PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS (PPGL)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: AMANDA PINTO DA SILVA CANDIDO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: AMANDA PINTO DA SILVA CANDIDO
DATA: 28/01/2026
HORA: 10:00
LOCAL: videoconferência
TÍTULO: O tempo na cena literária negro-brasileira contemporânea
PALAVRAS-CHAVES: literatura negro-brasileira contemporânea; temporalidades insurgentes; fabulação crítica; ficção especulativa; metaficção historiográfica.
RESUMO: O devir negro na literatura brasileira contemporânea ginga a partir de uma “consciência dupla” (Martins, 1997), constituindo um movimento que, ao contestar os parâmetros tradicionais da literatura canônica, simultaneamente produz inscrições estéticas, cosmológicas e políticas que inauguram outros modos do fazer literário. Entre os diversos elementos tensionados na cena literária negro-brasileira contemporânea, destaco a categoria do tempo, compreendida não apenas como estrutura narrativa, mas também como dispositivo “linear moderno-colonial” (Denise Ferreira, 2014) de controle e apagamento das temporalidades e memórias negro-brasileiras na literatura, na história e na crítica literária. Além de desvelar esse mecanismo temporal de poder, a ginga dupla do devir negro reelabora o tempo e a memória negro-diaspórica por meio de inscrições estéticas outras que demandam leituras críticas que ultrapassem as fronteiras da teoria literária tradicional. Dessa forma, proponho investigar como as narrativas Nada digo de ti, que em ti não veja (2020), de Eliana Alves Cruz, e O céu entre mundos (2024), de Sandra Menezes, mobilizam a categoria do tempo como recurso literário e político que desafia as estruturas coloniais e reimagina a existência negra em outras temporalidades. A análise se desenvolve por meio de uma leitura crítica e comparativa das obras, atenta aos modos como a linguagem, a voz narrativa e as corporeidades inscrevem diferentes experiências temporais. Para tanto, percebo e analiso três mobilizações do tempo: (1) a reinscrição do passado, em Cruz (2020), por meio da fabulação crítica (Hartman, 2008), que confronta as lacunas dos registros históricos e reelabora criticamente o passado negro-diaspórico. Esse gesto suplementa a História Social da Escravidão pela literatura, conforme discute Fabiana Carneiro (2019), aproximando-se, mas não se restringindo, ao conceito de metaficção historiográfica, formulado por Hutcheon (1991); (2) a reimaginação do futuro em Menezes (2021), pela ficção especulativa (Freitas, 2019), que fabula temporalidades emancipadas da “gramática racial” (Denise Ferreira, 2014) e propõe imaginários antirracistas (Mombaça, 2020); (3) a performatividade do tempo, em ambas as obras, encarnada nas personagens Vitória e Kalima, cujos corpos e narrativas encenam cosmopercepções negro-diaspóricas e performatizam o tempo como dimensão viva, ancestral e insurgente, desdobrando-o de modo espiralar (Martins, 1997). Assim, as demandas literárias e políticas do presente instauram, na literatura negro-brasileira contemporânea, uma confluência entre tempos e uma radicalização do imaginário, que vislumbra a possibilidade de existência negra em temporalidades que escapem das violências raciais, oferecendo à crítica literária outras epistemologias.
MEMBROS DA BANCA:
Externo(a) à Instituição - ASSUNÇÃO DE MARIA SOUSA E SILVA
Presidente(a) - 1067096 - FABIANA CARNEIRO DA SILVA
Externo(a) ao Programa - 1384268 - SILVANNA KELLY GOMES DE OLIVEIRA