CCS - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA, EM NÍVEL DE MESTRADO ACADÊMICO (PPGSC)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: EDLAYNE RIBEIRO DA SILVA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: EDLAYNE RIBEIRO DA SILVA
DATA: 24/10/2025
HORA: 13:00
LOCAL: NESC
TÍTULO: VOZES DA (RE)EXISTÊNCIA: UMA CARTOGRAFIA DA MULHER NEGRA NO TERRITÓRIO E SEUS ENCONTROS (DES)FORMATIVOS
PALAVRAS-CHAVES: Saúde; Mulheres negras; Cartografia.
PÁGINAS: 91
RESUMO: Esta dissertação investiga as práticas de cuidado e promoção da saúde produzidas por mulheres negras no território de Oitizeiro, a partir do acompanhamento do Grupo de Terapia Comunitária Integrativa realizado na USF Funcionários I. Com abordagem qualitativa e método cartográfico, a pesquisa combina diário cartográfico, e escrevivência para captar as tramas afetivas, políticas e institucionais que constituem práticas não hegemônicas de cuidado. A interseccionalidade é adotada como lente analítica para apreender como gênero, raça e classe atravessam vulnerabilidades e, simultaneamente, constroem estratégias coletivas de resistência e reexistência no cotidiano. O cuidado no território se articula por meio de múltiplas tecnologias sociais: rituais cotidianos, trocas alimentares, partilhar e práticas de cuidado mútuo que operam como dispositivos preventivos de saúde e como formas concretas de enfrentamento ao racismo institucional. Essas práticas revelam o afeto, a memória e a oralidade como componentes centrais, e apontam para uma economia do cuidado que desafia a centralidade biomédica das rotinas do SUS. A pesquisa mostra também que as mulheres que organizam e sustentam essas redes mobilizam saberes populares e práticas coletivas que funcionam tanto como espaços de acolhimento coletivo. A inserção das pesquisadoras negras no processo investigativo — qualificada aqui como aquilombamento acadêmico — é tratada não apenas como posicionamento ético, mas como procedimento metodológico que promove coautoria, legitima saberes não institucionais e redefine as fronteiras entre universidade, serviços de saúde e comunidade. Esse procedimento possibilita práticas de pesquisa mais responsivas e responsáveis, ampliando a validade epistemológica das escrevivências e dos relatos coletivos. Conclui-se que reconhecer, fortalecer e incorporar essas práticas comunitárias nos dispositivos de planejamento e formulação de políticas públicas contribui para a integralidade e a equidade do cuidado, sobretudo para populações racializadas. Essas medidas são apresentadas como caminhos plausíveis para potencializar a promoção de saúde e a justiça social a partir das próprias experiências de cuidado produzidas no território.
MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ALESSANDRA RENATA GEREMIAS
Presidente - 3149299 - ANSELMO CLEMENTE
Interno - 1007522 - MARIA LIDIANY TRIBUTINO DE SOUSA