PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS (PPGL)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: CARINA TARGINO GOMES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: CARINA TARGINO GOMES
DATA: 10/04/2026
HORA: 09:30
LOCAL: videoconferência
TÍTULO: ENTRE O SAGRADO E O CORPO: RELIGIOSIDADE, SERTANIDADES E VIOLÊNCIAS DE GÊNERO NA LITERATURA DE JARID ARRAES
PALAVRAS-CHAVES: Decolonialidade; Jarid Arraes; Literatura; Religiosidade; Sertanidades.
RESUMO: Nas vivências sertanejas, entre ditos e não ditos, a religiosidade configura-se como uma estrutura simbólica e institucional que atua na organização das relações sociais e, muitas vezes, na manutenção das violências de gênero. A reflexão de Aníbal Quijano acerca da colonialidade do poder permite compreender como padrões sociais instituídos no período colonial continuam estruturando as hierarquias da modernidade. No contexto das sertanidades nordestinas, essas heranças coloniais encontraram na religiosidade cristã um importante suporte simbólico, contribuindo para a normatização dos corpos femininos e para a naturalização de práticas de submissão e violência, como problematiza María Lugones (2019) ao propor a categoria sistema moderno-colonial de gênero. No cenário contemporâneo, a literatura brasileira tem sido marcada pela emergência de escritoras que tensionam essas estruturas ao trazer à tona a multiplicidade das experiências femininas. Entre elas, destaca-se Jarid Arraes, escritora nordestina do Cariri cearense, cujas narrativas apresentam personagens femininas inseridas em contextos sertanejos atravessados pela religiosidade, especialmente na cidade de Juazeiro do Norte- CE, cenário recorrente de suas obras. Ancorada em um referencial teórico feminista e decolonial, mobilizando contribuições de Aníbal Quijano (2019), Nísia Trindade Lima (2013), Ana Maria Veiga (2022), Vamireh Chacon (1990), Regina Dalcastagnè (2012), Lugones (2019), Débora Diniz e Ivone Gebara (2022) e Elódia Xavier (2021), esta pesquisa tem como objetivo analisar as obras Redemoinho em dia quente (2019) e Corpo desfeito (2022) a partir da representação da religiosidade como mecanismo de manutenção das violências de gênero. Como resultado, observa-se que a religiosidade, ao legitimar práticas de controle, silenciamento e disciplinamento dos corpos femininos, opera como estrutura simbólica que contribui para a naturalização e reprodução dessas violências, ao mesmo tempo em que as narrativas de Arraes evidenciam tensões e contradições por onde emergem experiências de resistência feminina no interior das sertanidades.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 1281549 - JOSE VERANILDO LOPES DA COSTA JUNIOR
Externo(a) à Instituição - JOSE VILIAN MANGUEIRA
Interno(a) - 2301171 - LUCIANA ELEONORA DE FREITAS CALADO DEPLAGNE