PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS (PPGL)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: YAGO VIEGAS DA SILVA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: YAGO VIEGAS DA SILVA
DATA: 27/03/2026
HORA: 15:00
LOCAL: Videoconferência
TÍTULO: Poéticas performáticas do corpo e da voz em Elisa Lucinda e Lívia Natália: diálogos, cruzamentos, (re)existências
PALAVRAS-CHAVES: Poesia de autoria feminina; Performance; Corpo-voz; Elisa Lucinda; Lívia Natália
RESUMO: A poesia, enquanto forma de elaboração simbólica da experiência humana, foi historicamente atravessada por relações de poder que restringiram a expressão de determinados sujeitos, sobretudo mulheres e pessoas negras. Nesse contexto, e em contraposição a essa tradição excludente, a literatura lírica contemporânea evidencia a emergência de vozes marginalizadas, com destaque para a poesia de autoria negra feminina, a qual reconfigura as formas de representação do sujeito, do corpo e da linguagem. Assim, esta pesquisa tem como objetivo analisar as poéticas de Elisa Lucinda e Lívia Natália, privilegiando, sobretudo, as manifestações do corpo e da voz a partir da noção de performance. Desse modo, busca-se compreender como essas autoras constroem uma poética do corpo-voz que, para além da dimensão escrita, se inscreve como gesto, presença e enunciação, configurando-se, portanto, como prática, simultaneamente, estética e política. Nessa perspectiva, a performance é entendida como um dispositivo de reinscrição simbólica, por meio do qual o corpo negro feminino deixa de ocupar o lugar de objeto e passa a afirmar-se como sujeito de sua própria narrativa. Consequentemente, a hipótese que orienta esta pesquisa sustenta que a performance do corpo e da voz atua como estratégia de resistência e reconstrução simbólica. Além disso, ao mobilizarem elementos como oralidade, ritmo, memória e ancestralidade, tais poéticas instauram um espaço em que experiências historicamente silenciadas passam a adquirir visibilidade e centralidade discursiva. Dessa forma, esse movimento não apenas denuncia violências estruturais, mas também afirma identidades e subjetividades dissidentes, desestabilizando estereótipos consolidados pelo racismo e pelo patriarcado. Nesse sentido, observa-se que, na obra de Elisa Lucinda, a voz poética se manifesta performativamente ao articular denúncia e memória coletiva; enquanto, em Lívia Natália, a escrita incorpora referências afro-religiosas, nas quais o corpo se configura como território de identidade e ancestralidade. Por fim, conclui-se que ambas as autoras elaboram uma poética performativa em que corpo e voz se constituem como espaços de criação, resistência e reinvenção, contribuindo, assim, para a ampliação do cânone literário e para a valorização de perspectivas historicamente marginalizadas. Por fim, em diálogo com referenciais teóricos diversos, nossa pesquisa se ampara nas reflexões de Lorde (2021), Dussel (2016), Saffioti (2019), Bataille (2021), hooks (2010, Martins (2021), Carneiro (2019), Evaristo (2005), entre outros.
MEMBROS DA BANCA:
Interno(a) - 1410297 - AMANDA RAMALHO DE FREITAS BRITO
Interno(a) - 1532557 - DANIELLE DE LUNA E SILVA
Presidente(a) - 2641290 - MOAMA LORENA DE LACERDA MARQUES
Externo(a) à Instituição - RAÍRA COSTA MAIA DE VASCONCELOS