PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA (PGBiotecM)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Banca de QUALIFICAÇÃO: RACHEL AGUIAR FERNANDES DELDUQUE DE MEDEIROS
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: RACHEL AGUIAR FERNANDES DELDUQUE DE MEDEIROS
DATA: 31/08/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Inferência da Rede Regulatória Gênica de Casos Pediátricos de Linfoma de Burkitt Esporádico
TÍTULO: Inferência da Rede Regulatória Gênica de Casos Pediátricos de Linfoma de Burkitt Esporádico
PALAVRAS-CHAVES: Biologia de redes, biologia de sistemas, Linfoma de Burkitt, transcriptoma, microarranjo.
PÁGINAS: 32
RESUMO: O linfoma de Burkitt (LB) é um câncer não-Hodgkin agressivo oriundo de
células B. O LB acomete crianças e adultos, em ambos os sexos e é classificado em três
subtipos: esporádico, endêmico e associado à imunodeficiência. No entanto, os casos
pediátricos de LB esporádico representam o perfil mais comum da doença. Devido a
diversidade de casos, os dados transcriptômicos são uma ferramenta importante para
caracterizar a doença, prospectar biomarcadores e identificar possíveis alvos terapêuticos. O
objetivo inicial foi realizar uma revisão sistemática para identificar dados transcriptômicos
de casos pediátricos de LB esporádico e negativo para o vírus Epstein-Barr. Artigos
científicos foram pesquisados de forma sistemática no banco de indexação PubMed
(Medline) com um conjunto de termos-chave (Burkitt "rna sequencing" OR burkitt rna-seq
OR burkitt's "rna sequencing" OR burkitt's rna-seq OR Burkitt rnaseq OR Burkitts rnaseq
OR Burkitt transcriptome OR Burkitts transcriptome OR Burkitt RNA NGS OR Burkitts RNA NGS OR Burkitt next-generation RNA OR burkitts next-generation RNA OR Burkitt
RNA illumina OR Burkitts RNA illumina OR Burkitt RNA nanopore OR Burkitts RNA
nanopore) até 31 de outubro de 2025. Os artigos selecionados tinham texto completo
disponível em inglês ou português e incluíam novos dados transcriptômicos disponíveis ao
público. A pesquisa resultou em 625 artigos no período de 2000 à 2025, desses, 95 artigos
continham dados transcriptômicos de plataformas de hibridização
(microarranjos/hibridização de cDNA), dos quais apenas 17 apresentavam dados originais
disponíveis. Entre eles, 12 apresentavam somente dados de linhagens celulares, e apenas dois estudos apresentavam amostras suficientes para comparações entre subtipos de LB
(GSE46064 e GSE35163). Os datasets foram comparados na ferramenta GEO2R
(www.ncbi.nlm.nih.gov/geo/geo2r/) utilizando os parâmetros padrão (default). As
comparações foram restritas à sLB (BL41 e Ramos) e eLB (Namalwa e Raji), nos
experimentos 1 (BL41 x Namalwa) e experimento 2 (BL41 e Ramos x Raji). Os genes
diferencialmente expressos (GDEs) foram identificados pelo valor p ajustado (P-aj) < 0,05.
Os parâmetros para volcano plot foram P-aj < 0,05 e Log2 fold change = 1. O
enriquecimento funcional foi realizado nas ferramentas Kobas 3.0
(https://bioinfo.org/kobas/genelist/) e g:Profiler (https://biit.cs.ut.ee/gprofiler/gost). A
ferramenta String (https://string-db.org/) foi utilizada para a predição de interações físicas e
funcionais entre genes codantes. O experimento-1 identificou 671 GDEs, enquanto o
experimento-2 identificou 33 GDEs. No entanto, apenas 7 GDEs foram comuns aos dois
experimentos. A diferença entre os dois estudos pode ter sido devido ao número limitado de
linhagens celulares analisadas e artefatos técnicos das análises. Por exemplo, BACH2 foi
identificado como um GDE no experimento-2, possivelmente devido ao aumento da sua
atividade na linhagem Raji, fruto da inserção do genoma do vírus Epstein-Barr no íntron-1.
Os 7 GDEs comuns aos dois experimentos não foram enriquecidos para nenhuma função
molecular ou processo biológico específico, sugerindo funções distintas e potencial apenas
como biomarcadores de sLB pediátrico. O enriquecimento funcional dos demais GDEs
identificou processos associados à biologia dos linfócitos B, oncogênese, metabolismo
celular, processos relacionados à membrana celular, entre outros. Os dois conjuntos de
GDEs apresentam fatores caracterizados nas funções de oncogenes (GAST, GSTP1,
HBEGF, NMU, SNAI1/2) e de supressores de tumor (LXN e SPARCL1) em tumores
sólidos ou em hematológicos. Dentre todos os GDEs, 36 são genes que codificam fatores de
transcrição, alguns caracterizados em LB (STAT1, STAT3) e outros de função desconhecida
(EGR2, LX2/3, SNAI1/2, SOX14, etc). Predições de interação física e funcional sugeriram
que os fatores de transcrição identificados atuam de forma pouco coordenada (poucas
interações). No entanto, estas predições, quando incluíam as principais mutações conhecidas
em sLB, possibilitaram identificar inúmeras interações entre os fatores caracterizados e os
identificados pelo estudo. Por exemplo, SNAI1/2 interagem com as principais mutações do
sLB (MYC, PTEN, TP53) e há evidência experimental de que PTEN regula estes fatores de
transcrição. Portanto, estas análises permitiram a identificação de genes codantes associados a sLB e com potencial atuação no controle do fenótipo tumorigênico. A análise de dados de
sequenciamento de RNA (RNA-seq) poderá validar os resultados obtidos com a plataforma
de microarranjo, além de inferir conjuntos de co-regulados (módulos gênicos) utilizando a
análise de coexpressão gênica. A utilização de dados transcriptômicos de célula-única no
contexto da inferência de redes regulatórias vai permitir investigar o papel dos fatores de
transcrição identificados ao simular sua indução ou silenciamento em casos de sLB, com a
intenção de identificar biomarcadores, mecanismos da doença e novos alvos terapêuticos.
MEMBROS DA BANCA:
Interno(a) - 2016711 - IAN PORTO GURGEL DO AMARAL
Interno(a) - 1652922 - SILDIVANE VALCACIA SILVA