CCS - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA, EM NÍVEL DE MESTRADO ACADÊMICO (PPGSC)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Banca de QUALIFICAÇÃO: TALITA TAVARES ALVES DE ALMEIDA
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: TALITA TAVARES ALVES DE ALMEIDA
DATA: 23/10/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Auditório do NESC
TÍTULO: FATORES DETERMINANTES DAS ARBOVIROSES NA
PARAÍBA (2016-2024): um estudo ecológico
PALAVRAS-CHAVES: Arboviroses; Dengue; Zika; Chikungunya;
Vulnerabilidade social; Determinantes socioambientais; Epidemiologia ecológica; Paraíba.
PÁGINAS: 70
RESUMO: As arboviroses constituem importante problema de saúde pública, especialmente em
regiões tropicais e subtropicais, onde fatores ambientais, climáticos, sociais e territoriais
podem favorecer a presença do vetor e a ocorrência da transmissão. No Brasil, dengue, Zika
e chikungunya apresentam elevada relevância epidemiológica, com distribuição heterogênea
e possibilidade de cocirculação, impondo desafios à vigilância e ao controle. Este estudo teve
como objetivo analisar os fatores socioeconômicos, socioambientais e sociodemográficos
associados à ocorrência de dengue, Zika e chikungunya no estado da Paraíba, entre 2016 e
2024, a partir de uma abordagem ecológica. Trata-se de estudo ecológico retrospectivo, de
base municipal, abrangendo os 223 municípios paraibanos. Foram utilizados dados do
Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), referentes aos casos
confirmados das três arboviroses, dados entomológicos do Programa Nacional de Controle
da Dengue (PNCD) e do Levantamento Rápido de Índices de Infestação por Aedes aegypti
(LIRAa/LIA), dados populacionais e cartográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) e indicadores socioeconômicos e de vulnerabilidade social provenientes
do IPEA Data e de bases oficiais. Foram analisadas a incidência das arboviroses, a
distribuição espacial dos agravos e do vetor, a Razão de Incidência Espacial (RIE) e as correlações entre os indicadores epidemiológicos e socioeconômicos e socioambientais,
inicialmente para o conjunto dos municípios e, posteriormente, segundo as três macrorregiões
de saúde. Os dados foram processados e analisados no software R. Os resultados
evidenciaram heterogeneidade na ocorrência das arboviroses e diferentes padrões de
associação segundo o agravo e o território. No conjunto dos municípios, a incidência de
dengue apresentou correlação negativa com o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) geral
(rho = -0,177; p = 0,0084) e positiva com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal
(IDHM) (rho = 0,328; p < 0,0001). Para Zika, foram observadas correlações positivas com o
IVS de infraestrutura urbana, com a proporção de pessoas residentes em domicílios com
abastecimento de água e esgotamento sanitário inadequados, com o percentual de pessoas de
baixa renda submetidas a deslocamentos prolongados para o trabalho e com o IDHM. A
incidência de chikungunya apresentou correlações positivas com o indicador de baixa renda
associado ao deslocamento prolongado para o trabalho e com o IDHM. Nas análises por
macrorregião, os padrões mostraram-se diferenciados. Na Macrorregião 1, destacaram-se
associações positivas entre as incidências e o IDHM, além de associações negativas entre
indicadores de vulnerabilidade e dengue e chikungunya. Na Macrorregião 2, o IDHM
apresentou associação positiva com a incidência de dengue, enquanto o indicador relacionado
à baixa renda e ao deslocamento prolongado para o trabalho apresentou associação positiva
com Zika e chikungunya. Na Macrorregião 3, foram observadas associações negativas entre
as três arboviroses e indicadores de vulnerabilidade social e infraestrutura urbana,
concomitantemente a associações positivas com o IDHM. Os achados indicam que a
ocorrência das arboviroses na Paraíba não apresenta relação linear única com a
vulnerabilidade social, mas configura um fenômeno territorial complexo, no qual condições
de vida, desenvolvimento humano, infraestrutura, mobilidade, urbanização e capacidade de
detecção e resposta dos serviços podem participar de diferentes formas da dinâmica
observada. As associações positivas entre incidência e IDHM devem ser interpretadas
considerando, entre outros aspectos, possíveis diferenças territoriais no acesso aos serviços,
diagnóstico, notificação e capacidade de vigilância, não sendo possível estabelecer relações
causais a partir do desenho ecológico. Conclui-se que a distribuição das arboviroses no estado
apresenta especificidades territoriais e que sua compreensão requer uma abordagem
integrada, capaz de articular dimensões epidemiológicas, sociais, ambientais e territoriais. Os
resultados reforçam a importância de estratégias de vigilância em saúde orientadas pelo território, articulando vigilância epidemiológica e entomológica, atenção à saúde,
saneamento, planejamento urbano e ações intersetoriais, de modo a reconhecer as diferentes
formas de exposição, vulnerabilidade, detecção e resposta presentes nos municípios
paraibanos.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 1720478 - GABRIEL RODRIGUES MARTINS DE FREITAS
Interno(a) - 1331076 - GABRIELLA BARRETO SOARES
Externo(a) à Instituição - RENATA VALERIA NOBREGA