PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA (PPGA)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de DEFESA: NATHALIA JORGE NOVAIS

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: NATHALIA JORGE NOVAIS
DATA: 19/02/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Remota por videoconferência Google meet
TÍTULO: VOZES DE CONTENDAS”: NARRATIVAS, EXPERIÊNCIAS E PERCEPÇÕES DE DONA IDÁLIA SOBRE O QUILOMBO SÃO PEDRO DOS MIGUÉIS.
PALAVRAS-CHAVES: Quilombo; territorialidade; memória oral; identidade étnica; sertão; ecologia doméstica; parentesco
PÁGINAS: 100
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Antropologia
RESUMO: Esta dissertação propõe uma análise etnográfica do processo de formação étnica e territorial do Quilombo São Pedro dos Miguéis, localizado no município de Catolé do Rocha, no sertão da Paraíba, a partir da narrativa de vida de D. Idália, mulher de 72 anos, nascida no território e descendente da família pioneira oriunda do Quilombo de Contendas, em São Bento/PB. A pesquisa parte da memória oral como metodologia fundamental para compreender as dinâmicas históricas, sociais e simbólicas que estruturam a vida coletiva da comunidade (Halbwachs 1990; Portelli 1997). A história de São Pedro dos Miguéis se revela em camadas: desde os deslocamentos que marcaram os caminhos das famílias quilombolas até os processos cotidianos de construção do território, da territorialidade, das dinâmicas territoriais por meio da ecologia doméstica, da dominialização e do processo de territorialização (Barth 1995; Pacheco de Oliveira 1998; Mura & Barbosa 2011; Mura 2019). Nesse sentido, o conceito de quilombo é compreendido para além de uma categoria histórica restrita ao período colonial, sendo entendido como uma forma de organização social, política e territorial (ABA 1994; O’Dwyer 2002; Arruti 1997, 2005; Almeida 2004, 2011). O termo “remanescente de quilombo”, conforme definido pela Associação Brasileira de Antropologia (1994), vem sendo utilizado pelos próprios grupos para designar um legado, uma herança cultural e material que lhes confere uma referência presencial no sentimento de ser e pertencer a um lugar e a um grupo específico. Essa definição destaca o caráter processual da identidade quilombola, ancorada na memória, nas relações de parentesco e na relação contínua com o território. A trajetória de D. Idália, alicerçada na agricultura e na tradição do conhecimento, evidencia os vínculos entre território e identidade quilombola, construídos a partir dos fluxos de saberes que conectam práticas tradicionais e saberes locais, por meio de processos de aprendizagem, os quais se constituem como práticas formativas enraizadas na experiência cotidiana e na relação com o território (Barth 2000). Trata-se de territórios nos quais o passado não se limita à memória, mas se atualiza nas práticas cotidianas, nos saberes e nas formas de organização social. Nesses contextos, a educação da atenção opera como princípio formativo que organiza os modos de habitar o mundo, afinando percepções, gestos e relações com o território, e orientando a construção de espaços de tradicionalidade e continuidade social (Ingold 2010). A comunidade se expressa, ainda, em práticas cotidianas de cuidado com a terra, na transmissão de saberes e no fortalecimento dos laços comunitários. Ao centrar-se na narrativa de uma mulher quilombola idosa, esta pesquisa contribui para a valorização de epistemologias negras, destacando a oralidade como forma legítima de produção de conhecimento antropológico. A construção identitária do Quilombo São Pedro dos Miguéis é, portanto, compreendida como um processo em constante elaboração, forjado na interseção entre história, espiritualidade, luta, memória e território.
MEMBROS DA BANCA:
Interno(a) - 1716293 - ALEXANDRA BARBOSA DA SILVA
Presidente(a) - 1679324 - FABIO MURA
Externo(a) à Instituição - JOSÉ MAURÍCIO ARRUTI