PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LINGUÍSTICA (PROLING)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
- Telefone/Ramal
-
Não informado
Notícias
Banca de DEFESA: LUZINEIDE VIEIRA DE SOUSA
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LUZINEIDE VIEIRA DE SOUSA
DATA: 07/07/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Plataforma Google Meet
TÍTULO: AS TRAJETÓRIAS INSURGENTES DE NEGA BIGA, VÉIA BASTIANA E MARIA PITÚ: uma arqueogenealogia da existência de mulheres negras infames dos espaços heterotópicos das ruas para o Instagram
PALAVRAS-CHAVES: Estudos Discursivos Foucaultianos. Práticas de insurgência. Mulheres negras em situação de rua. Teatro de rua. Instagram.
PÁGINAS: 182
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Lingüística
RESUMO: Nas dobras da história oficial do Brasil, tecida por racialização e colonialidade, encontram-se corpos femininos negros e periféricos, alvos de tecnologias de controle que relegam tais existências à (in)visibilidade social. São trajetórias empurradas a espaços de abandono; vidas administradas por mecanismos de poder que, do cárcere à assistência social, impõem regulação e silenciamento. O objetivo geral desta tese é cartografar as trajetórias insurgentes de Nega Biga, Véia Bastiana e Maria Pitú, analisando como suas narrativas emergem, circulam e são reinscritas entre as ruas de Jacobina (BA), na década de 1970, o teatro marginal de rua em 2021, e o Instagram, na contemporaneidade digital, para investigar os processos de subjetivação e os regimes de verdade que atravessam seus modos de existência. Especificamente, pretendemos: analisar as condições históricas de emergência das trajetórias de Nega Biga, Véia Bastiana e Maria Pitú, considerando as relações entre corpo, espaço, infâmia e os processos de visibilidade e invisibilidade que atravessam mulheres negras em situação de rua; investigar como o perfil Companhia Sarau das Seis @ciasaraudaseis no Instagram se configura como espaço heterotópico no qual se articulam modos de objetivação, vigilância e gestão algorítmica dos corpos, em relação à governamentalidade, à biopolitica, à necropolítica e ao dispositivo de racialidade e averiguar os enunciados produzidos e circulantes sobre Nega Biga, Véia Bastiana e Maria Pitú na peça teatral Rua dos Encantados e no perfil @ciasaraudaseis no Instagram, considerando os regimes de verdade e os processos de subjetivação que atravessam suas narrativas. Metodologicamente, esta pesquisa situa-se no campo dos Estudos Discursivos Foucaultianos, em que utilizamos o método arqueogenealógico. Assim, exploramos a caixa de ferramentas teórico-metodológica de Michel Foucault, para pensar nas relações entre corpo, espaços (tópicos, utópicos e heterotópicos), vontades de verdade e produção de subjetividades. Por isso, escolhemos alguns conceitos basilares, tais como: enunciado, sujeito, corpo, discurso, dispositivo, prática discursiva, vontade de verdade, modos de objetivação/subjetivação, biopoder, biopolítica e infâmia (2003, 2022, 2013). Além disso, utilizamos o conceito de Dispositivo de Racialidade com Carneiro (2023), o de práticas de obediência/desobediência de Gros (2018), a necropolítica de Mbembe (2020), o dispositivo de Deleuze (1996) e Agamben (2009), a noção de vidas precárias de Butler (2023), o feminismo negro de Gonzalez (2020) e a invenção da questão de gênero com Oyèrónké Oyewùmí (2021). O corpus desta pesquisa, selecionado e organizado a partir de uma abordagem qualitativo-interpretativa dos dados, é constituído por três séries enunciativas organizadas em torno de nove enunciados discursivos, recortados da página do Instagram no perfil da Companhia de Teatro @ciasaraudaseis. Como resultados finais, verificamos que as experiências de Nega Biga, Véia Bastiana e Maria Pitú mobilizadas pela peça de teatro Rua dos Encantados e transposta para a rede social Instagram, tensiona os regimes de visibilidade que incidem sobre corpos femininos negros. Conclui-se que o arquivo digital funciona como uma prática de insurgência. Ao se cruzar com as lutas dos coletivos femininos negros e o campo do coletivo artístico-cultural, os efeitos de discursos que se inserem, não apenas dá visibilidade para as narrativas dessas mulheres que são contadas nas redes sociais, mas permite que elas se reinscrevam em outras subjetividades para além da infâmia, afirmando-se como sujeitas insurgentes cuja história possui valor intrínseco e potência transformadora.
MEMBROS DA BANCA:
Externo(a) à Instituição - CARLA LUZIA CARNEIRO BORGES
Externo(a) à Instituição - DENISE GABRIEL WITZEL
Externo(a) à Instituição - JEFFERSON GUSTAVO DOS SANTOS CAMPOS
Interno(a) - 3334167 - LAURENIA SOUTO SALES
Externo(a) à Instituição - MARIA DO ROSARIO GREGOLIN
Presidente(a) - 338147 - MARIA REGINA BARACUHY LEITE
Interno(a) - 1227208 - MARIANNE CARVALHO BEZERRA CAVALCANTE