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GEISSY DOS REIS FERREIRA DE OLIVEIRA
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Uma compreensão antropológica das sequelas da Covid-19: etnografando experiências
de adoecimento de mulheres usuárias de uma USF em João Pessoa
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Orientador : MONICA LOURDES FRANCH GUTIERREZ
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Data: 28/04/2026
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Hora: 08:00
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O que são as sequelas da Covid-19, se optamos por compreendê-las
antropologicamente, a partir de experiências de adoecimento vivenciadas por mulheres,
com atenção aos impactos gerados? Esta é a problemática central desta tese. No marco
da persistência da Covid-19, esta pesquisa de doutoramento é orientada, portanto, à
compreensão das experiências de adoecimento de mulheres com sequelas da Covid, a
partir de um serviço de saúde da Atenção Primária à Saúde (APS). Condição de
adoecimento, ainda sem um diagnóstico objetivo, que também é narrada e significada
pelas interlocutoras como a vivência de uma corporalidade e saúde outras depois da
Covid-19. Esta etnografia, inserida no bojo da Antropologia da Saúde, foi realizada no
bairro das Indústrias, cidade de João Pessoa/PB, entre o ano de 2023 e 2024, com
mulheres, moradoras deste território, e usuárias da Unidade de Saúde da Família
Integrada Verde Vida. Nos consultórios, acompanhando consultas domiciliares, nas
visitas com Agentes Comunitárias(os) de Saúde (ACSs), e em entrevistas, apareceram
nas narrativas uma série de sintomas, e em diversos momentos, expressões como não
sou mais a mesma, deixei de fazer o que fazia antes, depois da Covid mudou muita
coisa e perdi minha saúde, além de sequelas como formas de narrar essa doença
comprida pelas interlocutoras. Impactos relativos à saúde, mas também à condição
socioeconômica estiveram presentes nas narrativas das interlocutoras. Com este
trabalho, questões como experiências com a doença, narrativas, temporalidades,
repertórios visuais da Covid-19 e conformação da enfermidade, são refletidos no marco
das sequelas da Covid-19, a partir de uma mirada interseccional, desde a pesquisa
etnográfica a partir do referido serviço de saúde. Adoecimento que também é narrado
em outros âmbitos como Covid longa e condição Pós-Covid. Experiências com as
sequelas, no sentido de impacto e persistência da Covid-19, que, ao serem abordadas
qualitativa e empiricamente tanto nos permitem uma compreensão contextual e
corporificada de impactos da Covid-19, como dos próprios contextos e expertises
locais, ambos atravessados por marcadores sociais, com destaque neste trabalho para o
gênero.
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ISADORA SIPP VALLE
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O cuidado sociomédico e a coprodução da deficiência: uma etnografia de um setor de
habilitação/reabilitação
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Orientador : PEDRO FRANCISCO GUEDES DO NASCIMENTO
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Data: 02/03/2026
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Hora: 14:00
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Essa pesquisa tem como objetivo compreender representações, práticas e
materialidades envolvidas no cuidado sociomédico de crianças com deficiências graves
no setor de fisioterapia de uma ONG denominada Instituto Assistencial Professor
Joaquim Amorim Neto (IPESQ). Esse instituto localizado na cidade de Campina
Grande (PB) foi fundado no ano de 2010 com o objetivo de promover pesquisas
científicas na área de saúde materno-infantil, mas, após a epidemia de vírus Zika
iniciada em 2015, ele teve sua função social alargada. Desde então, o IPESQ passou a
acolher demandas por assistência social e assistência em saúde de crianças com o que se
convencionou chamar de desordens neurais e seus familiares no estado da Paraíba. A
fabricação dos dados se deu a partir de uma pesquisa de campo entre os meses de
janeiro e junho de 2025, período em que acompanhei o cotidiano de atendimentos de
habilitação/reabilitação no setor de fisioterapia do referido local. Em um primeiro
momento da dissertação, faço um esboço desse instituto visando explicitar seus aspectos
operacionais e seus três eixos de ação, sendo eles a) assistência social, b) assistência em
saúde e c) pesquisa científica. Em um segundo momento, proponho uma exploração
teórica dos Estudos da Deficiência (Disability Studies) ao me apropriar da categoria de
coprodução, fazendo um esforço de demonstrar o percurso conceitual que trilhei
gradativamente até chegar a um modelo político/relacional da deficiência como peça
chave que orienta o trabalho. Incluo ainda algumas ponderações em torno da
Classificação Internacional de Funcionalidade Incapacidade e Saúde (CIF) como um
instrumento do âmbito da saúde global que possui relevância para o amadurecimento do
campo dos Estudos da Deficiência no Brasil. Em um terceiro momento, me debruço
sobre os dados propriamente etnográficos, ou seja, proponho um mergulho no cotidiano
de interações que dão vida ao setor de fisioterapia do instituto, propondo análises a
partir do modelo político/relacional mencionado. Ao apresentar as micropráticas
cotidianas que buscam promover o cuidado de corpos em estados debilitados, que é
também um cuidado compartilhado, tenho como horizonte mais amplo investir em um
exercício imaginativo que desloca nossas concepções monolíticas em torno da
deficiência.
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JAMERSON BEZERA LUCENA
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MOBILIDADES WARAO: ORGANIZAÇÃO DOMÉSTICA, FORMAÇÃO DE REDES SOCIAIS E DINÂMICAS TERRITORIAIS NO NORDESTE BRASILEIRO
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Orientador : ALEXANDRA BARBOSA DA SILVA
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Data: 28/02/2026
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Hora: 14:00
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O objetivo desta tese é o de compreender as estratégias de ação, redes de comunicação e
acionamento de redes parentesco construídas por grupos indígenas Warao, procedentes
da Venezuela, que realizaram um deslocamento forçado, produzindo mobilidades até
chegar no Brasil. O enfoque central foi o de fazer uma pesquisa de campo extensa por
várias cidades de Estados do Nordeste brasileiro, tais como João Pessoa/PB, Campina
Grande/PB, Natal/RN, Mossororó/RN, Recife/PE e algumas cidades da Bahia, Feira de
Santana/BA, Santo Antônio de Jesus/BA e Jacobina/BA. Além disso, foi realizada
pesquisa de campo no baixo delta do rio Orinoco, município de António Diaz, Estado
Delta Amacuro, Venezuela, no lugar de origem dos Warao.
Dezenas de grupos Warao vivem na cidade de João Pessoa, Paraíba, buscando interação
na espacialidade urbana e, assim, produzindo territorialidades pelos abrigos e
localidades onde vivem, entrando em contato interétnico com os mais diversos atores
sociais, operadores do direito, instituições religiosas, de ensino e órgão indigenista,
cujas relações acabaram gerando articulações, desentendimentos, conflitos e também
novas formas de interatividade.
Os Warao trouxeram seu estoque cultural, técnicas, habilidades e, assim, acabam
fortalecendo o seu sentimento de pertencimento étnico produzindo artesanato com fibra
de buriti (moriche) e com materiais novos (linhas de poliéster e cordões). Produzem
mobilidades, territorialidades por diversas cidades brasileiras, tecendo suas redes de
contato, e de parentesco, que estão espalhadas, armadas em vários abrigos
institucionais e localidades dos espaços urbanos.
O período considerado pós-pandemia (2021 em diante) acabou demonstrando a
ineficiência das políticas de abrigamento instituídas no Brasil, que acaba intensificando
conflitos intrafamiliares e com agentes externos, além de engendrar um processo de
hipertutela em que os Warao se sentem oprimidos, vítimas de violência simbólica, física
entre outros tipos de violação. Contudo, buscam resistir. Os casos de saúde indígena acabam ganhando destaque devido a mortandade de crianças, jovens e anciãos, muitas
vezes, por causas evitáveis, produzindo uma engrenagem de exclusão.
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MARIA ALANE DOS SANTOS
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Pelos caminhos das aldeias: um estudo sobre as dinâmicas territoriais dos povos indígenas no Baixo são Francisco
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Orientador : ESTEVAO MARTINS PALITOT
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Data: 28/02/2026
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Hora: 14:00
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Este trabalho é resultado de uma pesquisa de campo que realizei entre os anos de 2023 e 2025 junto às comunidades Fulkaxó, localizados em Pacatuba-SE e Natu-Kaxagó, situadas em Porto Real do Colégio-AL, na região do Baixo São Francisco. Ambas as comunidades têm em comum, o fato de serem grupos de famílias que estão realizando um movimento em busca de um novo território no estado de Sergipe. A escolha dessas comunidades não se deu apenas pela proximidade geográfica, mas também pelos vínculos históricos, culturais e políticos que ambas mantêm com a comunidade Kariri-Xocó. A pesquisa visa analisar os processos de mobilidade empreendidos pelas famílias Fulkaxó e Natu-Kaxagó na busca de um novo espaço e por maior autonomia organizacional. Com isso dediquei minha atenção as trajetória dessas famílias, que, a partir de experiências compartilhadas, formaram novos agrupamentos étnicos e iniciaram um processo de reivindicação territorial junto à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), solicitando a aquisição de terras no estado de Sergipe. O objetivo central deste trabalho foi compreender de que maneira essas famílias indígenas vêm se articulando e se organizando, ao mesmo tempo em que constroem processos de reconhecimento identitário que resultam na formação de novos grupos étnicos. Além disso, analiso os processos de circulação entre as comunidades Fulkaxó, Natu-Kaxagó e Kariri-Xocó, evidenciando como essas articulações ocorrem em meio a contextos de mobilidade territorial, conflitos internos e pressões externas e internas, criando assim novas configurações e formas de pertencimento e estratégias de resistência.
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DIEGO VARTULI CAVANELLAS
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Dinâmica Territorial e Processo de Demarcação de Terras Indígenas entre os Kaiowá do Mato
Grosso do Sul.
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Orientador : FABIO MURA
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Data: 27/02/2026
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Hora: 14:00
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Esta pesquisa analisa a dinâmica territorial e o processo de demarcação de terras
indígenas entre os Kaiowa do Mato Grosso do Sul, tomando como eixo analítico a
categoria nativa tekoha. Partindo de uma posição etnograficamente situada, vinculada à
atuação em Grupo de Trabalho da FUNAI, o estudo articula método etnográfico, análise
etno-histórica e reflexão cosmopolítica para compreender como os Kaiowa reelaboram ativamente suas categorias territoriais no contexto contemporâneo dos conflitos
fundiários. Argumenta-se que o tekoha não constitui uma unidade espacial fixa nem um
vestígio de uma organização pretérita, mas um projeto político, social e cosmológico em
permanente reconfiguração, mobilizado nas retomadas, nos processos demarcatórios e
nas estratégias de reexistência. A pesquisa demonstra que a territorialidade Kaiowa
emerge da tensão entre dois processos assimétricos: a territorialização estatal, que busca
fixar identidades e delimitar espaços por meio de dispositivos jurídicos e técnicos, e a
dominialização indígena, baseada na mobilidade, na reciprocidade e na memória
histórica das famílias extensas teyi. A partir de observação participante, entrevistas,
análise genealógica e mapeamento participativo, o trabalho evidencia que formas
contemporâneas de ocupação, como acampamentos lineares e circulações entre aldeia,
fazenda e cidade, devem ser interpretadas como estratégias legítimas de reconstrução
territorial e não como sinais de desagregação cultural. Conclui-se que a luta pela terra
entre os Kaiowa é inseparável de sua cosmologia e de sua organização social,
configurando o tekoha como o núcleo de uma disputa simultaneamente política,
histórica e ontológica.
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BEATRIZ SOARES GONÇALVES
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Cidade das crianças: uma etnografia urbana a partir dos espaços e políticas para a
infância em Jundiaí-SP
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Orientador : FLAVIA FERREIRA PIRES
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Data: 27/02/2026
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Hora: 13:00
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O presente trabalho configura uma etnografia urbana sobre as experiências da infância em Jundiaí-SP, mais especificamente sobre as ações e políticas realizadas pela gestão municipal que atuou de 2017 a 2024, mantendo um compromisso com essa parcela populacional a partir da adesão ao Projeto Cidade das Crianças (La Città dei Bambini). Iniciativa fundada pelo pedagogo italiano Francesco Tonucci em 1991, na cidade de Fano (Itália), o Projeto atualmente está presente em centenas de cidades ao redor do mundo, Jundiaí-SP foi o primeiro município brasileiro a aderi-lo. A investigação lançou mão de diversas técnicas de pesquisa, destacando-se a caminhada exploratória, as conversas informais, os registros fotográficos e em diários de campo, a escuta atenta e as múltiplas observações. Seguindo as ações e propostas realizadas pela prefeitura, diversas situações sociais do cotidiano foram retratadas buscando demonstrar como o público alvo (as crianças e suas famílias) as recebem não como agentes passivos, mas sim, modificando o contexto urbano mesmo quando invisibilizado. A participação e escuta das crianças é um pilar do Projeto em análise, desse modo a institucionalização dessa prática em Jundiaí-SP é posta em debate, contrastando diferentes perspectivas e vivências urbanas de crianças. A rede de Cidades das Crianças e a gestão jundiaiense são trazidas buscando compreender os pactos que articulam os desdobramentos do Projeto em políticas públicas. Desse modo, a tese aponta para um projeto de cidade com um potencial inovador, contudo com diversas limitações, sobretudo na experiência brasileira onde adquiriu um caráter político partidário e governamental, não garantindo que seus benefícios atingissem amplamente as crianças e a continuidade das ações.
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WEVERSON BEZERRA SILVA
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Se números frios não tocam a gente, espero que nomes consigam tocar: Gestão da morte e produção de memória da Covid-19 a partir das enlutadas.
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Data: 27/02/2026
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Hora: 13:00
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Do ponto de vista antropológico, a morte e o morrer são considerados fatos sociais totais que
permitem compreender a sociedade em que vivemos e suas singularidades, de acordo com o
contexto histórico em que o indivíduo está inserido e com suas relações culturais, pois esses
eventos transcendem o âmbito individual e desempenham um papel fundamental na construção
da identidade coletiva, nas crenças, nos valores, nos rituais e nas formas de lidar com o luto,
refletindo assim a complexidade dos cenários da morte. Em meio a uma pandemia, na qual a
doença e a morte individuais/coletivas se fundem em uma experiência coletiva e traumática, os
desafios se multiplicam, chamando a atenção não apenas para os aspectos sanitários, mas
também para as dimensões sociais, simbólicas, políticas e éticas desse fenômeno. Este trabalho
de tese insere-se no campo da Antropologia da Morte, buscando compreender os processos
ritualísticos de terminalidade e morte das vítimas da Covid-19 na pandemia, por meio das
experiências de mulheres enlutadas que perderam seus entes nos anos de 2020 a 2021 no
ambiente hospitalar, no momento das restrições nos ritos de passagem. As perdas em massa e as
normas de biossegurança em um curto espaço de tempo durante a pandemia trazem uma
reflexão sobre como o Estado está atuando nas realizações de protocolos no momento dos
rituais de despedida, bem como sobre as práticas do Estado em relação aos corpos contaminados
pela Covid-19.Tendo isso em mente, a relevância desse trabalho justifica-se em contribuir para
a compreensão das transformações que vêm ocorrendo no campo ritual em torno da morte em
tempos de Covid-19: como está acontecendo o tratamento do corpo morto contaminado pelo
coronavírus (post-mortem) e quais são as implicações dessas modificações no processo
ritualístico e suas ressignificações com o corpo morto. Essa análise antropológica destaca como
as práticas funerárias foram afetadas e adaptadas durante a pandemia, considerando restrições
sanitárias, tradições culturais afetadas e manejo das emoções. Além disso, ao examinar as
políticas públicas que foram implementadas para lidar com os impactos da pandemia na esfera
funerária e de luto, torna-se possível identificar como as autoridades governamentais
condicionaram a maneira como as enlutadas lidaram com a passagem, bem como como essas
intervenções regulamentares podem ter moldado a experiência de morte e o processo do luto no
post-mortem. Dessa maneira, os resultados podem alcançar um entendimento sobre práticas
voltadas para os corpos mortos na pandemia, bem como sobre políticas públicas que possam
assegurar ações para as enlutadas, analisando as respostas que estão sendo criadas neste
momento de desafio e crise sanitária.
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CAIO TACITO RODRIGUES PEREIRA
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Associação e Vizinhança: Uma Etnografia do Movimento Associativista dos Tabajara da Barra de Gramame
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Orientador : ALEXANDRA BARBOSA DA SILVA
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Data: 27/02/2026
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Hora: 10:30
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Esta dissertação analisa o movimento associativista dos Tabajara na Barra do Gramame
(Litoral Sul da Paraíba, Brasil), a partir de uma abordagem etnográfica. Parte-se da
hipótese de que o associativismo não é apenas uma resposta a conflitos ou uma
imposição estatal, mas um desdobramento orgânico da organização social e econômica dos grupos domésticos. A pesquisa investiga como as associações indígenas emergem
como mediadoras estratégicas entre a lógica da organização social local, alicerçada nos
princípios da economia doméstica e das redes de vizinhança, e as estruturas do Estado e
do mercado. A etnografia de longa duração (2011-2014; 2022-2025) revelou que a
Associação dos Tabajara da Barra do Gramame atua como uma corporação jurídica
que traduz a autoridade local fundamentada no parentesco e no prestígio dos chefes de
grupos domésticos para uma forma reconhecida pelo Estado. Isso permite a
legitimação de práticas consuetudinárias (como as parcerias informais para trabalho na
terra), a captação e redistribuição de recursos e a negociação de identidades étnicas
(indígena, quilombola, assentado) em um contexto de desterritorialização histórica e de
pressão territorial contemporânea do turismo, especulação imobiliária, agronegócio e
mineração. Conclui-se que o associativismo configura uma estratégia política criativa e
adaptativa, fundamental para dinamizar a organização social e o fluxo de conhecimentos
dos grupos localmente, assegurando a afirmação territorial dos Tabajara diante de um
ordenamento jurídico frequentemente dissonante de seus modos tradicionais de ocupar e
gerir o território.
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DENISE MAYUME PEREIRA KAMADA
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Patrimonialização de Areia na Paraíba: atores e lutas simbólicas
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Orientador : PATRICIA ALVES RAMIRO
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Data: 27/02/2026
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Hora: 08:00
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Esta tese analisa processos de valorização simbólica do município Areia, localizado no
brejo paraibano, ancorados em iniciativas de seleção de bens culturais e patrimônios.
Compreende-se esses dispositivos como resultado de um campo social, fruto de disputas
simbólicas, no qual se articulam agentes, instituições e distintos regimes de valor. A
partir de uma abordagem metodológica de cunho etnográfico, articulada com a análise
documental e histórica, o trabalho investiga a constituição do centro histórico areense
como bem tombado, a valorização de bens arquitetônicos, museus, festivais culturais e
espaços de memória, destacando o protagonismo das elites agrárias, intelectuais,
políticas e religiosas na construção de narrativas legitimadoras sobre o passado.
Argumenta-se que tais processos construíram uma imagem pública do município
fortemente associada ao passado rural monumentalizado, no qual agentes os bens
culturais selecionados e consagrados operam como referências de memória das elites
locais, privilegiando personagens socialmente prestigiados e espaços historicamente
vinculados a esses grupos sociais. Ao mesmo tempo, demonstra-se que esses
procedimentos não constituem um consenso, gerando críticas e percepções contrárias de
grupos que não conduziram os processos, ao mesmo tempo que produzem
silenciamentos e hierarquizações de outras experiências históricas, especialmente no
que se refere à escravidão, à memória do trabalho rural e aos outros grupos
subalternizados.
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RAFAELA MAYARA DE OLIVEIRA SCHUH
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VOCÊ ESTÁ EM TERRITÓRIO TABAJARA
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Orientador : KELLY EMANUELLY DE OLIVEIRA
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Data: 26/02/2026
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Hora: 10:00
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A pesquisa consiste em uma etnografia da Aldeia Nova Conquista Taquara,
a terceira aldeia em autodemarcação do Povo Tabajara da Paraíba, localizada na
enseada Jacumã, no território da Jacoca, município do Conde/PB, com foco na
autodemarcação do Bambuzal e da Praia do Amor, território tradicional Tabajara que é
alvo da especulação imobiliária, turismo predatório e exploração ilegal dos recursos
naturais. A dissertação construída conjuntamente com a comunidade através da
observação participante, conversas, entrevistas, produções audiovisuais e acesso a
processos judiciais, tem o objetivo de contextualizar a autodemarcação da aldeia que
atua há 5 anos na (re)construção de uma vida coletiva e autossustentável, com
iniciativas como roçados, construção de moradias, viveiro de mudas, hortas medicinal e
revitalização do Rio Lamarão, também se organiza politicamente por meio de reuniões
mensais, assembleias anuais, na atuação no movimento indígena e através da
Associação Indígena Tabajara Taquara AITT e do grupo de trabalho Yby-Rapó que se
ramifica no grupo de mulheres Yby-Rapó Kunhã e no coletivo de audiovisual YbyRapó Produções, que utiliza o audiovisual como estratégia de luta e resistência.
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LUCIANA CALADO RODRIGUES
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A universidade não é lugar para mães: considerações interseccionais sobre
maternidade como marcador social da diferença no acesso e permanência de mães na
academia.
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Orientador : PEDRO FRANCISCO GUEDES DO NASCIMENTO
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Data: 26/02/2026
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Hora: 08:00
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Esta tese é um lugar de vida em movimento, como as águas que fluem, do choro da solidão à subversão mobilizando raiva e alegria que escorrem rio afora. Como todo lugar de vida, é potencial descoberta e, enquanto movimento, espaço-tempo para se deparar com perguntas, refletir e se permitir mergulhar nas incertezas, se banhando junto às questões que emergem. Pelos caminhos teórico-metodológicos das teorias interseccionais decoloniais e do feminismo negro, assumi a produção de uma etnografia situada e incorporada, desde a aproximação do campo dos estudos maternos mesmo já sendo mãe e as situações que me despertaram a possibilidade de teorizar um realismo etnográfico e as políticas do cotidiano com Ponto de vista. O deslocamento se deu pelo estranhamento das concepções que tinha os papéis distintos de estudante, trabalhadora e mãe e como minha vivência com outras mães me colocou em rota de colisão comigo enquanto relacionalmente atravessada por todos estes papéis e performances, o que me alocou enquanto pesquisadora. Abrindo caminhos para a vida fluir, me banho nas reflexões sobre a categoria Mãe e a maternidade, sempre interseccionada, como um marcador social da diferença, tendo uma universidade do Nordeste brasileiro como lócus. Empenhada também em uma robusta análise documental, movimento questões sobre acesso e permanência de mães pensando o trabalho materno, o qual entendo que não deva ficar circunscrito à categoria de trabalho reprodutivo e para isso mobilizo a categoria de trabalho imaterial de Mães. Entendendo a universidade como instituição e espaço ao qual as mães não se sentem pertencentes, analiso falas de estudantes mãe nos espaços em que participei e outros dados coletados com formulário eletrônico, entre 2022 e 2024. A pesquisa aponta questões importantes para reflexões do campo de estudos maternos quais sejam: as demandas de grupos sociais de mães são diferentes das de outros segmentos sociais minoritários e a centralidade sócio-histórica da raça e da etnia para se considerar o marcador maternidade na interseccionalidade nas produções epistemológicas brasileiras, visto que as questões sobre trabalho postas pelo feminismo clássico, como ferramenta-produto epistêmico eurocentrado, não dialoga expressamente com nossas realidades e necessidades ameríndias e amefricanas.
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DAVID SOUSA GARCES
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Gênero, sexualidade e ciberespaço: a construção da masculinidade de policiais militares gays
pertencentes a PMCE a partir da interação em um aplicativo de mensagens
instantâneas
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Orientador : PEDRO FRANCISCO GUEDES DO NASCIMENTO
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Data: 25/02/2026
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Hora: 14:00
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Esta tese analisa como policiais militares gays constroem, negociam e performam suas
masculinidades em um contexto institucional marcado por hierarquias rígidas,
disciplinamento cotidiano e normas hegemônicas de gênero e sexualidade. A partir de
uma etnografia realizada em um grupo de WhatsApp composto por esses policiais,
articulada ao acompanhamento de suas experiências na corporação, investigo como
sociabilidades digitais se constituem como territórios simbólicos de acolhimento,
reconhecimento e elaboração coletiva de tensões vividas no ambiente militar. O estudo
revela que o espaço virtual opera como uma zona de proteção e pertencimento, onde
circulam afetos, humor, vulnerabilidades, erotismos e estratégias de resistência que
raramente encontram lugar na interação presencial. A análise das performatividades no
ciberespaço mostra que essas masculinidades são continuamente tensionadas e
reinventadas, evidenciando disputas entre expectativas institucionais de virilidade e as
formas dissidentes de existir desses sujeitos. Os resultados demonstram que tais
masculinidades não são fixas, mas práticas relacionais produzidas na articulação entre
trajetórias individuais, valores da corporação, moralidades políticas e dinâmicas de
controle e assédio. Metodologicamente, a pesquisa reafirma a validade da etnografia
digital e da implicação como ferramenta analítica, permitindo acessar nuances que
permanecem ocultas nas abordagens tradicionais sobre instituições militares. Concluo
que, mesmo em ambientes caracterizados pelo conservadorismo e pela vigilância moral,
emergem fissuras que possibilitam a criação de redes de apoio, modos próprios de
sociabilidade e formas alternativas de habitar a masculinidade. A tese contribui para os
estudos antropológicos sobre gênero, sexualidade e instituições disciplinadoras, ao
evidenciar que masculinidades dissidentes produzem brechas de existência e reinvenção
dentro da Polícia Militar.
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AMANDA GIORIATTI LUNKES
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Cosmologia, processos de adoecimento e práticas de cura: uma revisão da literatura antropológica sobre saúde Kaiowa.
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Orientador : FABIO MURA
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Data: 24/02/2026
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Hora: 14:00
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Esta dissertação apresenta uma sistematização da literatura antropológica
sobre cosmologia, processos de adoecimento e práticas de cura entre os Kaiowa do
Mato Grosso do Sul, com ênfase nos itinerários terapêuticos indígenas. O texto parte de
um panorama sobre a assistência à saúde no Brasil e suas implicações sobre a saúde
indígena desde a Primeira República até a implementação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), contextualizando as políticas sanitárias que historicamente
incidiram sobre os territórios Kaiowa. A pesquisa explora as articulações entre
cosmologia kaiowa, noção de pessoa e as múltiplas formas de agência terapêutica
mobilizadas por este povo. Através do levantamento bibliográfico, identificam-se as
lacunas existentes na produção antropológica sobre o tema e apontam-se caminhos para
pesquisas futuras que contemplem a complexidade dos itinerários terapêuticos kaiowa
contemporâneos. O trabalho analisa as tensões e negociações estabelecidas entre
práticas tradicionais de cura e as políticas públicas de saúde diferenciada. A dissertação
contribui para a compreensão das dinâmicas de saúde-doença-cura em contextos de
pluralismo médico, evidenciando como territorialidade, cosmopolítica e conhecimentos
tradicionais se entrelaçam na construção dos cuidados em saúde entre os Kaiowa.
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LAURA MARQUES LOPES
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Morte materna por Covid-19 e reconstrução da vida cotidiana: Narrativas de cuidado em famílias afetadas pela orfandade na Paraíba
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Orientador : FLAVIA FERREIRA PIRES
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Data: 24/02/2026
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Hora: 08:00
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Esta pesquisa etnográfica se desenrola no compasso de famílias atravessadas pela morte
materna pela Covid-19, compreendida aqui, nos termos de Veena Das (1995), como um
evento crítico que afeta e reconfigura profundamente a vida cotidiana, as dinâmicas de cuidado e os horizontes de futuro. Com famílias inseridas no âmbito da política pública
paraibana de transferência de renda mensal destinada a crianças e adolescentes em
orfandade pela Covid-19 o Programa Paraíba que Acolhe , a pesquisa focaliza as
relações de cuidado estabelecidas entre: a) duas irmãs mais velhas, Rebeca e Layara,
que assumem a responsabilidade legal por seus irmãos mais novos; e b) uma tia
materna, Maria Clarice, que se torna responsável legal por seus sobrinhos após a
transferência do cuidado exercido anteriormente pela sobrinha mais velha, Vivian. Nos
municípios de Patos, Campina Grande e João Pessoa, acompanhei três famílias que,
após a morte abrupta de mulheres-mães, reorganizam o cotidiano em meio ao luto, à
precarização do viver e à necessidade de seguir vivendo. Entre 2024 e 2025, sentei-me
em cozinhas, percorri quintais, acompanhei rotinas, ouvi conversas entrecortadas e
presenciei silêncios que também falam. Nesta dissertação, a morte materna não aparece
apenas como perda individual, mas como resultado de políticas de morte, sob a gestão
pandêmica do governo federal no mandato do então presidente, Jair Bolsonaro, marcada
pela produção desigual do morrer e pela naturalização da morte, ao encontro do
patriarcado, do racismo e de racionalidades neoliberais que, no Brasil, historicamente
expõem mulheres sobretudo negras e empobrecidas à exaustão, ao adoecimento e
à morte. A orfandade, nesse sentido, emerge como efeito social e político dessa
mortandade. O cuidado que se segue não inaugura uma responsabilização feminina, mas
aprofunda uma sobrecarga historicamente cultivada, agora intensificada pela ausência
física das mães. Ele recai sobre redes intergeracionais femininas de apoio irmãs, tias,
avós, sogras e vizinhas que reajustam seus tempos, corpos e projetos para sustentar a
vida que continua. Conforme narrado pelas interlocutoras nas entrevistas, marcadas por
desabafos e memórias, argumento que tais formas de cuidado operam dentro de um
déficit democrático, ancorando-se na insuficiência material e afetiva e na fragmentação
da cidadania das cuidadoras, crianças e adolescentes. Por fim, suas experiências indicam
sobrecarga emocional e de trabalho, mas também a reconfiguração coletiva da
sustentação do viver em meio ao luto. Na reconstrução da vida pelo cotidiano, brota o
tempo do sonho: a esperança por um futuro em que possam, quem sabe, alcançar os
desejos e projetos de vida que ainda cintilam dentro de si.
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NATHÁLIA JORGE NOVAIS
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VOZES DE CONTENDAS: NARRATIVAS, EXPERIÊNCIAS E PERCEPÇÕES DE DONA IDÁLIA SOBRE O QUILOMBO SÃO PEDRO DOS MIGUÉIS.
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Orientador : FABIO MURA
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Data: 23/02/2026
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Hora: 14:00
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Esta dissertação propõe uma análise etnográfica do processo de formação étnica e
territorial do Quilombo São Pedro dos Miguéis, localizado no município de Catolé do
Rocha, no sertão da Paraíba, a partir da narrativa de vida de D. Idália, mulher de 72
anos, nascida no território e descendente da família pioneira oriunda do Quilombo de
Contendas, em São Bento/PB. A pesquisa parte da memória oral como metodologia
fundamental para compreender as dinâmicas históricas, sociais e simbólicas que
estruturam a vida coletiva da comunidade (Halbwachs 1990; Portelli 1997). A história
de São Pedro dos Miguéis se revela em camadas: desde os deslocamentos que
marcaram os caminhos das famílias quilombolas até os processos cotidianos de
construção do território, da territorialidade, das dinâmicas territoriais por meio da
ecologia doméstica, da dominialização e do processo de territorialização (Barth
1995; Pacheco de Oliveira 1998; Mura & Barbosa 2011; Mura 2019). Nesse sentido,
o conceito de quilombo é compreendido para além de uma categoria histórica
restrita ao período colonial, sendo entendido como uma forma de organização social,
política e territorial (ABA 1994; ODwyer 2002; Arruti 1997, 2005; Almeida 2004,
2011). O termo remanescente de quilombo, conforme definido pela Associação
Brasileira de Antropologia (1994), vem sendo utilizado pelos próprios grupos para
designar um legado, uma herança cultural e material que lhes confere uma
referência presencial no sentimento de ser e pertencer a um lugar e a um grupo
específico. Essa definição destaca o caráter processual da identidade quilombola,
ancorada na memória, nas relações de parentesco e na relação contínua com o
território. A trajetória de D. Idália, alicerçada na agricultura e na tradição do
conhecimento, evidencia os vínculos entre território e identidade quilombola,
construídos a partir dos fluxos de saberes que conectam práticas tradicionais e
saberes locais, por meio de processos de aprendizagem, os quais se constituem
como práticas formativas enraizadas na experiência cotidiana e na relação com o
território (Barth 2000). Trata-se de territórios nos quais o passado não se limita à
memória, mas se atualiza nas práticas cotidianas, nos saberes e nas formas de
organização social. Nesses contextos, a educação da atenção opera como princípio
formativo que organiza os modos de habitar o mundo, afinando percepções, gestos
e relações com o território, e orientando a construção de espaços de tradicionalidade
e continuidade social (Ingold 2010). A comunidade se expressa, ainda, em práticas
cotidianas de cuidado com a terra, na transmissão de saberes e no fortalecimento
dos laços comunitários. Ao centrar-se na narrativa de uma mulher quilombola idosa,
esta pesquisa contribui para a valorização de epistemologias negras, destacando a
oralidade como forma legítima de produção de conhecimento antropológico. A
construção identitária do Quilombo São Pedro dos Miguéis é, portanto,
compreendida como um processo em constante elaboração, forjado na interseção
entre história, espiritualidade, luta, memória e território.
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DURVALINA RODRIGUES LIMA DE PAULA E SILVA
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Mulheres negras, Axé e práticas de produção de vida frente à necropolítica na Comunidade Colibris - Santa Rita/PB
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Orientador : MONICA LOURDES FRANCH GUTIERREZ
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Data: 23/02/2026
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Hora: 09:00
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Esta tese nasce de um "chamamento" que transborda os limites acadêmicos para assentar-se no chão sagrado e político de um Terreiro Afro-Ameríndio na Comunidade Colibris (Santa Rita/PB). É fruto de um mergulho em um universo de vivências partilhadas com mulheres negras que, ao negarem a morte em seus cotidianos, subvertem os silenciamentos históricos e confrontam os pensamentos eurocêntricos. O trabalho centra-se na resistência de 20 mulheres que, mesmo diante do descaso estatal e das engrenagens do racismo, enfrentam a necropolítica e afirmam a vida através do axé (força vital) e de tecnologias ancestrais de cuidado e resistência. O objetivo central é analisar como as engrenagens do racismo, interseccionadas por raça, gênero e classe, e a necropolítica impactam a existência das mulheres, e identificar as estratégias para a manutenção da vida. Ancorado na Antropologia da Saúde, este trabalho problematiza os processos de saúde, doença e cuidado como construções sociais atravessadas por relações de poder e subjetividades. Tal perspectiva transcende o viés puramente biológico para compreender a saúde como uma experiência vivida e politicamente situada. Para tanto, afirmo que o trabalho foi desenvolvido sob a perspectiva de uma antropologia engajada e implicada, assumindo a não neutralidade e a escuta como atos políticos. Trata-se de uma análise comprometida com a realidade social e humanizada por compreender que a etnografia é, também, um encontro baseado no respeito, na confiança e no afeto. Por opção política e epistemológica, a tese prioriza intelectuais negros e negras e o diálogo teórico transita pela ontologia da negação de Sueli Carneiro, a interseccionalidade de Kimberlé Crenshaw e Lélia Gonzalez e a filosofia de bell hooks e Nêgo Bispo sobre o terreiro como espaço de cura coletiva. Toda a escrita é tecida sob os tons da escrevivência de Conceição Evaristo, dando corpo às memórias e vitórias coletivas. A relevância deste trabalho reside no seu caráter inédito e urgente ao revelar a organização política e espiritual do cuidado em territórios historicamente discriminados. A etnografia evidencia a figura da Yalorixá que atua, na prática, como a guardiã da saúde" em um território sagrado, provando que o ato de produzir saúde em meio à adversidade é um enfrentamento direto à soberania que dita quem deve morrer e quem pode viver. Como resultados, identifica-se a necropolítica estatal presentificada a partir do contraste entre o "asfalto no papel" e a "lama no chão"; da "loteria" das fichas de atendimento nos serviços de saúde às abordagens policiais; da falta de transporte à invisibilidade cartográfica e administrativa. No epicentro dessa desassistência, as Sementes-Mulheres subvertem o sistema: onde o Estado planeja o silêncio e o óbito, o Terreiro produz voz, cura e re-existência, através dos conhecimentos ancestrais, uso das folhas e do Axé. A liderança de Mãe-Arruda funciona como uma contranecropolítica transformando o território da escassez em um espaço de vida e resistência, fazendo do Terreiro resposta viva e insurgente e da organização política, uma perspectiva de um futuro melhor. Esta tese não se encerra no ponto final da última frase, mas no eco das vozes das sementes-mulheres que, entre o cheiro do manjericão e o barro das ruas sem nome, redefiniram o que entendo por humanidade e ciência.
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RAFAELLA SUALDINI
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Arquivos vivos e memória: uma abordagem etnográfica do Super-8 na Paraíba em 1980
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Orientador : LARA SANTOS DE AMORIM
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Data: 30/01/2026
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Hora: 14:30
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Esta dissertação tem como principal referência o projeto Cinema Paraibano: Memória e Preservação (CP:MP), coordenado por Lara Amorim e Fernando Trevas, professores da Universidade Federal da Paraíba. A pesquisa parte da investigação do acervo de filmes em Super-8 telecinado entre 2012 e 2013 pelo fotógrafo Roberto Buzzini, com ênfase nas produções do chamado terceiro ciclo do cinema paraibano (19791986). A partir da articulação entre cinema, memória e antropologia visual, o estudo analisa a relevância desses filmes e de registros sem edição para a história do audiovisual na Paraíba. Entre as principais influências do período, destaca-se o Cinema Direto, especialmente por meio do Ateliers Varan, escola francesa fundada pelo cineasta e antropólogo Jean Rouch, que propunha a formação de cineastas. Esse modelo chegou à Paraíba em 1979, durante a VIII Jornada de Cinema da Bahia, e levou à criação, em 1980, do Núcleo de Documentação Cinematográfica (NUDOC/UFPB), espaço dedicado ao estudo do Cinema Direto e à produção audiovisual, com estágios realizados tanto na UFPB quanto na França. A pesquisa também considera a contribuição do Cinema Indireto, proposto por Jomard Muniz de Britto, como vertente subversiva no desenvolvimento das práticas cinematográficas da época. Por fim, analisa algumas obras selecionadas e discute ações de preservação do acervo do NUDOC, incluindo o próprio CP:MP e o projeto Digitalização Viajante (Cine Limite), responsável por ampliar a digitalização e promover a circulação de parte desses filmes em mostras nacionais e internacionais.
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