PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (PPGCI)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Notícias
Banca de QUALIFICAÇÃO: SAMUEL AMARAL VERAS BONIFACIO
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: SAMUEL AMARAL VERAS BONIFACIO
DATA: 24/09/2026
HORA: 14:00
LOCAL: via meet
TÍTULO: JOSÉ LEAL DA SILVA, UM REPÓRTER NA FRONTEIRA DA LOUCURA:
MEMÓRIA, TRAJETÓRIA E ESCRITA DE SI
PALAVRAS-CHAVES: José Leal da Silva; Escrita de Si; trajetória infomemorial; memória; esquecimento.
PÁGINAS: 130
RESUMO: José Leal da Silva (1924-1977) foi um jornalista e escritor paraibano, nascido em Alagoa Nova. Alcançou projeção nacional ao trabalhar em importantes veículos de imprensa, como a revista O Cruzeiro e o jornal O Globo. Neste último, em 1956, recebeu o Prêmio Esso de Reportagem pela série 180 dias na fronteira da loucura, na qual narrou seu drama pessoal como alcoólatra, experiência que culminou com sua internação durante seis meses no Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB). Em 1957, as reportagens foram ampliadas e transformadas em um livro de mesmo nome, publicado pela editora Irmãos Pongetti. José Leal notabilizou-se pela produção de grandes reportagens e tornou-se um dos nomes de destaque da imprensa nacional entre as décadas de 1940 e 1960. Com o passar do tempo, porém, afastou-se das redações e passou a dedicar-se a trabalhos burocráticos em órgãos estatais. Longe da imprensa, suicidou-se em janeiro de 1977, aos 52 anos. Apesar da relevância de sua trajetória profissional, as referências ao seu trabalho são atualmente escassas, enquanto o acesso à sua produção jornalística e literária permanece limitado. Esta pesquisa tem como objetivo principal reconstruir a trajetória infomemorial de José Leal, buscando compreender os processos históricos, sociais e discursivos relacionados ao posterior esquecimento de sua figura e às formas de silenciamento de sua memória, conforme a conceituação de Ricoeur (2007). Para isso, a pesquisa reuniu um corpus constituído por sete categorias documentais: produção autobiográfica, representada pela série de reportagens e pelo livro 180 dias na fronteira da loucura; arquivo pessoal; produção jornalística; acervo bibliográfico, representado por A civilização dourada; registros civis; documentação institucional, incluindo registros clínicos do IPUB, documentos do Sistema Nacional de Informações (SIAN) e Supremo Tribunal Federal (STF); e, por fim, registro audiovisual, que correspondente à participação de José Leal no filme Viagem ao fim do mundo (1968). Trata-se de uma pesquisa de cunho bibliográfico e documental, complementada por entrevistas abertas com o filho de José Leal, Álamo Leal. O corpus foi analisado à luz da Escrita de Si, de Foucault (1992) e Gomes (2004), e articulado segundo o paradigma indiciário de Ginzburg (1989, 2006). Os resultados apontam que o apagamento da trajetória de José Leal não pode ser explicado pela ausência de relevância histórica de sua atuação, mas deve ser compreendido em relação ao afastamento progressivo do jornalismo, à limitada circulação e preservação de sua produção e às formas pelas quais sua experiência com o alcoolismo e a internação psiquiátrica repercutiram na construção posterior de sua memória. O cruzamento entre as fontes permitiu, ainda, identificar divergências entre diferentes registros e trazer luz sobre aspectos pouco conhecidos de sua trajetória, contribuindo para a reconstrução de sua presença na imprensa brasileira e para a compreensão dos processos de constituição, preservação e esquecimento de sua memória.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 3116045 - BERNARDINA MARIA JUVENAL FREIRE DE OLIVEIRA
Interno(a) - 3380685 - EDVALDO CARVALHO ALVES
Interno(a) - 2973503 - ANA CLAUDIA MEDEIROS DE SOUSA
Interno(a) - 3116047 - IZABEL FRANCA DE LIMA
Externo(a) à Instituição - MURILO ARTUR ARAÚJO DA SILVEIRA
Externo(a) à Instituição - PATRICIA LADEIRA PENNA MACÊDO
Externo(a) à Instituição - ZENY DUARTE DE MIRANDA MAGALHÃES DOS SANTOS