PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (PPGCI)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Notícias
Banca de DEFESA: DULCE EDITE SOARES LOSS
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: DULCE EDITE SOARES LOSS
DATA: 18/03/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Mini auditório 1 - Bloco da Pós-graduação - CCSA
TÍTULO: OUNJẸ MIMỌ: INFOMEMÓRIAS E ALIMENTAÇÃO EM TERREIROS DE CANDOMBLÉ
PALAVRAS-CHAVES: infomemória; Candomblé; cultura; alimentação sagrada; identidade
PÁGINAS: 113
GRANDE ÁREA: Ciências Sociais Aplicadas
ÁREA: Ciência da Informação
SUBÁREA: Teoria da Informação
RESUMO: A alimentação sagrada, ounjẹ mimọ, desempenha papel central no Candomblé, culto à ancestralidade, constituindo-se um elemento notável, tanto nas ritualísticas do culto como na vida particular de seus adeptos/as, assumindo significativa importância no saber ancestral histórico divinizado negro-africano oriundo da memória ancestral na diáspora negra. A comida no culto à ancestralidade é a responsável pelo contato dos seres humanos com o divino. No Candomblé, a comida fala, o alimento tem voz. Dentro dessa lógica, revela-se como um meio de comunicação em um processo informacional carregado de ritos e símbolos, sendo este um veículo que revela uma cultura e uma identidade. Na Ciência da Informação, analisar uma alimentação sagrada em um terreiro de Candomblé se tornou prioridade devido à efetiva comunicação de conhecimentos que geram transformações de sujeitos pela informação. Nesse cenário, o objetivo geral desta tese foi investigar as infomemórias, sobre a alimentação sagrada como marco na construção identitária individual e coletiva nas tradições étnico-culturais Ketu e Èkìtì-Ẹ̀fọ̀n. A questão norteadora girou em torno da seguinte pergunta: em que medida as infomemórias sobre a alimentação sagrada contribuem para construções identitária próprias e coletivas nas comunidades de Candomblé, nações Ketu e Èkìtì-Ẹ̀fọ̀n? A questão surge a partir da hipótese de que as infomemórias adquirem uma função primordial no contexto de uma alimentação sagrada por promover uma identidade sociocultural entre os/as filhos/as de santo na qual eles se reconhecem e se veem reconhecidos na sociedade em que vivem. Com uma abordagem qualitativa descritiva, utilizam-se como instrumentos metodológicos além da pesquisa bibliográfica a etnografia com observação participante, conversas no cotidiano, descrição densa de Geertz (1989) e entrevistas semiestruturada com membros e dirigentes de duas casas de Candomblé na cidade de João Pessoa-PB: Ilê Axé Omilodé, nação Ketu e, Ile Ase Osoguiã, nação Èkìtì-Ẹ̀fọ̀n. Os dados coletados foram discutidos e interpretados à luz da semiótica. Os resultados apresentados revelam que as comidas sagradas perfazem um cardápio votivo portador de múltiplos significados simbólicos, que, em uma leitura, o mito assume um lugar central de transmissão de conhecimento, fazendo a comida ser vista pelos seus praticantes como manutenção, equilíbrio, estabilidade e transformação de vida, ou seja, como àṣẹ, força vital. As informações sobre aquilo que não se deve comer, èèwós, também são significativas, pois revelam uma particularidade inerente a esses povos que são dotados de extrema importância na vida dos sujeitos pertencentes a uma ègbé. Verifica-se no decorrer deste trabalho que a apropriação e disseminação da infomemória tem sido a fonte de conservação, de manutenção e perpetuação deste legado religioso bem como o mecanismo de socialização relacionada a uma alimentação sagrada permitindo a formação de uma identidade individual e coletiva entre os povos de religiões de matriz africana.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 1346139 - CARLOS XAVIER DE AZEVEDO NETTO
Interno(a) - 3380685 - EDVALDO CARVALHO ALVES
Interno(a) - 3116045 - BERNARDINA MARIA JUVENAL FREIRE DE OLIVEIRA
Interno(a) - 3116047 - IZABEL FRANCA DE LIMA
Externo(a) ao Programa - 1089747 - CARLA MARIA DE ALMEIDA
Externo(a) à Instituição - THAIS CATOIRA PEREIRA
Externo(a) à Instituição - PATRÍCIO CARNEIRO ARAÚJO