CCS - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA, EM NÍVEL DE MESTRADO ACADÊMICO (PPGSC)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Notícias
Banca de DEFESA: THAIS MUNHOLI RACCIONI
Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: THAIS MUNHOLI RACCIONI
DATA: 14/08/2026
HORA: 09:30
LOCAL: Sala de defesa do PPGSC
TÍTULO: Para que os Warao voltem a morrer de velhos: uma cartografia da produção de vida junto ao povo Warao na Paraíba
PALAVRAS-CHAVES: Warao. Saúde Coletiva. Necropolítica. Cuidado intercultural. Cartografia.
PÁGINAS: 121
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Saúde Coletiva
RESUMO: A dissertação analisa a experiência de produção de vida do povo Warao junto e apesar da Rede de
Atenção à Saúde em João Pessoa/PB. Os Warao são um povo indígena originário do Delta do
Orinoco, na Venezuela, que migrou forçadamente para o Brasil em decorrência da crise humanitária
e ambiental, encontrando nas cidades brasileiras condições precárias de abrigo, saúde e subsistência.
O estudo, de natureza qualitativa, baseia-se na cartografia e na pesquisa-interferência, partindo da
experiência implicada de uma pesquisadoratrabalhadora no Centro Estadual de Referência de
Migrantes e Refugiados (CERMIR), responsável pela implementação de ações de acolhimento e
cuidado a indígenas venezuelanos refugiados. Compreende o campo como território vivo, onde se
produzem sentidos, afetos e políticas, construindo o material empírico a partir do acompanhamento
cotidiano das famílias Warao, registros em diário cartográfico, análise documental e diálogos com
profissionais e indígenas. O objetivo é analisar a experiência de produção de vida do povo Warao
junto e apesar da Rede de Atenção à Saúde e das políticas públicas brasileiras, evidenciando tensões
e potências no encontro entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os modos próprios de cuidado
desse povo. A dissertação organiza seus resultados em três artigos: o primeiro traça a trajetória do
povo Warao, das águas profundas do Delta Amacuro ao rio Parahyba, evidenciando o processo
migratório e as condições que determinam o adoecimento e a precarização da vida; o segundo
apresenta um relato de experiência no campo da saúde, destacando as barreiras institucionais e os
atravessamentos interculturais nas práticas cotidianas de cuidado; e o terceiro analisa o processo de
produção de saúde junto ao SUS, problematizando as lacunas nas políticas públicas que ao não
reconhecer a interseccionalidade indígena-migrante-refugiada produzem políticas de morte. O referencial teórico articula os conceitos de necropolítica, micropolítica e produção de vida,
encantaria, re-existência, ancestralidade, fronteiras e encruzilhadas. Apesar das múltiplas expressões
de morte que atravessam a vida Warao desterritorialização, racismo institucional, violências de
gênero, exclusão e apagamento epistêmico emergem práticas de resistência e reinvenção do
cuidado que afirmam potências de vida e tensionam as fronteiras coloniais das políticas públicas.
Defende-se a urgência de políticas que integrem perspectivas interculturais de cuidado,
reconhecendo os povos indígenas migrantes como sujeitos de direitos e coautores na produção de
saúde e vida.
MEMBROS DA BANCA:
Interno(a) - 3149299 - ANSELMO CLEMENTE
Presidente(a) - 1366694 - JULIANA SAMPAIO
Externo(a) à Instituição - LAURA CAMARGO MACRUZ FEUERWERKER