PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ODONTOLOGIA (PPGO)
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Notícias
Banca de QUALIFICAÇÃO: JULIANE EVELYN MOREIRA DE AZEVEDO
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JULIANE EVELYN MOREIRA DE AZEVEDO
DATA: 29/10/2026
HORA: 10:00
LOCAL: USO DE RECURSOS À DISTÂNCIA
TÍTULO: Saúde Bucal e Acesso aos Serviços Odontológicos: Percepções de Pessoas Surdas
PALAVRAS-CHAVES: Pessoas com surdez. Odontologia. Saúde bucal. Inclusão social.
PÁGINAS: 60
RESUMO: O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dados
preliminares de 2022 registrou 2,6 milhões de pessoas surdas, já se tratando do
estado da Paraíba, há mais de 59 mil (2022). Apesar do número expressivo
populacional, a comunidade surda ainda enfrenta inúmeros desafios como o
estigma histórico e o isolamento social. Estudos demonstram que há baixo grau de
conscientização sobre saúde bucal entre os pacientes surdos. Este estudo teve
como objetivo compreender a percepção de pessoas surdas acerca do
atendimento odontológico, considerando suas experiências, percepções e
reflexões, bem como os contextos em que essas vivências ocorrem e os
significados a elas atribuídos. Trata-se de um estudo misto com abordagem
quantitativa e qualitativa, de caráter descritivo e exploratório, realizado com 14
pessoas surdas entre outubro de 2025 e maio de 2026. A coleta de dados foi
realizada por meio da aplicação de questionários e entrevistas, com auxílio de
intépretes de Libras. O instrumento quantitativo contemplou caracterização
socioeconômica, acesso ao atendimento odontológico, impacto da saúde bucal
nas atividades diárias, por meio do Oral Impacts on Daily Performances (OIDP), e
entrevista semiestruturada sobre as experiências dos participantes no atendimento
odontológico. Os dados quantitativos foram submetidos à análise descritiva,
enquanto as entrevistas foram analisadas por meio da Análise de Conteúdo
Temática, segundo Bardin. Participaram 14 pessoas surdas, com idade entre 21 e
58 anos. Embora 92% relatassem necessidade de tratamento odontológico,
apenas 21% haviam realizado consulta no último ano, enquanto 43% não
frequentavam o dentista há mais de três anos. Quanto ao impacto da saúde bucal nas atividades diárias, 50% relataram dificuldades para se alimentar e 42%
alterações no sono relacionadas a problemas bucais. Os dados qualitativos
indicam que as barreiras de comunicação constituem o eixo central das
dificuldades enfrentadas pela comunidade surda no acesso ao cuidado
odontológico, o que compromete a autonomia do indivíduo surdo e gera
sentimentos de medo e insegurança. Esse cenário se agrava pela falta de
conhecimento dos profissionais com o caráter visual da cultura surda e por fatores
organizacionais, como a demora no atendimento. Em contrapartida, os relatos
destacam que o fortalecimento do vínculo terapêutico e a empatia na relação
profissional-paciente são caminhos fundamentais para a promoção de um cuidado
inclusivo. Espera-se que a pesquisa contribua para ampliar a visibilidade das
pessoas surdas no campo da saúde bucal, especialmente no que se refere às
suas percepções e experiências relacionadas ao atendimento odontológico.
Pretende-se, ainda, que os resultados possam subsidiar ações voltadas à
promoção da inclusão, à redução das barreiras comunicacionais e relacionais e à
qualificação do cuidado odontológico, favorecendo o acesso equitativo e a
participação social das pessoas surdas.
MEMBROS DA BANCA:
Externo(a) à Instituição - ANDREZA CRISTINA DE LIMA TARGINO
Interno(a) - 2527943 - ELIANE BATISTA DE MEDEIROS SERPA
Presidente(a) - 2380400 - FRANKLIN DELANO SOARES FORTE