PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO (PPGC)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de DEFESA: DAVI HENRIQUE SOARES BATISTA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: DAVI HENRIQUE SOARES BATISTA
DATA: 25/08/2026
HORA: 14:00
LOCAL: https://meet.google.com/vpf-ydqn-msf
TÍTULO: Práticas comunicacionais mediadas por afecções no cotidiano de trabalho de servidores LGBTQIAPN+ da UFPB
PALAVRAS-CHAVES: comunicação organizacional; relações de trabalho; afecções; LGBTQIAPN+; universidade pública.
PÁGINAS: 101
GRANDE ÁREA: Ciências Sociais Aplicadas
ÁREA: Comunicação
RESUMO: O trabalho constitui espaço central de socialização, produção de sentidos e reconhecimento, mas também de desigualdades que atravessam de forma contínua os corpos de trabalhadores LGBTQIAPN+. Nesse contexto, a comunicação organizacional, compreendida como processo relacional de construção e disputa de sentidos, participa ativamente da produção de ambientes de trabalho mais ou menos inclusivos, seguros ou hostis. Diante disso, esta dissertação tem como objetivo geral compreender como práticas comunicacionais, mediadas por relações de afecções, agem no cotidiano de trabalho de servidores LGBTQIAPN+ da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Especificamente, busca-se: (a) analisar como a diversidade de sexualidade e de gênero para servidores é abordada nas práticas comunicacionais da UFPB, a partir do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2024-2028 e das publicações veiculadas em seu site no ano de 2025; (b) avaliar a percepção dos servidores LGBTQIAPN+ sobre essas práticas; e (c) explorar as dinâmicas das relações de afecções desses servidores no espaço de trabalho. O estudo fundamenta-se na articulação entre comunicação organizacional (Baldissera, 2004; Scroferneker, 2006; Wolton, 2004), estudos organizacionais (Enriquez, 1997; Morgan, 2002), relações de trabalho (Cardoso, 2019; Figaro, 2018; Rebechi; Figaro, 2013) teoria das afecções (Colpo, 2024; Lordon, 2015; Spinoza, 2009), relações de poder (Butler, 2017; Foucault, 1979), e estudos sobre gestão da diversidade (Alves; Galeão-Silva, 2004; Ferrari, 2021; Ferrari; Cabral, 2020; Fleury, 2000; Mendes, 2022) e vivências LGBTQIAPN+ no trabalho (Braga-de-Oliveira, 2024; Juliani, 2017; Silva et al., 2021; Zanin; Ferreira; Ribeiro, 2019). Trata-se de pesquisa qualitativa, de caráter interpretativo, cujos procedimentos metodológicos compreendem revisão narrativa da literatura, pesquisa documental e entrevistas em profundidade com sete servidores LGBTQIAPN+ dos quatro campi da universidade, com dados analisados à luz da análise do discurso de Maingueneau (2001, 2015). Os resultados evidenciam que a diversidade sexual e de gênero ocupa, no discurso institucional da UFPB, o lugar do não dito. A comunidade LGBTQIAPN+ não é nomeada uma única vez nas 239 páginas do PDI, que constrói um ethos humanista-universalista, cuja generalidade dispensa o reconhecimento de sujeitos específicos, em contraste com outros marcadores identitários nomeados e institucionalizados. No site institucional, as ações relacionadas à pauta partem de agentes periféricos, como grupos de pesquisa, coletivos e projetos de extensão, concentram-se no campus João Pessoa e dirigem-se majoritariamente aos estudantes, constituindo o servidor LGBTQIAPN+ como sujeito ausente das cenas enunciativas. As entrevistas confirmam a percepção desse silenciamento e revelam um cotidiano atravessado por variações desiguais da potência de agir, no qual a estabilidade do vínculo público e a titulação acadêmica operam como afecções que ampliam a potência, enquanto o medo organiza estratégias de gestão da visibilidade, e o preconceito, predominantemente velado, produz prejuízos materiais e simbólicos, num reconhecimento condicional e oneroso sustentado pelos próprios sujeitos. Conclui-se que as práticas comunicacionais da UFPB agem sobre o cotidiano de trabalho desses servidores sobretudo pelo que silenciam, evidenciando que a inclusão não se realiza no plano da retórica universalista e que a nomeação explícita constitui condição para o reconhecimento efetivo.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 1533170 - CAROLINE DELEVATI COLPO
Externo(a) à Instituição - CLEUSA MARIA ANDRADE SCROFERNEKER
Externo(a) à Instituição - FELIPE VIERO KOLINSKI MACHADO MENDONÇA