PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MODELOS DE DECISÃO E SAÚDE (PPGMDS)

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA (CCEN)

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Banca de DEFESA: WENDEL VINÍCIUS LAURENÇO RODRIGUES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: WENDEL VINÍCIUS LAURENÇO RODRIGUES
DATA: 26/02/2026
HORA: 10:00
LOCAL: AUDITÓRIO PPGMDS
TÍTULO: SÍNDROME PÓS-COVID-19 E FATORES ASSOCIADOS AO DESENVOLVIMENTO DE HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA EM INDIVÍDUOS PREVIAMENTE NORMOTENSOS
PALAVRAS-CHAVES: Síndrome pós-COVID-19; Hipertensão arterial sistêmica; Doenças cardiovasculares; COVID-19; Regressão logística
PÁGINAS: 116
GRANDE ÁREA: Multidisciplinar
ÁREA: Interdisciplinar
RESUMO: A síndrome pós-COVID-19 tem emergido como uma condição clínica complexa, caracterizada pela persistência de sintomas após a fase aguda da infecção pelo SARS-CoV-2, com potenciais repercussões cardiovasculares ainda pouco esclarecidas. Evidências recentes sugerem que alterações autonômicas, inflamatórias e metabólicas podem contribuir para o desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica (HAS) em indivíduos previamente normotensos, configurando um importante problema de saúde pública no período pós-pandêmico. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo investigar a associação entre a síndrome pós-COVID-19 e o desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica em indivíduos previamente normotensos, considerando fatores sociodemográficos, comportamentais e clínicos autorreferidos. Trata-se de um estudo observacional, transversal e analítico, realizado a partir de dados secundários provenientes de uma pesquisa multicêntrica longitudinal patrocinada pela Fiocruz, que segue em desenvolvimento (2023 a 2027) conduzida nos municípios de João Pessoa, Alhandra, Caaporã e Conde, no estado da Paraíba, e no município do Rio de Janeiro. Os dados foram compostos por 1.052 indivíduos sem diagnóstico prévio de HAS. As análises incluíram estatística descritiva e modelagem por regressão logística múltipla para estimar as associações entre a síndrome pós-COVID-19 e o desenvolvimento de HAS, com ajuste para variáveis sociodemográficas, clínicas e comportamentais. Devido à baixa razão evento-por-variável, foi empregada regressão logística penalizada pelo método de Firth. O desempenho do modelo foi avaliado por meio do teste de Hosmer–Lemeshow, da área sob a curva ROC (AUC) e do coeficiente de determinação de Nagelkerke, além de análise de estabilidade por reamostragem bootstrap. Do total de participantes, 86 (8,17%) desenvolveram HAS após a infecção por COVID-19, sendo 68 (12,8%) no grupo com síndrome pós-COVID-19 e 18 (3,5%) no grupo sem a síndrome. No modelo ajustado, a síndrome pós-COVID-19 manteve associação independente e estatisticamente significativa com o desenvolvimento de HAS (OR = 3,82; IC95%: 2,20–6,95; p < 0,001), configurando-se como o principal fator associado ao desfecho. A dislipidemia também se mostrou associada ao aumento das chances de HAS (OR = 2,44; IC95%: 1,41–4,13), enquanto a prática de atividade física antes da COVID-19 apresentou efeito protetor significativo, reduzindo em 46% as chances de desenvolvimento de HAS (OR = 0,54; IC95%: 0,33–0,88). O modelo apresentou boa calibração (Hosmer–Lemeshow, p = 0,64), capacidade discriminatória adequada (AUC = 0,753; IC95%: 0,70–0,81) e poder explicativo moderado (R² de Nagelkerke = 0,16), além de estabilidade das estimativas confirmada pela análise bootstrap. Os resultados indicam que a síndrome pós-COVID-19 está associada ao desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica em indivíduos previamente normotensos, independentemente de fatores sociodemográficos, clínicos e comportamentais, reforçando a necessidade de vigilância cardiovascular no período pós-COVID-19, com ênfase no monitoramento precoce da pressão arterial. Ademais, o estudo contribui de forma inédita sobre a temática para o contexto brasileiro, especialmente no Nordeste, e evidencia a necessidade de pesquisas longitudinais futuras com amostras ampliadas e maior diversidade geográfica, a fim de aprofundar a compreensão dos impactos cardiovasculares da COVID-19 a longo prazo.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 1633107 - ALEXANDRE MEDEIROS DE FIGUEIREDO
Interno(a) - 1643224 - HEMILIO FERNANDES CAMPOS COELHO
Interno(a) - 2031362 - NEIR ANTUNES PAES
Interno(a) - 407221 - VERA LUCIA DAMASCENO TOMAZELLA
Externo(a) à Instituição - DANIELA CRISTINA M MARCULINO