara-se decisivo para compreender a facticidade da existência
    em sua singularidade e possibilidade de liberdade.
    Nos cursos de 1920 a 1924, a confrontação com o pensamento cristão e
    aristotélico foi, sem dúvida, profundamente motivada pelas indicações críticas
    1 Entenda-se “escatológico” aqui não no seu uso teológico, mas por referência à ideia grega de o` e;scatoj,
    isto é, o “fim último”, ou como Heidegger interpreta, o “limite extremo”.
    2 A expressão “liberdade histórica” eu a tomei de Kierkegaard. É ele que em O conceito de angústia
    procura pensar o instante (Øieblikket) como passagem, na “esfera da liberdade histórica”, da possibilidade
    à realidade (cf. Søren KIERKEGAARD, O Conceito de Angústia, trad. Álvaro Luiz Montenegro Valls,
    Petrópolis: Vozes, 2010, p. 92). É também certamente ele quem fornece a Heidegger a indicação segundo
    a qual “quando Aristóteles diz que a passagem da possibilidade para a realidade é um ki,nhsij
    [movimento] não devemos, portanto, entender logicamente, mas sim no sentido da liberdade histórica”
    (KIERKEGAARD, op. cit., p. 90, n. 198). Desse modo, nesse trabalho, entendo por Ética da Liberdade
    Histórica o pensamento que fornece a indicação segundo a qual o ser-aí (Dasein) é convocado a despertar
    para o sentido de seu ser mais próprio no instante, de tal modo que possa libertar-se das determinações
    impessoais de sua existência, assumindo-se a si mesmo na projeção de suas possibilidades mais próprias,
    e nesse instante de singularização, ser todo a cada vez para seu tempo, a partir desse instante.

  • JOSE CARLOS GOMES MARÇAL FILHO
  • A TRADIÇÃO DO PENSAMENTO DA NEGATIVIDADE (Da Negatividade à Kehre heideggeriana)
  • Data: 05/12/2011
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  • RESUMO O objetivo deste presente trabalho é analisar tematicamente os conceitos de nada, diferença ontológica e transcendência do Dasein – e seus desdobramentos estruturais com os conceitos de e destinamento do ser – como conceitos que podem convergir para uma corrente específica do pensamento Ocidental que denominaremos de tradição do pensamento da negatividade. Tal abordagem liberta estes conceitos do corpo estrito do pensamento heidegerriano e nos permite vislumbrar uma tradição que, a despeito da ontologia metafísica tradicional, aponta para uma dimensão ontológica mais radical. Esta tradição é entendida como iniciada por Filon de Alexandria, seguida por Ammonius Saccas e Jâmblico, desenvolvida por Plotino e Proclo e cristianizada pelo misticismo de Dionisius, o Areopagita e Mestre Eckhart. Partindo deste último, poderemos estabelecer um vínculo entre esta corrente e o pensamento heideggeriano. Não se trata aqui de delimitar um elemento místico no pensamento do filósofo da Floresta Negra, mas sim de fornecer pistas capazes de atrelar a abordagem da analítica existencial e os desdobramentos posteriores do pensamento de Heidegger, a Kehre, com as doutrinas dos pensadores acima citados. Os vínculos que serão estabelecidos possuem convergências que abrem novas possibilidades para pensarmos a destruição do acervo da antiga ontologia; entretanto, demonstraremos que tais similitudes permitem contemplar a dimensão mais profunda e particular destes conceitos e fornecer chaves valiosas de interpretação para os mesmos não apenas dentro do pensamento heideggeriano, mas também dentro da própria tradição que os funda. Trata-se de uma tarefa fenomenológica-hermenêutica capaz de conquistar o sentido histórico-filosófico destes conceitos e, finalmente, estabelecer os parâmetros para delimitarmos tais pontos dentro da filosofia de Heidegger com mais clareza devido ao seu nexo com uma tradição específica.
  • JOSE ANTONIO FEITOSA APOLINARIO
  • A CRIAÇÃO EM NIETZSCHE: POR UMA ESTÉTICO-ÉTICA DA CRIA-ATIVIDADE.
  • Data: 29/08/2011
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  • RESUMO
    A presente pesquisa tem por objetivo investigar as possibilidades de conceber uma ética
    de caráter estético a partir da noção de criação no contexto filosófico nietzschiano. Tal noção é
    claramente revisitada e operada pelo filósofo junto às principais figuras de pensamento
    desenvolvidas em suas reflexões, constituindo importante elemento de compreensão da
    existência humana. Nessa direção, conjeturamos ser exequível uma reconfiguração do ethos
    baseada no sentido nietzschiano de criação, do criar (schaffen) enquanto construção de valores
    em função da atividade cósmico-fisiológica (conforme a imagem tardia da vontade de poder), da
    experimentação em franca correspondência com a abertura trágica do mundo, afirmada
    artisticamente como uma estética existencial. No desenvolvimento desta hipótese, optamos pelo
    uso da expressão criatividade, com a qual acreditamos depreender um tipo humano criativo
    como disposição concretizadora dessa estético-ética, designado pela imagem de um ‘humano,
    escasso humano’. Este, segundo entendemos, não seria o homem do ressentimento agrilhoado à
    metafísica e à moral, nem o além-do-homem (Übermensch), enquanto experiência de
    ultrapassagem ou proposta para lidar com o completo vácuo de sentido da vida: o ‘humano,
    escasso humano’ está justamente ‘entre’ o homem ressentido e o sobre-humano. Ponderamos
    que esse homem criativo, raro, porque ‘escasso humano’, mostra-se em algumas figuras
    tipológicas delineadas por Nietzsche em seu percurso filosófico.
    Utilizando um método crítico-analítico dos textos nietzschianos, acompanhado de
    intensa análise hermenêutica, buscamos identificar diacronicamente ideias, argumentos e
    asserções que consolidam a referida hipótese. A estrutura do trabalho está dividida em quatro
    capítulos. No primeiro, analisamos a noção de criação no cerne do pensamento nietzschiano,
    enfatizando seu constante e fundamental aparecimento junto às concepções desenvolvidas pelo
    Nietzsche tardio. No segundo, perscrutamos os argumentos nietzschianos que aduzem a
    atividade criadora, o conceito de experiência, o saber trágico, e o imperativo de afirmação da
    vida, enquanto critérios formadores de um ethos alternativo às éticas tradicionais. No terceiro,
    examinamos algumas questões deixadas por intérpretes que trataram da dimensão assumida pela
    arte na filosofia de Nietzsche, reunindo argumentações para defender que a criação é entendida
    como qualidade da vontade de poder em seu efetivar-se, no sentido da criação artística. No
    último capítulo, investigamos as indicações nietzschianas a uma possível ‘grandeza humana’
    ligada a uma tipologia ativa e criadora, mediante análise do tipo senhor, aristocrata e nobre,
    bem como de outras figuras construídas pelo filósofo. Nele, indagamos sobre a inserção das
    reflexões de Nietzsche no rol da antropologia filosófica, ponderando a articulação entre condição
    humana e avaliação, característica de seus construtos maduros. Após tal exame, discutimos as
    possibilidades deste tipo humano entendido por nós como criativo, na medida em que engendra
    valores por expressão de potência como atividade simultaneamente afirmativa.
    Palavras-chave: criação – ethos – estético-ética – arte – escasso humano

  • Rita de Cássia Souza Tabosa Freitas
  • O olhar Cosmopolita: a Atualidade da Proposta Kantianna para a Paz Perpetua.
  • Data: 01/08/2011
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  • Objetiva-se, neste trabalho de pesquisa, discutir a proposta cosmopolita kantiana de paz perpétua e a sua atualidade,duzentos anos depois de ter sidoescrita.Durante o percurso da pesquisa identificamos pelo menos três grandes modelos de cosmopolitismo: o imperial, o messiânico, o republicano, ao qual Kant se filia. O cosmopolitismo encontra suas primeiras formulações na Antiguidade, na época dos Impérios helenísticos e romanos, que serão retomadas pelo cristianismo medieval, na versão messiânica.  É, porém na época moderna que o ideal cosmopolita reaparece com força, sobretudo no período iluminista, na obra de pensadores como o Abbè de Saint-Pierre, Rousseau, e Immanuel Kant, que lhe deu a formulação filosoficamente mais completa. Coube a Kant associar a temática cosmopolita ao problema da paz e à constitucionalização da legislação internacional através da proposta de uma Federação Mundial de Estados Livres, que promovesse a igualdade jurídica entre os diferentes povos que habitam a Terra, sob a égide de um novo direito internacional cosmopolítico. A atualização dessa discussão ocorreu no século XX, como uma possível solução para os imensos problemas de um mundo traumatizado por duas guerras mundiais e pelo terror atômico. A proposta cosmopolita se insere no processo de globalização das últimas décadas na esfera jurídica internacional, como um mecanismo eficaz para a construção de uma sociedade civil global de paz, bem como para preparar o caminho para uma Federação Mundial de Estados, prevista por Kant. Filósofos do direito e da política como Kelsen, Habermas e Bobbio, procuram atualizar e reinterpretar a proposta kantiana á luz dos novos fenômenos da guerra e da paz na época da globalização; a eles se contrapõem os pensadores realistas, como Danilo Zolo, que questionam a validade teórica e a viabilidade prática deste projeto.  A tese que defendemos é que o cosmopolitismo não é uma utopia irrealizável, mas uma possibilidade realizável, pelo menos em uma abordagem filosófico-jurídica, ao nos depararmos com os desafios político-jurídicos da contemporaneidade das relações internacionais, uma vez que sejam criadas alguma condições para a sua implementação. 

  • ANDRE LUIZ HOLANDA DE OLIVEIRA
  • A RELAÇÃO ENTRE A CRÍTICA À RELIGIÃO E A FUNDAMENTAÇÃO DA MORAL NO PENSAMENTO DE DAVID HUME
  • Data: 17/07/2011
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  • A crítica de Hume à religião foi elaborada numa perspectiva que não tem
    antecedentes filosóficos e poucos sucessores. O objetivo central desta pesquisa é
    mostrar que a filosofia de Hume, particularmente a sua filosofia moral, está
    relacionada com os problemas da religião. Os argumentos céticos e naturalistas
    de Hume visam demolir os fundamentos epistemológicos das crenças religiosas,
    invalidando qualquer significado prático da religião para a vida humana. O sistema
    filosófico de Hume, ao tornar a religião desnecessária para a filosofia e para a
    vida, contribui para a erosão de qualquer motivação ulterior para a moral religiosa
    e ajuda-o a lançar as bases de uma moral inteiramente secular e antropocêntrica.
    A nossa hipótese central é que, para Hume, a crítica à religião é uma etapa
    preliminar para a proposta de uma moralidade autônoma. Para ele, a religião

    tende a corromper e destruir a moralidade, inviabilizando a estabilidade social. A
    moralidade não tendo qualquer relação com Deus ou com a religião encontra o
    seu fundamento e os seus deveres apenas na natureza humana e nos interesses
    das pessoas.
     


  • ANDRE LUIZ HOLANDA DE OLIVEIRA
  • A RELAÇÃO ENTRE A CRÍTICA À RELIGIÃO E A FUNDAMENTAÇÃO DA MORAL NO PENSAMENTO DE DAVID HUME
  • Data: 17/06/2011
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  • A crítica de Hume à religião foi elaborada numa perspectiva que não tem
    antecedentes filosóficos e poucos sucessores. O objetivo central desta pesquisa é
    mostrar que a filosofia de Hume, particularmente a sua filosofia moral, está
    relacionada com os problemas da religião. Os argumentos céticos e naturalistas
    de Hume visam demolir os fundamentos epistemológicos das crenças religiosas,
    invalidando qualquer significado prático da religião para a vida humana. O sistema
    filosófico de Hume, ao tornar a religião desnecessária para a filosofia e para a
    vida, contribui para a erosão de qualquer motivação ulterior para a moral religiosa
    e ajuda-o a lançar as bases de uma moral inteiramente secular e antropocêntrica.
    A nossa hipótese central é que, para Hume, a crítica à religião é uma etapa
    preliminar para a proposta de uma moralidade autônoma. Para ele, a religião

    tende a corromper e destruir a moralidade, inviabilizando a estabilidade social. A
    moralidade não tendo qualquer relação com Deus ou com a religião encontra o
    seu fundamento e os seus deveres apenas na natureza humana e nos interesses
    das pessoas.
     


  • CECILIA MENDONÇA DE SOUZA LEÃO SANTOS
  • A Temporalidade do Belo: Caminhos para uma filosofia da arte pós-idealista a partir de Gadamer
  • Data: 24/05/2011
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  • Resumo O presente trabalho consiste, num primeiro momento, em demonstrar como se deu o desenvolvimento das investigacoes filosoficas sobre os objetos esteticos dentro do escopo do idealismo alemao, para revelar de que maneira Hans-Georg Gadamer se apropriara desta tradicao para supera-la. Defendemos que o papel que as obras de arte adquiriram neste periodo historico da filosofia, encarnado com precisao em “O Mais Antigo Programa Sistematico do Idealismo Alemao”, esta irrevogavelmente atrelado a construcao da subjetividade moderna. Sob a luz da desconstrucao da categoria de sujeito empreendida no seculo XX, que tomou forma no pensamento de Martin Heidegger, tornam-se necessarios novos parametros para compreender a relacao que a humanidade guarda com os entes que, escapando a conceituacao de “entes simplesmente dados”, emergem como algo radicalmente diverso: as genuinas obras de arte. No segundo momento de nossa pesquisa, demonstramos como o desenvolvimento de uma nova concepcao de temporalidade, propria ao ser estetico, a hermeneutica filosofica inaugura a possibilidade de, a partir de nossa propria epoca, compreender que sorte verdade e desvelada em tais obras. A partir da compreensao da singularidade do tempo dos entes artisticos, dado na forma de uma simultaneidade, mostramos como e possivel que a arte do passado se atualize diante de nos. Ao reconhecer o modo temporal da existencia da arte, tracamos o caminho de uma filosofia da arte contemporanea que, ao abrir mao de quaisquer criterios normativos para definir o que e arte,ganha a possibilidade de iluminar o fenomeno da transformacao que tais obras realizam em nos – sejam elas do passado ou hodiernas.
  • CECILIA MENDONÇA DE SOUZA LEÃO SANTOS
  • A Temporalidade do Belo: Caminhos para uma filosofia da arte pós-idealista a partir de Gadamer
  • Data: 24/05/2011
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  • Resumo O presente trabalho consiste, num primeiro momento, em demonstrar como se deu o desenvolvimento das investigacoes filosoficas sobre os objetos esteticos dentro do escopo do idealismo alemao, para revelar de que maneira Hans-Georg Gadamer se apropriara desta tradicao para supera-la. Defendemos que o papel que as obras de arte adquiriram neste periodo historico da filosofia, encarnado com precisao em “O Mais Antigo Programa Sistematico do Idealismo Alemao”, esta irrevogavelmente atrelado a construcao da subjetividade moderna. Sob a luz da desconstrucao da categoria de sujeito empreendida no seculo XX, que tomou forma no pensamento de Martin Heidegger, tornam-se necessarios novos parametros para compreender a relacao que a humanidade guarda com os entes que, escapando a conceituacao de “entes simplesmente dados”, emergem como algo radicalmente diverso: as genuinas obras de arte. No segundo momento de nossa pesquisa, demonstramos como o desenvolvimento de uma nova concepcao de temporalidade, propria ao ser estetico, a hermeneutica filosofica inaugura a possibilidade de, a partir de nossa propria epoca, compreender que sorte verdade e desvelada em tais obras. A partir da compreensao da singularidade do tempo dos entes artisticos, dado na forma de uma simultaneidade, mostramos como e possivel que a arte do passado se atualize diante de nos. Ao reconhecer o modo temporal da existencia da arte, tracamos o caminho de uma filosofia da arte contemporanea que, ao abrir mao de quaisquer criterios normativos para definir o que e arte,ganha a possibilidade de iluminar o fenomeno da transformacao que tais obras realizam em nos – sejam elas do passado ou hodiernas.
  • MARCIO ADRIANO DOS SANTOS DIAS
  • SUBJETIVIDADE ÉTICA COMO FUNDAMENTO DA JUSTIÇA A PARTIR DE LEVINAS - da autonomia do sujeito à heteronomia da alteridade Tese
  • Data: 20/05/2011
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  • RESUMO Propomos uma leitura do pensamento de Emmanuel Levinas no sentido de ultrapassar a etica moderna da subjetividade, cujo icone maior e Immanuel Kant. Nosso itinerario segue este tom de superacao, articulando momentos principais na construcao da subjetividade etica que funda Justica ao Outro. Apos cotejar a subjetividade etica moderna, trata-se de enfatizar a ordem da heteronomia da alteridade, que provoca a subjetividade responsavel no sentido de exercer justica. O Outro passa a ser o ponto de arranque para a responsabilidade etica da subjetividade que, aberta a ele, pode ser vista como instancia fundamental da justica. O ponto nodal deste projeto e, assim, a tese de que a subjetividade etica e responsabilidade concreta pelo Outro, servindo como fundamento da justica, saindo da orbita da autonomia do sujeito e indo ao encontro de uma heteronomia da alteridade. Neste percurso, da-se uma genese da subjetividade etica, provocada pela abordagem do rosto do Outro ao Mesmo, que vem do infinito e se apresenta a subjetividade como afetividade concreta, provocando a subjetividade a servir responsavelmente de fundamento da justica. O Eu da subjetividade se apresenta como vulnerabilidade ao Outro, formando um no de responsabilidade por este em vias de fundar justica. Nesse vies, a subjetividade etica e o Outro-na-pele que se faz responsavel pela obra etica, e neste sentido, o subjectum egologico e superado na substituicao do Eu pelo Outro. Tal situacao de socialidade suscita o terceiro (eleidade) e a justica a este, a ser cumprida pela subjetividade etica. Esta e assignada a obra etica da justica. O caminho passa a ser percorrido a partir de uma heterologia: do rosto a subjetividade etica, para instaurar justica. Tal obra etica inaugura os direitos do Outro enquanto doacao de si da subjetividade – amor – que funda justica no servico ao Outro. A subjetividade e etica, ao acolher concretamente ao Outro como medida de justica, a qual extrapola a ordem do dominio e da apropriacao do Eu (Ego) sobre o Outro, fazendo-se como responsabilidade concreta de uns-pelos-outros.
  • FRANCISCO PEREIRA DE SOUSA
  • O DISCURSO DE LEGITIMAÇÃO DO DIREITO E DA POLÍTICA EM HABERMAS
  • Data: 31/03/2011
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  • Habermas compreende o direito como a principal fonte de integracao social e legitimacao politica dos tempos modernos. O consenso ou entendimento intersubjetivo foi entendido, por ele, como o que possibilita a vida democratica em sociedade, sob a mediacao do direito, o agente fundamental na efetuacao e legitimacao das medidas consideradas democraticas. No entanto, apesar de no plano nacional o direito ter possibilitado a formacao de uma consciencia democratica e a defesa dos direitos fundamentais, com a formacao de uma ordem juridica de tendencia cosmopolita, no plano pos-nacional, o mesmo nao e possivel. No plano nacional, o ordenamento juridico fornece a certeza de uma seguranca juridica mantida e defendida pelo Estado – que proporciona o respeito as liberdades fundamentais necessarias a vida democratica. O mesmo nao acontece em nivel internacional. A criacao de um governo cosmopolita, como pretende Habermas, nao tera efetividade na resolucao destas questoes enquanto existirem disparidades e desigualdades tao profundas entre as diferentes unidades nacionais em questao. Apesar da afirmativa habermasiana, o direito e insuficiente para possibilitar a integracao social e a legitimidade democratica no plano internacional. Sua teoria politica – baseada em uma Etica ou Teoria do Discurso, que coloca no centro do processo politico a ideia de consenso ou entendimento entre as partes – nao se aplica a realidade politica mundial atual, onde o poder (e nao o direito) e que impoe ou estabelece as normas, interesses e valores preponderantes.
2010
Descrição
  • HERMANO JOSE FALCONE DE ALMEIDA
  • Data: 06/12/2010

  • JOSE RICARDO BARBOSA DIAS
  • Data: 11/10/2010

  • BENES ALENCAR SALES
  • Data: 15/09/2010

  • ANDERSON DARC FERREIRA
  • Data: 30/07/2010

  • ANTONIO GLAUDENIR BRASIL MAIA
  • A dimensão ética da Ontologia da atualidade de Gianni Vattimo
  • Data: 14/06/2010
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  • A presente tese investiga a dimensão ética como premissa fundamental da ontologia da atualidade de Gianni Vattimo. Defende-se que a Ética constitui a motivação originária de sua produção filosófica e até das ulteriores leituras que Vattimo elabora sobre a política, a estética, a religião, dentre outras temáticas pertinentes a sua reflexão sobre a condição pós-moderna. Assim se objetiva explicitar que o itinerário especulativo de Vattimo, percorrido desde o anúncio do pensiero debole [1983] até o presente, tem a ética como temática recorrente em seus diversos ensaios. Daí se defender que o discurso de Gianni Vattimo se esforça por estabelecer uma estreita implicação entre a instância ética e a crítica à Metafísica, um discurso que recusa, ao lado de Heidegger e também de Nietzsche, a lógica de fundamentação metafísica por razões estritamente éticas. Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica, as obras são escolhidas pela pertinência com a definição das linhas gerais da pesquisa e, de maneira apropriada, atendem ao método de exposição do movimento conceitual que ‘unifica’, diga-se de passagem, grande parte das fontes utilizadas. O aspecto de originalidade da tese foi traçado com base na afirmação da ética como dimensão fundamental da ontologia dell’attualità vattimiana. Essa premissa não foi tematizada suficientemente pela literatura filosófica e, embora se tenha abordado o tema da ética em Vattimo, o discurso se restringiu ao conjunto de obras publicadas, por ele, sobre o assunto. Por isso, a proposta não se limita à análise interpretativa do conjunto de obras que tratam diretamente da problemática da ética. Portanto, a pretensão de Vattimo de uma ontologia da atualidade é essencialmente inspirada no problema ético, pois demonstra, em suas reflexões, um total descontentamento com a situação política, ética, religiosa, estética, social, tornando o motivo ético o único motivo sério para a Filosofia.

  • MARCUS JOSE ALVES DE SOUZA
  • Data: 10/06/2010

  • JOSE ARLINDO DE AGUIAR FILHO
  •  Kant entre Husserl e Heidegger - um argumento contra o continuísmo do Projeto Fenomenológico da Subjetividade.

  • Data: 08/05/2010
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  • A tese procura estabelecer um ponto de apoio para o estudo da subjetividade na obra de Martin Heidegger. Para alcançar este objetivo, traça seu argumento a partir das obras do período entre 1925 e 1930. Os principais textos sobre o assunto são abordados individualmente e indicam uma reapropriação da transcendência e liberdade como centro do que poderia ser o sujeito bem entendido de que Heidegger fala. A caracterização enfrenta, entre outras, a dificuldade de uma proximidade com o projeto fenomenológico de Husserl. Essa dificuldade será articulada em duas versões de um mesmo argumento continuísta. A versão francesa e a versão escandinava. A apresentação das versões e suas principais características e argumentos serão dispostos em busca de um eixo de decibilidade encontrado na influência kantiana. Para superar a dificuldade do continuísmo, o trabalho propõe uma análise da influência da interpretação kantiana no projeto fenomenológico de Heidegger em comparação com o de Husserl. As análises indicam uma incompatibilidade entre a abordagem heideggeriana da subjetividade e a fenomenologia em termos estritamente husserlianos desautorizando assim o argumento continuísta.

  • FELIPE ARRUDA SODRÉ
  • A MATEMÁTICA COMO PROPEDÊUTICA DA “RAZÃO PURA”: Platão e o lugar da Matemática na Crítica da Razão Pura
  • Data: 07/05/2010
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  • A pergunta central dessa tese e: qual o sentido da Matematica na Critica da Razao Pura? Assim, antes de tudo, e preciso deixar claro que na propria pergunta esta implicita a informacao de que esse e um problema de Metafisica que vai ser tratado ao modo kantiano. Nesse contexto, apresentar o sentido propedeutico da Matematica representa o resgate de um tema metafisico que, apesar de presente, parece que permaneceu latente e inexplorado, pelo menos na forma como o apresentamos nessa tese. Assim, no primeiro capitulo, o nosso tema e definido e resgatado a partir de uma breve historia das interpretacoes da filosofia de Kant. Isso, por sua vez, projeta a nossa investigacao no horizonte da tradicao filosofica, conduzindo-nos ate Platao, atraves do neokantismo de Cohen. Contudo, a leitura cientificista de Cohen joga sombra sobre o nosso tema. Por isso, o nosso distanciamento de Cohen permite, ao mesmo tempo, que a nossa investigacao incida diretamente sobre os Dialogos de Platao, especificamente a Republica. O recurso a Platao revela a estrategia argumentativa capaz de subordinar o sentido epistemologico da Matematica ao seu sentido metafisico. Isso determina um modelo interpretativo que  sem comprometer-se com os principios filosoficos de Platao  serve para mostrar, no segundo capitulo, como a Matematica, ao ser submetida ao crivo da filosofia critica, impulsiona a razao na sua totalidade a se reposicionar voltando-se sobre si mesma. O idealismo critico da Matematica descreve o primeiro impulso propedeutico do pensamento em direcao ao interior da razao pura. Portanto, no ultimo capitulo, mostramos como o sentido metafisico da Matematica para Kant nao pode servir como metodo para a Metafisica, mas, ao contrario, determina uma legislacao negativa para a razao pura. Essa e, precisamente, a centralidade da Matematica no Idealismo Transcendental de Kant: a critica da Matematica desencadeia o processo de educacao da razao, regulando o seu uso teorico e esclarecendo o caminho metodologico da propria Filosofia.
  • FELIPE ARRUDA SODRÉ
  • A MATEMÁTICA COMO PROPEDÊUTICA DA “RAZÃO PURA”: Platão e o lugar da Matemática na Crítica da Razão Pura
  • Data: 07/05/2010
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  • A pergunta central dessa tese e: qual o sentido da Matematica na Critica da Razao Pura? Assim, antes de tudo, e preciso deixar claro que na propria pergunta esta implicita a informacao de que esse e um problema de Metafisica que vai ser tratado ao modo kantiano. Nesse contexto, apresentar o sentido propedeutico da Matematica representa o resgate de um tema metafisico que, apesar de presente, parece que permaneceu latente e inexplorado, pelo menos na forma como o apresentamos nessa tese. Assim, no primeiro capitulo, o nosso tema e definido e resgatado a partir de uma breve historia das interpretacoes da filosofia de Kant. Isso, por sua vez, projeta a nossa investigacao no horizonte da tradicao filosofica, conduzindo-nos ate Platao, atraves do neokantismo de Cohen. Contudo, a leitura cientificista de Cohen joga sombra sobre o nosso tema. Por isso, o nosso distanciamento de Cohen permite, ao mesmo tempo, que a nossa investigacao incida diretamente sobre os Dialogos de Platao, especificamente a Republica. O recurso a Platao revela a estrategia argumentativa capaz de subordinar o sentido epistemologico da Matematica ao seu sentido metafisico. Isso determina um modelo interpretativo que  sem comprometer-se com os principios filosoficos de Platao  serve para mostrar, no segundo capitulo, como a Matematica, ao ser submetida ao crivo da filosofia critica, impulsiona a razao na sua totalidade a se reposicionar voltando-se sobre si mesma. O idealismo critico da Matematica descreve o primeiro impulso propedeutico do pensamento em direcao ao interior da razao pura. Portanto, no ultimo capitulo, mostramos como o sentido metafisico da Matematica para Kant nao pode servir como metodo para a Metafisica, mas, ao contrario, determina uma legislacao negativa para a razao pura. Essa e, precisamente, a centralidade da Matematica no Idealismo Transcendental de Kant: a critica da Matematica desencadeia o processo de educacao da razao, regulando o seu uso teorico e esclarecendo o caminho metodologico da propria Filosofia.
  • RODRIGO SILVA ROSAL DE ARAUJO
  • Data: 23/04/2010

  • IRIO VIEIRA COUTINHO ABREU GOMES
  • ANALOGIAS DA EXPERIÊNCIA NA FÍSICA : LIMITES E ALTERNATIVAS.

  • Data: 26/03/2010
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  • ANALOGIAS DA EXPERIÊNCIA NA FÍSICA : LIMITES E ALTERNATIVAS.

  • IRIO VIEIRA COUTINHO ABREU GOMES
  • Data: 26/03/2010

  • ENOQUE FEITOSA SOBREIRA FILHO
  • O Marxismo e o Problema da Escolha Mooral
  • Data: 23/03/2010
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  • Esta tese de doutorado tem como objeto discutir o problema da escolha moral a partir de um exame crítico do marxismo. A originalidade desse sistema de pensamento consistiu em criticar as filosofias meramente especulativas. Esta corrente entende que é impossível compreender os valores morais estabelecidos na sociedade ou o processo de seu estabelecimento, sem, primeiramente, se compreender o ambiente e os conflitos desta mesma sociedade. Assim, não é intenção da tese discutir a moral como um dado ontológico, prefixado e rígido, mas sim situando a moral e aos interesses humanos como dados inseridos na história e não fora dela. Como os fundadores do marxismo assinalaram, se o ser humano é fruto das condições, trata-se, pois de tornar humana essas condições. Palavras-chave: Marxismo. Ética. Filosofia prática. Práxis. Moral.SOBREIRA FILHO, ENOQUE FEITOSA. O MARXISMO E O PROBLEMA DA ESCOLHA MORAL. 2010. 214 p. TESE DE DOUTORADO. PROGRAMA INTERINSTITUCIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA (UFPE / UFPB /UFRN). Esta tese de doutorado tem como objeto discutir o problema da escolha moral a partir de um exame crítico do marxismo. A originalidade desse sistema de pensamento consistiu em criticar as filosofias meramente especulativas. Esta corrente entende que é impossível compreender os valores morais estabelecidos na sociedade ou o processo de seu estabelecimento, sem, primeiramente, se compreender o ambiente e os conflitos desta mesma sociedade. Assim, não é intenção da tese discutir a moral como um dado ontológico, prefixado e rígido, mas sim situando a moral e aos interesses humanos como dados inseridos na história e não fora dela. Como os fundadores do marxismo assinalaram, se o ser humano é fruto das condições, trata-se, pois de tornar humana essas condições.
  • ROMERO JUNIOR VENANCIO SILVA
  • Data: 22/03/2010

2009
Descrição
  • FLAVIANO OLIVEIRA FONSECA
  • Data: 15/10/2009

1900
Descrição
  • EDRISI DE ARAUJO FERNANDES
  • Data: 01/01/1900

  • ENOQUE FEITOSA SOBREIRA FILHO
  • Data: 01/01/1900

  • LUCAS DA SILVA CASTRO
  • Data: 01/01/1900

  • TULIO SALES LIMA
  • Data: 01/01/1900