PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS (PPGL)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Notícias
Banca de DEFESA: SOFIA FIDELIS DE LISBOA
Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: SOFIA FIDELIS DE LISBOA
DATA: 31/08/2026
HORA: 14:30
LOCAL: videoconferência
TÍTULO: ENTRE FRAGMENTAÇÃO E
RESISTÊNCIA: UMA ANÁLISE DA CATEGORIA CORPO FRANTUMAGLIA
NA OBRA DIAS DE ABANDONO, DE ELENA FERRANTE
PALAVRAS-CHAVES: Corpo Frantumaglia; Elena Ferrante; Fragmentação; Literatura
Italiana; Smarginatura
PÁGINAS: 120
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
RESUMO: Esta dissertação analisa a representação do corpo feminino em Dias de
Abandono (2016), de Elena Ferrante, a partir da experiência de abandono amoroso
vivenciada pela protagonista Olga. O estudo tem como objetivo compreender de que
maneira corpo e a subjetividade se articulam no processo de fragmentação e posterior
reconstrução da personagem, propondo, para isso, a categoria analítica corpo
frantumaglia. Iniciamos a pesquisa mapeando da história da Elena Ferrante até como
sua literatura se encaixa em uma tradição de autoria feminina. A partir disto, a pesquisa
parte da compreensão do corpo como construção histórica, social e cultural,
considerando as relações de poder e suas constituições e representações. Para tanto,
utilizamos teorias feministas de Teresa de Lauretis (1987); Judith Butler (2025); Carla
Lonzi (2025), Silvia Federici (2023); Rosi Braidotti (2025) para desenvolver as noções
de gênero e a subjetividade feminina, articulado às discussões sobre corpo
desenvolvidas por David Le Breton (2007), Georges Vigarello (2016), Alain Corbin
(2008), além da diferenciação entre corpo, corporalidade, corporeidade de Vagner
Vargas (2024) e a tipologia dos corpos femininos de Elódia Xavier (2021). No campo
específico da produção ferrantiana, utilizamos os conceitos de frantumaglia e
smarginatura, conceituado pela própria autora, para compreender os estados de
desagregação, instabilidade e dissolução das fronteiras subjetivas experimentados pela protagonista. A análise interpreta como o abandono por parte do marido representa uma
ruptura afetiva que desencadeia uma crise identitária transmitida para o corpo, a
subjetividade, a linguagem, a memória e a percepção de si. Nesse processo, Olga
vivencia uma condição de (auto)ausência, na qual seu corpo se torna espaço de
estranhamento, estilhaços e confronto com as expectativas patriarcais relacionadas à
mulher, como o casamento, à maternidade e o papel social que deve exercer na
sociedade. O resultado da pesquisa mostra que o corpo frantumaglia não permanece
restrito à condição de colapso, sua fragmentação constitui também uma possibilidade de
transformação e redescoberta de si. Por meio do confronto, se olhar no espelho, com a
memória, Olga passa a reconhecer-se para além da identidade construída a partir do
outro masculino. Ao final da narrativa, o corpo frantumaglia transforma-se em corpo
resistente, marcado pela retomada da própria subjetividade e identidade e pela
possibilidade de reconstruir sua relação consigo mesma. Conclui-se, que Elena Ferrante
buscou representar o corpo feminino como território de vulnerabilidade, fragmentação,
experiência e resistência, permitindo compreender a multiplicidade para a reconstrução
da identidade feminina.
MEMBROS DA BANCA:
Externo(a) à Instituição - KARINE SIMONI
Presidente(a) - 2301171 - LUCIANA ELEONORA DE FREITAS CALADO DEPLAGNE
Interno(a) - 2641290 - MOAMA LORENA DE LACERDA MARQUES