PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ODONTOLOGIA (PPGO)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

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Banca de QUALIFICAÇÃO: MARIA LETICIA BARBOSA RAYMUNDO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MARIA LETICIA BARBOSA RAYMUNDO
DATA: 30/07/2025
HORA: 14:00
LOCAL: Auditório do PPGO
TÍTULO: Saúde bucal de Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil: um olhar sobre um território Quilombola na cidade de João Pessoa – PB
PALAVRAS-CHAVES: Quilombolas; Cárie Dentária; Enquadramento Interseccional; Inquéritos Epidemiológicos.
PÁGINAS: 110
RESUMO: Povos e Comunidades Tradicionais (PCT) do Brasil são afetados pelas iniquidades em saúde e, consequentemente, em saúde bucal. O levantamento de informações epidemiológicas acerca do estado de saúde bucal é o passo inicial para tornar a situação epidemiológica visível. O objetivo desta dissertação foi elucidar a condição de saúde de PCT e, para isso, foram desenvolvidos três planos de trabalho. O primeiro plano de trabalho consistiu na elaboração do protocolo e desenvolvimento de uma revisão de escopo para mapear as evidências disponíveis sobre pesquisas em saúde bucal dos Povos e Comunidades Tradicionais (PCT) no Brasil, por meio de estudos primários, para responder à pergunta: “Quais evidências estão disponíveis sobre os inquéritos de saúde bucal de PCT no Brasil?”. A revisão seguiu a estratégia Problema, Conceito e Contexto, conforme o Instituto Joanna Briggs, e utilizou termos do Medical Subject Headings, sinônimos e termos livres. A busca foi realizada nas bases MEDLINE/PubMed, LILACS, Scopus, Web of Science e Embase, com atualização até julho de 2023. Identificaram-se 401 citações, das quais 211 foram excluídas por duplicidade. Após triagem por título e resumo, 136 estudos foram removidos. Na leitura completa, 39 estudos foram incluídos, além de 2 inseridos manualmente. As publicações datam de 1968 a 2023: 31 sobre povos indígenas, 7 sobre comunidades quilombolas e 3 sobre povos ribeirinhos; nenhum estudo sobre povos ciganos foi encontrado. Todos os estudos foram do tipo transversal. A maior parte localizados nas regiões Nordeste (n=12) do país, avaliando a cárie dentária como principal agravo de saúde bucal (n=13), por meio de exames clínicos (n=25), sendo verificada sua alta prevalência entre os PCT (n=11). A revisão revela que, no Brasil, os estudos acerca da saúde bucal de PCT estão em curso, embora ocorram de forma isolada e independente, e indicam que a prevalência de problemas bucais é consideravelmente alta nessas comunidades. No segundo plano de trabalho foi realizado um inquérito epidemiológico transversal, de base populacional no território da Comunidade Quilombola de Paratibe, localizado no município de João Pessoa-PB, com crianças de 5 a 8 anos, que originaram dois artigos. O primeiro artigo teve por objetivo analisar, sob a ótica da teoria da interseccionalidade, a condição de saúde bucal de crianças do território quilombola. Foram utilizados os índices ceo-s/CPO-S e pufa/PUFA. Três modelos de regressão multinível analisaram como variáveis dependentes: experiência de cárie, cárie não tratada e índice pufa. Variáveis com p<0,05 foram significativas, evidenciando a influência dos Determinantes Sociais da Saúde e marcadores sociais da diferença na interseccionalidade de populações vulneráveis. No modelo de regressão multinível de Poisson, a intersecção entre autoatribuição como quilombola e dieta cariogênica está associada à experiência de cárie dentária (RP=1,84, IC 95% 1,04-3,26, p=0,03) e cárie dentária não tratada (RP=2,82, IC 95% 1,12-7,07, p=0,02). A intersecção entre autoatribuição como quilombola e declaração étnico-racial está associada à experiência de cárie dentária (RP=5,69, IC 95% 3,2-10,11, p<0,001) e cárie dentária não tratada (RP=10,34, IC 95% 2,96- 36,66, p<0,001). A autoatribuição como quilombola, fatores socioeconômicos e dieta cariogênica estão associados à experiência de cárie dentária e cárie dentária não tratada no território quilombola, evidenciando a influência dos DSS e marcadores sociais de diferença na saúde de populações vulneráveis. O segundo artigo teve por objetivo utilizar a erupção dentária como uma medida para verificar a possibilidade de ser considerada uma variável proxy para insegurança alimentar em crianças de contextos socioeconômicos desfavoráveis. A insegurança alimentar foi avaliada por meio da EBIA. A análise estatística utilizou regressão logística multinomial ajustada para variáveis sociodemográficas, considerando p<0,05. Foram analisadas 62 crianças com média de 7 anos de idade. Quanto à erupção dentária, 75,8% apresentaram pelo menos um primeiro molar totalmente erupcionado. No modelo de regressão logística multinomial, a erupção dentária esteve significativamente associada à autoatribuição quilombola (OR=30,21; IC95%: 3,46–263,78) e à insegurança alimentar (OR=7,57×10 ; IC95%: 4,64×10 – ⁹ ⁹ 1,23×10¹ ). ⁰ Por se tratar de um evento físico de fácil observação pelo cirurgiãodentista e apresentar associação com a insegurança alimentar, a não erupção dos dentes permanentes pode ser utilizada verificar a presença dessa condição.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2527943 - ELIANE BATISTA DE MEDEIROS SERPA
Externo à Instituição - JULIANA PEREIRA DA SILVA FAQUIM
Interno - 306485 - WILTON WILNEY NASCIMENTO PADILHA