PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS (PPGL)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
- Telefone/Ramal
-
(83) 3216-7289
Notícias
Banca de DEFESA: ELLEN DINIZ SILVA
Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ELLEN DINIZ SILVA
DATA: 29/09/2026
HORA: 14:00
LOCAL: videoconferência
TÍTULO: O TRABALHO REPRODUTIVO E
DOMÉSTICO EM SOLITÁRIA, DE ELIANA ALVES CRUZ E NO FILME QUE
HORAS ELA VOLTA?: UMA ANÁLISE FEMINISTA E DECOLONIAL
PALAVRAS-CHAVES: Trabalho reprodutivo. Trabalho doméstico. Quartinho de empregada.
PÁGINAS: 82
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
RESUMO: Eliana Alves Cruz nasceu no Rio de Janeiro, em 1965, e sua obra tem conquistado
destaque na literatura brasileira contemporânea por abordar temas como racismo,
discriminação, maternidade e colonização. O objetivo geral desta dissertação é analisar
as relações de poder no contexto do trabalho reprodutivo e doméstico no romance
Solitária (2022), de Eliana Alves Cruz, e na narrativa fílmica Que horas ela volta?
(2015), dirigida por Anna Muylaert. Os objetivos específicos concentram-se em analisar
de que modo a divisão espacial nessas narrativas contribui para o silenciamento, a
exclusão e a discriminação das personagens, bem como compreender as relações de
classe, raça e gênero que atravessam as experiências das trabalhadoras domésticas e as
estratégias de resistência construídas diante dessas hierarquias. A pesquisa desenvolve
uma análise comparativa das duas narrativas, considerando especialmente a
representação dos espaços domésticos, as relações entre patroas e empregadas e as
trajetórias das trabalhadoras e de suas filhas. Esta dissertação fundamenta-se nas
contribuições de Quijano (2005), Kilomba (2019), Vergès (2020), Rara (2019), Bento
(2022), Gonzalez (2020), Teixeira (2021) e Nascimento (2019), recorrendo
principalmente às discussões sobre colonialidade, relações raciais, trabalho doméstico e
reprodutivo e experiências de mulheres negras. Os resultados demonstram que os
espaços representados nas narrativas funcionam como elementos simbólicos de demarcação das diferenças de classe, raça e gênero, evidenciando que os ambientes de
conforto, lazer e prestígio são destinados prioritariamente aos patrões, enquanto às
trabalhadoras são reservados lugares reduzidos e afastados das áreas de convivência.
Nesse contexto, o quartinho de empregada constitui um dos principais símbolos da
permanência de estruturas históricas de segregação, invisibilidade e subalternização no
trabalho doméstico. A análise também evidencia que as exigências desse trabalho
interferem nas experiências de maternidade e nas relações entre mães e filhas, como
ocorre nas trajetórias de Eunice e Mabel, em Solitária, e de Val e Jéssica, em Que horas
ela volta?. Contudo, as personagens não permanecem restritas a posições de
passividade, pois desenvolvem formas de resistência diante das hierarquias impostas,
questionam os lugares que lhes são socialmente destinados e constroem possibilidades
de ruptura com o trabalho doméstico e com ciclos históricos de desigualdade. Como
conclusão, percebemos que tanto o romance quanto o filme problematizam a
permanência de relações de poder no espaço doméstico e, simultaneamente, sinalizam
as possibilidades de resistência e transformação construídas pelas trabalhadoras e por
suas filhas.
MEMBROS DA BANCA:
Externo(a) à Instituição - ISABELA CRISTINA TAVARES DA SILVA
Presidente(a) - 1281549 - JOSE VERANILDO LOPES DA COSTA JUNIOR
Interno(a) - 2641290 - MOAMA LORENA DE LACERDA MARQUES