PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL (PPGPS)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: Juliana Rizia Felix de Melo

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: Juliana Rizia Felix de Melo
DATA: 22/06/2016
HORA: 09:00
LOCAL: JOAO PESSOA
TÍTULO: PRECONCEITO FLAGRANTE E SUTIL FRENTE À ESQUIZOFRENIA: EXPLICAÇÕES COM BASE EM CRENÇAS CAUSAIS E ESTEREÓTIPOS
PALAVRAS-CHAVES: preconceito; esquizofrenia; saúde/doença mental
PÁGINAS: 199
RESUMO: O preconceito frente à esquizofrenia é um fenômeno muito presente e enraizado no tecido social. Os estudos mais atuais na área do preconceito mostram que este não se dá mais apenas de forma flagrante, uma vez que expressar o preconceito de maneira aberta numa sociedade considerada democrática e igualitária tornou-se contra as normas sociais; entretanto, sabe-se que o preconceito não deixou se existir, mas assumiu formas mais sutis de manifestação. Diante disso, objetivou-se propor um modelo de preconceito flagrante e preconceito sutil para o contexto da esquizofrenia, indicando os estereótipos e as crenças causais que explicam esses dois tipos de preconceito. Para o alcance desse objetivo, foram realizados 3 estudos de cunho quantitativo e descritivo. O primeiro visou criar e validar as escalas de: percepção de inadequação ao padrão de normalidade, exagero das diferenças grupais e benevolência; além disso, se adaptou com o termo “portador de esquizofrenia” as escalas de: percepção de ameaça frente o doente mental e a escala de distância social frente o doente mental; sendo, portanto, essas cinco escalas os instrumentos deste primeiro estudo. A amostra contou com 200 estudantes de universidades públicas e privadas de cidades da Paraíba, com média de idade de 25,31 anos (DP=7,21). Os dados foram analisados por meio do SPSS, em que foram realizadas análises fatoriais exploratórias. As escalas apresentaram bons índices psicométricos com Alfas de Cronbach variando de 0,62 a 0,84. Com o intuito de efetuar uma análise confirmatória da estrutura destas medidas, realizou-se o segundo estudo, que contou com 200 estudantes de universidades públicas e privadas de cidades da Paraíba, com média de idade de 24,82 anos (DP=6,97). Na análise dos dados foi utilizado o programa AMOS, que foi empregado para realizar análises fatoriais confirmatórias, adotando-se o estimador ML (Máxima Verossimilhança). Os resultados das análises fatoriais confirmatórias permitiram comprovar a estrutura fatorial das escalas, as quais apresentaram índices de ajustes satisfatórios. Tendo em vista a adequabilidade das escalas propostas, realizou-se o terceiro estudo com o objetivo de testar o modelo do preconceito flagrante e sutil, indicando os estereótipos e as crenças causais que explicam esses dois tipos de preconceito. Para isso, contou-se com 200 estudantes de universidades públicas e privadas de cidades da Paraíba, com média de idade de 29,1 anos (DP=8,52). Utilizou-se como instrumentos as cinco escalas validadas nos estudos 1 e 2, bem como uma de estereótipos e uma de crenças causais. Foram efetuadas análises estatísticas descritivas e inferenciais por meio do SPSS e confirmatórias por meio do AMOS. Constatou-se que o modelo com dois fatores correlacionados, denominados de Preconceito Flagrante (reunindo as dimensões: Percepção de ameaça e Rejeição a relações de intimidade) e Preconceito Sutil (agrupando as dimensões: Benevolência, Percepção de Inadequação e Exagero das diferenças grupais), foi o modelo que apresentou os melhores índices de ajustes quando comparados com outros seis modelos alternativos, mostrando evidências de que há a expressão de um preconceito sutil frente à esquizofrenia. Verificou-se ainda que o estereótipo de periculosidade e as crenças causais religiosas e psicológicas foram as que explicaram o preconceito flagrante. Observou-se também que os estereótipos de periculosidade, atribuição de pena e incapacidade predizem o preconceito sutil, bem como as crenças causais religiosas. Com isso, conclui-se que é fundamental um trabalho de combate ao preconceito que envolva os valores, normas sociais e a própria cultura da nação brasileira, considerando o preconceito como produzido e sustentado por teias ideológicas mais amplas e complexas, que precisam ser transformadas visando a uma sociedade verdadeiramente mais justa e igualitária.
MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ANGELA ELIZABETH LAPA COELHO
Interno - 2483066 - PATRICIA NUNES DA FONSECA