PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO (PPGAU)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: GIANNA MONTEIRO FARIAS SIMÕES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: GIANNA MONTEIRO FARIAS SIMÕES
DATA: 12/08/2022
HORA: 14:30
LOCAL: Link: https://us05web.zoom.us/j/84147515871?pwd=aWlmZ3A1N1VqVUhhWVVCcVByVXVWdz09
TÍTULO: Adaptações espaciais nas habitações sociais e o impacto no conforto térmico interno e consumo energético. Um cenário de ocupações desenfreadas e uma pobreza energética não percebida
PALAVRAS-CHAVES: Habitação de reabilitação de favela; Reformas; Conforto térmico; Pobreza de combustível; Comportamento dos ocupantes.
PÁGINAS: 120
RESUMO: Conjuntos de Habitação Social nem sempre atingem os objetivos pretendidos. Problemas como redução dimensional, o repasse da edificação, falta de segurança, conflitos entre os moradores, entre outros são comumente associados à inadaptação dos moradores à sua nova condição. Sem orientação técnica, moradores adaptam a moradia às suas necessidades, mas geralmente comprometem o desempenho do edifício. De todos os comportamentos adaptativos possíveis, alguns exigem grande uso de energia para resfriamento dos ambientes na tentativa de amenização do desconforto térmico interno. Dada a importância do custo da energia para as famílias com rendimentos mais baixos, o consumo de energia pode onerar muito o orçamento familiar, e as famílias podem não ter energia suficiente para sua subsistência, conforto e lazer. Os objetivos delineados do estudo são: 1- investigar a dinâmica das modificações realizadas em habitações sociais e suas consequências para as condições de habitabilidade e, 2- compreender os fatores comportamentais associados ao consumo de combustível (energia e gás de cozinha). Esse estudo visa fornecer informações detalhadas sobre o processo de adaptação de população vulnerável em habitações seriadas e, gerar implicações importantes para os formuladores de políticas. A pesquisa compreende três conjuntos habitacionais, nomeadamente: Taipa Nova Vida (TNV1 e TNV2), Gadanho (G) e Timbó (T), na Cidade de João Pessoa, estado da Paraíba, Brasil. A análise inicial compreendeu o estudo de dois tipos arquitetônicos (G e T), em seguida, a pesquisa foi ampliada para mais dois tipos (TNV1 e TNV2). O conjunto de dados aqui apresentado compreende o levantamento e estudo de 4 grandes variáveis observadas nas unidades habitacionais analisadas: 1 - conforto térmico interno, 2 - adaptação espacial (modificações), 3 - pobreza energética e pobreza de combustível e 4 – comportamento. Para a modelagem 3d dos conjuntos habitacionais foi utilizado o software Revit e no RStudio foram executados os testes estatísticos. O consumo de energia domiciliar (2013 – 2020) das casas da amostra (G e T) foi informado pela concessionária regional de energia elétrica (ENERGISA-PB). Questões relacionadas à aquisição de eletrodomésticos e consumo do gás de cozinha foram adicionadas ao questionário no período de ampliação da pesquisa (TNV1 e TNV2). A pesquisa de campo para a coleta de dados compreendeu mapeamento espacial das habitações, medições das condições térmicas no interior das moradias e entrevista semiestruturada com um representante da moradia. A tese compila os principais resultados de 8 artigos científicos publicados ao longo de todo o período de estudo (4 artigos publicados até o momento). A aplicação do questionário resultou em 156 questionários completos. Os resultados evidenciam que o número de ampliações nas moradias é elevado e são mais frequentes no piso térreo, porque ampliar as unidades superiores em um duplex apresenta maiores dificuldades por exigir maior investimento em estrutura. Por isso, áreas térreas são disputadas e há grande insatisfação com moradias duplex. Os padrões de expansão mais frequentes identificados nos tipos arquitetônicos foram: ampliar a cozinha e lavanderia, construir terraço coberto, cobrir lavandeira e, construir quartos. Há uma tendência de expansões com ocupação total do lote. A necessidade de mais espaço é confirmada pelas casas que cresceram mais de 30,0% até mais de 70,0% (G e T, verificar TNV1 e TNV2). As expansões estão associadas com um elevado número de retirada de esquadrias com confinamento de muitos ambientes, sejam eles originais ou recém-construídos. A baixa qualidade das esquadrias entregues também é um fator dificultador, pois enferrujam e se quebram facilmente, impossibilitando o uso. Além do desconforto térmico, muitos ambientes apresentam sinais de insalubridade como: mofo, ausência de ventilação e iluminação natural, impactando negativamente na saúde dos moradores. No geral as casas apresentaram de 3,5 °C à 5,5 °C acima do recomendado pela ASHRAE 55-2017. As medianas da temperatura do ar variaram de 29,5 ºC à 31,5 ºC, as temperaturas máximas e mínimas registradas foram 33,4 °C e 27,5 °C, respectivamente; a mediana da velocidade do ar variou 0,1 m/s à 0,7 m/s, enquanto a umidade variou de 60,5% à 67,2%. Casas mais ampliadas apresentaram os piores resultados nas três variáveis térmicas analisadas. A massa construtiva adicionada à habitação está diretamente associada com a redução no percentual das aberturas externas. Foram encontrados casos extremos em que o portão de acesso à casa é a única forma de contato com o exterior. O percentual de insatisfação dos usuários com o calor no interior da moradia é elevado (75,0%) e com a baixa velocidade do ar (65,3%). Dos 23,0% dos entrevistados que afirmaram estar em conforto térmico (mediana 29,9 °C, 0,6 m/s e 63,1%, temperatura do ar, velocidade do ar e umidade, respectivamente), 4,5% preferiam um ambientemais frio. Em resposta ao elevado desconforto térmico, são recorrentes as estratégias adaptativas individuais, principalmente uso de ventilador, abertura de portas e janelas, uso de poucas roupas ou roupas mais leves, consumo de bebida gelada e permanência em ambiente externo. Ventiladores de mesa são muito utilizados; os maiores registros são de 2-6 h por dia e >10 h (G e T, verificar TNV1 e TNV2). A privacidade tem se mostrado uma questão importante para a população entrevistada. De toda a amostra, 44,0% usam o distanciamento social diariamente, sem contato com vizinhos nas ruas ou calçadas, enquanto 16,0% mantém suas janelas sempre fechadas para privacidade. A alta permanência dos moradores no interior dos lares combina o fato de ser elevado o número de desempregados, a necessidade de privacidade e segurança. Quanto ao consumo de energia elétrica, os resultados mostram que ele tem aumentado ao longo dos anos. Os principais fatores associados à quantidade de energia utilizada são: expansão da área construída, número de ocupantes, quantidade de equipamentos (estado de uso e eficiência energética), época do ano (verão) e composição familiar. Da amostra (G e T), 51,0% consumiam mais de 100,0 kWh por mês (último valor de agosto de 2021) e usufruíram do desconto mínimo de 10,0% da Tarifa Social Nacional, enquanto apenas 4,7% usufruíram do desconto máximo de 65,0%. Usufruir plenamente do subsídio oferecido pelo governo é inatingível para a população de baixa renda. 37,6% da amostra é altamente vulnerável e ainda consome tanta energia quanto os domicílios em situação de segurança energética. As casas com alta vulnerabilidade social apresentaram alto consumo de energia devido à posse de eletrodomésticos antigos e de baixa eficiência energética. No período inicial da pandemia de Covid-19, houve um aumento de 5,0% no consumo de energia, o que pode estar associado à maior permanência das crianças nos lares. Aquisição de eletrodomésticos e consumo do gás (adicionar TNV1 e TNV2).
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1636125 - SOLANGE MARIA LEDER
Externo ao Programa - 6336620 - LUIZ BUENO DA SILVA
Externo à Instituição - LUCILA CHEBEL LABAKI