PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO (CE - PPGE)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: MARIA CONCEIÇÃO DA SILVA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MARIA CONCEIÇÃO DA SILVA
DATA: 29/05/2026
HORA: 14:00
LOCAL: https://meet.google.com/tgb-xedb-tut
TÍTULO: MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL DECOLONIAL EM TERREIROS DE CANDOMBLÉ NO BRASIL: ESTADO DA ARTE DAS PESQUISAS PUBLICADAS NA BDTD (2005 - 2025)
PALAVRAS-CHAVES: Educação Ambiental Decolonial. Meio Ambiente. Decolonialidade. Estado da Arte. Saberes Ancestrais em Terreiros de Candomblé.
PÁGINAS: 132
RESUMO: A presente pesquisa investiga a emergência e a consolidação de produções acadêmicas que articulam a Educação Ambiental (EA) aos saberes dos terreiros de Candomblé no Brasil, problematizando como esse campo interdisciplinar tem sido construído nas últimas duas décadas. O estudo parte da premissa fundamental de que os terreiros de Candomblé não podem ser reduzidos estritamente a espaços de culto religioso, mas devem ser reconhecidos como complexos territórios de práticas educativas não formais e guardiões históricos da biodiversidade. Defende-se a tese de que os saberes tradicionais presentes nessas comunidades contribuem decisivamente para a construção de epistemologias de resistência em uma perspectiva decolonial, fundamentando uma consciência socioambiental crítica e socialmente comprometida. O objetivo geral desta investigação consiste em desvelar como os saberes ambientais tradicionais dos grupos sociais dos terreiros são mobilizados em práticas educativas voltadas ao fortalecimento da ancestralidade e ao enfrentamento do racismo ambiental. Para tanto, a pesquisa estabelece objetivos específicos que buscam analisar as contribuições dessas produções para uma EA antirracista e investigar como as cosmologias afro-brasileiras são articuladas em práticas pedagógicas vividas. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como um Estado da Arte de natureza qualitativa, justificando-se pela necessidade de compreender o panorama atual da produção científica sobre o tema. O corpus documental foi constituído por meio de um levantamento bibliográfico sistemático na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), compreendendo o recorte temporal de 2005 a 2025. Para o tratamento dos dados, adotou-se a Análise de Conteúdo Temático-Categorial. O aporte conceitual da tese dialoga com a EA Crítica, com as cosmologias do Candomblé, e com o pensamento decolonial e antirracista, além de considerar a importância da patrimonialização e da memória viva dos terreiros. Os resultados qualitativos indicam que os terreiros são espaços de elaboração e transmissão de saberes ancestrais onde natureza, espiritualidade e educação estão intrinsecamente imbricadas. As práticas cotidianas, como o manejo das folhas sagradas, os ritos de iniciação, os banhos, os cânticos e as oferendas, formam um corpo pedagógico fundamentado na ética do axé e em uma ecopedagogia relacional que extrapola os limites da escola tradicional, constituindo uma pedagogia viva e territorializada. Do ponto de vista epistêmico, verificou-se que esses saberes operam uma crítica efetiva ao modelo eurocêntrico e à monocultura do conhecimento científico hegemônico, apresentando metodologias plurais e robustez teórica. Cronologicamente, a análise identificou um crescimento significativo das publicações a partir de 2020, movimento que acompanha o avanço dos debates sobre racismo ambiental, justiça climática e a implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008. Conclui-se que os terreiros constituem espaços fundamentais para uma EA decolonial, formando sujeitos comprometidos com a sustentabilidade da vida e a resistência cultural. Diante disso, a pesquisa aponta a urgência de políticas públicas que reconheçam esses territórios como espaços de proteção da biodiversidade e sugere a inclusão estruturante desses saberes nos currículos de formação docente, bem como a criação de um observatório acadêmico permanente para fortalecer a legitimidade científica dessas epistemologias negras na América Latina.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 1372844 - FRANCISCO JOSE PEGADO ABILIO
Interno(a) - 396857 - MARIA DAS GRACAS DE ALMEIDA BAPTISTA
Externo(a) ao Programa - 3447035 - DIEISON PRESTES DA SILVEIRA
Externo(a) à Instituição - DAYANE DOS SANTOS SILVA
Externo(a) à Instituição - MARIA DA CONCEIÇÃO VIEIRA DE ALMEIDA MENEZES