PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS (PPGL)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: GABRIELLA LIMA LOPES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: GABRIELLA LIMA LOPES
DATA: 09/12/2025
HORA: 14:00
LOCAL: videoconferência
TÍTULO: Dissolução Subjetiva e Ambiguidade do Real: A Construção do Narrador em Fronteira, de Cornélio Penna
PALAVRAS-CHAVES: Cornélio Penna; Fronteira; narrador; ambiguidade
RESUMO: Esta pesquisa de dissertação tem como objetivo analisar o romance Fronteira (1935), de Cornélio Penna, a partir da construção do narrador em primeira pessoa, cuja instabilidade perceptiva molda a estrutura da narrativa. A investigação parte da hipótese de que o narrador, marcado por uma consciência fragmentada e por um olhar que oscila entre realidade e imaginação, constitui o principal vetor de ambiguidade do texto. Ao problematizar a confiabilidade dessa voz, o estudo propõe compreender de que modo a dissolução da subjetividade opera como princípio estético e como expressão de uma crise mais ampla do sujeito moderno. Do ponto de vista teórico, a análise fundamenta-se nas reflexões sobre o narrador e o foco narrativo desenvolvidas por Wayne C. Booth (1980) e Norman Friedman (2002), articuladas às formulações de Theodor W. Adorno (2003) e Walter Benjamin (1994) acerca da crise da experiência e da impossibilidade de narrar no romance moderno. O diálogo com as perspectivas de Sigmund Freud (1919) e Jacques Lacan (1946) permite explorar as nuances do inconsciente, enquanto autores como Tzvetan Todorov (1970), Rosalba Campra (2016), David Roas (2013), Remo Ceserani (2006) e Fred Botting (2024), contribuem para a leitura do insólito como efeito de estranhamento e de ambiguidade. A partir dessa articulação, busca-se demonstrar que a voz narrativa em Fronteira ultrapassa o plano descritivo, instaurando uma experiência de leitura pautada pela dúvida. A escolha por Fronteira justifica-se pela singularidade de Cornélio Penna no contexto da literatura brasileira da década de 1930, período dominado por tendências realistas e engajadas. Em contraste com o romance social, Penna elabora uma narrativa introspectiva, reconhecida por atmosferas pesadas e decadência moral. Sua escrita desvia-se da objetividade e privilegia o indeterminado, aproximando-se das estéticas do fantástico e do gótico. Nesse sentido, a presente pesquisa pretende contribuir para o resgate crítico da obra corneliana, evidenciando sua relevância no panorama do modernismo brasileiro e sua atualidade na problematização das fronteiras entre o real e o imaginário.
MEMBROS DA BANCA:
Externo(a) à Instituição - CAROLINA DE AQUINO GOMES
Externo(a) à Instituição - JOSALBA FABIANA DOS SANTOS
Presidente(a) - 1809459 - LUCIANE ALVES SANTOS