PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ODONTOLOGIA (PPGO)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Notícias
Banca de DEFESA: MARIA LETICIA BARBOSA RAYMUNDO
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MARIA LETICIA BARBOSA RAYMUNDO
DATA: 18/03/2026
HORA: 13:30
LOCAL: Auditório do CCS
TÍTULO: Saúde bucal de Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil: um olhar sobre um
território Quilombola na cidade de João Pessoa PB , um estudo de métodos mistos
PALAVRAS-CHAVES: Quilombolas; Cárie Dentária; Enquadramento Interseccional; Inquéritos Epidemiológicos. Disparidades no estado de saúde.
PÁGINAS: 144
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Odontologia
RESUMO: Povos e Comunidades Tradicionais (PCT) do Brasil são afetados pelas iniquidades em saúde e, consequentemente, em saúde bucal. O levantamento de informações epidemiológicas acerca do estado de saúde bucal é o passo inicial para tornar a situação epidemiológica visível. O objetivo desta tese foi elucidar a condição de saúde de PCT e, para isso, foram desenvolvidos três capítulos. O primeiro capítulo está dividido em dois artigos, que consistiram na elaboração do protocolo e desenvolvimento de uma revisão de escopo para mapear as evidências disponíveis sobre pesquisas em saúde bucal dos Povos e Comunidades Tradicionais (PCT) no Brasil, por meio de estudos primários, para responder à pergunta: Quais evidências estão disponíveis sobre os inquéritos de saúde bucal de PCT no Brasil?. A revisão seguiu a estratégia Problema, Conceito e Contexto, e utilizou termos do Medical Subject Headings, sinônimos e termos livres. A busca foi realizada nas bases MEDLINE/PubMed, LILACS, Scopus, Web of Science e Embase, com atualização até julho de 2023. Identificaram-se 401 citações, das quais 211 foram excluídas por duplicidade. Após triagem por título e resumo, 136 estudos foram removidos. Na leitura completa, 39 estudos foram incluídos, além de 2 inseridos manualmente. As publicações datam de 1968 a 2023: 31 sobre povos indígenas, 7 sobre comunidades quilombolas e 3 sobre povos ribeirinhos; nenhum estudo sobre povos ciganos foi encontrado. Todos os estudos foram do tipo transversal. A maior parte localizados nas regiões Nordeste (n=12) do país, avaliando a cárie dentária como principal agravo de saúde bucal (n=13), por meio de exames clínicos (n=25), sendo verificada sua alta prevalência entre os PCT (n=11). A revisão revela que os estudos acerca da saúde bucal de PCT estão em curso, embora ocorram de forma isolada e independente, e indicam alta prevalência de problemas bucais nesses povos. No segundo capítulo foi realizado um inquérito epidemiológico transversal, de base populacional no território da Comunidade Quilombola de Paratibe, localizado no município de João Pessoa-PB, com crianças de 5 a 8 anos, que originaram três artigos. O primeiro artigo teve por objetivo analisar, sob a ótica da teoria da interseccionalidade, a condição de saúde bucal de crianças do território quilombola. Foram utilizados os índices ceo- s/CPO-S e pufa/PUFA. Três modelos de regressão multinível analisaram como variáveis dependentes: experiência de cárie, cárie não tratada e índice pufa. Variáveis com p<0,05 foram significativas, evidenciando a influência dos Determinantes Sociais da Saúde e marcadores sociais da diferença na interseccionalidade de populações vulneráveis. No modelo de regressão multinível de Poisson, a intersecção entre autoatribuição como quilombola e dieta cariogênica está associada à experiência de cárie dentária (RP=1,84, IC 95% 1,04-3,26, p=0,03) e cárie dentária não tratada (RP=2,82, IC 95% 1,12-7,07, p=0,02). A intersecção entre autoatribuição como quilombola e declaração étnico- racial está associada à experiência de cárie dentária (RP=5,69, IC 95% 3,2-10,11, p<0,001) e cárie dentária não tratada (RP=10,34, IC 95% 2,96-36,66, p<0,001). O segundo artigo teve por objetivo utilizar a erupção dentária como uma medida para verificar a possibilidade de ser considerada uma variável proxy para insegurança alimentar em crianças de contextos socioeconômicos desfavoráveis. A insegurança alimentar foi avaliada por meio da EBIA. A análise estatística utilizou regressão logística multinomial ajustada para variáveis sociodemográficas, considerando p<0,05. Foram analisadas 62 crianças com média de 7 anos de idade. Quanto à erupção dentária, 75,8% apresentaram pelo menos um primeiro molar totalmente erupcionado. No modelo de regressão logística multinomial, a erupção dentária esteve significativamente associada à autoatribuição quilombola (OR=30,21; IC95%: 3,46263,78) e à insegurança alimentar (OR=7,57×10; ⁹ IC95%: 4,64×101,23×10¹). No terceiro capítulo, foi desenvolvido estudo teve como objetivo compreender a percepção em saúde bucal de responsáveis por crianças da território aprofundando os achados capítulo anterior. Trata-se de um estudo de métodos mistos, de delineamento sequencial explicativo, em que foram realizadas oito entrevistas semiestruturadas com as mães responsáveis, analisadas pelo Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) e pela Classificação Hierárquica Descendente no IRAMUTEQ. Oito mães das crianças foram entrevistadas. As entrevistas geraram 38 expressões-chave (EC) que foram concatenadas em 11 ideias centrais (IC) que originaram os Discursos do Sujeito Coletivo em quatro categorias: Percepção em saúde bucal, Fatores que influenciam a saúde bucal dos filhos, Autoatribuição quilombola, e Fatores necessários para boa saúde bucal. Os achados mostraram a insatisfação das mães com sua condição de saúde bucal. Em contraste, relataram percepção positiva sobre a saúde bucal dos filhos, apesar da culpabilização. Além disso, não houve menção à discriminação por origem quilombola nos serviços de saúde. Dessa forma, o estudo revela que compreender as percepções de saúde de uma comunidade é necessário para entender reais necessidades de grupo frente ao problema de saúde estudado.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente(a) - 2332212 - YURI WANDERLEY CAVALCANTI
Interno(a) - 2405870 - LEOPOLDINA DE F DANTAS DE ALMEIDA
Interno(a) - 1636121 - SIMONE ALVES DE SOUSA
Externo(a) à Instituição - ANDREIA MEDEIROS RODRIGUES CARDOSO
Externo(a) à Instituição - DANILSON FERREIRA DA CRUZ