PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS (PPGL)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: ANIELY WALESCA OLIVEIRA SANTIAGO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ANIELY WALESCA OLIVEIRA SANTIAGO
DATA: 26/08/2026
HORA: 09:30
LOCAL: videoconferência
TÍTULO: O EJO COMO OPERADOR CONCEITUAL NA OBRA DE BEATA UMUBYEYI MAIRESSE
PALAVRAS-CHAVES: Ejo; Epistemologia diaspórica feminista; Diáspora; Memória; Temporalidade.
PÁGINAS: 105
RESUMO: Partindo da compreensão da literatura como uma força epistêmica capaz de produzir conhecimento e formular novas formas de existência, esta tese tem como objetivo desenvolver o conceito de Ejo a partir da obra Ejo e outros contos (2021), da escritora franco-ruandesa Beata Umubyeyi Mairesse. Em kinyarwanda, língua nacional da Ruanda, a palavra ejo designa simultaneamente duas temporalidades — o ontem e o amanh㠗, condensando uma concepção de tempo que rompe com a linearidade ocidental e evidencia a interdependência entre memória, experiência e devir. Tomando esse princípio como eixo analítico, a pesquisa propõe Ejo como um operador conceitual capaz de articular as noções de corpo-território, corpo-arquivo, trauma, tempo espiralar e escrevivência, configurando uma forma particular de conhecer, narrar e reconstruir o mundo após o genocídio contra os tutsis em Ruanda e a experiência diaspórica. Nessa perspectiva, o passado não é concebido como uma dimensão encerrada, nem o futuro como uma realidade desvinculada da experiência vivida. Ambos se constituem em um movimento contínuo e relacional, no qual o ontem permanece ativo no presente e condiciona as possibilidades do amanhã. Assim, Ejo expressa uma temporalidade circular em que memória, experiência e futuro se entrelaçam como elementos constitutivos dos processos de reconstrução individual e coletiva. De natureza bibliográfica, analítica, empírica (de campo) e interpretativa, a pesquisa fundamenta-se na análise das obras Ejo e outros contos (2021) e Tous tes enfants dispersés (2019), buscando compreender como Beata Umubyeyi Mairesse elabora uma concepção de tempo, memória e reconstrução que desafia perspectivas lineares, eurocêntricas e patriarcais. A investigação demonstra que sua escrita produz uma epistemologia diaspórica e feminista da reconstrução, na qual memória, trauma e futuro constituem dimensões legítimas de produção do conhecimento e de elaboração de outras formas de existência. Ao propor Ejo como categoria teórico-literária, esta tese evidencia que o conceito desloca paradigmas eurocêntricos do saber e do ser, ao reconhecer as experiências das mulheres ruandesas como produtoras de conhecimento. A análise das obras revela que Ejo articula diáspora, ancestralidade, trauma, memória e futuros possíveis, constituindo-se como uma categoria analítica capaz de pensar os processos de reconstrução de si, do outro e da coletividade. A fundamentação teórica estabelece diálogo com Leda Maria Martins (2021), Grada Kilomba (2019), Conceição Evaristo (2021), Frantz Fanon (2008), Édouard Glissant (2005), Jean-Pierre Chrétien e Marcel Kabanda (2016), Hélène Dumas (2024), Vincent Duclert (2025), Nkiru Nzegwu (2004), Amina Mama (2024), Chimamanda Ngozi Adichie (2019), Paul Gilroy (2001), Stuart Hall (2003), Antônio Bispo (2023), Beatriz Nascimento (2006); Alexis Kagame (1955), entre outro (a)s.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 2301171 - LUCIANA ELEONORA DE FREITAS CALADO DEPLAGNE
Externo(a) à Instituição - SIMONE PEREIRA SCHMIDT
Externo(a) à Instituição - STENIO JOSE PAULINO SOARES