PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS (PPGL)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: NIVIA MARIA ALVES FRANCELINO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: NIVIA MARIA ALVES FRANCELINO
DATA: 27/02/2026
HORA: 16:00
LOCAL: Videoconferência
TÍTULO: LINGUAGEM TOTALITÁRIA ENTRE TESTEMUNHO E FICÇÃO: Um diálogo filosófico-literário entre Semprún e Vargas Llosa
PALAVRAS-CHAVES: Totalitarismo e Linguagem; Jorge Semprún; Vargas Llosa.
RESUMO: Esta dissertação analisa as relações entre linguagem e totalitarismo a partir de uma abordagem filosófico-literária comparativa, tomando como objeto de análise as obras La Fiesta del Chivo (2000), de Mario Vargas Llosa, e os textos testemunhais de Jorge Semprún em La Escritura o La Vida (1995). O primeiro capítulo se fundamenta nas reflexões éticas e filosóficas em O Homem Revoltado de Albert Camus (2020[1995]), que nos permite problematizar as respostas humanas à opressão, bem como os limites entre revolta, violência e resistência diante do poder, que contribui para uma leitura crítica do totalitarismo. É nesse ponto que no capítulo seguinte dialogamos com Hannah Arendt em Origens do Totalitarismo (1989) e Jacques Derrida em A Escritura e a Diferença (1995). Enquanto Arendt evidencia o totalitarismo como mecanismos políticos e morais da banalização do mal, Derrida nos permite pensar a linguagem como o espaço onde determinados dogmas de poder se fixam e se reproduzem e como discursos de poder se sustentam sobre a ilusão de sentidos estáveis e dogmáticos. Ao problematizar o logocentrismo e a metafísica da presença, Derrida mostra que a linguagem nunca é neutra, mas funciona como um espaço de disputa simbólica e pode ser instrumentalizada ideologicamente. Ao pensarmos esses aspectos ideológicos, as contribuições de Victor Klemperer, em LTI-A linguagem do Terceiro Reich (2009), de George Orwell (1984) e de Jean-Pierre Faye (2009) nos permitem compreender os mecanismos de manipulação da verdade, do pensamento e, até mesmo, da memória. Nessa mesma perspectiva, o diálogo com Alain Badiou (2009 [1937]), ao tratar da Fundação do Universalismo a partir da figura de Paulo, nos possibilita pensar a ruptura com discursos totalizantes e a emergência de uma ética que se opõe à lógica da exclusão. Ao colocarmos em tensão as “linguagens totalitárias" e a ideia de um discurso universal não identitário, preparamos o terreno para analisar as obras literárias como espaços de resistência simbólica, nos quais ficção, verdade e testemunho se articulam como resposta moral à violência do poder. Dessa forma, a pesquisa propõe compreender como a linguagem literária, filosófica e, em certos momentos teológica, reage ao trauma e à opressão política e social. Essas formulações teóricas encontram um campo privilegiado para análise das obras de Mario Vargas Llosa e Jorge Semprún no último capítulo. Em La fiesta del Chivo, observamos como o poder se constrói e se mantém por meio de discursos que naturalizam a violência, produzem medo e uma lógica de obediência. A linguagem, nesse contexto, funciona como instrumento de dominação simbólica. Já em Jorge Semprún, o testemunho opera em sentido inverso, sua escrita desestabiliza a narrativa totalitária ao expor a crise da memória e os limites da linguagem diante do trauma. Ao colocarmos lado a lado esses dois movimentos , enxergamos a linguagem como instrumento do poder e a linguagem como espaço de resistência, nesse sentido a pesquisa remete a análise das linguagens totalitárias ao campo literário, mostrando como a ficção e o testemunho ao revelar a linguagem como um campo de disputa ética e política no enfrentamento da violência.
MEMBROS DA BANCA:
Externo(a) à Instituição - FRANCISCO RENATO DE SOUSA
Interno(a) - 1809459 - LUCIANE ALVES SANTOS
Presidente(a) - 2307716 - MARIA DEL PILAR ROCA ESCALANTE