PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS (PPGL)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: BIANCA BARROS VIANA MENEZES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: BIANCA BARROS VIANA MENEZES
DATA: 28/10/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Videoconferência
TÍTULO: CONCHAS QUE GUARDAM O TEMPO: A CONSTRUÇÃO DE INFÂNCIAS DE MENINAS NEGRAS NO PROJETO ESTÉTICO DE TAYLANE CRUZ
PALAVRAS-CHAVES: Literatura afro-brasileira; Infâncias de meninas negras; Memória espiralar; Corpo-território; Taylane Cruz.
PÁGINAS: 111
RESUMO: O presente trabalho investiga a construção das infâncias de meninas negras na produção literária de Taylane Cruz, com ênfase na obra "As conchas não falam" (2024), a partir do estudo das relações entre corpo, memória, território e ancestralidade. Por meio de uma abordagem bibliográfica e interpretativa, a pesquisa examina o projeto estético da autora, considerando contos das obras "Aula de dança e outros contos" (2015), "A pele das coisas" (2018), "O sol dos dias" (2020) e "As conchas não falam" (2024). Nesse percurso, discutimos aspectos que marcam sua escrita, como a escrevivência, a oralidade, a afetividade e a articulação entre narrativas que constituem uma espécie de quilombo narrativo. A análise dialoga com as epistemologias negras formuladas por intelectuais como Conceição Evaristo (2009), Grada Kilomba (2019), Renato Noguera (2019), Beatriz Nascimento (2021) e Leda Maria Martins (2021). Em seguida, analisamos a constituição da categoria “corpo-território” a partir do estudo dos contos “Feira de bonecas” e “Como num céu estrelado”, presentes na obra "As conchas não falam", observando como os corpos das meninas, personagens dos contos analisados, são atravessados pelos espaços, pelas memórias e pelas relações com o mundo vivo. Essa perspectiva evidencia formas de pertencimento que confrontam a fragmentação colonial entre corpo-território, ao mesmo tempo em que expõe as violências raciais, sexuais e sociais que procuram interromper essas subjetividades. O estudo também investiga a organização espiralar do tempo, especialmente nas relações estabelecidas entre os contos “Feira de bonecas”, “A noite”, “Quando levaram o tio” e “Irmãs”, também presentes em As conchas não falam (2024). Fundamentada nas reflexões de Leda Maria Martins (2021) e Alexis Kagame (1975), a análise demonstra que o passado não se encerra no momento vivido, mas retorna, transforma-se e adquire novos sentidos por meio da memória corporal, da ancestralidade e da palavra compartilhada. Nesse movimento, a escrita de Taylane Cruz recusa a espetacularização da violência e constrói uma ferocidade poética (Silva, 2018) capaz de implicar eticamente o leitor e a leitora sem reduzir as personagens às violações sofridas. Conclui-se, portanto, que a literatura de Cruz se constitui como território de resistência e continuidade, no qual as infâncias de meninas negras afirmam sua potência imaginativa, preservam suas memórias e reinscrevem suas possibilidades de existência.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 3121212 - FRANCIANE CONCEICAO DA SILVA
Interno(a) - 1067096 - FABIANA CARNEIRO DA SILVA
Externo(a) ao Programa - 1384268 - SILVANNA KELLY GOMES DE OLIVEIRA