PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO (CT - PPGAU)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de DEFESA: GABRIEL DE OLIVEIRA MADRUGA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: GABRIEL DE OLIVEIRA MADRUGA
DATA: 15/07/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Laboratório de Pesquisa Projeto e Memória 2 (LPPM2)
TÍTULO: Fachadas fantasmas: os espectros da arquitetura eclética na cidade de João Pessoa
PALAVRAS-CHAVES: Ecletismo na arquitetura; Leitura histórico-morfológica; Obituário arquitetônico; Modernização urbana; Patrimônio histórico
PÁGINAS: 332
GRANDE ÁREA: Ciências Sociais Aplicadas
ÁREA: Arquitetura e Urbanismo
RESUMO: A arquitetura do passado sobrevive no espaço urbano como um espectro, apagada da memória oficial. As edificações, testemunhos de tempos pretéritos, inscrevem-se como fachadas fantasmas – vestígios de permanências e rupturas que assombram a cidade. Esta pesquisa investiga o ecletismo na arquitetura de João Pessoa, capital da Paraíba, do final do século XIX à primeira metade do século XX. Nesse período de modernização urbana, a linguagem eclética, pautada na liberdade compositiva e na polifonia estilística, materializa o ideário republicano, contando com mais de mil exemplares identificados. Apesar de sua relevância, o repertório eclético local recebe menções breves e superficiais na literatura, sendo recorrentemente lido sob uma única lente analítica. Além da escassez documental, verifica-se um visível processo de abandono que vulnerabiliza a integridade física do referido acervo. Esta dissertação objetiva realizar uma leitura histórico-morfológica da arquitetura eclética, adotando como recorte as edificações construídas no perímetro e adjacências do núcleo inicial da cidade e adjacências no recorte temporal supramencionado. Mediante a (re)constituição da trajetória formal dessa linguagem, intenta-se (re)conhecer sua recepção e formas de representação na urbe. Para tanto, o trabalho arrola o ‘acervo vivo’ – constituído de 914 imóveis – e reconstitui o ‘acervo morto’ – com 246 –, totalizando uma amostra de 1160 edificações. O mapeamento permitiu decodificar a dispersão da linguagem e compreender sua resposta às dinâmicas urbanísticas. Foram aplicados atributos analíticos para sistematizar os exemplares segundo parâmetros morfológicos, com ênfase nos planos e volumes. Esse esforço permitiu avaliar tal produção à luz dos fatores históricos que condicionaram sua manifestação, recepção e difusão. Constatou-se que o ecletismo se espraiou nas áreas de ocupação mais antigas da urbe e estendeuse de forma categórica pelos setores de expansão, onde assumiu papel estruturante. Morfologicamente, verificou-se que a linguagem é expressa segundo três fases distintas. Na primeira, de transição, revelam-se continuidades com o modus aedificandi colonial e imperial, manifestando-se frequentemente como uma ‘maquiagem’ aplicada sobre edificações preexistentes no núcleo inicial. Na segunda fase, a linguagem adquire contornos sistêmicos impulsionados pela prosperidade econômica do comércio algodoeiro; espalha-se pelos setores de expansão da urbe, difunde-se entre as classes abastadas e experimenta maior liberdade construtiva com a introdução de recuos no lote. Nesse momento, consolida-se uma ruptura historicista mais assertiva com a tradição colonial, viabilizando experimentações formais que consumam o projeto modernizante. Na terceira fase, ocorre um afastamento conceitual dos cânones ecléticos, incorporando uma tendência à depuração ornamental que anteciparia o modernismo. Conclui-se que o ecletismo manifesta-se em João Pessoa como um campo ampliado de liberdade compositiva, marcado por interpretações personalizadas de repertórios consagrados que conferem apelo visual às edificações e dotam a cidade de uma prática inventiva alinhada aos anseios modernizantes da sociedade republicana.
MEMBROS DA BANCA:
Externo(a) ao Programa - 3282445 - ADRIANA LEAL DE ALMEIDA FREIRE
Externo(a) à Instituição - FRANCISCO SALES TRAJANO FILHO
Presidente(a) - 335061 - IVAN CAVALCANTI FILHO
Interno(a) - 338233 - MARIA BERTHILDE DE BARROS LIMA E MOURA FILHA
Interno(a) - 2334173 - WYLNNA CARLOS LIMA VIDAL