PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PRODUTOS NATURAIS E SINTÉTICOS BIOATIVOS (PPGPN)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Notícias


Banca de DEFESA: SHAYENNE EDUARDA RAMOS VANDERLEY

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: SHAYENNE EDUARDA RAMOS VANDERLEY
DATA: 28/08/2025
HORA: 08:30
LOCAL: Link da vídeoconferência: https://meet.google.com/cky-mfcn-rpf
TÍTULO: ESTUDO DA MODULAÇÃO IMUNOMETABÓLICA DA Cannabis MEDICINAL NA OBESIDADE
PALAVRAS-CHAVES: Obesidade. Fitocanabinoides. Inflamação crônica. Modulação imunológica.
PÁGINAS: 140
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Farmácia
RESUMO: A obesidade é uma condição complexa, associada a inflamação crônica, alterações metabólicas e risco de complicações graves. Fármacos anti-obesidade enfrentam limitações, como efeitos colaterais e reganho de peso. Nesse contexto, a modulação da inflamação crônica surge como estratégia promissora, e fitocanabinoides da Cannabis, como THCv, CBD e CBG, mostram potencial para reduzir a inflamação por meio da interação com receptores canabinoides e outras vias. Nessa perspectiva, investigamos os efeitos de diferentes extratos ricos nesses fitocanabinoides sobre a inflamação crônica e as alterações metabólicas de células do sangue periférico em indivíduos com obesidade, oferecendo novas perspectivas terapêuticas adjuvantes ao tratamento da doença. No presente estudo, foram realizadas análises comparativas em monócitos e células T CD4⁺ totais provenientes de voluntários eutróficos e obesos. As células mononucleares do sangue periférico (PBMCs) desses indivíduos foram coletadas e estimuladas com o extrato rico em fitocanabinoides que apresentou melhor desempenho. Para controle positivo nos experimentos de citometria de fluxo, utilizaram-se lipopolissacarídeo (LPS) para estímulo dos monócitos e anti-CD3/CD28 para ativação dos linfócitos T CD4⁺. Já no ensaio imunoabsorvente ligado à enzima (ELISA), a dexametasona foi empregada como controle anti-inflamatório, enquanto o Staphylococcal enterotoxin B (SEB) foi utilizado como controle positivo para indução inflamatória. Anteriormente a esta etapa, este estudo avaliou a citotoxicidade de extratos brutos ricos em fitocanabinoides de Cannabis sativa em macrófagos murinos RAW 264.7, hemácias humanas e PBMCs, com o objetivo de determinar concentrações seguras para análises imunológicas subsequentes. Foram realizados testes de viabilidade em macrófagos RAW 264.7 e PBMCs pelo método MTT, além da avaliação da taxa de hemólise em eritrócitos humanos. Após a triagem das concentrações citotóxicas médias (CC50) e das concentrações seguras para testes (CC20) dos diferentes extratos, utilizou-se citometria de fluxo para investigar os mecanismos de morte celular induzidos por esses extratos em PBMCs, por meio da marcação com Anexina V/iodeto de propídio (PI). Os resultados do teste MTT indicaram CC50 em células RAW 264.7 de 28,49 μg/mL para CBD, 47,56 μg/mL para CBG e 8,68 μg/mL para THCv. Não foi observada atividade hemolítica para nenhum dos extratos testados. Em PBMCs, as CC50 foram de 5,91 μg/mL para CBD, 15,77 μg/mL para CBG e 6,79 μg/mL para THCv. Quanto ao mecanismo de morte celular, os ensaios com Anexina V/PI mostraram que os extratos induzem predominantemente apoptose, com taxas de morte celular inferiores a 35% nas concentrações referentes à CC50. No que tange ao extrato bruto rico em THCv, selecionado para os testes imunológicos, os resultados demonstram que esse extrato modula seletivamente a resposta imune, com diferenças marcantes entre indivíduos eutróficos e obesos. O tratamento preservou a frequência de IL-10 e IL-4, e reduziu TNF-α em monócitos e linfócitos CD4+ de indivíduos obesos, indicando um perfil potencialmente anti-inflamatório quando comparados com os extratos ricos em CBG e CBD. Na dosagem de citocinas por ELISA foi observado que o THCv reduziu as citocinas IL-17 e IFN-γ em obesos, quando comparado com indivíduos eutróficos. Em monócitos, a maior frequência de CD220⁺ foi observada nos indivíduos obesos, enquanto p-RPS6K1 não apresentou distinção. Ambos os marcadores nesta célula, não diferiu a frequência nos tratamentos, concentrações e tempos avaliados. Na análise da mieloperoxidase (MPO), o THCv reduziu monócitos MPO⁺ em eutróficos, mas não em obesos. O tratamento diminuiu também a frequência de IL-17A em linfócitos CD4+ de indivíduos obesos, quando comparado com eutróficos. Em linfócitos CD4⁺, indivíduos obesos exibiram menor expressão de CD220 e redução de p-RPS6K1 após tratamento, quando comparados com eutróficos. Além disso, a menor frequência de linfócitos CD4⁺ CD39⁺CD73⁺ em obesos, não foi revertida pelo tratamento. Por fim, o extrato bruto rico em THCv modulou seletivamente a resposta imune, evidenciando que o perfil imunometabólico basal influencia a resposta a fitocanabinoides, integrando a regulação de vias inflamatórias, imunorregulatórias e de sinalização intracelular.
MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - JULIANA DE ASSIS SILVA GOMES ESTANISLAU
Interno - 1117945 - MARCIA REGINA PIUVEZAM
Presidente - 1889422 - TATJANA KEESEN DE SOUZA LIMA CLEMENTE