PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LINGUÍSTICA (PROLING)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de DEFESA: ANDRE LUIZ SOUZA DA SILVA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ANDRE LUIZ SOUZA DA SILVA
DATA: 04/09/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Sala de Reuniões do CCHLA
TÍTULO: VARIAÇÃO, ATITUDE E IDENTIDADE DE BONECAS BANANEIRENSES: ANÁLISE DA FALA DE TRAVESTIS
PALAVRAS-CHAVES: Sociolinguística clandestina. Variação linguística. Atitudes linguísticas. Travestigeneridade. Bananeiras-PB.
PÁGINAS: 200
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Lingüística
RESUMO: Esta pesquisa investiga como travestis brasileiras do município de Bananeiras (PB) utilizam a linguagem na construção de suas mulheridades, articulando as categorias de variação, atitudes linguísticas e identidade. A tese se insere no campo da Sociolinguística, mas propõe um deslocamento em relação aos modelos canônicos da tradição variacionista, configurando o que denomino Sociolinguística clandestina: uma abordagem transdisciplinar que integra aportes estruturais, funcionais, teóricos e aplicados, sem abdicar do rigor metodológico. Nesse contexto, o objetivo geral consiste em compreender como travestis bananeirenses constroem performativamente suas identidades de gênero por meio da linguagem. Especificamente, busca-se: (a) verificar o papel do gênero gramatical na manutenção do gênero social; (b) identificar recursos linguísticos estilisticamente indexados à travestilidade; (c) analisar as atitudes linguísticas das travestis em relação ao próprio falar e ao de outras mulheres; e (d) mapear as percepções sociolinguísticas de falantes locais acerca da fala de travestis. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, articula entrevistas semiestruturadas e testes de percepção com 28 contribuintes (sendo quatro travestis participantes e 24 juízas locais). Por fim, o estudo dialoga com os debates contemporâneos da Sociolinguística e propõe compreender o fenômeno a partir do que denomino uma tendência de quarta onda da Sociolinguística à brasileira, atravessada pelos marcadores sociais da diferença, além de desenvolver um contínuo analítico entre gênero gramatical e gênero social, o que se discute com base em uma abordagem sociolinguisticamente situada. Os resultados indicam que a análise do uso linguístico das travestis constitui uma prática de afirmação identitária que desestabiliza a cisnormatividade e amplia o escopo da análise sociolinguística no Brasil no que se refere a uma leitura unilateral da binaridade de gênero. Também verifiquei que as participantes lançam mão de um estilo que se materializa no multissistema linguístico (fonético, lexical e morfossintático), apresentando algumas regularidades e dispersões linguísticas, o que corrobora a construção discursiva e identitária do modo de falar das falantes deste estudo. Ademais, a percepção direta das travestis não se mostra regular em todos os aspectos da atitude (cognição, afeto e comportamento), sendo possível discutir questões relacionadas ao empoderamento, à autoestima e à insegurança linguística. Por fim, o experimento com mulheres cisgênero apresentou, por meio da percepção indireta, uma fotografia atitudinal heterogênea, o que parece construir atitudes sociolinguísticas de dispersão frente às mulheridades.
MEMBROS DA BANCA:
Interno(a) - 2117739 - AMANDA BATISTA BRAGA
Externo(a) à Instituição - ANILDA COSTA ALVES
Interno(a) - 1924415 - CAROLINA GOMES DA SILVA
Externo(a) ao Programa - 1778079 - JULIENE LOPES RIBEIRO PEDROSA
Interno(a) - 1890525 - MARIA FABIANA BONFIM DE LIMA SILVA
Presidente(a) - 1653821 - RUBENS MARQUES DE LUCENA